segunda-feira, 16 de março de 2009

Você já ouviu falar em EXPLOSÃO?

O ataque da bolsa de Nova York

O vice-presidente da Nyse chega ao Brasil em março - e seu objetivo é levar empresas locais para a maior bolsa do mundo

Dimitros Kambouris/ Getty Images Cutler, da Nyse: “O Brasil é uma oportunidade para nós

” Por Tiago Lethbridge | 05.03.2009 | 18h31

Revista EXAME -
O americano Scott Cutler, vice-presidente da Bolsa de Valores de Nova York (ou Nyse, na sigla em inglês), é responsável pelo relacionamento da instituição com mais de 1 700 empresas. Ele vem ao Brasil em março para tentar aumentar esse número - com companhias locais. Antes da viagem, Cutler falou a EXAME sobre seus planos.

1) O senhor vem ao Brasil para convencer as empresas locais a listar suas ações na bolsa de Nova York. Quais são seus argumentos?
São muitos. A base de acionistas aumenta, a empresa tem mais visibilidade, as ações são mais negociadas. Finalmente, o valor da companhia aumenta.

2) O número de alvos brasileiros potenciais não é muito pequeno, uma vez que a bolsa de Nova York é um espaço tradicionalmente reservado para empresas grandes?
Não. Isso até já foi verdade, mas as coisas mudaram totalmente. Hoje, empresas de qualquer tamanho podem listar suas ações na Nyse. O número de companhias brasileiras qualificadas é muito grande. O Brasil representa uma fenomenal oportunidade para nós.

3) Qual é a importância das empresas de mercados emergentes para a Nyse, sobretudo num momento em que a economia americana está parada?
Hoje, temos 431 empresas de fora dos Estados Unidos listadas. O Brasil é o terceiro país nessa lista, atrás de Canadá e China. São 31 empresas. A última a listar suas ações em Nova York foi a Eletrobrás, em dezembro. O objetivo da bolsa de Nova York é aumentar esse número.

4) Muitos dizem que o aumento do número de empresas brasileiras na Nyse pode esvaziar a Bovespa...
Não é verdade. A Bovespa não é nossa competidora. Pelo contrário. Somos totalmente complementares. As empresas nacionais têm muito a ganhar sendo listadas tanto em São Paulo quanto em Nova York.

5) Mas há espaço para novas emissões num mercado tão caótico quanto o atual?
É evidente que o mercado acionário não vive seus melhores momentos, mas há oportunidades para boas empresas. Em fevereiro, uma empresa de nutrição infantil, a Mead Johnson, abriu o capital na Nyse. A demanda dos investidores foi 11 vezes maior que a oferta, e a operação foi um sucesso.

6) A Nyse cresceu de forma avassaladora, sobretudo comprando outras bolsas. O Brasil - a BM&F Bovespa, portanto - é um alvo?
Claro que não posso especular sobre isso. Mas somos um parceiro da Bovespa, investimos cerca de 90 milhões de dólares em sua abertura de capital. É o que posso dizer.

7) A competição entre as bolsas está cada vez mais globalizada, portanto?
Sim e não. A maioria das bolsas restringe sua atuação a empresas de seu país. Poucas bolsas competem em escala global, disputando empresas do mundo inteiro. E nós somos uma delas.

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