As respostas para as dúvidas mais comuns entre os investidores - a maioria confusa com o cenário de incertezas na economia
Por Giuliana Napolitano | 05.03.2009 | 17h41
Revista EXAME -
1 - A empresa onde trabalho está demitindo. Se perder o emprego, terei de usar recursos que estão aplicados em ações para pagar as contas do dia-a-dia. O que faço?
O melhor é começar a sacar aos poucos o dinheiro que está investido na bolsa de valores. "Aproveite os dias de alta do mercado para vender parte das ações", diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi. "Quem corre o risco de ser demitido deve manter, no mínimo, 75% do patrimônio na renda fixa."
2 - Onde invisto recursos que vou usar daqui a seis meses?
Em aplicações conservadoras de renda fixa, como os fundos DI, CDBs ou caderneta de poupança. A bolsa só vale a pena para quem vai deixar o dinheiro investido por, no mínimo, dois anos. "O mercado deve continuar bastante volátil nos próximos meses e sem uma tendência definida", diz Marcelo Audi, estrategista da corretora do Santander.
3 - Está na hora de aplicar na renda fixa?
Sim. Se for aplicar em um fundo DI ou em um título público pós-fixado, o rendimento é equivalente à taxa Selic - próximo a 10% neste ano. Um fundo prefixado pode render mais do que isso. Em ambos os casos, trata-se de um retorno muito bom para um ano de crise econômica. "A bolsa até pode gerar retornos melhores, mas há muitas incertezas e o risco é enorme. O cenário da renda fixa é mais claro e bastante atraente", afirma Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos.
4 - Dá para ganhar dinheiro fazendo aplicações de curtíssimo prazo na bolsa para aproveitar os altos e baixos do mercado?
Dá, mas os riscos são enormes. Como o humor dos investidores muda dia a dia e ninguém sabe qual é o fundo do poço para o preço das ações, é difícil prever quando a bolsa vai valorizar. Além disso, para tentar acertar, o investidor precisa acompanhar o mercado minuto a minuto - um comportamento um tanto temerário num momento em que as empresas estão demitindo.
5- Já passou a hora de investir em CDBs?
Não. O que ficou para trás são os altos retornos oferecidos por CDBs de grandes bancos - no fim de 2008, algumas instituições chegaram a pagar mais que a taxa básica de juro da economia, a Selic, algo raro. Mesmo assim, ainda é um bom negócio aplicar em CDBs. O investidor deve lembrar que, mesmo em caso de quebra do banco, o governo garante a devolução de até 60 000 reais por instituição.
6 - É sempre um bom negócio comprar as ações que estão baratas no mercado?
Não. Boas empresas com ações baratas são o sonho de todo investidor. Mas o preço, por si só, não diz tudo. "Depende de quais ações o investidor vai comprar. Quem compra uma ação só porque ela caiu demais pode terminar com um defunto, como o papel da Sharp", diz Florian Bartunek, ex-sócio do banco Pactual e um dos fundadores da gestora de recursos Constellation, referindo-se à falência da unidade brasileira da fabricante de eletroeletrônicos. "Nem todas as empresas que estão na bolsa hoje vão sobreviver nos próximos cinco anos." A recomendação dos especialistas é reavaliar a carteira de ações a cada três meses, em média, para ver qual é a situação financeira das empresas. Quem compra ação diretamente na bolsa deve olhar os balanços e ler os relatórios de analistas financeiros para conhecer mais de perto as empresas nas quais aplica. Se seu investimento for em um fundo de ações, cobre informações de seu gestor.
7 - É melhor adiar a compra da casa própria?
"Quem encontrou o imóvel que estava procurando num preço que considera razoável deve comprar", diz Fábio Nogueira, diretor da Brazilian Finance & Real Estate, empresa financeira-imobiliária, de São Paulo. Ninguém arrisca fazer uma previsão sobre os preços dos imóveis nos próximos meses. Pode ser que eles caiam em razão da crise econômica? Pode. Mas é igualmente provável que o pacote do governo para o setor de construção civil, que está para ser anunciado, dê um alento ao segmento e que os preços se mantenham - ou até subam um pouco. Quem tem dinheiro em caixa deve ficar atento a oportunidades pontuais. "Pode acontecer de alguém ter de vender um imóvel às pressas para cobrir alguma despesa", diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi. "Além disso, os leilões de imóveis de inadimplentes devem ficar mais frequentes."
8 - Aplicar em ouro compensa?
Não. Desde o começo de 2008, o preço do ouro no mercado internacional subiu apenas 6%, bem menos que o rendimento dos fundos DI, que foi de cerca de 12% no período. "Pode ser que o ouro volte a se valorizar, mas não acredito numa alta duradoura. Esse metal é um seguro contra catástrofes e contra a disparada da inflação, e não vejo esse cenário em 2009", diz Otávio Vieira, diretor do Safdié Private Bank. Para os especialistas, existem opções melhores no mercado de renda fixa. "O juro brasileiro é altíssimo, o investidor deve aproveitar", diz Vieira.
9 - Comprar dólares é um bom negócio?
Só para quem precisa pagar alguma dívida na moeda americana ou planeja fazer uma viagem nos próximos meses. "Uma valorização forte do dólar não está no nosso radar", diz Samuel Kinoshita, analista da Ideias Consultoria, uma das instituições que mais acertaram as previsões para o câmbio em 2008, segundo um levantamento feito pelo Banco Central.
quinta-feira, 12 de março de 2009
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