domingo, 31 de janeiro de 2010
Depois de 2009 ruim, dólar reverte tendência e é melhor investimento de janeiro
Também se beneficiando da aversão ao risco, o investimento em ouro ficou em segundo lugar no quesito rentabilidade entre as principais métricas de investimentos do mercado de capitais brasileiro. A commodity, que já se destacou em 2009, fechou o mês com avanço nominal de 6,45%.
A bolsa brasileira, por sua vez, teve seu pior resultado desde outubro de 2008 (pior mês da crise financeira, quando o índice recuou quase 25%), e encerrou o mês com rentabilidade negativa de 4,65%. A realização de lucros, o clima negativo nos mercados externos e o forte recuo das commodities afetaram o resultado da bolsa – que se tornou a única entre as principais métricas de investimento a registrar retorno negativo em janeiro. Com isso, o Ibovespa pôs fim a 6 meses de valorização.
Dentro das alternativas de renda fixa, a aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,69% em janeiro, marca pouco superior à do benchmark CDI (+0,66%). A tradicional caderneta de poupança apresentou retorno de 0,53% em termos nominais, ou de -0,10% quando considerada a variação de 0,63% do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) no período.
Freio no otimismo
Depois de um forte avanço em 2009, 2010 começou com um tom mais cauteloso. Além de uma realização dos lucros vistos nos meses anteriores, preocupações acerca da sustentabilidade e real força da recuperação global ficaram em foco, assim como a situação ruim de alguns países, como a Grécia.
Indicações de um aperto monetário na China foram mal recebidas pelo mercado, assim como a proposta do presidente norte-americano, Barack Obama para uma nova regulamentação do sistema financeiro. Se aprovada, a nova regulação pode forçar grandes bancos a optar entre ser um banco comercial ou fazer operações mais complexas e com maior risco, como hedge funds.
A temporada de resultados também afetou os investidores, trazendo a tona números divergentes. Da mesma maneira, as referências econômicas não ofereceram uma tendência clara aos mercados.
No plano institucional, o Fed (BC dos EUA) – que terá Ben Bernanke como chairman por mais quatro anos – revelou discordâncias entre os membros de seu comitê na decisão coletiva de manter a Fed Funds Rate (taxa de juros) em sua mínima histórica, dando sinais de que um aperto monetário pode estar por vir.
No cenário corporativo doméstico, o destaque foi a aquisição da Quattor pela Braskem. A empresa passou a ser controlada pela Odebrecht (50,1% do capital votante) e pela Petrobras, que consolida sua participação no setor petroquímico. Já a Braskem passa a ser a maior empresa do setor na América em termos de capacidade de produção de resinas.
Chávez cria fundo de 1 bilhão de dólares para resolver crise de energia
"Decidimos criar um fundo elétrico nacional para o desenvolvimento elétrico. Vou transferir esses recursos para o ministério de Energia para que não haja nenhum atraso", disse Chávez durante seu programa dominical "Alô, Presidente".>
"Podemos dispor inicialmente de 1 bilhão de dólares para acelerar isso", acrescentou.
Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de 59 projetos de geração e distribuição de energia elétrica, e 50 de operações e manutenção, disse Chávez.
A Venezuela enfrenta uma grave crise energética devido a um sistema de geração que entrou em colapso e à forte seca que afeta o país, que fez a água da represa do Guri, responsável pela produção de cerca de 70% da energia consumida no país, cair a níveis críticos.
O governo lançou um programa de racionamento de energia para diminuir em 20% o consumo. Até agora, apenas 4% foram economizados, segundo o ministro de Energia Elétrica, Alí Rodríguez.
Chávez mandou desativarem um polêmico plano de cortes de luz por faixas de horários em Caracas devido às "consequências indesejadas", mas Rodríguez disse que logo anunciará um novo esquema de racionamento para a capital.
Serra nega intenção de privatizar a Cesp neste ano
A renovação das concessões permitira a retomada do leilão de privatização da energética paulista, mas Serra minimizou o assunto. O tucano disse ter lido apenas a manchete do jornal Folha S. Paulo de hoje. "Não está nos nossos planos neste ano fazer nenhuma venda de ações e privatização da Cesp", disse após inaugurar novas alas do Hospital Geral de Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Em Minas Gerais, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que não existe na pauta do ministério a renovação das concessões do setor elétrico que vencem entre 2015 e 2020. "Na Casa Civil, não está na pauta e isso vence em 2015, se eu não me engano", afirmou. "Eu não tenho essa informação, isso não passou pela Coordenação de Projetos", disse.
Com saída de estrangeiro, Bolsa perde 4,65% em janeiro
O desempenho visto no fechamento se mostrou muito melhor em outros momentos do dia. O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira em baixa de 0,28% a 65.401,77 pontos. Na máxima da sessão, o índice atingiu 66.576 pontos (+1,51%), mas foi diminuindo os ganhos até pisar no negativo, aos 65.140 pontos (-0,68%), acompanhando a piora em Nova York. O giro financeiro hoje totalizou R$ 6,279 bilhões, segundo dados preliminares. Os indicadores divulgados nos EUA, ao contrário de ontem, surpreenderam positivamente e até deram um gás ao movimento de compra de ações.
O clima no mercado já havia amanhecido melhor, em razão dos balanços positivos da Microsoft e Amazon.com, além da confirmação pelo Senado dos EUA de Ben Bernanke à frente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para um segundo mandato. A esse clima se somaram a primeira prévia do PIB do quarto trimestre dos EUA, que exibiu expansão de 5,7% ante projeção de 4,8%; o índice de atividade dos gerentes de compras de Chicago, que subiu para 61,5 em janeiro, melhor do que a queda para 57,2 esperada; e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com alta para 74,4 em janeiro, acima dos 73,0 previstos.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
TAM negocia compra de parte da LAN Chile
As conversas são lideradas pelo banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual e membro do conselho de administração da TAM. Esteves articulou um grupo de bancos de investimento para apoiar a empresa da família Amaro na transação. Parte dos recursos viria também do IPO do Multiplus, que pode acrescentar até 1,2 bilhão de reais ao caixa da TAM, caso a oferta saia pelo teto da faixa de preço - 24 reais por ação - e os lotes adicionais de ações sejam lançados.
Piñera detém 26% da LAN Chile, por meio de duas holdings - a Axxion, que possui 19% da aérea, e a Santa Cecília, com 7%. O objeto das negociações é a fatia da Axxion. Durante a campanha, Piñera transferiu a titularidade da Santa Cecília à sua esposa, Cecília Morel - o que gerou críticas dos opositores e a afirmação do empresário de que não precisaria se desfazer dessas ações porque, afinal de contas, era sua esposa, e não ele, quem as detinha.
Concorrente
O concorrente mais forte da TAM na disputa pelas ações é a família Cueto, que já detém 25% da LAN Chile. Quem acompanha as negociações afirma que, por ora, a vantagem na disputa é dos Cueto. “Eles estão lutando muito para assumir a fatia de Piñera”, diz uma fonte a par das movimentações. Listada na Bolsa de Santiago e com papéis negociados também na Bolsa de Nova York, a empresa chilena conta ainda com diversos fundos americanos e mais de 1.100 acionistas individuais - mas consolidar uma posição na aérea a partir da compra de lotes pulverizados no mercado não está nos planos da TAM
Entrar no capital da empresa chilena traria muitas vantagens estratégicas para a TAM. Fundada em 1929 e privatizada em 1989, a LAN Chile é uma das maiores companhias aéreas da América Latina, com operações para os Estados Unidos, Canadá, América Latina, Europa e Oceania. Conta com uma frota de 96 aeronaves e subsidiárias na América do Sul e no setor de transporte de cargas. “A empresa seria um grande complemento à malha que a TAM já possui”, afirma uma fonte.
Conta a favor do negócio as boas relações da família Amaro com os Cueto e os Piñera desde a época em que a TAM, era comandada por seu fundador, o comandante Rolim Amaro. Em maio de 2007, por exemplo, as duas empresas formalizaram um acordo de compartilhamento de voos. Se a TAM entrar no capital da LAN, a tendência é de que a parceria entre as empresas seja aprofundada.
Caso o Congresso aprove o projeto de lei que aumenta de 20% para 49% o limite de capital estrangeiro em uma empresa aérea brasileira, as duas companhias poderiam até se tornar uma só futuramente. Em novembro do ano passado, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em caráter terminativo, mas, para entrar em vigor, ainda precisará do aval da Câmara e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias já se manifestou publicamente a favor do aumento do limite do capital estrangeiro com a manutenção do controle nacional das companhias aéreas.
Plano B
As ações do Multiplus começarão a ser negociadas na Bovespa na próxima sexta-feira (5/2), de acordo com o prospecto preliminar da oferta. Os recursos do IPO estarão no caixa da nova controlada da TAM em 9 de fevereiro, quando os compradores de papéis efetuarão o pagamento. Pelo prospecto, 94% do dinheiro captado será transferido para a TAM, por meio de uma operação de venda de passagens-prêmio e pontos. Somente 6% do montante permanecerá no caixa da Multiplus.
Os prazos divulgados são compatíveis com a pressa com que Piñera quer resolver sua situação na LAN Chile. Os envolvidos afirmam que a conclusão do negócio não passará de março. Isto porque a participação do empresário na companhia vem sendo duramente criticada pela oposição chilena, e já causa desconforto na população em geral. Apesar de ser reconhecida como uma das melhores empresas aéreas da América Latina, os chilenos ressentem-se do virtual monopólio que a LAN Chile exerce no seu país de origem. “A empresa é praticamente um monopólio privado, e ter o presidente do país como dono não soa bem”, resume uma fonte.
Se os Amaro perderem a briga, o plano B pode ser aplicar os recursos na área de gestão de aeroportos - um plano acalentado há bastante tempo por Maria Cláudia Amaro, filha de Rolim e presidente do conselho de administração da TAM. O problema, aqui, é a política interna brasileira. A privatização dos aeroportos é um tema que vem conquistando a simpatia da opinião pública, mas que ainda enfrenta fortes resistências entre os políticos. A TAM teria que aguardar o desfecho da eleição presidencial de outubro e torcer para que um candidato favorável ao tema vença o pleito. “É um plano B muito incerto. Por isso eles estão investindo muito na compra da LAN Chile”, diz um observador.
Yara negocia venda de fatia na Fosfertil para Vale
Em fato relevante, a Vale. confirmou o contrato de compra e venda de ações com a Yara, por meio de sua subsidiária Mineração Naque, dentro do processo de aquisição de 100% do capital da Bunge Participações e Investimentos (BPI), anunciado na quarta-feira.
No comunicado, a Vale explica que, para o preço de exercício do contrato de opção com a Yara, de US$ 785.121.943, foi utilizado o mesmo preço por ação acordado com BPI, Fertilizantes Heringer e Fertipar para a aquisição de suas participações na Fosfertil.
Segundo foi aprovado na reunião do conselho da Yara, o negócio está condicionado à venda, pela Bunge Fertilizantes, de sua participação direta ou indireta na Fosfertil.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Empréstimos do BNDES batem recorde de R$ 137,4 bi em 2009
O banco teve papel relevante durante a crise financeira internacional para minimizar a falta de crédito do mercado interno.
"A economia brasileira já está crescendo, viramos a página da crise. A discussão agora é o ritmo que teremos em 2010 e 2011 (da economia)", disse o presidente do banco, Luciano Coutinho, a jornalistas.
No ano passado, as consultas e os enquadramentos cresceram 27% e 22%, respectivamente, em relação a 2008, e totalizaram R$ 223,9 bilhões e R$ 190,1 bilhões.
Enrique Bañuelos aumenta participação na Agre
A Veremonte Participações, empresa de investimentos do empresário espanhol Enrique Bañuelos, adquiriu 4,35% adicionais do capital social da imobiliária Agre. As ações foram vendidas por Bruno de Albuquerque, Ricardo Setton e Luiz Roberto Horst Silveira Pinto, participantes da administração da Agre.
Essa aquisição de papéis aumenta para aproximadamente 28,8% a fatia pertencente a Bañuelos na empresa imobiliária, que é resultado de uma fusão entre Abyara, Agra e Klabin, Segall, realizada em setembro de 2009. "Com a aquisição, a Veremonte reforça seu compromisso com a Companhia e confiança no setor imobiliário brasileiro", afirma a companhia em comunicado.
Enrique Bañuelos montou um império imobiliário na Espanha e conseguiu faturar bilhões de euros, mas seu negócio entrou em declínio com a crise mundial. Em 2008, o empresário começou a sondar o mercado brasileiro para conseguir se reinserir nos negócios e, em outubro, convenceu os executivos da Agra - entre eles Setton e Silveira Pinto - a permitirem sua participação na empresa.
Um ano depois, com a aquisição de outras companhias imobiliárias, formou-se a Agre, que se tornou a empresa brasileira mais diversificada no setor, se aproveitando da estrutura organizacional já consolidada na Agra.
Fusões e aquisições vão aquecer 2010
Já virou folclore dizer que, antes do Carnaval, os únicos que trabalham duro no Brasil são os próprios carnavalescos. Mas, longe dos galpões das escolas de samba, outro bloco começou 2010 em um ritmo tão ou mais frenético - o das fusões e aquisições. Em suas alas, desfilam executivos de empresas de todos os portes, investidores, fundos de private equity, consultores e advogados. Se o início do ano passado foi atravessado pelo descompasso da crise econômica, que retraiu os investimentos e fez com que as aquisições sumissem da avenida por seis meses, as primeiras semanas de janeiro mostram uma nova nota de otimismo. A compra da Quattor pela Braskem, criando a oitava maior petroquímica do mundo, e a aquisição do braço mexicano do banco ibi pelo Bradesco - ambas antecipadas pelo Portal EXAME - são apenas dois exemplos de que o mercado promete muito samba neste ano.
Segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers, a previsão para 2010 é de que 700 fusões e aquisições sejam realizadas no Brasil. Se isso for confirmado, o país ficará pouco atrás de 2007, quando bateu o recorde de operações, com 721. "Desde o início de janeiro estamos tocando uma média de 25 transações", afirma Alexandre Pierantoni, sócio da Price. É verdade que o ano passado não foi, propriamente, uma tragédia. Ao todo, foram fechados 630 negócios no país – pouco abaixo dos 643 de 2008. Entre eles, estão movimentos expressivos como a fusão da Sadia com a Perdigão, que criou a Brasil Foods, e a consolidação do setor de varejo, liderada pelo Pão de Açúcar que, em seis meses, comprou o Ponto Frio e o uniu com a Casas Bahia.
"Quase todas as negociações que estavam suspensas por causa da crise foram retomadas, e outras foram iniciadas", afirma Alexandre Bertoldi, sócio-diretor do Pinheiro Neto, cujo escritório está envolvido em 15 operações no momento. "O número de negócios em curso é totalmente atípico para janeiro", completa. A corrida para fusões e aquisições é sustentada pela resistência que o país demonstrou durante a crise mundial nos últimos 18 meses - o que lhe rendeu elogios públicos. Na edição de dezembro passado da revista EXAME, o presidente do JP Morgan, Jamie Dimon, afirmou que o Brasil não é mais um mercado emergente. "Já emergiu", enfatizou Dimon um mês depois de a revista inglesa The Economist estampar na capa a imagem do Cristo Redentor decolando como um ônibus espacial.
Private equities
Os fundos de private equity - especializados em comprar participações em empresas - devem protagonizar várias transações neste ano. Além dos tradicionais investidores americanos e europeus, novos personagens como indianos e chineses estão chegando por aqui. A consultoria Ernst & Young espera participar de cerca de 140 transações neste ano, 20% mais do que em 2009. "Desse total, cerca de 30% dos negócios devem ser gerados por private equity", estima Carlos Asciutti, sócio da Ernest & Young, que já trabalha com 18 operações desde janeiro. Ele estima que o patrimônio desses fundos seja de 10 bilhões de dólares – e parte do dinheiro ainda está disponível para novas aquisições.
Os maiores fundos também estão se movimentando. O americano Carlyle, gestora de 85 bilhões de dólares de ativos no mundo, tem direcionado o seu radar para o Brasil. Seu lance mais recente foi a compra de 63,6% das ações da CVC Turismo, anunciada no começo deste mês. A expectativa é que a empresa dobre de tamanho até 2015. A compra da CVC reflete a confiança do fundo na expansão da classe média - e deve fomentar negócios também em outras áreas. O Carlyle pretende investir cerca de um bilhão de dólares em cerca de dez negócios na América Latina. "Os setores de varejo e de alimentos são muito interessantes", diz Fernando Borges, representante do fundo na América do Sul.
Outro grupo que vai movimentar o mercado são as empresas de capital aberto. "O ano começou com muitas operações envolvendo o mercado de capitais", afirma Marcelo Cosac, sócio da Felsberg, Pedretti, Mannrich e Aidar Advogados. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisa, neste momento, sete pedidos de emissão de ações - três aberturas de capital e quatro captações de empresas já listadas. Ao todo, essas ofertas podem atingir seis bilhões de reais. Parte desse dinheiro deve ser usado pelas companhias para comprar rivais e liderar processos de consolidação. Além disso, a bolsa de valores em alta também facilita fusões e aquisições baseadas em troca de ações. "É um mecanismo pouco usado no Brasil, mas muito recorrente no mundo", afirma Reinaldo Grasson, sócio da consultoria Deloitte.
Internacionalização
As empresas brasileiras não devem se restringir a comprar apenas rivais que atuam por aqui. Com o câmbio estável e a volta da liquidez ao mercado financeiro, os especialistas acreditam que o processo de internacionalização continuará forte. Para os próximos dois anos, uma das apostas mais frequentes é de que os bancos brasileiros iniciem a sua expansão mundial, já que o setor viveu uma intensa consolidação interna nos últimos anos. Um exemplo seria o banco Bradesco que adquiriu em janeiro deste ano todo o serviço financeiro do banco Ibi no México. "Há uma tendência no setor financeiro de crescer em outros países antes que seja engolido por concorrentes que têm os mesmos objetivos", afirma Ricardo Veirano, sócio do escritório Veirano Advogados.
Mas setores tradicionais também devem continuar buscando oportunidades lá fora. Prevendo uma disputa ferrenha na exploração das reservas do pré-sal e a corrida pela conquista do mercado global de petróleo, a companhia petroquímica Braskem tem procurado se tornar uma gigante em seu setor. Depois de incorporar a Quattor, com a ajuda da Petobras, a oitava maior produtora de resinas do mundo está com fôlego para fazer alianças estratégicas para se tornar líder na América - hoje ela está atrás apenas da americana Dow Chemical, com quem tem mantido conversas sobre uma provável fusão. "Crescer internacionalmente está na agenda do Brasil. A médio prazo, será uma ação importante para a economia do país. Mas no mercado doméstico ainda há muitos espaços de expansão", diz Pércio de Souza, dono da boutique de investimentos Estáter.
Mercado interno
No mercado interno, o candidato disparado à consolidação é o setor de açúcar e álcool, que conta com cerca de 50 usinas à venda. Pouquíssimos grupos nacionais do setor teriam condições de fechar muitos negócios, já que a maioria acumula dívidas exorbitantes, decorrentes da crise mundial que acabou com o crédito. Por isso, os especialistas afirmam que o setor viverá um intenso desembarque de estrangeiros. "Há diversos investidores no exterior interessados em aportar capital nesse ramo que cresce de 10% a 15% ao ano", afirma o advogado alemão Christian Roschmann, sócio do escritório Lefosse. Além das gigantes do setor - ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus -, grupos estrangeiros estão consultando assessores locais em busca de negócios, já que o Brasil será beneficiado neste ano por preços elevados da cana em função da menor produção na Índia, na China e no Paquistão.
A intensa consolidação de alguns setores no ano passado ainda deve repercutir em 2010. Os concorrentes não devem assistir impassíveis à fusão do Ponto Frio com a Casas Bahia, liderada pelo Pão de Açúcar no ano passado. Os especialistas acreditam que os principais concorrentes, como Walmart, Carrefour e Magazine Luiza, tentarão adquirir redes menores para não perderem mais participação de mercado. O que põem pilha nessa disputa são a expansão de renda, a queda na taxa de desemprego e a disponibilidade do crédito que alçam novos consumidores à classe média. "Ao contrário do que todo mundo pensa, o comércio varejista ainda é muito pulverizado, principalmente nas áreas têxtil e supermercados", avalia Nazir Takieddine, sócio do escritório Trench, Rossi e Watanabe.
Na opinião de especialistas, o que pode fazer a diferença nesse setor é o comércio eletrônico aliado ao crédito para pessoa física. Com a inclusão digital e a popularização das vendas on line - cujo crescimento é de 30% ao ano -, a plataforma virtual deverá imantar novos consumidores nos próximos anos. Mas, para atender essa demanda, as empresas deverão estar prontas para parcelar seus produtos no cartão. "Neste ano, haverá uma expansão do crédito de aproximadamente 15%", calcula Veniltom Tadini, diretor-sócio da área de investimento bancário do banco Fator. Redes como a B2W (fusão entre Americanas e Submarino) e a Extra.com perderão participação por conta da entrada - ou do fortalecimento - de novos concorrentes. "Esse quadro estimulará novas operações no mercado", acrescenta Tadini.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
OSX aprova registro de oferta de ações na CVM
Em decorrência disso, os acionistas também aprovaram a apresentação de pedido de conversão de emissor da categoria B para a categoria A junto à Superintendência de Relações com Empresas da CVM, nos termos da instrução CVM 480/09.
A OSX será a quinta companhia controlada pelo empresário Eike Batista a fazer oferta de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na mesma assembleia, os acionistas reelegeram Eike Batista presidente do Conselho de Administração e Eliezer Batista da Silva vice-presidente.
Vale compra Fosfertil e minas da Bunge por US$ 3,8 bi
Pelos termos do acordo, a Vale. vai pagar 1,65 bilhão de dólares por minas de rocha fosfática e plantas de processamento de fosfatados da Bunge e outros 2,15 bilhões de dólares para adquirir a participação de 42,3% detida pela empresa americana no capital da Fosfertil. A transação não envolve negócios de varejo ou distribuição de fertilizantes.
A Vale também anunciou um contrato de opção de compra de ações da Fertifos, que detém 56,73% do capital da Fosfertil. A mineradora terá direito de comprar 1,46% das ações da Fertifos que estão em poder da Fertilizantes do Paraná e da Fertilizantes Heringer por um total de 81,5 milhões de dólares.
A transação está sujeita às aprovações usuais de órgãos governamentais competentes. Caso a transação seja aprovada, a Vale lançará uma oferta pública obrigatória para comprar as ações ordinárias detidas pelos acionistas minoritários da Fosfertil pelo mesmo preço pago aos controladores.
Essa decisão da Vale é surpreendente, já que as ações da Fosfertil não davam direito a "tag along" (extensão da oferta aos acionistas minoritários). No entanto, casas de análise como a da Fator Corretora já haviam levantado a hipótese de que a Vale pudesse ter a intenção de comprar toda a Fosfertil.
A Vale é a maior exportadora de minério de ferro do mundo e também uma das líderes em níquel. A compra dos ativos da Bunge confirma o interesse da mineradora em crescer rapidamente no mercado de fertilizantes. Além de adquirir ativos em potássio (matéria-prima para fertilizantes) da Rio Tinto, a Vale, tem se envolvido frequentemente em possíveis fusões no setor. Chegou a negociar a aquisição da americana Mosaic, mas não conseguiu fechar um acordo.
Bastante criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por investir no exterior, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que "esta operação é de fundamental importância para a consolidação da estratégia da Vale. em focar o Brasil como o grande mercado para sua produção de fosfatados, tendo em vista o potencial das minas locais, bem como o crescimento associado aos projetos desenvolvidos no exterior, como Bayóvar e, no futuro, Evate, todos com produção prioritariamente destinada ao mercado brasileiro".
No dia 15 de janeiro, quando a Vale tornou pública as negociações com a Bunge, o mercado chegou a especular sobre uma possível mudança na direção da Fosfertil, já que seus principais executivos são ligados à Bunge. Para a Fator Corretora, no entanto, seria interessante para a Vale manter o atual corpo de executivos na operação.
No comunicado, a Vale diz que ainda não sabe de que forma vai absorver a Fosfertil. "A Vale realizará estudos com respeito à combinação dos ativos e empresas adquiridas, bem como outros ativos de fertilizantes já possuídos pela Vale no mundo. Neste estágio, não há indicação que nos permita afirmar que tais análises possam conduzir à reorganização corporativa. Tão logo tais estudos sejam concluídos e decisões sejam tomadas, a Vale as tornará publicas."
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
CSN, Camargo ou Votorantim. Quem leva a Cimpor?
No começo de 2010, o setor de cimento no Brasil protagonizou um jogo disputadíssimo, do qual três dos maiores grupos empresariais brasileiros resolveram participar. Quem deu as cartas na primeira rodada de negociações foi a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que ofereceu 3,68 bilhões de euros pela cimenteira portuguesa Cimpor.
A décima maior empresa do mundo recusou a proposta hostil de Benjamin Steinbruch. "Tendo analisado cuidadosamente aqueles documentos, o Conselho entende que a oferta subavalia significativamente a empresa e não representa o melhor interesse dos seus acionistas", diz o comunicado da companhia de Portugal.
A recusa abriu espaço para o grupo Camargo e Corrêa entrar no páreo. O primeiro ataque surgiu com uma oferta de compra de 15% a 25% das ações da Cimpor, que atua em 13 países como China e Índia, os maiores produtores de cimento do mundo. Essa proposta avaliava a companhia portuguesa por um valor 10,5% acima do anunciado pela CSN, ou 4,267 bilhões de euros, segundo fontes ligadas à negociação. O órgão regulador do mercado acionário de Portugal (CMVM) entendeu, no entanto, que a empresa brasileira não poderia estimar o preço exato da eventual sociedade resultante da fusão e que não era possível comparar a oferta com a da CSN.
Por esse motivo, Portugal determinou que a Carmago Corrêa fizesse uma oferta de aquisição de todas as ações da Cimpor ou se retirasse da mesa de negociação.
Para completar o jogo, o grupo Votorantim, que corria silenciosamente por fora nessa disputa, acabou tendo que se pronunciar oficialmente à CMVM após o vazamento da informação de que também teria interesse no negócio. A empresa líder no segmento nacional admitiu no comunicado que, desde 2008, mantém conversas sobre uma possível compra de até 33% do capital da cimenteira de Portugal. Mas, até o momento, disse não ter tomado qualquer decisão sobre uma oferta pública. Segundo fontes, os acionistas brasileiros estariam estudando a concentração de mercado e como isso poderia ser resolvido com a fusão.
Diante desse tabuleiro de negociações, surgem algumas dúvidas. O que mudará no mercado de cimento no Brasil? Se a Cimpor vender parte de suas ações para uma das empresas brasileiras, há possibilidades de nascer um novo líder? Quais serão as restrições impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)? E o que o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) tem a ver com isso?
CSN + Cimpor
Pode ser hostil ou arrojada demais, mas a oferta de compra total da Cimpor confirma o interesse de Benjamin Steinbruch de internacionalizar a CSN. Em 2007, a companhia disputou a anglo-holandesa Corus, na tentativa de se tornar a quinta maior empresa mundial no setor. Porém, perdeu o leilão para a indiana Tata Steel. O mesmo ocorreu quando tentou incorporar a colombiana Acerías Paz Del Rio, que ficou nas mãos da Votorantim. "Dessa vez, a CSN não deixará a Votorantim vencer essa disputa. Steinbruch tem perfil agressivo. Ele não vai querer ficar com uma imagem de péssimo articulador. Isso pode até prejudicá-lo em negociações futuras", diz um analista do setor.
Tradicional no ramo de siderurgia e minério, a companhia estreou no setor de cimento no ano passado. No momento, a empresa está fora do G4 do mercado, sendo classificada nas estatísticas junto ao grupo dos "outros fabricantes". A expectativa de Steinbruch é de que até 2011 sejam produzidas 3,5 milhões de toneladas de cimento - o que ainda seria insuficiente para torná-la umas das grandes do setor. No entanto, caso a Cimpor seja incorporada pela CSN, a companhia brasileira passaria a Camargo Corrêa e assumiria a terceira posição no mercado, com quase 9,7% de participação, permanecendo atrás da João Santos e da Votorantim, segundo estimativas de especialistas. "Comprar a Cimpor com uma oferta tão elevada não seria benéfico para a CSN porque falta experiência para a companhia brasileira no setor de cimento", afirma o analista Marcelo Varejão, da corretora Socopa.
O que pode ser favorável à CSN é a briga travada entre os sócios da Cimpor. Uma fonte de Portugal conta que o conselho da cimenteira dificilmente chega a um consenso nas decisões ligadas à companhia. Nos últimos meses, a Lafarge, dona de 17,3% das ações, e o grupo Teixeira Duarte, com 22,9%, têm trocado diversas farpas em público. A empresa francesa tentou se aliar a outro sócio, Manuel Filho (Investifino), que tem 10,7% da fatia total, para tentar assumir a gestão da empresa. A manobra foi vetada pelo sócio Teixeira Duarte. "Essa instabilidade na governança permite que Steinbruch negocie com as insatisfeitas Lafarge e Investifino, com a intenção de encurralar a Cimpor", diz um executivo de Lisboa. O maior desafio de fechar esse negócio será convencer o ufanismo português da capacidade de gestão brasileira - e, é claro, aumentar o valor da oferta.
Camargo + Cimpor
Do ponto de vista nacionalista, a Cimpor prefere muito mais um sócio minoritário para fazer uma aliança estratégica de crescimento do que uma incorporadora hostil como a CSN. O idioma comum e as relações diplomáticas entre Brasil e Portugal podem facilitar no desfecho das negociações. Mas o fator determinante é, sem dúvida, o cenário econômico do Brasil, atraente para o desenvolvimento do setor de construção civil nos próximos anos. O país terá dois mega-eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), oportunidades únicas para a expansão. "Os portugueses estão focados no mercado emergente. E o Brasil é o principal da mira", diz o analista Leonardo Alves, da corretora Link Investimentos.
A Cimpor tem forte penetração na região Nordeste, onde atua como a terceira maior produtora de cimento. Portanto, fechar um acordo estratégico com a empresa portuguesa ajudaria a Camargo Corrêa a aumentar a sua participação naquela região. Além disso, com a aquisição de 15% a 25% das ações de sua concorrente, a empresa brasileira cresceria cerca de 2%, colando na traseira da vice-líder João Santos (Grupo Nassau), que detém 12,5% do segmento no Brasil. "Dependendo das sinergias da fusão, a Camargo pode se tornar vice-líder no Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul", calcula Alves. "O segundo objetivo da Camargo Corrêa com essa fusão seria o de crescer no exterior, com enfoque nos mercados emergentes como China e Índia, onde a Cimpor já tem operações", completa o analista.
Votorantim + Cimpor
Se houver, de fato, uma oferta oficial do grupo Votorantim, será a oportunidade dos Ermírios de Moraes de ter a revanche contra o empresário Benjamin Steinbruch. Em 1997, o atual presidente da CSN levou a melhor no leilão de privatização da Vale, que hoje é a maior empresa privada brasileira. Muita coisa mudou desde então. Steinbruch nem faz mais parte do bloco de controle da mineradora. Mas a afinidade entre os grupos Votorantim e Camargo Corrêa, sócios em diversos negócios, continua muito maior do que a boa vontade com Steinbruch.
O grande problema para a Votorantim. é a complexidade da operação. Caso haja uma fusão, a Votorantim Cimentos deteria quase 45% do mercado. Só que, para manter essa participação, teria de reorganizar o posicionamento geográfico de suas unidades para se adequar às leis de defesa da concorrência. Dono de 41% das vendas do setor, o grupo liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes está presente em todas as regiões do Brasil. A maior empresa de cimento da América Latina só perde a liderança num único lugar: no Norte, onde possui apenas 6,5% de participação. Lá, a líder é a tradicional João Santos, dona de 93,5% do segmento.
Só no Nordeste, com a transação realizada, a maior cimenteira brasileira teria cerca de 50% de participação. "É preciso fazer uma análise detalhada da localização das fábricas e da presença de outros produtores no local, mas é evidente que há chances de haver concentração relevante na região com uma possível aliança estratégica entre Votorantim e Cimpor", afirma um advogado, ex-funcionário da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae). Essa concentração é ótima para a Votorantim, que, de quebra, evitaria a entrada de um novo grande concorrente no setor, a CSN. Mas, como não é tão boa para o consumidor, é possível que haja restrições do governo.
Cade + BNDES
A disputa entre as empresas brasileiras retomou alguns questionamentos sobre a distribuição no mercado brasileiro de cimento. Para avaliar possíveis concentrações de mercado, o Cade estabelece um raio padrão de 400 a 500 quilômetros de distância entre as unidades produtoras. Mas, nesse segmento, essa medida é um tanto complicada. O produto depende do frete e, portanto, não pode percorrer grandes distâncias entre fábrica e consumidor, o que costuma danificar o material. "O ideal seria avaliar se existem concorrentes locais e se há competitividade entre eles", diz um advogado. "Só depois disso, poderá dizer se o negócio trará impactos negativos para a competitividade no setor", acrescenta.
Prevendo para os próximos anos uma onda de fusões e aquisições para o setor de cimento, como a que tomou conta dos anos 90, o Cade torce para que haja a entrada de novos competidores no mercado nacional como forma de aumentar a competitividade. Apesar da forte retração de 2000 e 2005, o segmento se tornou muito atrativo para investidores. Nos últimos três anos, o mercado cresceu cerca de 40% com mais de 50 milhões de toneladas produzidas. No fim de 2009, o órgão regulador aprovou sem restrições a renovação de um contrato de colaboração de fornecimentos entre a CSN, e a Votorantim. No parecer, o relator constatava que a iniciativa era "pró-competitiva" porque colaborava com a atuação da novata CSN.
Para financiar as fusões e aquisições desse setor, as empresas poderão recorrer ao BNDES. No caso da Cimpor, tanto a CSN como a Camargo Corrêa já estudam levantar recursos com a instituição. O presidente da entidade, Luciano Coutinho, tem se mostrado receptivo a transações que envolvem companhias internacionais. Ele tem estimulado os empresários a fechar negócios enquanto o câmbio, o mercado financeiro e o ritmo de internacionalização são favoráveis aos investidores brasileiros. Não à toa, CSN, Camargo Corrêa e Votorantim levaram em conta a dica de Coutinho.
CVM aperta o cerco contra empresas
Entre os casos mais emblemáticos do ano passado está o acordo, acertado nos últimos dias do ano, que envolveu o trio de fundadores da AmBev - Marcel Telles, Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira. Os empresários terão de pagar R$ 18,6 milhões à CVM para encerrar processos administrativos contra eles. Os três foram acusados de abuso de poder ao usar o plano de opção de compra de ações da AmBev para aumentar suas participações acionárias, com prejuízo aos acionistas minoritários. A proposta inicial dos sócios era pagar à CVM R$ 3 milhões, valor que foi recusado.
Em outubro do ano passado, outro valor expressivo. O Credit Suisse aceitou desembolsar R$ 19,2 milhões para encerrar um processo na CVM em que a instituição financeira era acusada de uso de informação privilegiada para negociar ações da Embraer. E o trabalho de fiscalização, segundo a presidente da CVM, Maria Helena Santana, deve aumentar este ano, com a chegada de mais empresas de capital aberto. Até agora, primeiro mês do ano, já são cinco pedidos de IPO.
Para aumentar a agilidade na investigação das irregularidades, a CVM acertou uma parceria com a Polícia Federal, que em breve será anunciada, e tenta tirar do papel um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para investir na modernização de sistemas tecnológicos.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Vale conversa com italiana ENI sobre parceria no bloco BM-S-4
A mineradora também informou, em nota, que nas próximas semanas será concluída e divulgada a auditoria nas reservas de óleo e gás no portfólio de negócios da companhia.
Em relação ao poço Belmonte 3, no bloco BM-S-4, a Vale disse que atingiu reservatórios com gás, conforme previsto. A ENI é a operadora do bloco.
Conforme a Vale, a decisão de manter o bloco BM-S-4 em seu portfólio ou devolvê-lo, quando tomada, será comunicada à Agência Nacional de Petróleo (ANP), como previsto no contrato de concessão até março deste ano.
A Vale adquiriu da ENI uma participação de 50 por cento no bloco BM-S-4 em junho de 2008, com o compromisso de arcar com parte do custo do poço Belmonte 3.
Ao todo, a mineradora tem participação acionária em 29 blocos de exploração de óleo e gás. A empresa informou ter participado da perfuração de cinco poços no ano passado, com duas descobertas na bacia de Santos.
"Trata-se de uma taxa de sucesso anual de 40 por cento, bastante superior à média internacional da indústria. No entanto, ainda é prematuro falar em resultados definitivos do ponto de vista de sua viabilidade econômico-financeira", ressalvou a companhia.
A Vale também enfatizou que "a devolução de áreas de exploração é um acontecimento perfeitamente normal no cotidiano de uma empresa de exploração e produção de hidrocarbonetos", já que se trata de uma atividade de risco.
Rossi Residencial supera metas de vendas e lançamentos em 2009
A incorporadora teve vendas contratadas de 828 milhões de reais de outubro a dezembro e de 2,3 bilhões de reais nos 12 meses do ano passado. A parcela que cabe à Rossi nesse total é de 621 milhões de reais e de 1,8 bilhão de reais, respectivamente.
Os lançamentos totalizaram 1 bilhão de reais nos três meses até dezembro e 2,8 bilhões de reais em 2009, sendo que a parcela da empresa nesses montantes é de 763 milhões de reais e 2,2 bilhões de reais.
As metas da empresa para vendas e lançamentos em 2009, considerando apenas sua fatia nos empreendimentos imobiliários, eram de 1,6 bilhão e 2 bilhões de reais, respectivamente. Em ambos os casos, os resultados atingidos superaram as metas em 200 milhões de reais.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Braskem será 10ª maior empresa do Brasil
A empresa, que está sendo chamada de Nova Braskem. e cujo controle continuará a ser da Odebrecht, com aproximadamente 50% do capital votante, será a 11ª maior petroquímica do mundo, em produção de eteno. Levantamento da consultoria especializada no setor químico MaxiQuim aponta que a capacidade de produção conjunta de Braskem e Quattor é próxima de 4 milhões de toneladas anuais, o que coloca a nova companhia próxima à norte-americana Chevron Phillips e à chinesa Sinopec, que produziam pouco mais de 4 milhões de toneladas com base em dados de 2008.
A capacidade de produção de polietileno e polipropileno, mercado no qual a companhia é hegemônica em território nacional, supera 4,5 milhões de toneladas, o equivalente a 3,6% da produção mundial dessas resinas. A Braskem ainda é líder na produção de PVC, mercado no qual concorre localmente com a Solvay Indupa - a Quattor não possuía produção de PVC. A operação também eleva a Braskem à condição de uma das dez maiores empresas do Brasil em faturamento. De acordo com levantamento da consultoria Economática, a Braskem, hoje na 12ª posição do ranking, ultrapassaria a Telesp e a Vivo e assumiria a 10ª posição, com receita líquida de R$ 12,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2009.
Esse resultado, no entanto, considera apenas a receita da Quattor Petroquímica no período, que foi de R$ 1,09 bilhão. Com a incorporação de toda a Quattor, cujo faturamento no intervalo foi de R$ 3,24 bilhões, segundo a controladora Unipar, a receita da nova empresa no período teria superado R$ 14 bilhões, o que aproxima ainda mais a nova Braskem do Pão de Açúcar, nono no ranking, com receita líquida de R$ 15,8 bilhões no intervalo - o levantamento divulgado pela Economática não considera a operação entre Pão de Açúcar e Casas Bahia, anunciada em dezembro passado.
O negócio, em contrapartida, abre espaço para que o governo ceda em alguns pontos considerados fundamentais ao setor petroquímico. É o caso da possível assinatura de um acordo comercial entre Mercosul e Oriente Médio, o que abriria o mercado nacional para os grupos instalados em países como Arábia Saudita, Kuwait e Qatar, ou a redução da tarifa de importação de resinas termoplásticas, hoje em 14%.
Direção da Petrobras aprova acordo pela Quattor
Não há ainda muitos detalhes sobre o acordo, que pode ser divulgado ainda hoje, caso seja aprovado pelo conselho da Petrobras. Observadores próximos indicam que a família Geyer - controladora da Unipar, principal acionista da Quattor - receberá um valor de cerca de R$ 800 milhões para sair do negócio. O controle da nova empresa, que está sendo chamada de Nova Braskem, será dividido entre a Petrobras (49%) e a Braskem (51%). Essa configuração foi uma forma de evitar críticas a respeito de uma reestatização do setor.
O mercado esperava o fechamento da operação entre o fim do ano passado e o início deste ano, mas questões como a indicação de cargos para a nova empresa e a participação da Braskem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) emperraram as negociações. A Petrobras chegou a comentar esta semana que pretende ampliar o polo petroquímico do Rio mesmo que ainda não tenha fechado acordos sobre a participação de empresas privadas no empreendimento.
Composto por representantes do governo, como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o conselho de administração da Petrobras se reúne hoje pela primeira vez no ano. A pauta do encontro não é divulgada pela estatal, mas fontes próximas garantem que a incorporação da Quattor pela Braskem será apreciada. Caso aprovada, a operação pode ser divulgada antes da abertura da Bolsa de Valores de São Paulo.
OGX, de Eike Batista, acha mais indícios de petróleo na bacia de Campos
O poço OGX-5 situa-se a aproximadamente 79 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, onde a lâmina d'água é de aproximadamente 150 metros.
A sonda Ocean Ambassador, fornecida pela Diamond Offshore, iniciou as atividades de perfuração no local no dia 26 de dezembro de 2009.
De acordo com o comunicado, foi identificada uma coluna com hidrocarbonetos de aproximadamente 130 metros. A perfuração do poço continuará em andamento até a profundidade total estimada em 4.300 metros.
"Estes resultados iniciais do poço OGX-5 são muito positivos, uma vez que nos mostram que os reservatórios carbonáticos de alta qualidade encontrados pelos poços OGX-2 e OGX-3 também estão presentes até o limite sul dos nossos blocos", disse Paulo Mendonça, diretor-geral da OGX.
Criada em 2007, a OGX é a maior empresa privada em termos de área marítima de exploração no Brasil e possui um portfólio composto por 29 blocos exploratórios nas bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, Pará-Maranhão e Parnaíba.
A bacia de Campos é a maior região produtora de petróleo no país, com cerca de 80% do total de cerca de 2 milhões de barris de petróleo produzidos no Brasil por dia.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Seae não congela fusão Casas Bahia-Pão de Açúcar
A palavra final sobre o congelamento da operação, porém, será do relator do processo no Cade, Vinícius Carvalho, indicado para a tarefa nesta quarta-feira (20/1) pelo presidente da autarquia, Arthur Badin. Se Carvalho entender que há sinais de que o negócio traz riscos imediatos à concorrência, pode determinar a assinatura de um Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro). A decisão, porém, só deve ser tomada nas próximas duas semanas. Isto porque o relator ainda deve se reunir com representantes das empresas envolvidas dentro desse período para ser, formalmente, informado de detalhes da compra.
A “Nova Casas Bahia”, como vem sendo chamada a empresa resultante da fusão com o Ponto Frio, não é uma unanimidade mesmo dentro dos órgãos de fiscalização do mercado. Logo após o anúncio do negócio, um experiente membro do sistema brasileiro de concorrência afirmou a EXAME que ele precisaria ser analisado com mais cautela, já que se trata da união da primeira e da segunda maiores redes de varejo do país. Quando o Pão de Açúcar comprou o Ponto Frio, seis meses atrás, o Cade não viu necessidade de impor um Apro. Mas, agora, a situação seria “diferente”, segundo esse especialista.
Bem recebido
A designação de Carvalho como relator do processo foi vista como uma decisão natural por todos os envolvidos. O conselheiro do Cade já é o responsável por dois processos relacionados ao caso. O primeiro é a própria compra do Ponto Frio. pelo Pão de Açúcar. O outro é mais antigo. Trata-se de avaliar se um acordo entre a empresa de comércio eletrônico do Ponto Frio (a PontoFrio.com) e a consultoria E-Hub, firmado em agosto de 2008, pode prejudicar a livre concorrência no varejo online. “Há uma economia evidente na análise conjunta dessas operações, por tratarem dos mesmos mercados”, afirmou a EXAME uma fonte ligada à negociação.
O nome teria sido bem recebido, inclusive, pelos dois maiores interessados no assunto – os empresários Abílio Diniz, dono do Pão de Açúcar, e Michael Klein, da Casas Bahia. Em meados de dezembro, eles foram até o Cade para explicar a operação e garantir que nenhuma medida estrutural seria tomada antes do fim de janeiro. Seu objetivo era tranqüilizar a autarquia e demonstrar a disposição dos envolvidos em colaborar no processo. No encontro, houve a sinalização de que Carvalho poderia assumir a relatoria do processo – algo que agradou os empresários. Formalmente, os processos continuarão a ser tocados com registros e tramitações independentes. Na prática, contudo, o ganho de eficiência virá de pedidos conjuntos de informações que sirvam para todos os casos, por exemplo.
O que restringir
Para os especialistas, os congelamentos de operações determinados pelo Cade dividem-se em dois grupos. O primeiro é o congelamento total, a exemplo do que foi determinado para a fusão entre a Sadia e a Perdigão, que criou a Brasil Foods. O Apro determinou uma separação total das estruturas até que o caso seja julgado. Nesta semana, porém, as empresas negociaram uma flexibilização dos termos do acordo com a autarquia, e receberam autorização para comprar insumos em conjunto.
O outro caso é o de congelamento parcial. Este é o que os especialistas acham mais provável para ser aplicado à Nova Casas Bahia. Um eventual congelamento determinaria, assim, que a empresa não poderia extinguir nenhuma marca, nem fechar lojas, enquanto o caso não fosse julgado. No final de dezembro, a empresa anunciou o fechamento de suas cinco lojas no Rio Grande do Sul, com a demissão de 150 funcionários. Os envolvidos no negócio, porém, avaliam que o episódio não deve influenciar a decisão do relator sobre um eventual Apro.
Veterano no Cade
Carvalho ingressou no conselho do Cade em agosto de 2008, com mandato de dois anos. Doutor em Direito Comercial, ele é conhecido pelo mercado por priorizar os aspectos técnicos dos casos em que atua. “Ele participou de processos bastante assediados pela imprensa e com forte impacto para os consumidores, e sempre fugiu de decisões populistas”, diz um colega. Entre os casos que relatou, estão a compra da Datasul pela Totvs, na área de tecnologia da informação, e a análise dos impactos, no Brasil, da compra da Anheuser-Busch, dona da cerveja Budweiser, pela então belgo-brasileira InBev. Em ambos, recomendou a aprovação dos acordos sem restrições.
Já na aquisição da Ipiranga pela Petrobras, Braskem e Grupo Ultra, em que também atuou como relator, Carvalho recomendou restrições para garantir a livre concorrência nos mercados de distribuição e revenda de combustíveis no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Uma das determinações, por exemplo, foi o de que a Petrobras vendesse todos os tanques de estocagem de combustível que a Ipiranga possuía no Distrito Federal. As restrições foram aplicadas em cidades onde os postos Ipiranga e Petrobras. detivessem uma participação de mercado superior a 50%.
Bradesco deve comprar banco ibi no México
O Bradesco está muito perto de comprar 100% do Banco ibi no México por cerca de 200 milhões de reais. A expectativa é de que o negócio seja fechado em fevereiro. Há pouco mais de sete meses, o Bradesco havia pago 1,4 bilhão de reais pelo ibi no Brasil. A nova transação trará à instituição cerca de 800.000 clientes mexicanos. O acordo inclui uma parceria para a comercialização de produtos e serviços financeiros junto aos clientes da rede de lojas C&A no México.
A venda para o Bradesco faz parte da estratégia da holding suíça Cofra, dona da C&A, de se desfazer completamente de suas operações financeiras no mundo. A primeira unidade a ser desintegrada foi a da Argentina no primeiro semestre de 2009. Depois da aquisição do ibi feita pelo banco brasileiro, as negociações para vender a empresa no México ficaram cada vez mais intensas. A experiência do Bradesco nos segmentos de cartões e varejo - principalmente com a C&A - contou bastante para que o negócio fosse fechado sem muitas hesitações.
Para o Bradesco, essa transação é uma oportunidade interessante de experimentar atividades num mercado emergente com potencial de crescimento. Na América Latina, o México tem a maior taxa de financiamento de cartões de crédito comercial. Dos seis milhões de plásticos emitidos por redes varejistas no México, uma fatia de 13,3% pertence ao ibi, que presta serviços exclusivos aos cartões de private label da C&A Modas. Entre os principais concorrentes no mercado local, estão varejistas como El Palacio de Hierro, Sears, Sanborns, Coppel, Chedraui, Famsa, Mixup e Liverpool. Essa última rede, com mais de 160 anos de existência, foi a primeira a oferecer serviços de crédito pessoal na região.
Depois de um período histórico de alternâncias entre nacionalização e privatização de serviços financeiros, o México está disposto a receber investimentos estrangeiros. Os quatro mais influentes bancos no país, responsáveis por 88% do mercado de cartão de crédito, são instituições internacionais. Essa enorme presença de capital estrangeiro se justifica diante de um cenário em que cerca de 40% da população do país ainda não possuem serviços bancários como conta corrente ou corretagem de seguros, por exemplo.
Sinais da internacionalização
A compra do ibi mexicano é visto pelo mercado como o primeiro sinal concreto de que os bancos brasileiros investirão cada vez mais na internacionalização. Isto porque, após a rodada de aquisições nos últimos anos, os especialistas avaliam que há poucas instituições no Brasil cuja compra agregue algum valor aos líderes do setor. Com uma gestão mais conservadora que a dos bancos americanos, por exemplo, os brasileiros conseguiram sobreviver à crise com tranqüilidade e, agora, têm caixa e apetite para buscar oportunidades na América Latina.
Na rodada de consolidação dos últimos dois anos, o Bradesco foi o que sofreu o maior revés. Viu o Itaú tomar a liderança no segmento de bancos privados com a fusão com o Unibanco e observou o Banco do Brasil adquirir instituições importantes, como a paulista Nossa Caixa e o Banco Votorantim - do qual comprou quase a metade do capital. Para reagir, o Bradesco quer agora estender seus tentáculos num mercado tão promissor como o do México. Um passo importante para viabilizar essa estratégia será a aquisição da marca de cartões da C&A Moda. De certa forma, essa operação isentará a instituição brasileira de fazer grandes investimentos iniciais no novo negócio. "Além disso, o risco da operação é menor, porque o Bradesco já entrará no mercado mexicano com uma boa base de clientes", afirma um especialista em sistema financeiro.
O Banco Central brasileiro dificilmente colocará restrições à aquisição porque 200 milhões de reais não comprometeriam a liquidez do Bradesco. A expectativa é de que o negócio seja aprovado dentro de um prazo máximo de três meses a partir da data do acordo assinado. Quanto ao BC do México, a posição deverá ser a mesma. Como o banco brasileiro ainda não atua no mercado mexicano, é provável que não haja empecilhos para se tornar mais um competidor no setor de serviços financeiros.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Vale: Situação está positiva para negociar preço
"A situação atual é parecida ou até mais apertada", avaliou o executivo, que não quis adiantar detalhes dos rumos da negociação do preço que irá vigorar em fornecimento de longo prazo em 2010. Ele lembrou, entretanto, que é preciso que os dois lados (mineradoras e siderúrgicas) zelem por suas relações comerciais durante o processo de negociação, para que nenhum dos lados se "prevaleçam" de situações de mercado.
Frota
Martins acredita que a decisão da companhia de investir em uma frota própria de navios para a China atingiu seu objetivo ao influenciar uma queda de preço no mercado à vista. "A frota da Vale. acabou tirando uma parte da demanda do mercado spot de frete", afirmou. O executivo lembra que essa mudança de estratégia é positiva para as siderúrgicas chinesas, que agora podem se beneficiar de custos mais baixos com transporte.
"Existia um volume grande de minério que ia para China com frete comprado no mercado spot. À medida que a Vale contratou uma frota de longo prazo, diminuiu a demanda no spot, que migrou para os contratos de longo prazo. Isso trouxe uma certa estabilidade ao preço do frete", explica. Segundo ele, essa nova dinâmica permitiu manter o valor do transporte em queda apesar do cenário de maior aquecimento da demanda por minério de ferro para China.
Em meados de 2008, quando a demanda pelo produto era forte e a Vale ainda não havia implementado sua nova política de transporte, o minério de ferro chegou a ser cotado no mercado à vista próximo a US$ 200 por tonelada. Hoje, o valor está na faixa de US$ 130 por tonelada. "Esse diferencial era em grande parte absorvido pelo custo de transporte. (...) Mas, na minha visão, o preço ainda é muito acima do razoável", disse. E completou: "O frete hoje está na faixa de US$ 35 (por tonelada no spot) e o contrato de longo prazo de frete está na faixa de US$ 20. Ainda se tem um diferencial grande entre os dois."
Um Brasil na África
Das empreiteiras às redes de franquias, como a lanchonete Bob's, um número cada vez maior de empresas vem aproveitando as oportunidades em Angola.
A dona de casa Jandira Manuel, de 24 anos, escolheu a manhã de uma segunda-feira de novembro para fazer compras no supermercado Nosso Super, instalado no bairro do Gamek, em Luanda, capital de Angola. Enquanto escolhia os produtos, Jandira carregava Jorge, seu filho de 8 meses. Dentro da loja, o ar condicionado tornava distante o calor de mais de 30 graus. Do alto-falante, ecoavam hits da dupla sertaneja brasileira Zezé Di Camargo & Luciano. Essa cena prosaica é uma novidade em Angola, país que só nos últimos anos começou a se recuperar da guerra civil encerrada em 2002 que deixou um saldo de 1,2 milhão de mortos, 4 milhões de refugiados e minas espalhadas por um território de mais de 1 400 quilômetros quadrados. Antes da chegada de negócios como o Nosso Super, consumidores como Jandira abasteciam-se nas "zungueiras", como são chamadas as tradicionais negociantes de rua, que mantêm bacias e bancas improvisadas, ou nas bancas do famoso Roque Santeiro, um gigantesco mercado a céu aberto local, batizado em homenagem à novela brasileira dos anos 80. "Agora venho ao supermercado no mínimo uma vez por semana", diz Jandira. "É muito melhor do que comprar na rua."
O Nosso Super é a pioneira entre as redes de supermercados instaladas em Angola e, como tantos outros negócios, pertence ao governo socialista do país. Sua primeira unidade foi aberta em 2007 e, hoje, há 29 lojas da marca em operação. Erguido e administrado pela construtora Odebrecht, o Nosso Super representa um dos inúmeros exemplos da presença brasileira em diversos setores da economia angolana. O país tenta se reerguer das ruínas deixadas pela guerra, importa quase tudo o que é consumido e tem dinheiro em caixa para pagar as contas graças à riqueza trazida pela extração do petróleo, que gerou um crescimento médio anual de 16,7% do PIB angolano entre 2004 e 2008. Era previsível, portanto, que empresários vissem em Angola, ex-colônia portuguesa que venera artistas e esportistas e reconhece as marcas brasileiras, uma oportunidade de fazer negócios. Entre 2000 e 2008, as exportações do Brasil para o país foram multiplicadas por 10. Em 2008, Angola transformou-se no principal parceiro comercial do Brasil na África. Hoje, há cerca de 100 empresas e 40 000 profissionais brasileiros atuando no país. A China, país com enorme interesse no potencial angolano na área de commodities, tem cerca de 20 companhias em operação e 25 000 profissionais em Angola. "Há oportunidades excelentes para vários setores", disse a EXAME o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Miguel Jorge, que conduziu em novembro uma missão com 98 empresários para Angola.
A fase de grande impulso das relações comerciais entre as duas nações começou com a participação das empreiteiras brasileiras na reconstrução da infraestrutura angolana. A Odebrecht foi a primeira a chegar, em 1984, ainda em meio à guerra civil. Hoje, a empresa tem em andamento mais de 40 contratos com o governo local e é uma das maiores empregadoras do país, com uma equipe de 25 000 funcionários. Anos depois, Camargo Corrêa e OAS chegaram ao país. Com obras gigantescas, as construtoras atraíram uma cadeia de prestadores de serviços que vai de escritórios de advocacia a redes de comida rápida. Em 2005, a cadeia de fast food Bob's inaugurou na região da ilha de Luanda uma de suas maiores lojas no país, com 400 metros quadrados. A unidade conta com drive-thru e três salões de festas, que são procurados pelos angolanos para celebrar aniversários, batizados e até casamentos.
Para um país que tem de importar itens básicos, reconstruir a base agrícola é estratégico. Antes da guerra civil, Angola chegou a ser a terceira maior produtora de café do mundo e um dos principais exportadores da África de commodities como milho, açúcar e tabaco. Assim como em outros setores, o governo tenta atrair investidores para o campo a fim de garantir que o país se torne autossuficiente, no prazo de alguns anos, em itens básicos, como feijão e milho. Um dos maiores projetos é o da fazenda Pungo Andongo, com participação da Odebrecht. Trata-se de uma fazenda-modelo desenvolvida em uma área de 36 000 hectares na província de Malanje, ao norte do país, que produz milho, soja, feijão e arroz para atender à demanda interna.
Na concorrência com outros países que disputam os grandes projetos de Angola, o Brasil leva vantagem graças aos laços culturais. Além do idioma, brasileiros e angolanos dividem o gosto por novelas (exibidas ali pela Globo Internacional e pela Record Internacional) e a paixão por artistas como o cantor Roberto Carlos e por futebol. Politicamente, o Brasil é lembrado por ter sido o primeiro a reconhecer a independência angolana, em 1975. Nos anos recentes, o governo brasileiro tem atuado para aumentar o fluxo comercial com a África. Desde 2006, o BNDES destina recursos sob a forma de duas linhas de crédito que somam 1,75 bilhão de dólares para financiar a compra de equipamentos brasileiros para obras de infraestrutura em Angola. Para ampliar os negócios, uma terceira linha, de 500 milhões de dólares, foi liberada em outubro.
A recente crise financeira e, sobretudo, a queda nos preços do petróleo abalaram a economia angolana nos últimos meses -- prova da enorme dependência do país de um único recurso. Sobrou para as empresas brasileiras, fornecedoras do governo, que tiveram seus pagamentos atrasados. Em julho, o ministro das Finanças angolano, Severim de Morais, confirmou uma pendência total de 2 bilhões de dólares com as empresas de construção. "Não queremos deixar a dívida passar para 2010", afirmou. De acordo com o que EXAME apurou com as empresas do setor, uma parte do pagamento deve ocorrer até o fim de 2009, e a outra nos primeiros meses de 2010, quando as projeções indicam que a economia angolana deve retomar o ritmo de crescimento, com uma previsão de evolução do PIB acima de 8%.
O progresso dos últimos anos eliminou apenas parte dos problemas e das carências de Angola. Segundo a ONU, 70% dos angolanos vivem com menos de 2 dólares por dia. Luanda, com seus prédios em construção, ainda é uma cidade cheia de "musseques", as favelas locais. O passeio pelo moderno Belas Shopping de tempos em tempos é interrompido por blecaute. O grande déficit habitacional, calculado em 2 milhões de casas somente na capital, Luanda, faz com que o preço dos aluguéis e de venda dos imóveis cresça vertiginosamente. Os empresários estrangeiros que chegam ao país enfrentam problemas como a dificuldade para obter visto, o excesso de burocracia e a corrupção. No ranking mais recente sobre o assunto, elaborado pela ONG Transparência Internacional, Angola está entre os 20 países mais corruptos do mundo. O restabelecimento da democracia não deve acontecer tão cedo. Em setembro, o presidente José Eduardo dos Santos comemorou discretamente as três décadas de sua chegada ao poder. Dois meses depois, num discurso, afirmou que eleições presidenciais em Angola só ocorrerão em 2012.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
JAL pede concordata e vai cortar 15,7 mil empregos
De acordo com os planos, a JAL vai reduzir seu capital para zero e pedir uma renúncia de dívida no valor de 730 bilhões de ienes (US$ 8 bilhões), além de cortar os custos reduzindo a força de trabalho em 15,7 mil empregados - quase um terço do total de 47 mil. A Etic disse que decidiu dar suporte à reestruturação da JAL e vai injetar 300 bilhões de ienes na empresa para impulsionar suas finanças e ajudá-la a implementar medidas de revitalização.
O pedido de concordata segue-se a meses de negociações entre a JAL, o governo e seus credores para elaborar um socorro à companhia deficitária. Prejudicada por uma queda no número de passageiros em meio à crise econômica global, pelo surgimento da gripe suína e por sua relutância em se livrar de rotas não lucrativas, a companhia registrou o maior prejuízo trimestral da sua história, de 99 bilhões de ienes, nos três meses encerrados em junho do ano passado.
Um pregão de alta velocidade
No começo de 2010, a bolsa de valores brasileira deve entrar para o grupo dos pregões mais velozes do mundo. Assim que a Comissão de Valores Mobiliários, o órgão que faz o papel de xerife do mercado de capitais, der sua aprovação, gestores de recursos poderão colocar seus servidores a poucos metros do computador central da bolsa que processa os pedidos de compra e venda. Com isso, terão condições de fazer negócios em prazos de 10 milésimos de segundo -- será possível fechar cinco operações num período de tempo equivalente a um piscar de olhos. Hoje, os gestores de fundos conhecidos como "de alta frequência" colocam seus servidores dentro de corretoras e, na melhor das hipóteses, fazem uma operação em cerca de 40 milésimos de segundo. "As maiores bolsas do mundo já alugam um espaço próximo ao seu computador porque há muitos investidores interessados em lucrar com minúsculas diferenças de preço. Chegar antes vale dinheiro", diz Edemir Pinto, presidente da BM&F Bovespa.
Essa alucinada corrida contra o tempo diz muito sobre o funcionamento do mercado financeiro -- no mundo e, cada vez mais, no Brasil. Nele, o conceito de velocidade vem sendo sistematicamente redefinido. Para fazer um bom negócio é preciso fazê-lo antes de qualquer outro. Esperar por algumas dezenas de milésimos de segundo para concluir uma transação é esperar uma eternidade para algumas categorias de investidores. O principal motivo dessa mudança foi o crescimento dos fundos que usam softwares para analisar a trajetória de ações, títulos e moedas e que disparam automaticamente ordens de compra e venda. A lógica da maioria deles é completamente diferente da do investidor comum. Eles não querem comprar uma ação e ficar com ela por meses ou anos. A estratégia dos aplicadores de alta frequência é aproveitar distorções momentâneas de preço de papéis e índices para comprá-los quando estão baratos e vendê-los com lucro. Isso tudo num ritmo tresloucado, várias vezes por dia.
Com poder de análise e velocidade sobre-humana, as máquinas brigam entre si para ver qual consegue identificar uma oportunidade de ganho mais rapidamente. Mas o que tudo isso significa para o investidor comum? Para quem aplica em ações pensando no longo prazo, os efeitos são positivos. Diz Daniel Mendonça de Barros, sócio na corretora Link, de São Paulo: "Como compram e vendem continuamente, esses fundos dão mais liquidez ao mercado -- há compradores e vendedores para as ações mesmo em momentos de grande nervosismo nos pregões". Para os investidores que operam várias vezes ao dia -- os day traders, na expressão em inglês usada no Brasil --, as consequências são diferentes. Como tanto eles quanto os gestores de alta frequência buscam a mesma coisa -- aproveitar distorções momentâneas no preço das ações --, os day traders se tornam competidores da segunda divisão quando confrontados com o novo aparato tecnológico. "Um ser humano com a mesma estratégia de um software vai perder sempre. É o arco e flecha contra a metralhadora", diz Raphael Juan, executivo responsável por produtos da CMA, uma das líderes em softwares de negociação eletrônica no mercado financeiro brasileiro.
Nos Estados Unidos e na Europa, as novas armas de fogo do mercado financeiro são motivo de polêmica. Para alguns políticos britânicos, os softwares teriam subvertido a lógica do mercado de capitais ao transformar os pregões em videogame. Na visão desses críticos, os investidores de bolsa deveriam cumprir apenas o papel de provedores de capital para as empresas. Na mão contrária, os defensores dos softwares argumentam que eles são importantes porque, como exploram as distorções do mercado, tendem a diminuir a volatilidade dos pregões. Se uma ação está caindo demais sem justificativa, eles compram -- prática que muitas vezes suaviza as quedas. Outra questão levantada contra os gestores de alta frequência é a da competição desleal. Nos Estados Unidos, parte deles paga uma tarifa para ter acesso antecipado às ordens de compra e venda de outros investidores -- o que permite ajustar as estratégias de acordo com o mercado. Os executivos da BM&F Bovespa dizem que aqui essa prática é proibida e que não haverá privilégio.
No Brasil, o segmento dos fundos com softwares ainda é incipiente -- estima-se que não chegue a duas dezenas. Na bolsa de futuros, em que desde junho é possível alugar um espaço ao lado do computador central e fazer operações em 10 milésimos de segundo, os investidores de alta frequência respondem por 6% do volume diário. Nos Estados Unidos, o percentual é superior a 50%. Na Europa, é 35%. "A entrada da bolsa de valores brasileira no clube da alta velocidade deve tornar o mercado local mais parecido com o americano e o europeu", diz Cícero Vieira, diretor de operações e de tecnologia da informação da BM&F Bovespa. A expectativa é que, em três anos, os investidores de alta frequência respondam por 30% do mercado local. Para quem estiver interessado em operar com uma metralhadora nas mãos, um aviso: o desenvolvimento de um software competitivo custa mais de 2 milhões de reais. E economizar nesse quesito pode ser mortal. "Não adianta disputar uma prova de Fórmula 1 num Chevette", diz Marcos Duarte, sócio da gestora Polo Capital, do Rio de Janeiro.
Cadbury aceita oferta de compra da Kraft por 11,5 bilhões de libras
A Kraft propôs também o pagamento de uma dívida de 10 pence por ação. Sua oferta é composta de 500 pence em dinheiro e de 0,1874 ações da Kraft por ação da Cadbury. Os acionistas da Cadbury têm até 2 de fevereiro para aceitá-la.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Laep levanta R$120 mi com emissão privada de ações
Os recursos serão usados para reforço de capital de giro e readequação da estrutura de capital da Laep.
"A administração da companhia considera a transação determinante para o seu fortalecimento no contexto das iniciativas em curso perante empresas do setor de alimentos e também do mercado financeiro", disse a Laep, acrescentando que "manterá inalterada a decisão de buscar soluções definitivas para o futuro estratégico de suas operações".
Segundo a Laep, o GEM comprará as novas ações a serem emitidas por um valor equivalente a 88 por cento "da média ponderada do preço de mercado dos nove pregões posteriores à formalização da chamada de capital".
O fundo norte-americano terá ainda uma opção para subscrição de adicionais 30 milhões de ações ao preço de 3,00 reais por papel --o que totalizaria outros 90 milhões de reais.
"Em referido aumento de capital, dado a sua importância e necessidade estratégica... não será estendido, excepcionalmente, direito de preferência ao acionista controlador e demais acionistas", de acordo com a Laep.
A Laep não divulgou informações sobre a diluição para os atuais acionistas da companhia devido à operação, bem como qual será a fatia do GEM na empresa após o aumento de capital.
O GEM é um grupo financeiro criado em 1991 com veículos de investimentos totalizando 3,4 bilhões de dólares. Entre os fundos do GEM está o Banco Pine/GEM Brazil Fund, segundo informou a Laep.
Os recibos de ações da Laep negociados na Bovespa vêm apresentando forte volume há alguns pregões, diante de rumores de mercado de que a Parmalat poderia ser comprada pelo frigorífico JBS.
No último dia 8, os papéis da empresa dispararam 31,4 por cento e apresentaram o segundo maior volume negociado da bolsa paulista, com 611,3 milhões de reais.
Setor de etanol entra na fase de arrumar a casa
Após os altos e baixos de 2009, o setor brasileiro de etanol vai atravessar em 2010 uma fase de redefinição dos investimentos, na visão do especialista em mercado de etanol e açúcar Plínio Nastari.
Diante da relativa escassez de crédito, herdada da crise do ano passado, e da fragilidade da economia nos países ricos, as empresas sucroalcooleiras devem trocar o foco em expansão por aumento da eficiência, mecanização e pesquisa de novas tecnologias.
Presidente da consultoria Datagro, responsável pela assessoria ao governo em disputas contra barreiras ao etanol no exterior, Nastari diz que chegou a hora de o setor "arrumar a casa". Na entrevista a seguir, ele explica o que vai mudar nas companhias desse setor.
Clique no link abaixo para visualizar os seguintes vídeos:
1-Por que o álcool subiu tanto
2-Etanol vai demorar alguns anos para decolar no exterior
3-2010 será o ano de arrumar a casa
http://portalexame.abril.com.br/economia/setor-etanol-entra-fase-arrumar-casa-526063.html
Portugal bloqueia oferta da Camargo Corrêa pela Cimpor
Órgão regulador diz que empresa brasileira precisa fazer OPA ou retirar proposta.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal informou hoje, em seu site, que notificou a Camargo Corrêa do início de procedimento administrativo para que a companhia brasileira adapte sua proposta de fusão com a Cimpor (Cimentos de Portugal) ao regime das ofertas concorrentes previsto no artigo 185º do Código dos Valores Mobiliários de Portugal ou então retire a proposta.
Pela legislação portuguesa, a Camargo Corrêa, que fez uma proposta para a compra da Cimpor depois da oferta realizada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 28 de dezembro, deve realizar uma oferta pública de ações (OPA) concorrente à realizada pela CSN ou retirar a proposta de fusão, sem fazer mais nenhuma divulgação sobre o negócio.
Segundo a CMVM, a Camargo Corrêa tem dez dias úteis, contados da data de notificação, para se pronunciar. A proposta de fusão apresentada pela Camargo Corrêa foi comunicada ao mercado português pela Cimpor no dia 13 de janeiro e avaliou a companhia por um montante 10,5% acima da oferta feita pela CSN.
Segundo fontes próximas às negociações, a Camargo avaliou a Cimpor em € 4,267 bilhões, o equivalente a € 6,35 por ação. A proposta da CSN, que envolve uma oferta pública pela empresa, é de € 3,86 bilhões, ou € 5,75 por ação.
De acordo com o artigo 185º do Código dos Valores Mobiliários de Portugal as ofertas concorrentes não podem incidir sobre quantidade de valores mobiliários inferior àquela que é objeto da oferta inicial. E a contrapartida da oferta concorrente deve ser superior à oferta anterior em pelo menos 2% do seu valor, além de não poder conter condições que a tornem menos favorável.
Ações da Fosfertil disparam com interesse da Vale
Mineradora diz que pode pagar até US$ 3,8 bi pelos ativos da fabricante de fertilizantes.
A Vale informou, nesta sexta-feira (15/01), que negocia aquisição de ativos de fertilizantes com a Bunge no Brasil. A Fosfertil, controlada pela Bunge, havia comunicado o mercado sobre negociações entre as empresas, sem dar detalhes. De acordo com nota, a Vale, está em negociações, "por meio de uma de suas controladas", de ativos de fertilizantes do Grupo Bunge por até 3,8 bilhões de dólares. Com a notícia, as ações da Fosfértil (FFTL4) dispararam e fecharam o pregão desta sexta-feira com alta de 5,35%, negociadas a 21,28 reais.
A transação inclui a participação de 42,3% que a Bunge detém no capital da Fosfertil e um portfólio de ativos que compreende minas de rocha fosfática e unidades de produção de fertilizantes intermediários com base em fósforo (fosfatados) e nitrogênio (nitrato de amônio e uréia). Em nota, a Vale. afirma que as negociações "poderão ou não" resultar na aquisição desse portfólio.
De acordo com a Fosfertil, a companhia resultante da operação deve ser aberta devido à restrição imposta aos compradores no início dos anos 1990. Contudo, se a negociação entre Vale e Bunge for bem sucedida, a mineradora pode realizar ofertas públicas de aquisição no futuro, segundo opinião da Fator Corretora..
Para os analistas, com a operação, a direção da nova companhia deve ser alterada, uma vez que parte dos executivos da atual gestão é da Bunge. Ainda assim, a Fator considera que os atuais diretores da Fosfertil têm capacidade para continuar no comando das operações.
Ações
Apesar da alta dos papéis observada no pregão desta sexta-feira, os analistas da corretora Link Investimentos avaliam que, para os acionistas da Fosfértil, nada muda.
Como as ações FFTL4 não têm tag along (mecanismo de proteção aos acionistas minoritários de uma empresa, que permite a estes a venda de suas ações por pelo menos 80% do valor pago pelas ações dos controladores no caso de uma aquisição), os analistas acreditam que a notícia não justifique a alta dos papéis neste momento.
A possível operação confirma o interesse da mineradora em crescer rapidamente no mercado de fertilizantes. Além de adquirir ativos em potássio - matéria-prima para fertilizantes - da Rio Tinto, a Vale tem se envolvido frequentemente em possíveis fusões no setor. Para os analistas da corretora Link Investimentos, a expansão é "interessante" para a Vale, que passa a ter mais um foco de crescimento e geração de caixa sem desviar de seu negócio original.
Valores
A Vale comunicou ao mercado que a compra não deverá envolver um valor superior a 3,8 bilhões de dólares. Porém, apenas a participação que a Bunge tem na Fosfértil. tem o valor de 2,0 bilhões de dólares, calculado com base no fechamento do mercado na quinta-feira (14/01). Essa mesma base de cálculo avaliaria os ativos da Bunge Fertilizantes em 1,8 bilhão de dólares.
Considerando o valor divulgado pela mineradora, os analistas afirmam que, com a operação, o endividamento da Vale poderia subir, mas ainda assim, ficaria dentro de um patamar considerado "tranqüilo".
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Profissionais de responsabilidade social tiveram maiores aumentos salariais, diz pesquisa
A área de Responsabilidade Social foi a que alcançou maior crescimento salarial em 2009, segundo uma pesquisa realizada pela empresa de recolocação profissional Catho. Os salários pagos pelas empresas nesse setor tiveram um forte crescimento de 19,7% em apenas 12 meses.
''Os maiores aumentos estão na área de responsabilidade social. Isso é um indicador a mais de que essa área tem tido cada vez mais atenção por parte das empresas no Brasil”, afirma Marco Soraggi, diretor da Pesquisa Salarial da Catho Online.
Também com reajustes representativos aparecem os setores de Comércio - Filial (14,6%), Medicina Clínica (12,2%) e Engenharia Elétrica e Eletrônica (12,1%). Dentro das áreas que registraram os maiores aumentos, os cargos de destaque foram os de educador social, auxiliar comercial e biólogo. Em todas as comparações entre a qualificação profissional e o salário dos entrevistados, houve vantagem para os profissionais com mais extensa formação educacional.
Estes têm, em média, remunerações 101% maiores. O estudo divulgado também mostra que as mulheres ainda ganham menos do que suas contrapartes masculinas em todas as áreas analisadas.Outro fator que influi na folha salarial, segundo a pesquisa, é o domínio do inglês. A diferença de valor nos vencimentos pode passar de 5.000 reais entre os que falam a língua e os que não a dominam. A máxima disparidade atinge os cargos hierárquicos mais altos - a média salarial de um diretor fluente no inglês é de 20.000 reais, contra 15.000 reais de um que apenas fale a língua.Na pesquisa realizada pela Catho, foram entrevistados mais de 166.000 profissionais para definir os perfis salariais de 22 regiões do Brasil. A pesquisa é realizada a cada quatro meses pela empresa, que organiza o material há nove anos.
Eike Batista estuda fabricar carros no Brasil
Dono de empresas de logística, mineração e petróleo (entre outras) e homem mais rico do Brasil, com uma fortuna pessoal estimada em 7,5 bilhões de dólares, o empresário Eike Batista estuda entrar num novo ramo: o das montadoras de automóveis. A idéia do empresário é montar uma empresa capaz de produzir veículos com motores de baixo consumo (num modelo ligeiramente inspirado em veículos como o Smart, da Mercedes) ou carros elétricos. “Não vamos entrar nisso sozinhos”, disse Eike à EXAME há pouco. “Estamos procurando uma empresa estrangeira que atue nessa área para levar adiante esse projeto com a gente.” Qual? Isso ele não conta de jeito nenhum.Segundo suas estimativas, uma montadora instalada num local com condições logísticas vantajosas como o Superporto do Açu, complexo no norte do estado do Rio de Janeiro que está sendo erguido pela LLX (uma das empresas de Eike), poderia diminuir os custos de produção em até 200 dólares por veículo.Será que Eike vai se tornar um rival para Fiat, Ford, Volkswagen e as outras grandes montadoras instaladas no Brasil?
Santander confirma entrada no setor de cartões
Até o final do semestre, o banco planeja desenvolver e comercializar serviços de captura e processamento de transações de cartões de crédito e débito da MasterCard. Estabelecimentos comerciais poderão contratar o Santander para o fornecimento da tecnologia necessária para aceitar pagamentos com essa bandeira. Quando for encerrado o acordo de exclusividade entre Visa e Cielo, o que está previsto para acontecer em junho, é quase certo que o banco passará a processar transações também pagamentos com cartões da Visa. "No futuro próximo, outras bandeiras serão incorporadas", diz o Santander em nota.
Procurado, o Santander informou que não detalharia sua estratégia de entrada no mercado de cartões. O pior cenário para os acionistas de Cielo e Redecard, seria com a uma possível decisão do Santander de ganhar mercado dos concorrentes com tarifas bem abaixo das praticadas atualmente. As margens de cerca de 70% obtidas por Cielo e Redecard. mostram que há bastante espaço para descontos - o que seria bastante positivo para as empresas de varejo. No entanto, os novatos do setor não terão, ao menos inicialmente, a escala necessária para alcançar margens tão elevadas cobrando o mesmo que as duas empresas.
Com a decisão, o banco espanhol, no entanto, poderá criar uma relação mais próxima com os estabelecimentos comerciais - o que, para analistas, pode ser o grande benefício para o banco. O Santander pode usar o credenciamento dos lojistas como uma arma para conquistar também a conta corrente desses estabelecimentos. Controlar o domicílio bancário de mais estabelecimentos permitiria conhecer informações importantes sobre essas lojas que poderiam viabilizar a venda de outros produtos financeiros, como a antecipação dos recebíveis.
Como no Brasil existe o pagamento parcelado sem juros e as lojas demoram até 40 dias para receber os pagamentos à vista feitos com cartão de crédito, o banco poderia antecipar o depósito desses recursos na conta dos estabelecimentos mediante a cobrança de uma taxa. Sabendo qual o volume de pagamentos a receber de uma loja, o banco prestaria esse serviço praticamente sem risco. A entrada no setor de cartões seria, portanto, uma forma de viabilizar a expansão do próprio banco.
"A operação envolve uma grande sinergia entre as duas partes da parceria. O Santander ganha uma nova ferramenta para estreitar o relacionamento com os clientes pessoa jurídica e explora um novo segmento. A GetNet, por sua vez, passa a ter o apoio de uma grande instituição financeira e todos os benefícios que isso significa” diz José Paiva Ferreira, vice-presidente executivo sênior de varejo do banco.
Um dos pontos de sinergia será a capilaridade do Santander. A instituição terá como aliada a sua base de clientes corporativos e abrirá a possibilidade de que os interessados contratem as máquinas de captura e transação na sua rede de agências. Somada à do Banco Real, a rede alcança mais de 3.500 unidades. Além disso, o caminho inverso poderá ser percorrido: a atuação na área de adquirentes será um instrumento para aumentar a base com novos clientes no segmento de pessoas jurídicas.
A decisão do Santander deve ser muito bem vista pelo governo, que não esconde seu desejo de ver mais concorrência no setor. Dentro dessa lógica, Gilberto Caldart, presidente da MasterCard Brasil, afirmou: "Apoiamos toda evolução que beneficie a indústria de meios de pagamentos eletrônicos. Esta parceria tem o potencial de ampliar nossa rede de aceitação e assim oferecer mais conveniência aos milhões de portadores de cartões MasterCard e estabelecimentos comerciais que desejem aceitar os cartões de crédito MasterCard e de débito MasterCard Maestro."
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Camargo Corrêa Cimentos propõe fusão com a Cimpor
Oferta prevê a união das duas empresas com a aquisição de até 25% das ações da empresa portuguesa.
A Cimpor (Cimentos de Portugal) divulgou nesta quarta-feira um comunicado em que afirma ter recebido da brasileira Camargo Corrêa uma proposta para a fusão de sua área de cimentos com a empresa portuguesa.
A proposta da Camargo Corrêa Cimentos é bem diferente da oferta apresentada pela siderúrgica brasileira CSN, que tenta comprar a Cimpor por 5,6 bilhões de dólares. A Camargo Corrêa quer fundir sua empresa de cimentos e não planeja realizar no mercado uma oferta pública de compra dos papéis de todos os acionistas.
Se o negócio se concretizar, a Camargo Corrêa passaria a deter entre 15% e 25% do capital da Cimpor, descartando a possibilidade de adquirir mais de 50% dos papéis, uma posição que lhe daria o controle absoluto da empresa portuguesa.
Já os atuais acionistas da Cimpor teriam direito a repartir dividendos de até 350 milhões de euros gerados a partir da capitalização da Camargo Corrêa Cimentos pelo grupo Camargo Corrêa.
Segundo o comunicado, a Camargo Corrêa afirma que essa proposta serve apenas de base para o início das negociações com a empresa portuguesa. A Cimpor ainda não fez uma avaliação da proposta. "Neste momento não é possível à Cimpor emitir qualquer opinião ou entendimento sobre a viabilidade ou oportunidade da proposta recebida", diz a empresa portuguesa.
A oferta da CSN foi rejeitada pelo conselho de administração da Cimpor, mas ainda não foi avaliada individualmente por cada um dos acionistas. Para ser levada adiante, depende da adesão dos detentores de ao menos 50,01% dos papéis.
O capital da empresa portuguesa, hoje, está distribuído entre Teixeira Duarte (23%), Lafarge (17%), Manuel Lino (11%), Banco Comercial Português (10%) e Caixa Geral de Depósitos (10%). A Lafarge já manifestou publicamente a intenção de vender sua participação, mas ainda não avaliou a proposta da CSN.
O mercado teme que a CSN, seja obrigada a elevar a oferta para conquistar a adesão dos acionistas. Esse movimento poderia elevar excessivamente a dívida líquida da siderúrgica, que hoje está em 5,9 bilhões de reais. Uma das soluções para reduzir o endividamento seria o tão aguardado IPO da divisão de mineração que deve ser criada pela empresa e que deve reunir os ativos da Namisa e da Casa de Pedra.
No entanto, os investidores também não veem muito sentido na estratégia da CSN de investir tão pesadamente no setor de cimento, já que outras atividades em que atua, como o minério de ferro, proporcionam margens bem maiores.
A aquisição da Cimpor, no entanto, daria escala para o negócio de cimento da CSN, que começou a ser tocado recentemente. A empresa estima ter produzido 300 mil toneladas de cimento em 2009 e espera chegar a 2011 com 2,5 milhões de toneladas anuais. A Cimpor produz 36 milhões de toneladas e é a décima maior do mundo no setor, com importante participação em mercados emergentes.
BB deve comprar instituição financeira nos EUA e Argentina até junho
"Seguramente haverá compras até junho.Os processos nos EUA e na Argentina andam em paralelo", afirmou ao Valor uma fonte próxima às negociações.
A estratégia do banco, já traçada há mais de um ano, é se lançar no exterior. Nos EUA, a ideia é atender à comunidade de brasileiros, estimada em 1,4 milhão de pessoas, enquanto, na Argentina, o banco buscará explorar o segmento corporativo.
O BB, que sempre optou pelo crescimento orgânico, mudou sua estratégia depois da aquisição da Nossa Caixa. "O banco percebeu que essa é uma forma mais rápida de ganhar "market share" e de crescer", informou a fonte. A alternativa vem também em um momento em que o BB aguarda a autorização do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, para entrar no mercado americano via a abertura de um banco de varejo no país. Dos pedidos do banco brasileiro, até agora, apenas a autorização para a criação da subsidiária de remessas - a BB Money Transfers - foi aprovada. Com a demora para a autorização, torna-se melhor comprar um banco já existente, operação que tem aprovação mais fácil da autoridade americana.
Em entrevista ao Valor no fim do ano passado, o presidente do banco, Aldemir Bendine, afirmou que não tem interesse nos ativos dos bancos a ser comprados, pois quer apenas a infraestrutura da instituição para atuar no país.
Na Argentina, já foram explicitados os interesses da instituição pelo Banco Patagônia. Mas, ali, a ideia seria atender às mais de 200 companhias brasileiras que atuam no país vizinho. O BB já é o banco brasileiro com maior presença internacional.
Está em 23 países com 44 dependências, entre agências e escritórios de representação. A instituição, no entanto, ainda faz mistério sobre os nomes daqueles que estão no seu radar.
Hypermarcas vai pagar 38 milhões de reais ao Corinthians
A Hypermarcas acaba de fechar contrato de patrocínio com o Sport Club Corinthians Paulista. A empresa vai pagar 38 milhões de reais por um ano para ocupar toda a camisa do time, exceto a cintura. No peito estará estampada a marca do laboratório de genéricos Neoquímica, recém-adquirido pela empresa. Bozzano e Avanço serão mantidos e o detergente em pó Assim vai ocupar a parte de cima da frente.
O time pode faturar mais um prêmio por conquista de títulos que varia de 5 milhões a 7 milhões de reais. A conquista da Taça Libertadores de América garantiria o bônus máximo.
Além disso, o atacante Ronaldo mantém contrato de patrocínio pessoal com a marca Bozzano. Além do Corinthians, a Hypermarcas negocia com o Flamengo.