terça-feira, 10 de março de 2009

"Os otimistas vão se decepcionar"

Para Stephen Roach, presidente do banco Morgan Stanley na Ásia e um dos primeiros a avisar que uma grave crise era iminente, a economia americana vai demorar a se recuperar - o que exige cautela por parte dos investidores

Jerome Favre/Bloomberg News /Landov "Os próximos anos serão de baixo consumo e baixo crescimento. Teremos uma recuperação anêmica" Por Eduardo Salgado | 05.03.2009 | 16h54

Revista EXAME -
Mesmo de Hong Kong, para onde se mudou em 2007 para dirigir a operação do banco Morgan Stanley na Ásia, o economista americano Stephen Roach continua sendo uma das vozes mais ouvidas de Wall Street. O respeito de seus pares é resultado das análises acertadas que fez ao longo das duas últimas décadas, o que o alçou ao patamar de estrela do mercado financeiro global. Desde 2004, Roach afirma que a economia americana vinha flertando com um Armagedom econômico - que agora parece se materializar. Confira a seguir o que Roach, Ph.D

Como isso vai afetar o mundo?
Os Estados Unidos são os principais consumidores do planeta. Se o mundo não conseguir alguém que os substitua, haverá uma redução no crescimento da economia global. Creio que veremos, entre 2009 e 2011, uma taxa anual de crescimento do PIB global entre 2% e 2,5%, o que indica um clima recessivo - será a metade do crescimento alcançado nos quatro anos e meio antes do início da crise do subprime. Levará de três a cinco anos para vermos condições mais normais na economia.

Como a economia chinesa vai reagir ao ajuste americano?
Não há descolamento entre a economia americana e a global. Isso é verdade para todos os países, mas ainda mais para os voltados para as exportações. A China não é exceção. É verdade que o governo chinês anunciou políticas de estímulo, principalmente gastos em infraestrutura, e que a economia lá é mais controlada, o que facilita a execução das políticas governamentais. Por isso, acho que os chineses poderão reativar a economia de forma mais eficiente do que as potências ocidentais. Mas uma coisa é certa: o crescimento chinês será muito mais fraco do que o previsto até recentemente.

Haverá, então, uma redução nas importações chinesas de produtos brasileiros?
Com certeza. A demanda chinesa por produtos brasileiros vai cair significativamente. Não há como continuar importando no mesmo nível com a economia em desaceleração.

O senhor compraria ações de empresas brasileiras exportadoras de commodities para a China?
Digamos que eu não aconselharia a compra. Estamos vivendo um momento que exige uma postura cuidadosa. Por mais que os valores das ações estejam, de modo geral, muito baixos, antecipando - corretamente - uma recessão severa em 2009, acho que ainda estão considerando uma recuperação otimista em 2010 e 2011. E, na minha opinião, esse

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