O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da BRF-Brasil Foods, Leopoldo Saboya, disse hoje que a empresa espera que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove a fusão com a Sadia até o início do segundo semestre. "Estamos confiantes que isso aconteça entre o final do primeiro semestre e o início do segundo. Estamos na contagem regressiva", afirmou.
Segundo ele, "até agora o processo avançou muito bem" e a empresa está "bastante satisfeita" com as avaliações da operação até o momento. Questionado sobre o valor das sinergias que podem ser alcançadas a partir da fusão, o executivo reafirmou a estimativa de R$ 500 milhões de economia de custo por ano. "O valor cheio só será atingido em 2012", ressaltou.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Petrobras vê capacidade plena no Golfo em 2 a 3 anos
Houston, EUA - O projeto da Petrobras nos campos de gás e petróleo Cascade e Chinook, no Golfo do México, poderá alcançar o topo da sua capacidade estimada em dois ou três anos, afirmou Cesar Palagi, gerente de ativos da Petrobras, America. A exploração em águas profundas, na região de Walker Ridge do Golfo, será feita por meio do sistema flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo (FPSO), navio que tem capacidade de 80 mil barris de petróleo por dia.
"Se os poços forem muito bons, a capacidade será alcançada dentro de dois anos", disse o executivo. Independentemente disso, a capacidade plena poderá ser atingida "a qualquer momento entre dois ou três anos", disse ele. Segundo Palagi, o projeto, que vai extrair petróleo e gás dos campos de Cascade e Chinook, deve iniciar a produção em meados de 2010.
A maior parte do trabalho de infraestrutura submarina e da plataforma FPSO está terminada, mas os poços precisam ser concluídos. "Essa é a operação mais desafiadora em todo o projeto", ressaltou o executivo. A Petrobras, que possuía anteriormente 50% de Cascade, comprou recentemente a participação remanescente da Devon Energy, e agora é proprietária de todo o campo. De acordo com Palagi, a compra foi uma boa oportunidade de negócios para a Petrobras. As informações são da Dow Jones.
"Se os poços forem muito bons, a capacidade será alcançada dentro de dois anos", disse o executivo. Independentemente disso, a capacidade plena poderá ser atingida "a qualquer momento entre dois ou três anos", disse ele. Segundo Palagi, o projeto, que vai extrair petróleo e gás dos campos de Cascade e Chinook, deve iniciar a produção em meados de 2010.
A maior parte do trabalho de infraestrutura submarina e da plataforma FPSO está terminada, mas os poços precisam ser concluídos. "Essa é a operação mais desafiadora em todo o projeto", ressaltou o executivo. A Petrobras, que possuía anteriormente 50% de Cascade, comprou recentemente a participação remanescente da Devon Energy, e agora é proprietária de todo o campo. De acordo com Palagi, a compra foi uma boa oportunidade de negócios para a Petrobras. As informações são da Dow Jones.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
As maiores vítimas da alta dos juros
Empresas de infraestrutura e consumo, de menor porte, bastante endividadas ou com necessidade de capital de giro devem ser as mais afetadas pelo aumento da Selic.
Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo são comumente rotulados de estraga-prazeres. Afinal, quando a economia começa a crescer com mais vigor e os investidores estão eufóricos, em geral é hora de elevar os juros para conter a inflação. O ex-presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) Alan Greenspan admitia publicamente que seu papel era o de suspender as bebidas quando a festa começava a ficar animada. Seu antecessor no BC americano, o lendário Paul Volcker, chegou a receber em sua sala centenas de cartas, alguns fragmentos de materiais de construção e dezenas de chaves de automóveis quando elevou os juros no começo dos anos 80 - e decepou centenas de milhares de empregos na área automobilística e de construção civil.
Entre os primeiros da atual fila de estraga-prazeres, encontra-se o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles. Com a expectativa de crescimento da economia brasileira de mais de 5% neste ano, a dúvida no mercado é se o Comitê de Política Monetária (Copom) começa a acabar com a festa em março ou abril. Na média, os investidores acreditam que a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) saltará de 8,75% para 11,25% durante todo o próximo ciclo de aperto monetário. O movimento teria como justificativas a aceleração da inflação, a baixa ociosidade do setor produtivo e os gargalos que reduzem o potencial de crescimento sustentável do país.
Diante da irreversibilidade do ciclo de alta de juros que se avizinha, o Portal EXAME perguntou a diversos especialistas quais setores seriam os mais prejudicados pela ação do BC. A resposta unânime é que as empresas de infraestrutura, varejo e consumo vão sentir o baque. A captação de recursos para a construção de hidrelétricas, ferrovias, portos ou estradas deverá ficar mais lenta e cara porque quanto mais alta a taxa básica de juros, mais rentável precisa ser um projeto para superar o retorno oferecido pela segurança dos títulos públicos brasileiros. Além disso, muitas das atuais empresas desses setores estão bastante endividadas e seus títulos pagam juros indexados à Selic.
Já os setores de varejo e consumo serão afetados devido ao impacto dos juros na concessão de crédito. "A diminuição do volume de compras manterá a inflação estável, mas retrairá o crescimento das redes varejistas", afirma Bernardo Wjuniski, economista da consultoria Tendências. No Brasil, as compras de bens duráveis e de imóveis são as que mais dependem do crédito. Para Marcos Duarte, sócio e cofundador da gestora de recursos Polo Capital, no entanto, o setor imobiliário não deve ser tão prejudicado porque o financiamento à compra de casas é subsidiado com recursos da caderneta de poupança. Como as taxas de juros variam de acordo com a TR (taxa referencial), que oscilará muito menos que a Selic, as decisões do Copom não devem evitar que o mercado imobiliário em trajetória de expansão.
As pequenas e médias empresas também serão especialmente prejudicadas pela arrancada dos juros. "Quanto menor o porte da empresa mais afetada ela será", diz o professor Tharcisio de Souza Santos, diretor do curso de MBA da universidade FAAP. Segundo ele, hoje os pequenos e médios negócios compõem a parte mais volumosa da pirâmide econômica no país. Essa classe empreendedora busca fontes de investimentos para a sua expansão e está atrás de recursos para pagar seus fornecedores. No entanto, esses empresários dificilmente conseguem avançar numa negociação com o BNDES para obter empréstimos indexados à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que estão entre os mais baratos da economia brasileira.
Com ânsia de ampliar a carteira de crédito, os bancos estão investindo cada vez mais em linhas específicas para atender às necessidades das pequenas e médias companhias. A grande dificuldade das instituições financeiras é avaliar quando um pequeno negócio tem caixa suficiente para arcar com seus compromissos. Muitos bancos que atuam nesse segmento chegam a fazer um acompanhamento diário das receitas e despesas de uma empresa antes de liberar um empréstimo. Mesmo com todos esses cuidados, o risco desses financiamentos costuma ser alto. O ambiente de negócios no Brasil é predatório para empresas que estão longe da liderança de mercado. Por isso, o empresário brasileiro é obrigado a pagar juros elevados para compensar as perdas com a inadimplência dos que não prosperam.
Outras empresas bastante afetadas pela alta da Selic são aquelas que precisam de capital de giro para financiar a operação. Num cenário de juros elevados, a receita da empresa vive um movimento semelhante ao da gangorra: enquanto o preço do financiamento do capital de giro sobe, a margem de lucro cai. Esse exemplo se encaixa no atual cenário da locadora de veículos Localiza. A maior rede de aluguel de automóveis da América Latina chega a fechar contratos superiores a 1 bilhão de reais para comprar milhares de veículos de uma só vez com preços vantajosos. Para financiar a troca da frota, a empresa precisa antes captar dinheiro. A alta dos juros muitas vezes eleva o custo dos empréstimos de uma forma que a Localiza não consegue repassar integralmente para o aluguel do veículo ou para seu preço de revenda quando chegar a hora de novamente renovar a frota.
A compressão das margens de lucro é considerada pelos bancos na hora de liberar um empréstimo. No ano passado, era possível para um empresário parcelar o valor de um financiamento em até 60 meses com juro mensal de 1,28%. Além da expectativa de aumento da Selic, o banco embute um cenário de margens menores - e, consequentemente, risco maior de inadimplência - no momento em que estipula a taxa de juro que será cobrada em troca do dinheiro. Logo, as concessões de linhas de capital de giro serão feitas com o spread em picos acima do período da última crise financeira mundial. "A Selic elevada inviabilizará diversos investimentos, podendo levar ao naufrágio empresas de médio porte como, por exemplo, algumas redes farmacêuticas", avalia Celina Ramalho, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.
Outro abalo evidente acontecerá no mercado de capitais. Entre 2005 e 2008, quando a Selic passou de 19,75% para 11,25%, houve um aumento significativo nos IPOs (oferta pública de ações, na sigla em inglês). Somente em 2007, foram realizadas 64 emissões de papéis na BM&FBovespa. O movimento contrário, de alta na taxa básica, fará com que as empresas interessadas em abrir capital fiquem com um pé atrás. Os juros mais elevados vão diminuir a atratividade da bolsa em relação à renda fixa. É provável que algumas empresas desistam de listar suas ações em um ano que já prometia não ser dos mais simples devido às turbulências nos países ricos, à esperada megacapitalização da Petrobras e às eleições presidenciais.
Presidentes de bancos centrais ao redor do mundo são comumente rotulados de estraga-prazeres. Afinal, quando a economia começa a crescer com mais vigor e os investidores estão eufóricos, em geral é hora de elevar os juros para conter a inflação. O ex-presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) Alan Greenspan admitia publicamente que seu papel era o de suspender as bebidas quando a festa começava a ficar animada. Seu antecessor no BC americano, o lendário Paul Volcker, chegou a receber em sua sala centenas de cartas, alguns fragmentos de materiais de construção e dezenas de chaves de automóveis quando elevou os juros no começo dos anos 80 - e decepou centenas de milhares de empregos na área automobilística e de construção civil.
Entre os primeiros da atual fila de estraga-prazeres, encontra-se o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles. Com a expectativa de crescimento da economia brasileira de mais de 5% neste ano, a dúvida no mercado é se o Comitê de Política Monetária (Copom) começa a acabar com a festa em março ou abril. Na média, os investidores acreditam que a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) saltará de 8,75% para 11,25% durante todo o próximo ciclo de aperto monetário. O movimento teria como justificativas a aceleração da inflação, a baixa ociosidade do setor produtivo e os gargalos que reduzem o potencial de crescimento sustentável do país.
Diante da irreversibilidade do ciclo de alta de juros que se avizinha, o Portal EXAME perguntou a diversos especialistas quais setores seriam os mais prejudicados pela ação do BC. A resposta unânime é que as empresas de infraestrutura, varejo e consumo vão sentir o baque. A captação de recursos para a construção de hidrelétricas, ferrovias, portos ou estradas deverá ficar mais lenta e cara porque quanto mais alta a taxa básica de juros, mais rentável precisa ser um projeto para superar o retorno oferecido pela segurança dos títulos públicos brasileiros. Além disso, muitas das atuais empresas desses setores estão bastante endividadas e seus títulos pagam juros indexados à Selic.
Já os setores de varejo e consumo serão afetados devido ao impacto dos juros na concessão de crédito. "A diminuição do volume de compras manterá a inflação estável, mas retrairá o crescimento das redes varejistas", afirma Bernardo Wjuniski, economista da consultoria Tendências. No Brasil, as compras de bens duráveis e de imóveis são as que mais dependem do crédito. Para Marcos Duarte, sócio e cofundador da gestora de recursos Polo Capital, no entanto, o setor imobiliário não deve ser tão prejudicado porque o financiamento à compra de casas é subsidiado com recursos da caderneta de poupança. Como as taxas de juros variam de acordo com a TR (taxa referencial), que oscilará muito menos que a Selic, as decisões do Copom não devem evitar que o mercado imobiliário em trajetória de expansão.
As pequenas e médias empresas também serão especialmente prejudicadas pela arrancada dos juros. "Quanto menor o porte da empresa mais afetada ela será", diz o professor Tharcisio de Souza Santos, diretor do curso de MBA da universidade FAAP. Segundo ele, hoje os pequenos e médios negócios compõem a parte mais volumosa da pirâmide econômica no país. Essa classe empreendedora busca fontes de investimentos para a sua expansão e está atrás de recursos para pagar seus fornecedores. No entanto, esses empresários dificilmente conseguem avançar numa negociação com o BNDES para obter empréstimos indexados à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que estão entre os mais baratos da economia brasileira.
Com ânsia de ampliar a carteira de crédito, os bancos estão investindo cada vez mais em linhas específicas para atender às necessidades das pequenas e médias companhias. A grande dificuldade das instituições financeiras é avaliar quando um pequeno negócio tem caixa suficiente para arcar com seus compromissos. Muitos bancos que atuam nesse segmento chegam a fazer um acompanhamento diário das receitas e despesas de uma empresa antes de liberar um empréstimo. Mesmo com todos esses cuidados, o risco desses financiamentos costuma ser alto. O ambiente de negócios no Brasil é predatório para empresas que estão longe da liderança de mercado. Por isso, o empresário brasileiro é obrigado a pagar juros elevados para compensar as perdas com a inadimplência dos que não prosperam.
Outras empresas bastante afetadas pela alta da Selic são aquelas que precisam de capital de giro para financiar a operação. Num cenário de juros elevados, a receita da empresa vive um movimento semelhante ao da gangorra: enquanto o preço do financiamento do capital de giro sobe, a margem de lucro cai. Esse exemplo se encaixa no atual cenário da locadora de veículos Localiza. A maior rede de aluguel de automóveis da América Latina chega a fechar contratos superiores a 1 bilhão de reais para comprar milhares de veículos de uma só vez com preços vantajosos. Para financiar a troca da frota, a empresa precisa antes captar dinheiro. A alta dos juros muitas vezes eleva o custo dos empréstimos de uma forma que a Localiza não consegue repassar integralmente para o aluguel do veículo ou para seu preço de revenda quando chegar a hora de novamente renovar a frota.
A compressão das margens de lucro é considerada pelos bancos na hora de liberar um empréstimo. No ano passado, era possível para um empresário parcelar o valor de um financiamento em até 60 meses com juro mensal de 1,28%. Além da expectativa de aumento da Selic, o banco embute um cenário de margens menores - e, consequentemente, risco maior de inadimplência - no momento em que estipula a taxa de juro que será cobrada em troca do dinheiro. Logo, as concessões de linhas de capital de giro serão feitas com o spread em picos acima do período da última crise financeira mundial. "A Selic elevada inviabilizará diversos investimentos, podendo levar ao naufrágio empresas de médio porte como, por exemplo, algumas redes farmacêuticas", avalia Celina Ramalho, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.
Outro abalo evidente acontecerá no mercado de capitais. Entre 2005 e 2008, quando a Selic passou de 19,75% para 11,25%, houve um aumento significativo nos IPOs (oferta pública de ações, na sigla em inglês). Somente em 2007, foram realizadas 64 emissões de papéis na BM&FBovespa. O movimento contrário, de alta na taxa básica, fará com que as empresas interessadas em abrir capital fiquem com um pé atrás. Os juros mais elevados vão diminuir a atratividade da bolsa em relação à renda fixa. É provável que algumas empresas desistam de listar suas ações em um ano que já prometia não ser dos mais simples devido às turbulências nos países ricos, à esperada megacapitalização da Petrobras e às eleições presidenciais.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Dúvidas e desafios rondam gestação do PNBL
Prioridade do governo em 2010, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), só terá seu formato definido ao longo de março. Foi o que disse ontem César Alvarez, assessor especial do Planalto e coordenador do plano, em Brasília.
Segundo ele, o presidente Lula deve reunir no final do mês que vem um grupo de 12 ministros antes de lançar a primeira versão do PNBL. “A partir desse primeiro documento, vamos convidar a sociedade civil e o setor de telecomunicações para formar uma grande mesa digital, para discutir e apresentar sugestões ao plano”, disse Alvarez.
Idealizado para levar conexão de Internet de alta velocidade à população carente do país, o PNBL deve utilizar a Eletronet, uma subsidiária falida da Eletrobrás que conta com uma rede de 16 000 km de fibras ópticas ao longo de 18 estados brasileiros, área em que vive 90% da população.
Mas o PNBL apresenta dois desafios e pelo menos uma grande dúvida para o governo:
O primeiro desafio é a indefinição judicial sobre a dívida estimada em 800 milhões de reais que a Eletronet tem com os fornecedores Alcatel-Lucent e Furukawa. O caso está sob responsabilidade da juíza carioca Ellen Lobato, do Tribunal de Justiça do Rio.
Irritado com o que julga morosidade por parte da juíza, o governo cogita até em entrar com uma representação contra ela no Conselho Nacional de Justiça.
Já segundo desafio, que é manchete nos jornais, é o envolvimento do ex-ministro José Dirceu, cujo mandato de deputado foi cassado em função do escândalo do mensalão, com a empresa Star Overseas. Segundo a “Folha de S. Paulo” de ontem, Dirceu teria recebido 620 mil reais do empresário Nelson dos Santos por serviços de consultoria.
E acontece que a Star Overseas comprou por 1 real uma participação de 49% na Eletronet. Se a rede for reativada, tal participação poderia valer 200 milhões de reais.
Tanto Dirceu quanto o Planalto negam que a reativação da Eletronet venha a beneficiar Santos. O desafio do governo é justamente provar que a situação da Eletronet – e também a estratosférica valorização dos papéis da Telebrás, antiga estatal que deve ser reativada pelo PNBL – não beneficiaram ou beneficiarão indevidamente indivíduos ou empresas através de informações privilegiadas e tráfico de influência.
Finalmente, há uma grande dúvida sobre o valor do investimento necessário para lançar o PNBL. O governo diz serem necessários 15 bilhões de reais para atingir metas estipuladas para o plano até 2012. Já o setor privado calcula que os gastos seriam de até 60 bilhões.
Como se vê, seja pela importância estratégica para o país ou por seu potencial conteúdo explosivo, o PNBL será um tema obrigatório na campanha eleitoral.
Segundo ele, o presidente Lula deve reunir no final do mês que vem um grupo de 12 ministros antes de lançar a primeira versão do PNBL. “A partir desse primeiro documento, vamos convidar a sociedade civil e o setor de telecomunicações para formar uma grande mesa digital, para discutir e apresentar sugestões ao plano”, disse Alvarez.
Idealizado para levar conexão de Internet de alta velocidade à população carente do país, o PNBL deve utilizar a Eletronet, uma subsidiária falida da Eletrobrás que conta com uma rede de 16 000 km de fibras ópticas ao longo de 18 estados brasileiros, área em que vive 90% da população.
Mas o PNBL apresenta dois desafios e pelo menos uma grande dúvida para o governo:
O primeiro desafio é a indefinição judicial sobre a dívida estimada em 800 milhões de reais que a Eletronet tem com os fornecedores Alcatel-Lucent e Furukawa. O caso está sob responsabilidade da juíza carioca Ellen Lobato, do Tribunal de Justiça do Rio.
Irritado com o que julga morosidade por parte da juíza, o governo cogita até em entrar com uma representação contra ela no Conselho Nacional de Justiça.
Já segundo desafio, que é manchete nos jornais, é o envolvimento do ex-ministro José Dirceu, cujo mandato de deputado foi cassado em função do escândalo do mensalão, com a empresa Star Overseas. Segundo a “Folha de S. Paulo” de ontem, Dirceu teria recebido 620 mil reais do empresário Nelson dos Santos por serviços de consultoria.
E acontece que a Star Overseas comprou por 1 real uma participação de 49% na Eletronet. Se a rede for reativada, tal participação poderia valer 200 milhões de reais.
Tanto Dirceu quanto o Planalto negam que a reativação da Eletronet venha a beneficiar Santos. O desafio do governo é justamente provar que a situação da Eletronet – e também a estratosférica valorização dos papéis da Telebrás, antiga estatal que deve ser reativada pelo PNBL – não beneficiaram ou beneficiarão indevidamente indivíduos ou empresas através de informações privilegiadas e tráfico de influência.
Finalmente, há uma grande dúvida sobre o valor do investimento necessário para lançar o PNBL. O governo diz serem necessários 15 bilhões de reais para atingir metas estipuladas para o plano até 2012. Já o setor privado calcula que os gastos seriam de até 60 bilhões.
Como se vê, seja pela importância estratégica para o país ou por seu potencial conteúdo explosivo, o PNBL será um tema obrigatório na campanha eleitoral.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Crescem as chances de a TAM comprar parte da LAN Chile
Família Cueto abre mão de parte do direito de preferência na compra das ações detidas por Sebatian Piñera, o presidente eleito do país vizinho.
As chances de a TAM comprar uma fatia da LAN Chile estão maiores. Nesta segunda-feira (22/02), a família Cueto comunicou ao mercado que vai adquirir apenas uma parte das ações da companhia aérea chilena em poder do presidente eleito do país vizinho, Sebastian Piñera. Segundo fato relevante enviado à Bolsa de Santiago, a Costa Verde, holding dos Cueto, vai comprar 8,56% dos papéis da empresa aérea por 494 milhões de dólares. Restarão à venda, ainda, uma parcela de 21,8% da LAN Chile, distribuída entre as duas holdings de Piñera - a Axxion e a Santa Cecília. "A LAN Chile sempre esteve no radar da TAM, e, agora, surgiu uma oportunidade única", afirma uma fonte a par dos bastidores da companhia. Em nota, a TAM. afirmou que "nega qualquer intenção de adquirir ações da LAN Chile. O relacionamento das duas companhias contempla uma parceria operacional em codeshare e serviços de manutenção prestados pela TAM para as aeronaves da LAN."
Os Cueto já detém uma participação de cerca de 25% no capital da Lan Chile e são considerados os verdadeiros operadores da companhia aérea. Após o negócio, a famíila passaria a controlar cerca de 33% do capital. Com o aval da presidente do conselho de administração da TAM, Maria Cláudia Amaro, o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual e também conselheiro da empresa brasileira, está articulando um grupo de bancos de investimento para apoiar o negócio. O fato de a TAM disputar, agora, uma fatia menor da companhia chilena também favorece as ambições da empresa, já que necessitará de menos dinheiro para bancar o jogo.
A TAM realizou, recentemente, o IPO de sua gestora de programas de fidelidade, a Multiplus. Lançada em um momento de turbulência no mercado, devido aos temores da crise da dívida grega, os papéis foram vendidos por um preço menor que o estimado pelos coordenadores da oferta. Cerca de 94% da captação vai para o caixa da TAM, por meio de um contrato de compra antecipada de passagens e pontos. Mas a idéia, agora, é que esse dinheiro permaneça no caixa da companhia. “Sempre é bom para uma companhia aérea ter um caixa confortável”, diz a fonte.
A alternativa é que os bancos de investimento contatado por Esteves forneçam um empréstimo-ponte para a TAM, cujos recursos seriam usados para comprar as ações da LAN Chile. Em um segundo momento, a dívida seria reestruturada. Nessa etapa, haveria várias opções em estudo - desde uma emissão de ações da TAM, se as condições de mercado forem favoráveis, até um empréstimo do BNDES.
A Copa Airlines seria uma das interessadas em atravessar o caminho da TAM, mas os observadores afirmam que a brasileira é a candidata com melhores condições de vencer a disputa. Em primeiro lugar, porque é a que apresenta o maior número de sinergias com a LAN. Além disso, a família Amaro já mantém um bom relacionamento com os chilenos desde a época em que o comandante Rolim, fundador da TAM, dirigia os negócios.
Por último, a LAN Chile sempre quis ampliar suas operações no Brasil assim como a TAM mantém o sonho de consolidar sua posição de maior companhia aérea da América do Sul. "Não vejo outra empresa em melhores condições de vencer essa briga", diz a fonte. O prazo para que Piñera deixe a LAN Chile é 11 de março, data de sua posse como próximo presidente do país. Esse também é o prazo que a TAM. tem para concluir um dos voos mais altos de sua história.
As chances de a TAM comprar uma fatia da LAN Chile estão maiores. Nesta segunda-feira (22/02), a família Cueto comunicou ao mercado que vai adquirir apenas uma parte das ações da companhia aérea chilena em poder do presidente eleito do país vizinho, Sebastian Piñera. Segundo fato relevante enviado à Bolsa de Santiago, a Costa Verde, holding dos Cueto, vai comprar 8,56% dos papéis da empresa aérea por 494 milhões de dólares. Restarão à venda, ainda, uma parcela de 21,8% da LAN Chile, distribuída entre as duas holdings de Piñera - a Axxion e a Santa Cecília. "A LAN Chile sempre esteve no radar da TAM, e, agora, surgiu uma oportunidade única", afirma uma fonte a par dos bastidores da companhia. Em nota, a TAM. afirmou que "nega qualquer intenção de adquirir ações da LAN Chile. O relacionamento das duas companhias contempla uma parceria operacional em codeshare e serviços de manutenção prestados pela TAM para as aeronaves da LAN."
Os Cueto já detém uma participação de cerca de 25% no capital da Lan Chile e são considerados os verdadeiros operadores da companhia aérea. Após o negócio, a famíila passaria a controlar cerca de 33% do capital. Com o aval da presidente do conselho de administração da TAM, Maria Cláudia Amaro, o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual e também conselheiro da empresa brasileira, está articulando um grupo de bancos de investimento para apoiar o negócio. O fato de a TAM disputar, agora, uma fatia menor da companhia chilena também favorece as ambições da empresa, já que necessitará de menos dinheiro para bancar o jogo.
A TAM realizou, recentemente, o IPO de sua gestora de programas de fidelidade, a Multiplus. Lançada em um momento de turbulência no mercado, devido aos temores da crise da dívida grega, os papéis foram vendidos por um preço menor que o estimado pelos coordenadores da oferta. Cerca de 94% da captação vai para o caixa da TAM, por meio de um contrato de compra antecipada de passagens e pontos. Mas a idéia, agora, é que esse dinheiro permaneça no caixa da companhia. “Sempre é bom para uma companhia aérea ter um caixa confortável”, diz a fonte.
A alternativa é que os bancos de investimento contatado por Esteves forneçam um empréstimo-ponte para a TAM, cujos recursos seriam usados para comprar as ações da LAN Chile. Em um segundo momento, a dívida seria reestruturada. Nessa etapa, haveria várias opções em estudo - desde uma emissão de ações da TAM, se as condições de mercado forem favoráveis, até um empréstimo do BNDES.
A Copa Airlines seria uma das interessadas em atravessar o caminho da TAM, mas os observadores afirmam que a brasileira é a candidata com melhores condições de vencer a disputa. Em primeiro lugar, porque é a que apresenta o maior número de sinergias com a LAN. Além disso, a família Amaro já mantém um bom relacionamento com os chilenos desde a época em que o comandante Rolim, fundador da TAM, dirigia os negócios.
Por último, a LAN Chile sempre quis ampliar suas operações no Brasil assim como a TAM mantém o sonho de consolidar sua posição de maior companhia aérea da América do Sul. "Não vejo outra empresa em melhores condições de vencer essa briga", diz a fonte. O prazo para que Piñera deixe a LAN Chile é 11 de março, data de sua posse como próximo presidente do país. Esse também é o prazo que a TAM. tem para concluir um dos voos mais altos de sua história.
Fundo Capital Group injeta R$ 130 mi no Ibmec
Verba será utilizada para expansão das unidades RJ e BH, além de auxiliar oferta de cursos da Veris.
Fundos de private equity do norte-americano Capital Group, um dos maiores gestores de investimentos do mundo, farão um aporte de capital de 130 milhões de reais no grupo brasileiro de educação Ibmec Educacional. Em troca, o Capital Group passará a ser participante minoritário da estrutura societária do Ibmec.
O dinheiro será utilizado principalmente para expansão nos campi do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte das Faculdades Ibmec, além do setor de educação à distância da instituição, o Ibmec Online. A Veris Faculdades, também pertencente ao grupo, utilizará parte da verba para continuar a ofertar de novos cursos, como os recém-iniciados de engenharia e de direito.
O presidente do grupo educacional, Eduardo Wurzmann, acredita que o dinheiro dos fundos vai auxiliar na consolidação da empresa no setor de educação especializada. "A injeção de capital consolida nossa posição diferenciada no mercado e nos dá oportunidade para continuar crescendo com foco na educação de excelência. Ao mesmo tempo, a operação confirma nossa atratividade no mercado", afirma.
O grupo Ibmec fechou o ano passado com um faturamento de 160 milhões de reais, apresentando um crescimento de 36% em sua receita bruta. Este resultado é fruto dos investimentos de expansão que a companhia realizou nos últimos três anos, adquirindo outras instituições (como a Metrocamp, que veio a se tornar a Veris Faculdades) e abrindo novas unidades das Faculdades Ibmec.
Uma grande aposta foi a criação do curso de ensino à distância da instituição, batizado de Ibmec Online. De acordo com os prognósticos do grupo, dentro dos próximos quatro anos, essa vertente deve ser responsável por 20% do faturamento total por ano da instituição.
Fundos de private equity do norte-americano Capital Group, um dos maiores gestores de investimentos do mundo, farão um aporte de capital de 130 milhões de reais no grupo brasileiro de educação Ibmec Educacional. Em troca, o Capital Group passará a ser participante minoritário da estrutura societária do Ibmec.
O dinheiro será utilizado principalmente para expansão nos campi do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte das Faculdades Ibmec, além do setor de educação à distância da instituição, o Ibmec Online. A Veris Faculdades, também pertencente ao grupo, utilizará parte da verba para continuar a ofertar de novos cursos, como os recém-iniciados de engenharia e de direito.
O presidente do grupo educacional, Eduardo Wurzmann, acredita que o dinheiro dos fundos vai auxiliar na consolidação da empresa no setor de educação especializada. "A injeção de capital consolida nossa posição diferenciada no mercado e nos dá oportunidade para continuar crescendo com foco na educação de excelência. Ao mesmo tempo, a operação confirma nossa atratividade no mercado", afirma.
O grupo Ibmec fechou o ano passado com um faturamento de 160 milhões de reais, apresentando um crescimento de 36% em sua receita bruta. Este resultado é fruto dos investimentos de expansão que a companhia realizou nos últimos três anos, adquirindo outras instituições (como a Metrocamp, que veio a se tornar a Veris Faculdades) e abrindo novas unidades das Faculdades Ibmec.
Uma grande aposta foi a criação do curso de ensino à distância da instituição, batizado de Ibmec Online. De acordo com os prognósticos do grupo, dentro dos próximos quatro anos, essa vertente deve ser responsável por 20% do faturamento total por ano da instituição.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Cielo anuncia lançamento de programa de ADRs
A Cielo (ex-VisaNet) anunciou hoje o lançamento de seu programa de American Depositary Receipts (ADRs) Nível 1. O banco depositário é o Deutsche Bank. O código de negociação dos títulos em mercado interbancário no exterior ainda será definido. Cada ADR representa uma ação ordinária da empresa a ser negociada no exterior. No Brasil, as ações da companhia de meios de pagamento são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com o código CIEL3.
Em nota, o presidente e diretor de Relações com Investidores da Cielo, Romulo de Mello Dias, diz que o programa de ADRs "representa mais uma opção de investimento para os investidores, além de aumentar a visibilidade da Cielo no mercado internacional".
A Cielo registrou em 2009 lucro líquido recorrente de R$ 1,536 bilhão, alta de 37,8% ante o R$ 1,115 bilhão de 2008. O lucro contábil foi de R$ 1,533 bilhão, um resultado 14,3% maior que o R$ 1,342 bilhão de 2008. Já a receita operacional líquida somou R$ 3,627 bilhões, um crescimento de 25,4% na comparação com o ano fiscal anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 2,45 bilhões, aumento de 38,9% na mesma comparação, com margem Ebitda de 67,6%.
Em nota, o presidente e diretor de Relações com Investidores da Cielo, Romulo de Mello Dias, diz que o programa de ADRs "representa mais uma opção de investimento para os investidores, além de aumentar a visibilidade da Cielo no mercado internacional".
A Cielo registrou em 2009 lucro líquido recorrente de R$ 1,536 bilhão, alta de 37,8% ante o R$ 1,115 bilhão de 2008. O lucro contábil foi de R$ 1,533 bilhão, um resultado 14,3% maior que o R$ 1,342 bilhão de 2008. Já a receita operacional líquida somou R$ 3,627 bilhões, um crescimento de 25,4% na comparação com o ano fiscal anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 2,45 bilhões, aumento de 38,9% na mesma comparação, com margem Ebitda de 67,6%.
CSN fracassa em seu objetivo na oferta pela Cimpor
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não conseguiu comprar um terço mais uma ação da maior produtora de cimento de Portugal e terceira maior do Brasil, a Cimpor. Na oferta pública de aquisição de ações (OPA) realizada ontem pela CSN, o total atingiu apenas 8,56% das ações da Cimpor, com ordens de venda de 57.563.320 das 672 milhões de ações da empresa. As informações foram apresentadas na sessão extraordinária da Bolsa de Valores de Lisboa, realizada para apurar os resultados da OPA, nesta manhã.
Após a oferta, a composição acionista da empresa ficou definida da seguinte forma: Camargo Corrêa com 28,63%; Votorantim com 21,22%; Investifino, do empresário Manuel Fino, com 10,57%; Banco Comercial Português - gerido pela empresa inglesa F & C - e fundo de pensões do BCP com 10,04%; Caixa Geral de Depósitos com 9,63%; e ações livres no mercado (free float) de 19,81%.
O comunicado disponível na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), de Portugal, sobre a OPA, esclarece que "não foi comunicada pela oferente (CSN) qualquer aquisição de ações fora do âmbito da presente oferta". E a nota conclui: "Não se tendo verificado essa condição, face aos resultados agora apresentados oficialmente, declara-se que a Oferta Pública de Aquisição não atingiu os seus objetivos e, consequentemente, não são transacionados quaisquer valores mobiliários no âmbito da oferta."
A CSN se propunha a pagar na oferta 6,18 euros por ação, após revisão das condições originais, quando oferecia 5,75 euros por ação com 50% mais uma ação. A OPA pela Cimpor era uma questão de oportunidade, pelos conflitos existentes entre os acionistas. Na última assembleia, os fundadores da cimenteira, ligados à empresa Teixeira Duarte, foram afastados da direção executiva. A iniciativa da CSN. fez com que outras empresas brasileiras entrassem na corrida.
Após a oferta, a composição acionista da empresa ficou definida da seguinte forma: Camargo Corrêa com 28,63%; Votorantim com 21,22%; Investifino, do empresário Manuel Fino, com 10,57%; Banco Comercial Português - gerido pela empresa inglesa F & C - e fundo de pensões do BCP com 10,04%; Caixa Geral de Depósitos com 9,63%; e ações livres no mercado (free float) de 19,81%.
O comunicado disponível na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), de Portugal, sobre a OPA, esclarece que "não foi comunicada pela oferente (CSN) qualquer aquisição de ações fora do âmbito da presente oferta". E a nota conclui: "Não se tendo verificado essa condição, face aos resultados agora apresentados oficialmente, declara-se que a Oferta Pública de Aquisição não atingiu os seus objetivos e, consequentemente, não são transacionados quaisquer valores mobiliários no âmbito da oferta."
A CSN se propunha a pagar na oferta 6,18 euros por ação, após revisão das condições originais, quando oferecia 5,75 euros por ação com 50% mais uma ação. A OPA pela Cimpor era uma questão de oportunidade, pelos conflitos existentes entre os acionistas. Na última assembleia, os fundadores da cimenteira, ligados à empresa Teixeira Duarte, foram afastados da direção executiva. A iniciativa da CSN. fez com que outras empresas brasileiras entrassem na corrida.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Time de executivos tenta profissionalizar a gestão do Santos
Clube escala craques da Gol, Inpar, Santander, Natura e Oi para contratar jogadores como Robinho e levantar recursos no mercado de capitais.
Em uma tarde no final de janeiro, o presidente do conselho de administração da Gol, Álvaro de Souza, participava de uma reunião em seu escritório, no sétimo andar de um edifício comercial na avenida Juscelino Kubitschek, na capital paulista. Era a quinta vez, em menos de um mês, que se reunia para tratar do mesmo tema com um grupo de homens de negócios que incluía banqueiros, empresários e executivos de grandes companhias. Ao contrário do que se possa imaginar, o assunto não era a segunda maior empresa aérea do país. Acomodados ao seu lado, ou por teleconferência, todos acompanhavam o relato do vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues Filho, e do gerente de Marketing do clube, Armênio Rodrigues Neto. Despachados à Inglaterra para negociar com o Manchester City o retorno do atacante Robinho ao Brasil, ambos expunham por telefone os termos que a equipe inglesa exigia para liberá-lo - o principal era que não pagariam um tostão de seu salário enquanto estivesse emprestado à Vila Belmiro. Um salário, diga-se, de 1 milhão de reais mensais, dos quais o Santos só conseguiria bancar 160.000 reais. Após uma hora de debates, os participantes concluíram que era possível repatriar o jogador. Odílio recebeu o sinal verde para assinar o acordo. Para comemorar, o presidente alvinegro, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, presente à reunião, estourou uma champagne e brindou com Souza e os demais.
A volta de Robinho é considerada a primeira grande vitória de um grupo de homens de negócio que tentava, havia quase 20 anos, influenciar os rumos do Santos. "Eles foram absolutamente decisivos neste episódio", afirma Ribeiro. O embrião da turma se formou em 1992, com Álvaro de Souza, que na época era um executivo em ascensão no Citibank do Brasil - e viria a presidir o banco no ano seguinte. Inconformados com a estiagem de títulos - o último havia sido conquistado em 1984 -, uma trupe de executivos santistas começou a discutir como fazer o clube voltar aos bons tempos. A idéia era colocar sua experiência corporativa a favor da diretoria da equipe - já comandada, naquela época, por Marcelo Teixeira - para melhorar a gestão, captar recursos e investir em bons jogadores.
As conversas com a diretoria do time não foram adiante, mas o grupo nunca mais se separou. Em 2002, no mesmo ano em que o Santos conquistou o Campeonato Brasileiro e revelou a geração de Robinho, Diego e Elano, a turma de torcedores engravatados ganhou ares de torcida organizada. Os empreendedores alvinegros fundaram a Resgate Santista, uma agremiação com a qual colaboram mensalmente e que se reúne sem muita periodicidade na casa ou no escritório de quem estiver disponível. No ano passado, para eleger Ribeiro presidente do clube e encerrar a hegemonia de Marcelo Teixeira, a Resgate entrou em campo com um time de peso, reunido na Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos (Guia). Entre seus 22 integrantes, figuram nomes como o de Álvaro Simões (presidente da incorporadora Inpar); Celso Loducca (da agência de publicidade Loducca); Fábio Barbosa (presidente do Santander e da Febraban); Guilherme Leal (um dos donos da Natura); Luiz Eduardo Falco (presidente da Oi); e Pedro Mello, presidente da KPMG.
Da cartola ao terno e gravata
O objetivo desses pesos-pesados do mundo corporativo é promover uma verdadeira reviravolta na situação do clube. "Hoje, dos quatro grandes clubes paulistas, o Santos é o que possui a situação mais delicada", afirma Claudinei Santos, coordenador do Núcleo de Negócios do Esporte da ESPM. Ninguém sabe o tamanho da dívida do clube - nem mesmo seus atuais dirigentes, que evitam falar em cifras publicamente. "Os números estão sendo auditados pela KMPG", afirma Ribeiro. De concreto, o balanço de 2008 (último disponível) mostra uma dívida de 45 milhões de reais. Parte desse compromisso é de empréstimos bancários cujo avalista é a Universidade Santa Cecília, controlada pelo ex-presidente do Santos, Marcelo Teixeira. O cartola também teria alegado que aplicou 12 milhões de reais do próprio bolso no time. No final do mandato, ameaçou vender jogadores como Neymar, Rodrigo Souto e Paulo Henrique Lima para quitar parte das dívidas da equipe consigo mesmo.
Agora, o Santos quer trocar os tempos da cartola pelos do terno e gravata. Os executivos e empresários não apenas ajudaram a eleger Ribeiro mas também estão participando da administração da Vila Belmiro. Álvaro de Souza, da Gol, José Berenguer Neto (vice-presidente do Santander), Walter Schalka (presidente da Votorantim Cimentos), e Eduardo Vassimon (membro do conselho de administração do Itaú BBA) tornaram-se, oficialmente, assessores especiais da direção. No organograma do clube, reportam-se a Ribeiro. Na prática, porém, eles são os representantes de um comitê gestor que é o verdadeiro órgão de decisão do clube. Além dos quatro, essa instância é integrada ainda por Álvaro Simões, da InPar; Fernando Silva (diretor de negócios da Time For Fun); Fernando Martins (diretor de Marcas e Estratégia do Santander); o advogado Luiz Eduardo Lucas; Ribeiro (presidente do Santos) e Odílio Rodrigues Filho (vice-presidente do clube).
O comitê reúne-se durante duas horas a cada 15 dias, mas vários e-mails e telefonemas são trocados nesse meio-tempo. Como a grande maioria dos integrantes mora na capital paulista, os encontros costumam ser na casa de algum deles. Além de questões administrativas de rotina, são discutidas as estratégias do clube. Todas as decisões são tomadas por consenso, segundo Ribeiro. Depois de trazer Robinho de volta, o próximo passo dos novos dirigentes santistas é preparar o clube para a criação de um fundo de investimentos de 40 milhões de reais. Os recursos serão aplicados na compra dos direitos econômicos de jogadores em ascensão.
O IPO do Santos
A intenção é lançar o fundo ainda neste ano, mas, para tanto, o clube passará por um verdadeiro choque de governança corporativa. A reestruturação soa quase como uma abertura de capital. Primeiro, renegociar a dívida e alongar seu perfil – algo a cargo dos executivos de finanças que se tornaram assessores especiais. Segundo, profissionalizar a gestão. A diretoria e os assessores especiais não são remunerados. Já os gerentes executivos, que ganham para trabalhar no clube, foram selecionados com critérios de mercado. Alípio Labão, novo gerente administrativo, por exemplo, possui mestrado e doutorado na área. Armênio Neto, responsável pelo Marketing, tem curso de especialização em Marketing esportivo. Tudo isso deve ser formalizado por um novo estatuto, que a diretoria espera aprovar no primeiro semestre. O documento deve estabelecer limites para a reeleição dos dirigentes; direito de voto mais amplo para os associados; e a obrigação de auditar os balanços do clube.
Arrumar a casa é uma das condições indispensáveis para lançar o fundo de investimentos. O motivo é o modelo que o time quer adotar. Ao contrário dos demais, o fundo alvinegro passará por toda a tramitação de um produto financeiro convencional, incluindo o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). É provável, porém, que a aplicação seja oferecida apenas a investidores qualificados - aqueles que, no jargão do mercado, desembolsam no mínimo 300.000 reais. Sua elaboração é acompanhada mais de perto por Álvaro de Souza, Berenguer e pelo advogado Luiz Eduardo Luca.
Fundos de investimento em jogadores de futebol não são propriamente uma novidade. Há pelo menos quatro no Brasil, que administram um patrimônio total de 250 milhões de reais. O Cedro, por exemplo, é o principal veículo de investimento da Traffic no Palmeiras. Mas, antes mesmo antes de sair do papel, o fundo santista já é considerado uma inovação. "Será a primeira vez que o futebol irá ao mercado de capitais de verdade", afirma o advogado Ivandro Sanchez, especialista em Esportes e sócio do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Ópice. A grande inspiração da Vila Belmiro são, obviamente, os clubes europeus. O Benfica e o Barcelona, por exemplo, já contam com fundos de investimento públicos, com gestores profissionais, prospectos de investimento e expectativa média de retorno.
É claro que os times brasileiros ainda estão bem distantes de, literalmente, lançar ações na bolsa, como já fizeram o inglês Manchester United e o espanhol Real Madrid. Mas a entrada em campo de empresários e executivos de peso é um sinal da vontade de profissionalizar esse esporte. "A participação de pessoas deste nível é muito saudável, porque ajuda a melhorar o ambiente do futebol", afirma Sanchez, da Machado, Meyer, Sendacz e Ópice Advogados. Resta saber se Álvaro de Souza, Walter Schalka e companhia conseguirão repetir, fora de campo, as jogadas rápidas e as pedaladas que levaram o Santos à atual liderança do campeonato paulista.
Em uma tarde no final de janeiro, o presidente do conselho de administração da Gol, Álvaro de Souza, participava de uma reunião em seu escritório, no sétimo andar de um edifício comercial na avenida Juscelino Kubitschek, na capital paulista. Era a quinta vez, em menos de um mês, que se reunia para tratar do mesmo tema com um grupo de homens de negócios que incluía banqueiros, empresários e executivos de grandes companhias. Ao contrário do que se possa imaginar, o assunto não era a segunda maior empresa aérea do país. Acomodados ao seu lado, ou por teleconferência, todos acompanhavam o relato do vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues Filho, e do gerente de Marketing do clube, Armênio Rodrigues Neto. Despachados à Inglaterra para negociar com o Manchester City o retorno do atacante Robinho ao Brasil, ambos expunham por telefone os termos que a equipe inglesa exigia para liberá-lo - o principal era que não pagariam um tostão de seu salário enquanto estivesse emprestado à Vila Belmiro. Um salário, diga-se, de 1 milhão de reais mensais, dos quais o Santos só conseguiria bancar 160.000 reais. Após uma hora de debates, os participantes concluíram que era possível repatriar o jogador. Odílio recebeu o sinal verde para assinar o acordo. Para comemorar, o presidente alvinegro, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, presente à reunião, estourou uma champagne e brindou com Souza e os demais.
A volta de Robinho é considerada a primeira grande vitória de um grupo de homens de negócio que tentava, havia quase 20 anos, influenciar os rumos do Santos. "Eles foram absolutamente decisivos neste episódio", afirma Ribeiro. O embrião da turma se formou em 1992, com Álvaro de Souza, que na época era um executivo em ascensão no Citibank do Brasil - e viria a presidir o banco no ano seguinte. Inconformados com a estiagem de títulos - o último havia sido conquistado em 1984 -, uma trupe de executivos santistas começou a discutir como fazer o clube voltar aos bons tempos. A idéia era colocar sua experiência corporativa a favor da diretoria da equipe - já comandada, naquela época, por Marcelo Teixeira - para melhorar a gestão, captar recursos e investir em bons jogadores.
As conversas com a diretoria do time não foram adiante, mas o grupo nunca mais se separou. Em 2002, no mesmo ano em que o Santos conquistou o Campeonato Brasileiro e revelou a geração de Robinho, Diego e Elano, a turma de torcedores engravatados ganhou ares de torcida organizada. Os empreendedores alvinegros fundaram a Resgate Santista, uma agremiação com a qual colaboram mensalmente e que se reúne sem muita periodicidade na casa ou no escritório de quem estiver disponível. No ano passado, para eleger Ribeiro presidente do clube e encerrar a hegemonia de Marcelo Teixeira, a Resgate entrou em campo com um time de peso, reunido na Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos (Guia). Entre seus 22 integrantes, figuram nomes como o de Álvaro Simões (presidente da incorporadora Inpar); Celso Loducca (da agência de publicidade Loducca); Fábio Barbosa (presidente do Santander e da Febraban); Guilherme Leal (um dos donos da Natura); Luiz Eduardo Falco (presidente da Oi); e Pedro Mello, presidente da KPMG.
Da cartola ao terno e gravata
O objetivo desses pesos-pesados do mundo corporativo é promover uma verdadeira reviravolta na situação do clube. "Hoje, dos quatro grandes clubes paulistas, o Santos é o que possui a situação mais delicada", afirma Claudinei Santos, coordenador do Núcleo de Negócios do Esporte da ESPM. Ninguém sabe o tamanho da dívida do clube - nem mesmo seus atuais dirigentes, que evitam falar em cifras publicamente. "Os números estão sendo auditados pela KMPG", afirma Ribeiro. De concreto, o balanço de 2008 (último disponível) mostra uma dívida de 45 milhões de reais. Parte desse compromisso é de empréstimos bancários cujo avalista é a Universidade Santa Cecília, controlada pelo ex-presidente do Santos, Marcelo Teixeira. O cartola também teria alegado que aplicou 12 milhões de reais do próprio bolso no time. No final do mandato, ameaçou vender jogadores como Neymar, Rodrigo Souto e Paulo Henrique Lima para quitar parte das dívidas da equipe consigo mesmo.
Agora, o Santos quer trocar os tempos da cartola pelos do terno e gravata. Os executivos e empresários não apenas ajudaram a eleger Ribeiro mas também estão participando da administração da Vila Belmiro. Álvaro de Souza, da Gol, José Berenguer Neto (vice-presidente do Santander), Walter Schalka (presidente da Votorantim Cimentos), e Eduardo Vassimon (membro do conselho de administração do Itaú BBA) tornaram-se, oficialmente, assessores especiais da direção. No organograma do clube, reportam-se a Ribeiro. Na prática, porém, eles são os representantes de um comitê gestor que é o verdadeiro órgão de decisão do clube. Além dos quatro, essa instância é integrada ainda por Álvaro Simões, da InPar; Fernando Silva (diretor de negócios da Time For Fun); Fernando Martins (diretor de Marcas e Estratégia do Santander); o advogado Luiz Eduardo Lucas; Ribeiro (presidente do Santos) e Odílio Rodrigues Filho (vice-presidente do clube).
O comitê reúne-se durante duas horas a cada 15 dias, mas vários e-mails e telefonemas são trocados nesse meio-tempo. Como a grande maioria dos integrantes mora na capital paulista, os encontros costumam ser na casa de algum deles. Além de questões administrativas de rotina, são discutidas as estratégias do clube. Todas as decisões são tomadas por consenso, segundo Ribeiro. Depois de trazer Robinho de volta, o próximo passo dos novos dirigentes santistas é preparar o clube para a criação de um fundo de investimentos de 40 milhões de reais. Os recursos serão aplicados na compra dos direitos econômicos de jogadores em ascensão.
O IPO do Santos
A intenção é lançar o fundo ainda neste ano, mas, para tanto, o clube passará por um verdadeiro choque de governança corporativa. A reestruturação soa quase como uma abertura de capital. Primeiro, renegociar a dívida e alongar seu perfil – algo a cargo dos executivos de finanças que se tornaram assessores especiais. Segundo, profissionalizar a gestão. A diretoria e os assessores especiais não são remunerados. Já os gerentes executivos, que ganham para trabalhar no clube, foram selecionados com critérios de mercado. Alípio Labão, novo gerente administrativo, por exemplo, possui mestrado e doutorado na área. Armênio Neto, responsável pelo Marketing, tem curso de especialização em Marketing esportivo. Tudo isso deve ser formalizado por um novo estatuto, que a diretoria espera aprovar no primeiro semestre. O documento deve estabelecer limites para a reeleição dos dirigentes; direito de voto mais amplo para os associados; e a obrigação de auditar os balanços do clube.
Arrumar a casa é uma das condições indispensáveis para lançar o fundo de investimentos. O motivo é o modelo que o time quer adotar. Ao contrário dos demais, o fundo alvinegro passará por toda a tramitação de um produto financeiro convencional, incluindo o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). É provável, porém, que a aplicação seja oferecida apenas a investidores qualificados - aqueles que, no jargão do mercado, desembolsam no mínimo 300.000 reais. Sua elaboração é acompanhada mais de perto por Álvaro de Souza, Berenguer e pelo advogado Luiz Eduardo Luca.
Fundos de investimento em jogadores de futebol não são propriamente uma novidade. Há pelo menos quatro no Brasil, que administram um patrimônio total de 250 milhões de reais. O Cedro, por exemplo, é o principal veículo de investimento da Traffic no Palmeiras. Mas, antes mesmo antes de sair do papel, o fundo santista já é considerado uma inovação. "Será a primeira vez que o futebol irá ao mercado de capitais de verdade", afirma o advogado Ivandro Sanchez, especialista em Esportes e sócio do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Ópice. A grande inspiração da Vila Belmiro são, obviamente, os clubes europeus. O Benfica e o Barcelona, por exemplo, já contam com fundos de investimento públicos, com gestores profissionais, prospectos de investimento e expectativa média de retorno.
É claro que os times brasileiros ainda estão bem distantes de, literalmente, lançar ações na bolsa, como já fizeram o inglês Manchester United e o espanhol Real Madrid. Mas a entrada em campo de empresários e executivos de peso é um sinal da vontade de profissionalizar esse esporte. "A participação de pessoas deste nível é muito saudável, porque ajuda a melhorar o ambiente do futebol", afirma Sanchez, da Machado, Meyer, Sendacz e Ópice Advogados. Resta saber se Álvaro de Souza, Walter Schalka e companhia conseguirão repetir, fora de campo, as jogadas rápidas e as pedaladas que levaram o Santos à atual liderança do campeonato paulista.
Eletrobrás pode ter metade da usina de Belo Monte
A Eletrobrás poderá ter praticamente metade da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). A participação na obra, que será a terceira maior usina do mundo quando concluída, é mais um sinal do fortalecimento da estatal, seguindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estruturar uma megaempresa de energia.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a Eletrobrás já foi a maior empresa do Brasil, superando até a Petrobras. "Depois, ela foi ao chão e, com o governo Lula, retomamos a grandiosidade dela", disse o ministro à Agência Estado.
Assim como fez nos consórcios que venceram os leilões das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, a Eletrobrás não terá o controle da sociedade que administrará a usina no Xingu, que terá capacidade de produzir 11,2 mil megawatts (MW). "A participação em Belo Monte será de até 49,9%, não chegará a 50%", disse Lobão.
O processo de fortalecimento, reforçado pelo presidente Lula na entrevista publicada pelo Estado ontem, não se refere apenas a investimentos em usinas ou linhas de transmissão, mas também à imagem da companhia. Lobão anunciou que, no próximo mês, será lançada a logomarca da holding estatal. Além disso, o nome Eletrobrás passará a ser usado também pelas subsidiárias, numa tentativa de unificar o grupo. O ministro confirmou que o governo estuda uma possível capitalização da Eletrobrás.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a Eletrobrás já foi a maior empresa do Brasil, superando até a Petrobras. "Depois, ela foi ao chão e, com o governo Lula, retomamos a grandiosidade dela", disse o ministro à Agência Estado.
Assim como fez nos consórcios que venceram os leilões das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, a Eletrobrás não terá o controle da sociedade que administrará a usina no Xingu, que terá capacidade de produzir 11,2 mil megawatts (MW). "A participação em Belo Monte será de até 49,9%, não chegará a 50%", disse Lobão.
O processo de fortalecimento, reforçado pelo presidente Lula na entrevista publicada pelo Estado ontem, não se refere apenas a investimentos em usinas ou linhas de transmissão, mas também à imagem da companhia. Lobão anunciou que, no próximo mês, será lançada a logomarca da holding estatal. Além disso, o nome Eletrobrás passará a ser usado também pelas subsidiárias, numa tentativa de unificar o grupo. O ministro confirmou que o governo estuda uma possível capitalização da Eletrobrás.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Um alívio para Cielo e Redecard
Competição com bancos para emprestar dinheiro aos lojistas ficará mais acirrada, dizem especialistas.
O fim da exclusividade dos adquirentes para credenciar estabelecimentos comerciais é apenas a parte mais visível das mudanças em curso no mercado de cartões. Outra disputa está em andamento e começa a chamar a atenção dos analistas. Trata-se da briga pela antecipação de recebíveis. Até agora, havia um equilíbrio entre bancos e credenciadores. Os primeiros emprestavam dinheiro aos lojistas com base na expectativa de vendas futuras (as chamadas vendas não-performadas). Já os adquirentes antecipavam o dinheiro com base nas vendas já realizadas (vendas performadas). A reestruturação do setor, porém, deve acirrar a concorrência na concessão de crédito aos comerciantes, segundo relatório do banco britânico Barclays Capital. E, por ora, a vantagem está com a Redecard e a Cielo, que podem elevar o peso das operações com recebíveis em seus resultados.
Para o Barclays, a crescente importância da antecipação de recebíveis para os lucros das credenciadoras pode ser medida em números. Em 2012, por exemplo, o banco estima que esse negócio deva representar 23% dos lucros da Cielo (ex-Visanet). O percentual é praticamente o dobro dos 12% com que a empresa deve encerrar 2010. Já para a Redecard, a contribuição dos recebíveis deve subir de 27% dos lucros para 32% no mesmo período. Esse avanço será outro efeito do fim da exclusividade dos credenciadores na captura por novos lojistas. Com a mudança, segundo o Barclays, "os lojistas acessariam pequenas quantias de crédito nos bancos e compensariam os custos elevados com mais vendas performadas dos credenciadores. O novo cenário gera volumes maiores [de antecipação de recebíveis] para os credenciadores".
Acesso ao caixa
Para entender como a Redecard. e a Cielo podem lucrar com os recebíveis, é preciso lembrar, primeiro, que ter um bom acesso ao fluxo de caixa dos varejistas é a base para uma oferta de crédito com pouco risco. Como em toda operação do tipo, quanto mais informações a instituição possui sobre a média de dinheiro que circula mensalmente na conta de um lojista, melhor será a análise de quanto emprestar, a que taxa e com qual probabilidade de inadimplência. Atualmente, bancos e credenciadores têm um acesso razoável a esses dados, mas a equação vai mudar com o fim da exclusividade. Segundo o Barclays, "como os lojistas ganharão flexibilidade para usar vários sistemas de captura e migrar de um adquirente para outro com mais freqüência, os bancos não terão mais visibilidade do fluxo de caixa".
Isto porque o principal interesse dos bancos em controlar ou ser parceiro de um credenciador é conquistar a conta corrente do lojista - o chamado domicílio bancário, no qual o varejista centraliza o depósito do dinheiro gerado pelas vendas com cartões de débito ou crédito. Com isso, os bancos podem estimar a média de vendas mensais de um lojista. O passo seguinte é oferecer a antecipação de recebíveis, isto é, o banco adianta o dinheiro que o lojista costuma faturar em um determinado período de tempo - que pode chegar a até um ano. É o que os especialistas chamam de antecipar recebíveis com base em vendas não-performadas, isto é, ainda não-realizadas.
Já a Redecard e a Cielo utilizam o acesso ao caixa dos lojistas para oferecer um outro produto - a antecipação de recebíveis com base em vendas performadas, isto é, aquelas que já foram processadas pelo sistema. Como os clientes costumam parcelar suas compras no cartão de crédito, os credenciadores oferecem ao lojista a possibilidade de receber, adiantado, o dinheiro referente a prestações que só cairiam em sua conta nos próximos meses. A diferença para os bancos é que esta é uma operação que envolve uma compra já realizada, e não uma estimativa de vendas futuras. O risco de crédito, nesse caso, é menor.
Fim do equilíbrio
O equilíbrio pela disputa do mercado de pré-pagamentos é mantido, atualmente, por uma série de acordos entre os bancos e os credenciadores. Um acordo fechado em 2006 pela Redecard, por exemplo, garante que a empresa vai respeitar o direito de exclusividade dos bancos emissores de cartões Mastercard nas operações de antecipação de recebíveis. O documento estabelece que esse direito é garantido para todos os bancos cujo faturamento com Mastercard represente 35% ou mais do total de operações com cartão de crédito. A Redecard. se comprometeu a não antecipar recebíveis a lojistas que estejam negociando ou mantenham contratos de antecipação com os bancos. Também garantiu que os recursos gerados pela venda com cartões seriam depositados na conta do lojista no referido banco - "travando", assim, o domicílio bancário.
Esse sistema funcionou bem enquanto os credenciadores tinham contrato de exclusividade com as bandeiras - a Redecard era a única a processar os cartões da Mastercard, e a Cielo, os da Visa. Com o fim dessa barreira, a partir de 1º de julho, as empresas passarão a processar as duas bandeiras, e começarão a disputar a adesão dos lojistas, oferecendo a possibilidade de reduzirem custos com o aluguel de máquinas e tarifas menores. Ficará mais difícil para os bancos "travarem" o domicílio bancário de um comerciante, já que ele poderá, ao final do contrato, mudar de credenciador sempre que achar que o concorrente está oferecendo um pacote melhor de vantagens. Para apimentar a disputa, é preciso lembrar ainda que o mercado dá como certa a chegada de pelo menos mais um credenciador no mercado - o Santander, que comprou recentemente a GetNet, já informou que vai entrar nesse negócio, mas outros bancos podem segui-lo.
A falta de acesso a um longo histórico do fluxo de caixa dos lojistas e a incerteza sobre se eles permanecerão muito tempo no mesmo domicílio bancário devem aumentar os riscos dos bancos na antecipação de recebíveis. "A necessidade de aliviar os riscos de crédito poderia elevar a taxa de juros dos bancos nesses pagamentos, o que intensificaria a competição com os adquirentes", segundo o relatório do Barclays. Se, por um lado, os bancos passariam a cobrar mais caro para compensar os riscos, por outro, os credenciadores poderiam se beneficiar cobrando taxas mais baixas pelo mesmo tipo de operação - atraindo, assim, mais lojistas. Primeiro, porque a antecipação de recebíveis já performados é vista legalmente como uma obrigação financeira e não como uma operação de crédito - e isto significa isenção de IOF. Depois, a própria competição entre a Redecard e a Cielo pode gerar pressão para manter as taxas mais baixas.
Alternativas
O quadro traçado pelo Barclays tem cores sombrias. Em certo ponto, o relatório afirma que o sistema de antecipação de recebíveis pode "entrar em colapso", devido à falta de acesso dos bancos ao fluxo de caixa dos lojistas. Os atuais credenciadores também não parecem animados com o eventual aumento dos lucros com esse negócio. O relatório do Barclays não menciona, mas é preciso lembrar um ponto básico: os credenciadores são controlados por bancos brasileiros que emitem os cartões. É compreensível, portanto, que as empresas estejam empenhadas em encontrar uma solução que contente a todos.
Para Álvaro Musa, ex-presidente da Credicard no Brasil e sócio da consultoria Partner Conhecimento, é um exagero afirmar que o sistema caminha para a hecatombe. "Haverá uma disputa saudável entre os bancos e os adquirentes", diz. Uma alternativa é negociar algum tipo de incentivo para que os varejistas permaneçam com o mesmo domicílio bancário por mais tempo. Mas a melhor opção, segundo Musa, é criar uma câmara independente de compensação das operações, capaz de centralizar as informações sobre o fluxo de caixa dos clientes, por exemplo. "A clearing organizaria rapidamente o setor", diz. A proposta já é estudada desde o ano passado por representantes da indústria de cartões e pelo Banco Central. A candidata à tarefa é a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), uma clearing já criada pela Febraban. Qualquer que seja a solução, uma coisa os especialistas já dão como certa: a competição vai aumentar. "O mercado de cartões era rigidamente organizado e agora vai ficar mais flexível", diz Musa.
O fim da exclusividade dos adquirentes para credenciar estabelecimentos comerciais é apenas a parte mais visível das mudanças em curso no mercado de cartões. Outra disputa está em andamento e começa a chamar a atenção dos analistas. Trata-se da briga pela antecipação de recebíveis. Até agora, havia um equilíbrio entre bancos e credenciadores. Os primeiros emprestavam dinheiro aos lojistas com base na expectativa de vendas futuras (as chamadas vendas não-performadas). Já os adquirentes antecipavam o dinheiro com base nas vendas já realizadas (vendas performadas). A reestruturação do setor, porém, deve acirrar a concorrência na concessão de crédito aos comerciantes, segundo relatório do banco britânico Barclays Capital. E, por ora, a vantagem está com a Redecard e a Cielo, que podem elevar o peso das operações com recebíveis em seus resultados.
Para o Barclays, a crescente importância da antecipação de recebíveis para os lucros das credenciadoras pode ser medida em números. Em 2012, por exemplo, o banco estima que esse negócio deva representar 23% dos lucros da Cielo (ex-Visanet). O percentual é praticamente o dobro dos 12% com que a empresa deve encerrar 2010. Já para a Redecard, a contribuição dos recebíveis deve subir de 27% dos lucros para 32% no mesmo período. Esse avanço será outro efeito do fim da exclusividade dos credenciadores na captura por novos lojistas. Com a mudança, segundo o Barclays, "os lojistas acessariam pequenas quantias de crédito nos bancos e compensariam os custos elevados com mais vendas performadas dos credenciadores. O novo cenário gera volumes maiores [de antecipação de recebíveis] para os credenciadores".
Acesso ao caixa
Para entender como a Redecard. e a Cielo podem lucrar com os recebíveis, é preciso lembrar, primeiro, que ter um bom acesso ao fluxo de caixa dos varejistas é a base para uma oferta de crédito com pouco risco. Como em toda operação do tipo, quanto mais informações a instituição possui sobre a média de dinheiro que circula mensalmente na conta de um lojista, melhor será a análise de quanto emprestar, a que taxa e com qual probabilidade de inadimplência. Atualmente, bancos e credenciadores têm um acesso razoável a esses dados, mas a equação vai mudar com o fim da exclusividade. Segundo o Barclays, "como os lojistas ganharão flexibilidade para usar vários sistemas de captura e migrar de um adquirente para outro com mais freqüência, os bancos não terão mais visibilidade do fluxo de caixa".
Isto porque o principal interesse dos bancos em controlar ou ser parceiro de um credenciador é conquistar a conta corrente do lojista - o chamado domicílio bancário, no qual o varejista centraliza o depósito do dinheiro gerado pelas vendas com cartões de débito ou crédito. Com isso, os bancos podem estimar a média de vendas mensais de um lojista. O passo seguinte é oferecer a antecipação de recebíveis, isto é, o banco adianta o dinheiro que o lojista costuma faturar em um determinado período de tempo - que pode chegar a até um ano. É o que os especialistas chamam de antecipar recebíveis com base em vendas não-performadas, isto é, ainda não-realizadas.
Já a Redecard e a Cielo utilizam o acesso ao caixa dos lojistas para oferecer um outro produto - a antecipação de recebíveis com base em vendas performadas, isto é, aquelas que já foram processadas pelo sistema. Como os clientes costumam parcelar suas compras no cartão de crédito, os credenciadores oferecem ao lojista a possibilidade de receber, adiantado, o dinheiro referente a prestações que só cairiam em sua conta nos próximos meses. A diferença para os bancos é que esta é uma operação que envolve uma compra já realizada, e não uma estimativa de vendas futuras. O risco de crédito, nesse caso, é menor.
Fim do equilíbrio
O equilíbrio pela disputa do mercado de pré-pagamentos é mantido, atualmente, por uma série de acordos entre os bancos e os credenciadores. Um acordo fechado em 2006 pela Redecard, por exemplo, garante que a empresa vai respeitar o direito de exclusividade dos bancos emissores de cartões Mastercard nas operações de antecipação de recebíveis. O documento estabelece que esse direito é garantido para todos os bancos cujo faturamento com Mastercard represente 35% ou mais do total de operações com cartão de crédito. A Redecard. se comprometeu a não antecipar recebíveis a lojistas que estejam negociando ou mantenham contratos de antecipação com os bancos. Também garantiu que os recursos gerados pela venda com cartões seriam depositados na conta do lojista no referido banco - "travando", assim, o domicílio bancário.
Esse sistema funcionou bem enquanto os credenciadores tinham contrato de exclusividade com as bandeiras - a Redecard era a única a processar os cartões da Mastercard, e a Cielo, os da Visa. Com o fim dessa barreira, a partir de 1º de julho, as empresas passarão a processar as duas bandeiras, e começarão a disputar a adesão dos lojistas, oferecendo a possibilidade de reduzirem custos com o aluguel de máquinas e tarifas menores. Ficará mais difícil para os bancos "travarem" o domicílio bancário de um comerciante, já que ele poderá, ao final do contrato, mudar de credenciador sempre que achar que o concorrente está oferecendo um pacote melhor de vantagens. Para apimentar a disputa, é preciso lembrar ainda que o mercado dá como certa a chegada de pelo menos mais um credenciador no mercado - o Santander, que comprou recentemente a GetNet, já informou que vai entrar nesse negócio, mas outros bancos podem segui-lo.
A falta de acesso a um longo histórico do fluxo de caixa dos lojistas e a incerteza sobre se eles permanecerão muito tempo no mesmo domicílio bancário devem aumentar os riscos dos bancos na antecipação de recebíveis. "A necessidade de aliviar os riscos de crédito poderia elevar a taxa de juros dos bancos nesses pagamentos, o que intensificaria a competição com os adquirentes", segundo o relatório do Barclays. Se, por um lado, os bancos passariam a cobrar mais caro para compensar os riscos, por outro, os credenciadores poderiam se beneficiar cobrando taxas mais baixas pelo mesmo tipo de operação - atraindo, assim, mais lojistas. Primeiro, porque a antecipação de recebíveis já performados é vista legalmente como uma obrigação financeira e não como uma operação de crédito - e isto significa isenção de IOF. Depois, a própria competição entre a Redecard e a Cielo pode gerar pressão para manter as taxas mais baixas.
Alternativas
O quadro traçado pelo Barclays tem cores sombrias. Em certo ponto, o relatório afirma que o sistema de antecipação de recebíveis pode "entrar em colapso", devido à falta de acesso dos bancos ao fluxo de caixa dos lojistas. Os atuais credenciadores também não parecem animados com o eventual aumento dos lucros com esse negócio. O relatório do Barclays não menciona, mas é preciso lembrar um ponto básico: os credenciadores são controlados por bancos brasileiros que emitem os cartões. É compreensível, portanto, que as empresas estejam empenhadas em encontrar uma solução que contente a todos.
Para Álvaro Musa, ex-presidente da Credicard no Brasil e sócio da consultoria Partner Conhecimento, é um exagero afirmar que o sistema caminha para a hecatombe. "Haverá uma disputa saudável entre os bancos e os adquirentes", diz. Uma alternativa é negociar algum tipo de incentivo para que os varejistas permaneçam com o mesmo domicílio bancário por mais tempo. Mas a melhor opção, segundo Musa, é criar uma câmara independente de compensação das operações, capaz de centralizar as informações sobre o fluxo de caixa dos clientes, por exemplo. "A clearing organizaria rapidamente o setor", diz. A proposta já é estudada desde o ano passado por representantes da indústria de cartões e pelo Banco Central. A candidata à tarefa é a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), uma clearing já criada pela Febraban. Qualquer que seja a solução, uma coisa os especialistas já dão como certa: a competição vai aumentar. "O mercado de cartões era rigidamente organizado e agora vai ficar mais flexível", diz Musa.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Altos preços do etanol faz Petrobras importar gasolina para garantir abastecimento
Por conta dos aumentos sucessivos nos preços do litro do álcool, a gasolina se tornou a alternativa mais em conta para os consumidores proprietários de carros tipo flex. A alta demanda pelo combustível fez com que a Petrobras importasse o produto para garantir o abastecimento.
Por meio de nota, a empresa afirmou que está aproveitando as oportunidades de preços, prazos e qualidade de vários mercados para garantir o suprimento de gasolina em todo o território nacional, já que houve aumento da demanda pelo combustível.
A Petrobras acredita que o crescimento da procura pela gasolina deve-se à queda do percentual de álcool na gasolina, adotada a partir deste mês.
Redução da mistura
A redução do percentual de adição de álcool à gasolina de 25% para 20%, anunciada pelo Governo, vigorará até maio e a ideia é reduzir o preço do derivado de cana, que vem subindo gradativamente nos últimos meses - por conta do aumento da demanda e queda da oferta do combustível - e evitar o desabastecimento.
Com a redução da adição de álcool anidro a gasolina, o preço do derivado de petróleo pode subir, dizem os economistas da FGV (Fundação Getulio Vargas), já que a gasolina pura é mais cara que o álcool anidro.
Para os especialistas, o motorista sentirá o aumento na hora de abastecer o carro ainda neste mês. Por outro lado, eles aguardam queda nos preços do etanol.
O presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Paiva, também acredita em aumento do preço do derivado de petróleo, mas, ao contrário dos especialistas da FGV, não prevê queda do preço do álcool.
Por meio de nota, a empresa afirmou que está aproveitando as oportunidades de preços, prazos e qualidade de vários mercados para garantir o suprimento de gasolina em todo o território nacional, já que houve aumento da demanda pelo combustível.
A Petrobras acredita que o crescimento da procura pela gasolina deve-se à queda do percentual de álcool na gasolina, adotada a partir deste mês.
Redução da mistura
A redução do percentual de adição de álcool à gasolina de 25% para 20%, anunciada pelo Governo, vigorará até maio e a ideia é reduzir o preço do derivado de cana, que vem subindo gradativamente nos últimos meses - por conta do aumento da demanda e queda da oferta do combustível - e evitar o desabastecimento.
Com a redução da adição de álcool anidro a gasolina, o preço do derivado de petróleo pode subir, dizem os economistas da FGV (Fundação Getulio Vargas), já que a gasolina pura é mais cara que o álcool anidro.
Para os especialistas, o motorista sentirá o aumento na hora de abastecer o carro ainda neste mês. Por outro lado, eles aguardam queda nos preços do etanol.
O presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Paiva, também acredita em aumento do preço do derivado de petróleo, mas, ao contrário dos especialistas da FGV, não prevê queda do preço do álcool.
Mudança abre porta para o fim do sigilo sobre remuneração
Instrução da CVM a respeito do pagamento de bônus pode estimular empresas a revelar quanto gastam com seus executivos, dizem especialistas.
Nenhuma grande empresa brasileira se arriscou até agora a seguir uma política de transparência semelhante à que a Usiminas adotou em março do ano passado. Por decisão dos próprios executivos, o balanço anual da siderúrgica trouxe uma lista com a remuneração dos gestores, citados nome a nome, incluindo o do presidente.
No entanto, uma mudança na instrução 202 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em vigor desde o início de 2010, abriu o caminho para que mais empresas adotem um procedimento semelhante ao da gigante mineira. Até o fim de maio, todas as companhias de capital aberto precisarão informar em relatório o valor dos gastos com remuneração agrupados por órgãos de administração, bem como o valor da remuneração individual mais alta, da mais baixa e da média das remunerações.
A medida não obriga as empresas a citar quanto ganha cada executivo, mas quem acompanha o tema afirma que ela pode acelerar o fim do sigilo sobre remuneração nas companhias. Especialistas já se dividem quanto aos limites a que a transparência deve chegar.
Favorável à nova instrução da CVM, o presidente do conselho do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), Mauro Cunha, diz que ela ajuda a criar padrões mínimos de transparência, a partir dos quais as empresas podem avançar com mais segurança rumo à lista aberta.
É justamente isso que preocupa o presidente do conselho do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), Walter Machado de Barros. Para ele, a abertura da remuneração por blocos pode se tornar um precedente para que o órgão regulador do mercado de capitais obrigue, mais adiante, à divulgação dos ganhos individuais. O resultado, segundo ele, seria uma competição predatória das empresas por executivos.
As opiniões dos dois especialistas se aproximam, porém, no que se refere a outra possível mudança na remuneração de executivos, a proposta do Banco Central de atrelar os bônus dos gestores de instituições financeiras ao desempenho de longo prazo das companhias. Ambos concordam que a proposta fará pouca diferença, caso aprovada, uma vez que os bancos brasileiros já são bem mais conservadores que seus pares estrangeiros, em termos de benefícios associados a resultados imediatos.
Nenhuma grande empresa brasileira se arriscou até agora a seguir uma política de transparência semelhante à que a Usiminas adotou em março do ano passado. Por decisão dos próprios executivos, o balanço anual da siderúrgica trouxe uma lista com a remuneração dos gestores, citados nome a nome, incluindo o do presidente.
No entanto, uma mudança na instrução 202 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em vigor desde o início de 2010, abriu o caminho para que mais empresas adotem um procedimento semelhante ao da gigante mineira. Até o fim de maio, todas as companhias de capital aberto precisarão informar em relatório o valor dos gastos com remuneração agrupados por órgãos de administração, bem como o valor da remuneração individual mais alta, da mais baixa e da média das remunerações.
A medida não obriga as empresas a citar quanto ganha cada executivo, mas quem acompanha o tema afirma que ela pode acelerar o fim do sigilo sobre remuneração nas companhias. Especialistas já se dividem quanto aos limites a que a transparência deve chegar.
Favorável à nova instrução da CVM, o presidente do conselho do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), Mauro Cunha, diz que ela ajuda a criar padrões mínimos de transparência, a partir dos quais as empresas podem avançar com mais segurança rumo à lista aberta.
É justamente isso que preocupa o presidente do conselho do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), Walter Machado de Barros. Para ele, a abertura da remuneração por blocos pode se tornar um precedente para que o órgão regulador do mercado de capitais obrigue, mais adiante, à divulgação dos ganhos individuais. O resultado, segundo ele, seria uma competição predatória das empresas por executivos.
As opiniões dos dois especialistas se aproximam, porém, no que se refere a outra possível mudança na remuneração de executivos, a proposta do Banco Central de atrelar os bônus dos gestores de instituições financeiras ao desempenho de longo prazo das companhias. Ambos concordam que a proposta fará pouca diferença, caso aprovada, uma vez que os bancos brasileiros já são bem mais conservadores que seus pares estrangeiros, em termos de benefícios associados a resultados imediatos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
"Gosto de investir no que os outros têm preconceito", diz fundador da Polo Capital
Gestora carioca obteve um retorno anual de 40% desde 2002 ao apostar em operações pouco usuais no mercado brasileiro.
A carioca Polo Capital é uma gestora de recursos pouco ortodoxa - segundo seus próprios sócios. Com 2 bilhões de reais divididos em sete fundos, a empresa obteve desde 2002 uma rentabilidade anual de 40% apostando, principalmente, em operações que exigem uma especialização que a maioria dos investidores não tem. "Gostamos de investir no que os outros têm preconceito", diz o sócio e cofundador da Polo Capital Marcos Duarte.
A estratégia mais utilizada pela Polo é conhecida no mercado como "valor relativo" ou "long-short". O gestor define um par de ações e fica comprado em uma e vendido em outra. Se a diferença de valor entre os papéis crescer com o tempo, a Polo embolsa essa variação, e vice-versa. Nesse tipo de operação, a gestora fica exposta apenas ao risco específico da oscilação desses dois papéis. Não interessa se a bolsa vai subir ou cair - tanto que a Polo foi uma das poucas empresas do mercado que ganhou dinheiro com renda variável em um ano difícil como 2008.
Mesmo quando decide ficar somente comprada em ações, a gestora usa estratégias incomuns. Entre os setores preferidos está o de telecomunicações, bastante evitado por outros fundos devido ao grande número de conflitos societários. Empresas em dificuldades financeiras e até com risco de quebrar também chamam a atenção da Polo - principalmente quando há uma chance de recuperação. Foi com essa filosofia que a gestora ganhou muito dinheiro com as construtoras e os bancos médios no ano passado.
Na área de renda fixa, a aposta da Polo foi se especializar em empréstimos a empresas com ações em bolsa quando praticamente todos os bancos brasileiros só aplicavam dinheiro em títulos público para aproveitar os juros altos. Como o risco de fazer tudo tão diferente do resto do mercado é alto, a gestora não abre mão da diversificação. Os fundos da Polo costumam ter entre 40 e 60 posições diferentes. Na entrevista a seguir, Marcos Duarte explica suas estratégias:
Como é a filosofia de investimentos da Polo Capital?
A gente tenta explorar áreas em que tenhamos uma habilidade específica ou em que os competidores não tenham essa vantagem competitiva. A área de valor relativo, em que usamos estratégias long-short, é uma delas. A outra área que a gente atacou de forma frontal são os empréstimos a empresas abertas. Há uma sinergia muito grande porque nossos analistas de ações já estudam o balanço das empresas. Às vezes, chegamos à conclusão que o preço da ação está num valor justo, mas a dívida oferece uma oportunidade. Como o Brasil vem de décadas de juro real muito alto, existia uma aversão muito grande por crédito a empresas até por parte dos bancos.
Os bancos preferem ganhar dinheiro com títulos públicos?
Eu costumo dizer que a decisão deles era entre plantar uma safra de tomate ou um pé de eucalipto. O eucalipto leva sete anos para ficar pronto para ser derrubado enquanto o tomate dá duas safras por ano. Um é curto prazo e o outro, longo prazo. A gente começou a investir nisso quando esse mercado ainda era muito incipiente. Era um tempo em que não havia muitos motivos para fazermos isso porque as oportunidades eram escassas. Mas a gente sempre gostou de tentar se especializar onde pudéssemos desenvolver vantagens competitivas.
Quanto dinheiro vocês administram?
Cerca de 2 bilhões de reais divididos em sete fundos. Grosso modo, 80% desse dinheiro está em ações e 20%, em crédito. Um fundo só tem crédito. Os outros seis são de ações com um pouco de crédito. O que difere cada um deles é o grau de alavancagem e agressividade. O carro-chefe é o fundo de valor relativo, o Polo Norte. O mais agressivo em alavancagem é o Polo FIA.
E quais são as características dessas carteiras?
Nossa estratégia de investimento pressupõe uma grande diversificação. Nos fundos de ações temos seis gerentes de portfólio e cada um deles cuida de até três setores. Na maior parte das vezes tentamos comprar o risco específico e ficar fora do risco de mercado. Por exemplo, ficamos comprados em uma ação da Vale e vendidos no de alguma outra mineradora e ganhamos ou perdemos a diferença entre a oscilação dos dois papéis. Então não importa se a bolsa vai subir ou cair nem se o preço do minério de ferro vai disparar e beneficiar todo o setor. O que importa é quanto a Vale, vai subir mais do que a outra mineradora. A maior parte desses pares de ações em que nos posicionamos está dentro de um mesmo setor. Dentro de nossos fundos, temos entre 40 e 60 posições diferentes.
Não são posições demais para seis pessoas se manterem suficientemente informadas para tomarem decisões?
Não, porque dentro de um mesmo setor eu posso montar diversas posições. Posso estar comprado em Vale ON e vendido em Vale, PN. Comprado em Bradespar e vendido em Vale. PN. E por aí vai. São estratégias muito distintas que envolvem a mesma empresa.
E o que vocês não fazem?
Não temos preconceito com a estratégia desde que estejamos confortáveis com o risco. Talvez seja muito bom operar boi gordo agora, mas a gente não se envolve em coisas que não sabemos fazer. A gente perde dinheiro em coisas que sabemos fazer. Isso é do jogo. Às vezes até descobrimos que não sabemos fazer algo tão bem quanto pensávamos. Mas só nos metemos em coisas após estudá-las profundamente.
Dentro dessa diversificação, existe alguma preferência?
A gente gosta muito daquilo que os outros têm preconceito, como telecomunicações. Existe um preconceito histórico com esse setor por razões muito boas, mas nós gostamos. Também sempre olhamos empresas em dificuldade em que achamos que há possibilidade de recuperação. Não é exatamente uma filosofia de ir contra o mercado, mas uma filosofia de tentar entender o preço que o mercado dá a um ativo e seu real valor.
Você poderia dar um exemplo?
No final de 2008, as construtoras estavam indo para o vinagre, sendo negociadas a uma fração do valor patrimonial. Só que nós percebemos que esse setor tinha todos os ingredientes para funcionar. A taxa de crédito imobiliário em relação ao PIB era baixíssima. Se o país desse medianamente certo, essa taxa iria aumentar. Há um déficit habitacional gigante. Tem crédito a longo prazo e instrumentos para garantir contratos. O que fizemos foi juntar um portfólio de 10 empresas diferentes e comprar esses papéis como se fossem uma companhia fictícia, juntando todos os balanços. Consideramos no nosso modelo que uma ou duas pudessem realmente quebrar, mas, mesmo assim, quem sobrevivesse compensaria o investimento. Demos muita sorte porque nenhuma quebrou. O governo ajudou baixando os juros e com o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Acho que nesse caso geramos valor a partir de um pessimismo extremo.
Foi com isso que você ganhou mais dinheiro no ano passado?
Ganhamos dinheiro com muitas coisas. Foi um ano muito fértil. O ganho foi dividido entre algumas operações de telecomunicações que funcionaram muito bem, como a aposta na consolidação da Vivo. Ganhamos bastante dinheiro com o crédito corporativo de empresas que achamos que rendiam bem. Ganhamos também comprados em bancos pequenos e vendidos nos grandes. Avaliamos que, se os bancos pequenos quebrassem, os maiores teriam ainda mais problemas porque alguns deles estavam lotados de créditos de difícil recebimento, como da Aracruz e da Sadia. Já o problema dos bancos médios era relativamente pequeno. O Banco Central soltou algumas medidas de relaxamento que, em pouquíssimo tempo, inverteram o cenário completamente. O que o BC fez foi espetacular. Foram medidas que não custaram nada aos cofres públicos e trouxeram calmaria em um momento de extrema turbulência.
Como é sua equipe de investimentos?
Nossa área de análise tenta ser uma réplica muito tosca do que foi o banco Garantia. É uma área de preparação de novos talentos. Quando alguém entra, é adestrado com a metodologia da casa. Ao longo do tempo, as oportunidades vão naturalmente aparecendo. Sempre montamos a equipe mais eclética possível. Temos um sul-africano, uma lituana, uma americana. Tivemos um venezuelano, um australiano, um indiano que passou apenas alguns meses. Isso nos ajuda a sair do lugar comum.
Como você seleciona as empresas onde vai investir?
Nosso negócio não tem mistério. É 10% de cérebro e o resto, transpiração. É trabalhar mesmo, ler muito, correr atrás do que está acontecendo no mundo, tentar avaliar que setores devem ir melhor. É como aquela história do japonês e do americano numa caçada na África. Os dois param para almoçar, tiram os sapatos e então aparece um leão. O japonês começa a calçar o tênis e o americano pergunta: "Para que isso? Você vai correr mais que o leão?" E o japonês responde: "Não. Vou correr mais do que você."
E como é sua rotina?
Visitamos muitas empresas e tentamos agir com a maior diligência possível para identificar as fraquezas dessas companhias. Quando resolvemos investir, tentamos participar da escolha de seus dirigentes e conselheiros de forma que seja gente que possa contribuir. Tentamos dar sugestões de estratégias quando identificamos oportunidades que a administração não está vendo.
De que conselhos vocês fazem parte?
Estávamos no conselho de administração ou fiscal de mais de 15 empresas no ano passado. Eu já participei do conselho da Brasil Telecom. O conselho é completamente independente. Nós indicamos alguém, mas, na verdade, não temos participação. No máximo, mandamos sugestões para os outros conselheiros do que achamos que pode ser feito para melhorar a desempenho. Mas meu poder é nenhum, sou sempre minoritário. E não há como exigir que as idéias sejam aceitas, é o sujeito que vai decidir isso. Tem vezes que o cara enxerga um enorme valor no sócio. Tem outras pessoas que têm uma natural retração a sugestões de terceiros. O cara acha que aquele mundo é dele. Acho que o cara que tem uma cabeça mais aberta tende a entender melhor um mundo que está em mutação. Mas não necessariamente isso significa que um sairá perdedor e outro, vencedor. Tem setores em que os fatores exógenos são mais importantes do que as habilidades dos executivos. No setor de petróleo, por exemplo, o que interessa é o preço do barril.
Noticia retirada do site:
http://portalexame.abril.com.br/financas/gosto-investir-outros-tem-preconceito-diz-fundador-polo-capital-533761.html?page=3
Clique no link acima para ver a noticia completa.
A carioca Polo Capital é uma gestora de recursos pouco ortodoxa - segundo seus próprios sócios. Com 2 bilhões de reais divididos em sete fundos, a empresa obteve desde 2002 uma rentabilidade anual de 40% apostando, principalmente, em operações que exigem uma especialização que a maioria dos investidores não tem. "Gostamos de investir no que os outros têm preconceito", diz o sócio e cofundador da Polo Capital Marcos Duarte.
A estratégia mais utilizada pela Polo é conhecida no mercado como "valor relativo" ou "long-short". O gestor define um par de ações e fica comprado em uma e vendido em outra. Se a diferença de valor entre os papéis crescer com o tempo, a Polo embolsa essa variação, e vice-versa. Nesse tipo de operação, a gestora fica exposta apenas ao risco específico da oscilação desses dois papéis. Não interessa se a bolsa vai subir ou cair - tanto que a Polo foi uma das poucas empresas do mercado que ganhou dinheiro com renda variável em um ano difícil como 2008.
Mesmo quando decide ficar somente comprada em ações, a gestora usa estratégias incomuns. Entre os setores preferidos está o de telecomunicações, bastante evitado por outros fundos devido ao grande número de conflitos societários. Empresas em dificuldades financeiras e até com risco de quebrar também chamam a atenção da Polo - principalmente quando há uma chance de recuperação. Foi com essa filosofia que a gestora ganhou muito dinheiro com as construtoras e os bancos médios no ano passado.
Na área de renda fixa, a aposta da Polo foi se especializar em empréstimos a empresas com ações em bolsa quando praticamente todos os bancos brasileiros só aplicavam dinheiro em títulos público para aproveitar os juros altos. Como o risco de fazer tudo tão diferente do resto do mercado é alto, a gestora não abre mão da diversificação. Os fundos da Polo costumam ter entre 40 e 60 posições diferentes. Na entrevista a seguir, Marcos Duarte explica suas estratégias:
Como é a filosofia de investimentos da Polo Capital?
A gente tenta explorar áreas em que tenhamos uma habilidade específica ou em que os competidores não tenham essa vantagem competitiva. A área de valor relativo, em que usamos estratégias long-short, é uma delas. A outra área que a gente atacou de forma frontal são os empréstimos a empresas abertas. Há uma sinergia muito grande porque nossos analistas de ações já estudam o balanço das empresas. Às vezes, chegamos à conclusão que o preço da ação está num valor justo, mas a dívida oferece uma oportunidade. Como o Brasil vem de décadas de juro real muito alto, existia uma aversão muito grande por crédito a empresas até por parte dos bancos.
Os bancos preferem ganhar dinheiro com títulos públicos?
Eu costumo dizer que a decisão deles era entre plantar uma safra de tomate ou um pé de eucalipto. O eucalipto leva sete anos para ficar pronto para ser derrubado enquanto o tomate dá duas safras por ano. Um é curto prazo e o outro, longo prazo. A gente começou a investir nisso quando esse mercado ainda era muito incipiente. Era um tempo em que não havia muitos motivos para fazermos isso porque as oportunidades eram escassas. Mas a gente sempre gostou de tentar se especializar onde pudéssemos desenvolver vantagens competitivas.
Quanto dinheiro vocês administram?
Cerca de 2 bilhões de reais divididos em sete fundos. Grosso modo, 80% desse dinheiro está em ações e 20%, em crédito. Um fundo só tem crédito. Os outros seis são de ações com um pouco de crédito. O que difere cada um deles é o grau de alavancagem e agressividade. O carro-chefe é o fundo de valor relativo, o Polo Norte. O mais agressivo em alavancagem é o Polo FIA.
E quais são as características dessas carteiras?
Nossa estratégia de investimento pressupõe uma grande diversificação. Nos fundos de ações temos seis gerentes de portfólio e cada um deles cuida de até três setores. Na maior parte das vezes tentamos comprar o risco específico e ficar fora do risco de mercado. Por exemplo, ficamos comprados em uma ação da Vale e vendidos no de alguma outra mineradora e ganhamos ou perdemos a diferença entre a oscilação dos dois papéis. Então não importa se a bolsa vai subir ou cair nem se o preço do minério de ferro vai disparar e beneficiar todo o setor. O que importa é quanto a Vale, vai subir mais do que a outra mineradora. A maior parte desses pares de ações em que nos posicionamos está dentro de um mesmo setor. Dentro de nossos fundos, temos entre 40 e 60 posições diferentes.
Não são posições demais para seis pessoas se manterem suficientemente informadas para tomarem decisões?
Não, porque dentro de um mesmo setor eu posso montar diversas posições. Posso estar comprado em Vale ON e vendido em Vale, PN. Comprado em Bradespar e vendido em Vale. PN. E por aí vai. São estratégias muito distintas que envolvem a mesma empresa.
E o que vocês não fazem?
Não temos preconceito com a estratégia desde que estejamos confortáveis com o risco. Talvez seja muito bom operar boi gordo agora, mas a gente não se envolve em coisas que não sabemos fazer. A gente perde dinheiro em coisas que sabemos fazer. Isso é do jogo. Às vezes até descobrimos que não sabemos fazer algo tão bem quanto pensávamos. Mas só nos metemos em coisas após estudá-las profundamente.
Dentro dessa diversificação, existe alguma preferência?
A gente gosta muito daquilo que os outros têm preconceito, como telecomunicações. Existe um preconceito histórico com esse setor por razões muito boas, mas nós gostamos. Também sempre olhamos empresas em dificuldade em que achamos que há possibilidade de recuperação. Não é exatamente uma filosofia de ir contra o mercado, mas uma filosofia de tentar entender o preço que o mercado dá a um ativo e seu real valor.
Você poderia dar um exemplo?
No final de 2008, as construtoras estavam indo para o vinagre, sendo negociadas a uma fração do valor patrimonial. Só que nós percebemos que esse setor tinha todos os ingredientes para funcionar. A taxa de crédito imobiliário em relação ao PIB era baixíssima. Se o país desse medianamente certo, essa taxa iria aumentar. Há um déficit habitacional gigante. Tem crédito a longo prazo e instrumentos para garantir contratos. O que fizemos foi juntar um portfólio de 10 empresas diferentes e comprar esses papéis como se fossem uma companhia fictícia, juntando todos os balanços. Consideramos no nosso modelo que uma ou duas pudessem realmente quebrar, mas, mesmo assim, quem sobrevivesse compensaria o investimento. Demos muita sorte porque nenhuma quebrou. O governo ajudou baixando os juros e com o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Acho que nesse caso geramos valor a partir de um pessimismo extremo.
Foi com isso que você ganhou mais dinheiro no ano passado?
Ganhamos dinheiro com muitas coisas. Foi um ano muito fértil. O ganho foi dividido entre algumas operações de telecomunicações que funcionaram muito bem, como a aposta na consolidação da Vivo. Ganhamos bastante dinheiro com o crédito corporativo de empresas que achamos que rendiam bem. Ganhamos também comprados em bancos pequenos e vendidos nos grandes. Avaliamos que, se os bancos pequenos quebrassem, os maiores teriam ainda mais problemas porque alguns deles estavam lotados de créditos de difícil recebimento, como da Aracruz e da Sadia. Já o problema dos bancos médios era relativamente pequeno. O Banco Central soltou algumas medidas de relaxamento que, em pouquíssimo tempo, inverteram o cenário completamente. O que o BC fez foi espetacular. Foram medidas que não custaram nada aos cofres públicos e trouxeram calmaria em um momento de extrema turbulência.
Como é sua equipe de investimentos?
Nossa área de análise tenta ser uma réplica muito tosca do que foi o banco Garantia. É uma área de preparação de novos talentos. Quando alguém entra, é adestrado com a metodologia da casa. Ao longo do tempo, as oportunidades vão naturalmente aparecendo. Sempre montamos a equipe mais eclética possível. Temos um sul-africano, uma lituana, uma americana. Tivemos um venezuelano, um australiano, um indiano que passou apenas alguns meses. Isso nos ajuda a sair do lugar comum.
Como você seleciona as empresas onde vai investir?
Nosso negócio não tem mistério. É 10% de cérebro e o resto, transpiração. É trabalhar mesmo, ler muito, correr atrás do que está acontecendo no mundo, tentar avaliar que setores devem ir melhor. É como aquela história do japonês e do americano numa caçada na África. Os dois param para almoçar, tiram os sapatos e então aparece um leão. O japonês começa a calçar o tênis e o americano pergunta: "Para que isso? Você vai correr mais que o leão?" E o japonês responde: "Não. Vou correr mais do que você."
E como é sua rotina?
Visitamos muitas empresas e tentamos agir com a maior diligência possível para identificar as fraquezas dessas companhias. Quando resolvemos investir, tentamos participar da escolha de seus dirigentes e conselheiros de forma que seja gente que possa contribuir. Tentamos dar sugestões de estratégias quando identificamos oportunidades que a administração não está vendo.
De que conselhos vocês fazem parte?
Estávamos no conselho de administração ou fiscal de mais de 15 empresas no ano passado. Eu já participei do conselho da Brasil Telecom. O conselho é completamente independente. Nós indicamos alguém, mas, na verdade, não temos participação. No máximo, mandamos sugestões para os outros conselheiros do que achamos que pode ser feito para melhorar a desempenho. Mas meu poder é nenhum, sou sempre minoritário. E não há como exigir que as idéias sejam aceitas, é o sujeito que vai decidir isso. Tem vezes que o cara enxerga um enorme valor no sócio. Tem outras pessoas que têm uma natural retração a sugestões de terceiros. O cara acha que aquele mundo é dele. Acho que o cara que tem uma cabeça mais aberta tende a entender melhor um mundo que está em mutação. Mas não necessariamente isso significa que um sairá perdedor e outro, vencedor. Tem setores em que os fatores exógenos são mais importantes do que as habilidades dos executivos. No setor de petróleo, por exemplo, o que interessa é o preço do barril.
Noticia retirada do site:
http://portalexame.abril.com.br/financas/gosto-investir-outros-tem-preconceito-diz-fundador-polo-capital-533761.html?page=3
Clique no link acima para ver a noticia completa.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Schincariol vai investir R$ 1 bi no Brasil em 2010
O presidente do grupo Schincariol, Adriano Schincariol, disse hoje que a empresa vai investir R$ 1 bilhão no País em 2010. Ele informou também que lançará no mercado a cerveja Devassa Bem Loura, com o objetivo de competir no mercado popular. "Nossa estratégia é que todos possam consumir (o produto)", disse ele, em entrevista coletiva à imprensa no Rio.
O grupo espera crescer mais do que o mercado de bebidas em 2010, repetindo os resultados de 2009, quando a empresa afirma ter crescido dois dígitos. Porém, não informa os números até a divulgação de seu balanço. No lançamento da nova marca Devassa Bem Loura, Adriano Schincariol afirmou que, mesmo antes da campanha, já faturou R$ 10 milhões com o novo produto.
A nova marca vai concorrer com outras do principal concorrente, a AmBev. Sobre os investimentos, R$ 100 milhões serão destinados à campanha do novo produto. Outros R$ 900 milhões previstos para 2010 irão para a expansão da capacidade produtiva e marketing. Os investimentos serão concentrados nas regiões Nordeste e Sudeste. Schincariol. afirmou que não tem planos internacionais ou intenção de abrir capital nos próximos cinco anos.
O grupo espera crescer mais do que o mercado de bebidas em 2010, repetindo os resultados de 2009, quando a empresa afirma ter crescido dois dígitos. Porém, não informa os números até a divulgação de seu balanço. No lançamento da nova marca Devassa Bem Loura, Adriano Schincariol afirmou que, mesmo antes da campanha, já faturou R$ 10 milhões com o novo produto.
A nova marca vai concorrer com outras do principal concorrente, a AmBev. Sobre os investimentos, R$ 100 milhões serão destinados à campanha do novo produto. Outros R$ 900 milhões previstos para 2010 irão para a expansão da capacidade produtiva e marketing. Os investimentos serão concentrados nas regiões Nordeste e Sudeste. Schincariol. afirmou que não tem planos internacionais ou intenção de abrir capital nos próximos cinco anos.
NET tenta comprar TV Cidade para crescer no Nordeste
Aquisição custaria R$ 400 milhões em dinheiro e transferência de dívidas.
A NET Serviços, maior operadora de TV por assinatura e internet por banda larga do Brasil, planeja aproveitar os resultados positivos do ano passado para crescer em áreas onde ainda têm uma presença tímida. Segundo EXAME apurou, no começo deste ano a empresa iniciou uma aproximação que poderá levar à compra da TV Cidade, provedora de serviços de telecomunicação presente em 16 municípios, entre eles Niterói e Salvador. Para engolir essa empresa, cuja maioria das atividades está focada no Nordeste, a NET estava disposta a desembolsar até 50 milhões de reais, além de assumir todas as dívidas da TV Cidade.
Durante o processo de auditoria que se encerrou em janeiro deste ano, no entanto, foi constatado que a aquisição sairia bem mais cara do que o planejado - algo em torno de 400 milhões de reais incluindo a transferência dos débitos. A principal credora da TV Cidade é a empresa japonesa Furukawa, fornecedora de cabeamento da infraestrutura de banda larga, com quem trava uma disputa judicial há quatro anos. Os outros passivos estão nas mãos de pequenos fornecedores, o fisco estadual e o federal e acionistas detentores de debêntures.
Outro empecilho à transação é a dificuldade da NET de chegar a um acordo comum com os controladores da TV Cidade. Atualmente, a empresa é gerenciada por SBC (holding do Grupo Sílvio Santos), Band Cabo (do grupo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão) e Diários Associados, além de investidores americanos como Hicks Muse, Tate & Furst e AIG-GE Capital LAIF. Segundo uma fonte, alguns sócios querem vender a sua parte por um preço acima dos padrões do mercado. Os mais dispostos a negociar seriam os fundos, que estão com os prazos de investimento vencidos e buscam um jeito de deixar o negócio.
A TV Cidade tem 100.000 clientes e sua rede de cabos passa por 1 milhão de lares. Com faturamento anual de 90 milhões de reais, trata-se da última pequena empresa do setor que chama a atenção de grandes empresas como a NET e a Oi. O principal atrativo é a atuação da empresa em polos estratégicos como Recife (PE), Olinda (PE), Feira de Santana (BA), Juiz de Fora (MG), São Gonçalo (RJ) e Cuiabá (MT). Segundo especialistas de mercado, a aquisição da TV Cidade poderia aumentar em 10% o faturamento da NET.
Embora tenha desistido temporariamente de finalizar a transação, a NET não descarta a hipótese de retomar as conversas. Alguns acionistas das duas empresas ainda estão em contato, para tentar dar continuidade à operação e encontrar a melhor maneira de realizá-la. De qualquer forma, uma coisa é certa: os sócios da TV Cidade querem vender a empresa em no máximo três meses. Se dentro desse prazo a NET não se posicionar, outros concorrentes poderão tentar superá-la.
A NET Serviços, maior operadora de TV por assinatura e internet por banda larga do Brasil, planeja aproveitar os resultados positivos do ano passado para crescer em áreas onde ainda têm uma presença tímida. Segundo EXAME apurou, no começo deste ano a empresa iniciou uma aproximação que poderá levar à compra da TV Cidade, provedora de serviços de telecomunicação presente em 16 municípios, entre eles Niterói e Salvador. Para engolir essa empresa, cuja maioria das atividades está focada no Nordeste, a NET estava disposta a desembolsar até 50 milhões de reais, além de assumir todas as dívidas da TV Cidade.
Durante o processo de auditoria que se encerrou em janeiro deste ano, no entanto, foi constatado que a aquisição sairia bem mais cara do que o planejado - algo em torno de 400 milhões de reais incluindo a transferência dos débitos. A principal credora da TV Cidade é a empresa japonesa Furukawa, fornecedora de cabeamento da infraestrutura de banda larga, com quem trava uma disputa judicial há quatro anos. Os outros passivos estão nas mãos de pequenos fornecedores, o fisco estadual e o federal e acionistas detentores de debêntures.
Outro empecilho à transação é a dificuldade da NET de chegar a um acordo comum com os controladores da TV Cidade. Atualmente, a empresa é gerenciada por SBC (holding do Grupo Sílvio Santos), Band Cabo (do grupo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão) e Diários Associados, além de investidores americanos como Hicks Muse, Tate & Furst e AIG-GE Capital LAIF. Segundo uma fonte, alguns sócios querem vender a sua parte por um preço acima dos padrões do mercado. Os mais dispostos a negociar seriam os fundos, que estão com os prazos de investimento vencidos e buscam um jeito de deixar o negócio.
A TV Cidade tem 100.000 clientes e sua rede de cabos passa por 1 milhão de lares. Com faturamento anual de 90 milhões de reais, trata-se da última pequena empresa do setor que chama a atenção de grandes empresas como a NET e a Oi. O principal atrativo é a atuação da empresa em polos estratégicos como Recife (PE), Olinda (PE), Feira de Santana (BA), Juiz de Fora (MG), São Gonçalo (RJ) e Cuiabá (MT). Segundo especialistas de mercado, a aquisição da TV Cidade poderia aumentar em 10% o faturamento da NET.
Embora tenha desistido temporariamente de finalizar a transação, a NET não descarta a hipótese de retomar as conversas. Alguns acionistas das duas empresas ainda estão em contato, para tentar dar continuidade à operação e encontrar a melhor maneira de realizá-la. De qualquer forma, uma coisa é certa: os sócios da TV Cidade querem vender a empresa em no máximo três meses. Se dentro desse prazo a NET não se posicionar, outros concorrentes poderão tentar superá-la.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
BM&FBovespa investe US$ 620 mi no CME Group
A BM&FBovespa anunciou nesta sexta-feira acordo para ampliar sua parceria na holding de bolsas CME em que elevará sua participação de 1,8 para 5 por cento por meio de investimento de 620 milhões de dólares.
O investimento permitirá que a BM&FBovespa indique um representante no conselho da CME, que controla a Chicago Mercantile Exchange (CME), a New York Mercantile Exchange (Nymex), o Board of Trade of the City of Chicago (CBOT) e a Commodity Exchange (COMEX).
"BM&FBovespa e CME passarão a ser sócios estratégicos preferenciais globais para identificar oportunidades de operações estratégicas de investimento e de parcerias comerciais com outras bolsas do mundo, nos segmentos de ações e de derivativos", afirma a bolsa brasilera em comunicado.
O investimento da bolsa brasileira no grupo operador de mercados norte-americanos também envolve desenvolvimento conjunto por ambas as partes de uma plataforma eletrônica de negociação, com tempo de processamento de negócios inferior a um milissegundo.
Essa plataforma para negócios ultrarápidos, conhecidos por investidores como "algo trading" por se tratar de operações executadas por algorítimos, reunirá todos os segmentos de negociação existentes na BM&FBovespa, incluindo ações, derivativos, câmbio e títulos públicos.
O investimento na nova tecnologia é calculado pela bolsa paulista em 175 milhões de dólares ao longo de 10 anos.
"Será também desenvolvido na nova plataforma um sistema de negociação de grandes lotes de ações (block trade)", afirmou a bolsa.
O primeiro módulo a ser desenvolvido será o de derivativos, que substituirá, até o início de 2011, o atual GTS (Global Trading System), sistema eletrônico de negociação utilizado pela BVMF em seu segmento de derivativos financeiros e de commodities, e câmbio à vista.
O segundo módulo será implantado até o final do próximo ano, e vai entrar em lugar dos sistemas de negociação MegaBolsa, Sisbex e BovespaFIX atualmente utilizados pela BVMF nos mercados de ações, títulos públicos federais e títulos privados de renda fixa, respectivamente.
O investimento permitirá que a BM&FBovespa indique um representante no conselho da CME, que controla a Chicago Mercantile Exchange (CME), a New York Mercantile Exchange (Nymex), o Board of Trade of the City of Chicago (CBOT) e a Commodity Exchange (COMEX).
"BM&FBovespa e CME passarão a ser sócios estratégicos preferenciais globais para identificar oportunidades de operações estratégicas de investimento e de parcerias comerciais com outras bolsas do mundo, nos segmentos de ações e de derivativos", afirma a bolsa brasilera em comunicado.
O investimento da bolsa brasileira no grupo operador de mercados norte-americanos também envolve desenvolvimento conjunto por ambas as partes de uma plataforma eletrônica de negociação, com tempo de processamento de negócios inferior a um milissegundo.
Essa plataforma para negócios ultrarápidos, conhecidos por investidores como "algo trading" por se tratar de operações executadas por algorítimos, reunirá todos os segmentos de negociação existentes na BM&FBovespa, incluindo ações, derivativos, câmbio e títulos públicos.
O investimento na nova tecnologia é calculado pela bolsa paulista em 175 milhões de dólares ao longo de 10 anos.
"Será também desenvolvido na nova plataforma um sistema de negociação de grandes lotes de ações (block trade)", afirmou a bolsa.
O primeiro módulo a ser desenvolvido será o de derivativos, que substituirá, até o início de 2011, o atual GTS (Global Trading System), sistema eletrônico de negociação utilizado pela BVMF em seu segmento de derivativos financeiros e de commodities, e câmbio à vista.
O segundo módulo será implantado até o final do próximo ano, e vai entrar em lugar dos sistemas de negociação MegaBolsa, Sisbex e BovespaFIX atualmente utilizados pela BVMF nos mercados de ações, títulos públicos federais e títulos privados de renda fixa, respectivamente.
Vale decepciona no 4o tri, mas mercado olha 2010
O volume de vendas de minério da Vale e o aumento nos custos no quarto trimestre de 2009 decepcionaram participantes do mercado, que aproveitaram a teleconferência da empresa no início desta tarde para entender melhor os números da companhia no final de 2009.
Para a analista Cristiane Viana, da Ágora Corretora, a explicação da empresa na teleconferência foi suficiente para entender que alguns fatores não recorrentes abateram o lucro, mas que a demanda continua firme e que os preços do minério serão elevados em 2010.
"A teleconferência reforçou a percepção que a gente já trabalhava de uma demanda muito boa, e isso favorece a nossa visão de um ajuste para cima do minério. Mantemos nossa indicação de compra das ações da Vale", explicou.
Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira --dia seguinte ao anúncio do resultado da empresa no quarto trimestre, que ficou abaixo do esperado --, executivos da Vale, explicaram que os números da empresa foram abatidos por queda de vendas de minério mas também por algumas questões pontuais, como investimentos no Canadá e em ativos portuários no Brasil.
Os executivos da Vale. citaram problemas com equipamentos no porto de Tubarão, no Espírito Santo, e obras em dois terminais do porto de Ponta da Madeira, no Maranhão.
"Parte dos fatores são pontuais, e embora tenha ficado abaixo do esperado (o resultado), a demanda e o preço do minério favorecem daqui para frente", avaliou Critiane.
Os executivos da empresa, entre eles o diretor financeiro, Fábio Barbosa, e o diretor de Ferrosos, José Carlos Martins, apontaram na reunião com os analistas um cenário otimista, no qual a demanda está novamente superando a oferta.
"O mercado começou a se recuperar rapidamente, e nós tivemos dificuldade para voltar à plena capacidade. A Europa está voltando mais rápido do que esperávamos. A China está bem acima do nível pré-crise", afirmou Martins.
REVISÕES
O banco UBS informou que deve reavaliar o preço das ações da Vale, depois de considerar os resultados abaixo do esperado em relatório distribuído esta manhã.
"Os resultados questionam nossas expectativas e do mercado, especialmente nos custos", afirmou o UBS.
O analista Antonio Emílio Ruiz, do Banco do Brasil, também informou pela manhã que haveria revisão de projeções. "Mesmo com o aumento do preço do minério previsto para este ano, vou ter que diminuir o preço (alvo da ação). Esperava pelo menos estabilidade no volume de vendas em relação ao terceiro trimestre", avaliou Ruiz.
A receita operacional da Vale totalizou 12,048 bilhões de reais no quarto trimestre, caindo 11,3 por cento em relação aos 13,582 bilhões de reais do terceiro trimestre.
"Me assustou um pouco a queda de venda de minério, mas caiu também cobre e níquel", disse o analista.
A decepção do mercado no início do pregão foi amenizada após a teleconferência, com a as ações passando de quedas em torno de 2 por cento na parte da manhã para alta pouco acima de 1 por cento perto do fechamento.
A corretora Brascan, por sua vez, manteve sua projeção para os preços dos papéis da empresa, alegando que já tinha uma base conservadora por estimar aumento do minério de ferro em 2010 em 25 por cento. A corretora reitera a recomendação de compra das ações da mineradora, diante da expectativa de melhora em 2010.
A Brascan destacou a queda de vendas, mas também ressaltou o aumento de custos e a apreciação cambial como fatores que pioraram o resultado da Vale.
"Considerando os prováveis impactos negativos nas ações da Vale no curto prazo devido aos resultados mais fracos, uma boa oportunidade de compra pode ser criada, visto que mantemos nossa posição favorável ao mercado de minério de ferro", afirmou em um relatório.
A Vale informou na noite de quarta-feira que lucrou 2,63 bilhões de reais, contra 2,44 bilhões de reais há um ano. No exercício completo, no entanto, o lucro da maior produtora de minério de ferro do mundo caiu pela metade, de 21,3 bilhões de reais em 2008 para 10,2 bilhões de reais em 2009, ano em que a crise financeira abalou a indústria do aço e por consequência seus fornecedores de matéria-prima.
A produção da empresa nos últimos três meses do ano somou 63,4 milhões de toneladas de minério de ferro, contra 66,7 milhões de toneladas do trimestre anterior e praticamente a mesma de há um atrás. O mercado trabalhava com volume um pouco acima do terceiro trimestre.
FERTILIZANTES E NÍQUEL
A Vale foi castigada por custos mais altos também por conta dos gastos com a retomada da produção depois de ter desativado minas durante a crise. Greves nas suas operações de níquel fora do país também reduziram possíveis ganhos no ano passado.
"O resultado veio bem abaixo do que eu esperava, apesar de estar em linha com o mercado, provavelmente errei no cálculo do volume de vendas", disse em uma primeira análise Pedro Galdi, da corretora SLW, que previa lucro de 4 bilhões de reais.
Para ele, no entanto, apesar de um balanço decepcionante no quarto trimestre, o futuro é promissor para a Vale.
"O resultado não é positivo, mas o que fica de positivo é o cenário, porque vai vender mais este ano".
Galdi ressaltou que a Vale foi a única grande mineradora a investir durante a crise, ao contrário de suas principais rivais BHP e Rio Tinto, e por isso estará mais prepararda para atender o esperado aumento de demanda pelo produto em 2010.
"A Vale fez a lição de casa e vai ocupar espaços na venda de minério este ano", avaliou.
Ele lembrou ainda que em 2010 a empresa vai contabilizar a sua entrada no promissor segmento de fertilizantes e provavelmente ter mais sucesso com sua área de níquel, cujos preços melhoraram e a produção deve retornar a níveis anteriores.
O ano trará a continuidade da demanda da China e recuperação de alguns mercados castigados pela crise, como Europa e Estados Unidos, o que será somado ao aumento do preço do minério, depois de queda de cerca de 30 por cento no ano passado. Para 2010, a expectativa de aumento se situa entre 30 e 35 por cento.
"A Vale tem tudo para ter um ano excelente", disse Galdi.
Para a analista Cristiane Viana, da Ágora Corretora, a explicação da empresa na teleconferência foi suficiente para entender que alguns fatores não recorrentes abateram o lucro, mas que a demanda continua firme e que os preços do minério serão elevados em 2010.
"A teleconferência reforçou a percepção que a gente já trabalhava de uma demanda muito boa, e isso favorece a nossa visão de um ajuste para cima do minério. Mantemos nossa indicação de compra das ações da Vale", explicou.
Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira --dia seguinte ao anúncio do resultado da empresa no quarto trimestre, que ficou abaixo do esperado --, executivos da Vale, explicaram que os números da empresa foram abatidos por queda de vendas de minério mas também por algumas questões pontuais, como investimentos no Canadá e em ativos portuários no Brasil.
Os executivos da Vale. citaram problemas com equipamentos no porto de Tubarão, no Espírito Santo, e obras em dois terminais do porto de Ponta da Madeira, no Maranhão.
"Parte dos fatores são pontuais, e embora tenha ficado abaixo do esperado (o resultado), a demanda e o preço do minério favorecem daqui para frente", avaliou Critiane.
Os executivos da empresa, entre eles o diretor financeiro, Fábio Barbosa, e o diretor de Ferrosos, José Carlos Martins, apontaram na reunião com os analistas um cenário otimista, no qual a demanda está novamente superando a oferta.
"O mercado começou a se recuperar rapidamente, e nós tivemos dificuldade para voltar à plena capacidade. A Europa está voltando mais rápido do que esperávamos. A China está bem acima do nível pré-crise", afirmou Martins.
REVISÕES
O banco UBS informou que deve reavaliar o preço das ações da Vale, depois de considerar os resultados abaixo do esperado em relatório distribuído esta manhã.
"Os resultados questionam nossas expectativas e do mercado, especialmente nos custos", afirmou o UBS.
O analista Antonio Emílio Ruiz, do Banco do Brasil, também informou pela manhã que haveria revisão de projeções. "Mesmo com o aumento do preço do minério previsto para este ano, vou ter que diminuir o preço (alvo da ação). Esperava pelo menos estabilidade no volume de vendas em relação ao terceiro trimestre", avaliou Ruiz.
A receita operacional da Vale totalizou 12,048 bilhões de reais no quarto trimestre, caindo 11,3 por cento em relação aos 13,582 bilhões de reais do terceiro trimestre.
"Me assustou um pouco a queda de venda de minério, mas caiu também cobre e níquel", disse o analista.
A decepção do mercado no início do pregão foi amenizada após a teleconferência, com a as ações passando de quedas em torno de 2 por cento na parte da manhã para alta pouco acima de 1 por cento perto do fechamento.
A corretora Brascan, por sua vez, manteve sua projeção para os preços dos papéis da empresa, alegando que já tinha uma base conservadora por estimar aumento do minério de ferro em 2010 em 25 por cento. A corretora reitera a recomendação de compra das ações da mineradora, diante da expectativa de melhora em 2010.
A Brascan destacou a queda de vendas, mas também ressaltou o aumento de custos e a apreciação cambial como fatores que pioraram o resultado da Vale.
"Considerando os prováveis impactos negativos nas ações da Vale no curto prazo devido aos resultados mais fracos, uma boa oportunidade de compra pode ser criada, visto que mantemos nossa posição favorável ao mercado de minério de ferro", afirmou em um relatório.
A Vale informou na noite de quarta-feira que lucrou 2,63 bilhões de reais, contra 2,44 bilhões de reais há um ano. No exercício completo, no entanto, o lucro da maior produtora de minério de ferro do mundo caiu pela metade, de 21,3 bilhões de reais em 2008 para 10,2 bilhões de reais em 2009, ano em que a crise financeira abalou a indústria do aço e por consequência seus fornecedores de matéria-prima.
A produção da empresa nos últimos três meses do ano somou 63,4 milhões de toneladas de minério de ferro, contra 66,7 milhões de toneladas do trimestre anterior e praticamente a mesma de há um atrás. O mercado trabalhava com volume um pouco acima do terceiro trimestre.
FERTILIZANTES E NÍQUEL
A Vale foi castigada por custos mais altos também por conta dos gastos com a retomada da produção depois de ter desativado minas durante a crise. Greves nas suas operações de níquel fora do país também reduziram possíveis ganhos no ano passado.
"O resultado veio bem abaixo do que eu esperava, apesar de estar em linha com o mercado, provavelmente errei no cálculo do volume de vendas", disse em uma primeira análise Pedro Galdi, da corretora SLW, que previa lucro de 4 bilhões de reais.
Para ele, no entanto, apesar de um balanço decepcionante no quarto trimestre, o futuro é promissor para a Vale.
"O resultado não é positivo, mas o que fica de positivo é o cenário, porque vai vender mais este ano".
Galdi ressaltou que a Vale foi a única grande mineradora a investir durante a crise, ao contrário de suas principais rivais BHP e Rio Tinto, e por isso estará mais prepararda para atender o esperado aumento de demanda pelo produto em 2010.
"A Vale fez a lição de casa e vai ocupar espaços na venda de minério este ano", avaliou.
Ele lembrou ainda que em 2010 a empresa vai contabilizar a sua entrada no promissor segmento de fertilizantes e provavelmente ter mais sucesso com sua área de níquel, cujos preços melhoraram e a produção deve retornar a níveis anteriores.
O ano trará a continuidade da demanda da China e recuperação de alguns mercados castigados pela crise, como Europa e Estados Unidos, o que será somado ao aumento do preço do minério, depois de queda de cerca de 30 por cento no ano passado. Para 2010, a expectativa de aumento se situa entre 30 e 35 por cento.
"A Vale tem tudo para ter um ano excelente", disse Galdi.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Governos europeus definem ajuda à Grécia
Governos europeus decidiram em princípio ajudar a endividada Grécia, afirmou nesta terça-feira um político governista alemão, no que pode ser o primeiro resgate de um membro da zona do euro em 11 anos de história da moeda única europeia.
"A decisão sobre a ajuda à Grécia foi tomada em princípio dentro da zona do euro," disse essa fonte da coalizão governista alemã, familiarizada com as discussões.
De acordo com essa fonte, há várias opções sendo cogitadas e nenhuma decisão foi tomada, embora o mais provável seja uma oferta de "ajuda bilateral."
Os comentários são o sinal mais claro até agora de que a Alemanha, potência econômica dentro da UE, pode estar disposta a intervir para evitar uma crise de confiança na união monetária de 16 países, o que tem abalado mercados em todo o planeta.
O porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm, qualificou de "infundados" os relatos de que uma decisão já teria sido tomada, mas o jornal Financial Times Deutschland também afirmou que Berlim estaria preparando um pacote de ajuda a Atenas.
O Wall Street Journal afirmou que a Alemanha cogita assumir a liderança em um plano com parceiros da UE para oferecer garantias de empréstimos à Grécia e a outros países da zona do euro, num esforço para acalmar os mercados quanto ao temor de uma moratória.
O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, discutiu a ideia nos últimos dias com o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, segundo reportagem no site do Wall Street Journal, citando uma fonte não identificada.
A reportagem surge a dois dias de uma cúpula da União Europeia que deve discutir a crise da dívida grega. Joaquín Almunia, que está deixando o cargo de comissário (ministro) europeu de Assuntos Monetários, alimentou as especulações sobre um resgate ao pedir aos líderes do continente que usem sua reunião de quinta-feira para ajudar a Grécia, em troca de drásticas reformas fiscais.
"Eu gostaria que os líderes da Europa dissessem às autoridades gregas que, em troca dos esforços que vocês (gregos) estão fazendo, vocês terão apoio nosso", disse Almunia ao Parlamento Europeu.
"Não se tem apoio de graça. Isso iria simplesmente lançar as bases para novos desequilíbrios e crises. Temos instrumentos para fornecer isso em troca de compromissos claros de que eles irão cumprir suas responsabilidades", disse Almunia.
O ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, cujo país também foi atingido pelas turbulências do mercado, disse à Reuters que tem certeza quanto à ajuda para a Grécia se isso for necessário, embora os tratados da UE não antevejam tal assistência.
"A decisão sobre a ajuda à Grécia foi tomada em princípio dentro da zona do euro," disse essa fonte da coalizão governista alemã, familiarizada com as discussões.
De acordo com essa fonte, há várias opções sendo cogitadas e nenhuma decisão foi tomada, embora o mais provável seja uma oferta de "ajuda bilateral."
Os comentários são o sinal mais claro até agora de que a Alemanha, potência econômica dentro da UE, pode estar disposta a intervir para evitar uma crise de confiança na união monetária de 16 países, o que tem abalado mercados em todo o planeta.
O porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm, qualificou de "infundados" os relatos de que uma decisão já teria sido tomada, mas o jornal Financial Times Deutschland também afirmou que Berlim estaria preparando um pacote de ajuda a Atenas.
O Wall Street Journal afirmou que a Alemanha cogita assumir a liderança em um plano com parceiros da UE para oferecer garantias de empréstimos à Grécia e a outros países da zona do euro, num esforço para acalmar os mercados quanto ao temor de uma moratória.
O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, discutiu a ideia nos últimos dias com o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, segundo reportagem no site do Wall Street Journal, citando uma fonte não identificada.
A reportagem surge a dois dias de uma cúpula da União Europeia que deve discutir a crise da dívida grega. Joaquín Almunia, que está deixando o cargo de comissário (ministro) europeu de Assuntos Monetários, alimentou as especulações sobre um resgate ao pedir aos líderes do continente que usem sua reunião de quinta-feira para ajudar a Grécia, em troca de drásticas reformas fiscais.
"Eu gostaria que os líderes da Europa dissessem às autoridades gregas que, em troca dos esforços que vocês (gregos) estão fazendo, vocês terão apoio nosso", disse Almunia ao Parlamento Europeu.
"Não se tem apoio de graça. Isso iria simplesmente lançar as bases para novos desequilíbrios e crises. Temos instrumentos para fornecer isso em troca de compromissos claros de que eles irão cumprir suas responsabilidades", disse Almunia.
O ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, cujo país também foi atingido pelas turbulências do mercado, disse à Reuters que tem certeza quanto à ajuda para a Grécia se isso for necessário, embora os tratados da UE não antevejam tal assistência.
"Quero ter um patrimônio de US$ 100 bilhões em dez anos", diz Eike Batista
Em entrevista a talk show dos Estados Unidos, empresário diz que aposta em projetos de petróleo e infraestrutura para se tornar o homem mais rico do mundo.
Pensar pequeno certamente não é um atributo do empresário Eike Batista. De suas primeiras minas de ouro na selva amazônica, nos anos 80 - que o levaram a acumular uma fortuna de 6 milhões de dólares aos 23 anos de idade - à OGX, sua petroleira, o empresário está acostumado a bater metas ambiciosas. Agora, aos 52 anos, ele se prepara para mais um desafio gigantesco: dentro de dez anos, quer ter uma fortuna de 100 bilhões de dólares, o que seria suficiente, hoje, para torná-lo o homem mais rico do mundo. A intenção foi revelada nesta semana, em um programa americano de entrevistas - o Charlie Rose Show, transmitido pela rede PBS.
Em seu programa diário de uma hora, o jornalista Charlie Rose - considerado um dos melhores entrevistadores dos Estados Unidos -, apresentou Eike Batista como o homem mais rico do Brasil. O brasileiro foi sabatinado sobre seus negócios, seus planos, sua história e sobre a sua visão do Brasil e da economia mundial. Em certo momento, Charlie pediu a Eike para estimar quanto poderia ser sua fortuna daqui a dez anos. Sua resposta surpreendeu o entrevistador: "100 bilhões de dólares", afirmou. O apresentador repetiu, perplexo, o número, e Eike emendou: "Sim. O que eu posso dizer? Estou com sorte..."
O apresentador lembrou-o de que, se a previsão for cumprida, Eike se tornará o homem mais rico do mundo, "a menos que os outros façam alguma coisa para dobrar suas fortunas". De acordo com a lista dos bilionários publicada anualmente pela revista Forbes, Eike é hoje o 61º homem mais rico do planeta, com uma fortuna de 7,5 bilhões de dólares. A relação é encabeçada, desde 1995, por Bill Gates, o fundador da Microsoft, que acumula um patrimônio de 40 bilhões de dólares. Em segundo lugar, vem o megainvestidor Warren Buffett, com 37 bilhões. Se isto servir de inspiração para Eike, o pódio dos bilionários já conta com um representante latino-americano: o mexicano Carlos Slim - que, no Brasil, controla a Claro e a Embratel -, com 35 bilhões.
Aposta no Brasil e na China
Mais do que uma meta, Eike afirmou que aumentar sua fortuna será "a conseqüência de um bom trabalho", isto é, ajudar o Brasil a crescer e se consolidar como um dos países mais desenvolvidos do mundo. "Eu posso ajudar o Brasil; eu posso ajudar meu país", afirmou. E ajudar, segundo Eike, é apostar nos negócios que vem tocando - sobretudo na área do petróleo, para a qual fundou a OGX, e de infraestrutura.
Durante toda a entrevista, o empresário tentou mostrar que o crescimento brasileiro determinaria naturalmente a expansão de sua fortuna, já que seus negócios estão concentrados em áreas estratégicas para o país nos próximos anos. Para Eike, o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo em 2015 - cinco anos antes das estimativas correntes. "Somos apenas um dos muitos grupos que estão ajudando o país a crescer", afirmou.
O empresário também mostrou muito otimismo com a expansão das relações comerciais entre o Brasil e a China. Para desconforto de Charlie e dos telespectadores americanos, não hesitou em afirmar que, dentro de 30 anos, os chineses responderão por metade do PIB mundial. Essa expansão deverá alimentar por muito tempo a demanda por matérias-primas e commodities - setores nos quais suas empresas estão instaladas, como a mineradora MMX. "É uma grande joint-venture, porque a China precisa de muita coisa que nós temos", disse.
Riscos cobertos
Charlie também teve tempo para rememorar alguns dos fracassos na trajetória de Eike - como a tentativa de fabricar jipes, perfumes e cerveja. Para o empresário, entre as lições que tirou desses insucessos, está a de que é necessário ter um modelo de gestão 360 graus, em que todos os aspectos da operação sejam contemplados. Além disso, é preciso não se apaixonar pela empresa - e saber quando é hora de mudar de estratégia ou mesmo de parar.
Trabalhar com commodities globais, como ouro e minério de ferro, também ensinou outra coisa ao empresário: como todo empreendimento envolve riscos, é preciso ter certeza de que o retorno compensará toda dificuldade que encontrar - mesmo as que não conseguiu prever.
Além de ter o prazer de contar com um compatriota no topo da lista dos mais abonados do mundo, os brasileiros também podem torcer para que Eike alcance seus 100 bilhões de dólares por outro motivo: os investimentos sociais que ele deseja fazer. "Quero ser também o maior filantropo do mundo", afirmou na última parte da entrevista, quando Charlie voltou a tocar no tema de sua fortuna pessoal, e lembrou que os grandes bilionários destinavam parte de sua fortuna para obras de caridade. Diante do espanto do jornalista americano, Eike completou: "Sinto muito. É para isso que eu fui educado".
Pensar pequeno certamente não é um atributo do empresário Eike Batista. De suas primeiras minas de ouro na selva amazônica, nos anos 80 - que o levaram a acumular uma fortuna de 6 milhões de dólares aos 23 anos de idade - à OGX, sua petroleira, o empresário está acostumado a bater metas ambiciosas. Agora, aos 52 anos, ele se prepara para mais um desafio gigantesco: dentro de dez anos, quer ter uma fortuna de 100 bilhões de dólares, o que seria suficiente, hoje, para torná-lo o homem mais rico do mundo. A intenção foi revelada nesta semana, em um programa americano de entrevistas - o Charlie Rose Show, transmitido pela rede PBS.
Em seu programa diário de uma hora, o jornalista Charlie Rose - considerado um dos melhores entrevistadores dos Estados Unidos -, apresentou Eike Batista como o homem mais rico do Brasil. O brasileiro foi sabatinado sobre seus negócios, seus planos, sua história e sobre a sua visão do Brasil e da economia mundial. Em certo momento, Charlie pediu a Eike para estimar quanto poderia ser sua fortuna daqui a dez anos. Sua resposta surpreendeu o entrevistador: "100 bilhões de dólares", afirmou. O apresentador repetiu, perplexo, o número, e Eike emendou: "Sim. O que eu posso dizer? Estou com sorte..."
O apresentador lembrou-o de que, se a previsão for cumprida, Eike se tornará o homem mais rico do mundo, "a menos que os outros façam alguma coisa para dobrar suas fortunas". De acordo com a lista dos bilionários publicada anualmente pela revista Forbes, Eike é hoje o 61º homem mais rico do planeta, com uma fortuna de 7,5 bilhões de dólares. A relação é encabeçada, desde 1995, por Bill Gates, o fundador da Microsoft, que acumula um patrimônio de 40 bilhões de dólares. Em segundo lugar, vem o megainvestidor Warren Buffett, com 37 bilhões. Se isto servir de inspiração para Eike, o pódio dos bilionários já conta com um representante latino-americano: o mexicano Carlos Slim - que, no Brasil, controla a Claro e a Embratel -, com 35 bilhões.
Aposta no Brasil e na China
Mais do que uma meta, Eike afirmou que aumentar sua fortuna será "a conseqüência de um bom trabalho", isto é, ajudar o Brasil a crescer e se consolidar como um dos países mais desenvolvidos do mundo. "Eu posso ajudar o Brasil; eu posso ajudar meu país", afirmou. E ajudar, segundo Eike, é apostar nos negócios que vem tocando - sobretudo na área do petróleo, para a qual fundou a OGX, e de infraestrutura.
Durante toda a entrevista, o empresário tentou mostrar que o crescimento brasileiro determinaria naturalmente a expansão de sua fortuna, já que seus negócios estão concentrados em áreas estratégicas para o país nos próximos anos. Para Eike, o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo em 2015 - cinco anos antes das estimativas correntes. "Somos apenas um dos muitos grupos que estão ajudando o país a crescer", afirmou.
O empresário também mostrou muito otimismo com a expansão das relações comerciais entre o Brasil e a China. Para desconforto de Charlie e dos telespectadores americanos, não hesitou em afirmar que, dentro de 30 anos, os chineses responderão por metade do PIB mundial. Essa expansão deverá alimentar por muito tempo a demanda por matérias-primas e commodities - setores nos quais suas empresas estão instaladas, como a mineradora MMX. "É uma grande joint-venture, porque a China precisa de muita coisa que nós temos", disse.
Riscos cobertos
Charlie também teve tempo para rememorar alguns dos fracassos na trajetória de Eike - como a tentativa de fabricar jipes, perfumes e cerveja. Para o empresário, entre as lições que tirou desses insucessos, está a de que é necessário ter um modelo de gestão 360 graus, em que todos os aspectos da operação sejam contemplados. Além disso, é preciso não se apaixonar pela empresa - e saber quando é hora de mudar de estratégia ou mesmo de parar.
Trabalhar com commodities globais, como ouro e minério de ferro, também ensinou outra coisa ao empresário: como todo empreendimento envolve riscos, é preciso ter certeza de que o retorno compensará toda dificuldade que encontrar - mesmo as que não conseguiu prever.
Além de ter o prazer de contar com um compatriota no topo da lista dos mais abonados do mundo, os brasileiros também podem torcer para que Eike alcance seus 100 bilhões de dólares por outro motivo: os investimentos sociais que ele deseja fazer. "Quero ser também o maior filantropo do mundo", afirmou na última parte da entrevista, quando Charlie voltou a tocar no tema de sua fortuna pessoal, e lembrou que os grandes bilionários destinavam parte de sua fortuna para obras de caridade. Diante do espanto do jornalista americano, Eike completou: "Sinto muito. É para isso que eu fui educado".
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Fundo soberano chinês tem US$ 651,7 milhões na Vale
O China Investment Corp (CIC), fundo soberano do governo chinês, informou em relatório encaminhado à SEC (Securities and Exchange Commission, a equivalente americana da CVM brasileira) que possuía um investimento de US$ 651,7 milhões na Vale no fim de 2009. O valor inclui ações e recibos de ações negociados no exterior (ADRs).
A posição de um dos fundos mais observados pelos investidores de todo o mundo na mineradora brasileira perde em valor apenas para a que o CIC possui na mineradora canadense Teck Resources (US$ 3,5 bilhões), no banco norte-americano Morgan Stanley (US$ 1,8 bilhão) e na gestora de recursos Blackrock (US$ 713,8 milhões).
É a primeira vez que o fundo, que administra US$ 300 bilhões em recursos soberanos, revela suas posições de investimento nesse nível de detalhamento. Segundo o relatório, que foi enviado à SEC na sexta-feira, o CIC possuía um total de US$ 9,63 bilhões em mais de 60 companhias listadas nos Estados Unidos no fim do ano passado.
A posição de um dos fundos mais observados pelos investidores de todo o mundo na mineradora brasileira perde em valor apenas para a que o CIC possui na mineradora canadense Teck Resources (US$ 3,5 bilhões), no banco norte-americano Morgan Stanley (US$ 1,8 bilhão) e na gestora de recursos Blackrock (US$ 713,8 milhões).
É a primeira vez que o fundo, que administra US$ 300 bilhões em recursos soberanos, revela suas posições de investimento nesse nível de detalhamento. Segundo o relatório, que foi enviado à SEC na sexta-feira, o CIC possuía um total de US$ 9,63 bilhões em mais de 60 companhias listadas nos Estados Unidos no fim do ano passado.
As vantagens de listar ações em Nova York
Empresas brasileiras negociadas no principal pregão americano ganham em visibilidade, liquidez e valor de mercado.
Por que o Banco do Brasil possui um valor de mercado inferior ao de bancos com um volume menor de ativos, como o Itaú Unibanco, o Bradesco e o Santander? O que leva a CSN e a Gerdau a serem negociadas com um prêmio em relação à Usiminas? E qual o motivo de a Gafisa ter ações mais líquidas que concorrentes de porte parecido como a MRV e a Rossi?
Os analistas podem apresentar várias respostas para as três perguntas, mas para o chefe regional para América Latina e Caribe da Nyse Euronext, Alex Ibrahim, o fato de os bancos privados, a CSN, a Gerdau, e a Gafisa, terem ações negociadas na Bolsa de Nova York explica muita coisa.
Ibrahim é o responsável da bolsa americana por procurar e convencer empresas com ações em bolsas da América Latina a listar papéis também nos Estados Unidos. "Se uma empresa quer ter mais acionistas, maior diversificação e um prêmio em suas cotações, precisa estar presente no mercado americano", diz ele.
A Aracruz foi a primeira empresa brasileira a ter ADRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos) negociadas na bolsa americana. Quinze anos depois da iniciativa pioneira da fabricante de celulose, já são 30 as empresas brasileiras que possuem papéis na Nyse.
O volume de negócios gerados por essas empresas impressiona. O giro médio dessas companhias alcança 2,7 bilhões de dólares por dia - quase o mesmo montante de dinheiro que circula em toda a Bovespa num pregão. Cerca de 65% do volume de negócios gerado por essas 30 empresas vem dos EUA. A Vale e a Petrobras já figuram entre as 35 companhias com mais liquidez da Bolsa de Nova York. As companhias brasileiras só perdem para as americanas em valores movimentados no pregão nova-iorquino.
Apesar desses números, no ano passado a única empresa brasileira que começou a negociar ações na Nyse foi a subsidiária nacional do banco Santander. Por esse motivo, Ibrahim tem procurado diversas empresas brasileiras e mostrado as vantagens de ter ações também em Nova York. O executivo não cita nomes, mas acredita que companhias do setor de construção, serviços e tecnologia teriam muito a ganhar com a listagem no mercado americano.
Até agora as duas maiores ofertas de ações previstas para este ano são do Banco do Brasil (cerca de 10 bilhões de reais) e da Petrobras (cerca de 50 bilhões de reais). Ibrahim acredita que boa parte da oferta da estatal de petróleo será absorvida por investidores nos EUA. Já o BB iniciou um programa de listagem de ADRs, mas de nível 1. Os papéis só poderão ser negociados no mercado de balcão americano, sem transações na Nyse. Como muitos fundos exigem liquidez para investir em determinadas empresas, acabam aplicando apenas nas empresas com ADRs de nível 2 e 3, negociados em bolsa.
O tamanho das empresas brasileiras não é uma barreira para a listagem em Nova York. O valor mínimo necessário para realizar uma oferta é de 60 milhões de dólares. O que afasta a maior parte das companhias é a necessidade de divulgar informações ao mercado de acordo com a lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley. O custo para a elaboração dos balanços já chegou a ser de 2 milhões de dólares ao ano, mas, segundo Ibrahim, vem caindo rapidamente. Além disso, a empresa terá de pagar 150.000 dólares à Nyse para fazer a listagem e depois arcará com uma taxa anual de ao menos 38.000 dólares por ano.
Caso haja um grande aumento do número de empresas brasileiras nos EUA, a grande perdedora seria a BM&FBovespa. A Nyse pode ser considerada a principal concorrente da bolsa paulista, já que não há outras bolsas de ações no Brasil e a maioria das companhias nacionais que deseja ter listagem no exterior opta por ela. Se aumentam as taxas e comissões pagas por empresas brasileiras à Nyse, é provável que a BM&FBovespa esteja perdendo uma oportunidade de crescimento.
Uma das formas de reação da BM&FBovespa foi fechar um acordo com o grande concorrente americano da Bolsa de Nova York, a Nasdaq. A ideia é permitir, já a partir deste ano, que um investidor estrangeiro possa negociar ações de empresas da bolsa brasileira pela plataforma da Nasdaq, e vice-versa. Essa mudança vai reduzir a vantagem de ter ações na Bolsa de Nova York porque a plataforma da Nasdaq é utilizada por boa parte dos investidores estrangeiros. A expectativa, portanto, é de que os papéis negociados na BM&FBovespa ganhem liquidez.
Além desse tipo de acordo operacional, a principal aposta para a expansão da BM&FBovespa são as negociações de alta frequência. A bolsa só aguarda a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que as corretoras possam instalar servidores dentro da BM&FBovespa e consigam concluir ordens de compra e venda em dez milésimos de segundo. Esse tipo de tecnologia é necessária para que investidores sofisticados que usam softwares para tomar decisões no mercado possam lucrar principalmente com operações conhecidas como "arbitragem".
Os softwares são capazes, por exemplo, de encontrar distorções entre o preço da ação da Petrobras negociada na BM&FBovespa e de sua respectiva ADR que circula na Bolsa de Nova York. Em milésimos de segundo, o próprio software dispara uma ordem de compra do papel onde ele estiver mais barato, transfere a custódia para o outro país e negocia a ação onde ela está mais cara. O único risco dessa operação é que ela não aconteça em uma velocidade suficiente para aproveitar a distorção de preços antes de outro investidor.
Apesar de a tecnologia necessária para esse tipo de operação já ser um problema superado, ainda há barreiras a serem vencidas. Em outubro do ano passado, uma canetada do governo praticamente inviabilizou o mercado de "arbitragem". Ao estipular a cobrança do IOF sobre as aplicações estrangeiras em bolsa, o ministro Guido Mantega (Fazenda) conseguiu reduzir a entrada de capital de curto prazo com o objetivo de evitar a queda exagerada do dólar. Mas também foi um banho de água fria para o mercado de "arbitragem". Como a medida afetou tanto a Bolsa de Nova York quanto a BM&FBovespa, as duas bolsas deixaram de lado as diferenças e passaram a defender que o governo retire o IOF para as aplicações em ações. Mais um caso de inimigos que se unem na adversidade.
Por que o Banco do Brasil possui um valor de mercado inferior ao de bancos com um volume menor de ativos, como o Itaú Unibanco, o Bradesco e o Santander? O que leva a CSN e a Gerdau a serem negociadas com um prêmio em relação à Usiminas? E qual o motivo de a Gafisa ter ações mais líquidas que concorrentes de porte parecido como a MRV e a Rossi?
Os analistas podem apresentar várias respostas para as três perguntas, mas para o chefe regional para América Latina e Caribe da Nyse Euronext, Alex Ibrahim, o fato de os bancos privados, a CSN, a Gerdau, e a Gafisa, terem ações negociadas na Bolsa de Nova York explica muita coisa.
Ibrahim é o responsável da bolsa americana por procurar e convencer empresas com ações em bolsas da América Latina a listar papéis também nos Estados Unidos. "Se uma empresa quer ter mais acionistas, maior diversificação e um prêmio em suas cotações, precisa estar presente no mercado americano", diz ele.
A Aracruz foi a primeira empresa brasileira a ter ADRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos) negociadas na bolsa americana. Quinze anos depois da iniciativa pioneira da fabricante de celulose, já são 30 as empresas brasileiras que possuem papéis na Nyse.
O volume de negócios gerados por essas empresas impressiona. O giro médio dessas companhias alcança 2,7 bilhões de dólares por dia - quase o mesmo montante de dinheiro que circula em toda a Bovespa num pregão. Cerca de 65% do volume de negócios gerado por essas 30 empresas vem dos EUA. A Vale e a Petrobras já figuram entre as 35 companhias com mais liquidez da Bolsa de Nova York. As companhias brasileiras só perdem para as americanas em valores movimentados no pregão nova-iorquino.
Apesar desses números, no ano passado a única empresa brasileira que começou a negociar ações na Nyse foi a subsidiária nacional do banco Santander. Por esse motivo, Ibrahim tem procurado diversas empresas brasileiras e mostrado as vantagens de ter ações também em Nova York. O executivo não cita nomes, mas acredita que companhias do setor de construção, serviços e tecnologia teriam muito a ganhar com a listagem no mercado americano.
Até agora as duas maiores ofertas de ações previstas para este ano são do Banco do Brasil (cerca de 10 bilhões de reais) e da Petrobras (cerca de 50 bilhões de reais). Ibrahim acredita que boa parte da oferta da estatal de petróleo será absorvida por investidores nos EUA. Já o BB iniciou um programa de listagem de ADRs, mas de nível 1. Os papéis só poderão ser negociados no mercado de balcão americano, sem transações na Nyse. Como muitos fundos exigem liquidez para investir em determinadas empresas, acabam aplicando apenas nas empresas com ADRs de nível 2 e 3, negociados em bolsa.
O tamanho das empresas brasileiras não é uma barreira para a listagem em Nova York. O valor mínimo necessário para realizar uma oferta é de 60 milhões de dólares. O que afasta a maior parte das companhias é a necessidade de divulgar informações ao mercado de acordo com a lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley. O custo para a elaboração dos balanços já chegou a ser de 2 milhões de dólares ao ano, mas, segundo Ibrahim, vem caindo rapidamente. Além disso, a empresa terá de pagar 150.000 dólares à Nyse para fazer a listagem e depois arcará com uma taxa anual de ao menos 38.000 dólares por ano.
Caso haja um grande aumento do número de empresas brasileiras nos EUA, a grande perdedora seria a BM&FBovespa. A Nyse pode ser considerada a principal concorrente da bolsa paulista, já que não há outras bolsas de ações no Brasil e a maioria das companhias nacionais que deseja ter listagem no exterior opta por ela. Se aumentam as taxas e comissões pagas por empresas brasileiras à Nyse, é provável que a BM&FBovespa esteja perdendo uma oportunidade de crescimento.
Uma das formas de reação da BM&FBovespa foi fechar um acordo com o grande concorrente americano da Bolsa de Nova York, a Nasdaq. A ideia é permitir, já a partir deste ano, que um investidor estrangeiro possa negociar ações de empresas da bolsa brasileira pela plataforma da Nasdaq, e vice-versa. Essa mudança vai reduzir a vantagem de ter ações na Bolsa de Nova York porque a plataforma da Nasdaq é utilizada por boa parte dos investidores estrangeiros. A expectativa, portanto, é de que os papéis negociados na BM&FBovespa ganhem liquidez.
Além desse tipo de acordo operacional, a principal aposta para a expansão da BM&FBovespa são as negociações de alta frequência. A bolsa só aguarda a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que as corretoras possam instalar servidores dentro da BM&FBovespa e consigam concluir ordens de compra e venda em dez milésimos de segundo. Esse tipo de tecnologia é necessária para que investidores sofisticados que usam softwares para tomar decisões no mercado possam lucrar principalmente com operações conhecidas como "arbitragem".
Os softwares são capazes, por exemplo, de encontrar distorções entre o preço da ação da Petrobras negociada na BM&FBovespa e de sua respectiva ADR que circula na Bolsa de Nova York. Em milésimos de segundo, o próprio software dispara uma ordem de compra do papel onde ele estiver mais barato, transfere a custódia para o outro país e negocia a ação onde ela está mais cara. O único risco dessa operação é que ela não aconteça em uma velocidade suficiente para aproveitar a distorção de preços antes de outro investidor.
Apesar de a tecnologia necessária para esse tipo de operação já ser um problema superado, ainda há barreiras a serem vencidas. Em outubro do ano passado, uma canetada do governo praticamente inviabilizou o mercado de "arbitragem". Ao estipular a cobrança do IOF sobre as aplicações estrangeiras em bolsa, o ministro Guido Mantega (Fazenda) conseguiu reduzir a entrada de capital de curto prazo com o objetivo de evitar a queda exagerada do dólar. Mas também foi um banho de água fria para o mercado de "arbitragem". Como a medida afetou tanto a Bolsa de Nova York quanto a BM&FBovespa, as duas bolsas deixaram de lado as diferenças e passaram a defender que o governo retire o IOF para as aplicações em ações. Mais um caso de inimigos que se unem na adversidade.
'Não se muda juro e câmbio por decreto', diz Meirelles
Em almoço fechado para 70 empresários da Câmara de Comércio França-Brasil, ontem, em São Paulo, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, teria afirmado, segundo relato de pessoas presentes no evento, que sua permanência por oito anos à frente da instituição foi o bastante e que seu papel estará cumprido no fim desse período. Além disso, ele teria dito que "não é possível alterar os juros e o câmbio por decreto".
Segundo esses dirigentes de empresas, que pediram para não ser identificados, Meirelles reiterou que o próximo presidente da República não deve mudar as bases da política macroeconômica, como a busca da inflação baixa, o regime de câmbio flutuante e o rigor fiscal. Meirelles destacou que o Brasil é um País com economia estável e previsível e possui uma história de vários anos de estabilidade. Na avaliação de um empresário francês, o comentário de Meirelles sobre os juros teria sido uma crítica indireta ao governador de São Paulo, José Serra.
Em entrevista recente à revista Veja, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (CE), afirmou que, caso Serra seja eleito presidente da República, ele vai alterar o nível dos juros e do câmbio. Esses comentários causaram um pouco mais de insegurança a um segmento de empresários para quem, se suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano seria "mais voluntarista" para mexer no câmbio e nos juros do que uma eventual administração de Dilma Rousseff.
O empresário que relatou a frase de Meirelles, por outro lado, não descartou que a afirmação do presidente do BC tivesse como destino o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que já fez várias críticas ao nível elevado da taxa básica de juros, a Selic, e da cotação sobrevalorizada do real ante o dólar dos EUA. Contudo, é notório o bom relacionamento público entre Mantega e Meirelles nos últimos tempos. O ministro da Fazenda chegou a ressaltar há uma semana, num evento, que, se a inflação subir e ameaçar a meta de inflação, os juros subirão.
Segundo esses dirigentes de empresas, que pediram para não ser identificados, Meirelles reiterou que o próximo presidente da República não deve mudar as bases da política macroeconômica, como a busca da inflação baixa, o regime de câmbio flutuante e o rigor fiscal. Meirelles destacou que o Brasil é um País com economia estável e previsível e possui uma história de vários anos de estabilidade. Na avaliação de um empresário francês, o comentário de Meirelles sobre os juros teria sido uma crítica indireta ao governador de São Paulo, José Serra.
Em entrevista recente à revista Veja, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (CE), afirmou que, caso Serra seja eleito presidente da República, ele vai alterar o nível dos juros e do câmbio. Esses comentários causaram um pouco mais de insegurança a um segmento de empresários para quem, se suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano seria "mais voluntarista" para mexer no câmbio e nos juros do que uma eventual administração de Dilma Rousseff.
O empresário que relatou a frase de Meirelles, por outro lado, não descartou que a afirmação do presidente do BC tivesse como destino o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que já fez várias críticas ao nível elevado da taxa básica de juros, a Selic, e da cotação sobrevalorizada do real ante o dólar dos EUA. Contudo, é notório o bom relacionamento público entre Mantega e Meirelles nos últimos tempos. O ministro da Fazenda chegou a ressaltar há uma semana, num evento, que, se a inflação subir e ameaçar a meta de inflação, os juros subirão.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Principal objetivo das mulheres ao investir é comprar e reformar imóvel
SÃO PAULO – O principal objetivo das brasileiras com investimentos de longo prazo é a compra ou reforma do imóvel, apontou uma pesquisa realizada pela Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado. A resposta foi dada por 32% das mais de 2 mil mulheres contatadas.
De acordo com os dados, 26% das brasileiras não têm um objetivo específico para o investimento de longo prazo, enquanto 9% pensam na aposentadoria, mesma proporção daquelas que pensam em usar esses recursos para ter filhos ou terminar de criá-los até a faculdade.
Outros objetivos para o investimento de longo prazo apontados pelas mulheres foram comprar um automóvel (7% das respostas), fazer uma grande viagem de lazer (6%), fazer um curso (3%) e comprar uma roupa ou acessório (1%).
Os dados mostraram que as paulistanas estão mais preocupadas em comprar e reformar o imóvel, com 38% delas que deram essa resposta, contra 27% das cariocas. O motivo é mais forte entre as brasileiras com até 30 anos, sendo que 38% apontaram este motivo para investir no longo prazo.
Parceiros
Quando o assunto é poupança e investimento, a maioria das mulheres comprometidas conversa e toma decisões junto com o parceiro. Outras 44% investem separadamente, 3% deixam o assunto nas mãos deles e 2% decidem sozinhas os investimentos do casal.
As solteiras e separadas não sofrem influências de outras pessoas, sendo que 60% e 81% delas, respectivamente, escolhem individualmente como poupar e investir.
Entre as mulheres que não têm um relacionamento estável, 37% acreditam que o parceiro teria pouca ou nenhuma influência nas suas decisões de poupança e investimento.
Gasto das mulheres
A pesquisa questionou as mulheres sobre quais os gastos evitáveis e opcionais que mais consumiam seu dinheiro e 26% delas apontaram moda (roupas, sapatos e acessórios).
Em segundo lugar, estão as saídas para bares, restaurantes e danceterias, com 20% das respostas, seguidas de casa (reforma, decoração), com 17% das respostas, e beleza (cabeleireiro, salão de beleza), com 11%.
Por faixa etária, as mulheres com até 25 anos de idade possuem os itens de moda como principal gasto, com 34% delas que deram essa resposta. Já as mulheres entre 26 e 30 anos estão divididas entre moda e saídas.
As brasileiras acima de 30 anos gastam mais com produtos e serviços para a casa, que representam 24% de seus gastos evitáveis.
De acordo com os dados, 26% das brasileiras não têm um objetivo específico para o investimento de longo prazo, enquanto 9% pensam na aposentadoria, mesma proporção daquelas que pensam em usar esses recursos para ter filhos ou terminar de criá-los até a faculdade.
Outros objetivos para o investimento de longo prazo apontados pelas mulheres foram comprar um automóvel (7% das respostas), fazer uma grande viagem de lazer (6%), fazer um curso (3%) e comprar uma roupa ou acessório (1%).
Os dados mostraram que as paulistanas estão mais preocupadas em comprar e reformar o imóvel, com 38% delas que deram essa resposta, contra 27% das cariocas. O motivo é mais forte entre as brasileiras com até 30 anos, sendo que 38% apontaram este motivo para investir no longo prazo.
Parceiros
Quando o assunto é poupança e investimento, a maioria das mulheres comprometidas conversa e toma decisões junto com o parceiro. Outras 44% investem separadamente, 3% deixam o assunto nas mãos deles e 2% decidem sozinhas os investimentos do casal.
As solteiras e separadas não sofrem influências de outras pessoas, sendo que 60% e 81% delas, respectivamente, escolhem individualmente como poupar e investir.
Entre as mulheres que não têm um relacionamento estável, 37% acreditam que o parceiro teria pouca ou nenhuma influência nas suas decisões de poupança e investimento.
Gasto das mulheres
A pesquisa questionou as mulheres sobre quais os gastos evitáveis e opcionais que mais consumiam seu dinheiro e 26% delas apontaram moda (roupas, sapatos e acessórios).
Em segundo lugar, estão as saídas para bares, restaurantes e danceterias, com 20% das respostas, seguidas de casa (reforma, decoração), com 17% das respostas, e beleza (cabeleireiro, salão de beleza), com 11%.
Por faixa etária, as mulheres com até 25 anos de idade possuem os itens de moda como principal gasto, com 34% delas que deram essa resposta. Já as mulheres entre 26 e 30 anos estão divididas entre moda e saídas.
As brasileiras acima de 30 anos gastam mais com produtos e serviços para a casa, que representam 24% de seus gastos evitáveis.
Seis visões sobre a crise da Europa
Especialistas dizem que a UE deverá ajudar os países mais endividados para evitar o pior - mas o Brasil não passará ileso.
O crescente endividamento de alguns países da Europa provocou uma crise de confiança no mercado financeiro na semana passada. Temendo um calote dos chamados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), os investidores estrangeiros fugiram da zona do euro para se refugiar no dólar e em títulos do Tesouro americano. Esse movimento gerou incertezas no cenário mundial, revelando que alguns países ainda não se recuperaram completamente da crise. Quais são as chances de termos uma nova crise econômica global? Como essa situação afetará o Brasil?
Em geral, os seis especialistas ouvidos por EXAME acreditam que a União Europeia deverá ajudar os países do bloco em dificuldade sem a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso, no entanto, os PIGS terão de cortar gastos e reduzir o déficit público - medidas que devem levar a um crescimento menor da região. Para o Brasil, a crise na Europa deve gerar turbulência nas bolsas no curto prazo e redução das exportações no médio prazo - com maior pressão sobre o dólar. A expectativa de um bom ritmo de crescimento neste ano, porém, está mantida. Leia a seguir os principais trechos dos seis depoimentos:
John Williamson, conhecido como o "pai" do Consenso de Washington: Duvido que haja uma crise, mas a alternativa também será desagradável, envolvendo vários anos de crescimento baixo e desperdício de recursos. Minha expectativa é que haja um plano de resgate, mas como um complemento e não como uma alternativa para o programa de ajuste apresentado pela Grécia e aprovado pela União Europeia. Quanto à queda do mercado de capitais, elas parecem refletir a evidência de que a Europa, principalmente os PIGS, terão um crescimento mais lento do que havia sido previamente esperado. Quando os investidores estrangeiros são atraídos para os fundos por causa de um declínio em outros lugares, eles procuram vender as ações no mercado acionário brasileiro. Essa é a razão principal pela qual os mercados de ações tendem a se mover em sincronia. Por isso, a queda recente da Bolsa de Valores de São Paulo não mostra que o mercado brasileiro era uma bolha. Esperam-se altos e baixos.
Luiz de Mello, economista sênior da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): A Comissão Europeia aprovou na semana passada o pacote grego de redução do déficit orçamentário para menos de 3% do PIB até 2012. Considerando as condições econômicas da Grécia, é um plano bastante ambicioso. Nos dias 15 de março e 15 de maio a Grécia terá de apresentar um relatório prévio sobre a implementação das medidas de resgate da estabilidade de sua economia. Por conta disso, penso que a pressão sobre os PIGS aumentará muito nas próximas semanas, fazendo com que o mundo inteiro fique de olho em uma possível crise na Europa. Caso a pressão não funcione e os problemas continuem a pipocar, acredito que o bloco terá de se posicionar antes que o Fundo Monetário Internacional (FMI) entre na jogada. A intervenção teria de ser feita até mesmo para não deixar que bancos como o Santander e o HSBC sejam punidos pelo déficit orçamentário dos PIGS. Porém, o tratado da União Europeia impede qualquer tipo de resgate das economias frágeis. Uma ajuda de outros sócios da zona do euro poderia encorajar não só políticas fiscais insustentáveis por parte dos demais países mas também questionamentos em relação à eficiência do modelo de política econômica da UE. De qualquer forma, é preciso que haja uma estratégia de consolidação dos PIGS o quanto antes. É um desafio cíclico e estrutural. Se não houver alguma ajuda efetiva, os observadores, incluindo os mercados, vão se posicionar de maneira negativa diante da Europa.
Cristiano Souza, economista do banco Santander: Acredito que a situação na zona do euro reforça nossa previsão de que o dólar deva fechar este ano valendo 1,95 real. A fraqueza da Europa deve reduzir as exportações brasileiras sem que haja o mesmo efeito sobre as exportações, agravando o déficit externo. Não acreditamos que o dólar vai dar um salto de R$ 0,50 em poucos dias como aconteceu em 2008, mas acho que vamos ter momentos de muita volatilidade no câmbio e é bem possível que a moeda americana ultrapasse a marca de 2 reais. O resgate da confiança em Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha passa por medidas fiscais firmes que sejam suficientes para convencer os investidores que haverá recursos suficientes para pagar as dívidas. Irlanda e Grécia têm déficits públicos superiores a 10% do PIB. Grécia e Itália têm dívidas maiores do que 100% do PIB. Essas economias já eram as menos dinâmicas e diversificadas da Europa. A Espanha que se sobressaiu nos últimos anos devido ao boom imobiliário, mas essa bolha estourou. Com a recessão, houve queda da arrecadação, rápida deterioração dos indicadores de solvência e, agora, uma crise de confiança. A Espanha já paga juros maiores que o Brasil para rolar sua dívida. Mas acho que, se esses países vencerem oposições internas e tomarem medidas fortes de contenção fiscal, haverá uma ajuda da União Européia. O bloco precisa evitar que haja um calote dentro da zona do euro porque isso afetaria a percepção de risco dos investidores em relação à dívida de economias sólidas, como Alemanha e França.
Gabriel Torres, analista vice-presidente sênior da Moody’s Investors Service: Vemos muito pouco risco de inadimplência real na Grécia ou em outras nações europeias. Isso se reflete em nossa classificação de risco. O impacto sobre a América Latina (ou qualquer outra região) deve ser indireto. Se a confiança dos investidores cair, os governos terão mais dificuldade de refinanciar suas dívidas. Mas esse é um risco muito pequeno na América Latina hoje. Um maior risco indireto é que este leve a um agravamento da crise nas economias da Europa, afetando a demanda mundial e redução da procura de produtos da América Latina.
Banco Barclays: Acreditamos que ainda existe uma tendência de alta nos mercados emergentes, mas essa expectativa só vai se confirmar se os problemas fiscais da Grécia não se espalharem para outros países do sul da Europa. Mas também não esperamos que as preocupações dos investidores com os déficits fiscais da região desapareçam em breve. Apesar do desempenho sofrível das bolsas na última semana, os mercados emergentes estão menos endividados e, portanto, melhor posicionados para continuarem a crescer acima da média mundial. A América Latina deve sofrer menos que a Europa Oriental com a crise no Mediterrâneo, já que a dependência entre as economias é bem menor. Mas, a recuperação das bolsas da América Latina vai depender do aumento do apetite por risco - e o momento que isso ocorrerá ainda é incerto. Por isso, é melhor ser um pouco mais cauteloso no curto prazo. Até que os investidores vislumbrem a solução para os problemas fiscais da Europa, a tendência é de que continue a haver resgates de recursos nas bolsas da região. Isso poder ser benéfico para os mercados emergentes no médio prazo, com o aumento da vantagem competitiva em relação aos países desenvolvidos. Só que nos próximos dias é provável que haja uma pressão de saída de recursos.
Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências: Os PIGS têm uma dívida bastante elevada e o risco-país está aumentando. Por isso, o horizonte de crescimento é pessimista. A meu ver, o primeiro ponto de uma retomada passa por voltar à estabilidade. Isso significa reduzir o déficit orçamentário até 3% do PIB. A Grécia tem um vencimento de dívida em abril. Se até lá a situação piorar, o país não conseguirá renegociar suas dívidas, que estão cada vez subindo mais. Em resumo, o problema dos PIGS é que o Banco Central Europeu estabelece uma única política monetária para todos os países membros do bloco. As chances são grandes de o risco-contágio dessa crise se espalhar para países do leste europeu e também para a Itália. Estimamos que o crescimento da Europa em 2010 será de 0,9% (não só na zona do euro, mas também no Reino Unido). O único país favorecido pela depreciação do euro será a Alemanha, que é um grande motor de exportação. A Alemanha pode impor uma dinâmica mais positiva para outros países europeus da região. Quanto ao Brasil, o principal efeito sentido será a aversão ao risco. O capital estrangeiro vai buscar mais segurança em títulos americanos. Outro provável efeito é a queda da demanda europeia por commotidies e produtos manufaturados brasileiros.
O crescente endividamento de alguns países da Europa provocou uma crise de confiança no mercado financeiro na semana passada. Temendo um calote dos chamados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), os investidores estrangeiros fugiram da zona do euro para se refugiar no dólar e em títulos do Tesouro americano. Esse movimento gerou incertezas no cenário mundial, revelando que alguns países ainda não se recuperaram completamente da crise. Quais são as chances de termos uma nova crise econômica global? Como essa situação afetará o Brasil?
Em geral, os seis especialistas ouvidos por EXAME acreditam que a União Europeia deverá ajudar os países do bloco em dificuldade sem a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso, no entanto, os PIGS terão de cortar gastos e reduzir o déficit público - medidas que devem levar a um crescimento menor da região. Para o Brasil, a crise na Europa deve gerar turbulência nas bolsas no curto prazo e redução das exportações no médio prazo - com maior pressão sobre o dólar. A expectativa de um bom ritmo de crescimento neste ano, porém, está mantida. Leia a seguir os principais trechos dos seis depoimentos:
John Williamson, conhecido como o "pai" do Consenso de Washington: Duvido que haja uma crise, mas a alternativa também será desagradável, envolvendo vários anos de crescimento baixo e desperdício de recursos. Minha expectativa é que haja um plano de resgate, mas como um complemento e não como uma alternativa para o programa de ajuste apresentado pela Grécia e aprovado pela União Europeia. Quanto à queda do mercado de capitais, elas parecem refletir a evidência de que a Europa, principalmente os PIGS, terão um crescimento mais lento do que havia sido previamente esperado. Quando os investidores estrangeiros são atraídos para os fundos por causa de um declínio em outros lugares, eles procuram vender as ações no mercado acionário brasileiro. Essa é a razão principal pela qual os mercados de ações tendem a se mover em sincronia. Por isso, a queda recente da Bolsa de Valores de São Paulo não mostra que o mercado brasileiro era uma bolha. Esperam-se altos e baixos.
Luiz de Mello, economista sênior da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): A Comissão Europeia aprovou na semana passada o pacote grego de redução do déficit orçamentário para menos de 3% do PIB até 2012. Considerando as condições econômicas da Grécia, é um plano bastante ambicioso. Nos dias 15 de março e 15 de maio a Grécia terá de apresentar um relatório prévio sobre a implementação das medidas de resgate da estabilidade de sua economia. Por conta disso, penso que a pressão sobre os PIGS aumentará muito nas próximas semanas, fazendo com que o mundo inteiro fique de olho em uma possível crise na Europa. Caso a pressão não funcione e os problemas continuem a pipocar, acredito que o bloco terá de se posicionar antes que o Fundo Monetário Internacional (FMI) entre na jogada. A intervenção teria de ser feita até mesmo para não deixar que bancos como o Santander e o HSBC sejam punidos pelo déficit orçamentário dos PIGS. Porém, o tratado da União Europeia impede qualquer tipo de resgate das economias frágeis. Uma ajuda de outros sócios da zona do euro poderia encorajar não só políticas fiscais insustentáveis por parte dos demais países mas também questionamentos em relação à eficiência do modelo de política econômica da UE. De qualquer forma, é preciso que haja uma estratégia de consolidação dos PIGS o quanto antes. É um desafio cíclico e estrutural. Se não houver alguma ajuda efetiva, os observadores, incluindo os mercados, vão se posicionar de maneira negativa diante da Europa.
Cristiano Souza, economista do banco Santander: Acredito que a situação na zona do euro reforça nossa previsão de que o dólar deva fechar este ano valendo 1,95 real. A fraqueza da Europa deve reduzir as exportações brasileiras sem que haja o mesmo efeito sobre as exportações, agravando o déficit externo. Não acreditamos que o dólar vai dar um salto de R$ 0,50 em poucos dias como aconteceu em 2008, mas acho que vamos ter momentos de muita volatilidade no câmbio e é bem possível que a moeda americana ultrapasse a marca de 2 reais. O resgate da confiança em Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha passa por medidas fiscais firmes que sejam suficientes para convencer os investidores que haverá recursos suficientes para pagar as dívidas. Irlanda e Grécia têm déficits públicos superiores a 10% do PIB. Grécia e Itália têm dívidas maiores do que 100% do PIB. Essas economias já eram as menos dinâmicas e diversificadas da Europa. A Espanha que se sobressaiu nos últimos anos devido ao boom imobiliário, mas essa bolha estourou. Com a recessão, houve queda da arrecadação, rápida deterioração dos indicadores de solvência e, agora, uma crise de confiança. A Espanha já paga juros maiores que o Brasil para rolar sua dívida. Mas acho que, se esses países vencerem oposições internas e tomarem medidas fortes de contenção fiscal, haverá uma ajuda da União Européia. O bloco precisa evitar que haja um calote dentro da zona do euro porque isso afetaria a percepção de risco dos investidores em relação à dívida de economias sólidas, como Alemanha e França.
Gabriel Torres, analista vice-presidente sênior da Moody’s Investors Service: Vemos muito pouco risco de inadimplência real na Grécia ou em outras nações europeias. Isso se reflete em nossa classificação de risco. O impacto sobre a América Latina (ou qualquer outra região) deve ser indireto. Se a confiança dos investidores cair, os governos terão mais dificuldade de refinanciar suas dívidas. Mas esse é um risco muito pequeno na América Latina hoje. Um maior risco indireto é que este leve a um agravamento da crise nas economias da Europa, afetando a demanda mundial e redução da procura de produtos da América Latina.
Banco Barclays: Acreditamos que ainda existe uma tendência de alta nos mercados emergentes, mas essa expectativa só vai se confirmar se os problemas fiscais da Grécia não se espalharem para outros países do sul da Europa. Mas também não esperamos que as preocupações dos investidores com os déficits fiscais da região desapareçam em breve. Apesar do desempenho sofrível das bolsas na última semana, os mercados emergentes estão menos endividados e, portanto, melhor posicionados para continuarem a crescer acima da média mundial. A América Latina deve sofrer menos que a Europa Oriental com a crise no Mediterrâneo, já que a dependência entre as economias é bem menor. Mas, a recuperação das bolsas da América Latina vai depender do aumento do apetite por risco - e o momento que isso ocorrerá ainda é incerto. Por isso, é melhor ser um pouco mais cauteloso no curto prazo. Até que os investidores vislumbrem a solução para os problemas fiscais da Europa, a tendência é de que continue a haver resgates de recursos nas bolsas da região. Isso poder ser benéfico para os mercados emergentes no médio prazo, com o aumento da vantagem competitiva em relação aos países desenvolvidos. Só que nos próximos dias é provável que haja uma pressão de saída de recursos.
Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências: Os PIGS têm uma dívida bastante elevada e o risco-país está aumentando. Por isso, o horizonte de crescimento é pessimista. A meu ver, o primeiro ponto de uma retomada passa por voltar à estabilidade. Isso significa reduzir o déficit orçamentário até 3% do PIB. A Grécia tem um vencimento de dívida em abril. Se até lá a situação piorar, o país não conseguirá renegociar suas dívidas, que estão cada vez subindo mais. Em resumo, o problema dos PIGS é que o Banco Central Europeu estabelece uma única política monetária para todos os países membros do bloco. As chances são grandes de o risco-contágio dessa crise se espalhar para países do leste europeu e também para a Itália. Estimamos que o crescimento da Europa em 2010 será de 0,9% (não só na zona do euro, mas também no Reino Unido). O único país favorecido pela depreciação do euro será a Alemanha, que é um grande motor de exportação. A Alemanha pode impor uma dinâmica mais positiva para outros países europeus da região. Quanto ao Brasil, o principal efeito sentido será a aversão ao risco. O capital estrangeiro vai buscar mais segurança em títulos americanos. Outro provável efeito é a queda da demanda europeia por commotidies e produtos manufaturados brasileiros.
"Risco Europa" já é maior que o do Brasil
São Paulo - O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus - que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil. É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, referência do mercado.
Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos. "Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal", explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, referência do mercado.
Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos. "Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal", explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
"Risco Europa" já é maior que o do Brasil
São Paulo - O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus - que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil. É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, referência do mercado.
Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos. "Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal", explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo. No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos Estados Unidos, referência do mercado.
Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos. "Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal", explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
British Telecom entra na telefonia fixa no Brasil
São Paulo - A British Telecom (BT), maior operadora de telecomunicações do Reino Unido, resolveu operar telefonia fixa no Brasil. O serviço, no entanto, será oferecido somente para grandes empresas, por meio de sua unidade BT Global Services. "Com a telefonia fixa, poderemos oferecer um pacote completo de serviços IP (sigla em inglês de protocolo de internet) no Brasil", disse Jacinto Cavestany, vice-presidente da companhia para a Ibéria e América Latina. Anteriormente, a companhia tinha de atender aos seus clientes com linhas de concorrentes como a Oi e a Telefônica.
A BT tem uma licença nacional de telefonia fixa, mas o serviço estará disponível inicialmente só em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. "Aumentaremos a cobertura de acordo com a demanda", disse Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT Brasil. A companhia possui um código de discagem de longa distância, o 47.
Em dezembro, havia 41,7 milhões de telefones fixos em serviço no País, segundo a consultoria Teleco. O mercado ainda é bastante concentrado, com 80% dos acessos nas mãos da Oi e da Telefônica. A entrada da BT nesse mercado não deve mudar muito esse quadro, por causa do foco da companhia em grandes empresas. Mas a licença torna a BT mais competitiva, pois ela deixa de depender dos rivais para oferecer linhas fixas. "Podemos melhorar nossa oferta em qualidade e preço", afirmou Gallindo.
A BT tem uma licença nacional de telefonia fixa, mas o serviço estará disponível inicialmente só em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. "Aumentaremos a cobertura de acordo com a demanda", disse Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT Brasil. A companhia possui um código de discagem de longa distância, o 47.
Em dezembro, havia 41,7 milhões de telefones fixos em serviço no País, segundo a consultoria Teleco. O mercado ainda é bastante concentrado, com 80% dos acessos nas mãos da Oi e da Telefônica. A entrada da BT nesse mercado não deve mudar muito esse quadro, por causa do foco da companhia em grandes empresas. Mas a licença torna a BT mais competitiva, pois ela deixa de depender dos rivais para oferecer linhas fixas. "Podemos melhorar nossa oferta em qualidade e preço", afirmou Gallindo.
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