quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Multinacionais transferem fábricas para o Brasil

A crise global provocou um movimento de transferência de linhas de produção ou até de fábricas inteiras do exterior para o Brasil. Cerca de 50 empresas solicitaram ao governo autorização para trazer suas máquinas para o País, revela o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Os pedidos de importação foram feitos por diversos setores como alimentos, têxtil, químico, móveis e mineração. A origem das linhas de produção também é variada: Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Alemanha, Reino Unido. Boa parte das solicitações veio dos fabricantes de autopeças - setor em que o desempenho do mercado brasileiro está muito melhor que o resto do mundo.

A Coteminas realizou uma das maiores transferências de máquinas do exterior para o País. Depois de adquirir a americana Springs, a empresa, que pertence à família do vice-presidente José Alencar, desativou nove fábricas nos Estados Unidos. As máquinas foram distribuídas pelas unidades de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Norte. A lista de empresas que estão apostando no Brasil também incluiu multinacionais como Nestlé e Motorola. A fabricante de celulares importou da unidade do México a tecnologia para fabricar em Jaguariúna (SP) equipamentos para banda larga sem fio. A Nestlé, trouxe do México uma linha completa para fabricação e envase de água mineral.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Como obter um retorno de 1% ao mês com risco baixo

A queda dos juros acabou com a farra dos investimentos com retorno alto e risco baixo; veja três opções que rendem mais que os títulos públicos.

É indiscutível que já era hora de o Brasil ter taxas de juros mais civilizadas. Entre outras benesses, a queda da Selic para um dígito vai favorecer investimentos em infraestrutura, permitir que o setor privado tenha maior acesso a crédito, incentivar os investimentos em bolsa de valores, desenvolver o mercado imobiliário e permitir ao país um maior planejamento de longo prazo.

No entanto, para os poupadores que se acostumaram a obter retornos atraentes com risco baixo em aplicações de renda fixa, a vida ficou bem mais difícil. Hoje, com a Selic em 8,75% ao ano, o rendimento dos títulos públicos pode ser considerado pífio se comparado ao de dez anos atrás. No início de 1999, em seus primeiros dias à frente do Banco Central, o ex-presidente da instituição Arminio Fraga chegou a jogar os juros para 45% ao ano como forma atravessar a crise de confiança enfrentada pelo Brasil logo após a desvalorização do real.

A primeira consequência da redução da Selic deve ser o aumento do apetite por risco. Quem é conservador e se acostumou a ganhar muito dinheiro com aplicações em títulos públicos, provavelmente terá de apostar agora em fundos mais arrojados de renda fixa ou multimercados. Abaixo o Portal EXAME explica algumas alternativas de risco baixo que ainda podem garantir um rendimento de até 1% ao mês. Pode parecer pouco, mas não é. Títulos públicos ou caderneta de poupança pagam ao investidor um retorno inferior a 0,70%.

Às alternativas:
1- Fundos multimercados "low vol": como qualquer multimercado, esses fundos podem aplicar o dinheiro do cotista em diversas classes de ativos. No entanto, os fundos "low vol" prometem ao investidor, muitas vezes em contrato, uma pequena volatilidade ao longo do mês, de no máximo 3%, por exemplo. Isso significa que o ganho ou a perda mensal dessa aplicação não pode ultrapassar esse percentual. Os fundos "low vol" oferecem baixo risco ao investidor porque a maior parte dos recursos fica investida em títulos públicos. Só uma pequena parcela é direcionada a papéis de renda variável, entre eles ações e contratos de opções. Mesmo que o gestor faça uma aposta errada em uma dessas operações, como o resto do patrimônio do fundo estará aplicada em papéis bem mais seguros, a perda será muito pequena.

Por outro lado, se uma pequena operação no mercado de opções for bem-sucedida, a valorização do contrato pode ultrapassar 500%, gerando ao cotista um ganho superior ao do investimento só em títulos públicos.

"Esse produto foi desenvolvido para o investidor que quer risco baixo. Pode ser uma pessoa física acostumada a ganhar com títulos públicos, mas que agora quer dar uma pequena turbinada na aplicação. Também pode ser um fundo de pensão que já direciona boa parte de seus recursos em renda variável e quer deixar o resto em algo levemente mais arriscado que a renda fixa", diz Jacob Weintraub, sócio-gestor da Oren Investimentos. Segundo ele, recentemente o fundo "low vol" da Oren tem conseguido entregar aos cotistas um retorno próximo a 140% do CDI, equivalente a 1% ao mês.

2 - Debêntures: são títulos de dívida privada bastante usados por empresas que querem fazer investimentos. Funcionam da mesma forma que os títulos públicos emitidos pelo governo. O Tesouro Direto, inclusive, é considerado por especialistas uma boa forma de as pessoas físicas darem seus primeiros passos no mercado de renda fixa. O movimento seguinte seria investir em debêntures, que costumam pagar um juro maior que o dos papéis do governo. Em uma emissão em julho, por exemplo, a TAM emitiu debêntures com vencimento em 2013 que pagam um rendimento de 126,5% do CDI. Não é o suficiente neste momento para atingir um retorno de 1% ao mês, mas isso deve acontecer com a provável alta dos juros no próximo ano. Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2011 negociados na BM&F já superam 10% ao ano. Para os analistas do banco britânico Barclays, o Banco Central deve começar a elevar a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) a partir de julho e projetam um juro de 10,75% em dezembro do próximo ano.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.uol.com.br/financas/como-obter-retorno-1-ao-mes-risco-baixo-501552.html

Clique no link para ver a notícia completa.

Uma arma só para grandes investidores

Tendência consolidada nos EUA, as negociações de alta frequência ganham espaço na bolsa brasileira.

Para a BM&FBovespa, os últimos dois anos não foram marcados apenas pela abertura de capital e pela fusão das duas bolsas mas também por parrudos investimentos em tecnologia. Aumento da capacidade de realização de negócios, acordos operacionais com bolsas estrangeiras e utilização de plataformas de negociação compatíveis com as das principais bolsas do mundo são temas que fizeram parte do dia a dia da área de tecnologia da BM&FBovespa. Agora a bolsa paulista começa a colher os frutos do refinamento tecnológico com as negociações realizadas por meio de ordens em alta frequência.

Essas operações - bastante comuns em bolsas dos EUA, onde representam nada menos do que a metade do volume de negócios - permitem aos investidores lucrar principalmente com operações de arbitragem de ativos. Nos mercados mais desenvolvidos, os gestores costumam fazer arbitragem com o uso de um software que dispara automaticamente ordens de compra e venda de ações ou outros ativos sempre que determinadas condições de mercado forem atingidas. Para isso, o software obedece a uma fórmula matemática desenvolvida pelos gestores.

Em um exemplo bastante didático de arbitragem, se a ação da Petrobras estiver valendo 30 reais na bolsa brasileira e 31 na Bolsa de Nova York, esse software é programado para disparar uma ordem de compra do papel no pregão paulista e revendê-lo o mais rápido possível nos EUA, ganhando 1 real por ação numa operação de baixíssimo risco. Nesse caso, a única forma de o gestor perder dinheiro é com a demora na execução das ordens. Se comprar o papel a 30 reais e revendê-lo um minuto depois quando ele tiver caído para 29,50 reais em Nova York, por exemplo, haverá um prejuízo de 0,50 reais por ação. Esse exemplo mostra que o sucesso de uma operação de arbitragem depende não apenas do desenvolvimento de uma fórmula matemática correta para identificar distorções que possam gerar lucros mas também de um sistema de negociações que suficientemente rápido no envio de ordens.

No Brasil, a Alpes Corretora deu um passo à frente das rivais no mercado de negociações de alta freqüência ao desenvolver o primeiro serviço de "colocation". Na prática, trata-se da instalação de servidores de clientes dentro do data center da BM&FBovespa. Como a internet reuniu milhões de computadores em uma única rede, pode parecer irrelevante ter um servidor dentro na bolsa - mas não é. Quando a fórmula matemática indica a hora certa para comprar um papel, a ordem sai do servidor da Alpes e chega ao da BM&FBovespa localizado a três metros de distância. O servidor da bolsa, então, realiza a operação em um processo que leva 0,007 segundos. Quem opera fora do sistema de "colocation" demora, em geral, entre 0,1 e 0,15 segundo - uma eternidade para quem deseja lucrar com operações de arbitragem. "Como a ordem que entra primeiro no sistema é executada antes, o cliente da Alpes leva vantagem para conseguir realizar o negócio", explica Mateus Cosac, diretor de negociações eletrônicas da corretora.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/financas/arma-so-grandes-investidores-501754.html

Clique no link acima para ver a notícia completa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

BB paga R$ 4,2 bilhões por metade do Banco Votorantim

O Banco do Brasil (BB) vai pagar R$ 4,2 bilhões por metade do capital total do Banco Votorantim. Em fato relevante divulgado hoje, o BB diz que fechou com a Votorantim Finanças (VF) parceria estratégica, pela qual passa a deter participação equivalente a 49,99% do capital votante e 50% do capital social total do Banco Votorantim, (BV).

O valor a ser desembolsado pelo BB, de R$ 4,2 bilhões, será pago da seguinte maneira: R$ 3 bilhões diretamente à VF e R$ 1,2 bilhão aportado no BV, mediante subscrição de ações. Para o fechamento da parceria estratégica será feita uma distribuição de dividendos ou juros sobre capital próprio à VF, de R$ 750 milhões, sendo que R$ 405,291 milhões já estão provisionados e são relativos aos resultados apurados no segundo semestre de 2008 e no primeiro semestre 2009. Haverá conversão, em ações preferenciais, de 7.412.620.267 ações ordinárias de emissão do BV, além da aquisição, pelo BB, de 33.356.791.198 ações ordinárias de emissão do BV e de propriedade da VF pelo preço de R$ 2.969.788.606,00. Também está prevista a subscrição, pelo BB, de 7.412.620.277 ações preferenciais emitidas pelo BV pelo valor de R$ 1,2 bilhão. Simultaneamente à aquisição das ações de emissão do BV, o BB vai comprar, por R$ 30,211 milhões, participação acionária de 50% do capital social total da empresa BV Participações, holding que detém a totalidade das ações de emissão das empresas BV Sistemas, CP Promotora de Vendas e Votorantim Corretora de Seguros.

O pagamento à VF será realizado por meio de depósitos em espécie, nesta data, em contas vinculadas no BV, no valor de R$ 2,160 bilhões, e no BB, no valor de R$ 840 milhões. O valor depositado na conta vinculada no BB é destinado a ajuste de preço em decorrência de eventuais contingências que venham a ser identificadas. A forma de pagamento da subscrição das ações preferenciais será em espécie, sendo que R$ 750 milhões nesta data e R$ 450 milhões em 180 dias a contar da presente data.

A consolidação dos demonstrativos contábeis e de gestão de riscos e limites operacionais será proporcional à participação do BB no capital social total do BV. Os ativos e passivos serão consolidados nas demonstrações do 3º trimestre de 2009 do BB. No entanto, os resultados serão apropriados a partir do 4º trimestre de 2009.

A governança do BV e da BV Participações será compartilhada entre a VF e o BB. O conselho de administração será paritário, com três membros indicados por cada instituição, e a presidência do conselho será alternada anualmente. Todas as decisões estratégicas serão tomadas de forma conjunta. Além disso, o BB e o BV assumiram o compromisso de reduzir em pelo menos 25% o valor máximo divulgado para a taxa de cadastro da BV Financeira, enquanto o valor efetivamente cobrado deverá ser reduzido em, no mínimo, 9,1%. Essa condição deverá ser observada até 31 de dezembro de 2012.

Mercado prevê inflação maior e juros mais altos em 2010

Revisão acontece após a divulgação do relatório de inflação do BC.Estimativa para PIB de 2009 fica em zero, mas de 2010 sobe para 4,5%.

O mercado financeiro elevou, na última semana, a sua estimativa para a inflação em 2010 e, ao mesmo tempo, também passou a prever um aumento maior na taxa básica de juros no ano que vem, segundo informações do relatório de mercado, documento divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (28) que traz as projeções dos economistas de instituições financeiras.

A revisão das estimativas do mercado financeiro acontece após a divulgação do relatório de inflação do terceiro trimestre pelo BC, ocorrida na última sexta-feira (25). No documento, a autoridade monetária prevê um aumento da inflação em 2010 e 2011, impulsionada pelos gastos públicos.

Inflação:
Segundo a pesquisa feita pelo BC com os economistas do mercado financeiro, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano caiu de 4,31% para 4,30%. Para 2010, porém, a expectativa do mercado para o IPCA subiu de 4,30% para 4,40% na semana passada.

Taxa de juros:
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o BC calibra a taxa básica de juros para atingir metas pré-determinadas. Para 2009, 2010 e 2011, a meta central é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida. Segundo o relatório focus divulgado nesta segunda-feira (28), a previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros permaneceu em 8,75% ao ano para o fim de 2009. Entretanto, para o fechamento de 2010, a expectativa dos analistas para os juros básicos subiu de 9,25% para 9,50% ao ano. Até o momento, o mercado acredita que o BC vai voltar a subir os juros de outubro do ano que vem em diante.

PIB:
O mercado financeiro manteve, na última semana, a sua projeção de crescimento zero para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O Banco Central informou na última sexta-feira (25) que a sua previsão para o crescimento do PIB foi mantida em 0,8%.

A melhora nas expectativas do mercado, que, por seis meses, acreditou em queda do PIB em 2009, acontece depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter informado que o PIB do segundo trimestre deste ano cresceu 1,9% na comparação com os três primeiros meses de 2009, o que tirou a economia brasileira da chamada "recessão técnica.

Para o Produto Interrno Bruto (PIB) de 2010, porém, a projeção do mercado financeiro subiu de 4,2% para 4,5% na última semana. Este é o mesmo número que consta na proposta de orçamento federal para o ano que vem.

Taxa de câmbio:
Na semana passada, dado que foi informado nesta segunda-feira (28), a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2009 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fim de 2010, a previsão ficou estável, também em R$ 1,80 por dólar.

Balança comercial e investimentos diretos:
Na última semana, a projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2009 subiu de US$ 25 bilhões para US$ 25,3 bilhões. Em 2008, a balança comercial teve superávit de US$ 24,7 bilhões, com forte queda de 38,2% frente ao ano de 2007, quando o resultado positivo somou US$ 40 bilhões. Para 2010, a previsão do mercado financeiro para o saldo da balança comercial ficou inalterada em US$ 18 bilhões de resultado positivo. No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado financeiro para o ingresso de 2009 ficou estável em US$ 25 bilhões na última semana. Para 2010, a projeção de entrada de investimentos no Brasil permaneceu em US$ 30 bilhões.

domingo, 27 de setembro de 2009

Bovespa se descola de economia real e pode ocultar nova bolha

A recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da economia brasileira frente a crise financeira surpreendeu analistas e economistas, mas as duas podem estar caminhando em ritmos diferentes. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do País saiu do negativo no segundo semestre mas deve ficar estável no ano, o principal índice acionário do mercado nacional já avançou 61% em 2009. De acordo com economistas, a valorização é uma aposta no futuro da economia brasileira, mas pode esconder também uma possível "bolha", com preços altos demais.

Segundo levantamento da consultoria Economatica, o Ibovespa avançou 61,1% de 31 de dezembro de 2008 até 23 de setembro deste ano. Na América Latina, a recuperação da bolsa paulista só ficou atrás da verificada no Peru, onde o índice IGVBL subiu 118,9%, e da Argentina, onde o Merval registrou alta de 87,4% - valores em moeda local. Na Europa, o FTSEurofirst 300 acumula alta de quase 21% em 2009, enquanto nos Estados Unidos as bolsas ainda não mostraram recuperação expressiva - o Dow Jones valorizou apenas 11,1% e o Standard & Poor's 17,5%.

Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP Manuel Enriquez Garcia, não há racionalidade no aumento dos preços das ações em comparação com o andamento da economia real. "Simplesmente o preço das ações está aumentando porque todo mundo acha que vai continuar aumentando. Não há uma relação forte entre o lado físico da produção e o mercado de ações. Está subindo muito rápido. Pode ser uma bolha que acabará estourando", afirmou.

Ao longo do ano, bancos e agências foram obrigados a revisar as estimativas de pontos do Ibovespa à medida que ele foi superando as expectativas. É o caso do Credit Suisse, que já elevou duas vezes a projeção para o final do ano, na última para 64 mil pontos. O Citigroup revisou a previsão de 60 mil para 65 mil pontos. Para o final do ano, uma onda de ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) ainda promete aumentar o volume de negócios na bolsa paulista.

"De fato, no contexto dos emergentes, o Brasil tem mostrado bons fundamentos. Isso tudo promoveu uma alta da bolsa até surpreendente. Agora é o momento de a gente parar um pouco e analisar. Se for o início de uma bolha, ela pode ser furada com a alta da taxa de juro. Sugiro que em vez de fazer posições, o investidor deva observar as já feitas e, se o lucro tiver bom, sair da bolsa agora", aconselhou o economista Celso Grisi, do Instituto de Pesquisas Fractal.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Itaú Unibanco vende seguradora de saúde para a Tempo

O Itaú Unibanco fará a transferência da totalidade do capital social da Unibanco Saúde Seguradora para a Tempo Participações. De acordo com o memorando de entendimentos assinado ontem, a Tempo pagará à Itaú Seguros R$ 55 milhões na data de transferência das ações da Unibanco Saúde.

O negócio prevê um adicional de R$ 45 milhões. "Em função do desempenho da operação da Unibanco Saúde nos 12 meses subsequentes, a Itaú Seguros fará jus a um pagamento adicional de até R$ 45 milhões", informa o Itaú Unibanco Holding em nota ao mercado. A operação de planos de saúde individuais "Hospitaú" não está incluída na transação.

A Tempo, que atua na prestação de serviços de assistências especializadas, planos odontológicos e serviços em saúde, ficará responsável pela administração da seguradora e gestão da carteira de seguros saúde, cabendo à Itaú Seguros distribuir os produtos no canal corretor. Conforme o comunicado, a Unibanco Saúde conta com cerca de 900 clientes corporativos e 70 mil vidas seguradas.

A documentação definitiva deve ser assinada nos próximos 90 dias, e o acordo está sendo submetido "desde já" à aprovação dos órgãos competentes, incluindo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.

G20 promete manter estímulo e melhorar regras bancárias

O G20 assumirá o posto de zelador da economia global, dando mais voz a economias emergentes como a China, e desenhará regras mais duras sobre capital de bancos até o fim de 2012, segundo o esboço do comunicado da cúpula do grupo.

No segundo dia de reuniões nesta sexta-feira, o grupo de 20 economias em desenvolvimento e emergentes prometeu manter as medidas de estímulo econômico até que a recuperação global esteja garantida.
"Vamos agir para assegurar que quando o crescimento retornar, os empregos retornem também", afirmou o esboço, obtido pela Reuters. "Vamos evitar qualquer retirada prematura dos estímulos."

O documento acrescentou que os países do G20 têm a "responsabilidade com a comunidade de assegurar a saúde geral da economia global", e prometeu tentar alcançar no ano que vem um acordo sobre a rodada de Doha de negociações de livre comércio mundial.

O grupo, responsável por 90 por cento da produção econômica mundial, também chegou a um acordo para conter os excessos da indústria financeira, que causaram a atual crise mundial, e em apertar as regras sobre quanto capital os bancos precisam ter para absorver perdas.

As novas regras para melhorar a qualidade e a quantidade do capital devem estar prontas até o fim de 2010 e serão executadas nos dois anos seguintes, segundo o comunicado.

O G20 aproximou-se de um acordo para dar mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) a países emergentes, reconhecendo a crescente importância econômica dessas nações.

Em troca, o G20 receberá o comprometimento desses países de fazerem sua parte para equilibrar a economia mundial.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Como fugir dos juros altos

Veja quais são os empréstimos mais baratos e adequados a seu perfil entre dez modalidades de crédito bastante comuns para pessoas físicas.

Em geral, quanto mais uma pessoa precisa de um empréstimo, maior serão os juros que os bancos vão cobrar por ele. Afinal, é natural que o cliente que não esteja atolado em dívidas e tenha como comprovar boa capacidade de pagamento possa ter acesso a um crédito mais barato. O que muita gente não sabe, no entanto, é que a escolha da modalidade de crédito correta para determinado objetivo e perfil de cliente pode até ter mais influência na taxa que será paga do que as garantias oferecidas pelo tomador.

O Portal EXAME analisou dez modalidades de crédito bastante comuns entre pessoas físicas. Muitas dessas linhas têm nomes e condições pouco compreensíveis para a população brasileira. A boa notícia é que mesmo quem que não tenha um emprego com carteira assinada ou que não possa comprovar renda pode conseguir um empréstimo sem aceitar pagar os juros superiores a 10% ao mês cobrados pelas empresas cartão de crédito ou financeiras.

Além disso, a queda dos juros básicos da economia brasileira (Selic) para o menor nível histórico derrubou também as taxas bancárias. Segundo a Associação Nacional de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros para a pessoa física alcançaram em agosto o menor patamar desde 1995, quando a pesquisa da associação começou a ser realizada. "As taxas de juros das operações de crédito deverão melhorar ainda mais neste segundo semestre", avalia Miguel José Ribeiro, presidente da Anefac, que cita, entre outros motivos, a queda da inadimplência motivada pela recuperação econômica.

Antes de aproveitar as taxas mais atraentes, no entanto, confira abaixo quais são as modalidades de crédito mais baratas e adequadas a seu perfil:

CRÉDITO IMOBILIÁRIO
Como funciona: é necessário fazer um cadastro nas instituições habilitadas com documentos do imóvel. A instituição verifica se o valor do empréstimo é compatível com o imóvel a ser comprado. Pagamento em parcelas fixas.
Onde obter: bancos privados, Caixa Econômica Federal, construtoras e incorporadoras.
Quem tem direito: sem restrições, basta ter o nome limpo
Finalidade: financiamento de casas, apartamentos e imóveis comerciais.
Juro mensal médio: 0,8% (varia de acordo com o valor do imóvel e do prazo de pagamento).
Vantagens: prazos longos, podendo chegar a até 30 anos.
Cuidados: pesquise parcelas e juros entre as instituições. Não comprometa mais do que 25% da renda porque o prazo de pagamento costuma ser longo.

LEASING
Como funciona: alternativa de financiamento a médio ou longo prazo. É uma espécie de aluguel, mas ao final do contrato o consumidor fica com o bem. Esse sistema é bastante usado em compras de veículos, por exemplo. O contrato de leasing estabelece que o veículo ficará em nome do banco até que todas as suas parcelas sejam quitadas. Nesse meio tempo, entretanto, o banco cede ao comprador o direito de utilizar o veículo. O pagamento é feito por meio de um número determinado de prestações mensais.
Onde obter: concessionárias e bancos (para o caso de outros bens).
Finalidade: utilizado, principalmente, para aquisição de automóveis.
Quem tem direito: sem restrições, basta ter o nome limpo.
Juro mensal médio: 2%.
Vantagens: Não há incidência de IOF.
Cuidados: Pode ser cobrada a Taxa de Abertura de Crédito (TAC), taxa de cadastro e seguro do bem. Há também multa com juros no caso de inadimplência e não há rescisão unilateral de contrato.

CRÉDITO CONSIGNADO
Como funciona: as prestações são descontadas diretamente do salário e das pensões recebidas do INSS. A margem consignável, que é o valor máximo da renda a ser comprometida, não pode ultrapassar 30% do valor da aposentadoria ou pensão recebida pelo beneficiário. É dividida em 20% da renda para empréstimos consignados e 10% exclusivamente para o cartão de crédito, com prazo de até 60 meses.
Onde obter: bancos e financeiras.
Quem tem direito: aposentados, pensionistas, funcionários públicos e trabalhadores com carteira assinada de empresas que têm convênios com bancos.
Finalidade: utilizada para aquisição de bens em geral ou para quitar dívidas com cheque especial e cartões de crédito. É comum que o beneficiário faça empréstimo para alguém da família que está com nome sujo.
Juro mensal médio: 2,5%.
Vantagens: baixa taxa de juros, não há consulta ao SPC, não é permitida a cobrança da (TAC)Cuidados: pesquise taxas de juros.


Notícia Retirada do Site: http://portalexame.abril.com.br/financas/como-fugir-juros-altos-500279.html

Clique no link para ver a notícia completa.

Fundo soberano chinês estuda compra de títulos brasileiros

O grau de investimento atribuído ao Brasil pela Moody's, agência de classificação de risco, já começa a render frutos ao Brasil. De acordo com o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, os investidores estrangeiros começam a ser mais atraídos ao país.

Segundo Valle, o fundo soberano de investimentos chinês está interessado em comprar títulos de dívida emitidos pelo governo brasileiro no mercado local. Para negociar as propostas, Valle esteve nesta terça-feira (22) reunido com funcionários do China Investment Corporation (CIC) no fórum de investimentos China-América Latina em Pequim.

"Tivemos apenas um primeiro contato. Mas acredito que há uma possibilidade de ampliarmos nossas relações com o fundo soberano da China", afirmou à agência Dow Jones.

De olho nos bônus:
Valle conta que nenhum acordo foi firmado até o momento, mas o fundo soberano está particularmente interessado na compra de bônus atrelados à inflação denominados em real.

O secretário destaca que o Brasil não vai restringir investimentos dos fundos soberanos, já que esses investidores ajudam a aumentar a liquidez no mercado local.

A procura chinesa por papéis brasileiros, como diz Valle, é resultado da melhoria da avaliação de crédito do Brasil, que também tem atraído outros investidores internacionais.

Ao conceder o título de grau de investimento para os bônus brasileiros em moedas local e estrangeira na última terça-feira (22), a Moody's se alinhou a outras duas agências de classificação de risco que já haviam concedido o rating ao país no ano passado.

Fundo soberano chinês:
Com a crise financeira internacional, o CIC perdeu dinheiro com financeiras como Blackstone e Morgan Stanley, decidindo, assim, redefinir suas estratégias de investimento.

Na terça-feira (22), o fundo, cujos ativos chegam a US$ 297,5 bilhões, anunciou a compra de 15% de participação na Noble Group, fornecedor mundial de commodities. O acordo prevê a venda de US$ 850 milhões em novas e já existentes ações, incluindo 135 milhões de ativos pertencentes ao chefe-executivo da Noble Richard Elman.Além disso, o fundo negocia ainda a compra de 2,3% na incorporadora imobiliária Poly Investments.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Moody's atribui grau de investimento para a economia brasileira

Decisão da empresa de risco de crédito saiu nesta terça-feira (22).Outras grandes agências internacionais já haviam dado a nota ao país.

A agência internacional de classificação de risco Moody's atribiu nesta terça-feira (22) o grau de investimento à economia brasileira. Era a última agência internacional que faltava dar tal reconhecimento ao país. Standard & Poor's e Fitch já haviam atribuído a nota ao Brasil no ano passado.

O grau de investimento, na prática, é uma recomendação para que os investidores coloquem mais recursos no país. A avaliação feita pelas agências considera as condições fiscais (das contas públicas) e as contas externas, além do marco regulatório e condições políticas, entre outros fatores.

A nota subiu de "Ba1" para "Baa3", primeiro estágio do grau de investimento, com perspectiva positiva para futuras revisões. A elevação já havia sido antecipada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no mês passado. Ele afirmou, no fim de agosto, que a nova classificação da economia brasileira sairia em setembro.

Em julho, a própria agência Moody's afirma afirmado que o Brasil já estava apto para receber a primeira concessão da nota de investimento desde o início da crise financeira internacional, no ano passado.

Comentários:
"A elevação reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil", segundo comunicado assinado por Mauro Leos, executivo da Moody's para a América Latina.

Para a agência, o Brasil exibe "evidências de robusta flexibilidade econômica e financeira". Segundo a nota da empresa, o país passou por uma recessão relativamente curta, que pouco afetou suas reservas, e também mostrou apenas uma deterioração moderada em indicadores como dívida do governo.

Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB em 2009 e que haja alguma deterioração sobre os anos anteriores, Leos avalia que o desempenho geral do Brasil provou ser melhor do que a maioria dos países classificados como grau de investimento na categoria "Baa".

'Vencedor'
"Estas características sugerem que o Brasil é um “vencedor” se comparado aos outros países globalmente integrados classificados pela Moody’s", informa o texto, lembrando que, mesmo durante da crise, houve "ausência de estresse financeiro no sistema bancário".

“A notável melhora apresentada na estrutura de dívida do governo foi um fator importante para a elevação do rating,” diz o comunicado. “Menores riscos de crédito soberano foram um resultado direto de uma exposição reduzida aos riscos de taxas de juros e cambio no balanço do governo.”

Repercussão:
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou nesta terça, em São Paulo, que a concessão de grau de investimento da agência Moody's mostrou "a força do país". Ele lembrou que, além de conceder uma nova nota à economia brasileira, a empresa também colocou o rating do país em perspectiva positiva. Meirelles afirmou que é "raro uma agência fazer os dois movimentos", lembrando que a Moody's é considerada "conservadora" pelo mercado.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mais fundos de pensão poderão investir no Brasil depois que a Moody's elevou o país para grau de investimento. "Isso é o reconhecimento da boa gestão da economia brasileira", afirmou Mantega a jornalistas ao sair de uma reunião com analistas da agência, em Nova York.

O Tesouro Nacional também comentou, em nota, o anúncio da Moody's. O órgão observa que "a notável melhora apresentada na estrutura de dívida do governo" foi um dos fatores relacionados pela Moody's para fazer o upgrade do Brasil. A agência levou em conta também o "excepcional desempenho" do país durante a crise, diz o Tesouro.

O dragão vai às compras

Com mais de 2 trilhões de dólares em reservas, a China aproveita as pechinchas do pós-crise para adquirir grandes empresas ao redor do mundo. O que está por trás disso.

Num mundo que começa a vislumbrar o início do fim da crise global, despontam os primeiros vencedores, países e empresas que saem fortalecidos da catástrofe financeira dos últimos meses. Entre eles está a China, com seu crescimento de 8,5% do PIB previsto para 2009, uma cultura ancestral de poupança e descomunais reservas de 2 trilhões de dólares. O que fazer com todos esses recursos num momento em que há tantos países fragilizados? "Bem, que tal comprar?" -- foi a pergunta feita pelos burocratas de Pequim. E, como quase sempre acontece com as decisões tomadas por lá, nesse caso, a execução do plano começou rapidamente.

Os chineses foram às compras, arrematando participações em empresas internacionais de setores que vão do petróleo às bebidas alcoólicas. No início de setembro, a segunda maior montadora da China, a Beijing Automotive Industry China (Baic), anunciou a aquisição de uma parcela minoritária da montadora sueca Koenigsegg. Os detalhes do acordo não foram revelados, mas, segundo o The Wall Street Journal, o valor a ser pago pela Baic pode chegar a 425 milhões de dólares. Até o fechamento desta edição, duas outras montadoras ocidentais caminhavam para os braços do capital chinês.

A sueca Volvo, atualmente controlada pela Ford, vem sendo assediada pela Geely Automotive, quinta maior fabricante de veículos da China. E a GM chegou a um acordo preliminar de venda de sua divisão Hummer, responsável pelo desenvolvimento da série de jipões militares adaptados para uso urbano, para a Sichuan Tengzhong, fabricante chinesa de equipamentos pesados para o setor da construção civil. A expectativa é que o negócio seja fechado nas próximas semanas, por um valor próximo a 500 milhões de dólares.


O avanço da China na indústria automobilística global por meio de aquisições faz parte de uma estratégia maior de expansão pelo mundo dos negócios. Os líderes do PC chinês descobriram há muito tempo que o poder político depende em grande medida do poder econômico e que a aliança com empresas e marcas de prestígio pode ser um poderoso atalho para o aumento de sua influência global. A queda no valor de algumas dessas empresas apenas acelerou o processo. Desde o início da crise, as companhias chinesas fizeram quase 50 tentativas de aquisição ao redor do mundo. Desse total, 24 acordos foram concretizados, totalizando um investimento de 17 bilhões de dólares. As ofertas em fase de negociação, como as compras da Hummer e da Volvo, envolvem outros 18 bilhões de dólares. Para ter uma ideia da dimensão do avanço, o total de aquisições no exterior realizadas pelas empresas chinesas em 2002 foi de 140 milhões de dólares.

Por causa da profusão de investimentos em infraestrutura e da grandeza da escala de produção do país, os chineses sempre tiveram especial interesse em mineradoras, siderúrgicas e petrolíferas, como ficou evidente com a compra da Addax Petroleum, empresa inglesa que explora o petróleo da costa do Iraque, tem ações na bolsa de Londres e pela qual a estatal do petróleo Sinopec pagou 7,3 bilhões de dólares em junho. Foi a maior aquisição já realizada por uma companhia chinesa na história. Na mesma linha, ocorreram as recentes compras da australiana Oz Minerals, da refinaria americana Marathon e da Singapore Petroleum, de Singapura.

No mês passado, a PetroChina -- empresa mais valiosa do mundo, única avaliada em mais de 1 trilhão de dólares -- realizou o maior investimento já feito pela China no Canadá ao pagar 1,7 bilhão de dólares por uma parcela de 60% de dois projetos de extração de petróleo nas areias betuminosas da região de Alberta, no centro-oeste do país, a maior reserva de petróleo do planeta fora do Oriente Médio.

Empresas de commodities são alvos óbvios. A China precisa desesperadamente de matéria-prima para sustentar seu ritmo de crescimento -- e depende da produção de outros países para garantir seu suprimento. Mas, recentemente, o exótico capitalismo chinês se voltou para companhias de bens de consumo, algumas delas donas de marcas reconhecidas globalmente.

"Desta vez os alvos dos chineses foram diversificados, não só em sua localização mas principalmente em seus setores de atividade", afirmou a EXAME Tarun Khana, professor da Harvard Business School e autor do livro Bilhões de Empreendedores, sobre o futuro da economia chinesa. Em julho, o grupo de investimento China Investment Corp pagou 400 milhões de dólares por 1,1% das ações da inglesa Diageo, destilaria dona da vodca Smirnoff, do uísque Johnny Walker e da cerveja Guinness. A Diageo acaba de entrar na China com produtos que não enfrentam concorrência num dos mercados que mais crescem no mundo. No caso da Hummer e da Volvo, que está para ser arrematada pela Geely por "apenas" 2 bilhões de dólares, o objetivo é outro. O interesse chinês é comprar mais do que o negócio -- é adquirir, com ele, a tecnologia e uma marca estabelecida que ajude a abrir portas em mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa. Num setor como o automotivo, uma empresa chinesa sem histórico levaria anos (senão décadas) para conseguir o status de qualidade forjado por uma Volvo.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0952/mundo/dragao-vai-compras-498404.html

Clique no link para ver a notícia completa

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Marfrig deve comprar 51% do Grupo Zenda, do Uruguai

A Marfrig Alimentos pretende adquirir 51% do Grupo Zenda, empresa uruguaia do setor de couros, pelo valor de US$ 49,5 milhões. O compromisso assinado é para aquisição inicial dessa fatia, mas também prevê a transferência das ações remanescentes de acordo com o desempenho operacional do negócio, como explica a Marfrig, em nota ao mercado.

O Banco do Brasil assessorou a operação. De acordo com o informe, o Grupo Zenda, com sede no Uruguai, tem capacidade diária de produção de até 7 mil couros acabados e cortados e possui unidades na África do Sul, na Alemanha, na Argentina, no Chile, na China, nos Estados Unidos, em Hong Kong e no México. A Marfrig espera obter "benefícios significativos" de sinergias pela expansão de capacidade e valor adicionado às suas operações com couro bovino no Uruguai e na Argentina. O Grupo Zenda, que faturou em 2008 aproximadamente US$ 177 milhões, fornece produtos para a indústria automobilística (BMW, Audi, Ford, Peugeot, VW, Porsche, Citröen, Nissan e Mitsubishi) e de aviação (Hawker Beechcraft, LAN, Aerolineas Argentinas e Pluna).

A Marfrig informa que "a diretoria e os corpos técnico, operacional e comercial do Grupo Zenda permanecerão na empresa nesta associação". Parceria A Marfrig e o Grupo Martins (Martins Comércio e Serviços de Distribuição S/A, Smart Varejos e Banco Triângulo) firmaram em 18 de setembro um protocolo de intenções para criar uma parceria comercial pelo período de cinco anos. A ideia, segundo fato relevante da Marfrig, é buscar ganhos comuns nos canais de distribuição e logística dos dois grupos para atender seus clientes de varejo (restaurantes, açougues e supermercados), podendo ser prorrogado por igual período.

O objetivo é ampliar a distribuição e a penetração dos produtos da Marfrig e do Grupo Martins. A Marfrig também comunicou que firmou protocolo de intenções com os Frigoríficos Margen e Mercosul para o arrendamento de 11 unidades frigoríficas que, juntas, possuem capacidade de abate de 8,8 mil cabeças de gado por dia e de uma indústria de charquearia com produção de 1.700 toneladas de produtos industrializados por mês. As unidades arrendadas estão localizadas nos estados de Goiás, Pará, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. A conclusão dos arrendamentos está condicionada a autorizações legais. Emissão de ações A Marfrig também informou que seu conselho de administração aprovou, ontem, uma oferta primária de ações. A operação, que será realizada no Brasil, com esforços de colocação no exterior, tem como coordenador líder o Bradesco BBI.

A oferta tem possibilidade de lote suplementar de 15% e adicional de 20%. Na mesma reunião, a empresa aprovou um aumento de capital de até 232,056 milhões de ações ordinárias, o que ampliaria seu capital social para 500 milhões de ações.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eike não desiste da Vale e negocia agora com a Previ compra de ações

Mesmo depois de receber uma resposta negativa do Bradesco sobre sua proposta de compra das ações da Vale em posse da Bradespar, o empresário Eike Batista continua tentando ser sócio controlador da mineradora.Segundo apurou o jornal Valor Econômico, Eike está negociando a compra de ações da Vale em posse da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Como maior controlador da Valepar, que controla por sua vez a Vale, a Previ torna-se a peça-chave nas estratégias do empresário para entrar na companhia.

Planos de Eike:

Conforme o jornal, o empresário está disposto a adquirir 25% da fatia do fundo de pensão, conseguindo, assim, o direito de vetoA Previ é a única atualmente que tem esse direito na Valepar, já que os outros acionistas possuem menos do que 25% cada.Dividindo o capital votante da Valepar com a Previ estão a Bradespar (21,1%), a trading japonesa Mitsui (18,5%), a BNDESPar (12,5%) e o Eletron - Oportunity (0,029%).Tanto apetite por parte do empresário se dá pelo potencial que ele vê na mineradora e pelos planos que começa a traçar. Para Eike, a Vale irá dobrar seu valor de mercado em cinco anos, que atualmente chega a R$ 200 bilhões.Além disso, o empresário acredita que um acordo com a ALL permitiria à empresa ter uma rede ferroviária nacional integrada no país. Outra ideia é fortalecer o braço de petróleo da Vale com a OGX (empresa de petróleo e gás da EBX).

Organograma:

Pensando de forma isolada, a Previ participa indiretamente com 23,51% do capital votante e 14,71% do capital total da Vale. Mas, o emaranhado em que isso se encontra é bem mais complexo.Atualmente a Previ controla as ações da Valepar através da Litel, empresa de que também fazem parte outros três fundos de pensão: Funcef, Petros e Funcesp.

A Previ detém 81,15% do controle da Litel, restando 18,85% para os outros fundos.No caso da Valepar, a Litel possui 48,79% no seu capital votante, enquanto um outro veículo chamado Litel A detém 4,68% do controle da Valepar. Juntos, os dois veículos somam 53,47%. Porém, segundo acordos firmados, os acionistas não podem deter mais de 49% da Valepar, o que fez a Previ criar o Litel A para abrigar as ações excedentes sob a forma de preferenciais. Assim, a Litel vota apenas com 48,79% do controle.Contudo, segundo o próprio acordo, quando voltadas ao mercado, essas ações voltam a ser ordinárias.Além disso, os outros fundos de pensão participantes da Litel não podem vender suas parcelas sem o consentimento da Previ.

Argumentos:

Um dos argumentos para convencer a Previ de vender sua fatia na Valepar é o desenquadramento do fundo de pensão nas regras da SPC (Secretaria de Previdência Complementar).Segundo a entidade reguladora, os fundos de pensão podem ter no máximo 50% de seus investimentos em renda variável, enquanto a Previ tem atualmente 60%. Assim, foi definido que até 2014 o fundo teria que se enquadrar na legislação, o que dá margem para Eike Batista negociar as ações da Valepar.Mesmo se conseguir um acordo da Previ, Eike terá que passar pela aprovação do governo, o que pode não ser tão fácil.Para assessorá-lo nas negociações com a Previ, Eike contratou os bancos Santander, Itaú, Credit Suisse e BTG.

Um comitê contra Agnelli

A campanha publicitária colocada no ar recentemente ressaltando os investimentos feitos pela Vale no país e os empregos que serão criados pela companhia foi a forma encontrada pelo presidente da empresa, Roger Agnelli, para tentar se manter no cargo. Agnelli tornou-se alvo de um pesado ataque orquestrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que queria tirá-lo do comando da maior mineradora do país. No fim de agosto, Lula criou um comitê formado por ministros e ex-ministros de seu governo com bom trânsito entre empresas e fundos de pensão com a missão de convencer o Bradesco a vender sua participação na mineradora e encontrar um comprador. O objetivo principal de Lula era sacar Agnelli da presidência da empresa. Lula se refere ao executivo como traidor. Diz que Agnelli se aproximou do governo quando quis ajuda no processo de internacionalização da Vale e posou de amigo pessoal do presidente da República, promovendo encontros entre suas famílias e até um jantar em seu apartamento. Mas na hora de retribuir, teria virado as costas.

A mágoa de Lula vem do fim do ano passado. O presidente avalia que no pior momento do atual governo, provocado pela crise internacional, Agnelli demitiu mais de 1 300 funcionários, criando uma onda de más notícias para o governo. Em uma postura pouco recomendada a um chefe de nação em relação a uma empresa privada, Lula reclamou por não ter sido ouvido e também por Agnelli não ter buscado uma saída menos danosa, como negociar licenças parcialmente remuneradas. Mais recentemente, Lula se revoltou com notícias de que a Vale importaria navios em vez de encomendá-los a estaleiros brasileiros. Depois de algumas reuniões entre altas figuras do Planalto com o comando do Bradesco, os ânimos parecem ter sido acalmados. As dificuldades em convencer o banco a sair da Vale e o esforço da companhia em mostrar que voltou a investir no país, fizeram o presidente rever seus planos. Mas ele continua dizendo aos mais próximos que gostaria de ver Agnelli longe do comando da empresa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De olho na China, JBS e Marfrig compram empresas de frango

Tradicionais frigoríficos de carne bovina compram Pilgrim's e Seara para ter uma porta de entrada ao maior mercado de frango do mundo.

Maior facilidade de acesso ao mercado chinês, oportunidade de atrelar a imagem a um produto com apelo mais sustentável e saudável e diluição de riscos. Estas são algumas das principais vantagens que as produtoras de frango Pilgrim´s e a Seara devem trazer a seus novos donos: o JBS-Friboi e o Marfrig, respectivamente. Segundo analistas ouvidos pelo Portal EXAME, a carne de frango - cujo ingresso na China continental começou neste ano - deve funcionar como uma espécie de "passaporte" para as demais proteínas brasileiras ingressarem no mercado asiático.

A China vai ultrapassar os Estados Unidos neste ano e se tornar o maior consumidor de frango do mundo. O Brasil ainda não é um grande exportador de frango para o país asiático. As exportações brasileiras são direcionadas principalmente para a Europa e o Oriente Médio. No entanto, a Fator acredita que o Brasil tem potencial para se tornar o maior fornecedor de frango para a China no futuro. As recentes disputas comerciais entre China e Estados Unidos podem ajudar o Brasil. Os EUA são hoje o maior fornecedor chinês, mas Pequim já tem colocado barreiras às importações por conta das divergências entre os países.

Embora os chineses ocupem a vice-liderança em produção mundial, o gigante asiático possui um déficit de oferta. A recente decisão da China de habilitar 24 estabelecimentos brasileiros para exportar frango congelado significa, na prática, uma oportunidade de embarques de até 1 milhão de toneladas por ano. "Embora o Marfrig tenha operações na área de aves, a Seara já integra a lista dos estabelecimentos credenciados a exportar frango congelado e alguns cortes (asa, pé, coxa e sobrecoxa) para a China", afirma a analista da Scot Consultoria, Lygia Pimentel. Na avaliação do analista da XP Investimentos, William Alves, ao lado da Seara, o Marfrig se torna uma nova Perdigão, ao ocupar a vice-liderança em aves e suínos, além de fortalecer sua marca no mercado doméstico.

Para os analistas da Scot e XP Investimentos, a produção de frangos é também uma oportunidade para redesenhar a imagem do JBS e do Marfrig, que ficou arranhada com as denúncias de utilização de gado criado em áreas desmatadas e que levou grandes redes varejistas que atuam no Brasil a pedir a suspensão dos contratos de fornecimento.O "apelo verde" do produto está relacionado ao fato de que a criação de frangos ocupa menos espaço, consome menos energia e emite menor teor de gás carbônico. Isso sem contar que a carne de frango é vendida como mais saudável por ser menos calórica. Há também a questão sanitária. Diferentemente dos bovinos e suínos, as aves não estão sujeitas à contaminação pelo vírus da febre aftosa, o que reduz o risco de eventuais embargos sanitários em caso de ocorrência da doença.

Segundo a Brascan, as aquisições de negócios de frango ajudam no processo de diversificação de receitas e reduzem os riscos do negócio das empresas. Opinião que é compartilhada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Gianetti da Fonseca. "Além de diluir os riscos, a diversificação adotada pelos frigoríficos brasileiros é uma decisão acertada, uma vez traz ganhos de sinergia em logística, comercialização e distribuição para as carnes nacionais de modo em geral." Para Gianetti, passada a crise, as exportadoras de carne brasileira têm grandes oportunidades pela frente. "É importante lembrar que a fome não entra em recessão."

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Francisco Turra, diz que o surgimento dos "conglomerados brasileiros de proteína animal" é algo que beneficia toda a cadeia de carnes e o país como um todo. "A união de empresas como essas criam gigantes que são importantes na conquista de novos mercados. Isso porque companhias com esse porte têm capacidade para processar ou fazer parceiras com empresas locais, o que garante a manutenção dos empregos dos novos consumidores que queremos conquistar."


Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/negocios/ - Clique no link para ver a notícia completa.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

JBS acerta compra de Bertin e Pilgrim's

O JBS, maior processador de carne bovina do mundo, anunciou dois negócios que vão transformar a cara do setor de carnes. A empresa vai comprar o rival brasileiro Bertin e a gigante americana Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de carne de frango dos Estados Unidos, com faturamento de 8,5 bilhões de dólares.


A Pilgrim's, foi avaliada em 2,8 bilhões de dólares. O JBS inicialmente comprará 64% da empresa e pagará em dinheiro e ações. O restante permanecerá com os atuais acionistas do Pilgrim's.

Com sede em Pittsburgh, no Texas, a Pilgrim's emprega 41.000 funcionários e possui 33 plantas de processamento nos Estados Unidos, três no México e uma em Porto Rico. Tem capacidade instalada para processar 4,1 milhões de toneladas de frango por ano e faturou 8,5 bilhões de dólares no ano passado.

A Pilgrim's encontra-se atualmente sob processo de recuperação judicial, também conhecido como concordata. A operação faz parte do plano de recuperação submetido ao Tribunal Falimentar do Distrito Norte do Texas. Além da Justiça, o negócio também depende da aprovação das autoridades de defesa da concorrência dos EUA.

A JBS. afirma que a aquisição contará com linhas de crédito de 1,5 bilhão de dólares para financiar a dívida da Pilgrim's. A expectativa é de que a compra seja concluída até dezembro.
Já os donos do Bertin, se tornarão grandes acionistas do JBS. O dois negócios contarão com o apoio do governo brasileiro, via BNDES.

Para a entrada do Bertin. no capital do JBS, será criada uma "Nova Holding". Os acionistas controladores da JBS vão contribuir com a totalidade de suas ações e os donos do Bertin vão repassar 73,1% do capital da empresa após a conclusão do negócio, os acionistas do JBS terão 60% da holding e os do Bertin, 40%.

Além de depender da aprovação das autoridades de defesa da concorrência do Brasil, esse negócio também só será fechado após a conclusão de uma emissão de ações da subsidiária americana do JBS, o JBS USA. A empresa diz que está em processo avançado de negociação para uma capitalização de 2,5 bilhões de dólares. A capitalização é necessária para não provocar um forte endividamento do JBS.

Capital estrangeiro pode ter até 20% de participação no Banco do Brasil

O governo voltou a aumentar a fatia de capital do Banco do Brasil que pode estar em poder de investidores estrangeiros. De acordo com fato relevante divulgado pela instituição, um decreto presidencial elevou o limite de 12,5% para 20% das ações.

Decreto presidencial também abriu caminho para o BB fazer sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse, na sigla em inglês), pois autorizou, pela primeira vez, a emissão de American Depositary Receipts (ADRs, recibos lastreados em ações) pela instituição.

A medida está relacionada ao processo de inclusão total do BB no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para isso, o banco estatal precisa ampliar o volume de capital em poder de acionistas minoritários.

A instituição já realizou duas ofertas secundárias de ações, uma em 2006 e outra no final de 2007, com o intuito de se enquadrar na exigência de free-float (ações em poder do mercado) mínimo de 25%.Tomando como referência a base acionária atual do BB, 21,71% do capital já está em poder do mercado (11,1% nas mãos de estrangeiros).

A União é a controladora do capital do banco, com 65,6%. A Previ - fundo de pensão dos funcionários - tem 10,2% e a BNDESPar, 2,5%.Com a retirada desses dois entraves cresce a chance de o Banco do Brasil fazer uma nova oferta de ações para se adequar às exigências do Novo Mercado. O prazo inicial para adequação era junho de 2009.

EBX, de Eike Batista, planeja construir um estaleiro em Santa Catarina

O grupo EBX, do bilionário Eike Batista apresentou nesta terça-feira à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) seu projeto de construção de um estaleiro no município de Biguaçu. O valor estimado para a obra é de cerca de 1 bilhão de dólares. A companhia também assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado que estabelece uma parceria para viabilizar a instalação do empreendimento.

De acordo com a empresa, o projeto, que se iniciou em 2008, está previsto para funcionar até o fim de 2011. Porém, as obras devem começar já em 2010.

A EBX atua nos segmentos de mineração, imóveis e energia, entre outros. No entanto, é a nova empresa do grupo, a OSX, que vai operar o estaleiro.

"O empreendimento da OSX ajudará a dar impulso ao setor naval brasileiro, que esteve praticamente paralisado nas últimas décadas", afirmou a EBX em nota divulgada ao mercado.
Do ponto de vista da geração de empregos, a previsão inicial da companhia é de que cerca de quatro mil postos de trabalho diretos sejam criados, além de empregos indiretos e oportunidades que serão geradas durante sua fase de construção.

Detalhes do empreendimento:
Segundo a companhia, a área a ser ocupada por ele será de 1,6 milhão de metros quadrados e a tecnologia utilizada será de última geração com o objetivo de suprir as demandas da indústria petrolífera.

A estimativa prevista referente à necessidade do mercado doméstico petrolífero é de uma produção equivalente a 50 bilhões de dólares em equipamentos para exploração e produção em poucos anos.

Localização:
A facilidade logística e marítima, a capacidade de mão de obra local, a proximidade à região metropolitana de Florianópolis e os programas de incentivo do governo catarinense foram razões importantes para a escolha da região, segundo informou o grupo.
Atualmente, o empreendimento está em fase de estudos técnicos que irão embasar o processo de licenciamento ambiental.

JBS já encosta na Vale em faturamento

Com compras do Bertin e da Pilgrim's, frigorífico se aproxima de algo que era impensável: tirar da Vale o posto de maior empresa privada do Brasil.

A compra do Bertin e da Pilgrim's Pride deve fazer com que o faturamento do JBS-Friboi chegue próximo ao da Vale. Maior frigorífico de carne bovina do mundo, o JBSS faturou 35,9 bilhões entre julho de 2008 e junho de 2009. Se for somado o faturamento do Bertinn, (7,5 bilhões de reais no ano passado) e do Pilgrim's (15,3 bilhões de reais em 2008), a receita total do JBS, subiria para 58,7 bilhões de reais. Já a Vale obteve faturamento de 61,6 bilhões de reais nos últimos 12 meses, menor apenas que o da estatal Petrobras.

Dessa forma, o JBS. ficou bem próximo de algo que até então parecia impensável para qualquer outra empresa do país: tirar da Vale o posto de maior companhia privada brasileira. Em terceiro lugar no ranking das maiores empresas viria a Gerdau, com 35,2 bilhões de reais em faturamento.

A Vale, entretanto, continuaria a ser uma empresa muito mais saudável e valorizada no mercado. O lucro da mineradora é bem maior, justificado pelas margens do setor de mineração, que superam largamente as do segmento de carnes. No segundo trimestre, por exemplo, o lucro líquido obtido pela Vale foi de mais de 1 bilhão de reais, enquanto o da JBS ficou em 172,7 milhões de reais. Além disso, a JBS tem contra si o fato de que de possuir um endividamento maior e por ser formada pela aquisição de empresas em dificuldades financeiras.

A gigante americana Pilgrim's, por exemplo, encontra-se atualmente sob processo de recuperação judicial, também conhecido como concordata. A operação faz parte do plano de recuperação submetido ao Tribunal Falimentar do Distrito Norte do Texas. A Bertin vem de um ano de perdas e, após um período de aquisições, também está bastante endividada. Para obter lucro, serão necessárias mudanças nas gestões das duas empresas compradas.
O negócio.

O JBS anunciou, nesta quarta-feira (16), que vai comprar o rival brasileiro Bertin e a gigante Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de carne de frango dos Estados Unidos, com faturamento de 8,5 bilhões de dólares. A Pilgrim's foi avaliada em 2,8 bilhões de dólares. O JBS inicialmente comprará 64% da empresa. O restante permanecerá com os atuais acionistas do Pilgrim's.A JBS afirma que a aquisição contará com linhas de crédito de 1,5 bilhão de dólares para financiar a dívida da Pilgrim's. A expectativa é de que a compra seja concluída até dezembro. Já os donos do Bertin, se tornarão grandes acionistas do JBS. O dois negócios contarão com o apoio do governo brasileiro, via BNDES.

Para a entrada do Bertin no capital do JBS, será criada uma "Nova Holding". Os acionistas controladores da JBS vão contribuir com a totalidade de suas ações e os donos do Bertin vão repassar 73,1% do capital da empresa após a conclusão do negócio, os acionistas do JBS terão 60% da holding e os do Bertin, 40%.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

É difícil ter um porto no Brasil !

A Triunfo é a única empresa que conseguiu construir um porto privado para transporte de cargas de terceiros no país - mas terá de vencer pressões trabalhistas, regulatórias e até políticas para expandi-lo.

Os portos são um dos grandes gargalos para o crescimento da economia brasileira. O governo federal é responsável pela operação de 18 dos 35 portos marítimos existentes no país e, de forma geral, isso é feito de maneira cara e ineficiente. Os portos públicos não dispõem de tecnologia suficiente para carregar e descarregar grandes navios com rapidez. Devido à baixa profundidade da água nos acessos aos terminais, a maioria dos portos também impõe limites de carga para reduzir o peso das embarcações que atracam - o que eleva os custos logísticos. Além disso, apesar do extenso litoral, poucas empresas exploram a navegação de cabotagem, que tem potencial para reduzir o custo econômico e ambiental do transporte de cargas por meio de rodovias.

Ciente de que precisa aumentar a eficiência dos portos brasileiros, o governo federal colocou 16 portos públicos sob concessão da iniciativa privada nos últimos anos. Boa parte desses portos fez investimentos que trouxeram ganhos de eficiência para os armadores. No entanto, o governo também estabeleceu regras muito rígidas para que a iniciativa privada construísse seus próprios portos no país. Boa parte dessas regras virou lei por pressão das atuais concessionárias de portos públicos, que até hoje têm de conviver com custos herdados dos tempos de administração estatal. Ao invés de o governo reduzir esses custos tanto para os portos públicos quando para os portos privados que viessem a ser construídos, decidiu impor restrições aos dois tipos de terminais.

O resultado das amarras legais é que o Porto de Navegantes (Portonave), em Santa Catarina, é o único terminal marítimo do Brasil construído apenas com dinheiro da iniciativa privada e que serve para a movimentação de cargas próprias e de terceiros. Não que faltem empresas interessadas em investir nesse setor. Gigantes como a Odebrecht ou bilionários como Eike Batista possuem grandes projetos em logística portuária. O problema é que a atual legislação do setor impõe tantas restrições a essa atividade que fica difícil tirar do papel até mesmo projetos que gerariam excelentes margens de lucro. Até mesmo o Portonave, que está em operação desde 2007, enfrenta dificuldades para expandir a movimentação de contêineres por pressões trabalhistas, regulatórias e políticas.

Disputa em SCO Portonave é controlado pela Triunfo Participações em sociedade com a italiana MSC. As duas empresas investiram 500 milhões de reais na construção do porto, por onde é exportada boa parte da produção de alguns dos maiores frigoríficos do Brasil, como Perdigão, Seara e Doux Frangosul. O porto tem capacidade para movimentar 55 mil TEUs (contêineres de 20 pés) por mês. Com a destruição de mais da metade do porto de Itajaí (SC) durante as enchentes em Santa Catarina no ano passado, os exportadores tiveram que buscar alternativas eficientes para o embarque das cargas na região. Por estar localizado bem em frente ao porto de Itajaí, o Portonave apareceu como a solução natural para essas empresas. Inicialmente a substituição não foi possível porque, além de destruir mais da metade das instalações do porto de Itajaí, a enchente reduziu o calado do rio Itajaí-Açu de 11,5 para 6,5 metros. Dessa forma, os navios foram impedidos de embarcar ou desembarcar uma grande quantidade de carga no Portonave e a maior parte das operações foi desviada para Paranaguá, no Paraná. No entanto, com as obras emergenciais de dragagem, o calado do rio já voltou a ser superior a 10 metros e, a partir do próximo ano, a expectativa é de que a profundidade seja ampliada para 14 metros.

Quando a obra for concluída, a Portonave espera aumentar sua capacidade de movimentação mensal de contêineres de 55 mil para 80 mil, o que exigiria a ampliação do quadro de funcionários de 600 para 900. A empresa até já deu início a um processo para a contratação de cem novos empregados. Mas foi aí que o porto descobriu que, além de ser difícil de construir um porto privado no Brasil, também não é fácil expandi-lo. A ideia inicial era contratar os estivadores que devem permanecer parados em Itajaí enquanto não forem concluídas as obras de restauração do porto.

Para evitar um conflito com os sindicatos ou com o Ministério Público, a Portonave solicitou ao órgão gestor de mão-de-obra (Ogmo) do porto de Itajaí a indicação de uma lista de 160 candidatos às novas vagas - ao invés de contratá-los diretamente. Em vez disso, o Ogmo só apontou oito candidatos - e nenhum deles teve interesse em ir até o final do processo de seleção. Por trás das desistências não está a perspectiva de rápido conserto do porto de Itajaí ou o nascimento de uma fonte de renda mais abundante para os estivadores da região. Os trabalhadores portuários, na verdade, responsabilizam a Portonave pela queda dos salários no porto de Itajaí - e decidiram boicotar sua ampliação.

Pressão políticaA campanha contrária à Portonave conta com o apoio da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que deve ser candidata ao governo de Santa Catarina em 2010. A senadora constantemente se posiciona contrariamente aos interesses da Portonave em questões trabalhistas ou tributárias. Procurada, a senadora negou que tenha adotado um discurso favorável aos trabalhadores para conquistar a simpatia do eleitor de Itajaí. Segundo ela, o problema é que as regras não são as mesmas para os portos públicos e privados, o que gera vantagens indevidas. "A Portonave usa esse apelido de terminal privativo para descumprir regras", diz.
O presidente da Triunfo Participações lembra que, apesar de a Portonave ter alguns custos menores do que as concessionárias de portos públicos, as despesas financeiras da sua operação são bem maiores. Para a construção do porto, os sócios do empreendimento tomaram um empréstimos de 180 milhões de dólares junto à americana GE Capital. O porto desembolsa cerca de 6 milhões de reais por mês para pagar os juros e o principal dessa dívida. Como a dívida tem um prazo de pagamento de oito anos, boa parte da geração de caixa do porto continuará comprometida Pressão políticaA campanha contrária à Portonave conta com o apoio da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que deve ser candidata ao governo de Santa Catarina em 2010. A senadora constantemente se posiciona contrariamente aos interesses da Portonave em questões trabalhistas ou tributárias. Procurada, a senadora negou que tenha adotado um discurso favorável aos trabalhadores para conquistar a simpatia do eleitor de Itajaí. Segundo ela, o problema é que as regras não são as mesmas para os portos públicos e privados, o que gera vantagens indevidas. "A Portonave usa esse apelido de terminal privativo para descumprir regras", diz.

O presidente da Triunfo Participações lembra que, apesar de a Portonave ter alguns custos menores do que as concessionárias de portos públicos, as despesas financeiras da sua operação são bem maiores. Para a construção do porto, os sócios do empreendimento tomaram um empréstimos de 180 milhões de dólares junto à americana GE Capital. O porto desembolsa cerca de 6 milhões de reais por mês para pagar os juros e o principal dessa dívida. Como a dívida tem um prazo de pagamento de oito anos, boa parte da geração de caixa do porto continuará comprometida com esses desembolsos financeiros por muito tempo.com esses desembolsos financeiros por muito tempo.

Com Seara, Marfrig ganha porte para concorrer com Brasil Foods

Capacidade de abate de suínos e aves do Marfrig tem forte crescimento.
A concretização da aquisição da Seara pelo Marfrig é um importante passo para posicionar o frigorífico como principal concorrente da Brasil Foods (ex-Perdigão). O Marfrig anunciou na noite de segunda-feira a compra da Seara por 900 milhões de dólares, a serem pagos em dinheiro e com a transferência de dívidas. O negócio aumentou sensivelmente a capacidade do Marfrig de abater suínos e aves, um mercado ainda dominado pela empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão. "Ainda existe uma distância razoável, mas certamente o Marfrig se consolida como o segundo no mercado e ganha musculatura para competir", diz Rafael Cintra, da corretora Link Investimentos.

O aumento da capacidade do Marfrig com a operação chega a 70% no processamento diário de aves e a mais de 135% no de suínos. Após a integração da produção, o frigorífico será capaz de processar diariamente mais de 21.000 cabeças de bovinos, cerca de 2,9 milhões de aves e aproximadamente 10.400 cabeças de suínos, segundo a Link. Em 2008, somados, os abates de bovinos e suínos de Sadia, e Perdigão chegava a 39,3 mil cabeças por dia.

A operação reforça a presença do frigorífico no mercado de alimentos, diversificando seu portfólio de produtos. Segundo analistas da corretora Brascan, a aquisição foi positiva do ponto de vista estratégico. "A entrada da Seara no portfólio de produtos industrializados da empresa é outro ponto positivo, dada sua importância nos mercados brasileiro e internacional", explica o relatório da Brascan.

Os negócios da Seara, que geram faturamento líquido da ordem de 1,7 bilhão de dólares, deverão ser integrados às demais divisões do grupo Marfrig, levando a um incremento de cerca de 30% na receita que a Brascan havia estimado para o frigorífico em 2009 (10,8 bilhões de reais).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Para Barclays, alta das bolsas não é bolha

Banco espera continuidade da alta nas bolsas de países emergentes e destacam desempenho do Brasil e da China.

O tópico do momento, na visão de muitos participantes do mercado, parece ser o medo crescente de que o rali nas bolsas em todo o mundo esteja passando do limite, o que inevitavelmente levaria à explosão da bolha das ações nos próximos meses. Se por um lado houve uma melhora significativa nos fundamentos da economia global neste ano, principalmente com o fim do temor de quebra de grandes instituições financeiras, por outro lado muitos analistas atribuem ao excesso de liquidez nos países emergentes o atual preço das ações nos países emergentes, que estão muito além do que poderia ser justificado por uma análise fundamentalista dos resultados financeiros das empresas. Entretanto, para os analistas do banco britânico Barclays, a preocupação, embora não possa ser totalmente descartada, ainda é prematura e há possibilidade de ganhos adicionais em países como China e Brasil.

Em relatório intitulado "Rali nos Mercados Emergentes: Tendência de Alta, e não uma Bolha", os analistas explicam que a recuperação da economia e dos mercados foi sustentada, dentre outros fatores, por uma enxurrada de liquidez no sistema financeiro, em grande parte provida pelos governos. O excesso de liquidez, combinado ao momento vivido pelo mercado atualmente poderia resultar em instabilidade, mas "ainda não estamos próximos de ultrapassar o limite", diz o relatório do Barclays. O principal argumento é justamente o fato de que o desempenho dos mercados ainda parece razoável e os preços teriam que subir muito para que as autoridades monetárias considerassem uma intervenção. "Em suma, as coisas teriam que ficar muito melhores antes de piorarem".

Embora a recuperação dos mercados emergentes tenha sido reconhecidamente abrupta se comparada à dos mercados mais desenvolvidos, é possível notar que ainda não se chegou perto do nível pré-crise, principalmente na América Latina e na Ásia. Na visão do Barclays, portanto, é nos mercados emergentes que se encontram as maiores oportunidades para bons investimentos em ações e a tendência é que os recursos continuem migrando na direção destas regiões enquanto a economia global se recupera.

Exemplo asiático Fundamentada nos dados econômicos divulgados pela China em agosto, a expectativa dos analistas é a de um "crescimento robusto" até o fim do ano e em 2010. Os sinais dados pelo país indicam um crescimento dos investimentos privados e dos gastos dos consumidores, este último, o pilar da recuperação sustentável da economia chinesa. A previsão do Barclays é de um crescimento de mais de 8,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do país no terceiro trimestre de 2009, chegando a 11% no último trimestre, ambas em comparação com os períodos equivalentes em 2008. A projeção para o crescimento do PIB em 2009 é de 8,3% e 9,6% em 2010.

A China apresentou um crescimento significativo do consumo privado em agosto. As vendas no varejo aumentaram 15,4% na comparação com os números do mesmo mês em 2008. Os destaques foram os setores automobilístico e de produtos para a casa - impulsionado pelo momento efervescente do mercado imobiliário.


O Barclays estima ainda uma retomada no crescimento das exportações do país, após uma fase de desempenho muito abaixo do esperado no primeiro semestre do ano. Para os próximos três meses, a previsão é de um aumento em torno de 16%, contra os 9% observados de maio a julho.

"Pequenos soluços"A perspectiva de um forte crescimento para o Brasil nos próximos meses e em 2010 tem dado ao país uma vantagem sobre os demais países latino-americanos, uma vez que ele pode se beneficiar da capacidade de conduzir sua política fiscal de forma flexível, sem que isso acarrete em futuras restrições. Os analistas estimam que o país irá desfrutar de grande credibilidade no mercado mundial, embora "não seja possível descartar pequenos 'soluços' nos anúncios sobre a área fiscal".

O crescimento econômico combinado com uma baixa taxa de juros reais dá o pano de fundo ideal para que o país mantenha uma tendência de baixa da dívida pública em relação ao PIB ao mesmo tempo em que permite ao governo aumentar as despesas. Na opinião dos analistas, enquanto houver crescimento, ele compensará os "pequenos pecados ficais" que os governos locais possam cometer. Este cenário é de fato providencial, já que as eleições presidenciais se aproximam, aumentando a probabilidade de resultados fiscais negativos nos próximos meses.

Petrobras encontra óleo em mais um poço no pré-sal da bacia de Santos

A Petrobras informou nesta segunda-feira que comprovou a ocorrência de mais uma jazida de óleo e gás nos reservatórios do pré-sal do bloco BM-S-9, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos.

Segundo a estatal, trata-se do quarto poço perfurado no bloco BM-S-9, "todos com comprovação de existência de hidrocarbonetos".

A descoberta ocorreu em um poço denominado informalmente de Abaré Oeste, a cerca de 290 quilômetros da costa do Estado de São Paulo, em lâmina d'água de 2.163 metros.

O bloco BM-S-9 é composto por duas áreas de avaliação: Guará e Carioca, conforme a Petrobras.
A estatal é a operadora do consórcio, com 45% de participação. O BG Group detém 30% e a Repsol os 25% restantes.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Emissões de debêntures disparam no Brasil

A queda da taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história do País, as perspectivas positivas para a economia e o medo do chamado risco cambial estão provocando uma drástica mudança no sistema de financiamento das empresas brasileiras. A consequência mais visível desse movimento é a disparada de quase 100% no volume de emissões de debêntures no mercado interno - de R$ 6,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2008 para R$ 12,9 bilhões no mesmo intervalo deste ano.

"No passado, muitas empresas acionavam os mercados externos em razão do tamanho da operação, dos prazos e das taxas (mais atraentes do que no Brasil). Hoje, elas conseguem fechar uma operação em reais com boas condições", afirma Sérgio Clemente, diretor executivo do Bradesco Corporate. "O mercado local ficou mais competitivo com a queda da Selic", emenda o vice-presidente da Associação Brasileira dos Bancos de Investimento (Anbid), Alberto Kiraly.
José Olympio Pereira, diretor do banco de investimentos do Credit Suisse no Brasil, lembra que o investidor brasileiro também está mais interessado em papéis emitidos por empresas, por causa da rentabilidade superior à dos títulos públicos. "Esse mercado poderia se desenvolver ainda mais se o governo adotasse um regime tributário que isentasse as operações de longo prazo de Imposto de Renda, como nos anos 90."

A CCR, administradora de 1.571 quilômetros de rodovias distribuídos por São Paulo, Rio e Paraná, é uma das empresas que recorreram recentemente ao mercado interno. Em junho, emitiu quase R$ 600 milhões em debêntures. A primeira série, de R$ 448 milhões, teve prazo de três anos, com custo de 112% do CDI (juro de referência do mercado financeiro). A segunda, de R$ 150 milhões, custou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 7,5% ao ano, com cinco anos de prazo.

Bovespa tem a 4ª melhor recuperação do G20 desde a crise

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve, desde o início da crise financeira internacional, o quarto melhor desempenho entre os países do G20.

Na última sexta-feira, o índice de referência da Bolsa brasileira estava 8,4% acima do patamar verificado em 12 de setembro do ano passado, último dia útil antes da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, anunciada no dia 15 de setembro de 2008 (fato que pode ser considerado o estopim da crise).

O levantamento mostra, também, que as Bolsas de oito dos países do G20 já se recuperaram da crise, ou seja, estão em patamar superior ao verificado um ano atrás. A China lidera a recuperação, com seu indicador de ações 43,9% acima do nível visto um dia antes do colapso do Lehman Brothers. Em segundo lugar aparece a Indonésia, com alta de 27,5%, e, em terceiro, a Índia, com aumento de 9,7%. A lanterna do ranking das Bolsas de Valores do G20 ficou com a Arábia Saudita, onde o principal índice de ações está 29,7% abaixo do verificado um ano atrás.

Os Estados Unidos, país que desencadeou a crise financeira, estão em antepenúltimo da lista. O índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, está 15,9% inferior ao verificado em 12 de setembro de 2008. Entre os países emergentes do G20, apenas a Argentina, o México, a Rússia e a Arábia Saudita estão com suas Bolsas no vermelho. Já entre os desenvolvidos, só o Japão está no azul.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

EUA precisam reduzir o déficit público, diz Nobel

O professor de Columbia e vencedor do Prêmio Nobel da Economia em 2006, Edmundo Phelps, acredita que manter o déficit americano na atual trajetória de crescimento é como "montar em um tigre". Se o governo não reduzir o déficit, os investidores vão perder a confiança na economia americana e podem procurar outro lugar para colocar seu dinheiro. Por outro lado, se decidir imprimir dinheiro para arcar com o déficit, havera o retorno da inflação.

Em que recessão é diferente das outras?
Phelps- Houve outras recessões piores no ponto de vista social. Nos anos 70, tivemos duas recessões coladas uma na outra, e as consequências foram drásticas. A inflação era altissima, e houve revoltas socias. Do ponto de vista da queda do PIB, essa também não é a pior. Talvez o que faça essa crise tão especial é o fato que ela nos pegou de surpresa. Nunca tinhamos tido tantos problemas no setor financeiro, e não sabiamos quais seriam as consequências daquilo. As projeções foram as mais variadas.

O senhor disse que vai demorar 15 anos para o país recuperar a riqueza que perdeu nos ultimos dezoito meses. Por quê?
Phelps- A essência do meu raciocinio é a seguinte. Do pico atá agora, a riqueza das pessoas no mercado imobiliario e nas bolsas caiu a metade. Quanto tempo vai demorar até essa riqueza dobrar, e voltar ao pico? Se a recuperação for de 6% ao ano, e essa é uma projeção otimista, levaria 12 anos para dobrar. Então esse processo pode levar de 10 a 15 anos.

Quais serão as consequências boas?
Phelps- Uma das principais delas é dificilmente voltaremos a ter um indice de desemprego na casa de 5% como antes da crise. Mesmo após a recessão passar o desemprego baiar dos cerca de 10% atuais, ele não voltara ao patamar anterior.

Passada a pior fase da crise, qual sua maior preocupação?
Uma das minhas maiores preocupações é a situação das contas públicas. Estamos montando num tigre. Se o deficit orçamentario continuar nessa trajetória por muito tempo, os investidores vão perder a confiança na economia americana e podem procurar outro lugar para colocar seu dinheiro. Isso pode levar os juros para cima, o valor dos ativos para baixo, o dólar ficaria fraco. Nossos piores medos podem se tornar verdade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Multiplan detalha oferta de até R$ 850 milhões em ações

A administradora de shopping centers Multiplan apresentou mais detalhes de sua oferta primária de ações, que poderá render mais de R$ 850 milhões para o caixa da companhia.

Esses recursos serão destinados à construção e desenvolvimento de novos shoppings (70%), expansão dos atuais (10%) e incorporação de novos empreendimentos imobiliários comerciais e residenciais (20%).De acordo com o prospecto preliminar, serão ofertadas inicialmente 26 milhões de ações ordinárias.

Dependendo da demanda, poderão ser colocados, também, lotes suplementar e adicional de 15% e 20%, respectivamente. Tomando como base o preço do papel, hoje, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), de R$ 24,39, a distribuição pode chegar a R$ 856 milhões. A venda dos papéis está sob coordenação do UBS Pactual, Credit Suisse e Morgan Stranley.

Os atuais acionistas tem preferência na compra de novas ações. Para determinar o limite de subscrição proporcional de cada acionista a companhia verificará as posições em duas datas, 16 de setembro e 24 de setembro. Os investidores estrangeiros também podem participar da oferta prioritária.

Atendidos os atuais acionistas e desde que sobrem ações, o investidor de varejo faz seu pedido de reserva entre os dias 24 e 28 de setembro, com valor mínimo de investimento de R$ 3 mil. Ainda de acordo com cronograma estimado da oferta, o preço das ações será fixado dia 29 e os novos papéis começam a ser negociados dia 1º de outubro, sob o código MULT3 no Novo Mercado da Bovespa. A companhia, que tem em seu portfólio o Morumbi Shopping e o Barra Shopping, chegou à Bovespa em agosto de 2007, levantando R$ 286 milhões com a venda de 20.480.600 ações a R$ 14 cada.

Eike Batista negocia adquirir fatia do Bradesco na Vale

O empresário Eike Batista negocia uma oferta pela Bradespar, braço de participações do Banco Bradesco, uma iniciativa que lhe daria acesso ao grupo que controla a Vale.

Batista visitou o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lazaro Brandão para lhe entregar proposta de compra da Bradespar. A Bradespar tem 17,5% do controle da Valepar, controladora da Vale. O negócio poderia superar 9 bilhões de reias.

Os outros sócios na Valepar são Litel (de fundos de pensão liderados pela Previ) com 58%, BNDESPAR com 9,5% e o grupo japônes Mitsui, com 15%

As ações que já superaram a crise global

Passado quase um ano desde a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, grande parte das ações negociadas diariamente na Bovespa já recuperou as perdas com a crise financeira global. Segundo dados da Economática, mais de 100 papéis valem atualmente mais que em 12 de setembro de 2008, véspera da quebra do Lehman.

Algumas delas acumularam forte valorização, como é o caso das ações da LLX Logística, do empresário Eike Batista, e da Nossa Caixa, que dobraram de valor no período. Em ambos os casos, a alta foi impulsionada por aquisições. A Nossa Caixa foi comprada em novembro do ano passado pelo Banco do Brasil, que pagou 5,4 bilhões de reais pelo banco paulista. Já a LLX contratou em abril desse ano um assessor financeiro para avaliar a venda de parte da empresa para um investidor estratégico. Desde então, as ações da companhia dispararam mais de 250%.

E, pelos cálculos da corretora Brascan, vão continuar subindo. A instituição estima um potencial de alta de 46% para os papéis da empresa, que poderiam chegar a 8,01 reais. Além da possível venda de parte da companhia, a Brascan destaca a competência da direção da LLX e sua moderna infraestrutura portuária como diferenciais competitivos.

Outra empresa de Eike Batista, a OGX Petróleo, também conferiu aos investidores ganhos polpudos. Desde o início da crise, os acionistas viram suas ações subirem 90%. E, para a corretora Itaú, os ganhos não devem parar por aí. Dias atrás, a instituição elevou sua projeção para as ações da companhia de 1.319 reais para 1.479 reais - o que representa um potencial de alta de 45%. Em entrevista à repórter Giuliana Napolitano, Wayne Kozun, vice-presidente do fundo de pensão canadense Ontario Teachers Pension Plan, um dos 15 maiores fundos de pensão do mundo, disse preferir investir na OGX de Eike Batista que na Petrobras. Kozun justificou sua escolha ao afirmar que o compromisso da empresa privada é com o acionista, enquanto a estatal pode ser usada para fazer política social.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

BRF prevê fechar 2009 com dívida bruta de R$ 8 bi

A Brasil Foods (BRF), resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, deverá encerrar o ano com uma dívida bruta de R$ 8 bilhões, o que poderá representar uma redução de 47% em relação à dívida bruta conjunta das duas empresas em meados de março. A estimativa é do diretor financeiro da BRF, Leopoldo Saboya.

"Como a gente está pagando as dívidas de curto prazo, vai diminuindo o dinheiro em caixa, mas vai diminuindo a dívida também. Dá para dizer que a tendência até o final do ano é ter algo como R$ 8 bilhões de dívida bruta. A líquida é muito menor do que isso", afirmou Saboya, que participou hoje do seminário Desafios do Novo Mercado, promovido pela BM&F Bovespa, num hotel da zona sul do Rio. De acordo com o executivo, a BRF já concluiu todo o processo de incorporação de ações, após ter realizado um aumento de capital de R$ 2,3 bilhões. "O processo superou nossas expectativas em relação a funding", afirmou.

"É um orgulho passar por toda essa fase de reestruturação societária de forma que consideramos bem sucedida", declarou. Saboya explicou que toda a parte de incorporação de ações já acabou. "Todas as ações da Sadia já estão dentro da Brasil Foods. As ações (Sadia e Perdigão) migraram para uma só corporação", disse Saboya. O executivo não soube estimar um prazo para a análise da negociação pelas autoridades de defesa da concorrência. Ele lembrou que o processo está sob análise na Secretaria de Direito Econômico (SDE) e Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), para depois ser encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

"Na área financeira já existe uma deliberação do próprio Cade que a gestão da dívida, o equacionamento da situação financeira da Sadia é feito de forma conjunta. Todos os demais aspectos são separados", afirmou Saboya. Segundo ele, a sinergia entre as duas empresas só poderá ser realizada após o pronunciamento do Cade. Ele disse ainda que "fusões e aquisições vão continuar na trajetória da Brasil Foods".

União pode comprar ações da Petrobras

A União não descarta a possibilidade de realizar compras diretas de ações da Petrobras nas bolsas de São Paulo e Nova York dentro do objetivo de elevar sua participação na estatal, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira.
"É uma meta e um desejo do governo fazer isso (elevar participação). Comprar diretamente na bolsa é uma possibilidade, a capitalização é outra", afirmou Lobão, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o ministro, o desejo do governo é retomar uma posição que o Estado teve na petroleira no passado.

No governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a União vendeu cerca de 30 por cento do papéis que detinha na estatal, o que fez com que sua participação no capital total da companhia caísse para cerca de 32 por cento, embora mantenha o controle por deter mais de 55 por cento das ações com direito a voto (ordinárias).

Lobão afirmou ainda que se dependesse dele, do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff, a União "iria além dos 50 por cento das ações totais".

Com o projeto de capitalização da companhia, o governo poderá iniciar seu aumento na participação, caso nem todos os acionistas minoritários sigam o aumento do capital.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Petrobras teve maior lucro da América Latina no 2º trimestre

A Petrobras registrou, no segundo trimestre de 2009, o maior lucro entre as empresas da América Latina com ações negociadas em bolsa, segundo levantamento da consultoria Economatica. De abril a junho, a estatal teve lucro líquido de US$ 3,96 bilhões.

O valor é mais do dobro do registrado no mesmo período pela mexicana America Móvil. A segunda no ranking lucrou US$ 1,7 bilhão nos mesmos meses.

Da terceira à nona posição do ranking, todas as empresas são brasileiras, com destaque para os bancos: Itaú Unibanco (com lucro de US$ 1,3 bilhão), Banco do Brasil (US$ 1,2 bilhão) e Bradesco (US$ 1,17 bilhão).

Incluindo empresas dos Estados Unidos, a Petrobras é a única brasileira a aparecer no ranking dos dez maiores lucros no segundo trimestre. A estatal teve lucro menor apenas que o obtido pelo Citigroup, de US$ 4,29 bilhões.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

VCP e Aracruz formam maior empresa do mundo em celulose

A Fibria, empresa resultante da incorporação da Aracruz pela VCP, nasce oficialmente nesta terça-feira como líder global no mercado de celulose e receita líquida anual estimada em R$ 6 bilhões, considerando-se os resultados das empresas em 12 meses até junho.


A companhia, apresentada nesta terça-feira aos investidores, tem capacidade produtiva superior a 6 milhões de t de celulose e papel por ano.


Projetos de expansão que já foram anunciados nos últimos anos e acabaram suspensos por conta da crise internacional deverão ser executados "de acordo com as condições de mercado", segundo material de apresentação. Isso deverá expandir a capacidade de produção da Fibria em até 6,7 milhões de t adicionais de celulose.


A presidência da Fibria ficará a cargo de Carlos Aguiar, executivo originário da Aracruz, e José Luciano Penido, executivo da VCP, assume a presidência do conselho de administração. A Fibria mantém em R$ 4,5 bilhões previsão inicial de sinergias a serem geradas pela fusão da Aracruz com a VCP.


"Os negócios de papel seguem na estratégia, porque ele mitiga o risco em mercados cíclicos, como o de celulose", afirmou o diretor da área de papel, estratégia e suprimento, Marcelo Castelli.
Em evento para o lançamento da marca e do nome Fibria, o diretor comercial da companhia, João Felipe Carsalade, disse que alguns mercados na Europa têm mostrado sinais de melhora mais consistente da demanda, mas ainda insuficientes para se falar em novo reajuste de preços.

"Vamos esperar o final do verão no Hemisfério Norte para ter mais clareza sobre os movimentos futuros", comentou. No ano, as produtoras de celulose já anunciaram quatro aumentos de preço. "Os ajustes de preços têm buscado recuperar a paridade das moedas", explicou.

A dívida líquida da empresa, que será reestruturada segundo seus executivos, estava em R$ 13,4 bilhões ao final do segundo trimestre. De acordo com o diretor de Tesouraria e Relações com Investidores da Fibria, Marcos Grodetzky, a empresa está empenhada em perseguir a classificação grau de investimento junto às agências de rating, nota que Aracruz e VCP perderam com a piora de seus indicadores financeiros.


"Temos um leque de alternativas para melhorar nossos indicadores. Em breve a empresa dará claramente demonstrações disso para o mercado", afirmou Grodetzky, sem dar detalhes.
Às 13h22, as ações da VCP cediam 1,19%, a R$ 29,06, e as da Aracruz exibiam desvalorização de 1,52%, a R$ 3,90. O Ibovespa apontava baixa de 1,1%.