sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Plano de investimento da Petrobras destrói valor, diz Fator

Valor projetado para as ações só será maior que o atual se estatal conseguir renegociar contratos ou se o petróleo subir, segundo a corretora
| 26.02.2009 | 09h26

Portal EXAME -
Após dispararem com a descoberta de grandes reservas de petróleo no pré-sal, as ações da Petrobras podem fazer o caminho inverso nos próximos anos, enquanto a estatal implanta os investimentos programados até 2013. O plano da estatal para o período de 2009 a 2013 envolve desembolsos de 174,4 bilhões de dólares, 55% superior ao previsto entre 2008 e 2012. Segundo a corretora Fator, a maioria dos projetos é de longa maturação, e o atual fluxo de caixa da companhia vai financiar a expansão. "com base em nossas premissas, o plano de investimentos proposto destrói valor para o acionista", afirma relatório do Fator assinado pelos analistas Lika Takahashi, Rodrigo Blanco Fernandes e Hering Shen.

Os analistas estimam que o preço-alvo das ações preferenciais da companhia (PETR4, sem direito a voto) é de 24,61 reais por ação para dezembro deste ano. Isso representa um potencial de queda de 6,43% em relação aos 26,30 reais com que os papéis encerraram o pregão de 19 de fevereiro - a referência do relatório. Apesar da perspectiva de queda, a corretora continua a recomendar a manutenção dos papéis na carteira de investimentos.

Eletropaulo ganha ação na Justiça e ações têm forte alta

Companhia contabilizará em seus resultados do quarto trimestre um ganho extra de R$ 194 milhões
| 26.02.2009 | 16h27

Portal EXAME -
Os investidores correram para comprar os papéis da Eletropaulo (ELPL6) após a companhia comunicar ao mercado que venceu uma ação na Justiça que lhe renderá um ganho extra de 194 milhões de reais, líquido de impostos, a ser contabilizado já no balanço do quarto trimestre de 2008. Às 15h52, os papéis da empresa subiam 4,22%, para 29,11 reais, e lideravam o ranking das maiores altas do Ibovespa no dia.

A decisão favorável do Superior Tribunal Federal (STF) à Eletropaulo diz respeito a uma disputa contra o Governo Federal em relação ao aumento da alíquota de contribuição ao Fundo de Investimento Social (Finsocial) entre os anos de 1989 e 1992.

O Finsocial foi criado em 1982 com o objetivo de dar apoio financeiro a programas sociais relacionados a alimentação, habitação popular, saúde, educação, justiça e amparo ao pequeno agricultor. O aumento da alíquota, de 0,5% para 2%, foi considerada inconstitucional pelo STF, o que fez com que a Eletropaulo impetrasse uma ação judicial contra o Governo Federal em agosto de 1994. O processo foi se arrastando desde então, até que em dezembro do ano passado o STF negou o recurso apresentado pelo Governo Federal, que não apresentou um novo recurso. Dessa forma, foi considerada a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da Terceira Região, proferida em 2006 e favorável à Eletropaulo.

Essa é apenas uma das muitas diputas judiciais envolvendo a Eletropaulo. A corretora Socopa alerta para uma ação contra a Transmissão Paulista e a Eletrobrás, cujo valor pode passar de 1 bilhão de reais, sendo grandes as chances de derrota por parte da Eletropaulo.

Petrobras notifica ANP sobre descoberta de petróleo e gás na costa brasileira

A Petrobras informou à ANP (Agência Nacional do Petróleo) uma nova descoberta de indícios de hidrocarbonetos.De acordo com o site da agência, foram encontrados em terra vestígios de petróleo e gás no bloco POT-T-748, situado na bacia de Potiguar, que abrange os estados do Rio Grande do Norte e Ceará.
No dia 9 de fevereiro, a empresa notificou três descobertas de indícios de hidrocarbonetos na costa brasileira.

PIB dos Estados Unidos recua 6,2% no quarto trimestre de 2008

A economia norte-americana recuou 6,2% no quarto trimestre de 2008, de acordo com dados anualizados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Esta é a medição preliminar para o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA e marca a pior performance desde 1982.

A contração da economia dos EUA no período ficou acima das expectativas de mercado, que esperavam queda de 5,4% na atividade. Vale destacar que a medição anterior apontara retração de 3,8%.Já o deflator do PIB, que mede basicamente o custo de uma cesta de bens na economia norte-americana, registrou um avanço de 0,5%, contrariando as projeções de -0,1%. O resultado ficou em linha com o anterior.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aracruz entra com ação contra ex-diretor financeiro

Por 25 de Fevereiro de 2009 | 17:08

A Aracruz Celulose entrou com ação na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro contra seu ex-diretor financeiro, Isaac Zagury. No processo, distribuído na última sexta-feira (dia 20), a empresa cobra indenização por danos morais. A Aracruz já havia manifestado a decisão de processar Zagury no final de novembro do ano passado, dois meses após o afastamento do ex-diretor, por causa de um prejuízo de US$ 2,1 bilhões resultantes de perdas causadas pela alta do dólar no mercado de derivativos cambiais.

A decisão de processar Zagury foi aprovada em assembleia de acionistas sob a alegação de que o executivo teria desrespeitado os limites estabelecidos pela empresa nesse tipo de operação, de US$ 1 bilhão. Na época, Zagury convocou a imprensa para dizer que tinha sido transformado em "bode expiatório". O ex-diretor admitiu também que tinha entrado em depressão após a demissão e chegou a ser internado em um hospital.

Procurado pela Agência Estado, o executivo não foi localizado. Em meados de novembro, a Aracruz Celulose informou ter chegado a um acordo com bancos credores representando mais de 80% da dívida da companhia decorrente de operações com derivativos. Pelas condições acordadas, a empresa pagará US$ 2,13 bilhões em decorrência das operações com derivativos, mais cerca de US$ 500 milhões correspondentes a dívidas já existentes com alguns dos bancos, que foram incluídas na negociação.

Corretora do UBS no Japão envia ordens erradas de US$31 bi

Por 25 de Fevereiro de 2009 | 08:51

TÓQUIO (Reuters) - A corretora japonesa do banco suíço UBS registrou de maneira equivocada ordens de compra e venda de 31 bilhões de dólares em bônus conversíveis emitidos pela produtora de videogames Capcom, informou a Tokyo Stock Exchange nesta quarta-feira.

A bolsa informou que recebeu um pedido de cancelamento da operação cruzada, na qual o UBS Securities Japan emitiu simultaneamente ordens de compra e venda usando o sistema da bolsa para operações após o pregão.

Ambas as ordens somam 3 trilhões de ienes (30,91 bilhões de dólares), o que supera em muito os 15 bilhões de ienes em bônus emitidos pela Capcom em dezembro de 2001 com vencimento em 31 de março.

A bolsa, que tem regra que permite corretoras cancelarem grandes ordens equivocadas, informou que vai examinar a operação e o pedido de cancelamento antes de decidir se as ordens poderão ser anuladas.

A porta-voz do UBS Securities, Mariko Iguchi, informou que as ordens equivocadas foram enviadas devido a falhas na programação de sistemas de computadores da companhia. Ela não deu mais detalhes.

Não deixe no piloto automático

O desempenho da bolsa de Nova York na última década joga um balde de água fria em quem investe em ações achando que, no longo prazo, a valorização é praticamente certa. O índice S&P 500, da bolsa americana, caiu 33% nos últimos dez anos, de 13 de fevereiro de 1999 a 13 de fevereiro deste ano. Ou seja, quem aplicou 100 000 dólares nas ações que compõem esse índice lá atrás tem hoje 67 000 dólares.

O que isso ensina? Que é preciso monitorar e, dependendo do caso, fazer mudanças na carteira de ações. Apesar de a crise atual ter derrubado o preço de quase todas as ações americanas, algumas tiveram um bom desempenho em dez anos - é o caso dos papéis da Apple, que subiram 950% no período.

Será a volta dos estrangeiros?

Depois de fechar no vermelho por oito meses consecutivos, o saldo de investimentos estrangeiros (que mede as aplicações menos os resgates) na Bovespa ficou positivo no começo de fevereiro.

Mas é cedo para dizer se esses investidores voltaram para ficar. "Ainda falta confiança", diz Clecius Peixoto, gestor da Emerging Markets Management, firma americana que possui cerca de 1,5 bilhão de dólares aplicados em ações brasileiras.

A Bovespa só perdeu para Xangai

O Índice Bovespa subiu 8% neste ano até 12 de fevereiro - o segundo melhor desempenho entre as principais bolsas do mundo, atrás apenas da chinesa, segundo um levantamento da consultoria Thomson Reuters.

Na China, a alta é uma reação ao pacote de ajuda à economia anunciado recentemente pelo governo. No Brasil, parte do bom desempenho pode ser creditada ao leve aumento dos preços das commodities. Isso beneficiou as ações da Vale, da Petrobras e das siderúrgicas, que respondem por quase metade do volume de negócios da Bovespa.

"Além disso, a economia está indo bem na comparação com outros países e os bancos são sólidos", diz Mark Mobius, diretor de mercados emergentes da gestora americana Franklin Templeton. Se a alta vai continuar, ninguém sabe. A maioria dos analistas de bancos e corretoras acredita que haja pouco espaço para uma grande valorização do Ibovespa no primeiro

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Itaú Unibanco: unificação de ações ocorrerá em 31/3

Por 20 de Fevereiro de 2009 | 10:30

O Itaú Unibanco informou hoje que a unificação dos códigos de negociação de ações, com a substituição dos papéis do Unibanco e da Unibanco Holdings por do Itaú Unibanco, ocorrerá automaticamente em 31 de março de 2009. Na última quarta-feira (dia 18), o Banco Central aprovou a associação entre os grupos Itaú e Unibanco, abrindo caminho para a integração dos conglomerados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Segundo comunicado ao mercado, será aplicada às ações do Unibanco e da Unibanco Holdings a relação de troca aprovada pelas assembleias gerais das companhias realizadas em 28 de novembro de 2008.


Portanto, cada 1,1797 ação ordinária (ON) do Unibanco será substituída por uma ação ON do Itaú (ITAU3), mesma relação que vale para as ordinárias da Unibanco Holdings. Cada 3,4782 ações preferenciais (PN) do Unibanco e igual número de PN classe B (PNB) da Unibanco Holdings serão trocadas, em cada um dos casos, por uma ação PN do Itaú (ITAU4). Cada 1,7391 Unit do Unibanco será substituída por uma ação PN do Itaú. Por fim, cada 0,17391 recibo de depósito de ação (ADR) do Unibanco será trocado por um ADR do Itaú.


"Com a implementação da relação de troca, as ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em Bolsa, dividindo-se o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações", informou o Itaú Unibanco.

JBS desiste da National Beef e tem prejuízo no 4o tri

Por 20 de Fevereiro de 2009 | 08:01

SÃO PAULO (Reuters) - O JBS desistiu da aquisição da norte-americana National Beef, após não encontrar "condições satisfatórias" diante de um processo judicial nos Estados Unidos que tentava bloquear o negócio por motivos concorrenciais.

O grupo, maior do mundo em capacidade de abate de bovinos, também divulgou na madrugada de sexta-feira que teve prejuízo líquido de 53,5 milhões de reais no último trimestre de 2008, ante perda de 136 milhões de reais um ano antes.

O Ebtida (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) foi de 265,9 milhões de reais, superior aos 94,8 milhões de reais de igual trimestre de 2007. A margem dobrou no período de 1,4 para 2,8 por cento.

A aquisição da National Beef havia sido anunciada no início de março do ano passado. O Departamento de Justiça norte-americano abriu o processo para impedir a operação em 20 de outubro.

Se o JBS conseguisse completar a compra da National Beef, acabaria dominando o mercado norte-americano. O grupo brasileiro tem operações na Austrália, Itália, Argentina, EUA e Brasil.

O JBS tem oito unidades de bovinos nos EUA, com capacidade diária de 28,1 mil cabeças e três para abate de suínos.

No ano passado, a companhia comprou uma fatia de 50 por cento na italiana Inalca, o Tasman Group da Austrália, além da Smithfield Beef e da Five Rivers nos EUA.

Em mensagem publicada junto com o balanço, o presidente da companhia, Joesley Mendonça Batista, destacou a redução do crédito no último trimestre de 2008 e as incertezas sobre os efeitos da crise global.

"Acreditamos que o ano de 2009 recomenda cautela. Continuaremos a fazer uma gestão financeira conservadora com o objetivo de preservar os resultados e proteger nosso caixa com maiores exigências sobre os investimentos", afirmou.

"Entendemos que assim estaremos preparados para promover ajustes quando necessário e aproveitar oportunidades de investimentos."

(Por Roberto Samora e Daniela Machado)

Resultados ruins derrubam ações da Vale

Papéis caem mais de 7% com queda de 72% no lucro líquido em relação ao terceiro trimestre

| 20.02.2009 | 15h47


O desempenho da Vale no quatro trimestre de 2008 foi considerado fraco pelos analistas. Os resultados vieram abaixo do esperado pelo mercado, provocando uma forte queda nas ações nessa sexta-feira (20/2). Às 16h05, os papéis caíam 7,45%, para 27,57 reais.

A redução na demanda, ocasionada pela crise global, fez o lucro líquido em dólares da empresa encolher 72% nos três últimos meses de 2008 em relação ao trimestre anterior, ficando em 1,4 bilhão de dólares. Em reais, o recuo foi menor (16%), mas os números poderiam ser bem piores se não fosse pelo forte resultado financeiro. Graças à valorização do dólar sobre o real, a mineradora elevou em 94% seu resultado financeiro, que totalizou 2,5 milhões de reais.

As vendas, no entanto, recuaram 38,2% no período, para 7,2 bilhões de dólares. Os custos de produção, por sua vez, não caíram na mesma medida, recuando apenas 31,2% e achatando as margens de lucro da empresa. Para a analista Luciana Leocadio, da corretora Ativa, embora a Vale tenha adotado medidas para minimizar seus custos, os efeitos dessas ações deverão ser sentidos apenas nos próximos resultados.

A mineradora decidiu mudar sua estratégia, substituindo o foco no rápido crescimento para o corte máximo de custos. Com isso, os analistas acreditam que nos próximos balanços a companhia vá recuperar suas margens, que foram fortemente impactadas nos últimos três meses de 2008. A margem de lucro antes de juros, impostos amortizações e depreciações ficou em 37,7% no trimestre, 17,1 pontos percentuais abaixo da verificada no trimestre anterior e 4,9 pontos percentuais inferior à registrada no mesmo período de 2007. A companhia apresentou queda em sua eficiência operacional, com os custos subindo de 40% para 45% de sua receita bruta do terceiro para o quarto trimestre.

"Os números não vieram bons, mas este deve ser o pior trimestre em relação ao volume de vendas, já que há sinais de que a China está voltando a comprar, tanto minerais ferrosos como não ferrosos", ressalta a corretora Link em relatório. O balanço do primeiro trimestre de 2009, destaca a corretora Socopa, ainda não deve ser considerado bom, mas a expectativa é de melhora. Com a redução dos estoques na China, o mercado espera que, aos poucos, as vendas voltem a crescer. Atualmente, a Ásia contribui com 42% do faturamento da Vale, sendo o principal destino para os produtos da mineradora. Os minerais ferrosos representam 64% das receitas e, no curto prazo, a Link classifica como positiva a falta de diversificação da companhia, já que os preços do minério de ferro são reajustados anualmente, não ficando, portanto, suscetíveis ao sobe-e-desce do mercado.

Numa época de forte restrição de crédito, a Vale desfruta também da vantagem de apresentar uma confortável situação financeira, registrando 12,6 bilhões de dólares em caixa e apenas 322 milhões de dólares em dívidas com vencimento em 2009. Esse fator, juntamente com a perspectiva de recuperação nas vendas e melhoria nos custos, faz com que os analistas mantenham suas recomendações de compra para as ações mesmo diante dos maus resultados do quarto trimestre. A corretora Brascan estima um potencial de valorização de 75% para as ações, que chegariam ao final do ano cotadas a 52,07 reais. A Socopa é ainda mais otimista e projeta uma alta de 121% para os papéis, que têm preço-alvo de 65,40 reais.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Investidores estrangeiros voltam a investir

Os investidores estrangeiros voltaram a trazer recursos para o mercado acionário brasileiro em fevereiro, segundo confirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Neste mês, até esta sexta-feira (20), houve o ingresso de US$ 483 milhões no país para compra de ações.

Se o resultado se confirmar para todo este mês, será o primeiro valor positivo desde maio de 2008 - quando os investidores estrangeiros trouxeram US$ 1,5 bilhão para aplicar na bolsa de valores do país, informou a autoridade monetária.

Apesar dos investimentos na bolsa, os investimentos estrangeiros diretos apresentaram forte queda, de 60%, em janeiro deste ano, para US$ 1,93 bilhão, segundo números divulgados nesta sexta-feira (20) pelo Banco Central. Em janeiro de 2008, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 4,82 bilhões.

Retirada

Em outubro do ano passado, com o agravmento da crise financeira, os estrangeiros retiraram expressivos US$ 6,05 bilhões da bolsa de valores, valor que caiu para US$ 1,7 bilhão em novembro e US$ 903 milhões em dezembro de 2008. Em janeiro deste ano, por sua vez, houve a saída de US$ 529 milhões de aplicações estrangeiras do mercado acionário local.

Se os estrangeiros estão retornando ao mercado acionário em fevereiro, o mesmo não acontece com as aplicações em renda fixa. Em janeiro, os investidores de outros países retiraram US$ 1,62 bilhão destas aplicações e, em fevereiro (até dia 20), outros US$ 1,22 bilhão saíram do país.

Fonte: G1

Lucro da Gerdau cai 67,1% no 4º trimestre a R$ 311 mi

Por 19 de Fevereiro de 2009 | 11:51

A siderúrgica Gerdau registrou lucro líquido de R$ 311 milhões no quarto trimestre do ano passado, o que representa uma queda de 67,1% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em nota, a empresa atribui a queda à redução das vendas no período de outubro a dezembro de 2008, ao ajuste do valor dos estoques ao preço de mercado e ao impacto da variação cambial sobre as dívidas contratadas em moeda estrangeira. No quarto trimestre de 2008, o faturamento bruto cresceu 16% em comparação com o mesmo período de 2007, alcançando R$ 10,5 bilhões.

A expansão do faturamento bruto no último trimestre de 2008 deveu-se principalmente à variação cambial de 31,9% na conversão de receitas do exterior e à consolidação de novas empresas. Entretanto, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de R$ 1,5 bilhão e apresentou variação negativa de 9,6%. Em todo o ano de 2008, a Gerdau teve lucro líquido consolidado de R$ 4,945 bilhões, o que representa uma alta de 14,9% em relação ao lucro de R$ 4,303 bilhões obtido no ano anterior. No ano passado, a receita líquida totalizou R$ 41,908 bilhões, ante R$ 30,614 bilhões em 2007.

O Ebitda da Gerdau ficou em R$ 10,024 bilhões nos 12 meses do ano passado, equivalente a um aumento de 60,6%. Vendas A Gerdau encerrou o quarto trimestre de 2008 com volumes de vendas e de produção inferiores ao verificado no mesmo período do ano anterior, em razão da significativa redução na demanda global por aço.

De outubro a dezembro, foram vendidos 3,5 milhões de toneladas, uma redução de 24,4%, porcentual que já havia sido antecipado pela empresa, no fim de novembro de 2008, durante as reuniões anuais com analistas do mercado de capitais e investidores. No último trimestre do ano passado, a produção de 3,3 milhões de toneladas de aço apresentou 33,7% de diminuição perante a do quarto trimestre de 2007.

Lucro do Banco do Brasil mais que dobra no 4o tri

Por 19 de Fevereiro de 2009 | 07:04

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que o lucro líquido do quarto trimestre do ano passado mais que dobrou, impulsionado pelo maior crescimento da carteira de crédito do grupo desde 2000.

A instituição teve um ganho líquido de 2,944 bilhões de reais nos últimos três meses de 2008, contra resultado positivo de 1,217 bilhão de reais um ano antes. No ano passado como um todo, o lucro somou 8,8 bilhões de reais, um salto de 74 por cento sobre 2007.

Sem efeitos extraordinários, o lucro líquido do banco no quarto trimestre somou 1,63 bilhão de reais ante 1,29 bilhão de reais nos últimos três meses de 2007. Na mesma comparação, o lucro líquido de 2008 fechou em 6,68 bilhões de reais, crescimento de 13,7 por cento sobre 2007.

A carteira de crédito fechou o ano passado em 224,8 bilhões de reais, expansão de 40 por cento sobre 2007 e de 11 por cento sobre o terceiro trimestre.

O crédito à pessoa física disparou 52,5 por cento no ano, para 48,8 bilhões de reais enquanto a expansão de financiamentos a pessoa jurídica teve avanço 48,4 por cento, para 97,19 bilhões de reais.

Por segmento, o maior destaque ficou por conta do aumento da carteira de empréstimos para financiamento de veículos, que disparou de 3 bilhões de reais em 2007 para 6,694 bilhões de reais no final do ano passado.

O aumento da carteira foi acompanhado de um crescimento maior da provisão para dívidas de difícil recuperação, que saltou 51,6 por cento entre 2007 e 2008, para 8,6 bilhões de reais.

No trimestre, o saldo dessa provisão passou de 1,53 bilhão de reais nos últimos três meses de 2007 para 3,89 bilhões de reais entre outubro e dezembro do ano passado.

Mas o índice de lucro sobre patrimônio líquido médio (ROE), importante indicador da rentabilidade de um banco, avançou na comparação anual para 47,4 por cento no quarto trimestre do ano passado ante 22,2 por cento no quarto trimestre do ano anterior. No ano, a taxa evoluiu para 32,5 por cento contra 22,5 por cento em 2007.

(Reportagem de Alberto Alerigi Jr.)

Abyara e Cyrela derrubam ações de construtoras

Para a corretora Link, momento não é adequado para investimentos no setor

| 19.02.2009 | 17h25

Duas informações estão derrubando as ações das construtoras nesta quinta-feira (19/2): a venda da Abyara para a Agra e para o espanhol Enrique Bañuelos e a queda de 75% nas vendas do quarto trimestre da Cyrela. Às 16h33, Cyrela, Gafisa e Rossi faziam parte da lista das cinco maiores quedas do Ibovespa no dia. A primeira posição era ocupada pela Cyrela (CYRE3), que caía 5,33%, para 8,53 reais. Em seguida vinha a Gafisa (GFSA3), com desvalorização de 4,51%, a 11,65 reais. A Rossi (RSID3) ocupava a quarta posição, com seus papéis desvalorizados em 2,81%, a 3,46 reais. As ações da Abyara (ABYA3), que não fazem parte do Ibovespa, caíam 2,97%, para 1,96 reais.

Como antecipou EXAME na noite desta quarta-feira (18/2), a IPU Participações, formada em 30% pela Agra e 70% por Enrique Bañuelos - que detém, ainda, 6,6% da Agra -, vai pagar 37,92 milhões de reais por 62,13% da Abyara. Isso representa 1,20 real por ação, valor muito inferior ao atual preço do papel. A tendência, portanto, seria de recuo das ações até 1,20 reais, o que não aconteceu nesta quinta-feira. A corretora Link explica que o preço de venda da Abyara ficou muito abaixo das expectativas, não sendo descartada, portanto, a possibilidade de haver algum direito de dissidência dos minoritários.

O pagamento pela Abyara será feito em dinheiro, num prazo de cinco anos. A construtora possui um endividamento de 430 milhões de reais, dos quais 300 milhões de reais vencem neste ano. A troca de controle acionário permitirá à companhia reestruturar sua dívida, reduzindo os valores a pagar a menos de 180 milhões, segundo a Link, mediante a cessão de ativos como pagamento e renegociação dos saldos devedores existentes. Após a reestruturação, a IPU deverá realizar um aporte de capital no valor de 100 milhões de reais, dando aos acionistas o direto de preferência na compra das novas ações.

Também na noite desta quarta-feira, a Cyrela divulgou dados preliminares dos resultado do quarto trimestre. Os números surpreenderam o mercado ao virem muito aquém das expectativas. A Cyrela reportou uma queda de 75% nas vendas em relação ao mesmo período de 2007, totalizando 566,1 milhões de reais. Os lançamentos também recuaram - 71% - para 892,6 milhões de reais. Os estoques da companhia subiram 14%, chegando a 2,3 bilhões de reais. Isso quer dizer que, com a atual velocidade de vendas, a companhia conta com apartamentos suficientes para 18 meses de vendas, sem precisar fazer lançamento.

Os números, na avaliação da Link, não são ruins somente para a Cyrela, mas para todo o setor. Por isso, a corretora não recomenda investimentos nos papéis de construtoras no momento.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Friboi desiste da compra da National Beef

JBS S.A ("JBS" ou "Companhia") comunica a seus acionistas e ao mercado em geral que desistiu da aquisição da National Beef Packing Company, LLC ("National Beef"). Todo o processo judicial junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos também será terminado.

A JBS anunciou a aquisição da National Beef em 4 de março de 2008. O Departamento de Justiça do Governo dos Estados Unidos abriu processo para bloquear a aquisição em 20 de outubro de 2008 por motivos concorrenciais. A JBS se esforçou para encontrar uma solução com as partes envolvidas, mas na falta de condições satisfatórias decidiu se por não seguir adiante com a aquisição.

A Companhia, uma referência mundial na produção de carne bovina, continuará a buscar futuras eficiências em todas as suas outras unidades nos Estados Unidos que totalizam 8 plantas de abate bovino com capacidade diária de 28.100 cabeças, 3 plantas de abate suíno com capacidade diária de 47.900 cabeças, uma planta de produtos porcionados e uma planta de abate de ovinos, além de operações na Austrália, Itália, Argentina e Brasil onde está localizada sua sede. A Companhia também opera 11 confinamentos de gado bovino em seis diferentes estados americanos.

Fonte: RI JBS

O desempenho da Vale em 2008

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2009 - A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) apresentou um forte desempenho operacional e financeiro em 2008, destacando diversos recordes de produção, vendas e financeiros.

Oito recordes de produção - níquel, bauxita, alumina, cobre, carvão, cobalto, metais do grupo da platina e metais preciosos - foram atingidos, enquanto oito produtos registraram as maiores vendas na história da Vale: minério de ferro (264,0 milhões de toneladas métricas), níquel (276.000 toneladas métricas), cobre (320.000 toneladas métricas), alumina (4,2 milhões de toneladas métricas), cobalto (3.087 toneladas métricas), metais preciosos (2,4 milhões de onças troy), metais do grupo da platina (411.000 onças troy) e carvão (4,1 milhões de toneladas métricas). A excelente performance financeira se refletiu no atingimento de recordes de receita, lucro operacional, lucro líquido, geração de caixa, distribuição de dividendos e investimentos, suportados por um balanço sólido.

Os principais destaques do desempenho da Vale em 2008 foram:

· Receita bruta recorde de US$ 38,5 bilhões, 16,3% superior a de US$ 33,1 bilhões em 2007.
· Lucro operacional recorde, medido pelo EBIT ajustado(a) (lucro antes de juros e impostos) de US$ 15,7 bilhões, 19,0 % acima de 2007.
· Margem operacional, medida pela margem EBIT ajustado de 41,9%, contra 40,9% em 2007.
· Geração de caixa recorde, medida pelo EBITDA ajustado (b) (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): US$ 19,0 bilhões em 2008, comparado a US$ 15,8 bilhões em 2007.
· Lucro líquido recorde de US$ 13,2 bilhões, equivalente a US$ 2,61 por ação diluído, com aumento de 11,9 % ante o de 2007 de US$ 11,8 bilhões.
· Recorde de distribuição de dividendos em 2008 de US$ 2,85 bilhões, equivalente a US$ 0,56 por ação, 52,0% acima de 2007.
· Investimento recorde - excluindo aquisições - de US$ 10,2 bilhões contra US$ 7,6 bilhões em 2007.
· Sólida posição financeira, apoiada em um expressivo caixa de US$ 12,6 bilhões, disponibilidade de significativas linhas de crédito de médio e longo prazos e endividamento de baixo risco.

O valor do lucro líquido de 2008 - US$ 13,218 bilhões -, assim como o do 4T08 de US$ 1,367 bilhão, inclui o efeito extraordinário não-caixa de US$ 950 milhões resultado da revisão anual do impairment de ágio.

Usiminas quer incorporar a Cosipa

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. – USIMINAS (“Usiminas”), em cumprimento aos termos do § 4º do art. 157 da Lei n. 6404/76 e da Instrução CVM nº 358/02, vem comunicar que seu Conselho de Administração aprovou, nesta data, que a Companhia inicie os procedimentos visando à incorporação da Companhia Siderúrgica Paulista – COSIPA, sua subsidiária integral desde 2005. A operação tem como finalidade a busca de maior sinergia administrativa e operacional, além de redução de custos e otimização de recursos no processo de produção do aço. Com a transação, a Usiminas se fortalece ainda mais perante o mercado doméstico e internacional, definindo a sua posição de maior siderúrgica de aços planos da América Latina.

A Usiminas esclarece que a incorporação, que será submetida à Assembléia Geral a ser oportunamente convocada, não acarretará aumento de capital nem a emissão de novas ações, e não dará ensejo a alteração de seu Estatuto Social.

Fonte: RI Usiminas

Lucro do Banco do Brasil sobe 142% no quarto trimestre de 2008

No último ano, a instituição obteve lucro líquido de R$ 8,80 bilhões, superando em 74% o resultado apresentado em 2007

Encerrando a temporada de publicação dos resultados referentes aos grandes bancos brasileiros, o Banco do Brasil (BBAS3) publicou na manhã desta quinta-feira (19) seu desempenho relativo ao quarto trimestre e ao acumulado de 2008.
No último ano, a instituição obteve lucro líquido de R$ 8,80 bilhões, superando em 74% o resultado apresentado um ano antes. Já em relação quarto trimestre de 2007, o lucro saltou 142%.
O RSPL (Retorno sobre Patrimônio Líquido), que mensura a rentabilidade do banco, ficou em 32,5% no acumulado de 2008, acima dos 22,5% apurados em 2007.

Soros aumenta em 74% sua fatia na Petrobras

Soros aumenta em 74% sua fatia na Petrobras, maior empresa de sua carteira

No último trimestre, megainvestidor também apostou no Unibanco e na Aracruz, mas vendeu suas ADRs da CSN
| 18.02.2009 | 12h59

No quarto trimestre do ano passado, o megainvestidor George Soros ampliou em 74% sua participação na Petrobras. Soros encerrou 2008 com 36,799 milhões de ADRs da petrolífera brasileira na carteira. Em setembro, o volume era de 21,177 milhões de ADRs. O valor desses papéis, contudo, recuou devido à oscilação do mercado. No terceiro trimestre, Soros detinha o equivalente a 930,740 milhões de dólares em ADRs da Petrobras. Em dezembro, o valor era de 901,206 milhões. De qualquer modo, em valores, a Petrobras é a maior aposta da carteira do Soros Fund Management, fundo de investimentos administrado por Soros e sediado em Nova York.

No final do ano, o investidor também possuía opções de compra (calls, no jargão financeiro) de ADRs da Petrobras equivalentes a 750.000 papéis. Essas calls eram avaliadas em 18,368 milhões de dólares.

Lucro da Vale pode ser bem menor

Corretoras estimam queda de até 63% no lucro da Vale do terceiro para o quarto trimestre
Na comparação com o 4º trimestre de 2007, entretanto, resultados podem ser até 95% maiores

| 18.02.2009 | 12h31

É consenso entre os analistas que os resultados da Vale no quarto trimestre de 2008 serão severamente impactados pela crise global. No balanço que será divulgado nesta quinta-feira (19/2), será possível sentir a desaceleração nos negócios, que até então vinham crescendo a ritmo acelerado. As projeções apontam queda de até 63% no lucro líquido, com redução de até 17% nas vendas. Na comparação com o quarto trimestre de 2007, no entanto, a expectativa é de lucro até 95% maior.

Banco Central aprova associação entre os bancos Itaú e Unibanco

Por: Marcelo Olsen Saad
18/02/09 - 18h48
InfoMoney


SÃO PAULO - Em reunião realizada nesta quarta-feira (18) a Diretoria Colegiada do Banco Central aprovou a associação entre os conglomerados Itaú (ITAU4) e Unibanco (UBBR11).

A operação compreendeu uma série de atos societários intermediários, culminando com a integração das duas instituições, por meio da constituição da IUPAR - Itaú Unibanco Participações (holding criada com objeto social exclusivo de participar no capital do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A.).

Segundo nota publicada ao mercado pela autoridade monetária, a associação entre os dois conglomerados apresenta características sistemicamente importantes, uma vez que envolve duas instituições de grande porte, com ampla atuação no território nacional e presença em todos os mercados de produtos financeiros no atacado e varejo.

Cyrela

Cyrela: prévia mostra queda de 75% nas vendas do quarto trimestre

Por: Marcelo Olsen Saad
18/02/09 - 20h47



SÃO PAULO - Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Cyrela anunciou na noite desta quarta-feira (18) a prévia de resultados do quarto trimestre de 2008, com dados não-auditados sobre lançamentos e vendas contratadas.

Segundo a nota, as vendas contratadas no quarto trimestre de 2008 foram de R$ 566,1 milhões, uma queda de 75% sobre o mesmo trimestre no ano anterior. No acumulado do ano, as vendas cresceram 5% sobre 2007, atingindo R$ 4,61 bilhões, sendo R$ 3,1 bilhões a parte Cyrela.

Varejistas em busca da recuperação

Com 22 recomendações nas carteiras de fevereiro, o setor de consumo e varejo aparece na terceira colocação também pelo quarto mês consecutivo. Mesmo reconhecendo o momento delicado para o segmento, os analistas seguem confiantes na capacidade das empresas sustentarem os bons níveis de venda durante os próximos anos.

Para o Citigroup, as varejistas devem entrar em 2009 somente analisando a conjuntura econômica, de olho no nível de consumo dos brasileiros e nas condições de crédito, atualmente deterioradas com a crise que assola o mundo. Caso o ano seja bom para as empresas, o banco acredita que elas deverão investir na expansão orgânica, ou seja, aumentar o número de lojas para alavancar as vendas.

Elétricas se beneficiam de caráter defensivo

Com 26 indicações, os papéis do setor de energia e saneamento figuram pelo quarto mês consecutivo na vice-liderança dentre os mais recomendados. Frente ao cenário de forte volatilidade nos mercados, os analistas continuam destacando o segmento como um dos mais defensivos aos investidores.

Em relatório publicado no início do mês, a Fitch destacou a posição favorável das elétricas latinas para enfrentar a crise, devido às suas recentes melhorias financeiras e de liquidez. "Nos últimos anos, as empresas do setor têm melhorado significativamente sua posição de liquidez, reduzindo de forma considerável a alavancagem e fortalecendo o perfil da sua dívida", afirmou a agência.

Setor financeiro lidera recomendações pelo quinto mês seguido em fevereiro

Por: Gabriel Ignatti Casonato
18/02/09 - 19h15



SÃO PAULO - Mantendo a tendência verificada nos últimos quatro meses, o setor financeiro aparece novamente no topo da lista dos mais citados nas carteiras recomendadas para fevereiro, conforme mostra levantamento realizado pela InfoMoney.

Dentre a avaliação de 17 corretoras e bancos de investimento para o mês, as ações do segmento aparecem com o maior número de sugestões. De um total de 160 indicações, 31 são para ativos do setor, quase 20% das indicações.

Bancos com bom posicionamento
De um modo geral, os analistas elogiam os sólidos fundamentos e os bons níveis de capitalização dos bancos brasileiros, que também contam com um sistema muito bem regulado. Além disso, destacam de forma favorável a postura resiliente do setor frente à crise e a expectativa de consolidação entre as instituições.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

JBS nega rumores sobre compra do Bertin

19 de Janeiro de 2009 | 18:11

PublicidadeO grupo JBS, maior frigorífico do País, negou hoje que estaria em negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para conseguir um financiamento para comprar o Bertin, segundo maior frigorífico do Brasil.

De acordo com a assessoria de imprensa do JBS, a informação foi considerada apenas um boato e disse que qualquer informação sobre a empresa é comunicada "imediatamente ao mercado". Em comunicado interno, o Bertin também desmentiu a notícia sobre sua eventual venda.

O grupo atribuiu as especulações a seu respeito ao destaque obtido pela empresa nos setores em que atua. Em declarações recentes, o presidente da JBS Friboi, Joesley Batista, descartou grandes aquisições em 2009, afirmando que o principal objetivo do grupo é apresentar "números consolidados" este ano, com cautela. No entanto, admitiu que há boas oportunidades na América do Sul, mas não detalhou quais seriam os principais alvos.

Brascan espera 2009 fraco para JBS-Friboi

Lucro líquido do quarto trimestre já deverá refletir o desaquecimento mundial

| 17.02.2009 | 17h4

Os sinais de desaquecimento econômico vão penalizar as exportações de carne bovina e a rentabilidade operacional da JBS Friboi, segundo análise feita pela corretora Brascan. Os analistas acreditam que 2009 será fraco, com margens de lucro mais baixas para a companhia.

Apesar disso, a Brascan reiterou a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da maior empresa de carne bovina do mundo. O preço-alvo dos papéis (JBSS3) foi reduzido de 8,80 reais para 7,70 reais. Mesmo com a redução do valor, o potencial de retorno continua elevado e alcança 58,4% em relação ao preço do fechamento desta segunda-feira.

Projeções negativas para 2009

O menor crescimento esperado pela corretora para o setor de alimentos fez com que ela reduzisse as estimativas de crescimento do volume vendido pela JBS.

“Para as exportações brasileiras de carne bovina estimamos um crescimento de 5% em 2009, as quais deverão se recuperar após um fraco primeiro trimestre, impulsionadas pela reabertura de mercados como o Chile e pela recuperação das exportações à União Européia”, afirmou.

Limitando o peso da crise nos números, a depreciação do real deve favorecer os resultados da companhia, que possui a maior parte de sua receita atrelada ao dólar. Além disso, a aquisição da americana Smithfield deve ajudar a incrementar a receita.

Em relação aos investimentos, os analistas projetam um total de R$ 410 milhões para 2009, relativos a aumento de capacidade no Brasil e de manutenção. Foi ressaltado o sinal dado pela JBS de que possa ocorrer uma aquisição no Mercosul, fortalecendo a perspectiva de que a empresa participe ativamente do processo de consolidação do país.

Petrobras: produção de óleo no Brasil cresce 2,5%

Por 17 de Fevereiro de 2009 | 18:24

A produção de óleo da Petrobras no Brasil cresceu 2,5% em janeiro ante o mês de dezembro, atingindo 1,923 milhão de barris por dia (47 mil acima do mês anterior), informou hoje a estatal. O volume foi recorde mensal e ficou 3,7% acima da média diária produzida em 2008, que foi de 1,854 milhão de barris.

O crescimento na produção foi atribuído pela empresa ao início das operações na plataforma P-53, que opera no campo de Marlim Leste e tem capacidade para produzir 180 mil barris por dia. Também contribuiu para o resultado positivo a entrada em produção da plataforma P-51, no campo de Marlim Sul, que também tem capacidade de produção de 180 mil barris por dia. Ainda em janeiro ocorreu a entrada em produção de novos poços em Marlim, disse a estatal.

Considerando o volume total de óleo e gás, a Petrobras produziu no País 2,219 milhões de barris de óleo equivalentes em janeiro, ou 0,7% mais que em dezembro. Somando esse volume à produção no exterior, foram 2,434 milhões de barris de óleo equivalentes, o mesmo que em dezembro e 1,4% acima da média diária produzida em 2008.
Segundo a estatal, foram produzidos 62,85 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, dos quais 15,7 milhões fora do Brasil, o que representou queda de 7,7% na produção total sobre a média de 2008.

Crise pode transformar lucro de siderúrgicas em prejuízo

Para analistas, Gerdau e CSN podem até anunciar perdas no balanço do quarto trimestre
| 17.02.2009 | 09h33

Crise global deve novamente mostrar sua força nos próximos dias, quando serão divulgados os resultados das siderúrgicas referentes ao quarto trimestre de 2008. As corretoras estão prevendo grandes perdas, mas não há um consenso sobre qual será a empresa mais impactada.

Para o Unibanco, o título ficará com a Gerdau. A expectativa da corretora é de forte queda na receita líquida em relação ao terceiro trimestre (-29,5%), com redução de 31% no volume de vendas, "evidenciando um profundo recuo na demanda em todos os mercados nos quais a companhia opera". Além do Brasil, a Gerdau mantém negócios nos Estados Unidos, Canadá, Europa e América Latina.

Apesar de tudo, para a corretora Socopa, a Gerdau é hoje a empresa mais promissora do setor de siderurgia. Em sua avaliação, a demanda por aços longos nos próximos meses deve superar a de aços planos, embora ambas devam diminuir. Os investimentos dos governos brasileiro e americano em infra-estrutura e no setor imobiliário, destaca a Socopa, deverão sustentar a procura por aços longos, enquanto os aços planos provavelmente continuarão sofrendo com a queda de produção principalmente da indústria automobilística.

Enquanto a Gerdau concentra seus negócios em aços longos, voltados para a construção civil, CSN e Usiminas produzem aços planos, muito utilizados na fabricação de carros, geladeiras e fogões. Mesmo com o mercado desaquecido, as corretoras ainda recomendam as ações das duas empresas para investimentos de longo prazo.

O ponto forte da CSN, de acordo com a Socopa, está em sua confortável posição de caixa após a venda de parte da Namisa por 3 bilhões de dólares, além de sua baixa exposição à variação de preços do minério de ferro, já que a empresa é dona das mineradoras Casa de Pedra e Namisa. A corretora, ao estimar o resultado para o trimestre, contabilizou o ganho de equivalência patrimonial com o aporte de capital na Namisa, o que fez saltar para a casa dos bilhões os lucros da empresa no trimestre. Com isso, há a possibilidade de a empresa distribuir 2,2 bilhões de reais em dividendos, segundo cálculos da corretora.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

É hora de lucrar com o sobe-e-desce da bolsa

Estratégias permitem obter retornos positivos mesmo com a queda das ações

Por Francine De Lorenzo | 16.02.2009 | 10h20

Há uma máxima no mercado acionário que diz que se alguém está perdendo é porque tem alguém ganhando. Nem sempre queda nas ações significa perda, assim como alta não é sinônimo de ganhos. Tudo depende de como o investidor está posicionado na bolsa. Se suas projeções se concretizam, o resultado é lucro, ainda que as ações tenham perdido valor.

A grande dificuldade nos últimos tempos, dizem os especialistas, não está na desvalorização dos papéis, mas na instabilidade provocada pelas dúvidas quanto ao futuro da economia. Sem um horizonte claro, qualquer posicionamento no mercado acionário transforma-se em um jogo de apostas. Existem, porém, estratégias que oferecem retornos positivos mesmo em cenários de grande instabilidade. Mas não se iludam aqueles que acreditam no ganho fácil. "Nenhuma dessas estratégias está livre de risco. 2009 será um ano para profissionais", ressalta Marcelo de Faro, economista-chefe da Intra Corretora.

Isso não significa, entretanto, que os pequenos investidores terão de ficar fora da bolsa. A indicação dos especialistas para quem não tem tempo ou conhecimento suficiente para acompanhar o mercado é investir em fundos multimercados e de ações que adotam essas estratégias.

Uma das mais conhecidas é a long-short, ou comprado e vendido. A idéia por trás dessa operação é negociar duplas de ações, comprando (long) aquelas que apresentam tendência de alta e vendendo (short) as que têm projeção de queda. Os pares podem ser formados por papéis da mesma empresa - ordinária (ON) contra preferencial (PN) -, do mesmo setor ou de setores diferentes. "O importante é que haja uma lógica que justifique a relação entre os papéis", diz Eduardo Favrin, diretor de Renda Variável do HSBC Global Asset Management.

Mas como vender algo que não se tem? Por meio do aluguel de ações. O primeiro passo para realizar uma operação long-short é alugar a ação que se deseja vender. As próprias corretoras negociam os papéis de clientes que pretendem carregar a ação por um longo período de tempo, como fundos de pensão e pessoas físicas. Assim como na locação de um imóvel, o contrato estabelece a remuneração e um prazo de vigência. De posse das ações, o investidor as vende na bolsa e, com o dinheiro obtido, compra as ações que espera que subam.

Ao desmontar a operação, haverá três cenários possíveis: no melhor deles, as ações compradas subiram e as alugadas caíram. Nesse caso, o investidor venderá as ações compradas com lucro e recomprará as ações alugadas - que foram vendidas no começo da operação e agora precisam ser devolvidas ao dono - por um valor menor. Se os dois papéis caírem ou subirem, o investidor também poderá sair ganhando. Para isso, basta que a ação comprada tenha caído menos ou subido mais que a ação alugada. A diferença entre os papéis será o lucro. O prejuízo só vira se o investidor errar na escolha do par. Nesse caso, o papel alugado terá subido mais ou caído menos que o comprado. O investidor, então, terá que desembolsar dinheiro para recomprar as ações alugadas.

Os fundos também costumam utilizar derivativos em suas carteiras. Os gestores podem fazer inúmeras combinações, mesclando operações nos mercados à vista, de futuros, de opções e a termo. Dentre as mais utilizadas está o chamado financiamento de opções: o gestor compra uma ação no mercado à vista e, ao mesmo tempo, vende uma opção de compra (call) dessa ação.

Digamos que ele realize a operação com uma ação da Petrobras e que, neste dia, pague 26,90 reais no mercado à vista pelo papel. No mercado de opções, ele vende uma opção de compra desta ação e recebe por ela 0,55 real. O seu desembolso, portanto, foi de 26,35 reais. Imaginemos que a opção de compra lançada por esse gestor tenha um valor de exercício de 30,00 reais. Ou seja, se no vencimento a ação no mercado à vista estiver cotada acima de 30,00 reais, quem comprou essa opção exercerá seu direito de obter a ação da Petrobras pelos 30,00 reais. O gestor, apesar de vender o papel por um valor abaixo do de mercado, também terá lucrado com a operação. Além do 0,55 real embolsado com a venda da opção, ele terá ganho 3,10 reais com a valorização do papel desde a sua compra até a venda. O gestor só perderia dinheiro se no dia do exercício a ação estivesse cotada abaixo de 26,35 reais. A situação ideal, entretanto, aconteceria se o valor da ação no vencimento da opção se encontrasse entre 26,35 reais e 30,00 reais. Nesse caso, o gestor receberia 0,55 pela venda da opção e ainda ficaria com a ação ao final da operação, já que para o comprador da opção não valeria a pena exercer seu direto de compra.


Ajuste de estratégia

Em 2008, os fundos de ações e multimercado sofreram com a revira-volta na bolsa, que até então acumulava cinco anos consecutivos de alta. Os gestores se viram obrigados a rever estratégias, e os resultados deste começo de ano mostram que os efeitos começam a ser sentidos. Alguns produtos chegam a acumular ganhos de até 17% em 2009 até o dia 11 de fevereiro, muito acima do Ibovespa e do CDI, que somam alta de 8,8% e 1,4%, respectivamente.

Na avaliação do gerente de Análise da Modal Asset Management, Eduardo Roche, há muitas oportunidades no mercado para serem aproveitas, principalmente por quem pode aplicar no longo prazo. "A crise obrigou os gestores a incrementarem suas análises, estudando pontos que antes não eram considerados. Isso deve resultar em oportunidades que até então não eram percebidas", diz.

O tempo de ganhos fáceis, na opinião de Roche, acabou. Gerir um fundo daqui pra frente vai exigir cada vez mais agilidade e habilidade para trabalhar com volatilidade. Nesse ponto, os fundos multimercados levam vantagem sobre os de ações. "Por outro lado, a grande oportunidade de comprar ações baratas está nos fundos de ações", pondera Roche.

Lucro da Light cai 43,6%% no 4º trimestre a R$ 277,3 mi

Por 16 de Fevereiro de 2009 08:43

A empresa de energia elétrica Light teve lucro líquido de R$ 277,3 milhões no quarto trimestre de 2008, o que representa uma queda de 43,6% em relação ao lucro de R$ 491,7 milhões obtido um ano antes. No período de outubro a dezembro do ano passado, a receita líquida totalizou 1,475 bilhão, ante R$ 1,240 bilhão um ano antes.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nos três últimos meses de 2008 ficou em R$ 492,6 milhões, contra R$ 243,8 milhões em igual intervalo de 2007. No acumulado de 2008, a Light teve lucro líquido consolidado de 974,5 milhões, equivalente a uma queda de 9,3% em comparação ao lucro de R$ 1,074 bilhão em todo o ano de 2007.

A receita líquida nos 12 meses do ano passado cresceu 7,9%, para R$ 5,387 bilhões. O Ebitda subiu para R$ 1,504 bilhão, ante R$ 1,138 bilhão. A Light atua na distribuição, comercialização, geração e transmissão de energia e está presente em 31municípios do Estado do Rio de Janeiro, totalizando aproximadamente 3,8 milhões de clientes.

BEES3

Pagamento de proventos

O Banestes (BEES3) divulgou a sistemática de pagamentos dos proventos em 2009, tendo determinado que os juros sobre capital próprio serão pagos mensalmente durante o ano, no valor de R$ 2,9 milhões, sendo que, excepcionalmente, os juros referentes a janeiro serão pagos em março.

Temporada de resultados

A Marisa (MARI3) anunciou os dados operacionais do quarto trimestre de 2008, quando totalizou lucro líquido de R$ 42,59 milhões, o que corresponde a um crescimento de 35,3% em relação ao registrado em igual período de 2007.

Outras empresas a reportarem os números trimestrais foram a Tarpon Investment (TARP11), cujo lucro líquido ajustado recuou de forma significativa, e o Banco ABC Brasil (ABCB4), cujo lucro caiu 58,3%, para R$ 20,2 milhões, no quarto trimestre.

Para esta terça-feira ainda estão programadas as divulgações dos resultados de Banco Daycoval, Equatorial Energia, GVT, Localiza, Lojas Renner e Telesp.

Positivo Informática

Fusões & Aquisições

Novamente, a Positivo Informática (POSI3) aparece nas manchetes devido a especulações de que seria vendida para uma rival internacional. Os rumores sugerem duas opções: a chinesa Lenovo estaria oferecendo R$ 31 por ação ou a Dell teria feito uma oferta de R$ 28 por papel.

As especulações fizeram os papéis da Positivo dispararem no último pregão. Porém, após o fechamento dos mercados, a empresa negou qualquer proposta, dizendo que os rumores são totalmente infundados. "A companhia recomenda que os acionistas não tomem qualquer decisão de investimento com base nessas especulações", informou o comunicado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Após uma semana de alta e outra de ajuste, que direção a bolsa vai escolher?

Depois de uma semana muito positiva, a bolsa passou por outra de ajuste. Parece ter ficado no meio do caminho, na dúvida sobre a direção que vai escolher. Certeza é que a terceira semana de fevereiro será muito movimentada.Pelos indicadores importantes, pela infinidade de resultados, pelos bastidores políticos de tantos pacotes e medidas nos Estados Unidos. Independente do rumo que a bolsa escolher, o caminho à frente é acidentado.

Firme

Mesmo com o saldo ruim dos últimos dias, fica uma novidade muito esperada para a semana por vir. "O mercado está esquecendo um pouco a aversão ao risco e o fluxo de capital está voltando. Está havendo uma repatriação de capital, tanto de quem havia saído como do investidor estrangeiro", resume Rodrigo Silveira, gerente de operações da UM Investimentos.

Sustentável ou não, o movimento das últimas duas semanas incorporou algo há tempos não visto no mercado. "O nosso mercado está relativamente firme, relativamente descolado dos índices lá de fora", conclui Silveira.

Prova de fogo

A firmeza demonstrada recentemente pelo mercado passará por uma prova e tanto. Depois do descanso dos últimos dias, a agenda de indicadores volta com todo vapor. A semana começa com feriado lá fora, que engana o investidor que for à bolsa no ritmo de carnaval. Da quarta-feira (18) em diante começa a maratona. Ata do Fed, produção industrial, setor imobiliário, CPI, PPI.Nem o feriado da segunda-feira dará descanso. Aqui, é dia de vencimento de opções. "A gente vai ver bastante volatilidade, tanto pelo exercício de opções, tanto pelo plano, tanto pelos resultados que têm para sair", lembra Silveira.

Resultados bombásticos

De resultados, um capítulo à parte. Destaque para a quinta-feira: nada menos que Vale, Usiminas, Gerdau, JBS, CPFL e Banco do Brasil, entre outros. Lá fora, BNP Paribas no mesmo dia. "Com os resultados, movimentos isolados, principalmente se algum destes grandes decepcionar", alerta Daniela Cunha, economista da corretora Renascença.Independente de resultados e indicadores, sobram motivos para uma semana agitada. "Com certeza o que guia o mercado ainda são os planos e medidas lá fora. (...) Tudo depende se vai haver alguma notícia no final de semana, mesmo no G7", sugere Daniela.

Cansativa

O mercado está mais firme, o volume voltando, mas o terreno à frente é mesmo acidentado. Com tantos indicadores, tantos resultados, tanta expectativa por declarações mais "detalhadas" dos pacotes nos Estados Unidos, é certeza de uma semana cansativa. Depois é carnaval.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Câmara dos EUA aprova plano de US$787 bi

Câmara dos EUA aprova plano de US$787 bi; Senado vota em seguida

13 de Fevereiro de 2009 | 17:37

WASHINGTON (Reuters) - A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou com folgada maioria uma proposta de 787 bilhões de dólares para o pacote de estímulo econômico de gastos e corte de impostos, visando resgatar a debilitada economia.

A votação no Senado deve ser realizada ainda nesta sexta-feira.

O pacote foi aprovado por 246 votos a 183, mas não teve apoio republicano, contrariando o pedido de apoio bipartidário do presidente Barack Obama.

Lucro da Vivo surpreende e ações disparam

Operadora dribla a crise e eleva seu lucro em 722,5%
| 13.02.2009 | 11h53

As ações da Vivo dispararam nesta sexta-feira (13/2) após a companhia informar que seu lucro líquido no quarto trimestre subiu 722,5% no quarto trimestre. Ás 11h35, os papéis preferenciais (VIVO4) lideravam a lista das maiores altas do Ibovespa, sendo negociados a 36,66 reais, com valorização de 5,04%.

A operadora elevou sua receita líquida em 14% nos últimos três meses de 2008, enquanto seus custos subiram apenas 3,9% no período. O resultado foi um ganho líquido de 215,5 milhões de reais, ante 26 milhões no último trimestre de 2007.


Vivo dribla crise
O presidente da Vivo, Roberto Lima, diz que os números refletem a "política de seletividade" praticada pela empresa. "Não buscamos novos usuários a qualquer custo: queremos um crescimento saudável da carteira, com clientes que gerem receita."

Com essa filosofia, a Vivo elevou sua margem de lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações de 26,1% no final de 2007 para 32,7% nos últimos meses de 2008, superando as expectativas dos analistas. "Contribuiu para esse resultado a venda de aparelhos GSM que possuem menor custo de aquisição, além do decréscimo das despesas gerais e administrativas", ressalta a analista Beatriz Battelli, da corretora Brascan, em relatório.

Resultado da Redecard surpreende analistas

Apesar da crise, empresa conseguiu elevar em 53% seu lucro líquido

13.02.2009 | 13h40

Os ganhos da Redecard no último trimestre de 2008 superaram até as projeções mais otimistas. Mesmo diante do agravamento da crise global, a companhia conseguiu elevar seu lucro líquido em 53%, chegando a 343,1 milhões de reais.

Para a corretora Ativa, a companhia "vem demonstrando capacidade de apresentar um
crescimento robusto em seu resultado, com as margens acompanhando esse forte incremento, aliado a uma redução do custo unitário por transação, em função da constante melhoria de processos, renegociações de preços e ganhos de escala.

"Em 2009, porém, o ritmo de expansão da empresa deve ser menor, refletindo um mercado consumidor mais contido, avalia a corretora. Janeiro será um mês atípico. O alto volume de operações com cartões de crédito em dezembro, explica o Santander, resultou em um alto volume de pagamentos no mês passado. "Isso pode abrir margem para uma revisão nas estimativas para 2009, mas considerando a situação atual, em nossa opinião, é um pouco improvável."


Lucro líquido da Redecard cresce 52,9% no 4º trimestre A tendência de substituição do uso de cheques e dinheiro por cartões de crédito e débito, todavia, deve permanecer. Isso, de acordo com a Ativa, deve permitir que as receitas da companhia cresçam menos em um cenário de desaceleração do consumo. Por isso, as ações da empresa (RDCD3) são vistas como defensivas pelas corretoras, fazendo parte da lista de recomendações de compra. A Ativa estima uma valorização de 54% para os papéis neste ano, projetando preço-alvo de 41,70 reais. Às 13h22, as ações eram cotadas a 27,50 reais, com valorização de 1,85%.

Pré-sal exigirá investimentos de US$150-200 bi até 2020

13 de Fevereiro de 2009 | 10:47

A exploração de petróleo na área do pré-sal do Brasil deverá envolver investimentos de 150 bilhões a 200 bilhões de dólares das várias petrolíferas na região até 2020, afirmou presidente-executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira.

Ele afirmou que os custos operacionais da exploração serão de cerca de 2 bilhões de dólares por ano na próxima década, prevendo que a região produza 2 milhões de barris por dia no ano de 2020.

A camada pré-sal é uma região de cerca de 800 quilômetros que vai da costa do Espirito Santo a Santa Catarina.

"Os investimentos que se esperam naquela região, entre 2009 e 2020, vão andar entre 150 a 200 bilhões de dólares e os custos operacionais médios na década serão superiores a 2 bilhões de dólares por ano", disse o CEO da Galp em uma cerimônia da empresa.

A Galp está presente no Brasil através de 23 parcerias com a Petrobras e prevê iniciar a produção de petróleo na bacia de Santos em abril deste ano, com um projeto-piloto no poço de Tupi, disse Ferreira de Oliveira.

"A Galp tem um papel relevante nesses números (de investimento), é um player relevante, o segundo maior", afirmou Ferreira de Oliveira, sem detalhar a parcela de investimento da empresa portuguesa.

Ele acrescentou que o Brasil será a principal região para a Galp ampliar a sua capacidade de produção de petróleo ao longo dos próximos anos, junto com Angola. A Galp tem como meta, no espaço de uma década, aumentar a produção dos 15.000 barris diários para 150.000.

"Diria mais no Brasil do que em Angola. Segue-se depois a Venezuela e Timor", disse Ferreira de Oliveira.

Ele destacou ainda que a atual conjuntura de recessão global não deverá ter impacto significativo sobre os projetos de exploração petrolífera no Brasil.

"Ai de nós se deixarmos de pensar numa escala de décadas só porque temos uma crise que nos vai afetar durante alguns trimestres", disse o CEO da Galp.

(Por Ruben Bicho)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Saiba como escolher o plano de previdência ideal para seu perfil

Ao aplicar em mais de um plano, investidor consegue aproveitar os benefícios de cada modalidade de previdência complementar

Por Francine De Lorenzo | 12.02.2009 | 08h09

Você já pensou em ter mais de um plano de previdência complementar? Essa estratégia, embora ainda pouco popular, vem sendo cada vez mais indicada pelos especialistas do setor. Ao contrário do que acontece com os demais tipos de investimento, na previdência privada a diversificação não tem por objetivo reduzir risco. A lógica, nesse caso, está em oferecer ao investidor a oportunidade de aproveitar os benefícios de cada modalidade.

Os fundos de pensão patrocinados por empresas garantem aos seus funcionários uma vantagem que nenhum outro investimento oferece: para cada aplicação realizada pelo funcionário, outra, geralmente no mesmo valor, é feita pela empresa. Ao se aposentar, o trabalhador recebe não só a sua poupança acumulada, mas também as aplicações realizadas pela empresa. "Isso torna o fundo de pensão imbatível na comparação com outros planos de previdência", diz o consultor de investimentos Gustavo Cerbasi.

Quem não tem a chance de aplicar em fundo de pensão pode ficar com os planos PGBL, que são comercializados por bancos e seguradoras. Ambas modalidades permitem deduzir do imposto de renda as contribuições equivalentes a até 12% da renda bruta anual. Para usufruir dessa vantagem fiscal, porém, o investidor deverá optar pelo modelo completo de declaração. Por isso, quem declara pelo modelo simplificado tem melhor opção nos planos VGBL que, apesar de não concederem abatimento no IR, trazem outra vantagem: a cobrança do imposto apenas sobre o rendimento - e não sobre o total acumulado no plano, como acontece no PGBL.

Esse benefício também é interessante para profissionais liberais e para quem já tem um PGBL ou fundo de pensão, mas pretende aplicar mais de 12% de sua renda bruta anual. Ao destinar os valores que excederem esse percentual ao VGBL, o investidor pagará menos imposto de renda. Por exemplo: quem aplica anualmente 24.000 reais num plano de previdência, ao final de dez anos terá investido 240.000 reais. Com um rendimento de 20.000 reais, o saldo ao final do período será de 260.000 reais. Resgatando esse dinheiro de um PGBL ou fundo de pensão, o investidor pagaria IR sobre os 260.000 reais. Já se o dinheiro estivesse aplicado em um VGBL, o imposto incidiria apenas sobre os 20.000 reais.

O diretor-presidente da Real Tokio Marine Vida e Previdência, Edson Franco, aponta três perfis básicos para previdência: o jovem, o irmão mais velho e o pai. Para o jovem, que geralmente declara o IR pelo modelo simplificado, o VGBL é mais indicado. Já para o irmão mais velho, na faixa entre 35 e 45 anos, com família formada, será mais vantajoso optar pelo PGBL e destinar as aplicações que ultrapassarem 12% da renda bruta ao VGBL. No caso do pai, que já está na faixa dos 60 anos, o VGBL é interessante porque permite um melhor planejamento sucessório, uma vez que o plano não entra em inventário.

A maioria das instituições oferece descontos na taxa de carregamento aos investidores que contratarem um segundo plano ou ampliarem suas aplicações. "Por isso, ter mais de um plano não quer dizer ter custo maior", diz Franco. Na SulAmérica, a taxa de carregamento deixa de ser cobrada quando a soma dos saldos de todos os planos do cliente chega a 100.000 reais. "Vale a pena aplicar em um fundo convencional até conseguir acumular uma boa quantia para o aporte inicial na previdência privada. Assim, garante-se um desconto maior na taxa de carregamento", diz Cerbasi.

Se após contratar o plano o investidor não ficar satisfeito, poderá mudar para outro sem pagar imposto de renda. A portabilidade, apesar de permitir a migração apenas entre fundos da mesma categoria - de PGBL para PGBL e de VGBL para VGBL - possibilita ao investidor modificar o perfil de seus investimentos. É possível, por exemplo, passar de um plano mais agressivo para outro mais conservador ou trocar o sistema de tributação de progressivo para regressivo. "Mas é preciso ficar atento, porque não dá para mudar do regressivo para o progressivo", alerta Cerbasi.

No sistema progressivo, o investidor paga o imposto de renda no resgate, seguindo a mesma tabela que tributa os salários (veja abaixo). Já no sistema regressivo, o que interessa é o tempo de contribuição. Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menos IR será retido. "Para quem não sabe se precisará do dinheiro nos próximos dez anos, o melhor é optar pela tabela progressiva", aconselha Cerbasi.


Opções de cobrança do IR na previdência privada

Tabela Regressiva
Tempo de permanência Alíquota do IR
Até 2 anos 35%
2 a 4 anos 30%
4 a 6 anos 25%
6 a 8 anos 20%
8 a 10 anos 15%
10 anos ou mais 10%



Tabela Progressiva

Faixa Alíquota do IR Parcela a deduzir do IR
Até R$ 1434,59 0% R$ 0,00
R$ 1434,60 a
R$ 2150,00 7,50% R$ 107,59
R$ 2150,01 a
R$ 2866,70 15% R$ 268,84
R$ 2866,71 a R$ 3582,00 22,50% R$ 483,84
Acima de
R$ 3582,00 27,50% R$ 662,94



Em situações planejadas, a tabela regressiva pode ser melhor negócio, mesmo para prazos inferiores a dez anos. "Quem pretende comprar um imóvel ou abrir uma empresa dentro de seis anos, por exemplo, pagará menos IR se optar pelo sistema regressivo", diz Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica. Nesse caso, ao sacar o dinheiro, o investidor pagaria 20% de IR pela tabela regressiva e 27,5% pela tabela progressiva.

O ponto-chave na escolha do sistema de tributação, afirmam os especialistas, está em planejar o resgate dos recursos. Por isso, antes de investir, use e abuse dos serviços de consultoria oferecidos pelas instituições. Afinal, você paga taxa de carregamento exatamente para isso.



O melhor plano para você

Situação Onde investir
Sou empregado com carteira assinada e quero investir no máximo 12% de minha renda bruta ao ano. Verifique se sua empresa oferece fundo de pensão. Em caso negativo, faça um PGBL.

Sou empregado com carteira assinada e pretendo investir mais de 12% de minha renda bruta ao ano. Aplique o equivalente a 12% de sua renda bruta no fundo de pensão de sua empresa ou em um PGBL. O valor excedente destine a um VGBL.

Sou empregado com carteira assinada, mas faço minha declaração do IR pelo modelo simplificado. Aplique em VGBL.

Sou profissional liberal e minhas aplicações são irregulares, variando de um ano para outro. Faça um VGBL.

Recebi uma renda extra e quero aplicar em previdência. Mantenha as aplicações até 12% de sua renda anual em PGBL e o que exceder coloque em um VGBL.

Não tenho certeza se conseguirei manter o dinheiro aplicado até minha aposentadoria. Faça dois planos, um com tributação progressiva e outro com tributação regressiva. Se houver necesssidade de resgate de pequenos valores, saque do plano com tributação progressiva

Vivo fecha o ano de 2008 com lucro líquido de R$ 389,7 milhões

A Vivo divulgou nesta sexta-feira (13) os seus resultados referentes ao quarto trimestre e ao ano inteiro de 2008, reportando um lucro líquido acumulado de R$ 389,7 milhões.

De acordo com os dados da operadora, o resultado final do quarto trimestre ficou positivo em R$ 215,5 milhões, avançando 60,9% frente ao trimestre anterior. Já o Ebitda (geração operacional de caixa), no mesmo período, atingiu R$ 1,396 bilhão, 42,6% a mais do que aquele registrado no mesmo período de 2007.

Margem Ebitda

A margem Ebitda ficou em 32,7%, crescendo 6,6 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre do ano anterior. No acumulado, essa atingiu 30,8%, marcando um aumento de 5,2 pontos percentuais ao outro ano. Na mesma base, o Ebitda avançou 37,3%, para R$ 4,867 bilhões.

No trimestre, a dívida liquida da Vivo atingiu R$ 5,302 bilhões, decorrente dos investimentos realizados durante o ano, sendo que todo esse está protegido contra as variações do câmbio, informa a companhia. Já a provisão para devedores duvidosos totalizou R$ 59,5 milhões.

Receita de serviços

Por sua vez, a receita de serviços somou R$ 3,789 milhões no quarto trimestre, apresentando um aumento de 26,9% de forma inorgânica e 14,2% na forma combinada, contra o mesmo período do ano anterior, e 4% a mais do que aquela registrada durante o terceiro trimestre.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Para Fator, Pão de Açúcar deve ter o melhor resultado entre as varejistas

| 11.02.2009 | 08h45

Produtos de primeira necessidade devem garantir à rede de supermercados desempenho superior ao de outras empresas do setor



Os próximos meses prometem ser mais difíceis para as empresas de varejo. Os balanços do quarto trimestre de 2008, que começam a ser divulgados neste mês, já devem evidenciar os efeitos da crise global sobre os negócios. Mas nem todas as companhias serão impactadas da mesma forma. A Fator Corretora espera que o Pão de Açúcar apresente o melhor desempenho do setor. Em sua avaliação, as vendas da rede de supermercados sofrerão menos devido à menor elasticidade na demanda, já que os produtos comercializados são de primeira necessidade.

Pelas estimativas de janeiro da corretora Brascan, a receita líquida do grupo deve apresentar "somente pequenas alterações, uma vez que mantivemos nossa expectativa de crescimento do faturamento através de uma agressiva estratégia de aumento da área de vendas". Em relatório, o analista Rodrigo Ferraz, da Brascan ressalta que o Pão de Açúcar é "uma das melhores empresas para enfrentar a crise devido a sua liderança no varejo alimentício, um setor bastante defensivo". Além disso, Ferraz destaca que a situação confortável de caixa da empresa – eram 1,4 bilhão de reais ao final de setembro - permitirá que sejam feitos novos investimentos e aquisições para impulsionar o crescimento neste ano.

A Saraiva, por sua vez, tem no governo um porto seguro contra a crise, diz a Fator. Grande parte das vendas de livros didáticos, de acordo com a corretora, será destinada ao setor público. Com isso, é esperado um aumento de 38,8% na receita líquida do quarto trimestre de 2008, mesmo com a desaceleração nas vendas pela internet.

Já a B2W, criada da fusão entre Americanas.com e Submarino, não poderá contar com a mesma sorte. A queda na confiança do consumidor e a menor disponibilidade de crédito no mercado atingiram em cheio a companhia, que concentra grande parte de suas vendas em eletroeletrônicos. Sem garantia de emprego e com dificuldades para obtenção de financiamentos, os consumidores preferiram adiar seus planos de compras de bens duráveis, colocando a empresa em situação delicada. Para impedir uma queda ainda maior nas vendas, a B2W evitou repassar para os preços a alta no dólar, o que deve reduzir suas margens de lucros. A Fator estima que a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização caia de 15,1% no último trimestre de 2007 para 13,4% no mesmo período de 2008. "Por outro lado, esperamos melhorias de eficiência operacional com a conclusão da integração dos centros de distribuição", afirma a corretora em relatório.

Olhando a médio e longo prazo, a corretora Ativa vê boas perspectivas para a companhia. "Embora acreditemos que os papéis da empresa deverão sofrer no curto prazo com a redução de seu ritmo de expansão este ano, suas ações indicam um significativo potencial de valorização", diz a analista Luciana Leocadio em relatório divulgado no dia 13 de janeiro. A corretora projeta preço-justo de 41,05 reais para os papéis da empresa no final do ano.

A Lojas Americanas, que é sócia da B2W, também deve registrar perdas com a variação cambial, embora em menor escala. Como as lojas físicas da empresa contam com uma participação menor dos eletroeletrônicos nas vendas, o impacto da valorização do dólar será minimizado. No entanto, a Fator ressalta que a entrada do Magazine Luiza na cidade de São Paulo prejudicou o desempenho da companhia, que deve ter seu crescimento de vendas reduzido a 15,3% no quarto trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2007.

Com a piora do cenário econômico, a Brascan acredita a Lojas Americanas irá revisar seus investimentos, reduzindo o número de inaugurações de lojas. A retomada do ritmo de expansão, porém, deverá acontecer já a partir de 2010.

Para Lojas Renner e Guararapes, controladora da Riachuelo, a Fator também projeta desaceleração nas vendas em função do cenário menos favorável para compras.


Tempos difíceis

Enquanto não houver uma melhora no cenário econômico, não há como esperar a retomada no ritmo de crescimento do comércio. E, por enquanto, os indicadores econômicos mostram que ainda não há sinais de bonança.

A última sondagem da Fundação Getúlio Vargas aponta que desde o início da pesquisa, em 2005, os consumidores nunca estiveram tão pessimistas em relação à aquisição de bens duráveis. Em janeiro, a intenção de compra dessa classe de produto, que inclui automóveis e eletrodomésticos, caiu 5,5% em relação ao mês anterior.

O gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, ao divulgar os números referentes à Pesquisa Mensal de Emprego de dezembro, comentou que os reflexos da crise global sobre o mercado de trabalho devem aparecer com força em janeiro, refletindo a demissão de temporários do comércio e o aumento pela procura de trabalho.

Em dezembro, segundo dados do Ministério do Trabalho, 654 mil vagas foram fechadas, o dobro do número tradicionalmente registrado nessa época do ano.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pacote de Obama pretende injetar US$ 2 trilhões na economia

| 10.02.2009 | 16h10

Metade dos recursos irá para o resgate aos bancos com problemas; o restante será aplicado em estímulos para o consumo



Depois de semanas de especulação, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, divulgou as linhas gerais dos planos para estimular a economia do país. O primeiro pacote envolve a criação de um fundo de 1 trilhão de dólares, composto por recursos públicos e privados. O fundo será usado para comprar os títulos podres ainda em poder dos bancos. Outra medida será um programa também de 1 trilhão de dólares para estimular a economia por meio de novas linhas de crédito para consumo e empresas. O governo Obama também deve injetar outros recursos para beneficiar os contribuintes, restringir a distribuição de dividendos e a remuneração de executivos de instituições que recebam ajuda pública.

Na apresentação do plano, Geithner afirmou que "em vez de catalisar a recuperação, o sistema financeiro está trabalhando contra ela". De acordo com o americano The Wall Street Journal, o secretário disse ainda que "ao mesmo tempo, a recessão impõe grande pressão sobre os bancos. Isso é uma dinâmica perigosa, e precisamos detê-la".

Antes de entrar para o gabinete de Obama, Geithner já estava empenhado em tirar o país da crise, na condição de diretor do Federal Reserve de Nova York. Nesse cargo, ele ajudou a desenhar o pacote de 700 bilhões de dólares com que o governo Bush deu os primeiros passos para conter a crise. Geithner considerou o antigo pacote "essencial, porém insuficiente para apoiar o sistema financeiro e o mercado secundário de crédito".

Mesmos problemas

De acordo com o WSJ, o novo secretário do Tesouro esbarrou nos mesmos problemas que seu antecessor, Henry Paulson, quando tentou expurgar o sistema financeiro dos ativos tóxicos que contaminam os balanços. Durante os últimos meses do governo Bush, Paulson abandonou os esforços para comprar esses papéis, após fracassar na criação de um mecanismo para determinar o seu preço. Então, o ex-secretário optou por comprar fatias dos bancos aplicando os primeiros 350 bilhões de dólares do TARP.

Em seu discurso, nesta terça-feira (10/2), Geithner afirmou que o fundo público-privado que será encarregado de adquirir esses papéis terá uma capacidade inicial de injetar 500 bilhões de dólares no sistema. A cifra pode subir para até 1 trilhão de dólares, se houver necessidade. "Estamos explorando uma série de estruturas diferentes para o programa", afirmou. O fundo será dirigido para os empréstimos e ativos que ainda atrapalham o balanço das instituições.

Em conjunto com o Federal Reserve, a Secretaria do Tesouro também vai montar um programa de 1 trilhão de dólares para incentivar novos empréstimos aos consumidores e empresários, batizado de Iniciativa de Empréstimos para Consumidores e Empresas. As bases do programa são um antigo plano de fomento ao crédito.

Os órgãos reguladores vão avaliar se os bancos têm capital suficiente para novos empréstimos. O Tesouro americano, o Fed e outros órgãos de fiscalização, junto com um comitê de trabalho vinculado à presidência, irão estabelecer as linhas gerais para a avaliação dos bancos. O objetivo é que as principais instituições financeiras possam evitar a deterioração da economia.

Os bancos que não possuírem capital suficiente receberão novos recursos oriundos de arrecadação de impostos. Em troca, fornecerão títulos conversíveis. Quem receber a ajuda pública estará sujeito a restrições de distribuição de dividendo, recompra de ações, aquisições, e remuneração dos executivos. Segundo Geithner, os novos investimentos do Tesouro nos bancos serão realizados por meio de uma nova entidade, chamada de Financial Stability Trust.

O pacote anunciado hoje inclui ainda 50 bilhões de dólares para medidas de combate aos despejos de mutuários com hipotecas em atraso. Os bancos que receberem esse dinheiro serão convidados a participar do esforço para evitar novas execuções de despejo. O Fed e o Tesouro americano buscarão meios de reduzir as parcelas mensais das hipotecas e alterar o perfil desses financiamentos.

Ações de construtoras podem ter chegado ao fundo do poço

| 09.02.2009 | 13h21

As corretoras Fator e Santander afirmam que o pacote do governo e a queda dos juros darão novo ânimo ao setor



A corretora do Santander, que trabalha de forma independente do banco, acredita que as ações das incorporadoras já podem ter atingido o fundo do poço por três motivos: 1) Os papéis estão sendo negociados em média pelo valor patrimonial das empresas; 2) A taxa básica de juros iniciou trajetória de queda no mês passado; e 3) Não há uma bolha imobiliária no Brasil porque ainda existe muita demanda reprimida, o que reforça a percepção de que o ajuste dos lançamentos à demanda mais fraca será rápido.

No entanto, a corretora também não aposta em uma firme recuperação do preço das ações neste semestre. As vendas devem continuar fracas no curto prazo apesar das medidas de ajuda que serão anunciadas pelo governo. O analista Marcello Milman, da corretora do Santander, acredita que a venda de imóveis no Brasil caiu cerca de 40% entre o terceiro e o quarto trimestres de 2008. As construtoras responderam cortando os lançamentos, mas Milman acredita que, mesmo assim, a velocidade de vendas de imóveis deve cair cerca de 20% em 2009, o que pode ter efeito na margem de lucro das empresas. No entanto, a corretora acredita que todos esses fatores podem já estar precificados nas ações, que estão em média 65% mais baratas do que no começo de 2008.

O banco aconselha os clientes a comprar ações de empresas que estejam sendo negociadas por cerca de 80% do valor patrimonial e a realizar lucros quando esse indicador se aproximar de 150%. A corretora reduziu a recomendação das ações da Cyrela e da MRV de "compra" para "manutenção". Já os papéis da PDG, Rossi e Gafisa continuam com indicação de compra.

Pacote

Já a Fator Corretora acredita que o pacote imobiliário que deve ser anunciado pelo governo até o final de fevereiro e a queda dos juros podem dar um "novo ânimo" às ações do setor. A corretora aposta, entretanto, que o pacote vai beneficiar principalmente as incorporadoras voltadas para o segmento econômico (Tenda, MRV, PDG e Rodobens). As grandes incorporadoras que possuem exposição significativa ao segmento de baixa renda (Rossi, Gafisa e Cyrela) também serão beneficiadas, mas em menor grau.

A expectativa é que o pacote aumento o valor máximo do imóvel que pode ser financiado com recursos do FGTS de 350 mil reais para 500 mil reais, eleve o montante de subsídios para a compra da casa própria de 1,6 bilhão de reais para 2,6 bilhões de reais, reduza os juros de financiamentos imobiliários e crie de um fundo garantidor para honrar as prestações hipotecárias que deixarem de ser pagas. Além disso, pode haver redução de Imposto de Renda para as construtoras, isenção de IPI para materiais de construção e outras medidas tributárias.

Bolsa fecha em baixa de 1,53% com realização de lucro

09 de Fevereiro de 2009 | 18:30

A Bovespa interrompeu hoje uma sequência de quatro sessões em queda, aproveitando o dia de agenda vazia e à espera da votação do pacote de ajuda ao sistema financeiro pelo Senado dos EUA, para amanhã. As vendas foram mais fortes nas ações da Vale, justamente as que mais subiram nas últimas semanas, enquanto Petrobras segurou um pouco a queda do Ibovespa, principal índice.


O Ibovespa terminou o dia com variação negativa de 1,53%, aos 42.100,12 pontos. Atingiu a mínima de 41.977 pontos (-1,82%) e a máxima de 43.441 pontos (+1,60%). No mês, acumula ganho de 6,21% e, no ano, de 12,12%. O giro financeiro totalizou R$ 4,254 bilhões.


No final de semana, o Senado dos Estados Unidos, enfim, parece ter chegado a um acordo para votar o pacote de ajuda ao sistema financeiro, o que levou o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, a adiar para amanhã a exposição do plano de recuperação financeira para o país que deve trazer, entre outros rumores do mercado, a criação do "banco ruim".


O foco desta segunda-feira, assim, passou da seara econômica para a política, com o presidente dos EUA, Barack Obama, mais uma vez reforçando a necessidade de se aprovar a ajuda, de modo a não "aprofundar o desastre" para a economia americana. "Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar", disse Obama.


O Senado acertou um valor de US$ 827 bilhões, incluindo US$ 47 bilhões de incentivos fiscais já aprovados para vendas de automóveis e imóveis. Uma vez aprovado o plano, as diferenças entre aquele que já passou na Câmara dos Representantes no final do mês passado e o do Senado serão resolvidas em uma conferência de líderes das duas Casas, e uma decisão final pode sair até o final desta semana.


À espera dos pacotes, as bolsas norte-americanas operaram sem rumo, ora em alta, ora em queda. Às 18h18 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,33%, o S&P recuava 0,09% e o Nasdaq cedia 0,26%.


No Brasil, os momentos de alta da sessão foram garantidos pela sustentação de Vale no azul. À tarde, no entanto, as ações viraram para baixo e levaram junto o Ibovespa, que só não aprofundou mais a realização de lucros por causa da procura por papéis da Petrobras.


As ações da estatal do petróleo avançaram impulsionadas por compras de estrangeiros, pela alta do petróleo em grande parte do dia no mercado externo e também em razão de um movimento com vistas aos vencimentos de opções sobre ações (dia 16) e de opções sobre índice (18). Segundo um operador, diante da 'puxada' da Vale nas últimas sessões, muitos investidores abandonaram os papéis à tarde e partiram para Petrobras, mais defasada.


No final da sessão, o petróleo acabou perdendo o fôlego e recuou 1,52%, a US$ 39,56 o barril, na Bolsa Mercantil de Nova York. Com isso, a alta das ações da Petrobras perdeu o fôlego: a ON subiu 1,23% e a PN, 1,07%.


Com a realização de lucros, Vale fechou na contramão dos metais básicos. As ações ON recuaram 2,97% e as PNA, 2,96%.

Com crise, China não poderá financiar todo o déficit americano

| 09.02.2009 | 09h54

Professor de Harvard e Oxford diz que bolha dos títulos americanos pode estourar até o final do ano

Por Ângela Pimenta

Autor do livro 'The Ascent of Money' (A Ascensão do Dinheiro), que deverá ser lançado no Brasil pela editora Planeta, o historiador econômico Niall Ferguson, professor das universidades Harvard e Oxford, conversou com exclusividade com o Portal EXAME sobre temas como a crise mundial, uma possível bolha no mercado de títulos americanos e o retorno do protecionismo. Veja a seguir os principais trechos da entrevista

Qual é a perspectiva para o que o senhor chama de Chimérica - a relação econômica simbiótica entre os Estados Unidos e a China - em 2009 e o G2, o encontro das duas potências?

Em primeiro lugar, o que chamo de Chimérica, a combinação entre a China e a América continua sendo central para o funcionamento da economia mundial e em muitos aspectos ela é a chave para sabermos se a crise atual se tornará uma Grande Depressão. Os Estados Unidos têm confiado por alguns anos na China e em outros países para financiar os déficits em conta corrente. E isso vai continuar acontecendo em 2009. A questão é saber o quanto do endividamento planejado pelo governo Obama a China estará disposta a financiar, num momento em que a economia chinesa está sofrendo efeitos severos da crise, causados pela queda de importações americanas. O grande risco é que as relações entre os dois países se deteriorem em função de discordâncias sobre comércio externo ou o câmbio. Para Obama, a coisa mais importante é se certificar de que as relações sejam as melhores possíveis. Assim, a Chimérica, a relação entre a China e a América continue a ser mutuamente benéfica. Essa será uma questão de enorme importância para o governo. E em relação a um encontro G2, entre os dois países, no nível mais alto, creio que ele precise acontecer o quanto antes. Não existe outra relação mais importante para os EUA hoje do que a China.

Como o senhor vê a disposição dos chineses em continuar financiando os sucessivos déficits americanos através da compra dos títulos do Tesouro dos EUA?

Bem, de um lado, os chineses tem menos recursos disponíveis. Isso significa dizer que muito do dinheiro que a China usava para comprar títulos americanos, como no ano passado, foi dinheiro obtido através dos superávits gerados pelas exportações chinesas. Mas em função da crise, já não é mais possível que a China continue gerando superávits naqueles níveis, uma vez que o comércio mundial declinou tão velozmente. Logo, os chineses terão menos dinheiro disponível para investir em moeda e ativos americanos, simplesmente em função das atuais condições econômicas. Ao mesmo tempo, é claro que a China precisa aumentar o seu nível de demanda doméstica, focando mais no aumento do consumo dos próprios chineses, que devem diminuir o seu nível de poupança. E se os domicílios chineses começarem a poupar menos, mais uma vez teremos menos recursos fluindo para o Banco Popular da China que possam ser investidos em ativos denominados em dólar. Mas acontece que os Estados Unidos irão continuar a emitir mais títulos do Tesouro para financiar os programas de recuperação econômica do governo Obama - tentando tomar mais dinheiro emprestado - e é aí que as tensões serão visíveis esse ano. Isso vai gerar um déficit de 1 trilhão a 1,5 trilhão de dólares. Isso vai ser difícil de financiar, e a China certamente não será capaz de absorver isso como fez no ano passado.

O senhor acredita que exista uma bolha no mercado de títulos do Tesouro americano prestes a estourar?

Certamente me parece que taxas de rendimento ao redor de 2% a 2,4% em notas de dez anos do Tesouro americano são inacreditavelmente baixas. E você teria que acreditar que o mundo está rumando para uma crise deflacionária no estilo do Japão nos anos 90 para que essa tendência dure indefinidamente. Isso não é um cenário de probabilidade zero. Aprendemos com a experiência japonesa que é possível termos uma enorme carga de dívida governamental e ainda assim baixas taxas de rendimento no caso de deflação. Também sabemos que existem crescentes pressões deflacionárias na economia global. Por outro lado, o Federal Reserve tem reagido com muito mais rapidez do que o Banco do Japão o fez nos anos 90 e o Fed tem imprimido dinheiro de forma tão agressiva, tão furiosamente, que não há como se perguntar se os Estados Unidos realmente terão uma deflação. Ao mesmo tempo, esses enormes déficits que podem chegar a 10% do PIB americano em 2010 não são calculados para agradar os investidores em títulos do Tesouro. Me parece que vamos chegar a um ponto em que o restante do mundo irá olhar para os Estados Unidos, com suas políticas monetária e fiscal e irá concluir que temos um cenário inflacionário adiante. Talvez isso aconteça já no final desse ano. E isso será uma questão crucial para os próximos meses. À certa altura, o sentimento vai mudar e os investidores vão concluir que não faz o menor sentido ficar sentado numa enorme pilha de títulos americanos, enquanto os EUA produzem enormes déficits. Isso vai acontecer - embora eu não saiba quando - pode ser uma questão de meses. Mas é certo que veremos uma mudança no humor do mercado internacional de títulos e uma significativa corrida de venda dos títulos americanos. E quando isso acontecer, as pessoas vão olhar para trás e compreender o que James Grant queria dizer quando declarou que 'hoje uma nota de dez anos do Tesouro representa um risco de retorno zero em oposição a uma reserva de risco zero de retorno'.

A crise internacional já traz estragos significativos à economia brasileira. A maioria dos analistas prevê um crescimento de 2% neste ano, menos da metade do crescimento de 2008. Se tal previsão se concretizar, ainda assim podemos dizer que somos mais afortunados do que os americanos e europeus?

Bem, um crescimento de 2% é melhor do que um crescimento negativo. E uma vez que o mundo desenvolvido caminha para um ano de contração, nós poderíamos ver a economia americana contrair em até 3,5%. Mas o que sabemos da economia brasileira que nem sempre o país cresceu de forma tão forte quanto nos últimos anos. Não tenham dúvida de que esse ano será doloroso. Os dias em que os países Bric [grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China] podiam crescer a taxas tão altas fazem parte do passado porque acontece que a tese do descolamento era um mito. E a economia global é integrada - ela é apenas uma única economia, na realidade. E se a economia americana se contrai, todo mundo vai sofrer os efeitos disso. Nos Estados Unidos, as importações estão despencando. Logo, as exportações dos grandes países emergentes, como o Brasil, serão negativamente afetadas. Elas estão em queda livre. Mas se olhamos para os Brics, a Rússia é quem está em pior situação, devido à sua grande dependência do petróleo. E para falar a verdade, creio que no ano passado, o Brasil foi entre os Brics o país com o melhor desempenho. Logo, tais coisas são relativas. Não temos uma crise tão severa como a dos anos 30, pelo menos por enquanto. E creio que não será tão ruim como a dos anos 30. Creio que será algo mais parecido com os anos 80, em termos de problemas como o aumento do desemprego. E se olharmos para aquele período, o Brasil hoje se encontra numa situação muito mais sólida e confortável para enfrentar a desaceleração econômica.

Como o senhor vê a questão da desmoralização do princípio de risco moral?

Vivemos um tempo em que as lições que devíamos ter aprendido das décadas de 1970 e 1980 foram jogadas fora. Hoje tanto os bancos centrais quanto os órgãos reguladores em geral estão repensando essa questão enquanto lidam com a maior crise financeira desde a década de 1930. Para mim, o mais fascinante é ver o renascimento das teorias de John Maynard Keynes. De repente, todo mundo virou keynesiano em termos de política fiscal, mas igualmente extraordinária é a forma como a política monetária americana vem sendo conduzida por Ben Bernanke. As ansiedades de apenas alguns anos atrás, sobre os riscos inflacionários desapareceram. Mas não vejo a questão do risco moral sendo mencionada novamente. Creio é que preciso reconhecer que diante do risco de um enorme colapso do sistema financeiro internacional, a prioridade deve ser evitar o contágio sistêmico - para se evitar justamente a contração monetária que aconteceu na década de 1930, quando o Fed não agiu e acabou agravando ainda mais a crise. Temos que evitar isso, o que por outro não quer dizer que o salvamento de instituições em dificuldades possa ser feito indiscriminadamente.

O senhor acredita que aos olhos da comunidade financeira internacional, a gravidade da crise atual possa a vir a justificar calotes como o que ocorreu com a Argentina no começo da década, levando países em dificuldades em honrar suas dívidas a seguir o mesmo caminho?

Creio que ninguém quer seguir o exemplo da Argentina, o país do continente americano que já enfrentou o maior número de crises. Trata-se de um país que pode enfrentar uma crise financeira mesmo quando as coisas estão indo bem para os demais países. E o problema com a sucessão de crises argentinas é que elas praticamente impossibilitam que o país alcance um padrão de desenvolvimento sustentável. Já o Brasil se tornou um país em que sua dívida externa tem um papel muito menor hoje em dia. E a pujança da economia brasileira - mesmo diante da crise atual - é que nos últimos dez anos o país escolheu tomar as decisões acertadas, mesmo que elas significassem fazer sacrifícios, evitando os erros do passado, como o descontrole inflacionário e os calotes, além de mudar a lei de forma errática, como tem acontecido na Argentina em relação às regras dos fundos de pensão. Nada que aconteceu desde 2007 invalida a política macroeconômica brasileira. E tampouco os últimos anos justificam a conduta argentina. Tanto o Brasil quanto o Chile fizeram progressos enormes se comparados com a Argentina. No Chile, graças às reformas implantadas nos anos 80, hoje eles são o país latino-americano mais estável para atrair novos negócios.

Existem riscos de que a atual crise produza uma nova onda de protecionismo no comércio mundial?

Creio que sim, porque vários países já aumentaram suas tarifas e a Rodada de Doha acabou fracassando. Em épocas em que as economias se contraem e o desemprego cresce, os políticos julgam mais tentador seguir políticas protecionistas. Hoje o que mais me preocupam são algumas vozes no Congresso americano, principalmente entre democratas, que estão pedindo regras mais duras para as importações. Ou também um endurecimento sobre o que eles chamam de manipulação da moeda chinesa. Esse é o tipo de coisa com a qual devemos nos preocupar. A verdade é que hoje a globalização vem sendo questionada. Na cabeça de muita gente essa crise deve causar o retrocesso de projetos como de comércio livre e mobilidade de capitais. Eu ficaria surpreso, de uma perspectiva histórica, se não houvesse tentativas de reviver o protecionismo em algumas partes do mundo. Espero que o governo Obama resista a esse tipo de pressão, porque a lição da década de 1930 é clara: ao longo do tempo, uma proteção generalizada do comércio mundial só agrava a crise. Num momento em que o comércio já se contrai, a última coisa que precisamos é tornar as coisas piores do que já são. Na verdade, deveríamos estar pressionando por tarifas mais baixas para ajudar países pobres, como os africanos, a exportar seus produtos agrícolas. Mas politicamente isso é muito difícil de ser feito em tempos de recessão.

De que maneira o Congresso americano, de maioria democrata e protecionista influenciará o governo Obama?

Normalmente, podemos esperar um certo grau de deferência inicial do Congresso em relação ao novo presidente, mas precisamos lembrar de duas coisas: a primeira é que o próprio Obama integra a ala mais à esquerda do Partido Democrata e que ele conta com o forte apoio dos sindicatos, que não são defensores das políticas de livre comércio. E baseado em coisas que o Obama disse durante a campanha, ele não se demonstrou um admirador do Nafta e certamente é muito menos provável que ele busque acordos de livre comércio com os demais países latino-americanos. Logo, esse não é um governo que se pareça comprometido com o livre comércio.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Corretora do Itaú vê ação da BMFBovespa cara em relação a bolsas estrangeiras

| 06.02.2009 | 13h13

Para analistas, papéis da holding terão desempenho abaixo da média do mercado

A corretora do Itaú reviu suas projeções para as ações ordinárias da BM&FBovespa Holding (BVMF3, com direito a voto), responsável pela operação da bolsa de valores brasileira. Em relatório, os analistas elevaram a expectativa do preço justo dos papéis para dezembro de 11 reais para 11,70 reais. Nesta quinta-feira (5/2), as ações fecharam a 6,93 reais. Por isso, a estimativa da corretora aponta para um potencial de valorização de 69%. Apesar o incremento, a corretora manteve a recomendação de "underperform", ou seja, para o Itaú, os papéis terão um desempenho abaixo da média do mercado.

Assinado pelos analistas Victor Mizusaki, Domingos Falavina e Alcir Freitas, o relatório afirma que as ações da BM&FBovespa não estão baratas. A corretora estima um P/L (preço da ação dividido pelo lucro líquido por ação) dos papéis de 12,9 para este ano. O número indica um prêmio de 1% sobre a média dos papéis de outras holdings que administram bolsas de valores pelo mundo. Mas, para os analistas, o mais adequado, neste momento, é avaliar os papéis por outro indicador - o EV/Ebitda (valor da empresa, menos as dívidas, dividido pelo Ebitda). A razão é que este indicador não é influenciado pelo caixa da empresa em certo momento.

Por esse parâmetro, as ações BVMF3 estão sendo negociadas com um prêmio de 30% em relação a seus pares de outros países. A corretora afirma, ainda, que a BM&FBovespa Holding é mais dependente de receitas geradas a partir do volume de negociação de seu pregão, que outros centros financeiros do planeta. As receitas líquidas recorrentes da empresa representam 7% do total, e são compostas por serviços de tecnologia, banco de dados e custódia de ativos.

Por isso, a corretora afirma que, em meio a uma tendência de baixa do mercado de ações, as ações BVMF3 poderiam cair para um piso de 3 reais por papel, ajustando-se ao nível de EV/Ebitda de seus pares internacionais, ou até se depreciar mais. A corretora do Itaú opera de modo independente ao banco.

"A Sadia virou Geni"

05.02.2009

Apesar da crise financeira que atinge a empresa, Luiz Fernando Furlan mantém o tom confiante e dispara: "Estão querendo comprar a Sadia a preço de banana, mas não vão conseguir"

Paulo Fridman/Corbis Furlan, da Sadia: o pior não passou

PublicidadePor Daniella Camargos

Quando assumiu o comando da Sadia, em outubro, Luiz Fernando Furlan se desdobrou para tranquilizar os funcionários, os fornecedores e, principalmente, os investidores. Poucas semanas antes, a empresa, uma das maiores fabricantes de alimentos do país, havia anunciado um prejuízo de 760 milhões de reais causado por uma desastrada operação com derivativos cambiais. O mercado respondeu de forma rápida e drástica. Em três dias, as ações da companhia perderam metade de seu valor. "O pior já passou", disse Furlan, ao tomar posse como presidente do conselho de administração da Sadia, cargo que já havia exercido entre 1993 e 2002. O que se seguiu, porém, mostrou que o pior estava por vir. Nos últimos meses, Furlan e seus executivos corriam para obter um aporte de aproximadamente 1 bilhão de reais para a empresa. O mais provável candidato é o BNDES, que vem assumindo com ímpeto renovado as funções de hospital de negócios em crise. Até o fechamento desta edição, um acordo ainda não havia sido concluído.

Os problemas financeiros levaram os analistas a traçar cenários sombrios para o futuro da Sadia. O Bank of America Merrill Lynch foi categórico: caso não receba uma injeção de 2 bilhões de reais, a empresa pode parar até junho de 2009 por falta de caixa. "Estamos sendo apedrejados", disse Furlan a EXAME, num dos intervalos do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, e em meio a um frio de 2 graus abaixo de zero. "A Sadia virou a Geni da vez."

Ao afirmar isso, o ex-ministro Furlan volta-se para uma Sadia que continua a ser dona de uma das marcas mais reconhecidas do país, opera 18 fábricas e cresceu a uma média de 16% ao ano no período de 2003 a 2007. A Sadia é uma operação que, para onde quer que se olhe, vai bem. O que Furlan não nega é que essa situação não passa pelo front financeiro. O dinheiro que a empresa tomou emprestado para pagar o rombo de 760 milhões de reais provocado pela crise dos derivativos vem custando caro. Segundo a corretora Ativa, a Sadia tem uma dívida de 1 bilhão de reais com vencimento no prazo de até um ano. Essa dívida, captada às pressas no fim do ano passado, custa o equivalente a 125% do CDI, pelo menos 10 pontos percentuais a mais do que as empresas do porte da Sadia costumam pagar em períodos sem crise - da í a necessidade de obter o mais rápido possível um aporte de capital. Ainda não se sabe, com precisão, o tamanho final do prejuízo que será causado pelos contratos de derivativos não liquidados em setembro do ano passado. O banco Brascan estima que o prejuízo financeiro da Sadia em 2008 tenha somado 2,5 bilhões de reais (ou seja, 1,75 bilhão de reais a mais do que o buraco anunciado antes da posse de Furlan). Caso esses números sejam reais, a dívida total da companhia chegaria a 4,7 bilhões de reais, o equivalente a quase quatro vezes sua geração de caixa - nível muito acima da média histórica da empresa, de uma a duas vezes a geração de caixa.