quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ações da Brasil Foods despencam depois de restrições à fusão

Secretaria identificou concentração significativa em carne de peru e em produtos industrializados, que poderiam evitar a entrada de novas empresas.

As ações da Brasil Foods (BRFS3) têm forte queda nesta terça-feira (30). O desempenho reflete a decisão da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda de aprovar, com restrições, a fusão entre a Sadia e a Perdigão. A Seae identificou concentração significativa em carne de peru e em produtos industrializados, que poderiam evitar a entrada de novas empresas.

"Adicionalmente, observam-se concentrações no abate estadual de frango e peru, que teriam o potencial de impactar o elo dos criadores de animais das respectivas cadeias produtivas", diz o documento. Os papéis da companhia operavam, por volta das 11h, com baixa de 4,2%, negociadas a 24,23 reais.

De acordo com a Seae, existem duas alternativas para a aprovação do negócio. A primeira resultaria no licenciamento temporário, por cinco anos, de um ativo da marca principal (Sadia ou Perdigão), acompanhado da alienação do conjunto de ativos produtivos correspondentes à participação de mercado detida pela marca6

A outra saída seria a venda de um bloco de ativos das marcas Batavo, Rezende, Confiança, Wilson ou Escolha Saudável. Em relação às margarinas, a Seae sugere a alienação do conjunto de marcas, acompanhadas dos respectivos ativos produtivos, adquiridos da Unilever.

"Em complemento, sugere-se a adoção de medida comportamental pela qual as Requerentes se obrigam a divulgar e submeter ao CADE seus programas promocionais de fidelidade e bonificação junto aos pontos de venda, objetivando uma maior publicidade", mostra o documento.

É cedo para avaliar tendência de déficit no governo, diz especialista

As contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e (Banco Central) registraram, em maio, o pior resultado para o mês em 11 anos. No entanto, para o professor de finanças públicas da UnB José Matias-Pereira, ainda é cedo para avaliar os impactos do déficit de R$ 509,7 milhões no mês. "É necessário ter cautela, pois o quadro ainda não está muito claro", disse ele.

Em abril, o governo central havia registrado um superávit de R$ 16,596 bilhões. Apesar da queda, Matias-Pereira diz que é preciso observar o resultado dos próximos meses para avaliar se há uma tendência negativa. "Não se pode determinar o que vai acontecer com base nos dados de um único mês", afirmou.

O ano de eleição pode ser um dos fatores que empurram as conta para o déficit, já que "o governo central tende a ficar mais generoso nesta época", explica Matias-Pereira. O professor se diz preocupado com a situação do próximo governante. "O governo está assumindo uma série de compromissos que aumentam os gastos. Não havendo crescimento, o próximo presidente vai começar 2011 já com problemas em demonstrar resultados", avaliou.

Marcopolo investirá R$ 60 milhões em suas operações neste ano

Fabricante de ônibus foca em pesquisas de tecnologia e qualificação de mão-de-obra para atender a demanda.

A fabricante de ônibus Marcopolo anunciou nesta terça-feira (29) investimentos de 60 milhões de reais até o final do ano em suas operações no Brasil e no exterior. Os recursos fazem parte de um programa iniciado em 2008 que injetará 330 milhões de reais para modernizar fábricas, processos produtivos e para desenvolver sua linha de produtos.

A maior parte do valor está sendo aplicada nas unidades brasileiras de Ana Rech e Planalto, em Caxias do Sul, e na Ciferal, no Rio de Janeiro. "Desde 2008, as três fábricas passaram por profundas mudanças, com a aquisição de novos e modernos equipamentos e nos seus layouts de produção. Com isso, conseguimos, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de produção e elevar ainda mais o padrão de qualidade dos ônibus, com ganhos sensíveis para os clientes", diz José Rubens de la Rosa, diretor-geral da Marcopolo, em comunicado.

Rosa afirma ainda que neste ano será inaugurada uma nova unidade, específica para a produção de componentes plásticos, em Ana Rech, e uma nova área de pintura, na Ciferal. "A fábrica de componentes plásticos representa investimento de 30 milhões de reais e será modelo em termos de preservação ambiental e aplicação de novas tecnologias em plásticos de engenharia", afirma o executivo.

Outro ponto do programa é a melhoria e o desenvolvimento constante de seus veículos. A empresa mantém, em Caxias do Sul, uma área exclusiva dedicada a pesquisa e desenvolvimento, com cerca de 300 engenheiros. Nos últimos dois anos, lançou uma nova linha de veículos rodoviários, a Geração 7, além de outros modelos urbanos e intermunicipais, como o Senior Midi e o Ideale, com investimentos de mais de 40 milhões de reais.

Estado português veta venda da Vivo à Telefónica

O Estado português usou hoje seu direito especial como acionista da Portugal Telecom (PT) para rejeitar a venda à espanhola Telefónica, por 7,150 bilhões de euros, de 30% do controle da companhia lusa pela brasileira Vivo.

A votação geral da assembleia de acionistas foi propícia à operação, segundo informou o presidente do sindicato dos trabalhadores da PT, Jorge Manuel Félix, presente na reunião, realizada a portas fechadas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fitch sinaliza elevação do rating do Brasil

Agência de classificação de risco reafirma nota do País e altera a perspectiva de estável para positiva.

A agência de classificação de risco Fitch sinalizou, nesta segunda-feira (28), a possibilidade de elevação do rating do Brasil. A nota BBB- para a dívida de longo prazo em moeda estrangeira foi reiterada e a perspectiva foi revisada de estável para positiva.

"A revisão da perspectiva reflete a resiliência e performance econômica melhores do que o esperado em face à recessão global que, junto com a sua política econômica relativamente prudente, deve permitir que a receita per capita e as taxas de solvência aprimorem firmemente", mostra a análise assinada por Shelly Shetty.

A Fitch disse ainda que não espera uma mudança significativa das políticas econômicas depois das eleições presidenciais de outubro. "Uma política macroeconômica prudente sustentada pelos regimes de metas de inflação e câmbio flexível, um forte balanço externo, um setor financeiro saudável e o consenso sobre as principais políticas econômicas entre os maiores partidos políticos, sustentam o rating de grau de investimento do Brasil", mostra a análise.

Essas forças atuam como um contrabalanço sobre as fraquezas de crédito do País, como a estrutura das finanças públicas, um elevado nível de endividamento público e as baixas taxas de poupança e investimentos, fatores que impedem um crescimento mais acelerado. O Brasil tem resistido muito bem a crise de crédito global e atualmente vive uma das mais rápidas recuperações entre os mercados emergentes os países com rating BBB, afirma Shelly Shetty.

Para a analista, o potencial de crescimento do Brasil vai além do ciclo favorável de preços das commodities e da estabilidade econômica. O avanço está agora também sustentado no desenvolvimento da classe média e a atratividade para crescimento da base de investidores estrangeiros. Para 2010, a Fitch projeta um crescimento de 7% para a economia do país, acima da média de 3,7% dos países com nota BBB.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Oi vai jogar na retranca contra a Portugal Telecom

Empresa torna-se alvo dos portugueses, mas interesse do governo na operadora dificulta fusão, dizem analistas.

Na manhã desta sexta-feira (25/6), Brasil e Portugal enfrentaram-se em Durban pela Copa do Mundo da África do Sul. Em um jogo bastante truncado, o empate conferiu a liderança do Grupo G ao Brasil. Fora dos gramados, outra disputa tão embolada quanto a de hoje começa a opor brasileiros e portugueses. Trata-se do eventual interesse da Portugal Telecom em entrar no capital da Oi, caso venda a sua fatia na Vivo para a espanhola Telefônica. Mas, ao contrário da seleção brasileira, que depositou suas esperanças no ataque de Luis Fabiano e Nilmar - sem resultados -, no jogo das telecomunicações, os brasileiros tendem a ficar na retranca.

O controle da Oi é exercido pela holding Telemar Participações. Já a direção da holding é dividida entre um grupo de investidores privados e fundos de pensão ligados ao governo. Do primeiro lado, encontram-se a Andrade Gutierrez Telecom, a La Fonte Telecom, do empresário Carlos Jereissati, e a Fundação Atlântico (o fundo de pensão da própria empresa). Juntos, esses investidores detêm 50,18% da holding. Do outro, estão a Previ, a Funcef e a Petros, fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras, respectivamente. Junta-se ao grupo, o BNDESPar, o braço do BNDES para participação em empresas. Esses investidores possuem os outros 49,82% da holding.

Se a Portugal Telecom decidisse partir para o ataque, o primeiro alvo seriam os investidores privados da holding. Se algum deles (ou todos) se interessasse, os fundos de pensão e o BNDESPar poderiam formar uma linha de impedimento e barrar a jogada. A avaliação é de Beatriz Battelli, analista de telecomunicações da Brascan Corretora. "Não há nenhum empecilho legal para a venda do controle para uma estrangeira", afirma Batteli. "Mas, pelo acordo de acionistas, o grupo liderado pelo governo pode exercer seu direito de preferência na votação dos acionistas e inviabilizar a venda".

A corretora Ativa também aposta que o governo vai usar os fundos de pensão como zagueiros para bloquear a jogada da Portugal Telecom - tendo o BNDES como cabeça-de-área. "Acreditamos que a participação indireta do governo no bloco de controle, por meio do BNDESPar e de fundos de pensão ligados a empresas estatais, pode atrapalhar esse movimento", afirma a corretora, em relatório assinado pela analista Luciana Leocádio.

Vestindo a camisa

Por ora, parece remota a possibilidade de que os acionistas privados da Oi entreguem o jogo para o rival. Pelo contrário: os sinais mais recentes são de que estão vestindo a camisa da operadora brasileira. Nesta semana, jornais brasileiros informaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o principal executivo da Oi, Luiz Eduardo Falco, e os sócios privados da companhia - os empresários Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, e Carlos Jereissati, da La Fonte.

No encontro, o grupo pediu a ajuda de Lula para blindar a operadora contra uma eventual proposta da Portugal Telecom - e, de quebra, alertaram o presidente sobre o fortalecimento do bilionário Carlos Slim no mercado brasileiro, caso o mexicano conclua a fusão entre a Claro e a Embratel. Lula foi um dos principais defensores da criação de uma supertele de capital nacional - e viu na fusão incompleta da Oi com a Brasil Telecom a realização desse projeto. Por isso, os analistas acreditam que o presidente tenda a apoiar o pleito dos empresários por proteção. O noticiário levou a Portugal Telecom a negar, publicamente, que tenha procurado a Oi para negociar.

Encobrindo o goleiro

O mercado alerta, porém, que não se pode menosprezar o eventual apetite da Portugal Telecom pela Oi. Atualmente, a Vivo representa 51% da receita global da companhia. Seus dirigentes já deram sucessivas declarações de que deixar o Brasil é algo impensável para o grupo. Por isso, os analistas são cautelosos e não descartam que o ataque português surpreenda os brasileiros a ponto de uma oferta atraente encobrir o goleiro – no caso, o governo.

"Não descartamos a possibilidade de uma oferta atrativa o suficiente para convencer os controladores da Telemar a vender o negócio", afirma a Ativa. Embora considera que a entrada da Portugal Telecom tem apenas uma "média probabilidade" de ocorrer, a corretora não descarta uma oferta alta pela empresa: 12,2 bilhões de reais no total, cerca de 5,5 bilhões de euros. A conta considera um múltiplo igual a 10 vezes o ebitda da Oi, além do pagamento de 80% de tag along para os minoritários. Como a última oferta da Telefônica pela metade que os portugueses detêm na Vivo está em 6,5 bilhões de euros, a Portugal Telecom poderia comprar a Oi e ainda sair com dinheiro em caixa.

Para Virgílio Freire, consultor de telecomunicações, ex-presidente da Vésper e Lucent, a conversa dos empresários com Lula pode ter sido um "blefe" da Oi para conseguir benefícios do governo em outros segmentos, principalmente na oferta de serviços de banda larga. "Não duvido que a Portugal Telecom não tenha feito proposta alguma pela Oi, enquanto a Oi foi se mostrar fragilizada ao governo", afirma o consultor. De acordo com Freire, o setor de banda larga é hoje o mais cobiçado pelas operadoras e também o que está com as regras mais indefinidas, por conta do leilão da banda H e da chegada da Telebrás no mercado. "Ninguém vai querer ficar de fora desse segmento, isso sim", diz.

Jogo de cena ou não, o ponto é que, neste momento, a Oi encontra-se numa situação delicada na tabela do mundial das telecomunicações, segundo os analistas. "Entendemos que, na atual conjuntura, a Oi está mais para alvo de aquisição do que para consolidador do setor", diz a Ativa. Os próximos lances dirão se a retranca armada pelo governo será capaz de deter os portugueses.

Eike vende minas, repassa contrato e se mete em encrenca, diz jornal

Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, o bilionário Eike Batista está no centro de um problema envolvendo a Anglo American e uma empresa do Bahrein.

O empresário Eike Batista está metido numa encrenca entre uma mineradora britânica, uma empresa do Oriente Médio e duas minas de ferro no Brasil. O dono do grupo EBX teria criado uma saia justa para a Anglo American, que comprou duas minas da MMX e herdou um contrato que não consegue cumprir com a Gulf Industrial Investiment Co. (GIIC), processadora do minério de ferro no Bahrein.


Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, Eike fechou acordo para fornecer minério de ferro por 20 anos à GIIC, no ano de 2006. Em seguida, em 2008, vendeu por 6,6 bilhões de dólares duas de suas minas da MMX para a britânica Anglo American, que também herdou o contrato com a empresa do Bahreim.

O problema, de acordo com a reportagem do Estado de S. Paulo, é que as duas minas (uma no Amapá e outra em Minas Gerais) conseguem extrair muito menos minério de ferro do que se previa - apenas 20% do que se esperava. Resultado: a Anglo ficou com um contrato que não consegue cumprir e os árabes sem minério de ferro para processar.

Pelo acordo, a GIIC deveria receber anualmente 13 milhões de toneladas do minério de Ferro. No ano passado, a mina do Amapá embarcou somente 2 milhões de toneladas. Já a planta de Minas Gerais só deve começar a funcionar em 2012.

Na reportagem, o grupo EBX, que controla a mineradora MMX, preferiu não comentar o caso. Já a Anglo American negou que tenha fechado acordo neste ano com a CSN para compra de minério de ferro - questão levantada pela reportagem do Estado de S. Paulo - para manter o contrato com a GIIC.

Já os árabes, apesar dos transtornos, não estão ofendidos com os dois parceiros. "O Eike é uma pessoa decente e honesta", disse Al-Qadeeri, executivo da GIIC, que também afirmou ter um bom relacionamento com a Anglo American.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

OSX pode instalar estaleiro de US$ 2 bi no RJ

O secretário estadual de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Julio Bueno, disse hoje que há forte possibilidade de o empresário Eike Batista transferir para o Estado os investimentos de US$ 2 bilhões que seriam feitos para a construção do estaleiro OSX, em Santa Catarina. O empreendimento não recebeu licença ambiental para se instalar em Santa Catarina.

Segundo o secretário, o governo fluminense foi procurado pelo empresário há cerca de um mês com a proposta e está estudando uma área para ser alocada ao novo estaleiro. Ainda não há um prazo definido para o final das negociações.

Julio Bueno participou hoje do lançamento do navio Celso Furtado, no estaleiro Mauá, em Niterói. O navio é o segundo a ser concluído dentro do Programa de Renovação de Frota da Transpetro. Também participaram do evento a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, e o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito.

Light faz parceria com Cielo para parcelar conta de luz

A credenciadora de estabelecimentos comerciais Cielo (ex-Visanet), que cadastra lojistas para a Visa, fechou parceria com a Light Serviços de Eletricidade para o parcelamento das contas de energia em atraso. A partir desta semana, as contas podem ser parceladas em até 60 vezes nos cartões Visa Electron.

O consumidor pode pagar a conta de luz em parcelas por meio de um limite pré-aprovado pelo banco via Crédito Direto ao Consumidor (CDC), disponível nas agências do Bradesco e Banco do Brasil. Com esse limite, é possível parcelar o valor dos débitos. O prazo depende das condições oferecidas por cada banco.

O produto está disponível nas 26 unidades da Light existentes no Estado do Rio de Janeiro. A Light distribui energia em 31 municípios do Estado e presta serviços a aproximadamente 3,9 milhões de clientes. As vendas de energia da Light correspondem a 72% de toda a energia consumida no Estado.

Já a Cielo tem 1,7 milhão de estabelecimentos comerciais cadastrados pelo Brasil. Até o final do mês, é credenciadora exclusiva da bandeira Visa, mas a partir de 1º de julho, começa a cadastrar também para a MasterCard.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

LLX fecha financiamento de R$ 1,2 bi para Porto Sudeste

A LLX, empresa de logística do grupo EBX, do empresário Eike Batista, informou hoje que sua subsidiária LLX Sudeste Operações Portuárias assinou, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), contratos definitivos de financiamento de longo prazo para a implementação do Porto Sudeste. O financiamento, no valor total de R$ 1,212 bilhão, é composto por duas operações: a primeira, no valor de R$ 407,7 milhões, no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (BNDES-PSI), e a segunda, no valor de R$ 805,1 milhões, na modalidade project finance.

Segundo comunicado da empresa, o financiamento no âmbito do BNDES-PSI tem taxa de juros fixa de 4,5% ao ano e destina-se à aquisição de equipamentos nacionais. O prazo total é de dez anos, com carência de dois anos e amortização em oito anos. O financiamento na modalidade de project finance foi estruturado com taxa de juros de 2,18% ao ano mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). O prazo total é de 12 anos, com carência de dois anos e amortização em dez anos.

O Porto Sudeste, localizado no município de Itaguaí, a 80 quilômetros do Rio de Janeiro e a dois quilômetros da malha ferroviária da MRS, está sendo desenvolvido como um terminal portuário privativo de uso misto, com profundidade de 20 metros e capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em sua primeira fase. De acordo com informações da empresa, a obra deverá ser concluída no fim de 2011. O Porto Sudeste deverá escoar a produção das minas da MMX Mineração e Metálicos localizadas em Minas Gerais e de outros produtores de minério de diversas áreas do quadrilátero ferrífero do Estado.

Petrobras pode perder grau de investimento

O adiamento da oferta de ações da companhia pode custar a perda do grau na Fitch.

O adiamento da capitalização da Petrobras de julho para setembro pode custar à estatal a perda do grau de investimento em pelo menos uma das três principais agências que avaliam o indicador. A companhia possui certa "folga" nas classificações da Standard & Poor’s e da Moody’s, mas está perto do limite na avaliação da Fitch. Ontem, a estatal anunciou acordo para tomar US$ 1 bilhão em financiamento norueguês.

Nenhuma das agências de classificação comenta o assunto e há certa expectativa não só do mercado, como também da própria Petrobras, de que haja "bom senso" na avaliação. "Tendo o processo de capitalização já sido iniciado e aprovado por seus acionistas, é uma questão de tempo. Portanto, o endividamento já tem solução próxima prevista", comentou um analista financeiro que ainda aposta na manutenção do indicador.

Segundo seus cálculos, a Petrobras deverá anunciar no balanço do segundo trimestre de 2010 um volume de investimentos maior que a geração de caixa no período - a exemplo do que já ocorreu no primeiro trimestre, quando gerou R$ 15 bilhões e investiu R$ 17 bilhões. Tradicionalmente, lembra o analista, a companhia eleva seus investimentos no segundo e no terceiro trimestres, que possuem um maior número de dias úteis, sem aumento de caixa equivalente.

Isso leva a crer que a estatal teria de utilizar parte dos US$ 27 bilhões que possui em caixa, originados de captações anteriores, como as realizadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou com o banco de desenvolvimento da China. O uso dos recursos pode levar a companhia a ultrapassar o limite de 35% de alavancagem (relação entre dívida e patrimônio), que estava em 32% em março.

"O adiamento da capitalização deve aumentar as preocupações de curto prazo sobre o balanço da empresa", comentaram em relatório analistas do Deutsche Bank, resumindo a visão do mercado neste momento. Os analistas lembram também que, além da capitalização, a Petrobras terá de tomar novos financiamentos para cumprir seu plano de investimentos para até 2014, de US$ 224 bilhões.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Portugueses vendem participação na CCR e ações caem

Fatia da empresa européia na CCR vai para Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Grupo Soares Pinto, que passarão a controlar a empresa.

A concessionária portuguesa Brisa venderá sua participação no capital da CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias (CCRO3) e, com isso, encerrará seus negócios no Brasil. O grupo europeu atua na concessão e operação de rodovias, e deve passar sua participação para os sócios brasileiros por 2,7 bilhões de reais. Às 11h30, as ações da CCR caíam 2,5%, negociadas a 35,30 reais.

Dos 16,35% da CCR em posse da Brisa, cerca de 6% será vendido aos acionistas brasileiros Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Grupo Soares Pinto, que já têm 45% da concessionária e agora passarão a controlar mais da metade da empresa. Os 10% restantes farão parte de uma operação de colocação privada.


A CCR é a maior operadora de rodovias da América Latina, e é responsável por 1.923 quilômetros de rodovias da malha nacional. A empresa também administra 13 quilômetros da nova linha 4 do metrô de São Paulo e detém 45% da companhia de inspeção veicular da capital paulista, Controlar.

O objetivo da venda é reduzir a dívida de curto prazo, de acordo com pronunciamento do presidente da Brisa, Vasco de Melo. “Queremos também financiar seu crescimento futuro em outras regiões. A Brisa precisa se preparar para o futuro e essa foi a melhor solução", disse o presidente em conferência com investidores hoje. A decisão é vista como mais um sinal da fragilidade econômica portuguesa e das incertezas na Zona do Euro.

OGX consegue 5 blocos exploratórios em leilão na Colômbia

A OGX, braço de petróleo e gás natural do grupo EBX, do empresário Eike Batista, venceu a disputa por cinco blocos exploratórios num leilão na Colômbia, confirmou a empresa na noite desta terça-feira.

Segundo comunicado ao mercado, a OGX se comprometeu com investimentos totais de aproximadamente 125 milhões de dólares ao longo dos três anos de programa exploratório inicial, que compreende a aquisição de dados sísmicos e a perfuração de poços.

"A participação da OGX neste leilão representa um passo importante para a expansão de nossas fronteiras de atuação, calcada em ativos de alto potencial e que reúnem todos os ingredientes para grandes descobertas", disse o diretor-geral Paulo Mendonça.

Os cinco blocos conseguidos pela OGX estão em três bacias sedimentares terrestres de diferentes estágios de maturidade -- Cesar-Ranchería, Vale Inferior do Madalena e Vale do Médio Madalena -- e totalizam uma área de aproximadamente 12,5 mil quilômetros quadrados.

"Com este resultado, o portfólio da OGX passa a ser composto por 34 blocos exploratórios, dos quais 12 blocos terrestres e 22 marítimos, totalizando uma área de 41 mil quilômetros quadrados", disse a empresa.

A Colômbia conseguiu cerca de 1 bilhão de dólares em promessas de investimentos nos próximos três anos na licitação de blocos de petróleo e gás natural, de acordo com a agência de petróleo do país.

O objetivo da Colômbia, quarto maior produtor de petróleo da América do Sul, é adicionar pelo menos 4 bilhões de barris de óleo equivalente em suas reservas nos próximos 10 anos. O país recentemente certificou cerca de 3,1 bilhões de boe em reservas provadas e prováveis.

O leilão foi realizado nesta terça-feira em Cartagena e foram oferecidos 200 blocos e quase 80 receberam ofertas, de acordo com autoridades no leilão.

Petrobras faz nova descoberta de petróleo na camada do pré-sal

Poço fica a 130 quilômetros da costa fluminense; novos testes serão feitos para avaliar seu potencial.

- A Petrobras anunciou, na noite desta terça-feira (22/6), uma nova descoberta na camada do pré-sal. A empresa encontrou "indícios de petróleo" em um poço no Campo de Albacora Leste. O local pertence à Bacia de Campos e se encontra a 130 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, sob uma lâmina d'água de 1.956 metros e a uma profundidade de 4.536 metros.

Segundo a nota ao mercado, os exames sugerem "acumulação de óleo leve e de boa qualidade". A empresa ressalva, porém, que "será necessária nova perfuração para avaliar volumes, extensão e produtividade desses reservatórios". O campo é operado pela Petrobras, que detém participação de 90%. Sua parceira é a espanhola Repsol, com 10%.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Segunda capitalização da Petrobras não pode ser descartada.

Investimentos da estatal também podem incentivar fornecedores a abrir o capital.

Nesta terça-feira (22/6), a capitalização da Petrobras deverá ser analisada pelos seus acionistas em assembleia geral. A operação é necessária para completar os recursos que a estatal necessitará para cumprir o seu ambicioso programa de investimentos - 224 bilhões de dólares até 2014. Trata-se do maior plano de investimentos em curso por uma petroleira em todo o mundo. Mas, independente do resultado da reunião de hoje, o porte dos empreendimentos da Petrobras já leva alguns analistas a prever uma segunda capitalização. "A companhia vai precisar de novos financiamentos ao longo do pré-sal", afirma Marco Antonio Ozeki Saravalle, analista da corretora Coinvalores.

As ações da Petrobras são as mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Suas ADRs (American Depositary Receipts) também estão entre as mais procuradas em Nova York. Toda essa liquidez, e as perspectivas de expansão de sua produção, levam Saravalle também a esperar um aumento de investidores que, hoje, ainda não têm uma participação expressiva como detentores desses papéis. No caso mais específico, os chineses. "O investidor chinês vai participar mais do financiamento da companhia", diz.

Para ele, a capitalização em curso deverá somar 58 bilhões de dólares - o mesmo valor que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse ser necessário captar, durante a teleconferência de ontem com jornalistas. O presidente da estatal afirmou, ainda, que a assembleia não vai debater todos os detalhes da capitalização. Saravalle, da Coinvalores, concorda. O analista aposta que a assembleia aprove o aumento de capital, mas não haverá detalhamento sobre a cessão onerosa de barris de petróleo.

Menor risco

O plano anunciado ontem enfatiza os investimentos em projetos no Brasil. Do total, 95% serão aplicados aqui. E a taxa de nacionalização exigida nos projetos será de 67%. Para Saravalle, a decisão é positiva para os fornecedores, e isto também pode repercutir até em novas aberturas de capital de empresas do setor de petróleo e gás. "A carteira da Lupatech duplicou de tamanho", afirmou. "E tem interessados nessas ações (que serão capitalizadas pela Petrobras)", disse.

Os investimentos no exterior diminuíram em relação ao último plano, mas o analista não vê isso como um problema. "Não vejo hoje um ativo de petróleo tão interessante como o pré-sal, e não haverá uma descoberta assim lá fora", disse. Entre as vantagens de investir mais no Brasil e diminuir investimentos no exterior, estão a redução da dependência de derivados no futuro, além da queda do risco cambial.

Presidente da Petrobras vê crescimento em etanol via aquisições

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira que a estatal deverá crescer em produção de etanol através de aquisições.

"Tínhamos estratégia diferente, e mudamos. Era de greenfields (novas usinas) e hoje estamos revendo para crescimento de produção principalmente via aquisições", disse Gabrielli em entrevista sobre o Plano de Negócios da Petrobras para o período entre 2010 e 2014.

A Petrobras prevê investir 3,5 bilhões de dólares em biocombustíveis (produção, logística e comercialização) até 2014, um aumento de mais de 1 bilhão de dólares em relação ao plano anterior.

Nesta segunda-feira a Petrobras anunciou um acordo com a São Martinho que permitirá a expansão do negócio da estatal em etanol para o Centro-Oeste, com a empresa passando a atuar em uma região considerada nova fronteira para a cana.

Há cerca de dois meses, a Petrobras firmou um acordo com a Açúcar Guarani, do grupo francês Tereos, com a estatal detendo na Guarani participação semelhante à fatia que terá em uma nova empresa formada com a São Martinho.

De acordo com Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível, braço de biocombustíveis da estatal, a estratégia de crescimento da petrolífera em etanol terá como base tanto as participações na Guarani quanto na nova empresa constituída com a São Martinho.

A Petrobras tem uma estratégia de não ser majoritária em seus acordos de etanol, mas buscando uma participação relevante.

Juntamente com suas parceiras, a Petrobras tem atualmente capacidade de processamento de 24 milhões de toneladas de cana, com previsão de produção de 890 milhões de litros de etanol na safra 2010/11.

Mas esse volume deve mais que dobrar até 2014, para 2,6 bilhões de litros, segundo o novo plano de investimento da estatal.

A estatal projeta ter entre 4 e 5 por cento da produção de etanol do país em 2014.

Vivo inicia vendas do MicroSIM Card nas lojas e se distancia da concorrência

A operadora de telefonia móvel Vivo está na frente das demais quando se trata de chips 3G para o tablet da Apple, o iPad. Depois de iniciar primeiro que as concorrentes as vendas do MicroSIM Card (cartão de memórias) por telefone, a empresa anuncia que o produto estará a venda também nas lojas.

O Micro Sim Card – fornecido para a Vivo pela Oberthur – já foi para as lojas de São Paulo e a partir da semana que vem estará em todo o Brasil. Para conferir os locais de venda mais próximos, os clientes podem ligar para *8486.

Como o Zeros e Uns informou em primeira mão na ocasião do começo das vendas do chip, novos clientes Vivo que contratarem um plano de dados não pagam nada pelo MicroSIM. Para aqueles que já têm uma conta, o cartão sai por 10 reais.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Petrobras vai aportar R$ 420 milhões na parceria com São Martinho

Nova Fronteira, empresa criada pela sociedade, planeja moer 7 milhões de toneladas de cana em 2014.

Na manhã de hoje (21/6), a Petrobras, por meio da sua subsidiária Petrobras Biocombustível, e o Grupo São Martinho anunciaram a criação conjunta da empresa Nova Fronteira. A nova companhia fará a produção de etanol na região Centro-Oeste do Brasil, no estado de Goiás, e já nasce com um patrimônio líquido de 858,8 milhões de reais e uma dívida líquida de 409,5 milhões de reais.

A Nova Fronteira será composta por dois ativos, provenientes da São Domingos: a Usina Boa Vista, atualmente em produção, e o projeto greenfield SMBJ Agroindustrial (a sigla é referente à denominação São Martinho Bom Jesus), ambos localizados em Goiás.

A Petrobras Biocombustível entra na parceria com o aporte de 420,8 milhões de reais, correspondentes a 49% das ações da nova empresa. O desembolso da Petrobras se dará em duas etapas. A primeira, de 257,6 milhões, ocorrerá depois da conclusão da due dilligence, daqui a até 90 dias, e o restante em até 12 meses.

Os investimentos serão destinados à ampliação da produção de moagem da Usina de da Boa Vista. Localizada em Quirinópolis, interior de Goiás, a unidade terá sua capacidade industrial ampliada dos atuais 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para 7 milhões na safra de 2014/2015.

Em coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (21/6), em São Paulo, as empresas não puderam comentar por que preferiram se unir na parceria de uma nova empresa, em vez de apostarem sozinhos na ampliação de seus negócios. A Petrobras também não comentou se essa é o primeira de outras parcerias que a companhia pretende fechar com produtoras de cana no país.

Petrobras terá plano de investimento de US$ 220 bi

A Petrobras anuncia amanhã seu novo plano de investimentos para o período 2010-2014, que deve vir com um valor superior aos US$ 220 bilhões anunciados como teto no início do ano.

O plano foi aprovado na última sexta-feira pelo conselho de administração da companhia e é uma das variáveis que definirá o valor de sua capitalização.

Analistas não esperam impacto do vazamento de petróleo no Golfo do México, o que vem derrubando as avaliações sobre as empresas envolvidas no processo de emissão de ações da estatal brasileira.

Fontes próximas à companhia dizem que o valor ficará pouco acima do teto de US$ 220 bilhões definido na última reunião do conselho de administração.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tecnisa aposta em estratégia digital para vender imóveis

Buscando se diferenciar em um segmento cada vez mais competitivo, a construtora e incorporadora Tecnisa passou a apostar na tecnologia como ferramenta para ampliar sua atuação e, consequentemente, suas vendas.

A empresa diz ser a primeira do setor a ter lançado mão da Internet para vender imóveis. Por meio do Twitter, já foram mais de 40 imóveis comercializados. Em fevereiro deste ano, concluiu a primeira venda por meio de um aplicativo do iPhone, da Apple.

A aposta em tecnologia, contudo, teve início antes do advento das redes sociais. Em 1998, a Tecnisa fez o lançamento de um empreendimento via Internet.

A companhia afirma participar de todas as mídias sociais, contando inclusive com um gerente de redes sociais para administrar sua presença na Web.

Recentemente, a Tecnisa firmou um acordo com a Apple para o fornecimento de 300 celulares inteligentes iPhone para seus corretores.

"A tecnologia é uma estratégia fundamental e prioritária para a empresa", afirmou à Reuters o vice-presidente financeiro da Tecnisa, Leonardo Paranaguá. "O mercado não é mais como (era) 10 anos atrás e é preciso encontrar outros meios de atuação."

Segundo o executivo, cerca de 30 por cento dos negócios da incorporadora têm origem na Internet.

De olho nos usuários de diferentes aparelhos, a companhia colocou no ar nesta quarta-feira a versão móvel de seu site, voltado a aparelhos celulares com acesso à Internet, principalmente smartphones.

Os recursos voltados à área digital, de acordo com Paranaguá, são integrantes do orçamento de marketing que, neste ano, deve superar 80 milhões de reais. "Os investimentos em mídia digital superam 10 milhões de reais por ano, em média."

Lojas de rua

Apoiada no aquecido segmento de imóveis populares, a Tecnisa também vem investindo na abertura de lojas de rua, ainda pouco comuns no mercado imobiliário no Brasil.

Em março deste ano, a empresa inaugurou uma unidade em Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo, que já resultou na venda de cerca de 600 imóveis, com valor máximo de 250 mil reais.

A iniciativa deve originar outras lojas nos próximos anos em cidades das regiões Sul e Sudeste, além de uma unidade em um shopping center de Osasco (SP), de acordo com o diretor de marketing da Tecnisa, Rogério Santos.

"O que deu certo deve ser replicado... Podemos abrir loja em São Paulo também, se tivermos produtos econômicos na região", afirmou Santos.

Para este ano, a Tecnisa tem a meta de contabilizar 2 bilhões de reais em lançamentos. Do total de imóveis, 50 por cento será destinado ao segmento econômico.

Consolidação

Questionado sobre possíveis movimentos rumo à consolidação, o vice-presidente financeiro da Tecnisa ressaltou que a empresa vem acompanhando o momento de "acomodação" pelo qual passa o setor imobiliário.

Segundo ele, a Tecnisa estuda formas de crescer de forma orgânica ou por meio de fusões e aquisições.

O executivo ponderou que, para ser levada adiante, essas possíveis operações devem garantir à Tecnisa posição de destaque no negócio e preservação de sua marca.

"Estar no controle não é uma condição, mas sim ser um acionista de relevância."

A Tecnisa é controlada por Meyer Joseph Nigri, seu fundador, que detém 62 por cento do capital da empresa. As demais ações estão em circulação no mercado.

BNDES aprova R$ 711,4 mi para projetos da Cosan

A Cosan S.A informou esta noite em novo comunicado ao mercado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o empréstimo de R$ 711,4 milhões destinado aos projetos de cogeração nas unidades Univalem, Ipaussu, Barra e Bonfim, localizadas no Estado de São Paulo. Segundo o comunicado assinado pelo diretor de relação com investidores da Cosan, Marcelo Martins, o apoio financeiro está dividido em três linhas de financiamento, que refletem as condições atuais do BNDES e de risco da Companhia.

Uma linha de cogeração terá prazo médio de 13 anos de pagamento, com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 1,92% ao ano, com financiamento de R$ 307,3 milhões do total. A segunda linha será a Finame PSI (Programa de Sustentação do Investimento), com prazo de 10 anos, com custo total de 4,5% ao ano, desde que contratada até 30 de junho de 2010. Nesta linha, ficará a maior fatia do financiamento, de R$ 400,5 milhões. A linha restante será destinada a projetos sociais, com prazo de oito anos, com custo TJLP, em que serão alocados créditos de R$ 3,6 milhões.

Do total do financiamento de R$ 711,438 milhões, a unidade da Univalem receberá R$ 123,6 milhões; a unidade Ipaussú ficará com R$ 176,05 milhões, a Barra terá a maior fatia, de R$ 307 milhões, e a Bonfim receberá R$ 104,7 milhões.

No final do ano fiscal 2009/10, em 31 de março de 2010, de uma dívida líquida total de R$ 4,25 bilhões, a fatia da dívida com BNDES e Finame era de R$ 1,257 bilhão.

OGX amplia estimativa de reserva na Bacia de Santos

Poço perfurado no prospecto Natal teve sua coluna total ampliada de 42 para 180 metros.

A OGX comunicou hoje (17/06) ao mercado que concluiu que a descoberta anunciada anteriormente no prospecto Natal na Bacia de Santos refere-se a uma acumulação de hidrocarbonetos líquidos e gás associado. A coluna total e o net pay (soma das seções saturadas de petróleo) identificados foram ampliados, respectivamente, de aproximadamente 42 para 180 metros e de 34 para 75 metros em arenitos, com excelentes condições permo-porosas, segundo a empresa.

Os hidrocarbonetos líquidos encontrados são de ótima qualidade, diz a OGX. "A descoberta de hidrocarbonetos líquidos em arenitos de alta permo-porosidade nos surpreendeu positivamente, apontando para uma maior atratividade do projeto", afirma Paulo Mendonça, diretor geral da OGX, em comunicado ao mercado.

No dia 24 de maio de 2010, foi anunciada essa descoberta de hidrocarbonetos, na seção santoniana do poço OGX-11D. O poço se situa a 104 quilômetros da costa, onde a lâmina d'água é de aproximadamente 170 metros. A sonda Ocean Quest, fornecida pela Diamond Offshore, iniciou as atividades de perfuração no dia 9 de abril de 2010. A perfuração do poço encontra-se em andamento até a profundidade total estimada de 6.100 metros em busca de objetivos mais profundos. A OGX detém 100% de participação neste bloco.

SABESP

Maior companhia de saneamento do Brasil, a Sabesp se inspirou na petrolífera para se transformar num negócio de soluções ambientais - e o melhor: sem gastar quase nada com isso.

No próximo mês de julho, os executivos da Idaan, estatal encarregada do saneamento básico do Panamá, receberão uma visita atípica. Pela primeira vez em seus pouco mais de 100 anos de história, a empresa abrirá as portas a um time de forasteiros que deverão percorrer todas as instalações à procura de possíveis focos de desperdício de água. Cinco dos 12 técnicos que vão trabalhar nessa tarefa nos próximos três anos são brasileiros - todos eles funcionários da Sabesp, estatal de saneamento do estado de São Paulo. A viagem desse grupo é representativa de dois movimentos que a Sabesp começou a fazer recentemente. O primeiro deles é a internacionalização, cujo início será marcado pelo projeto no Panamá. O segundo, a diversificação dos negócios - em outras palavras, a venda de serviços que vão muito além do tratamento de água e esgoto, como consultoria para redução de desperdício e comercialização de água de reúso, utilizada para fins industriais e na limpeza de ruas. Apesar de relativamente recentes (o primeiro contrato foi firmado no final de 2007), tais iniciativas renderam à Sabesp cerca de 320 milhões de reais nos resultados do ano passado. É um valor modesto se comparado aos 6,7 bilhões de reais que a estatal faturou em 2009, mas oferece uma boa pista do caminho que a empresa deverá seguir daqui para a frente. "Assim como a Petrobras se tornou uma empresa de energia, queremos ser reconhecidos como uma companhia de soluções ambientais", diz Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade e presidente da Sabesp desde 2007, numa alusão direta ao fato de a Petrobras investir hoje em negócios que não estavam originalmente em seu DNA, como o etanol.

Fundada em 1973, a Sabesp, maior companhia de saneamento do Brasil e quinta maior do mundo, é - e será por um longo tempo - essencialmente uma empresa de saneamento básico. Sua função é fundamentalmente levar tratamento de água e esgoto aos 645 municípios do estado de São Paulo. Atualmente, 60% das cidades paulistas são abastecidas pela Sabesp e 72% da rede de atendimento tem seu esgoto tratado, o maior índice em um país ainda vergonhosamente carente desse tipo de serviço. A companhia vinha reinando absoluta no setor até que, em janeiro de 2007, a aprovação da Lei do Saneamento e do marco regulatório abriu o mercado para a competição, inclusive por parte de empresas privadas, como a espanhola OHL e a Foz do Brasil, do grupo Odebrecht. "De uma hora para outra, a Sabesp precisou buscar novas formas de atuação", diz Alexandre Montes, analista da corretora de valores Lopes Filho. Foi aí que surgiu a ideia de oferecer serviços voltados para o mercado corporativo, algo até então proibido por lei. Uma das primeiras iniciativas nesse sentido foi o serviço de telemedição, que detecta aumentos anormais no consumo em prédios comerciais - em dois anos, a Sabesp fechou contratos desse tipo com 2 000 clientes públicos e privados.

Embora a busca por novas fontes de receita com base em soluções ambientais seja uma tendência entre as grandes empresas de saneamento no mundo - esse tipo de serviço responde por aproximadamente 20% da receita da francesa Suez, por exemplo -, foi somente agora que a Sabesp conseguiu dar vazão a alguns projetos mais inovadores. Em fevereiro, a empresa leiloou duas concessões para a construção de pequenas centrais hidrelétricas na bacia da Cantareira, responsável pelo abastecimento de boa parte da capital paulista. Juntos, os dois projetos devem gerar uma receita adicional de 1,6 milhão de reais para a Sabesp por ano - sem que a empresa tenha investido um centavo na empreitada. "Nossa ideia era aproveitar as quedas d’água já existentes na represa para gerar energia", diz Oliveira. Em outra frente, a Sabesp está investindo 8 milhões de reais para a construção de seu primeiro aterro sanitário, na cidade de São João da Boa Vista, a 220 quilômetros de São Paulo. A previsão é que o projeto seja concluído até o final deste ano e que gere uma receita da ordem de 2 milhões de reais. A iniciativa mais audaciosa, no entanto, deve começar a sair do papel em junho. Trata-se do Aquapolo Ambiental, a maior estação de água de reúso do hemisfério sul, com capacidade de processar até 1 000 litros por segundo. A construção será realizada em parceria com a Foz do Brasil e servirá para abastecer o polo petroquímico de Capuava, no ABC paulista. Dos 252 milhões de reais investidos na estação, aproximadamente 120 milhões sairão do caixa da Sabesp.

Mais do que fazer as pazes com a natureza ao desenvolver soluções ambientalmente responsáveis, a Sabesp tenta dar conta de um problema inerente a seu negócio: o desperdício de água. Hoje, a empresa conta com um índice de perda de água de 26% - valor relativamente baixo se comparado à média brasileira, de 40%, e à média mundial, de 50%, mas considerado elevadíssimo em relação à taxa europeia, que oscila de 10% a 14%. Estima-se que tais perdas, resultado principalmente de vazamentos nas adutoras, evaporação nas estações de tratamento e uso descuidado da água por parte do consumidor final, façam com que a Sabesp deixe de faturar cerca de 1,5 bilhão de reais por ano - dinheiro que escorre pelo ralo.

"Nossa meta é diminuir esse índice para 13% até 2019", diz Oliveira. Para chegar lá, a Sabesp foi buscar inspiração na estatal japonesa Jica e na israelense Mekorot, consideradas as companhias de saneamento mais eficientes do planeta, com um índice de desperdício próximo de 6%. No ano passado, as duas empresas selaram uma parceria com a Sabesp para transferência de tecnologia, que inclui a importação de software e equipamentos. Para os investidores, porém, esses esforços ainda devem demorar a trazer resultados significativos. "Para quem compra os papéis da Sabesp, as soluções am bientais não têm muita relevância", afirma Montes, da corretora Lo pes Filho. "O que ainda importa mesmo é a ampliação da rede de coleta e tratamento de esgoto." Pelo menos por enquanto.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Telebrás: retomada das atividades depende de mudança no estatuto

O presidente da Telebrás (TELB3, TELB4), Rogério Santanna, afirmou que o maior obstáculo para a estatal retomar suas atividades é uma mudança no estatuto - fator indispensável para que a empresa desempenhe as funções que constam no PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Santanna estima que isso será resolvido até julho.

A mudança depende de aval de três ministérios: Fazenda, Planejamento e Comunicações. Outro ponto que tem impedido o retorno à atividade é a falta de funcionários - a maioria deles está cedida à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Santanna informou que já enviou ofício à Anatel solicitando o retorno de cerca de 60 funcionários até julho, mas ainda não houve resposta.

Com relação a um possível fechamento de capital da empresa, Santanna afirmou ser "desnecessário" e disse que isso não está sendo discutido pelo governo.

Troca no Conselho
O presidente da empresa também confirmou a possibilidade de troca na presidência do Conselho de Administração da Telebrás, atualmente ocupada por Ronaldo Dutra de Araújo, mas que pode ser substítuido por César Alvarez - assessor especial da Presidência da República e coordenador dos programas de inclusão digital do governo.

Congestionamento no interesse de acionistas faz ações do grupo Oi despencarem 8%

Acionistas rejeitam reorganização societária em assembleia geral no começo da tarde desta quarta-feira.

As ações do grupo Oi apresentam forte queda após a divulgação da rejeição dos acionistas da Brasil Telecom (BrT) à proposta de troca de ações entre a BrT e Telemar no começo da tarde desta quarta-feira (16). Os papéis ordinários da Brasil Telecom (BRTO3) caíam 8,43% às 14 horas, negociados a 16,84 reais, enquanto os preferenciais (BRTO4) recuavam 2,64% no mesmo horário. As ações ordinárias da Telemar, por sua vez, tinham queda de 2,99%.

A votação aconteceu em assembleia geral extraordinária nesta quarta-feira (16). Em comunicado oficial ao mercado logo após o término da reunião, o diretor de relações com investidores, Alex Zornig, informou a suspensão da reorganização societária. “Tendo em vista a rejeição das novas relações de substituição, as Companhias informam que a simplificação societária, conforme proposta e divulgada em Fato Relevante datado de 25 de abril de 2008, está suspensa por prazo indeterminado”.

O motivo que pode ter motivado a reprovação da reestruturação societária da Oi foi a revisão da relação de troca dos papéis da Brasil Telecom pelos da Telemar, anunciada em março deste ano. A proposta mais recente dava para os acionistas ordinários da Brasil Telecom (BRTO3) o direito de receber 0,3955 da ação TMAR3, abaixo da proposta anterior de 0,4137.

O mesmo aconteceu com as ações preferenciais. O investidor que aguardava ganhar 0,2531 da ação TMAR5, precisaria se contentar com 0,2191. Grandes empresas que dão aconselhamentos em assembleias, como a Glass Lewis e a ISS já tinham sugerido o voto contrário. A mudança da relação de troca também gerou reclamações da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais).

Esse foi o segundo susto que os acionistas levaram em 2010. Depois de ser comprada pela Telemar em janeiro de 2009, a Brasil Telecom informou, em 3 de abril, que a empresa tinha R$ 1,45 bilhão em contingências judiciais. Entretanto, em janeiro de 2010, a empresa revisou os números para R$ 2,535 bilhões. O fato interrompeu o processo de reestruturação, levando ao novo cálculo da relação de troca.

"Eles deram a informação de que a contingência era de 70 milhões de reais. Aí, simplesmente, se suprime a informação e altera, sem explicações. Você pode ter induzido investidores. É uma interpretação inadequada", explica Edison Garcia, superintendente da Amec.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Embraer vê recuperação em entregas nos próximos 2 anos

A Embraer prevê uma recuperação nas entregas de jatos regionais nos próximos dois anos, com a indústria de aviação comercial tendo uma recuperação mais forte que a esperada.

"Até 2012 poderemos voltar aos níveis recordes de 2008", disse Luiz Chiessi, vice-presidente de inteligência de mercado da fabricante de jatos, à imprensa nesta quarta-feira.

Chiessi disse que a Embraer vai entregar cerca de 90 unidades da família de jatos da família E-jet este ano, contra quase 120 em 2009. Em 2012, a companhia pode entregar entre 140 e 160 jatos, com uma melhora já observada em 2011.

Em 2008, a Embraer entregou 160 aviões da família de aparelhos que comporta entre 80 e 120 assentos. A previsão veio um dia depois que a Boeing anunciou planos para aumentar a produção de jatos de menor porte, pela segunda vez este ano. A Airbus também está aumentando sua produção.

As companhias aéreas esperam voltar ao lucro em uma base global este ano após recessão de dois anos no setor. A exceção é a Europa, que está enfrentando uma crise de dívida.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) disse que os dados provisórios de maio sugerem uma forte recuperação no tráfego - que recuou durante abril por conta da entrada em erupção de um vulcão islandês - embora veja riscos futuros para a Europa.

A Embraer concorre principalmente com a canadense Bombardier no mercado de aeronaves com 60 a 120 lugares, mas ambas também estão invadindo o mercado de aviões com mais de 100 lugares, controlado por Airbus e Boeing.

A companhia está estudando a possibilidade de atualizar seus aviões E-Jet regionais para melhorar a eficiência no consumo de combustível.

Qualquer melhoria envolveria uma evolução dos modelos já existentes com motores novos ou asas modificadas. A fuselagem seria mantida, disse Chiessi, acrescentando que a decisão será tomada no segundo semestre deste ano.

O executivo também disse que a empresa não negocia cooperação com a EADS, controladora da Airbus, apesar das breve indicações surgidas da empresa europeia na semana passada.

Chiessi disse que as companhias discutiram uma cooperação no passado, quando a EADS tinha ações da Embraer, mas "agora não há nada na mesa".

"Não posso decidir o que comer de almoço se não há nada no menu", afirmou ele a jornalistas.

O presidente-executivo da EADS, Louis Gallois, afirmou em entrevista em Berlim, na semana passada, que a companhia europeia tinha interesse "em encontrar maneiras de parceria" com a Embraer. Pouco depois o executivo minimizou rumores sobre uma aliança.

Marfrig quer a liderança mundial de "food service"

A Marfrig Alimentos deu mais um passo na busca pela liderança no mercado mundial de "food service".
Com a aquisição da norte-americana Keystone Foods, por US$ 1,26 bilhão, a Marfrig estreia nesse segmento nos EUA com porte de empresa grande e presença garantida em todas as fases da cadeia, do abate à distribuição.

A companhia também estende o seu relacionamento com grandes redes de fast food, como McDonald's, e agrega novos clientes em "food service", como Subway, Campbell's e ConAgra.

A Keystone opera 54 unidades de produção e centros de distribuição, atendendo a mais de 28 mil restaurantes em 13 países.

No ano passado, teve receita líquida de US$ 6,4 bilhões, pouco menor do que a Marfrig, que teve vendas líquidas de aproximadamente US$ 6,7 bilhões em 2009.

"Em termos estratégicos, a aquisição faz sentido para a Marfrig, que procura ampliar sua diversificação geográfica e focar nos canais de distribuição mais rentáveis", afirma o analista Rafael Cintra, da Link Investimentos.

"As empresas brasileiras procuram cada vez mais ampliar as suas formas de atuação para diminuir riscos", diz a analista Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria.

A Keystone produz e distribui alimentos à base de carnes bovina, suína, de frango e peixe. Cerca de 60% da receita vêm da atividade de distribuição e 40% do abate.

A Marfrig tornou-se importante ator no mercado internacional de "food service" em 2008, com a aquisição da Moy Park, no Reino Unido, fornecedora de carnes para redes como KFC, Sainsbury's, Tesco e McDonald's.

"Com a Keystone, a Marfrig pode repetir o mesmo resultado que obteve com a Moy Park. Em menos de dois anos, conseguiu dobrar a margem Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) da empresa europeia", diz Cintra.

Apesar da avaliação positiva, as ações da Marfrig reagiram mal ao anúncio, fechando em queda de 2,84%, a R$ 16,37.

Para a analista Juliana Rozenbaum, da Itaú Securities, dúvidas sobre a estrutura de financiamento para pagar a compra e potenciais ganhos de sinergia levaram ceticismo ao mercado.

Para pagar a Keystone, a Marfrig vai emitir US$ 1,3 bilhão em debêntures conversíveis em ações. Mas ainda não se sabe se o BNDES, que já possui 14% de participação na empresa, garantirá parte da compra dos títulos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Marfrig compra americana Keystone Foods por US$ 1,26 bi

A processadora brasileira de aves, suínos e bovinos Marfrig anunciou a aquisição da totalidade das ações da norte-americana Keystone Foods por 1,26 bilhão de dólares, informou a empresa na noite desta segunda-feira.

Com a aquisição da Keystone, que atua no desenvolvimento, produção, comercialização e distribuição de alimentos à base de carnes, a Marfrig se torna uma das fornecedoras de toda a cadeia internacional de McDonald's, Campbell's, Subway, ConAgra, Yum Brands e Chipotle.

"O mercado global de alimentação está crescendo e o Brasil tem se capitalizado nesse crescimento através de consolidações estratégicas dentro da indústria de proteínas", afirmou a Marfrig em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para financiar a aquisição e manter a flexibilidade em seu balanço, a Marfrig irá emitir 2,5 bilhões de reais através de uma subscrição privada de debêntures mandatoriamente conversíveis em ações, com prazo de 5 anos e direito de preferência para os atuais acionistas, com preço de conversão de 21,50 reais.

"O preço de conversão poderá ser ajustado para o preço de mercado, caso o preço de conversão como calculado acima seja superior ao de mercado na época da conversão, com valor mínimo em 24,50 reais", disse a empresa.

Para o CEO da Keystone Foods, Jerry Dean, a diversidade da companhia, com operação e alcance mundiais, "irá prover novas e atrativas oportunidades para a Marfrig com substantivos clientes globais de 'food service' e industriais".

A Keystone atende a mais de 28 mil restaurantes em 13 países e teve no ano passado uma receita líquida de 6,4 bilhões de dólares em seus negócios de alimentos e distribuição.

Segundo o comunicado, a conclusão do negócio está sujeita às condições usuais aplicáveis a transações similares, incluindo a aprovação das autoridades reguladoras da livre concorrência.

"Espera-se que essa aquisição e seu financiamento estejam concluídos durante o segundo semestre de 2010", disse a Marfrig.

TRF mantém multas à CSN, Cosipa e Usiminas por formação de cartel

Decisão refere-se a penalidades aplicadas em 1996 pelo Cade.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) obteve, nesta segunda-feira (14/6), uma vitória contra as siderúrgicas CSN, Usiminas e Cosipa. A 6ª Turma do Tribunal Regional Federal de Brasília decidiu manter as multas impostas às companhias, em 1996, pelo Cade. Na época, o órgão de fiscalização do mercado decidiu punir as empresas por formação de cartel, e aplicou uma multa total de 51 milhões de reais - valor que deve, agora, ser corrigido.

A decisão do Cade foi baseada em um parecer da Secretaria de Direito Econômico (SDE), vinculada ao Ministério da Justiça. Naquele ano, a SDE afirmou que as três siderúrgicas trocaram informações na fase em que estavam estudando o reajuste de preços. Depois, em meados de 1996, as companhias corrigiram suas tabelas com percentuais muito semelhantes, e em um período próximo de tempo.


A relatora do caso no TRF, desembargadora Maria Isabel Gallotti, afirma que "o paralelismo de conduta" não é "ilícito", desde que esteja caracterizada a autonomia de cada empresa. "O que a lei veda é o acordo entre as empresas (formal ou informal, expresso ou velado) a respeito de preços e condições de pagamento, na medida que tal conduta impede a normalidade da atuação das forças de mercado."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bolsa prevê abertura de capital de 200 cias em 5 anos

A BM&FBovespa prevê a abertura de capital de 200 empresas nos próximos cinco anos, o que representaria aumento superior a 40% sobre as 467 companhias listadas atualmente. Segundo o presidente da Bolsa, Edemir Pinto, metade dessas novas companhias serão pequenas e médias e devem ser listadas no segmento Bovespa Mais, voltado para empresas de menor porte. Hoje o Bovespa Mais conta apenas com uma empresa, a Nutriplan. "O volume de pequenas e médias empresas é assustador. Existem mais de 15 mil empresas com faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 400 milhões", disse.

O executivo explicou que a instituição está fazendo grandes esforços para atrair empresas de menor porte, como o convênio anunciado hoje com o Parque Tecnológico São José dos Campos. A parceria prevê a disseminação de informações sobre instrumentos de financiamento por meio de uma equipe da Bovespa que se instalará dentro do parque até o final deste mês. De acordo com o Edemir Pinto, o parque conta atualmente com 50 empresas, mas sua atuação não se restringe a essas companhias. Apesar da perspectiva positiva para o Bovespa Mais, o executivo explicou que não haverá nenhuma mudança nas regras desse segmento, como o prazo de sete anos para atingir free float (total de4 ações em livre negociação no mercado) de 25%.

Uma questão de sobrevivência

Pressionada pela queda de receita e pela fuga de clientes em sua operação de telefonia fixa em São Paulo, a Telefônica briga desesperadamente pelo controle da Vivo.

O terceiro encontro anual promovido pela Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, ocorrido no dia 16 de maio em Madri, tinha tudo para repetir o tedioso script dos eventos anteriores. No histórico prédio da bolsa de valores, cerca de 300 presidentes e altos executivos de empresas da União Europeia, da América Latina e do Caribe reuniram-se para discutir alternativas de negócios no período pós-crise. O previsível programa oficial, porém, não despertava grande interesse entre os presentes. O assunto nas rodinhas de executivos era outro: a oferta da Telefônica pela fatia da Portugal Telecom na Vivo (hoje cada uma delas detém 50% de participação na maior operadora brasileira de telefonia celular). "A Europa inteira deve intensificar suas relações com a América Latina", disse Cesar Alierta, presidente do grupo Telefônica e um dos palestrantes do encontro. "Ela nos importa muitíssimo." A ênfase de Alierta se dá principalmente pelo tamanho do negócio em jogo - líder do mercado brasileiro, a Vivo registrou em 2009 uma receita líquida de 16,3 bilhões de reais. No dia 6 de maio, a Telefônica havia feito uma oferta de 5,7 bilhões de euros pela fatia da PT, prontamente rechaçada pelo conselho de administração da empresa. Passados pouco mais de 20 dias e após uma série de acusações mútuas pelos jornais europeus - o presidente da PT, Zeinal Bava, chegou a dizer que não se renderia à chantagem dos sócios espanhóis -, a Telefônica elevou sua proposta para 6,5 bilhões de euros. Os portugueses têm até o dia 30 de junho para decidir em assembleia se vendem ou não sua participação.

A disputa entre espanhóis e portugueses é emblemática de um novo momento pelo qual passa o setor de telefonia no Brasil. Criado há pouco mais de uma década, o modelo adotado nas privatizações previa o loteamento do mercado entre as operadoras fixas, móveis e de TV por assinatura - algo que poderia fazer sentido na época, mas que graças ao avanço da tecnologia se tornou anacrônico. As operadoras de celular, por exemplo, ganharam a possibilidade de oferecer serviços sofisticados, como banda larga móvel, mas se viram impelidas a investir pesadamente em infraestrutura de rede - só em 2009 foram gastos quase 7 bilhões de reais. Paralelamente, as empresas de telefonia fixa, que no passado investiram em expansão, assistiram a uma debandada de clientes que migraram para o celular - atualmente há 41 milhões de linhas fixas no Brasil, ante 181 milhões de celulares em operação. Sem fronteiras bem definidas, o mercado brasileiro transformou-se nos últimos três anos numa praça de guerra, em que a disputa pelos clientes se dá muitas vezes em cima de preço - corroendo as margens das operadoras.

Nesse contexto, a ofensiva da Telefônica pelo controle da Vivo tomou proporções dramáticas. Os espanhóis precisam desesperadamente de uma solução para o que se tornou um enorme problema: sua operação fixa em São Paulo. A antiga Telesp, que já foi a maior fonte de dinheiro do grupo, vem diminuindo ano a ano. Desde 2008, sua receita líquida baixou 1,1%, para 15,7 bilhões de reais, e seu lucro líquido caiu 10,2%, para 2,1 bilhões de reais. Ainda é muito dinheiro - mas a tendência de redução progressiva no tamanho do negócio é alarmante. Enquanto isso, o faturamento líquido da Vivo cresceu 3,4%, para 16,3 bilhões de reais, e seu lucro, 120%, para 857,5 milhões. "A telefonia fixa é encarada hoje como mero acessório", afirma Valder Nogueira, analista de telecomunicações do banco Santander. "O crescimento virá da telefonia móvel. As pessoas utilizarão o aparelho para tudo: assistir à TV, acessar a internet e mandar mensagens." Os investidores já perceberam a mudança. Hoje a Vivo vale 24 bilhões de reais, 41% mais que a Telesp. Dois anos atrás, a situação era inversa: a operadora de telefonia fixa dos espanhóis valia o dobro da de celular. "Contar com uma operação sólida no Brasil passou a ser questão de sobrevivência", diz Luiz Faro, diretor da consultoria Naxentia. Em Madri, a Telefônica destacou 20 executivos para traçar um plano B, C e D caso não consiga ficar com a Vivo. O mais imediato deles é partir para cima da subsidiária brasileira da TIM. "Seria nossa opção mais barata", diz um alto executivo da Telefônica que participa das negociações.

Enquanto isso, a concorrência se arma. Em maio, o bilionário mexicano Carlos Slim iniciou o processo de fusão entre a América Móvil, no Brasil dona da Claro, e a Telmex, dona da Embratel (ambas controladas por ele). Os acionistas das duas empresas têm até o final do mês para aprovar uma reorganização societária que coloca a Embratel sob o guardachuva da Claro, segunda maior operadora de celular do Brasil, com faturamento líquido de 12 bilhões de reais. Se concluída, a operação poderá representar uma economia de até 30% nos custos da nova empresa, além de permitir a oferta de pacotes de serviços que incluem telefonia fixa, móvel e banda larga.

O que aconteceu em mercados maduros como Europa e Estados Unidos mostra que o caminho rumo à convergência de serviços é inevitável - e ficar fora dele pode cobrar um preço alto. Há pouco mais de cinco anos, empresas como a americana AT&T sofriam dos mesmos problemas que hoje afligem as operadoras no Brasil: rentabilidade e receita por usuário em queda, custos elevados e fuga de clientes. O jeito foi unir forças com outras operadoras de modo a oferecer serviços combinados de TV por assinatura e internet, aumentando os gastos dos clientes. Na AT&T, a oferta de pacotes quadriplay, como são conhecidos esses serviços completos, só foi possível após a aquisição de cinco empresas. "No Brasil, a convergência é uma questão de tempo", diz Robin Bienenstock, analista sênior da butique de investimentos britânica Bernstein Research.

Lupatech fecha novo contrato com Petrobras, no valor de R$ 123 milhões

A Lupatech, fabricante de válvulas e equipamentos para a indústria de petróleo, anunciou novo acordo com a Petrobras, desta vez no valor de R$ 123 milhões. Em fato relevante divulgado ao mercado, os serviços de preservação e reparo geral de equipamentos serão executados pela subsidiária Lupatech Equipamentos e Serviços para Petróleo (antiga Gasoil Serviços) nas bases da estatal.

O contrato de serviços tem prazo de cinco anos a partir do início das operações e pode ser renovado por outros cinco anos.

A Lupatech informa que não estão previstos investimentos de capital, apenas o fornecimento de mão de obra especializada. Segundo a companhia, a expectativa é de que serão necessários 250 novos colaboradores. As receitas referentes a este acordo devem ser reconhecidas pela Lupatech a partir do segundo semestre do ano.

Vale recordar que, no início de junho, a Lupatech e a Petrobras tinham acertado dois outros contratos, que superavam R$ 1 bilhão.

A companhia ressalta que continuam as negociações para outros acordos decorrentes de licitações, nas áreas de serviços de cabos de ancoragem.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Santander: Brasil é um claro vencedor na crise

Para o banco espanhol, os mercados emergentes, como Brasil e México, vão puxar os ganhos da empresa nos próximos anos.

O espanhol Banco Santander acredita que os mercados emergentes, como Brasil e México, vão puxar os ganhos da empresa nos próximos anos, contrabalançando a perspectiva ruim para a Espanha, de acordo com o presidente da instituição, Emílio Botín. Em reunião geral anual do banco realizada hoje, o executivo afirmou que o Brasil é "um claro vencedor" na crise.

Em seu discurso aos acionistas, Botín disse também que o Santander espera ter um lucro líquido neste ano similar ao de 2009, apesar da atual incerteza econômica e da fraqueza na Espanha. O Santander, que é o maior banco da zona do euro em valor de mercado, registrou lucro líquido de 8,894 bilhões de euros (US$ 10,7 bilhões) no ano passado.

Segundo Botín, a instituição vai manter o pagamento de dividendos em 0,60 euro por ação neste ano. "Eu estou confiante no futuro. O Grupo Santander está mais bem preparado do que nunca para crescer e aperfeiçoar seus ganhos", afirmou o executivo.

Botín destacou que a estrutura diversificada do banco - que possui uma grande presença em nove países, incluindo Espanha, Brasil, Reino Unido, México e o Nordeste dos Estados Unidos - tem ajudado a instituição a sustentar o crescimento e a equilibrar os riscos durante a crise financeira global dos últimos dois anos. As informações são da Dow Jones.

Itaú é a marca brasileira de maior valor: R$ 20,6 bi

Ranking da Interbrand tem, na sequência, Bradesco, Petrobras, Banco do Brasil e Skol.

O Itaú é a marca mais valiosa do Brasil. Segundo o Ranking Interbrand de 2010, segmentado para o mercado brasileiro, o valor é de R$ 20.651 bilhões. Com o resultado, o Itaú poderia ser a décima sétima marca mais valiosa do mundo, caso atuasse globalmente. De acordo com a listagem mundial desenvolvida pela mesma consultoria, o banco está atrás da Louis Vuitton e à frente de todas as outras instituições financeiras do mundo.

O segmento lidera o ranking no Brasil com o Bradesco em segundo lugar e o Banco do Brasil em quarto. A Petrobras é a terceira marca mais valiosa, com Skol em quinto. Natura, Brahma, Antarctica, Vivo e Renner completam o Top 10. Este resultado reflete a solidez do sistema financeiro brasileiro e, sobretudo, o lucro que os bancos geram, uma vez que o estudo da Interbrand começa baseado em uma análise financeira. Na sequência, o ranking analisa o papel e a força da marca, levando em consideração a receita que é gerada apenas por ela.

Assim como o Itaú, o Bradesco, a Petrobras, o Banco do Brasil, a Skol, a Natura e a Brahma também poderiam figurar na lista das maiores marcas globais da Interbrand, não fosse o fator presença. Nenhuma destas marcas tem atuação global consolidada. Este é uma das características analisadas pela consultoria na formulação da Força da Marca, que sofreu mudanças no último ano e passou a levar em consideração, além da presença, a autenticidade, a clareza, o seu comprometimento, a proteção, a sua capacidade de resposta às ameaças, a sua diferenciação, a relevância, o entendimento e a consistência, um dos principais atributos.

O peso da marca

Esta é a segunda vez consecutiva que o Itaú conquista a liderança entre as marcas mais valiosas do Brasil. No levantamento realizado pela Interbrand na América Latina no ano passado, a marca ficou à frente do Bradesco, do Banco do Brasil, da Petrobras, do Unibanco, da Vale, da Natura, da Vivo, da Gerdau e da Usiminas, respectivamente. "Essas marcas são conhecidas, reconhecidas pelas pessoas e sólidas", aponta Alejandro Pinedo, diretor geral da Interbrand no Brasil.

A liderança do Itaú é creditada a dois fatores principais: o ganho que obteve com a integração da marca Unibanco e a redução de custos obtida com a fusão entre os bancos, influenciando no melhor resultado financeiro. Em 2009, o seu lucro líquido foi de R$ 10,1 bilhões, com um crescimento de 29% em relação a 2008. "O peso da marca reflete a confiança que o cliente tem ao aplicar o seu dinheiro", afirma Fernando Chacon, diretor de marketing do Itaú.

O papel da marca no cálculo de seu valor entra nas estratégias desenvolvidas pelo Itaú. "Temos uma disciplina de gestão de marca obsessiva", conta Chacon. "Não fazemos apenas propaganda, pensamos nos produtos e nas pessoas que trabalham com a gente para desenvolver um negócio que seja sustentável e que entregue valor para todo mundo", ressalta o executivo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ação da Petrobras está barata

O ambicioso plano de investimentos da Petrobras deu um importante passo nesta madrugada, quando o Senado aprovou o projeto que prevê a capitalização da estatal. Agora ainda falta o governo definir alguns termos da oferta bilionária de ações da companhia a ser realizada nas próximas semanas. Para o investidor, no entanto, já é hora de começar a avaliar se vale a pena entrar ou ficar de fora da operação. O Portal EXAME ouviu cinco analistas de mercado e gestores sobre a capitalização. Quatro afirmaram que o grande atrativo da oferta é que as ações da Petrobras estão muito baratas enquanto apenas um disse que só será possível fazer uma recomendação quando todos os termos do aumento de capital forem anunciados. Para quem pode investir com um horizonte de longo prazo, no entanto, é consenso que a oferta da estatal consiste em uma ótima opção independentemente do que for definido.

Segundo os profissionais de mercado, o preço das ações da Petrobras ficou atraente por conta da própria oferta. A estatal pediu para seus acionistas autorização para emitir até 150 bilhões de reais em ações. No mercado, entretanto, estima-se que a capitalização possa alcançar até 50 bilhões de dólares. Como trata-se de umas maiores ofertas já realizadas em todo o mundo, ninguém é capaz de garantir que haverá demanda por tantos papéis. Na dúvida, muitos investidores venderam as ações da Petrobras que já detinham para recomprá-las por um preço menor no futuro.

Tanto que as ações preferenciais da estatal, as mais negociadas da bolsa brasileira, acumularam neste ano uma desvalorização de 19,5% e fecharam esta quarta-feira cotadas a 29,55 reais. No mês passado, em meio ao agravamento da crise europeia, as ações preferenciais da Petrobras atingiram o patamar de 26 reais logo após o presidente da empresa, José Sergio Grabrielli, dizer que a oferta pública bilionária aconteceria independentemente das condições de mercado. Durante os momentos de maior estresse, as perdas dos papéis em 2010 chegaram a superar as da BP, a petroleira que está destruindo o Golfo do México com um vazamento de óleo irreparável.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um salto de 260 milhões na mesada

Este foi o aumento aplicado na bolsa nos últimos 12 meses por jovens de até 15 anos, um público ávido por aprender e que precisa de acompanhamento dos pais para investir.

"A bolsa não vai bombar, não." "Foi o melhor pregão ever, foi insano." "O mercado tá megadeprê." Frases como essas têm sido ditas num número maior de lares de classe média, principalmente nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Além de frequentar a escola, as aulas de inglês e o clube, uma quantidade crescente de jovens tem reservado uma parte do dia para acompanhar o mercado de ações. Nos últimos 12 meses, o total investido na BM&F Bovespa em nome de cerca de 2 000 crianças e jovens de até 15 anos aumentou 160%, chegando a 420 milhões de reais - cifra que engloba tanto o dinheiro efetivamente administrado por jovens quanto os recursos que os pais aplicam em favor dos filhos. Embora ainda seja um grão de areia no volume total da bolsa, esse é o segmento etário que mais cresce. "Mesmo com os altos e baixos das bolsas, é cada vez mais comum avós e pais aplicarem no mercado de ações em vez de abrir uma caderneta de poupança para os netos ou filhos", diz Rogério Betti Marques, sócio da consultoria financeira Beta Advisors, de São Paulo. "Há mais risco, mas, como os últimos anos mostraram, o potencial de retorno é maior."

Guilherme Ávila, estudante de 14 anos da 8a série da escola Salesiana Dom Bosco, em Piracicaba, no interior paulista, é um desses adolescentes da bolsa. Como dez entre dez garotos de sua idade, Guilherme é intenso e sonhador. Há dois anos, ele juntou suas economias e raspou a poupança para investir cerca de 5 000 reais em ações. Os pais, que aplicam na bolsa desde o começo da década, ficaram sem argumentos para demover o filho. Desde então, Guilherme passou a acompanhar diariamente o sobe e desce dos pregões. Hoje, tem 17 ações na carteira e reavalia sua estratégia a cada três meses. "Só no final do ano passado tive um lucro de 42%", diz. Seu sonho? "Chegar ao primeiro milhão de reais em três anos." Às vezes, a vontade de acompanhar a bolsa é tanta que, mesmo longe de seu computador, na escola ou no inglês, Guilherme vai ao banheiro e liga para a corretora para saber o que está acontecendo.

Para a psicoterapeuta Lana Harari, professora do instituto de psicanálise Sedes Sapientiae, de São Paulo, é justamente aí que mora o perigo. Os pais devem ficar atentos para que o gosto pelos mercados não aumente a dependência ao computador nem se torne um jogo compulsivo. "Ao participar de decisões de investimento, o adolescente toma consciência de que pode fazer escolhas e que seus julgamentos têm consequências, o que é positivo", diz Lana. "O problema é quando ganhar dinheiro vira uma obsessão e acaba atrapalhando o desempenho escolar ou a vida social." A dimensão legal também precisa ficar no radar dos pais. Acompanhar a evolução do capital que recebeu de algum familiar ou pedir aos pais para aplicar em determinadas ações é parte do jogo. "Dar a senha do homebroker e deixar um menor de 18 anos mandar ordens de compra ou venda para uma corretora é contra a lei", diz o advogado José Guilherme Carneiro Queiroz, do escritório Queiroz e Lautenschläger, de São Paulo. "É como deixá-lo dirigir um carro antes de ter idade para tirar a habilitação."

Preocupada com a formação dos futuros investidores, a BM&F Bovespa lançou, em abril, em seu site, um programa de educação financeira, a Turma da Bolsa, direcionado ao público de 7 a 10 anos de idade. Com jogos interativos e fábulas, ensina princípios básicos do mercado de capitais, como a importância de poupar. "O jovem é imediatista. Queremos que tenha calma e pense no longo prazo", afirma Patrícia Quadros, gerente dos programas de popularização da bolsa. Desde 2006, a BM&F Bovespa promove uma competição anual entre escolas paulistas do ensino médio que simula investimentos em ações - mais de 8 500 alunos já participaram. É tudo brincadeira, mas cada integrante do grupo que atinge a melhor rentabilidade em dois encontros ganha um prêmio de 5 000 reais.

Como seria de esperar, nos Estados Unidos esse fenômeno tem proporções muito maiores. Afinal, trata-se do país com a bolsa mais "popularizada" do mundo e cuja maior estrela do mercado, o megainvestidor Warren Buffett, começou a aplicar em ações aos 11 anos de idade. Estima-se que 1,2 milhão de alunos americanos do ensino médio tenham ações no próprio nome, numa conta ligada à dos pais e que só os adultos podem operar, e que outro 1,3 milhão possua papéis que estão em nome dos pais - também lá é vedado aos menores de idade gerenciar o próprio dinheiro. Os dados são da ONG Jump$tart Coalition for Personal Financial Literacy, que tem entre seus membros o banco central dos Estados Unidos. Desde 1977, mais de 10 milhões de estudantes participaram de um jogo que simula os investimentos em ações da Foundation for Investors Education, outra ONG. Entre as instituições preocupadas em conhecer a relação dos jovens com o mundo das finanças está o próprio Tesouro americano, que em março envolveu 76 000 alunos do ensino médio numa atividade para medir o conhecimento sobre o comportamento do mercado financeiro. Lá e cá, a preocupação parece ser a mesma. Ensinar aos jovens que o mundo não se resume ao consumo imediato, que o dinheiro vem com o trabalho e que a bolsa é uma importante alternativa de investimento. Tá ligado?

JBS-Friboi é a empresa brasileira mais internacionalizada

Entre 400 empresas avaliadas pela Fundação Dom Cabral, frigorífico se destaca com 83,6% de vendas e 64% dos funcionários no exterior.

A Fundação Dom Cabral divulgou na manhã desta quarta-feira (9/6) a quinta edição do Ranking das Transnacionais Brasileiras, estudo que mostra quais são as companhias nacionais mais internacionalizadas. O estudo avaliou 400 empresas de 71 setores, com base na média de três indicadores: receitas, ativos e número de funcionários em outros países.

A JBS-Friboi foi a companhia que apresentou maior índice de internacionalização neste ano, com 83,6% de vendas geradas pelo exterior, onde também estão 64% de seus funcionários. Apesar de atuar em sete países nos cinco continentes, ela tem apenas 37,3% de seus ativos fora do Brasil. "Isso se deve ao grande crescimento também no mercado doméstico, onde a empresa aumentou em 143% seus ativos, principalmente após a aquisição da concorrente nacional Bertin, em setembro do ano passado", afirma a Fundação em seu relatório.

Em segundo lugar, está a Gerdau, campeã na edição passada. A siderúrgica registrou 48,2% de suas vendas, 54,4% de seus ativos e 46% de seus empregados no exterior, como resultado de suas operações em 14 países. A maior produtora de aços longos da América Latina tem se posicionado de forma cautelosa no cenário pós-crise, com o adiamento de novas operações no exterior. Segundo a Fundação, o impacto da crise não alterou a solidez da empresa frente ao processo de internacionalização.

Outros setores

O instituto de pesquisa Ibope aparece na terceira posição, com 32,1% de receita, 50,7% de ativos e 54,1% de funcionários no exterior. O instituto opera em 14 países e adquiriu em janeiro a empresa americana Zogby International. “Com a sazonalidade das pesquisas eleitorais, o instituto espera um crescimento no mercado doméstico em 2010", diz a Fundação. "Há um otimismo quanto ao aumento da demanda por pesquisas de mercado em todo o mundo, uma vez que, com a crise, um maior número de empresas realiza testes nos produtos antes de lançá-los."

As instituições financeiras ficaram de fora da metodologia utilizada por terem aspecto diferenciado da função econômica de seus ativos. O Banco do Brasil respondeu à pesquisa da Fundação Dom Cabral. Caso estivesse na listagem, o banco estaria na 28ª posição, com 4,7% de receitas, 6,7% de ativos e 0,07% de funcionários no exterior. Entretanto, o grande destaque do Banco do Brasil é sua presença em 23 países.

Apesar da crise econômica sentida por todos os setores em 2009, 15 empresas aumentaram seu índice de internacionalização em relação 2008. Mesmo assim, a média das 40 empresas que responderam à pesquisa caiu de 0,171 para 0,160.

Clique no link abaixo para conferir a tabela das empresas mais internacionalizadas do Brasil:
http://portalexame.abril.com.br/negocios/noticias/jbs-friboi-empresa-brasileira-mais-internacionalizada-567660.html

Alto crescimento do Brasil gera temores de superaquecimento

A economia do Brasil foi uma das que mais cresceram no mundo no primeiro trimestre, segundo números divulgados nesta terça-feira (08), que aumentaram os temores de que a economia está superaquecendo e a expectativa de que o banco central elevará novamente as taxas de juros na quarta-feira.

O crescimento da economia foi a uma taxa anual maior do que a esperada de 9% nos três meses até março, e 2,7% em comparação ao trimestre anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Parte do motivo para o crescimento foi um aumento do investimento, que subiu de 16,3% no ano anterior para 18%, estimulado pela formação fixa de capital bruto, que saltou 26% no ano, a taxa mais rápida desde que a atual série do IBGE teve início em 1995.

“Isso confirma que a economia está muito aquecida”, disse Rafael Bacciotti, economista da Tendências, uma consultoria em São Paulo. “Os setores que se destacam foram indústria e serviços. O emprego e os salários também estão crescendo com força e nós esperamos que isso continue ao longo do ano.”

O setor manufatureiro cresceu 17,2% no ano e o setor varejista cresceu 15,2%. As importações também bateram recorde, aumentando 39,5% no ano.

A pesquisa semanal mais recente do banco central entre os economistas de mercado mostrou que as expectativas de crescimento geral neste ano subiram para 6,6%, a 12ª semana consecutiva de aumento das expectativas.

Mas muitos acreditam que a economia não pode crescer a mais de 4,5% ou 5% ao ano sem provocar uma alta da inflação.

O banco central foi forçado a agir elevando constantemente as expectativas de inflação nos últimos meses. Desde outubro, o índice de inflação ao consumidor do Brasil subiu de uma taxa anual de 4,17% para 5,26% em abril. Mas o levantamento mais recente do banco central mostrou uma ligeira queda nas previsões para inflação durante 2010, com a média caindo de 5,67% para 5,64% em uma semana.

A maioria dos economistas espera que o banco central anuncie um segundo aumento consecutivo de três quartos de ponto percentual em sua taxa de juros para política monetária, a Selic, no final da reunião regular do Comitê de Política Monetária (Copom).

O comitê se reúne a cada seis semanas para decidir a respeito da mudança na taxa Selic, visando cumprir a meta anual de inflação do governo para os preços ao consumidor, atualmente de 4,5% ao ano.

Se as expectativas se confirmarem, a Selic subirá para 10,25% ao ano, em comparação aos 8,75% de quando o atual ciclo de endurecimento teve início em abril.

Santander compra 24,9% de sua filial mexicana do Bank of America

O primeiro grupo bancário espanhol, o Santander, anunciou nesta quarta-feira que comprou 24,9% de sua filial no México do Bank of America (BofA) por 2,5 bilhões de dólares, conseguindo assim controlar 99,9% do capital.

"O Santander chegou a um acordo com o Bank of America para comprar a participação de 24,9% que a entidade possui no Santander México por 2,5 bilhões de dólares em efetivo", segundo um comunicado.

O banco espanhol espera concluir a operação num prazo de 90 dias.

terça-feira, 8 de junho de 2010

CVM considera como fraudulenta compra da GVT por Vivendi, diz jornal

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo contra a Vivendi, acusando a empresa de irregularidades na compra da operadora brasileira de telecomunicações GVT, publicou um jornal nesta terça-feira.

O processo administrativo, segundo o jornal Valor Econômico, foi aberto após a CVM ter concluído que, mesmo usando brechas da legislação brasileira, a transação foi fraudulenta. A Vivendi também é acusada de falha de comunicação aos investidores, "que resultou em manipulação de mercado", segundo o jornal.

Representantes da autarquia não comentaram imediatamente o assunto. Procurada pela Reuters, a Vivendi não retornou imediatamente as tentativas de contato. Caso fique provado que houve fraude na compra da operadora pelo grupo francês, a Vivendi pode ser condenada a pagar multa de até 50 por cento do valor da transação. Segundo o jornal, esse valor pode variar de cerca de 700 milhões de reais a mais de 3 bilhões de reais.

Em novembro passado, a Vivendi surpreendeu o mercado ao divulgar que havia garantido o controle da GVT por meio de acordo com os controladores da empresa brasileira e contratos irrevogáveis de opção de compra das ações da GVT. A Vivendi se dispôs a pagar 56 reais por ação da GVT, depois de ter inicialmente oferecido 42 reais.

A Telefónica, por meio da subsidiária brasileira Telesp, entrou na briga e propôs pagar 50,50 reais por ação da GVT no começo de novembro, quando muitos imaginaram que a disputa estava encerrada.

Nyse quer ampliar sua atuação no Brasil

A Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) pretende estreitar suas relações com o mercado de capitais brasileiro, especialmente por meio de fornecimento de tecnologia para bolsas de valores, mas não descarta a possibilidade de comprar uma participação na BM&FBovespa.

Segundo o diretor de operações da Nyse, Lawrence Leibowitz, a bolsa norte-americana e a brasileira sempre conversam sobre diferentes possibilidades, como troca de conhecimentos, tecnologia ou um possível investimento na BM&FBovespa. "Estamos abertos a comprar uma fatia se fizer sentido", afirmou.

Ele lembrou que isso também dependerá da aprovação da Bolsa de Chicago (CME), que participa no conselho de administração da BM&FBovespa. O executivo destacou que no momento não existe uma negociação concreta sobre o assunto e que o principal foco atualmente está em tecnologia. Segundo ele, a fusão na Nyse com a Euronext aumentou a capacidade tecnológica da bolsa americana nos últimos anos.

Em entrevista à imprensa, Leibowitz afirmou que a intenção da NYSE não é competir com as bolsas locais da América Latina, mas oferecer outras opções para os investidores. Segundo ele, o mercado brasileiro de ações tem potencial para crescimento devido à expansão da economia, mas isso dependerá de um processo de educação dos investidores pessoa física, da redução dos custos para investir e do aumento da renda. "Leva tempo até que os indivíduos entendam e acreditem no mercado de ações", disse.

Questionado sobre a reforma do sistema financeiro defendida pelo presidente norte-americano Barack Obama, o diretor afirmou que vê a iniciativa com bons olhos porque acredita em um mercado "justo e transparente"e com menores riscos. Em sua opinião, os Estados Unidos têm lições para aprender de países emergentes como o Brasil, onde a regulação é mais conservadora e a alavancagem dos bancos é menor.

De acordo com Leibowitz, a forte volatilidade registrada nos mercados em 6 de maio deste ano poderia ter sido amenizada se todos os sistemas de negociações de ações nos Estados Unidos contassem com o mecanismo de circuit breaker, que inibe movimentos bruscos de mercado.

Segundo ele, a Nyse já conta com este mecanismo, mas outros sistemas eletrônicos o adotarão a partir da semana que vem, enquanto a Nasdaq deve adotá-lo no terceiro trimestre. O executivo afirmou que, até o momento, não foi constatado nenhum evento isolado que tenha derrubado as Bolsas e que o movimento foi causado pelo nervosismo da Europa que fragilizou os mercados. Atualmente, 28 das 29 empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos estão na Nyse.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lupatech e Petrobras firmam acordos de US$779 milhões

Em cinco anos, a Lupatech poderá executar serviços em áreas de concessão da Petrobras em águas territoriais brasileiras.

A Lupatech, fabricante de equipamentos para o setor de petróleo e gás, firmou com a Petrobras dois contratos no valor de 779 milhões de dólares para prestação de serviços marítimos de intervenção e recuperação de poços e aluguel de plataformas semi-submersíveis, segundo comunicado enviado ao mercado nesta segunda-feira.

Os contratos envolvem afretamento de duas plataformas semisubmersíveis para poços em lâmina d'água de 1.100 metros e 2.500 metros, "incluindo os serviços de operações com riser de completação, instalação e desinstalação de árvores de natal molhadas, instalação de equipamentos submarinos com auxílio de veículos operados remotamente, dissociação de hidratos e viabilização de operações de coiled tubing, slickline e wireline em poços de petróleo e gás, além de poços de injeção de água".

A Lupatech executará os serviços em áreas de concessão da Petrobras em águas territoriais brasileiras, no prazo de cinco anos a partir do início das operações, sendo que os contratos podem ser renovados por outros cinco anos.

Para a execução dos serviços, a Lupatech investirá cerca de 100 milhões de dólares na aquisição de equipamentos especializados em movimentação de "riser de completação e em drill pipe riser".

"Foi pensando no enorme potencial do mercado brasileiro que nos últimos anos fizemos investimentos de quase 1 bilhão de reais na diversificação da base de serviços e produtos ofertados ao mercado de petróleo e gás", disse o diretor presidente da Lupatech, Nestor Perini, no comunicado.

"As demandas que surgirão com a produção no pré-sal e simultaneamente em campos de águas rasas criam oportunidades adicionais a essas e vamos persegui-las como forma de acelerar o processo de criação de valor para a Lupatech", acrescentou.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Gerdau quer fechar capital da Gerdau Ameristeel

A Gerdau S.A. fará uma proposta para comprar as ações dos minoritários de sua subsidiária americana, a Gerdau Ameristeel. O preço estipulado é de US$ 11,00 por ação, 53,4% de prêmio em relação ao fechamento de ontem (1o).

A Gerdau passou por um momento conturbado durante a crise, no qual os covenants de suas dívidas foram afrouxados para não comprometer a companhia. Depois de alguns trimestres, a saúde financeira da Gerdau parece saudável, mas uma operação de US$ 1,6 bilhão apostando no mercado americano aumenta os riscos da companhia.


Os EUA podem realmente surpreender, principalmente se os investimentos em infra-estrutura previstos pelo governo saírem do papel. Apesar dos riscos, há a possibilidade de maior retorno esperado nas ações: se o mercado americano se recuperar, os lucros serão ainda maiores.

Petrobras nomeia bancos para oferta pública de ações

A Petrobras nomeou o Bank of America Merrill Lynch, o Bradesco BBI, o Citi, o Itaú-BBA, o Morgan Stanley e o Santander como coordenadores globais de oferta pública de ações da companhia, conforme comunicado divulgado ao mercado na noite de quarta-feira. A oferta de ações visa à capitalização da companhia, que faz parte do projeto de desenvolvimento do pré-sal que está em análise no Congresso

A Petrobras marcou para o próximo dia 22 assembleia geral extraordinária para aprovar o aumento de capital e autorizar o Conselho de Administração da estatal a definir o volume financeiro que será captado.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ações da Vivo disparam após nova oferta da Telefônica por fatia da empresa

Telefônica aumenta proposta de compra em 14% e ações têm forte alta; conselho da Portugal Telecom está em reunião.

As ações da operadora de telefonia Vivo (VIVO3); (VIVO4) reagiram com forte alta após divulgação de uma nova oferta da espanhola Telefônica pela participação da Portugal Telecom na empresa brasileira. Durante a tarde desta terça-feira (1), a Telefônica aumentou sua oferta para 6,5 bilhões de euros, levando as ações preferenciais a uma valorização de 2,32% e as ordinárias a um avanço de 15,06%. Em 11 de maio, a empresa havia oferecido 5,7 bilhões de euros pela participação da Portugal Telecom na Brasilcel, a holding que compartilha as duas empresas e detém o controle da operadora brasileira.

As negociações entre as empresas europeias já haviam impactados as ações preferenciais da Vivo durante o mês de maio, levando os papéis a uma valorização de 13,56% no período. Há uma grande chance da proposta ser aprovada pelo conselho da Portugal Telecom, em reunião extraordinária na tarde de hoje, explica Leonardo Nitta, analista de telecomunicações do Banco do Brasil Investimentos. "Foi um aumento de 14% nas ofertas, o que é considerável e atinge diretamente os anseios dos minoritários, os maiores resistentes, justo por achar o valor baixo. A proposta de hoje pode reverter as negociações", diz.

Segundo Nitta, os desdobramentos do dia devem impactar ainda mais os investimentos da PT no país a longo prazo, para além da valorização das ações. "O que devemos nos perguntar agora é o que a PT vai fazer com 6,5 bilhões de euros em caixa. Há pouco tempo, seu presidente havia dito que o maior prejuízo da proposta era sair do Brasil. Esse dinheiro tem grandes chances de ser revertido em outros investimentos em telefonia nos mercados nacionais", aponta.

Acusação de fraude na BM&FBovespa revela pressão política da Receita Federal

Bolsa seria suspeita de incorporar "benefícios fiscais fictícios" para deixar de pagar tributos federais.

A investigação da Receita Federal sobre uma possível fraude fiscal da BM&FBovespa (BVMF3) pode ser mais um caso de uma mudança de interpretação do fisco sobre as normas jurídicas que tratam das fusões entre as empresas, afirma Celso Costa, sócio do escritório de advocacia Machado, Meyer, Sendacz e Opice. A notícia surgiu a partir de uma reportagem publicada nesta terça-feira (1º) pelo jornal Folha de S. Paulo.

O texto explica que a sonegação teria sido criada com uma manipulação de um incentivo estabelecido no governo Fernando Henrique Cardoso para estimular as privatizações. A manipulação se daria em um ágio criado nas operações de fusões nas quais as empresas pagam um adicional pelo valor de mercado da empresa adquirida.

"A lei prevê a existência de um benefício e, se a empresa adquire uma participação societária, ela pode incorporar esse ágio. Não há nada que impeça isso, desde que as operações sejam realmente efetuadas. Baseado em outros alardes da Receita Federal, provavelmente é uma posição mais política que jurídica", explica o advogado.

A suspeita da Receita Federal seria a de que a BM&FBovespa teria utilizado o mesmo benefício na fusão entre a Bovespa e a BM&F em 2008 para aproveitar o desconto sobre o ágio, apesar de ter os mesmos sócios (as corretoras de valores). A informação é negada pela bolsa. As ações da empresas iniciaram o dia em forte queda de 4,62%, negociadas a 11,57 reais. Os papéis encerraram o dia com desvalorização de 2,23%, vendidas a 11,86 reais.

"A lei diz que as aquisições com ágio criam benefícios que podem ser utilizados após a incorporação da empresa, porém a Receita tem entendido que algumas operações não são lícitas. Para ela, algumas não são válidas porque teriam acontecido apenas para a redução de impostos. Essa interpretação tem ganhado espaço e há diversas decisões que reconhecem alguns conceitos", afirma Celso Costa.

O diretor de Relações com Investidores da BM&F Bovespa, Carlos Kawall Leal Ferreira, explicou, em nota, que "o referido ágio foi constituído em estrita conformidade com a legislação fiscal em vigor". A bolsa ressalta, ainda, que a redução da carga tributária resultante da amortização de ágio foi de 458 milhões de reais, "não se configurando como verossímil a informação veiculada na matéria em questão de que a Receita pretenderia cobrar R$ 5,5 bilhões".

terça-feira, 1 de junho de 2010

Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles pagam para encerrar processo da CVM

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, pagará 267 600 reais para se livrar de um processo administrativo da CVM, órgão que regula o mercado de capitais brasileiro. Ele foi investigado por ter adquirido ações da Itaúsa, holding que controla o banco, no fim de outubro de 2008 — dias antes de anunciar a fusão com o Unibanco. Segundo a CVM, o valor a ser pago por Setubal equivale ao dobro do ganho potencial obtido por ele nas operações.

O presidente do conselho do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, também vai sentir no bolso os efeitos das investigações da CVM. Junto com outros dois administradores do Unibanco, Salles pagará 450 000 reais para extinguir um processo semelhante, que questionava o aumento do limite de recompra de ações do Unibanco aprovado na mesma época, dias antes da formação do Itaú Unibanco.

Atualização

Em nota, a assessoria de imprensa do Itaú Unibanco afirmou que “as aquisições das ações da Itaúsa por Roberto Setubal fazem parte de investimento habitual e legítimo do mesmo e se justificam em virtude do contexto da época, em que os preços das ações das empresas caíram abruptamente, incluindo as da Itaúsa”. No caso do Unibanco, a assessoria diz que as recompras das próprias ações foram uma forma de defesa às fortes oscilações ocorridas por causa da crise internacional em outubro de 2008. “Considerando os pequenos valores envolvidos e a fim de resolver rapidamente a questão, os quatro executivos optaram por celebrar o Termo de Compromisso com a CVM”, diz a nota.

Eike estuda agora investir em banda larga

De acordo com empresário, investimentos de 10 bilhões de reais seriam necessários para entrar no segmento.

O mercado de banda larga no Brasil pode ser o próximo alvo de investimentos no Brasil do empresário Eike Batista, o oitavo homem mais rico do mundo e dono da holding de investimentos EBX. A declaração foi dada após a sua participação no EXAME Fórum, que está acontecendo no Hotel Unique, na capital paulista.

Para Eike, o setor de banda larga é um dos mais promissores no Brasil, pelo potencial de negócios que oferece e pela facilidade com que o brasileiro incorpora novas tecnologias ao cotidiano. "Acredito que educação à distância, por exemplo, é uma área que ainda terá muito o que crescer, e isso será sobre a oferta de banda larga no país", afirmou Eike.


A estimativa do empresário é de que seria necessário um investimento inicial de 10 bilhões de reais para entrar no segmento. Os recursos seriam investidos em infraestrutura, treinamento e sistemas de tecnologia. Apesar dos estudos de mercado, nenhum plano concreto está em andamento na holding, garante Eike. "Estamos analisando oportunidades de mercado, e essa é uma das que mais me chama atenção", diz ele.

Sem nova emissão de ações

Eike afirmou ainda não será preciso fazer uma nova emissão de ações da holding EBX para capitalizar alguns dos investimentos que têm sido feitos pelas cinco empresas do grupo, conforme o mercado especulava há semanas. "Temos um bom caixa, e nossas empresas estão líquidas financeiramente. Não precisamos de dinheiro de fora", disse.

Segundo o empresário, essa especulação é fruto de uma cultura de investimento ainda não acostumada a projetar lucros para cinco anos. "Captamos dinheiro para devolver aos investidores nesse prazo", explicou Eike. "E é isso o que faremos até mesmo com os projetos que estão aos poucos caminhando".

O empresário se mostrou otimista em relação ao crescimento do Brasil, e estima que o PIB cresça em torno de 5%.