quarta-feira, 4 de março de 2009

Recuperação mundial será mais demorada que o previsto

Perdas de instituições financeiras só crescem apesar das centenas de bilhões de dólares gastos pelo governo americano para ajudar os bancos

Por Márcio Juliboni | 03.03.2009 | 08h48

Portal EXAME -
Os números mais recentes mostram que as instituições financeiras americanas não estão reagindo às centenas de bilhões de dólares que o governo dos Estados Unidos injetou no setor desde meados do ano passado.

O prejuízo recorde da seguradora AIG no quarto trimestre - 61,7 bilhões de dólares, o maior já registrado por uma companhia daquele país - e o novo plano de socorro ao Citi alimentam o pessimismo dos investidores, cada vez mais convencidos de que a recuperação da economia será mais lenta que o previsto.

À medida que o tempo passa, também aumenta a sensação de que os programas de resgate erraram o foco e, por isso, não são suficientes. "As soluções focam nos sintomas, e não nas causas. Os programas lançados voltam-se para os efeitos, representados pela crise bancária, sem dar a devida atenção às causas", afirma um relatório da SISR, uma consultoria financeira independente dos Estados Unidos.

Para os analistas, o melhor exemplo de como o governo americano está equivocado é a disparidade entre o quanto de dinheiro ele já injetou em algumas empresas, e o quanto elas valem hoje. Somente o Citigroup recebeu 52 bilhões de dólares do Tesouro americano no ano passado - 45 bilhões em injeção de capital, e outros 7 bilhões em troca de 301 bilhões de dólares de ativos podres assumidos pelo governo.

Apesar dessa montanha de dinheiro, o banco continua em dificuldade, e fechou esta segunda-feira (2/3) com um valor de mercado de 8,175 bilhões de dólares, de acordo com a Thomson Financial. Seu valor equivale a apenas 16% do que recebeu do governo entre outubro e novembro de 2008. O Itaú Unibanco, por exemplo, fechou esta segunda-feira com um valor de mercado de 33 bilhões de dólares, segundo a Central do Investidor de EXAME.

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