O Banco Santander Brasil marcou lucro líquido de R$ 1,763 bilhão nos três meses terminados em março, duas vezes mais do que o ganho apurado um ano antes, de R$ 832 milhões.
As despesas de provisão para crédito de liquidação duvidosa ficaram em R$ 2,403 bilhões no trimestre, acima dos R$ 2,360 bilhões registrados no ano anterior.
A carteira de crédito total estava em R$ 139,910 bilhões ao fim do trimestre, ou 2% maior do que os R$ 137,117 bilhões verificados em igual intervalo de 2009. No padrão BR GAAP, a carteira de crédito, sem avais e fianças, somava R$ 144,124 bilhões.
O índice de inadimplência, pelo critério IFRS, correspondeu a 7% entre janeiro e março, acima dos 6% marcados um ano atrás. Pelo padrão BR GAAP, o índice de inadimplência acima de 90 dias foi de 5% para 5,4%.
Ao fim de março, os ativos totais do Santander Brasil somavam R$ 316,049 bilhões, crescimento de 9,1% no comparativo aos R$ 289,699 bilhões do trimestre inicial de 2009.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
BC inicia 3º ciclo de aperto monetário do governo Lula
O aumento do juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, anunciado hoje pelo Banco Central é o início da terceira rodada de aperto monetário conduzido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da alta anunciada hoje, de 8,75% para 9,5% ao ano, o balanço do atual governo nos juros é positivo: a Selic acumulava queda de 16,25 pontos porcentuais nos sete anos e três meses do governo, de 25% para os 8,75% que vigoraram até hoje.
Quando Lula começou o governo em 1º de janeiro de 2003, a taxa Selic estava em 25% ao ano e o Brasil ainda sofria com a crise do ano anterior, quando as eleições causaram nervosismo e apreensão no mercado financeiro com o temor de mudança na política econômica. Após altas nas duas últimas reuniões do BC no governo anterior, Henrique Meirelles continuou o ciclo e subiu o juro nas duas primeiras reuniões do governo Lula. A postura foi importante para reconquistar a confiança do mercado, o que permitiu iniciar a primeira sequência de queda do juro poucos meses depois, em junho de 2003.
Em 2004, com a economia a todo vapor, os preços começaram a subir e o Comitê de Política Monetária (Copom) se viu obrigado a subir a taxa Selic naquele que seria o primeiro ciclo de aperto iniciado e encerrado na gestão Meirelles. Na ocasião, a taxa passou de 16% para 19,75% ao ano. Quatro meses depois de terminado o ciclo, o BC começou o mais longo período de redução da Selic da história no Brasil: foram 18 cortes seguidos em dois anos, entre os meses de setembro de 2005 e 2007. Ao todo, a taxa caiu 8,50 pontos porcentuais.
O segundo ciclo de alta do juro básico foi meses antes do estouro da crise de 2008. Em quatro reuniões, o BC aumentou a Selic em 2,50 pontos entre abril e setembro daquele ano para conter a velocidade da economia. Mas com a crise, a sequência foi interrompida e o juro passou a cair entre janeiro e julho de 2009 até atingir o patamar de 8,75% ao ano.
No jogo de forças entre aumentos e cortes da Selic no atual governo, a vantagem é da redução da taxa: já foram 32 reuniões com corte e 15 encontros com aumento desde o início de 2003.
Quando Lula começou o governo em 1º de janeiro de 2003, a taxa Selic estava em 25% ao ano e o Brasil ainda sofria com a crise do ano anterior, quando as eleições causaram nervosismo e apreensão no mercado financeiro com o temor de mudança na política econômica. Após altas nas duas últimas reuniões do BC no governo anterior, Henrique Meirelles continuou o ciclo e subiu o juro nas duas primeiras reuniões do governo Lula. A postura foi importante para reconquistar a confiança do mercado, o que permitiu iniciar a primeira sequência de queda do juro poucos meses depois, em junho de 2003.
Em 2004, com a economia a todo vapor, os preços começaram a subir e o Comitê de Política Monetária (Copom) se viu obrigado a subir a taxa Selic naquele que seria o primeiro ciclo de aperto iniciado e encerrado na gestão Meirelles. Na ocasião, a taxa passou de 16% para 19,75% ao ano. Quatro meses depois de terminado o ciclo, o BC começou o mais longo período de redução da Selic da história no Brasil: foram 18 cortes seguidos em dois anos, entre os meses de setembro de 2005 e 2007. Ao todo, a taxa caiu 8,50 pontos porcentuais.
O segundo ciclo de alta do juro básico foi meses antes do estouro da crise de 2008. Em quatro reuniões, o BC aumentou a Selic em 2,50 pontos entre abril e setembro daquele ano para conter a velocidade da economia. Mas com a crise, a sequência foi interrompida e o juro passou a cair entre janeiro e julho de 2009 até atingir o patamar de 8,75% ao ano.
No jogo de forças entre aumentos e cortes da Selic no atual governo, a vantagem é da redução da taxa: já foram 32 reuniões com corte e 15 encontros com aumento desde o início de 2003.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Votorantim vai construir 8 fábricas de cimento em 7 Estados
A Votorantim anunciou nesta terça-feira que vai investir 2,5 bilhões de reais na construção de 8 fábricas de cimento em sete Estados do país, com o objetivo de se antecipar à crescente demanda por materiais básicos de construção.
Com o anúncio, a Votorantim Cimentos consolida 5 bilhões de reais em investimentos em 22 novas fábricas entre 2007 a 2013.
Segundo a empresa, das 22 unidades, nove já estão em operação e cinco em construção, enquanto as oito restantes estão em fase de projeto.
Os investimentos nas novas unidades incluem fábricas no Paraná, Bahia, Ceará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Pará, sendo duas neste último Estado.
Segundo dados mais recentes do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), de 2008, a Votorantim é líder nacional de produção, com volume de 21,3 milhões de toneladas.
No início do mês passado, a Companhia Siderúrgica Nacional, anunciou que vai multiplicar por cinco sua capacidade de produção de cimento até 2014, para 5 milhões de toneladas por ano, após fracassar na tentativa de comprar a cimenteira portuguesa Cimpor, terceira maior produtora do país.
A CSN vai construir três fábricas de 1 milhão de toneladas cada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul, em investimentos de até 600 milhões de dólares, e duplicar a capacidade em Volta Redonda (RJ) para 2 milhões de toneladas anuais.
A decisão da CSN ocorreu depois que Votorantim e Camargo Corrêa compraram participações na Cimpor.
Com o anúncio, a Votorantim Cimentos consolida 5 bilhões de reais em investimentos em 22 novas fábricas entre 2007 a 2013.
Segundo a empresa, das 22 unidades, nove já estão em operação e cinco em construção, enquanto as oito restantes estão em fase de projeto.
Os investimentos nas novas unidades incluem fábricas no Paraná, Bahia, Ceará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Pará, sendo duas neste último Estado.
Segundo dados mais recentes do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), de 2008, a Votorantim é líder nacional de produção, com volume de 21,3 milhões de toneladas.
No início do mês passado, a Companhia Siderúrgica Nacional, anunciou que vai multiplicar por cinco sua capacidade de produção de cimento até 2014, para 5 milhões de toneladas por ano, após fracassar na tentativa de comprar a cimenteira portuguesa Cimpor, terceira maior produtora do país.
A CSN vai construir três fábricas de 1 milhão de toneladas cada nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul, em investimentos de até 600 milhões de dólares, e duplicar a capacidade em Volta Redonda (RJ) para 2 milhões de toneladas anuais.
A decisão da CSN ocorreu depois que Votorantim e Camargo Corrêa compraram participações na Cimpor.
BB espera ser capitalizado em R$ 9 bilhões
A operação deve ocorrer em meados de maio, depois da conclusão dos trâmites necessários junto a CVM.
A direção do Banco do Brasil está correndo contra o tempo para que o governo capitalize a instituição em torno de R$ 9 bilhões "o quanto antes". A data provável para a operação pode ser em meados de maio, tão logo estejam concluídos os trâmites necessários à operação junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa capitalização, que será financiada também pelo Fundo Soberano do Brasil (FSB), reforçará o caixa da instituição para manter o peso forte do BB na concessão de crédito e dar suporte aos novos empreendimentos do banco no exterior.
Os dirigentes da instituição estão empenhados em fechar a capitalização ainda no primeiro semestre para evitar a "concorrência pesada" que pode acontecer caso a operação coincida com a capitalização da estatal do petróleo. O BB quer evitar a disputa de público e, ao mesmo tempo, impedir que a emissão de novas ações do BB ocorra em pleno período eleitoral. "Estamos trabalhando para a capitalização acontecer em maio", disse uma fonte à Agência Estado. "Não pode ter emissão de ação do BB e da Petrobras, todo mundo vai para a Petrobras. Isso não vale", disse. "A capitalização é para já", disse um técnico da área econômica.
A expectativa dos dirigentes é que, de fato, o BB seja capitalizado até, no máximo em junho, e a Petrobras no segundo semestre. No entanto, consideram praticamente "carta marcada" o BB ser capitalizado em maio. Segundo uma fonte, nos próximos 15 dias a instituição estará concluindo "a papelada" com a CVM. A Comissão faz uma série de exigências antes de autorizar a operação de aumento de capital.
Essa mesma fonte disse que a capitalização do BB "o quanto antes" não está relacionada diretamente à edição da Medida Provisória 487, embora um dos artigos trate especificamente da possibilidade de capitalização de instituições financeiras sem ônus exclusivo para o Tesouro. Essa MP inova com uma série de ferramentas para que a União possa movimentar sua participação acionária e entrar com mais peso ou não no processo de capitalização de estatais e instituições financeiras federais, como o Banco do Brasil.
No caso do BB, a estratégia é a União renunciar ao direito de preferência na subscrição de ações para aumento de capital e ceder a posição ao FSB, que hoje tem em caixa R$ 16,9 bilhões. A capitalização do banco está estimada em cerca de R$ 9 bilhões, mas o preço corresponderá ao valor da ação no dia da operação.
A direção do Banco do Brasil está correndo contra o tempo para que o governo capitalize a instituição em torno de R$ 9 bilhões "o quanto antes". A data provável para a operação pode ser em meados de maio, tão logo estejam concluídos os trâmites necessários à operação junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa capitalização, que será financiada também pelo Fundo Soberano do Brasil (FSB), reforçará o caixa da instituição para manter o peso forte do BB na concessão de crédito e dar suporte aos novos empreendimentos do banco no exterior.
Os dirigentes da instituição estão empenhados em fechar a capitalização ainda no primeiro semestre para evitar a "concorrência pesada" que pode acontecer caso a operação coincida com a capitalização da estatal do petróleo. O BB quer evitar a disputa de público e, ao mesmo tempo, impedir que a emissão de novas ações do BB ocorra em pleno período eleitoral. "Estamos trabalhando para a capitalização acontecer em maio", disse uma fonte à Agência Estado. "Não pode ter emissão de ação do BB e da Petrobras, todo mundo vai para a Petrobras. Isso não vale", disse. "A capitalização é para já", disse um técnico da área econômica.
A expectativa dos dirigentes é que, de fato, o BB seja capitalizado até, no máximo em junho, e a Petrobras no segundo semestre. No entanto, consideram praticamente "carta marcada" o BB ser capitalizado em maio. Segundo uma fonte, nos próximos 15 dias a instituição estará concluindo "a papelada" com a CVM. A Comissão faz uma série de exigências antes de autorizar a operação de aumento de capital.
Essa mesma fonte disse que a capitalização do BB "o quanto antes" não está relacionada diretamente à edição da Medida Provisória 487, embora um dos artigos trate especificamente da possibilidade de capitalização de instituições financeiras sem ônus exclusivo para o Tesouro. Essa MP inova com uma série de ferramentas para que a União possa movimentar sua participação acionária e entrar com mais peso ou não no processo de capitalização de estatais e instituições financeiras federais, como o Banco do Brasil.
No caso do BB, a estratégia é a União renunciar ao direito de preferência na subscrição de ações para aumento de capital e ceder a posição ao FSB, que hoje tem em caixa R$ 16,9 bilhões. A capitalização do banco está estimada em cerca de R$ 9 bilhões, mas o preço corresponderá ao valor da ação no dia da operação.
Agrenco pronta para voltar a operar
A Agrenco, que está em processo de recuperação judicial desde que a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar irregularidades na companhia e prendeu alguns de seus executivos, dá mais sinais de que vai voltar a operar em breve. A empresa deve comprar uma grande quantidade de soja em maio para começar a produzir biodiesel em escala comercial em sua nova fábrica no Alto Araguaia, no Mato Grosso, a partir de junho.
Enquanto isso, a empresa continua com a negociação de suas ações suspensa na Bovespa. A empresa não apresenta balanços contábeis desde junho de 2008 e foi punida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora a direção da Agrenco busca uma nova empresa par realizar sua auditoria. A KPMG, que atuava na empresa até a operação da PF, renunciou recentemente à função.
Enquanto isso, a empresa continua com a negociação de suas ações suspensa na Bovespa. A empresa não apresenta balanços contábeis desde junho de 2008 e foi punida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Agora a direção da Agrenco busca uma nova empresa par realizar sua auditoria. A KPMG, que atuava na empresa até a operação da PF, renunciou recentemente à função.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Rápida recuperação do Brasil gera preocupação, diz 'WSJ'
O jornal americano Wall Street Journal diz em sua edição desta terça-feira que o entusiasmo com a rápida recuperação da economia brasileira depois da crise global se tornou algo mais ameaçador: o medo de que a economia esteja superaquecendo.
De acordo com o jornal, a perspectiva é de que o Banco Central aumente a taxa de juros já nesta quarta, com o objetivo de chegar a 11,75% até o fim do ano, em uma tentativa de controlar a inflação.
"A situação do Brasil ressalta como o destino dos mercados emergentes e desenvolvidos estão divergindo", afirma o WSJ. "O FMI prevê que as ''economias avançadas'' vão expandir até 2,25% em 2010 e até 2,5% em 2011, depois de queda de mais de 3% no ano passado."
"O crescimento nos países emergentes e em desenvolvimento está projetado para superar 6,25% ao ano no mesmo período, depois de um crescimento mais modesto de 2,5% no ano passado."
O jornal afirma que apesar de a previsão de crescimento do Brasil ser de 5,5% para este ano, alguns analistas acreditam que esta taxa pode chegar a 7%. Segundo o jornal, isso provocou a pouco comum situação em que países emergentes estariam tentando frear a entrada de capital estrangeiro, que teria crescido durante a crise financeira.
"O rápido crescimento e o aumento das vendas normalmente são coisas boas para países em desenvolvimento tentando tirar milhões da pobreza e levá-los à classe média. A preocupação é que as taxas de crescimento estejam estimulando a inflação, há muito tempo o calcanhar de Aquiles das economias ricas em commodities, como a do Brasil."
Mas o jornal lembra que a alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados. "Investidores globais estão cada vez mais pegando dinheiro emprestado a uma taxa próxima a 0% em dólares, graças à postura agressiva do Banco Central Americano, e investindo este dinheiro em mercados emergentes para colher lucros mais altos."
Isso poderia fazer com que a moeda dessas economias se valorizasse muito rápido, potencialmente criando uma bolha em alguns setores, como o imobiliário, por exemplo. "O dilema fez com que o FMI, que no passado era firmemente contra impor controles sobre o fluxo de capital, reconsiderasse sua visão", diz o WSJ.
O jornal afirma que o Brasil deve agir rápido, em parte por causa de sua longa história de ciclos de crescimento e quebras. "Economistas e operadores da bolsa esperam que o Banco Central aumente a taxa de juros na quarta-feira pela primeira vez desde setembro de 2008", diz o diário, lembrando, no entanto, que para alguns economistas, a preocupação com a inflação não deve ser exagerada.
"A economia brasileira estava crescendo muito rapidamente antes da crise global e, segundo o economista de Capital do Barclays Marcelo Salomon, as pressões inflacionárias ainda não são tão fortes como eram antes da crise."
O jornal lista os estímulos do governo para aquecer a economia brasileira durante a crise afirmando que, apesar de terem ajudado o País a não sofrer tanto com a crise, eles agora poderiam estar contribuindo para o aumento da inflação.
"Mas com as eleições presidenciais em outubro, o governo não deve tirar o pé do acelerador", afirma o diário, lembrando que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, está se apoiando na expansão dos projetos sociais e de infra-estrutura durante o governo Lula para tentar se eleger.
"O aumento da taxa de juros é politicamente impopular em um país onde a taxa de juros de bancos privados normalmente chegam a 42% ao ano", diz o WSJ, ressaltando que o fato de o Banco Central ter conseguido baixar esta taxa mantendo a inflação sob controle ajudou a aumentar a popularidade do governo.
De acordo com o jornal, a perspectiva é de que o Banco Central aumente a taxa de juros já nesta quarta, com o objetivo de chegar a 11,75% até o fim do ano, em uma tentativa de controlar a inflação.
"A situação do Brasil ressalta como o destino dos mercados emergentes e desenvolvidos estão divergindo", afirma o WSJ. "O FMI prevê que as ''economias avançadas'' vão expandir até 2,25% em 2010 e até 2,5% em 2011, depois de queda de mais de 3% no ano passado."
"O crescimento nos países emergentes e em desenvolvimento está projetado para superar 6,25% ao ano no mesmo período, depois de um crescimento mais modesto de 2,5% no ano passado."
O jornal afirma que apesar de a previsão de crescimento do Brasil ser de 5,5% para este ano, alguns analistas acreditam que esta taxa pode chegar a 7%. Segundo o jornal, isso provocou a pouco comum situação em que países emergentes estariam tentando frear a entrada de capital estrangeiro, que teria crescido durante a crise financeira.
"O rápido crescimento e o aumento das vendas normalmente são coisas boas para países em desenvolvimento tentando tirar milhões da pobreza e levá-los à classe média. A preocupação é que as taxas de crescimento estejam estimulando a inflação, há muito tempo o calcanhar de Aquiles das economias ricas em commodities, como a do Brasil."
Mas o jornal lembra que a alta da taxa de juros também pode ter efeitos colaterais indesejados. "Investidores globais estão cada vez mais pegando dinheiro emprestado a uma taxa próxima a 0% em dólares, graças à postura agressiva do Banco Central Americano, e investindo este dinheiro em mercados emergentes para colher lucros mais altos."
Isso poderia fazer com que a moeda dessas economias se valorizasse muito rápido, potencialmente criando uma bolha em alguns setores, como o imobiliário, por exemplo. "O dilema fez com que o FMI, que no passado era firmemente contra impor controles sobre o fluxo de capital, reconsiderasse sua visão", diz o WSJ.
O jornal afirma que o Brasil deve agir rápido, em parte por causa de sua longa história de ciclos de crescimento e quebras. "Economistas e operadores da bolsa esperam que o Banco Central aumente a taxa de juros na quarta-feira pela primeira vez desde setembro de 2008", diz o diário, lembrando, no entanto, que para alguns economistas, a preocupação com a inflação não deve ser exagerada.
"A economia brasileira estava crescendo muito rapidamente antes da crise global e, segundo o economista de Capital do Barclays Marcelo Salomon, as pressões inflacionárias ainda não são tão fortes como eram antes da crise."
O jornal lista os estímulos do governo para aquecer a economia brasileira durante a crise afirmando que, apesar de terem ajudado o País a não sofrer tanto com a crise, eles agora poderiam estar contribuindo para o aumento da inflação.
"Mas com as eleições presidenciais em outubro, o governo não deve tirar o pé do acelerador", afirma o diário, lembrando que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, está se apoiando na expansão dos projetos sociais e de infra-estrutura durante o governo Lula para tentar se eleger.
"O aumento da taxa de juros é politicamente impopular em um país onde a taxa de juros de bancos privados normalmente chegam a 42% ao ano", diz o WSJ, ressaltando que o fato de o Banco Central ter conseguido baixar esta taxa mantendo a inflação sob controle ajudou a aumentar a popularidade do governo.
Bolsa aprova a entrada de blue chips americanas no Brasil
Ações do Mc Donald's, Wal-Mart e Google estão entre as que estarão disponíveis para negociações a partir do segundo semestre.
Os investidores brasileiros poderão adquirir as ações de grandes empresas americanas no Brasil a partir do segundo semestre de 2010. A BM&FBovespa aprovou, nesta segunda-feira (26), o programa de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da Apple, Google, Bank of America, Arcelor Mittal, Goldman Sachs, Billiton, Wal-Mart, Exxon Mobil, Mc Donalds e Pfizer.
Um BDR é um certificado que corresponde a uma ação de uma empresa estrangeira listada em outra bolsa de valores. Desta forma, os investidores brasileiros poderão comprar e vender ativos que correspondem a aqueles negociados na Bolsa de Nova York e na Nasdaq. A instituição responsável pela emissão dos papéis será o Deustche Bank.
O modelo desses novos BDRs é diferente dos utilizados pelos papéis já negociados em São Paulo. Desta vez, não são as empresas as responsáveis pela listagem, mas sim o banco alemão, sem qualquer participação das companhias. Desta forma, o produto é considerado investimento no exterior. Essa classe é chamada de BDRs Nível 1 não patrocinados.
A autorização do Deutsche Bank a coordenar o processo se deu devido à sua importante contribuição ao longo do processo de desenvolvimento dos procedimentos operacionais relativos ao produto, mostra o comunicado enviado pela bolsa. Daqui para frente, a ideia da BM&FBovespa é realizar processos de concorrência para a concessão de registro para outros bancos além do Deustche Bank.
Os investidores brasileiros poderão adquirir as ações de grandes empresas americanas no Brasil a partir do segundo semestre de 2010. A BM&FBovespa aprovou, nesta segunda-feira (26), o programa de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da Apple, Google, Bank of America, Arcelor Mittal, Goldman Sachs, Billiton, Wal-Mart, Exxon Mobil, Mc Donalds e Pfizer.
Um BDR é um certificado que corresponde a uma ação de uma empresa estrangeira listada em outra bolsa de valores. Desta forma, os investidores brasileiros poderão comprar e vender ativos que correspondem a aqueles negociados na Bolsa de Nova York e na Nasdaq. A instituição responsável pela emissão dos papéis será o Deustche Bank.
O modelo desses novos BDRs é diferente dos utilizados pelos papéis já negociados em São Paulo. Desta vez, não são as empresas as responsáveis pela listagem, mas sim o banco alemão, sem qualquer participação das companhias. Desta forma, o produto é considerado investimento no exterior. Essa classe é chamada de BDRs Nível 1 não patrocinados.
A autorização do Deutsche Bank a coordenar o processo se deu devido à sua importante contribuição ao longo do processo de desenvolvimento dos procedimentos operacionais relativos ao produto, mostra o comunicado enviado pela bolsa. Daqui para frente, a ideia da BM&FBovespa é realizar processos de concorrência para a concessão de registro para outros bancos além do Deustche Bank.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A parte difícil só começou
Ao juntar sua controlada Leitbom com a Laep, dona da Parmalat, a GP Investimentos formou uma das maiores empresas do setor. Agora, precisa colocar em prática uma estratégia para ganhar dinheiro com o negócio.
No dia 15 de março, uma segunda- feira, o paulista Fernando Falco iniciou a jornada de trabalho mais intensa que havia enfrentado em cerca de quatro meses na presidência do laticínio Leitbom, controlado pela GP Investimentos, maior gestora de private equity do país. O expediente começou às 7 horas da manhã e só acabou às 10 horas da noite - um ritmo que se repetiria, sem interrupções, pelos 15 dias seguintes. Durante todo o tempo, as atenções estiveram voltadas para uma única tarefa - mapear a operação da Laep, dona da marca Parmalat, que acabava de ser incorporada num consórcio com a Leitbom, para operar compras, vendas e produção de forma conjunta. Na primeira semana, Falco viajou para conhecer as três fábricas da Laep, em São Paulo e Minas Gerais. Em paralelo, sua equipe de compras visitou cerca de 30 associações de produtores de leite e sindicatos por todo o país. Ao final dessa quinzena agitada, os primeiros pedidos de compra e venda de leite passaram a ser recebidos de forma conjunta pelas duas empresas no novo escritório, inaugurado no dia 5 de abril, na zona oeste de São Paulo. Na configuração final da diretoria do consórcio, ficaram apenas dois executivos da antiga estrutura da Laep - o diretor comercial e o de captação e suprimentos. Os outros quatro diretores vieram da empresa controlada pela GP. Aproximadamente 130 gerentes, analistas e vendedores da Laep se juntaram à equipe de funcionários da Leitbom. "Fizemos em apenas duas semanas um trabalho que normalmente levaria quatro meses", afirma Falco. "O objetivo era não deixar a Parmalat ociosa mais tempo do que já estava."
Com a nova estrutura montada e um plano de expansão definido, começa agora o que deverá ser uma das fases mais complicadas do negócio - fazer com que as duas companhias funcionem juntas (veja quadro ao lado). O modelo de consórcio afastou parte da complexidade da integração com uma empresa tão problemática quanto a Laep. O peso de uma dívida atual de 22 milhões de reais da Laep, que se arrasta há seis anos, num dos mais longos processos de recuperação judicial do país, ficou fora da negociação (junto com outras duas fábricas, que estão arrendadas). Mesmo assim, resta o nada modesto desafio de reerguer a operação de uma empresa sem caixa, com linhas de produção paradas e cujos produtos sumiram das prateleiras em diversas regiões do país. Juntas, Laep e Leitbom devem faturar cerca de 1,2 bilhão de reais em 2010 - e processar cerca de 700 milhões de litros de leite, o que coloca o consórcio em quinto lugar entre as maiores do setor no país, atrás de Nestlé, BR Foods, Itambé e Bom Gosto. "Ajustar as complementações de marca e de regiões de modo a aumentar as vendas das duas empresas será determinante", afirma Marcelo Carvalho, diretor executivo da consultoria Agri-Point, especializada em agronegócio.
Falco e sua equipe têm duas prioridades neste momento. A primeira delas é colocar as três fábricas da Laep de volta à plena produção. Desde o final do ano passado, elas operam em média com 40% de ociosidade. Em três meses, a meta é de pelo menos reduzir essa taxa pela metade. Para isso, 3 milhões de reais devem ser investidos na manutenção e na ampliação de cada uma delas. A segunda tarefa - mais difícil - será fazer as pazes com os fornecedores e restabelecer o abastecimento de leite em algumas regiões. Na área da fábrica de Votuporanga, onde se localiza a maior bacia leiteira de São Paulo, apenas metade dos 1 500 produtores de leite que já abasteceram uma fábrica da Laep mantém o fornecimento. A maioria dos contratos foi rompida por falta de pagamento. "Até agora não fomos procurados, mas se pagarem em dia podemos voltar a fornecer à empresa", diz Sebastião Nogueira, um dos produtores de Votuporanga e ex-fornecedor da companhia. Como a Laep permanece sem caixa, a Leitbom injetará o dinheiro para a compra de leite e outros insumos e para o pagamento de parte das dívidas com os produtores. "A ideia é que, conforme as fábricas voltem a operar, a Laep passe a gerar caixa para sustentar sua própria operação", afirma Falco.
NA NOVA FASE, TODAS AS fábricas do consórcio poderão produzir qualquer uma de suas marcas. Isso vale também para as cinco unidades da Leitbom, localizadas em Goiás e no Pará. "O que determinará quem produz o que será a demanda", afirma Falco. A intenção é fazer com que marcas como Poços de Caldas, pertencente à Leitbom, ganhem reforço ao entrar na linha de produção da Laep no Sudeste. No caminho inverso, as marcas Glória e Ibituruna, da Laep, devem crescer no Centro-Oeste e no Nordeste. As equipes de vendas serão mantidas separadas - mas poderão comercializar produtos dos dois fabricantes. Os vendedores da Laep, que se especializaram em vender produtos com margem maior, como a própria Parmalat, passarão a vender Poços de Caldas. Do outro lado, a equipe da Leitbom, com mais experiência na venda de produtos populares, poderia dedicar-se às vendas de Glória e Ibituruna. "A estratégia é semelhante ao que a BR Foods fez ao separar a equipe de vendas da Batavo, que possui produtos com margem maior, da equipe da Elegê, que se concentra na venda de leite longa vida, uma commodity", afirma José Carlos Hausknecht, diretor da consultoria MB Agro. Falco também planeja voltar a vender a marca Parmalat no Rio Grande do Sul. Desde agosto de 2009, com a venda da fábrica da Parmalat em Carazinho, no interior do estado, para a Nestlé, a marca desapareceu do varejo local. Para retomar a região, ele planeja produzir numa fábrica terceirizada. "Estamos correndo para pôr esse plano em execução em 30 dias", diz.
Por enquanto, o mercado não vê o consórcio com muita empolgação. As ações da Laep subiram 30% logo após o anúncio do negócio, mas depois disso acumularam queda de 15% até 9 de abril (data do fechamento desta edição). "O consórcio ainda precisa mostrar a que veio", afirma Ricardo Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner. Caso a união vingue, com o desfecho da recuperação judicial da dona da Parmalat, Leitbom e Laep se tornarão uma só empresa - chamada Monticiano -, controlada pela GP Investimentos e com participação de 40% do empresário Marcus Elias, dono da Laep. Além de uma possível saída para a longa novela da Parmalat, o consórcio pode resolver um problema da própria Leitbom. Quando adquiriu a empresa goiana da família Vilefort, em abril de 2008, a GP pretendia agir como uma consolidadora do setor. Porém, com a queda do preço de leite, seus planos foram frustrados - desde então, a GP adquiriu apenas as marcas Poços de Caldas e o requeijão Paulista, que estavam sob controle da Laep. Sem uma marca forte no Sudeste e no Sul, a GP viu o valor de seu investimento inicial, de 260 milhões de dólares, cair 17% até o fechamento do terceiro trimestre de 2009. Dá para entender por que Falco tem tanta pressa nessa integração.
Para voltar a crescer
A estratégia da GP Investimentos para reerguer a Parmalat
CHOQUE DE GESTÃO
A Leitbom (controlada pela GP) dará o tom no consórcio formado com a Laep (dona da marca Parmalat). Na nova diretoria, permanece todo o alto escalão da Leitbom, inclusive o presidente, Fernando Falco. Da Laep, ficam apenas dois diretores - o comercial e o de captação
INVESTIMENTOS NAS FÁBRICAS
As três fábricas que estavam sob controle da Laep, localizadas em São Paulo e Minas Gerais, receberão investimentos de 3 milhões de reais cada uma para voltar a operar com capacidade plena até julho deste ano. Hoje elas operam em média com 40% da capacidade
SINERGIA NA DISTRIBUIÇÃO
Enquanto a Leitbom concentra sua distribuição em Goiás e no Nordeste, a Laep está mais presente no Sudeste. Em abril, a Leitbom começou a vender as marcas Glória e Ibituruna, da Laep, no Nordeste - em contrapartida, sua marca Poços de Caldas ganhou reforço em São Paulo e no Rio de Janeiro.
No dia 15 de março, uma segunda- feira, o paulista Fernando Falco iniciou a jornada de trabalho mais intensa que havia enfrentado em cerca de quatro meses na presidência do laticínio Leitbom, controlado pela GP Investimentos, maior gestora de private equity do país. O expediente começou às 7 horas da manhã e só acabou às 10 horas da noite - um ritmo que se repetiria, sem interrupções, pelos 15 dias seguintes. Durante todo o tempo, as atenções estiveram voltadas para uma única tarefa - mapear a operação da Laep, dona da marca Parmalat, que acabava de ser incorporada num consórcio com a Leitbom, para operar compras, vendas e produção de forma conjunta. Na primeira semana, Falco viajou para conhecer as três fábricas da Laep, em São Paulo e Minas Gerais. Em paralelo, sua equipe de compras visitou cerca de 30 associações de produtores de leite e sindicatos por todo o país. Ao final dessa quinzena agitada, os primeiros pedidos de compra e venda de leite passaram a ser recebidos de forma conjunta pelas duas empresas no novo escritório, inaugurado no dia 5 de abril, na zona oeste de São Paulo. Na configuração final da diretoria do consórcio, ficaram apenas dois executivos da antiga estrutura da Laep - o diretor comercial e o de captação e suprimentos. Os outros quatro diretores vieram da empresa controlada pela GP. Aproximadamente 130 gerentes, analistas e vendedores da Laep se juntaram à equipe de funcionários da Leitbom. "Fizemos em apenas duas semanas um trabalho que normalmente levaria quatro meses", afirma Falco. "O objetivo era não deixar a Parmalat ociosa mais tempo do que já estava."
Com a nova estrutura montada e um plano de expansão definido, começa agora o que deverá ser uma das fases mais complicadas do negócio - fazer com que as duas companhias funcionem juntas (veja quadro ao lado). O modelo de consórcio afastou parte da complexidade da integração com uma empresa tão problemática quanto a Laep. O peso de uma dívida atual de 22 milhões de reais da Laep, que se arrasta há seis anos, num dos mais longos processos de recuperação judicial do país, ficou fora da negociação (junto com outras duas fábricas, que estão arrendadas). Mesmo assim, resta o nada modesto desafio de reerguer a operação de uma empresa sem caixa, com linhas de produção paradas e cujos produtos sumiram das prateleiras em diversas regiões do país. Juntas, Laep e Leitbom devem faturar cerca de 1,2 bilhão de reais em 2010 - e processar cerca de 700 milhões de litros de leite, o que coloca o consórcio em quinto lugar entre as maiores do setor no país, atrás de Nestlé, BR Foods, Itambé e Bom Gosto. "Ajustar as complementações de marca e de regiões de modo a aumentar as vendas das duas empresas será determinante", afirma Marcelo Carvalho, diretor executivo da consultoria Agri-Point, especializada em agronegócio.
Falco e sua equipe têm duas prioridades neste momento. A primeira delas é colocar as três fábricas da Laep de volta à plena produção. Desde o final do ano passado, elas operam em média com 40% de ociosidade. Em três meses, a meta é de pelo menos reduzir essa taxa pela metade. Para isso, 3 milhões de reais devem ser investidos na manutenção e na ampliação de cada uma delas. A segunda tarefa - mais difícil - será fazer as pazes com os fornecedores e restabelecer o abastecimento de leite em algumas regiões. Na área da fábrica de Votuporanga, onde se localiza a maior bacia leiteira de São Paulo, apenas metade dos 1 500 produtores de leite que já abasteceram uma fábrica da Laep mantém o fornecimento. A maioria dos contratos foi rompida por falta de pagamento. "Até agora não fomos procurados, mas se pagarem em dia podemos voltar a fornecer à empresa", diz Sebastião Nogueira, um dos produtores de Votuporanga e ex-fornecedor da companhia. Como a Laep permanece sem caixa, a Leitbom injetará o dinheiro para a compra de leite e outros insumos e para o pagamento de parte das dívidas com os produtores. "A ideia é que, conforme as fábricas voltem a operar, a Laep passe a gerar caixa para sustentar sua própria operação", afirma Falco.
NA NOVA FASE, TODAS AS fábricas do consórcio poderão produzir qualquer uma de suas marcas. Isso vale também para as cinco unidades da Leitbom, localizadas em Goiás e no Pará. "O que determinará quem produz o que será a demanda", afirma Falco. A intenção é fazer com que marcas como Poços de Caldas, pertencente à Leitbom, ganhem reforço ao entrar na linha de produção da Laep no Sudeste. No caminho inverso, as marcas Glória e Ibituruna, da Laep, devem crescer no Centro-Oeste e no Nordeste. As equipes de vendas serão mantidas separadas - mas poderão comercializar produtos dos dois fabricantes. Os vendedores da Laep, que se especializaram em vender produtos com margem maior, como a própria Parmalat, passarão a vender Poços de Caldas. Do outro lado, a equipe da Leitbom, com mais experiência na venda de produtos populares, poderia dedicar-se às vendas de Glória e Ibituruna. "A estratégia é semelhante ao que a BR Foods fez ao separar a equipe de vendas da Batavo, que possui produtos com margem maior, da equipe da Elegê, que se concentra na venda de leite longa vida, uma commodity", afirma José Carlos Hausknecht, diretor da consultoria MB Agro. Falco também planeja voltar a vender a marca Parmalat no Rio Grande do Sul. Desde agosto de 2009, com a venda da fábrica da Parmalat em Carazinho, no interior do estado, para a Nestlé, a marca desapareceu do varejo local. Para retomar a região, ele planeja produzir numa fábrica terceirizada. "Estamos correndo para pôr esse plano em execução em 30 dias", diz.
Por enquanto, o mercado não vê o consórcio com muita empolgação. As ações da Laep subiram 30% logo após o anúncio do negócio, mas depois disso acumularam queda de 15% até 9 de abril (data do fechamento desta edição). "O consórcio ainda precisa mostrar a que veio", afirma Ricardo Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner. Caso a união vingue, com o desfecho da recuperação judicial da dona da Parmalat, Leitbom e Laep se tornarão uma só empresa - chamada Monticiano -, controlada pela GP Investimentos e com participação de 40% do empresário Marcus Elias, dono da Laep. Além de uma possível saída para a longa novela da Parmalat, o consórcio pode resolver um problema da própria Leitbom. Quando adquiriu a empresa goiana da família Vilefort, em abril de 2008, a GP pretendia agir como uma consolidadora do setor. Porém, com a queda do preço de leite, seus planos foram frustrados - desde então, a GP adquiriu apenas as marcas Poços de Caldas e o requeijão Paulista, que estavam sob controle da Laep. Sem uma marca forte no Sudeste e no Sul, a GP viu o valor de seu investimento inicial, de 260 milhões de dólares, cair 17% até o fechamento do terceiro trimestre de 2009. Dá para entender por que Falco tem tanta pressa nessa integração.
Para voltar a crescer
A estratégia da GP Investimentos para reerguer a Parmalat
CHOQUE DE GESTÃO
A Leitbom (controlada pela GP) dará o tom no consórcio formado com a Laep (dona da marca Parmalat). Na nova diretoria, permanece todo o alto escalão da Leitbom, inclusive o presidente, Fernando Falco. Da Laep, ficam apenas dois diretores - o comercial e o de captação
INVESTIMENTOS NAS FÁBRICAS
As três fábricas que estavam sob controle da Laep, localizadas em São Paulo e Minas Gerais, receberão investimentos de 3 milhões de reais cada uma para voltar a operar com capacidade plena até julho deste ano. Hoje elas operam em média com 40% da capacidade
SINERGIA NA DISTRIBUIÇÃO
Enquanto a Leitbom concentra sua distribuição em Goiás e no Nordeste, a Laep está mais presente no Sudeste. Em abril, a Leitbom começou a vender as marcas Glória e Ibituruna, da Laep, no Nordeste - em contrapartida, sua marca Poços de Caldas ganhou reforço em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Santander confirma venda de Cielo e CBSS
Lucro líquido do banco com venda é de 233 milhões de euros (R$ 548,95 milhões).
O Banco Santander espanhol confirmou hoje ter acertado a venda de suas participações remanescentes na Cielo e na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS) para o Banco do Brasil (BB) e o Bradesco. Em fato relevante, o Santander informou ter vendido 15,33% da CBSS por R$ 200 milhões e 7,2% da Cielo por R$ 1,46 bilhão. O lucro líquido do Santander com a venda foi de 233 milhões de euros (R$ 548,95 milhões).
A conclusão dos dois acordos está sujeita a aprovações regulatórias e, no caso da Cielo - antes conhecida como Visanet -, depende também da autorização dos bancos que atuaram como coordenadores de sua listagem no mercado de ações. A operação já havia sido comunicada por BB e Bradesco na sexta-feira.
O Banco do Brasil fechou a compra de 5,11% da Cielo e 4,655% do capital social da CBSS por R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 60,8 milhões referentes à transação da CBSS e R$ 1,039 bilhão à da Cielo.
Após efetivada a operação, que será feita pela subsidiária BB Banco de Investimento (BB-BI), a instituição passará a deter 28 65% da Cielo, enquanto a participação na CBSS subirá a 45%, "reforçando a participação acionária do conglomerado Banco do Brasil no capital das empresas que atuam no mercado de cartões", informou o BB em comunicado.
Já o Bradesco deve adquirir 2,09% do capital social da Cielo por R$ 425 milhões e 10,67% da CBSS por R$ 139,2 milhões. Conforme informou a companhia em comunicado, concluída a transação, a participação do Bradesco na Cielo aumentará de 26,56% para 28 65%, enquanto a fatia da instituição na CBSS passará de 34,33% para 45%.Com informações da Dow Jones.
O Banco Santander espanhol confirmou hoje ter acertado a venda de suas participações remanescentes na Cielo e na Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS) para o Banco do Brasil (BB) e o Bradesco. Em fato relevante, o Santander informou ter vendido 15,33% da CBSS por R$ 200 milhões e 7,2% da Cielo por R$ 1,46 bilhão. O lucro líquido do Santander com a venda foi de 233 milhões de euros (R$ 548,95 milhões).
A conclusão dos dois acordos está sujeita a aprovações regulatórias e, no caso da Cielo - antes conhecida como Visanet -, depende também da autorização dos bancos que atuaram como coordenadores de sua listagem no mercado de ações. A operação já havia sido comunicada por BB e Bradesco na sexta-feira.
O Banco do Brasil fechou a compra de 5,11% da Cielo e 4,655% do capital social da CBSS por R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 60,8 milhões referentes à transação da CBSS e R$ 1,039 bilhão à da Cielo.
Após efetivada a operação, que será feita pela subsidiária BB Banco de Investimento (BB-BI), a instituição passará a deter 28 65% da Cielo, enquanto a participação na CBSS subirá a 45%, "reforçando a participação acionária do conglomerado Banco do Brasil no capital das empresas que atuam no mercado de cartões", informou o BB em comunicado.
Já o Bradesco deve adquirir 2,09% do capital social da Cielo por R$ 425 milhões e 10,67% da CBSS por R$ 139,2 milhões. Conforme informou a companhia em comunicado, concluída a transação, a participação do Bradesco na Cielo aumentará de 26,56% para 28 65%, enquanto a fatia da instituição na CBSS passará de 34,33% para 45%.Com informações da Dow Jones.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Grécia decidiu ativar o mecanismo de resgate de sua economia
Depois de muita pressão do mercado financeiro, a Grécia decidiu aceitar o empréstimo da União Europeia e do FMI.
A Grécia anunciou hoje sua decisão de ativar o mecanismo de ajuda europeu com colaboração do Fundo Monetário Internacional (FMI), após a forte pressão do mercado.
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse hoje a partir da ilha grega de Kasteloriso, que "é imprescindível que a Grécia peça a ativação do mecanismo de resgate".
"É imperativo pedir de forma oficial aos nossos membros na UE que ativem o mecanismo de ajuda", disse Papandreou.
A Grécia acumulou uma dívida de 300 bilhões de euros e um déficit fiscal em 2009 de 13,6%, bem acima do teto fixado pelo Tratado de Maastricht para os países da zona do euro, que situa o Produto Interno Bruto (PIB) em 3%.
Está previsto que o ministro das Finanças grego, George Papandreou, viagem neste fim de semana a Washington para negociar as condições de um empréstimo de 15 bilhões de euros com o FMI para financiar a dívida.
Ao mesmo tempo, os países da eurozona ofereceram à Grécia um pacote de ajuda de 30 bilhões de euros a taxa de juro de 5% ao ano.
Os mercados pressionaram à Grécia para que recorresse ao pacote de resgate, o que situou em um nível recorde o diferencial da dívida grega frente ao referente alemão.
A Grécia anunciou hoje sua decisão de ativar o mecanismo de ajuda europeu com colaboração do Fundo Monetário Internacional (FMI), após a forte pressão do mercado.
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse hoje a partir da ilha grega de Kasteloriso, que "é imprescindível que a Grécia peça a ativação do mecanismo de resgate".
"É imperativo pedir de forma oficial aos nossos membros na UE que ativem o mecanismo de ajuda", disse Papandreou.
A Grécia acumulou uma dívida de 300 bilhões de euros e um déficit fiscal em 2009 de 13,6%, bem acima do teto fixado pelo Tratado de Maastricht para os países da zona do euro, que situa o Produto Interno Bruto (PIB) em 3%.
Está previsto que o ministro das Finanças grego, George Papandreou, viagem neste fim de semana a Washington para negociar as condições de um empréstimo de 15 bilhões de euros com o FMI para financiar a dívida.
Ao mesmo tempo, os países da eurozona ofereceram à Grécia um pacote de ajuda de 30 bilhões de euros a taxa de juro de 5% ao ano.
Os mercados pressionaram à Grécia para que recorresse ao pacote de resgate, o que situou em um nível recorde o diferencial da dívida grega frente ao referente alemão.
Mantega será novo presidente do conselho da Petrobras
Ministro substituirá o cargo que era ocupado pela candidata à presidência Dilma Roussef; assembleia também aprovou aumento do capital social da empresa.
O novo conselho de administração da Petrobras será presidido pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, no lugar de Dilma Rousseff, conforme aprovado em assembleia geral ontem. A indicação já havia sido aprovada na reunião do conselho de administração da estatal em março. No conselho entrou o recém-nomeado ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann.
Além de Mantega e Zimmermann, o conselho conta com: Francisco Roberto de Albuquerque, José Sérgio Gabrielli (presidente da estatal), Luciano Coutinho (presidente do BNDES), Sergio Franklin Quintella e Silas Rondeau, como representantes do acionista controlador, a União. Como representante dos acionistas minoritários ordinaristas está Fabio Colletti Barbosa, e dos preferencialistas, Jorge Gerdau Johannpeter.
A assembleia aprovou ainda aumento do capital social por incorporação de parte de reservas de capital e de reservas de lucros, no montante de R$ 6,142 bilhões. Com isso, o capital social da estatal é elevado de R$ 78,967 bilhões para R$ 85,109 bilhões, sem modificação do número de ações ordinárias e preferenciais. Foi aprovada também a renúncia ao direito de preferência da Petrobras na subscrição de ações na Quattor Participações, na aquisição pela Braskem da participação detida pela União de Indústrias Petroquímicas (Unipar) na Quattor.
O novo conselho de administração da Petrobras será presidido pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, no lugar de Dilma Rousseff, conforme aprovado em assembleia geral ontem. A indicação já havia sido aprovada na reunião do conselho de administração da estatal em março. No conselho entrou o recém-nomeado ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann.
Além de Mantega e Zimmermann, o conselho conta com: Francisco Roberto de Albuquerque, José Sérgio Gabrielli (presidente da estatal), Luciano Coutinho (presidente do BNDES), Sergio Franklin Quintella e Silas Rondeau, como representantes do acionista controlador, a União. Como representante dos acionistas minoritários ordinaristas está Fabio Colletti Barbosa, e dos preferencialistas, Jorge Gerdau Johannpeter.
A assembleia aprovou ainda aumento do capital social por incorporação de parte de reservas de capital e de reservas de lucros, no montante de R$ 6,142 bilhões. Com isso, o capital social da estatal é elevado de R$ 78,967 bilhões para R$ 85,109 bilhões, sem modificação do número de ações ordinárias e preferenciais. Foi aprovada também a renúncia ao direito de preferência da Petrobras na subscrição de ações na Quattor Participações, na aquisição pela Braskem da participação detida pela União de Indústrias Petroquímicas (Unipar) na Quattor.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Obama: sem reforma, EUA devem ter nova crise
Presidente dos Estados Unidos pedirá apoio de Wall Street para conseguir ver aprovada a reforma financeira.
O presidente americano, Barack Obama, defenderá a reforma financeira destacando que, sem ela, os Estados Unidos estariam condenados a uma nova crise. Além disso, pedirá o apoio de Wall Street, segundo trechos do discurso que fará nesta quinta-feira em Nova York.
"É essencial que aprendamos as lições desta crise, para que não estejamos condenados a repeti-la", afirmará Obama, de acordo com os trecho do discurso divulgados com antecedência pela Casa Branca.
"E não se enganem, isto é exatamente o que vai acontecer se deixarmos passar esta oportunidade de revisar o sistema de regulamentação dos bancos e outras instituições financeiras, tema que o Senado americano está para examinar, destacará o presidente.
No mesmo discurso, que deve começar pouco antes de 12h00 (13h00 de Brasília) em Cooper Union, uma universidade particular do sul de Manhattan, a poucas quadras de Wall Street, Obama pretende dar garantias aos investidores e afirmar que acredita no capitalismo e no poder do mercado.
"Acredito em um setor financeiro forte que ajude as pessoas a aumentar seu capital, a obter empréstimos e a investir suas economias. Mas um mercado livre não significa uma permissão para pegar tudo o que podem pegar, de qualquer maneira".
"Alguns em Wall Street esqueceram que por trás de cada dólar na Bolsa ou investido, há uma família que tenta comprar uma casa, pagar seus estudos, abrir uma loja ou economizar para a aposentadoria", cita o presidente.
"O que acontece aqui tem consequências reais em todo nosso país", recorda Obama, em referência à crise financeira de 2008, resultado dos excessos dos negócios arriscados no setor imobiliário.
Os Estados Unidos começam a se recuperar da crise, mas com um índice de desemprego ainda próximo dos 10%.
Mas Obama dirá ainda estar convencido que é do interesse de Wall Street cooperar com a presidência e o Congresso.
O presidente americano, Barack Obama, defenderá a reforma financeira destacando que, sem ela, os Estados Unidos estariam condenados a uma nova crise. Além disso, pedirá o apoio de Wall Street, segundo trechos do discurso que fará nesta quinta-feira em Nova York.
"É essencial que aprendamos as lições desta crise, para que não estejamos condenados a repeti-la", afirmará Obama, de acordo com os trecho do discurso divulgados com antecedência pela Casa Branca.
"E não se enganem, isto é exatamente o que vai acontecer se deixarmos passar esta oportunidade de revisar o sistema de regulamentação dos bancos e outras instituições financeiras, tema que o Senado americano está para examinar, destacará o presidente.
No mesmo discurso, que deve começar pouco antes de 12h00 (13h00 de Brasília) em Cooper Union, uma universidade particular do sul de Manhattan, a poucas quadras de Wall Street, Obama pretende dar garantias aos investidores e afirmar que acredita no capitalismo e no poder do mercado.
"Acredito em um setor financeiro forte que ajude as pessoas a aumentar seu capital, a obter empréstimos e a investir suas economias. Mas um mercado livre não significa uma permissão para pegar tudo o que podem pegar, de qualquer maneira".
"Alguns em Wall Street esqueceram que por trás de cada dólar na Bolsa ou investido, há uma família que tenta comprar uma casa, pagar seus estudos, abrir uma loja ou economizar para a aposentadoria", cita o presidente.
"O que acontece aqui tem consequências reais em todo nosso país", recorda Obama, em referência à crise financeira de 2008, resultado dos excessos dos negócios arriscados no setor imobiliário.
Os Estados Unidos começam a se recuperar da crise, mas com um índice de desemprego ainda próximo dos 10%.
Mas Obama dirá ainda estar convencido que é do interesse de Wall Street cooperar com a presidência e o Congresso.
BB compra banco argentino Patagônia por US$ 480 milhões
Banco argentino, por meio de comunicado ao mercado, afirmou que venderá ao BB 51 por cento de seu capital votante.
O Banco Patagonia anunciou nesta quarta-feira que chegou a um acordo com o Banco do Brasil para venda de seu controle em uma operação envolvendo aproximadamente 480 milhões de dólares.
O banco argentino, por meio de comunicado ao mercado, afirmou que venderá ao BB 51 por cento de seu capital votante, exatas 366.825.016 ações, a um preço de 1,3076 dólar por ação, totalizando 479,66 milhões de dólares.
O Patagonia afirma que o acordo ainda está sujeito à aprovação dos órgãos regulados na Argentina e no Brasil. Caso seja aprovado, será feita uma OPA (oferta pública de compra de ações) na Argentina dos papéis remanescentes do Patagonia.
Segundo o comunicado, o Patagonia possuía ao fim de 2009 2,57 bilhões de dólares em ativos, carteira com mais de 775 mil clientes e 2.660 funcionários.
O Banco Patagonia anunciou nesta quarta-feira que chegou a um acordo com o Banco do Brasil para venda de seu controle em uma operação envolvendo aproximadamente 480 milhões de dólares.
O banco argentino, por meio de comunicado ao mercado, afirmou que venderá ao BB 51 por cento de seu capital votante, exatas 366.825.016 ações, a um preço de 1,3076 dólar por ação, totalizando 479,66 milhões de dólares.
O Patagonia afirma que o acordo ainda está sujeito à aprovação dos órgãos regulados na Argentina e no Brasil. Caso seja aprovado, será feita uma OPA (oferta pública de compra de ações) na Argentina dos papéis remanescentes do Patagonia.
Segundo o comunicado, o Patagonia possuía ao fim de 2009 2,57 bilhões de dólares em ativos, carteira com mais de 775 mil clientes e 2.660 funcionários.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Queiroz Galvão e Chesf vencem Belo Monte
O consórcio Norte Energia, liderado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e a construtora Queiroz Galvão, recebeu concessão para comandar Belo Monte.
O consórcio ofereceu a oferta de 77,97 reais por megawatt/hora (MWh). O teto estabelecido pelo Ministério de Minas e Energias era 83 reais por MWh. O deságio foi de 6,02%.
O consórcio Norte Energia tem participação da Chesf com 49,98%; Construtora Queiroz Galvão (10,02%); Galvão Engenharia (3,75%); Mendes Júnior (3,75%); Serveng-Sivilsan (3,75%); J Malucelli Construtora (9,98%); Contern Construções (3,75%); Cetenco Engenharia (5%) e Gaia Energia e Participações (10,02%).
O leilão acabou ainda na primeira fase, nos primeiros 7 minutos, pois a diferença de valor entre os dois consórcios foi superior a 5%.
O consórcio ofereceu a oferta de 77,97 reais por megawatt/hora (MWh). O teto estabelecido pelo Ministério de Minas e Energias era 83 reais por MWh. O deságio foi de 6,02%.
O consórcio Norte Energia tem participação da Chesf com 49,98%; Construtora Queiroz Galvão (10,02%); Galvão Engenharia (3,75%); Mendes Júnior (3,75%); Serveng-Sivilsan (3,75%); J Malucelli Construtora (9,98%); Contern Construções (3,75%); Cetenco Engenharia (5%) e Gaia Energia e Participações (10,02%).
O leilão acabou ainda na primeira fase, nos primeiros 7 minutos, pois a diferença de valor entre os dois consórcios foi superior a 5%.
Grécia vende 1,95 bilhão de euros em títulos
A Grécia vendeu hoje 1,95 bilhão de euros como títulos do Tesouro do país a três meses com juros de 3,65% --mais do dobro do rendimento ao qual as colocou em janeiro passado--, informaram as autoridades financeiras gregas.
Outra emissão de títulos a três meses foram leiloadas em 19 de janeiro a juros de 1,67%, enquanto em 20 de outubro de 2009 as vendas de títulos tiveram rendimento de 0,35%. A Grécia, portanto, deve pagar agora dez vezes mais juros que há sete meses.
A emissão de hoje teve uma demanda 4,6 vezes maior à oferta inicial lançada pelo Tesouro grego de 1,5 bilhão de euros, e pode chegar a 6,92 bilhões de euros se atender aos pedidos do mercado.
Na semana passada, a Grécia obteve 1,56 bilhão de euros em títulos pagos a cada seis meses e a um ano, com taxas de juros de 4,55% e 4,85%, respectivamente.
O prêmio de risco dos bônus gregos a dez anos em relação ao referente alemão voltou a marcar às 6h (de Brasília) o maior nível dos últimos 11 anos ao alcançar os 483 pontos básicos --o que significa que, para captar recursos no mercado, os gregos pagem 4,83 pontos percentuais a mais do que a Alemanha.
A emissão de dívida ocorre antes do início das negociações amanhã entre o Governo grego e o FMI (Fundo Monetário Internacional), a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e o BCE (Banco Central Europeu) sobre as condições para obter assistência de 45 bilhões de euros para equilibrar as contas públicas gregas.
Outra emissão de títulos a três meses foram leiloadas em 19 de janeiro a juros de 1,67%, enquanto em 20 de outubro de 2009 as vendas de títulos tiveram rendimento de 0,35%. A Grécia, portanto, deve pagar agora dez vezes mais juros que há sete meses.
A emissão de hoje teve uma demanda 4,6 vezes maior à oferta inicial lançada pelo Tesouro grego de 1,5 bilhão de euros, e pode chegar a 6,92 bilhões de euros se atender aos pedidos do mercado.
Na semana passada, a Grécia obteve 1,56 bilhão de euros em títulos pagos a cada seis meses e a um ano, com taxas de juros de 4,55% e 4,85%, respectivamente.
O prêmio de risco dos bônus gregos a dez anos em relação ao referente alemão voltou a marcar às 6h (de Brasília) o maior nível dos últimos 11 anos ao alcançar os 483 pontos básicos --o que significa que, para captar recursos no mercado, os gregos pagem 4,83 pontos percentuais a mais do que a Alemanha.
A emissão de dívida ocorre antes do início das negociações amanhã entre o Governo grego e o FMI (Fundo Monetário Internacional), a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e o BCE (Banco Central Europeu) sobre as condições para obter assistência de 45 bilhões de euros para equilibrar as contas públicas gregas.
Petrobras perde espaço no mercado de opções sobre ações
Os papéis da Petrobras seguem perdendo espaço na preferência dos investidores que operam no mercado de opções sobre ações na BM&FBovespa. As opções são direitos de compra ou venda de ações com preços e prazos de exercícios estabelecidos com antecedência. Assim, o investidor pode apostar na queda ou alta de um papel, comprando as ações abaixo do preço à vista no momento do vencimento do contrato.
Nesta segunda-feira (19), a bolsa anunciou que os contratos de opções sobre ações movimentou 5,28 bilhões de reais em abril. As opções de compra da Vale (VALE5) foram as mais negociadas. Os papéis com preço de exercício de 45,64 reais giraram 723 milhões de reais. As ações com preço em 39,64 por ação negociaram 559,6 milhões de reais e as com preço em 47,64 reais movimentaram 503,2 milhões de reais.
Na segunda posição aparecem os ativos da OGX Petróleo (OGXP3), ocupando um patamar de destaque que costuma ser preenchido pela Petrobras. Os papéis com preço em 18,50 e 17,50 por ação negociaram 825,5 milhões de reais. Enquanto isso, as opções sobre ações da Petrobras negociaram em torno de 400 milhões de reais, aponta Luiz Rogé, administrador de carteiras e diretor do portal Invest Certo.
Ele explica que, apesar de a OGX ainda estar em um período pré-operacional, as perspectivas para a empresa se mostram mais interessantes no setor do que as da Petrobras. Os investidores têm vendido Petrobras e entrado em OGX. Assim, as ações têm ganhado liquidez, junto com o mercado de opções, indica Rogé. A estatal também sofre com as incertezas em relação ao processo de capitalização da empresa para a exploração dos projetos do pré-sal.
O fator mais importante neste ano é a questão da capitalização e a aprovação dos projetos de lei no Cogresso. Tudo pesa no desempenho dos papéis, avalia Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora. Broad está cauteloso e recomenda a manutenção dos papéis da empresa. No ano, as ações da Petrobras já recuaram aproximadamente 10%. Os papéis da OGX, por sua vez, têm alta de 7%.
Nesta segunda-feira (19), a bolsa anunciou que os contratos de opções sobre ações movimentou 5,28 bilhões de reais em abril. As opções de compra da Vale (VALE5) foram as mais negociadas. Os papéis com preço de exercício de 45,64 reais giraram 723 milhões de reais. As ações com preço em 39,64 por ação negociaram 559,6 milhões de reais e as com preço em 47,64 reais movimentaram 503,2 milhões de reais.
Na segunda posição aparecem os ativos da OGX Petróleo (OGXP3), ocupando um patamar de destaque que costuma ser preenchido pela Petrobras. Os papéis com preço em 18,50 e 17,50 por ação negociaram 825,5 milhões de reais. Enquanto isso, as opções sobre ações da Petrobras negociaram em torno de 400 milhões de reais, aponta Luiz Rogé, administrador de carteiras e diretor do portal Invest Certo.
Ele explica que, apesar de a OGX ainda estar em um período pré-operacional, as perspectivas para a empresa se mostram mais interessantes no setor do que as da Petrobras. Os investidores têm vendido Petrobras e entrado em OGX. Assim, as ações têm ganhado liquidez, junto com o mercado de opções, indica Rogé. A estatal também sofre com as incertezas em relação ao processo de capitalização da empresa para a exploração dos projetos do pré-sal.
O fator mais importante neste ano é a questão da capitalização e a aprovação dos projetos de lei no Cogresso. Tudo pesa no desempenho dos papéis, avalia Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora. Broad está cauteloso e recomenda a manutenção dos papéis da empresa. No ano, as ações da Petrobras já recuaram aproximadamente 10%. Os papéis da OGX, por sua vez, têm alta de 7%.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Eike anuncia "mega monetização" e ações da OGX disparam
As ações da OGX Petróleo (OGXP3) dispararam na abertura do pregão desta sexta-feira (16) com a notícia da possível venda de 20% da empresa anunciada pelo investidor Eike Batista. O empresário, que controla a holding EBX e a empresa de exploração de petróleo, disse que haverá uma "mega monetização", "da mesma maneira que a gente monetizou um pedaço da MMX, vendendo para a Anglo American", explicou. Às 11h30, os papéis da empresa subiam 1,56%, negociados a 18,22 reais.
Eu sei enxergar diamantes não polidos. A OGX tem hoje 1 trilhão de dólares de valor em petróleo (...).E nós sim estamos nos preparando para vender um pedaço pequeno, 20%, para fazer uma mega monetização para os investidores de novo entenderem como se cria riqueza nessa área de recursos naturais", afirmou Batista.
Em nota enviada (veja abaixo) esta manhã para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa disse que a "OGX está estudando a possibilidade de realização de um processo de venda de participação minoritária". A operação seria realizada nos blocos exploratórios da Bacia de Campos. A última descoberta na região aconteceu na segunda-feira (12).
"Este poço, que nos ajudou a compreender melhor os sistemas de acumulação dos reservatórios eocênicos do sul da bacia de Campos, vem confirmar o grande potencial desta bacia em diversas idades geológicas, abrindo, portanto, uma expressiva frente de novas possibilidades para estes reservatórios", destacou Paulo Mendonça, Diretor Geral da OGX, em nota enviada na ocasião.
"Não perca a oportunidade de comprar essa ação. No dia que a gente anunciar esse negócio a ação vai duplicar ou triplicar de valor e as pessoas não vão estar posicionadas", disse Batista durante a entrevista. A OGX já contratou um assessor financeiro para avaliar as alternativas de venda no bloco.
Eu sei enxergar diamantes não polidos. A OGX tem hoje 1 trilhão de dólares de valor em petróleo (...).E nós sim estamos nos preparando para vender um pedaço pequeno, 20%, para fazer uma mega monetização para os investidores de novo entenderem como se cria riqueza nessa área de recursos naturais", afirmou Batista.
Em nota enviada (veja abaixo) esta manhã para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa disse que a "OGX está estudando a possibilidade de realização de um processo de venda de participação minoritária". A operação seria realizada nos blocos exploratórios da Bacia de Campos. A última descoberta na região aconteceu na segunda-feira (12).
"Este poço, que nos ajudou a compreender melhor os sistemas de acumulação dos reservatórios eocênicos do sul da bacia de Campos, vem confirmar o grande potencial desta bacia em diversas idades geológicas, abrindo, portanto, uma expressiva frente de novas possibilidades para estes reservatórios", destacou Paulo Mendonça, Diretor Geral da OGX, em nota enviada na ocasião.
"Não perca a oportunidade de comprar essa ação. No dia que a gente anunciar esse negócio a ação vai duplicar ou triplicar de valor e as pessoas não vão estar posicionadas", disse Batista durante a entrevista. A OGX já contratou um assessor financeiro para avaliar as alternativas de venda no bloco.
São Carlos compra edifício da SulAmérica por R$ 130 milhões
São Carlos, empresa de administração e investimento em imóveis comerciais, assinou um acordo com a SulAmérica(Sula11) para a compra de um edifício da seguradora, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo. A compradora gastou 130 milhões de reais pelo prédio.
O imóvel adquirido possui oito andares e 22.206 metros quadrados de área locável. Como parte do contrato assinado entre as empresas, a SulAmérica será locatária do empreendimento durante o períodomáximo de 18 meses. Até lá, a SulAmérica deverá encontrar outro imóvel para ocupar.
Com a compra, a São Carlos agora controla 45 empreendimentos imobiliários comerciais e uma área bruta locável de 423.796 metros quadrados no total. O valor de mercado estimado da empresa passa a ser de 1,69 bilhão de reais.
Já a SulAmérica informou que terá um lucro não-recorrente de 41 milhões de reais devido à venda do imóvel. Em nota, a empresa diz que com o negócio busca a "otimização de sua eficiência operacional".
O imóvel adquirido possui oito andares e 22.206 metros quadrados de área locável. Como parte do contrato assinado entre as empresas, a SulAmérica será locatária do empreendimento durante o períodomáximo de 18 meses. Até lá, a SulAmérica deverá encontrar outro imóvel para ocupar.
Com a compra, a São Carlos agora controla 45 empreendimentos imobiliários comerciais e uma área bruta locável de 423.796 metros quadrados no total. O valor de mercado estimado da empresa passa a ser de 1,69 bilhão de reais.
Já a SulAmérica informou que terá um lucro não-recorrente de 41 milhões de reais devido à venda do imóvel. Em nota, a empresa diz que com o negócio busca a "otimização de sua eficiência operacional".
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Aneel confirma que Leilão de Belo Monte ocorre próxima terça
Ficam restabelecidas todas as etapas do leilão e a licença ambiental para a construção da usina, no Rio Xingu, no Pará.
Foi cassada hoje a liminar que impedia a realização do leilão para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. A informação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília. O recurso, impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU), foi analisado pelo presidente do TRF-1, Jirair Aram Meguerian.
Com a decisão de Meguerian, ficam restabelecidas todas as etapas do leilão e a licença ambiental para a construção da usina, no Rio Xingu (PA). A Assessoria de Imprensa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avisou que os processo e o prazo, que estava marcado para o dia 20 de abril, próxima terça-feira, permanecem os mesmos.
De acordo com a Assessoria de Imprensa, a comissão de licitação deverá emitir um novo comunicado reabrindo as etapas que antecedem o leilão, marcado para a próxima terça-feira. Hoje, pelo cronograma, vence às 18 horas o prazo para inscrições e depósitos de garantias dos consórcios e empresas interessadas em participar da disputa.
Foi cassada hoje a liminar que impedia a realização do leilão para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. A informação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília. O recurso, impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU), foi analisado pelo presidente do TRF-1, Jirair Aram Meguerian.
Com a decisão de Meguerian, ficam restabelecidas todas as etapas do leilão e a licença ambiental para a construção da usina, no Rio Xingu (PA). A Assessoria de Imprensa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avisou que os processo e o prazo, que estava marcado para o dia 20 de abril, próxima terça-feira, permanecem os mesmos.
De acordo com a Assessoria de Imprensa, a comissão de licitação deverá emitir um novo comunicado reabrindo as etapas que antecedem o leilão, marcado para a próxima terça-feira. Hoje, pelo cronograma, vence às 18 horas o prazo para inscrições e depósitos de garantias dos consórcios e empresas interessadas em participar da disputa.
Meirelles: BC vai manter inflação na meta
Diante do atual repique inflacionário – o maior dos últimos sete anos – o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se vê novamente diante do desafio de subir a Selic, a taxa básica de juros, desta vez em meio ao início da campanha eleitoral. Nesta entrevista exclusiva à EXAME, Meirelles diz que o BC “tem instrumentos para manter a inflação na meta do horizonte relevante”, e que se depender dele, permanece à frente da instituição até o final do governo Lula. Ele disse também que diante da ausência de leis que garantam a autonomia formal do BC, sua independência está nas mãos do próximo presidente da República.
EXAME – O anúncio de que o senhor ficaria à frente do Banco Central gerou uma retração imediata na curva de juros. Por que o mercado reagiu dessa forma?
Henrique Meirelles – Uma parte das curvas sempre é relacionada ao prêmio de risco. Quanto menor o nível de incerteza, menor o prêmio de risco. Esse anúncio, na visão de muitos agentes econômicos, diminui a incerteza. Evidentemente, não o elimina à medida que continua a incerteza a partir de janeiro de 2011. Mas não há dúvida de que num prazo menor a informação [da minha permanência] tem esse efeito.
Mesmo depois do anúncio de sua permanência à frente do Banco Central, os rumores continuam a surgir. O senhor considera a possibilidade de participar de um eventual governo da ex-ministra Dilma Rousseff, seja à frente do BC ou de um ministério? E há também rumores na imprensa de que o senhor deixaria o BC antes do final do governo Lula para assumir um ministério. Há conversas nesse sentido?
– Essa notícia não procede. Não há nenhuma conversa para que eu possa sair do Banco Central para assumir um ministério. A decisão tomada neste momento por mim e pelo presidente Lula é que eu permaneça no Banco Central. É como eu digo há sete anos e meio no mundo inteiro quando me perguntam: até quando o senhor ficará no Banco Central? No começo do segundo mandato, em 2007, me perguntavam: o senhor ficará até 2010? Eu dizia já naquela época: vai depender de um desejo e de uma decisão do presidente Lula e de uma decisão minha. Nós dois temos que estar de acordo nesse ponto. E a resposta continua sendo a mesma.
O senhor concorda com as críticas de parte dos analistas de mercado, para quem a última ata do Copom teria dado margem à interpretação de que a manutenção da Selic foi uma decisão contraditória? A possibilidade de uma troca na presidência do BC influiu na decisão do Copom?
– Eu discordo dessa avaliação. Eu acho que isso é resultado da transparência dos bancos centrais ainda ser um fenômeno pouco assimilado no Brasil. Nós tivemos dois documentos bastante diferentes, porque têm finalidades diferentes e escopo diferente – o que é a ata do Copom e o relatório de inflação. O que muitas pessoas não entenderam é que a ata do Copom, como o próprio nome indica, reflete as discussões e o raciocínio que ocorreram naquela reunião. E tal qual o mercado, o Copom estava dividido. Então a ata incorporou opiniões dos diversos membros do Copom que não tinham uma opinião unânime. Portanto, não foi uma ata que exprimiu uma visão consensual. Foi o que deu a visão de que seria uma ata contraditória. E de fato a ata exprimiu visões diferentes. E lendo-se a ata, pode se chegar a duas conclusões. Por quê? Porque a ata reflete a realidade, que deu margem no Copom a dois tipos de votos diferentes. Portanto, é normal que ao ler a ata, alguns digam: não, pela ata o Copom deveria ter tomado a outra decisão. Já o relatório de inflação é diferente, porque ele tem um escopo mais abrangente e pode elaborar um pouco mais na decisão da maioria e nos custos e benefícios considerados pela maioria para tomar a decisão que foi tomada.
Desde a última reunião do Copom, a sua percepção sobre o atual repique inflacionário mudou?
– Nós não fazemos comentários intermediários entre os documentos oficiais do Banco Central. Nós estamos num período em que o relatório de inflação foi bastante exaustivo e completo na análise do cenário até aquele momento. Agora estamos numa fase de observação e de coleta de dados, até a próxima reunião do Copom, no final do mês. E aí sim vamos fazer uma nova avaliação completa do cenário e tomar a decisão.
Quais as suas expectativas sobre as medidas antiinflacionárias já adotadas pelo governo, como o retorno dos depósitos compulsórios pelos bancos e o fim de subsídios como o concedido ao IPI dos automóveis?
– Como já foi bastante bem colocado no relatório de inflação, o Brasil já se encontra num processo de retirada dos estímulos monetários de liquidez e fiscais adotados durante a crise e que foram levados em conta pelo Copom quando estabeleceu a sua programação no final do ano.
No front fiscal, temos uma preocupação no horizonte que são o possível aumento de 7% aos aposentados e mais aportes para o BNDES. Tais aportes são recursos tomados pelo BNDES junto ao Tesouro pela taxa Selic e repassados às empresas em condições mais favoráveis, aumentando, em longo prazo, a dívida pública. Mas analistas observam que a necessidade total de financiamento público já chega a quase 10% do PIB. Isso lhe preocupa? Em que medida?
– A questão fiscal é um dos fatores levados em conta na análise macroeconômica do Copom para a sua tomada de decisão. E levamos em conta a retirada do estímulo fiscal, possíveis expansões fiscais, questões de renda, o balanceamento entre oferta e demanda na economia, a taxa cambial, os preços administrados, a persistência, as expectativas. Nós levamos em conta todos esses fatores para tomar a decisão e o Banco Central tem instrumentos para manter a inflação na meta do horizonte relevante, como sempre fizemos nos últimos anos.
Falando sobre o front externo, os últimos indicadores indicam uma retomada gradativa da atividade nos Estados Unidos, uma crise aguda em boa parte da Europa, pressões inflacionárias evidentes na China. Existe um claro arrocho monetário apenas na Austrália. De que maneira o senhor vê o cenário externo?
– Vejo os Estados Unidos numa recuperação gradual segundo o previsto. E isso é bom para nós. Eles estão adotando uma política monetária de alta liquidez, com um programa de estímulo fiscal também relativamente forte, e dentro desse quadro a economia está crescendo. É um crescimento ainda não consolidado, à medida que o nível de desemprego ainda é elevado, o chamado jobless growth — isto é, as empresas estão aumentando seus resultados e sua lucratividade por enquanto baseadas preponderantemente no ganho de produtividade através do corte de custos, o que envolve a manutenção do emprego baixo. Neste quadro, à medida que o ganho de produtividade das empresas se esgota, a dúvida que se coloca é se as empresas vão começar a contratar. Se isso acontecer, isso levaria a um cenário sustentável de crescimento. Mas existe também a possibilidade de que as empresas vão diminuir os seus resultados e, como conseqüência da diminuição dos ganhos de produtividade, poderia haver a uma diminuição das taxas atuais de crescimento. A expectativa hoje é que seja a primeira opção e que, portanto, a recuperação americana continue dentro do previsto. Trata-se de uma recuperação lenta e com muitos problemas ainda para serem absorvidos pelo setor financeiro. E isso terá um custo fiscal elevado a ser absorvido no futuro.
Já a Europa surpreendeu negativamente, à medida que agudizou-se a questão fiscal dos países do Mediterrâneo. Além do mais, há algo previsível, mas não precificado, que são as tensões causadas pela Zona do Euro, pela diversidade macroeconômica, fiscal e de soberania entre as diversas nações que compõem a Zona do Euro. Isso deve fazer com que a recuperação europeia seja um pouco menor do que o previsto. Por outro lado, alguns países emergentes estão claramente crescendo, já a taxas robustas. E muitos países emergentes já estão com pressões inflacionárias e com programas de retirada de estímulos fiscais e monetários de uma forma mais acelerada.
E onde o senhor vê um risco potencial maior para o Brasil – na crise européia ou numa eventual bolha chinesa?
– São dois riscos importantes. O risco europeu é o risco mais bem dimensionado, à medida que se conhece mais a dimensão dos efeitos. A questão chinesa é menos previsível porque os números chineses não são tão transparentes. Por outro lado, o que podemos ter na China são questões muito voltadas à opinião. Existe sim um claro superaquecimento da economia chinesa. Existe sim a formação de algumas bolhas e de certa bolha de crédito – e isto, como toda bolha de crédito terá um custo pesado. E esse custo será bancado pelo poder público, como na maior parte dos países. A questão que pode diferenciar a China de outros países que tiveram acontecimentos similares é saber até que ponto o estado chinês tem condições financeiras de suportar esse custo sem grandes traumas. A China tem uma taxa de poupança nacional de 50% do PIB. Essa poupança é diretamente representada pelas reservas chinesas, que são de fato resultado da poupança de mais de 1,5 trilhão de dólares e, portanto, esta é a grande questão. Em minha opinião – e não é nada mais do que uma opinião – tendo a achar que o governo chinês terá condições de absorver esse custo, devido à sua poupança elevada e do extraordinário nível de reservas que a China tem.
O que pode ser feito para garantir-se a autonomia operacional do Banco Central do Brasil no próximo governo?
– A única forma de se garantir a autonomia do Banco Central seria uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. Não devemos sofismar sobre esse assunto. Acho isso pouco provável num ano eleitoral. Já num horizonte mais longínquo é possível. Existe um projeto de reformulação do sistema financeiro em discussão no Senado Federal que prevê exatamente a autonomia do Banco Central e que certamente será discutido num momento devido. Mas em curto prazo dependerá fundamentalmente do próximo presidente da República manter ou não a autonomia do Banco Central.
Na condição de presidente do BC e de integrante do conselho do BIS, quais são os paradigmas para um Banco Central independente?
– Hoje os principais bancos centrais do mundo têm autonomia consolidada. Estamos falando do Banco Central Europeu, do Federal Reserve americano, do Banco do Japão, o Banco Nacional da Suíça, o Banco da Inglaterra, o Banco de Israel, o Banco da Austrália, o Banco da Nova Zelândia, o Banco do Canadá… Seria uma longa lista e eu não gostaria aqui de cometer injustiças. Na América Latina, temos também o Banco Central do Chile, o Banco Central do México. Nós temos belos exemplos em diversas regiões do mundo hoje. É um conceito consolidado hoje.
E quais são os principais atributos de um banco central independente?
– Alguns dos mais importantes já estão incorporados na legislação brasileira. Por exemplo, algo que já está incorporado pela Lei da Responsabilidade Fiscal, que é a proibição do Banco Central financiar o Tesouro Nacional. Isso já está incorporado na lei brasileira e é muito importante. Existe outra provisão legal, a prerrogativa que hoje está avançada em relação à boa parte dos bancos centrais do mundo que é o fato do Banco Central ser responsável pela estabilidade financeira. E isso já está incorporado na lei brasileira há muitos anos. Existem outras questões da fiscalização, da estrutura normativa das funções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central está muito bem definida. Existe todo um aparato normativo e legal do Banco Central do Brasil que foi muito bem desenvolvido desde a década de 60, com a aprovação da Lei 4595. O que falta é exatamente a definição dos mandatos para o presidente e os diretores do Banco Central. A primeira parte já está bastante bem definida, de acordo com o modelo internacional, que é o presidente da república indicando o diretor e o presidente do Banco Central para aprovação pelo Senado Federal.
O que difere em relação à maior parte dos países é exatamente que nesses países o mandato é fixo e são necessárias razões muito bem definidas para que os diretores do Banco Central sejam removidos. Em alguns países elas se referem apenas ao não cumprimento da meta de inflação sistematicamente e, evidentemente, alguma condenação penal transitado em julgado. Existem alguns países em que há algumas razões que podem levar o presidente da República propor ao Senado e com a aprovação do Senado, haver a remoção de diretores ou do presidente do BC. Esta é a parte em que o Brasil está numa posição diferenciada em relação a outros países. Além disso, os mandatos escalonados para o presidente e a diretoria de um banco central com os mandatos para presidente da república fazem parte de um modelo clássico, exatamente para garantir a continuidade de políticas, de não haver possibilidades de inflexões na política monetária ao final dos mandatos presidenciais.
Quando será possível o Brasil ter uma meta de inflação mais baixa, mais racional, da ordem, por exemplo, de 3% ao ano?
– Isso é a evolução natural à medida que se consolide a estabilidade de preços no Brasil e que a persistência inflacionária vá diminuindo. A partir daí, as indexações de preços também diminuem gradualmente, o grau de abertura da economia brasileira aumenta, continuando a aumentar o nível de competição internacional a que está submetida a economia brasileira. Tudo isso gerará condições para que o Brasil possa ter uma meta de inflação menor.
EXAME – O anúncio de que o senhor ficaria à frente do Banco Central gerou uma retração imediata na curva de juros. Por que o mercado reagiu dessa forma?
Henrique Meirelles – Uma parte das curvas sempre é relacionada ao prêmio de risco. Quanto menor o nível de incerteza, menor o prêmio de risco. Esse anúncio, na visão de muitos agentes econômicos, diminui a incerteza. Evidentemente, não o elimina à medida que continua a incerteza a partir de janeiro de 2011. Mas não há dúvida de que num prazo menor a informação [da minha permanência] tem esse efeito.
Mesmo depois do anúncio de sua permanência à frente do Banco Central, os rumores continuam a surgir. O senhor considera a possibilidade de participar de um eventual governo da ex-ministra Dilma Rousseff, seja à frente do BC ou de um ministério? E há também rumores na imprensa de que o senhor deixaria o BC antes do final do governo Lula para assumir um ministério. Há conversas nesse sentido?
– Essa notícia não procede. Não há nenhuma conversa para que eu possa sair do Banco Central para assumir um ministério. A decisão tomada neste momento por mim e pelo presidente Lula é que eu permaneça no Banco Central. É como eu digo há sete anos e meio no mundo inteiro quando me perguntam: até quando o senhor ficará no Banco Central? No começo do segundo mandato, em 2007, me perguntavam: o senhor ficará até 2010? Eu dizia já naquela época: vai depender de um desejo e de uma decisão do presidente Lula e de uma decisão minha. Nós dois temos que estar de acordo nesse ponto. E a resposta continua sendo a mesma.
O senhor concorda com as críticas de parte dos analistas de mercado, para quem a última ata do Copom teria dado margem à interpretação de que a manutenção da Selic foi uma decisão contraditória? A possibilidade de uma troca na presidência do BC influiu na decisão do Copom?
– Eu discordo dessa avaliação. Eu acho que isso é resultado da transparência dos bancos centrais ainda ser um fenômeno pouco assimilado no Brasil. Nós tivemos dois documentos bastante diferentes, porque têm finalidades diferentes e escopo diferente – o que é a ata do Copom e o relatório de inflação. O que muitas pessoas não entenderam é que a ata do Copom, como o próprio nome indica, reflete as discussões e o raciocínio que ocorreram naquela reunião. E tal qual o mercado, o Copom estava dividido. Então a ata incorporou opiniões dos diversos membros do Copom que não tinham uma opinião unânime. Portanto, não foi uma ata que exprimiu uma visão consensual. Foi o que deu a visão de que seria uma ata contraditória. E de fato a ata exprimiu visões diferentes. E lendo-se a ata, pode se chegar a duas conclusões. Por quê? Porque a ata reflete a realidade, que deu margem no Copom a dois tipos de votos diferentes. Portanto, é normal que ao ler a ata, alguns digam: não, pela ata o Copom deveria ter tomado a outra decisão. Já o relatório de inflação é diferente, porque ele tem um escopo mais abrangente e pode elaborar um pouco mais na decisão da maioria e nos custos e benefícios considerados pela maioria para tomar a decisão que foi tomada.
Desde a última reunião do Copom, a sua percepção sobre o atual repique inflacionário mudou?
– Nós não fazemos comentários intermediários entre os documentos oficiais do Banco Central. Nós estamos num período em que o relatório de inflação foi bastante exaustivo e completo na análise do cenário até aquele momento. Agora estamos numa fase de observação e de coleta de dados, até a próxima reunião do Copom, no final do mês. E aí sim vamos fazer uma nova avaliação completa do cenário e tomar a decisão.
Quais as suas expectativas sobre as medidas antiinflacionárias já adotadas pelo governo, como o retorno dos depósitos compulsórios pelos bancos e o fim de subsídios como o concedido ao IPI dos automóveis?
– Como já foi bastante bem colocado no relatório de inflação, o Brasil já se encontra num processo de retirada dos estímulos monetários de liquidez e fiscais adotados durante a crise e que foram levados em conta pelo Copom quando estabeleceu a sua programação no final do ano.
No front fiscal, temos uma preocupação no horizonte que são o possível aumento de 7% aos aposentados e mais aportes para o BNDES. Tais aportes são recursos tomados pelo BNDES junto ao Tesouro pela taxa Selic e repassados às empresas em condições mais favoráveis, aumentando, em longo prazo, a dívida pública. Mas analistas observam que a necessidade total de financiamento público já chega a quase 10% do PIB. Isso lhe preocupa? Em que medida?
– A questão fiscal é um dos fatores levados em conta na análise macroeconômica do Copom para a sua tomada de decisão. E levamos em conta a retirada do estímulo fiscal, possíveis expansões fiscais, questões de renda, o balanceamento entre oferta e demanda na economia, a taxa cambial, os preços administrados, a persistência, as expectativas. Nós levamos em conta todos esses fatores para tomar a decisão e o Banco Central tem instrumentos para manter a inflação na meta do horizonte relevante, como sempre fizemos nos últimos anos.
Falando sobre o front externo, os últimos indicadores indicam uma retomada gradativa da atividade nos Estados Unidos, uma crise aguda em boa parte da Europa, pressões inflacionárias evidentes na China. Existe um claro arrocho monetário apenas na Austrália. De que maneira o senhor vê o cenário externo?
– Vejo os Estados Unidos numa recuperação gradual segundo o previsto. E isso é bom para nós. Eles estão adotando uma política monetária de alta liquidez, com um programa de estímulo fiscal também relativamente forte, e dentro desse quadro a economia está crescendo. É um crescimento ainda não consolidado, à medida que o nível de desemprego ainda é elevado, o chamado jobless growth — isto é, as empresas estão aumentando seus resultados e sua lucratividade por enquanto baseadas preponderantemente no ganho de produtividade através do corte de custos, o que envolve a manutenção do emprego baixo. Neste quadro, à medida que o ganho de produtividade das empresas se esgota, a dúvida que se coloca é se as empresas vão começar a contratar. Se isso acontecer, isso levaria a um cenário sustentável de crescimento. Mas existe também a possibilidade de que as empresas vão diminuir os seus resultados e, como conseqüência da diminuição dos ganhos de produtividade, poderia haver a uma diminuição das taxas atuais de crescimento. A expectativa hoje é que seja a primeira opção e que, portanto, a recuperação americana continue dentro do previsto. Trata-se de uma recuperação lenta e com muitos problemas ainda para serem absorvidos pelo setor financeiro. E isso terá um custo fiscal elevado a ser absorvido no futuro.
Já a Europa surpreendeu negativamente, à medida que agudizou-se a questão fiscal dos países do Mediterrâneo. Além do mais, há algo previsível, mas não precificado, que são as tensões causadas pela Zona do Euro, pela diversidade macroeconômica, fiscal e de soberania entre as diversas nações que compõem a Zona do Euro. Isso deve fazer com que a recuperação europeia seja um pouco menor do que o previsto. Por outro lado, alguns países emergentes estão claramente crescendo, já a taxas robustas. E muitos países emergentes já estão com pressões inflacionárias e com programas de retirada de estímulos fiscais e monetários de uma forma mais acelerada.
E onde o senhor vê um risco potencial maior para o Brasil – na crise européia ou numa eventual bolha chinesa?
– São dois riscos importantes. O risco europeu é o risco mais bem dimensionado, à medida que se conhece mais a dimensão dos efeitos. A questão chinesa é menos previsível porque os números chineses não são tão transparentes. Por outro lado, o que podemos ter na China são questões muito voltadas à opinião. Existe sim um claro superaquecimento da economia chinesa. Existe sim a formação de algumas bolhas e de certa bolha de crédito – e isto, como toda bolha de crédito terá um custo pesado. E esse custo será bancado pelo poder público, como na maior parte dos países. A questão que pode diferenciar a China de outros países que tiveram acontecimentos similares é saber até que ponto o estado chinês tem condições financeiras de suportar esse custo sem grandes traumas. A China tem uma taxa de poupança nacional de 50% do PIB. Essa poupança é diretamente representada pelas reservas chinesas, que são de fato resultado da poupança de mais de 1,5 trilhão de dólares e, portanto, esta é a grande questão. Em minha opinião – e não é nada mais do que uma opinião – tendo a achar que o governo chinês terá condições de absorver esse custo, devido à sua poupança elevada e do extraordinário nível de reservas que a China tem.
O que pode ser feito para garantir-se a autonomia operacional do Banco Central do Brasil no próximo governo?
– A única forma de se garantir a autonomia do Banco Central seria uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. Não devemos sofismar sobre esse assunto. Acho isso pouco provável num ano eleitoral. Já num horizonte mais longínquo é possível. Existe um projeto de reformulação do sistema financeiro em discussão no Senado Federal que prevê exatamente a autonomia do Banco Central e que certamente será discutido num momento devido. Mas em curto prazo dependerá fundamentalmente do próximo presidente da República manter ou não a autonomia do Banco Central.
Na condição de presidente do BC e de integrante do conselho do BIS, quais são os paradigmas para um Banco Central independente?
– Hoje os principais bancos centrais do mundo têm autonomia consolidada. Estamos falando do Banco Central Europeu, do Federal Reserve americano, do Banco do Japão, o Banco Nacional da Suíça, o Banco da Inglaterra, o Banco de Israel, o Banco da Austrália, o Banco da Nova Zelândia, o Banco do Canadá… Seria uma longa lista e eu não gostaria aqui de cometer injustiças. Na América Latina, temos também o Banco Central do Chile, o Banco Central do México. Nós temos belos exemplos em diversas regiões do mundo hoje. É um conceito consolidado hoje.
E quais são os principais atributos de um banco central independente?
– Alguns dos mais importantes já estão incorporados na legislação brasileira. Por exemplo, algo que já está incorporado pela Lei da Responsabilidade Fiscal, que é a proibição do Banco Central financiar o Tesouro Nacional. Isso já está incorporado na lei brasileira e é muito importante. Existe outra provisão legal, a prerrogativa que hoje está avançada em relação à boa parte dos bancos centrais do mundo que é o fato do Banco Central ser responsável pela estabilidade financeira. E isso já está incorporado na lei brasileira há muitos anos. Existem outras questões da fiscalização, da estrutura normativa das funções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central está muito bem definida. Existe todo um aparato normativo e legal do Banco Central do Brasil que foi muito bem desenvolvido desde a década de 60, com a aprovação da Lei 4595. O que falta é exatamente a definição dos mandatos para o presidente e os diretores do Banco Central. A primeira parte já está bastante bem definida, de acordo com o modelo internacional, que é o presidente da república indicando o diretor e o presidente do Banco Central para aprovação pelo Senado Federal.
O que difere em relação à maior parte dos países é exatamente que nesses países o mandato é fixo e são necessárias razões muito bem definidas para que os diretores do Banco Central sejam removidos. Em alguns países elas se referem apenas ao não cumprimento da meta de inflação sistematicamente e, evidentemente, alguma condenação penal transitado em julgado. Existem alguns países em que há algumas razões que podem levar o presidente da República propor ao Senado e com a aprovação do Senado, haver a remoção de diretores ou do presidente do BC. Esta é a parte em que o Brasil está numa posição diferenciada em relação a outros países. Além disso, os mandatos escalonados para o presidente e a diretoria de um banco central com os mandatos para presidente da república fazem parte de um modelo clássico, exatamente para garantir a continuidade de políticas, de não haver possibilidades de inflexões na política monetária ao final dos mandatos presidenciais.
Quando será possível o Brasil ter uma meta de inflação mais baixa, mais racional, da ordem, por exemplo, de 3% ao ano?
– Isso é a evolução natural à medida que se consolide a estabilidade de preços no Brasil e que a persistência inflacionária vá diminuindo. A partir daí, as indexações de preços também diminuem gradualmente, o grau de abertura da economia brasileira aumenta, continuando a aumentar o nível de competição internacional a que está submetida a economia brasileira. Tudo isso gerará condições para que o Brasil possa ter uma meta de inflação menor.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Gigante chinesa assinará acordo estratégico com a Petrobras
A Petrobras (PETR3, PETR4) vai assinar um acordo de cooperação com o banco de desenvolvimento da China e a segunda maior empresa petrolífera chinesa, Sinopec, que inclui o desenvolvimento de recursos petrolíferos brasileiros, disse uma autoridade chinesa.
O acordo acontece em meio a uma reunião em Brasília entre líderes de Brasil, Rússia, Índia e China, países conhecidos como Bric.
O acordo acontece depois de especulações de que a Petrobras, que no ano passado emprestou 10 bilhões de dólares do banco de desenvolvimento chinês em um acordo ligado a vendas de petróleo, poderia buscar mais financiamento da China, o que já havia sido negado pelo presidente da companhia brasileira.
O presidente da Sinopec, Su Shulin, disse à Reuters que o acordo vai cobrir o desenvolvimento de recursos petrolíferos brasileiros e negócios comerciais com a China, mas não deu mais detalhes.
Su disse que no ano passado a Sinopec comprou 2,28 milhões de toneladas de petróleo brasileiro.
Nesta semana, a imprensa brasileira divulgou que a Sinopec vai comprar participações em dois blocos marítimos da Petrobras, na bacia Pará-Maranhão, como parte de um acordo de cooperação que seria ssinado durante a reunião do Bric.
O acordo acontece em meio a uma reunião em Brasília entre líderes de Brasil, Rússia, Índia e China, países conhecidos como Bric.
O acordo acontece depois de especulações de que a Petrobras, que no ano passado emprestou 10 bilhões de dólares do banco de desenvolvimento chinês em um acordo ligado a vendas de petróleo, poderia buscar mais financiamento da China, o que já havia sido negado pelo presidente da companhia brasileira.
O presidente da Sinopec, Su Shulin, disse à Reuters que o acordo vai cobrir o desenvolvimento de recursos petrolíferos brasileiros e negócios comerciais com a China, mas não deu mais detalhes.
Su disse que no ano passado a Sinopec comprou 2,28 milhões de toneladas de petróleo brasileiro.
Nesta semana, a imprensa brasileira divulgou que a Sinopec vai comprar participações em dois blocos marítimos da Petrobras, na bacia Pará-Maranhão, como parte de um acordo de cooperação que seria ssinado durante a reunião do Bric.
Petrobras planeja vender participação em bloco de exploração na Índia
A Petrobras quer se desfazer de sua participação em um bloco de exploração operado pela estatal da Índia Oil and Natural Gas Corp, disse o diretor de finanças da empresa indiana, D.K. Sarraf, nesta quinta-feira.
Ele não informou o motivo do pedido. A Petrobras detém 10% do bloco de exploração em águas profundas. A norueguesa Statoil continuará sendo uma parceira no bloco, com participação de 15%, acrescentou.
"Algumas semanas atrás a Petrobras nos informou sua intenção de sair do bloco", disse Sarraf a jornalistas em uma conferência. "A questão envolve compartilhamento de risco e tecnologia."
Ele não informou o motivo do pedido. A Petrobras detém 10% do bloco de exploração em águas profundas. A norueguesa Statoil continuará sendo uma parceira no bloco, com participação de 15%, acrescentou.
"Algumas semanas atrás a Petrobras nos informou sua intenção de sair do bloco", disse Sarraf a jornalistas em uma conferência. "A questão envolve compartilhamento de risco e tecnologia."
BNDES deve financiar 70% de Belo Monte
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve financiar diretamente 70% da Hidrelétrica de Belo Monte, orçada pelo governo em R$ 19 bilhões. O banco assumirá o risco por R$ 13,5 bilhões do investimento, o limite máximo permitido para empréstimo a um único projeto, de acordo com seu atual patrimônio de referência. O BNDES marcou para hoje a divulgação das condições do financiamento do projeto. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o maior diferencial será uma linha inédita para a aquisição dos equipamentos pesados, como turbinas e transformadores, que representam um custo entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões, de acordo com cálculos do banco.
A aquisição dos bens de capital será feita com taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que reduz os juros à metade. O prazo de pagamento foi fixado entre 25 e 30 anos, três vezes mais do que o período máximo já delimitado pelo banco até hoje (dez anos). Os benefícios especiais fazem parte do esforço do governo para atrair candidatos ao leilão.
Também o prazo de pagamento do empréstimo para a construção foi estendido para 30 anos, 5 mais do que o das duas grandes usinas do Rio Madeira. As condições gerais devem permanecer basicamente as mesmas das oferecidas para aquele complexo hidrelétrico (TJLP hoje em 6% ao ano, mais 0,5% e taxa de risco de crédito entre 0 5% e 2,5%). Mas a equipe técnica do banco calcula que o barateamento na aquisição das máquinas altere a estrutura do financiamento, reduzindo o custo geral em torno de 30%. As normas especiais de empréstimo serão aplicadas apenas aos equipamentos com índice de nacionalização de 60%, exigência do Finame.
Ontem, o juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, de Altamira (PA), concedeu hoje liminar que cancela a licença prévia ambiental (LP) do projeto da hidrelétrica de Belo Monte (PA) e suspende o leilão da usina, marcado pelo governo para 20 de abril. O pedido de liminar foi ajuizado pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) no final da semana passada. A decisão ainda é passível de recurso perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou no início da noite de ontem que irá recorrer da liminar.
A aquisição dos bens de capital será feita com taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que reduz os juros à metade. O prazo de pagamento foi fixado entre 25 e 30 anos, três vezes mais do que o período máximo já delimitado pelo banco até hoje (dez anos). Os benefícios especiais fazem parte do esforço do governo para atrair candidatos ao leilão.
Também o prazo de pagamento do empréstimo para a construção foi estendido para 30 anos, 5 mais do que o das duas grandes usinas do Rio Madeira. As condições gerais devem permanecer basicamente as mesmas das oferecidas para aquele complexo hidrelétrico (TJLP hoje em 6% ao ano, mais 0,5% e taxa de risco de crédito entre 0 5% e 2,5%). Mas a equipe técnica do banco calcula que o barateamento na aquisição das máquinas altere a estrutura do financiamento, reduzindo o custo geral em torno de 30%. As normas especiais de empréstimo serão aplicadas apenas aos equipamentos com índice de nacionalização de 60%, exigência do Finame.
Ontem, o juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, de Altamira (PA), concedeu hoje liminar que cancela a licença prévia ambiental (LP) do projeto da hidrelétrica de Belo Monte (PA) e suspende o leilão da usina, marcado pelo governo para 20 de abril. O pedido de liminar foi ajuizado pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) no final da semana passada. A decisão ainda é passível de recurso perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou no início da noite de ontem que irá recorrer da liminar.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
BB recebe autorização para comprar banco nos EUA
Primeira aquisição no país pode ser anunciada até o meio do ano.
O Banco do Brasil recebeu ontem do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) autorização para operar uma instituição financeira plena nos Estados Unidos. O pedido havia sido feito há cerca de um ano. Com o aval, o BB espera concluir as negociações para adquirir um banco na maior economia do mundo. O vice-presidente de negócios internacionais da instituição federal, Allan Simões Toledo, acredita que a primeira aquisição pode ser anunciada nos próximos meses, até o meio do ano. O objetivo é atender trabalhadores e empresas brasileiros.
A autorização era o que faltava para que o BB ingresse no mercado norte-americano. "Isso permite acelerar a análise de compra de bancos. Atualmente, existem 700 instituições à venda nos EUA", explica Toledo. A intenção do BB é aproveitar a oportunidade gerada pela crise, que abalou a saúde financeira de muitas instituições e, principalmente, reduziu o preço de venda dessas companhias. As conversas com bancos locais acontecem há alguns meses e, agora, devem entrar na reta final.
O plano é atender regiões com grande concentração de brasileiros, como Nova York, Nova Jersey, Boston e Flórida. "Não precisamos adquirir um único banco que tenha presença nesses locais. Pode ser uma costura de várias instituições regionais", explica o vice-presidente. Há 1,4 milhão de brasileiros vivendo nos EUA, país com a maior concentração de brasileiros no exterior. Com a compra, há expectativa em atender trabalhadores de outros países latinos, principalmente sul-americanos.
A intenção é repetir o sucesso obtido no Japão. No país asiático, o BB conta com sete agências e 140 mil contas, sendo que cerca de 15% das contas são de trabalhadores latinos, como os peruanos. Após a compra de um banco de varejo, o BB deve criar uma holding nos EUA para agregar todas as subsidiárias naquele país. Atualmente, o banco federal já opera duas agências - em Nova York e Miami -, uma empresa de transferências internacionais, uma corretora e um escritório comercial. A autorização para o funcionamento dessas agências é mais restrito do que a obtida ontem.
A carta com o aval do Fed foi muito comemorada na diretoria do banco federal. No documento enviado a Brasília, as autoridades norte-americanas afirmam que o BB é um banco "bem capitalizado, bem administrado e bem supervisionado". Outro motivo de comemoração é que não há registros de que o Fed tenha dado essa autorização para nenhuma outra instituição financeira estatal do mundo. O vice-presidente do BB informou também que as negociações para a compra do argentino Banco Patagônia continuam e "é possível termos novidades nos próximos meses".
O Banco do Brasil recebeu ontem do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) autorização para operar uma instituição financeira plena nos Estados Unidos. O pedido havia sido feito há cerca de um ano. Com o aval, o BB espera concluir as negociações para adquirir um banco na maior economia do mundo. O vice-presidente de negócios internacionais da instituição federal, Allan Simões Toledo, acredita que a primeira aquisição pode ser anunciada nos próximos meses, até o meio do ano. O objetivo é atender trabalhadores e empresas brasileiros.
A autorização era o que faltava para que o BB ingresse no mercado norte-americano. "Isso permite acelerar a análise de compra de bancos. Atualmente, existem 700 instituições à venda nos EUA", explica Toledo. A intenção do BB é aproveitar a oportunidade gerada pela crise, que abalou a saúde financeira de muitas instituições e, principalmente, reduziu o preço de venda dessas companhias. As conversas com bancos locais acontecem há alguns meses e, agora, devem entrar na reta final.
O plano é atender regiões com grande concentração de brasileiros, como Nova York, Nova Jersey, Boston e Flórida. "Não precisamos adquirir um único banco que tenha presença nesses locais. Pode ser uma costura de várias instituições regionais", explica o vice-presidente. Há 1,4 milhão de brasileiros vivendo nos EUA, país com a maior concentração de brasileiros no exterior. Com a compra, há expectativa em atender trabalhadores de outros países latinos, principalmente sul-americanos.
A intenção é repetir o sucesso obtido no Japão. No país asiático, o BB conta com sete agências e 140 mil contas, sendo que cerca de 15% das contas são de trabalhadores latinos, como os peruanos. Após a compra de um banco de varejo, o BB deve criar uma holding nos EUA para agregar todas as subsidiárias naquele país. Atualmente, o banco federal já opera duas agências - em Nova York e Miami -, uma empresa de transferências internacionais, uma corretora e um escritório comercial. A autorização para o funcionamento dessas agências é mais restrito do que a obtida ontem.
A carta com o aval do Fed foi muito comemorada na diretoria do banco federal. No documento enviado a Brasília, as autoridades norte-americanas afirmam que o BB é um banco "bem capitalizado, bem administrado e bem supervisionado". Outro motivo de comemoração é que não há registros de que o Fed tenha dado essa autorização para nenhuma outra instituição financeira estatal do mundo. O vice-presidente do BB informou também que as negociações para a compra do argentino Banco Patagônia continuam e "é possível termos novidades nos próximos meses".
Petrobras anuncia que adquiriu participação na Austrália
Com a aquisição na Oceania, companhia passa a atuar em todos os continentes.
A Petrobras anunciou na noite desta terça-feira (13) a compra de metade da participação em um bloco exploratório localizado na bacia australiana de North Carnarvon, junto à empresa MEO Australia Ltd. O negócio, feito através da Petrobras Internacional Braspetro (PIB BV), custou à companhia US$ 39 milhões.
Com a aquisição na Oceania, a Petrobras passa agora a atuar em todos os continentes. Segundo a companhia, o bloco cobre uma área de 1,2 mil quilômetros quadrados, com profundidade de água máxima de 500 metros, localizado próximo à região de grandes descobertas de gás.
A aquisição ainda está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias australianas e prevê, além do pagamento pela Petrobras à MEO, o financiamento de 100% da perfuração do poço pioneiro Artemis-1, até o limite de US$ 41 milhões, prevista para o segundo semestre de 2010.
Em caso de sucesso na perfuração, a Petrobras se compromete a pagar um bônus adicional à MEO no valor de US$ 31,5 milhões e financiar a participação da MEO (20%) na perfuração de dois poços adicionais no valor de até US$ 62 milhões por poço.
Conforme a Petrobras informou, a MEO permanece como operadora do bloco, ficando com 20% de participação após a concretização do negócio. Os 30% restantes estão igualmente divididos entre as empresas Cue Exploration Pty Ltd e Moby Oil & Gas Ltd, também australianas. A Petrobras terá a opção de se tornar operadora após a conclusão dos trabalhos relativos à perfuração do primeiro poço.
A Petrobras anunciou na noite desta terça-feira (13) a compra de metade da participação em um bloco exploratório localizado na bacia australiana de North Carnarvon, junto à empresa MEO Australia Ltd. O negócio, feito através da Petrobras Internacional Braspetro (PIB BV), custou à companhia US$ 39 milhões.
Com a aquisição na Oceania, a Petrobras passa agora a atuar em todos os continentes. Segundo a companhia, o bloco cobre uma área de 1,2 mil quilômetros quadrados, com profundidade de água máxima de 500 metros, localizado próximo à região de grandes descobertas de gás.
A aquisição ainda está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias australianas e prevê, além do pagamento pela Petrobras à MEO, o financiamento de 100% da perfuração do poço pioneiro Artemis-1, até o limite de US$ 41 milhões, prevista para o segundo semestre de 2010.
Em caso de sucesso na perfuração, a Petrobras se compromete a pagar um bônus adicional à MEO no valor de US$ 31,5 milhões e financiar a participação da MEO (20%) na perfuração de dois poços adicionais no valor de até US$ 62 milhões por poço.
Conforme a Petrobras informou, a MEO permanece como operadora do bloco, ficando com 20% de participação após a concretização do negócio. Os 30% restantes estão igualmente divididos entre as empresas Cue Exploration Pty Ltd e Moby Oil & Gas Ltd, também australianas. A Petrobras terá a opção de se tornar operadora após a conclusão dos trabalhos relativos à perfuração do primeiro poço.
terça-feira, 13 de abril de 2010
ALL facilita a compra de suas ações por investidor estrangeiro
A América Latina Logística (ALLL11) aumentou a sua exposição ao mercado de capitais americano. A empresa começou a negociar nesta segunda-feira (12) no mercado de balcão da Pink OTCQX. A listagem dos seus ADRs (American Depository Receipts) - certificados de ações que representam ações listadas no Brasil - vem depois da autorização da comissão de valores mobiliários americana (Securities and Exchange Commission) para a mudança do nível do programa de ADR da companhia para Nível 1.
Quando estão no nível 1, as ações são apenas negociadas em mercado de balcão, que é uma alternativa ao ambiente de bolsa de valores. Para o gerente de relações com os investidores da ALL, Gustavo Reichmann, essa opção faz parte da estratégia de acessar investidores estrangeiros. “É um caminho para os americanos e estrangeiros em geral que não conseguem entrar diretamente no mercado brasileiro. É também um ambiente com liquidez e regras atraentes”, justifica.
"É um passo na direção certa. Além disso, torna mais fácil a compra de ações por investidores institucionais americanos", aponta o analista da Sterne Agee, Lawrence T. De Maria. Ele explica que muitos investidores poderiam preferir a compra de ações em uma bolsa de valores, mas isso é mais custoso para a empresa e leva mais tempo. A ALL é a quinta empresa brasileira a listar ações na Pink, a mais recente de uma lista formada pela Klabin, JBS, Lupatech e MRV Engenharia e Participações.
"Desta forma, a empresa pode realizar uma listagem parcial e ainda assim permitir que os investidores americanos comprem as ações. Talvez no futuro eles realizem um programa completo de ADR", afirma De Maria. O analista recomenda a compra dos papéis com um preço-alvo de vinte reais no período de 12 meses. "Estamos satisfeitos de receber a ALL-America Latina Logistica na OTCQX, e oferecer intermediação na sua relação com corretoras americanas" disse em nota Cromwell Coulson, Presidente and CEO do Pink OTC Markets.
Quando estão no nível 1, as ações são apenas negociadas em mercado de balcão, que é uma alternativa ao ambiente de bolsa de valores. Para o gerente de relações com os investidores da ALL, Gustavo Reichmann, essa opção faz parte da estratégia de acessar investidores estrangeiros. “É um caminho para os americanos e estrangeiros em geral que não conseguem entrar diretamente no mercado brasileiro. É também um ambiente com liquidez e regras atraentes”, justifica.
"É um passo na direção certa. Além disso, torna mais fácil a compra de ações por investidores institucionais americanos", aponta o analista da Sterne Agee, Lawrence T. De Maria. Ele explica que muitos investidores poderiam preferir a compra de ações em uma bolsa de valores, mas isso é mais custoso para a empresa e leva mais tempo. A ALL é a quinta empresa brasileira a listar ações na Pink, a mais recente de uma lista formada pela Klabin, JBS, Lupatech e MRV Engenharia e Participações.
"Desta forma, a empresa pode realizar uma listagem parcial e ainda assim permitir que os investidores americanos comprem as ações. Talvez no futuro eles realizem um programa completo de ADR", afirma De Maria. O analista recomenda a compra dos papéis com um preço-alvo de vinte reais no período de 12 meses. "Estamos satisfeitos de receber a ALL-America Latina Logistica na OTCQX, e oferecer intermediação na sua relação com corretoras americanas" disse em nota Cromwell Coulson, Presidente and CEO do Pink OTC Markets.
Mercado pune falta de informações da fusão Casas Bahia/Pão de Açúcar
A reação do mercado ao anúncio da renegociação dos termos do contrato da fusão entre a Casas Bahia e o Pão de Açúcar foi imediata. Já na segunda-feira, os papéis preferenciais de classe A da empresa (PCAR5) recuaram em resposta à notícia dos problemas no acordo entre as famílias Klein, fundadora da Casas Bahia, e Diniz, controladora do Grupo Pão de Açúcar.
As duas empresas confirmaram hoje a "intenção de rever a associação". As ações, que já tinham recuado 2,2% ontem, abriram a sessão em baixa de quase 6%, em torno de 58,50 reais. "Se você tira o valor agregado da união com a Casas Bahia, o mercado entende que a as ações devem voltar ao patamar anterior ao da fusão", explica o analista da Votorantim Corretora, André Parize. O mercado trabalhava com uma sinergia que poderia agregar em torno de 10 reais por ação, afirma outro analista que pediu para não ser identificado.
Um dia antes da celebração do contrato, em 3 de dezembro de 2009, os papéis eram negociados a 56,95 reais. Depois da operação, as ações dispararam 9,73%, até chegarem ao topo de 68 reais em janeiro. "O que levou para a máxima de 68 reais foi essa notícia. Voltar para um nível em torno de 55 reais ou 57 reais não é um exagero", diz a analista Daniela Bretthauer, analista da Raymond James.
"O mercado já tinha incorporado cálculos da relação de troca acionária entre Casas Bahia e Globex. Agora, com a revisão, os termos tendem a beneficiar mais a Casas Bahia. Mas ainda não sabemos se será por meio de um aumento de participação ou por compensação financeira", avalia Marcelo Varejão, analista da Socopa Corretora. Para ele, o pior cenário, de quebra do contrato, não pode ser descartado.
Essa possibilidade pode até ser positiva, indica Daniela. A analista desconfiou da falta de detalhes nos termos do acordo em dezembro e optou até por rebaixar a recomendação de compra das ações para uma indicação neutra. "Ninguém teve a oportunidade de analisar os demonstrativos financeiros da Casas Bahia. Todas as grandes fusões têm mais detalhes. Em todos meus relatórios eu tenho dito que precisamos de mais informações", destaca.
Agora, de acordo com os analistas, as ações da empresa devem ser guiadas principalmente por novas notícias ligadas aos novos termos da negociação.
As duas empresas confirmaram hoje a "intenção de rever a associação". As ações, que já tinham recuado 2,2% ontem, abriram a sessão em baixa de quase 6%, em torno de 58,50 reais. "Se você tira o valor agregado da união com a Casas Bahia, o mercado entende que a as ações devem voltar ao patamar anterior ao da fusão", explica o analista da Votorantim Corretora, André Parize. O mercado trabalhava com uma sinergia que poderia agregar em torno de 10 reais por ação, afirma outro analista que pediu para não ser identificado.
Um dia antes da celebração do contrato, em 3 de dezembro de 2009, os papéis eram negociados a 56,95 reais. Depois da operação, as ações dispararam 9,73%, até chegarem ao topo de 68 reais em janeiro. "O que levou para a máxima de 68 reais foi essa notícia. Voltar para um nível em torno de 55 reais ou 57 reais não é um exagero", diz a analista Daniela Bretthauer, analista da Raymond James.
"O mercado já tinha incorporado cálculos da relação de troca acionária entre Casas Bahia e Globex. Agora, com a revisão, os termos tendem a beneficiar mais a Casas Bahia. Mas ainda não sabemos se será por meio de um aumento de participação ou por compensação financeira", avalia Marcelo Varejão, analista da Socopa Corretora. Para ele, o pior cenário, de quebra do contrato, não pode ser descartado.
Essa possibilidade pode até ser positiva, indica Daniela. A analista desconfiou da falta de detalhes nos termos do acordo em dezembro e optou até por rebaixar a recomendação de compra das ações para uma indicação neutra. "Ninguém teve a oportunidade de analisar os demonstrativos financeiros da Casas Bahia. Todas as grandes fusões têm mais detalhes. Em todos meus relatórios eu tenho dito que precisamos de mais informações", destaca.
Agora, de acordo com os analistas, as ações da empresa devem ser guiadas principalmente por novas notícias ligadas aos novos termos da negociação.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Ações da Telebrás disparam 6% com novas notícias sobre Plano de Banda Larga
As ações da Telebrás (TELB3, TELB4) dispararam no início desta tarde, após rumores de que o governo decidiu que a empresa fará apenas a operação no atacado do Plano Nacional de Banda Larga.
Os papéis preferenciais da estatal eram negociados a R$ 1,58, com alta de 6,04% às 14h47, repercutindo notícia da Agência Estado. Citando fontes do governo, o veículo informou que a oferta do serviço de banda larga no varejo, dentro do plano governamental, será feita pelas operadoras privadas.
Ainda de acordo com a reportagem, a Telebrás irá gerenciar o sistema principal, utilizando as redes de fibras ópticas de outras estatais, como Petrobras e Eletrobras. Procurado pela InfoMoney, o presidente da Telebrás, Jorge da Motta, e o diretor de Relações com Investidores, Lorival Silva, não foram encontrados.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), por sua vez, informou à redação que não se manifesta sobre o assunto, uma vez que a decisão é de responsabilidade do Governo. A assessoria de imprensa da Casa Civil também não se manifestou.
Os papéis preferenciais da estatal eram negociados a R$ 1,58, com alta de 6,04% às 14h47, repercutindo notícia da Agência Estado. Citando fontes do governo, o veículo informou que a oferta do serviço de banda larga no varejo, dentro do plano governamental, será feita pelas operadoras privadas.
Ainda de acordo com a reportagem, a Telebrás irá gerenciar o sistema principal, utilizando as redes de fibras ópticas de outras estatais, como Petrobras e Eletrobras. Procurado pela InfoMoney, o presidente da Telebrás, Jorge da Motta, e o diretor de Relações com Investidores, Lorival Silva, não foram encontrados.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), por sua vez, informou à redação que não se manifesta sobre o assunto, uma vez que a decisão é de responsabilidade do Governo. A assessoria de imprensa da Casa Civil também não se manifestou.
Casas Bahia e Pão de Açúcar renegociam contrato
A união entre as famílias Klein, fundadora da Casas Bahia, e Diniz, controladora do Grupo Pão de Açúcar, está ganhando contornos surpreendentes menos de cinco meses após o anúncio da associação entre as duas empresas. Segundo EXAME apurou, as duas famílias estão renegociando o contrato que criou a Nova Casas Bahia em dezembro do ano passado.
A iniciativa é da família Klein, que contratou como assessores a butique de investimentos Signatura Lazard e os escritórios de advocacia Porto Advogados, Pinheiro Neto e Costa e Waisberg. O Pão de Açúcar é assessorado pela Estáter e pelo escritório Barbosa, Mussnich e Aragão.
Caso as negociações fracassem, os envolvidos não descartam que os Klein procurem uma resolução para a disputa nos tribunais -- embora esse não seja, por razões óbvias, o caminho favorito de ninguém. Uma decisão era esperada para os próximos dias.
De acordo com executivos próximos aos dois varejistas, o objetivo da família Klein é "reequilibrar" aquilo que hoje considera um contrato excessivamente favorável ao Grupo Pão de Açúcar. Ainda segundo esses executivos, os Klein se sentem no "pior dos mundos". São minoritários na nova empresa; sentem que seus ativos foram subavaliados; e teriam, ainda, dificuldades de encontrar uma maneira de vender sua grande quantidade de ações numa possível oferta pública. Desde janeiro, eles tentam mudar essa situação.
Curiosamente, os Klein não contrataram advogados para assessorá-los na negociação inicial com o Pão de Açúcar, ano passado. As duas empresas tiveram o mesmo escritório, o paulista Tozzini e Freire. Para os Klein, o contrato assinado não reflete as negociações entre as duas famílias – embora, claro, eles tenham decidido assiná-lo mesmo assim.
A Casas Bahia informou que não se pronunciará sobre o assunto. Até a publicação desta nota, a assessoria de imprensa do Pão de Açúcar não havia comentado a notícia.
A iniciativa é da família Klein, que contratou como assessores a butique de investimentos Signatura Lazard e os escritórios de advocacia Porto Advogados, Pinheiro Neto e Costa e Waisberg. O Pão de Açúcar é assessorado pela Estáter e pelo escritório Barbosa, Mussnich e Aragão.
Caso as negociações fracassem, os envolvidos não descartam que os Klein procurem uma resolução para a disputa nos tribunais -- embora esse não seja, por razões óbvias, o caminho favorito de ninguém. Uma decisão era esperada para os próximos dias.
De acordo com executivos próximos aos dois varejistas, o objetivo da família Klein é "reequilibrar" aquilo que hoje considera um contrato excessivamente favorável ao Grupo Pão de Açúcar. Ainda segundo esses executivos, os Klein se sentem no "pior dos mundos". São minoritários na nova empresa; sentem que seus ativos foram subavaliados; e teriam, ainda, dificuldades de encontrar uma maneira de vender sua grande quantidade de ações numa possível oferta pública. Desde janeiro, eles tentam mudar essa situação.
Curiosamente, os Klein não contrataram advogados para assessorá-los na negociação inicial com o Pão de Açúcar, ano passado. As duas empresas tiveram o mesmo escritório, o paulista Tozzini e Freire. Para os Klein, o contrato assinado não reflete as negociações entre as duas famílias – embora, claro, eles tenham decidido assiná-lo mesmo assim.
A Casas Bahia informou que não se pronunciará sobre o assunto. Até a publicação desta nota, a assessoria de imprensa do Pão de Açúcar não havia comentado a notícia.
FMI celebra plano de socorro à Grécia
Washington - O chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, celebrou neste domingo o pacote de 30 bilhões de euros votado pelos países da Zona Euro para ajudar a Grécia, e destacou que o FMI "está disposto a aderir a este esforço" quando for "necessário".
"Recebo com satisfação a declaração de hoje (domingo) sobre o pacote de apoio financeiro que será proporcionado pelos países membros da Eurozona à Grécia (...) para salvaguardar a estabilidade financeira na zona euro em seu conjunto", disse Strauss-Kahn, diretor gerente do FMI .
"O acordo entre os ministros de Finanças da Eurozona, da Comissão Europeia e do BCE marca um passo muito importante (...) e o FMI manterá conversações em Bruxelas, no dia 12 de abril, com as autoridades gregas, a Comissão Europeia e o BCE".
Os ministros das Finanças dos 16 países da Eurozona estabeleceram no domingo os termos para uma ajuda através de créditos bilaterais - de até 30 bilhões de euros no primeiro ano - para a endividada Grécia, destinado a restabelecer a confiança na moeda única.
"Recebo com satisfação a declaração de hoje (domingo) sobre o pacote de apoio financeiro que será proporcionado pelos países membros da Eurozona à Grécia (...) para salvaguardar a estabilidade financeira na zona euro em seu conjunto", disse Strauss-Kahn, diretor gerente do FMI .
"O acordo entre os ministros de Finanças da Eurozona, da Comissão Europeia e do BCE marca um passo muito importante (...) e o FMI manterá conversações em Bruxelas, no dia 12 de abril, com as autoridades gregas, a Comissão Europeia e o BCE".
Os ministros das Finanças dos 16 países da Eurozona estabeleceram no domingo os termos para uma ajuda através de créditos bilaterais - de até 30 bilhões de euros no primeiro ano - para a endividada Grécia, destinado a restabelecer a confiança na moeda única.
Estrangeiros ficam com 79,75% da oferta da OSX
São Paulo - A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações da OSX Brasil, empresa de serviços para a indústria de petróleo controlada pelo empresário Eike Batista, teve adesão majoritária de estrangeiros. A oferta movimentou R$ 2.450.400.000,00 de acordo com o anúncio de encerramento, ao preço de R$ 800 por ação. O lote suplementar, de 459.450 ações, não foi exercido, tampouco o lote adicional. Da oferta, 84 investidores estrangeiros ficaram com 79,75% de participação, ou 2.442.710 de um total de 3,063 milhões ações.
A fatia inclui hedge (proteção) para operações com derivativos no exterior realizadas por ordem de clientes pelos bancos Credit Suisse (coordenador líder), Itaú USA Securities e Morgan Stanley. Também fez parte da coordenação o BTG Pactual. O Itaú BBA atuou como agente estabilizador do preço das ações para atender um eventual excesso de demanda, que não ocorreu.
Após os estrangeiros, em segundo lugar na quantidade de ações ficou um sócio ligado à oferta, com 700 mil papéis, ou 22,85%. Em seguida, vieram cinco instituições intermediárias participantes do consórcio de distribuição, com 7,16% da oferta, ou seja, 219.250 ações, incluindo as subscritas em razão de garantia firme prestada pelos coordenadores.
Por sua vez, 59 fundos de investimento compraram 63.890 papéis da oferta (2,09%); seguidos por duas instituições financeiras participantes, com 52,8 mil ações (1,72%); 30 pessoas físicas, com 40,2 mil papéis (1,31%); além de duas pessoas jurídicas, com 2,4 mil ações; e um clube de investimento, 1,2 mil ações. A partir de hoje e por 18 meses, as ações só poderão ser negociadas em lotes de 100 pelo valor mínimo de R$ 80 mil, conforme a OSX.
A fatia inclui hedge (proteção) para operações com derivativos no exterior realizadas por ordem de clientes pelos bancos Credit Suisse (coordenador líder), Itaú USA Securities e Morgan Stanley. Também fez parte da coordenação o BTG Pactual. O Itaú BBA atuou como agente estabilizador do preço das ações para atender um eventual excesso de demanda, que não ocorreu.
Após os estrangeiros, em segundo lugar na quantidade de ações ficou um sócio ligado à oferta, com 700 mil papéis, ou 22,85%. Em seguida, vieram cinco instituições intermediárias participantes do consórcio de distribuição, com 7,16% da oferta, ou seja, 219.250 ações, incluindo as subscritas em razão de garantia firme prestada pelos coordenadores.
Por sua vez, 59 fundos de investimento compraram 63.890 papéis da oferta (2,09%); seguidos por duas instituições financeiras participantes, com 52,8 mil ações (1,72%); 30 pessoas físicas, com 40,2 mil papéis (1,31%); além de duas pessoas jurídicas, com 2,4 mil ações; e um clube de investimento, 1,2 mil ações. A partir de hoje e por 18 meses, as ações só poderão ser negociadas em lotes de 100 pelo valor mínimo de R$ 80 mil, conforme a OSX.
O grande crescimento da BRF virá do mercado internacional
Para Nildemar Secches, presidente do conselho de administração da Brasil Foods (BRF), a empresa resultante da compra da Sadia pela Perdigão, as grandes oportunidades de crescimento virão das atividades internacionais (no Brasil, a BRF é líder de mercado em praticamente todas as categorias em que atua).
Esse crescimento, que vem sendo cuidadosamente planejado nos últimos meses, deve começar assim que o CADE aprovar a integração total das duas operações.
“O time está aquecido, doido para entrar em campo”, disse Secches em entrevista à série Grandes Líderes.
Um dos executivos mais bem-sucedidos do país, Secches se mostrou um entusiasmado defensor do planejamento estratégico. Segundo ele, desde que chegou à Perdigão, em 1994, a empresa sempre teve um planejamento de cinco anos – o que balizou decisões como a compra da Batavo, por exemplo.
Clique no link abaixo para ver os videos da entrevista com o Nildemar Secches, presidente do conselho de administração da Brasil Foods:
http://portalexame.abril.com.br/blogs/por-dentro-das-empresas/2010/04/11/o-grande-crescimento-da-brf-vira-do-mercado-internacional-2/
Esse crescimento, que vem sendo cuidadosamente planejado nos últimos meses, deve começar assim que o CADE aprovar a integração total das duas operações.
“O time está aquecido, doido para entrar em campo”, disse Secches em entrevista à série Grandes Líderes.
Um dos executivos mais bem-sucedidos do país, Secches se mostrou um entusiasmado defensor do planejamento estratégico. Segundo ele, desde que chegou à Perdigão, em 1994, a empresa sempre teve um planejamento de cinco anos – o que balizou decisões como a compra da Batavo, por exemplo.
Clique no link abaixo para ver os videos da entrevista com o Nildemar Secches, presidente do conselho de administração da Brasil Foods:
http://portalexame.abril.com.br/blogs/por-dentro-das-empresas/2010/04/11/o-grande-crescimento-da-brf-vira-do-mercado-internacional-2/
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Brasil Ecodiesel: Justiça Federal do RJ suspende atos da ANP
A Brasil Ecodiesel (ECOD3) anunciou na noite desta quinta-feira (8) que seu pedido de lliminar pedindo a anulação dos atos praticados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) foi parcialmente aceito pela Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo fato relevante, o juiz Erico Teixeira Vinhosa Pinto, titular da 7ª Vara Federal do Estado do Rio de Janeiro, acatou parcialmente o pedido formulado pela companhia, suspendendo os efeitos da decisão que impediu a Brasil Ecodiesel de participar do leilão de biodiesel até que uma decisão definitiva seja tomada pelo juiz. De acordo com a decisão, foi determinado que a ANP "suspenda de imediato os efeitos da decisão que inabilitou a autora e se abstenha de adjudicar os itens 13, 18, 30 e 34 do lote numero 1 do 17° leilão de biodiesel".
Contudo, a fabricante de óleos vegetais e biocombustíveis esclarece que "a decisão do juiz não implica na determinação da assinatura dos contratos de compra e venda de biodiesel dos lotes acima referidos para com a Petrobras (PETR3, PETR4), eis que ainda não há decisão final no processo".
Selo Social
Além disso, a Ecodiesel também informa que a medida liminar que solicita a anulação dos efeitos da suspensão do Selo Combustível Social, determinada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário no começo de março, continua sendo analisada pelo ministro Benedito Gonçalves, membro da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
Segundo fato relevante, o juiz Erico Teixeira Vinhosa Pinto, titular da 7ª Vara Federal do Estado do Rio de Janeiro, acatou parcialmente o pedido formulado pela companhia, suspendendo os efeitos da decisão que impediu a Brasil Ecodiesel de participar do leilão de biodiesel até que uma decisão definitiva seja tomada pelo juiz. De acordo com a decisão, foi determinado que a ANP "suspenda de imediato os efeitos da decisão que inabilitou a autora e se abstenha de adjudicar os itens 13, 18, 30 e 34 do lote numero 1 do 17° leilão de biodiesel".
Contudo, a fabricante de óleos vegetais e biocombustíveis esclarece que "a decisão do juiz não implica na determinação da assinatura dos contratos de compra e venda de biodiesel dos lotes acima referidos para com a Petrobras (PETR3, PETR4), eis que ainda não há decisão final no processo".
Selo Social
Além disso, a Ecodiesel também informa que a medida liminar que solicita a anulação dos efeitos da suspensão do Selo Combustível Social, determinada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário no começo de março, continua sendo analisada pelo ministro Benedito Gonçalves, membro da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
UE está preparada para ajudar a Grécia, diz presidente
Em entrevista ao jornal francês Le Monde, presidente da UE fala sobre os detalhes relacionados ao mecanismo do plano de apoio financeiro à Grécia.
A União Europeia (UE) está preparada para intervir e ajudar a Grécia a sair da crise financeira e as autoridades europeias trabalham nos detalhes relacionados ao mecanismo do plano de apoio financeiro ao país, disse o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada hoje.
Os ministros da zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) irão se reunir em meados de abril para resolver qualquer problema remanescente relacionado ao programa, acrescentou ao Le Monde. Os países da União Europeia já concordaram em lançar um mecanismo de ajuda à Grécia, caso o país exija assistência. O plano prevê empréstimos bilaterais para a Grécia por seus parceiros, em particular a França e a Alemanha.
"Faremos esse acordo ser operacional; não será crível até que seja operacional", disse Van Rompuy na entrevista. No socorro discutido para a Grécia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também participará. Van Rompuy afirmou que o FMI e as autoridades europeias estão de acordo em relação aos passos que devem ser tomados na Grécia este ano. Ele destacou que a maior parte dos recursos a serem emprestados virá de países da zona do euro.
Juros
A taxa de juro que a Grécia eventualmente deverá pagar para ter acesso ao pacote de ajuda financeira elaborado pela UE, com participação do FMI, ainda não foi decidida e será determinada quando for necessário, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Amelia Torres. Os países da zona do euro concordaram que, se necessário, eles darão à Grécia uma série de empréstimos em concordância com o FMI.
Mas os detalhes sobre quando e como a zona do euro ajudará ainda estão sendo elaborados. "O único aspecto ainda desconhecido é a taxa de juro, que será trabalhada em momento adequado", afirmou a porta-voz. Outras autoridades da União Europeia disseram que o ponto em que a Grécia precisa chegar antes de pedir ajuda é outra fonte de debate. No acordo fechado em 25 de março, os líderes da zona do euro disseram que o financiamento à Grécia viria somente em último caso, quando o "financiamento via mercado fosse insuficiente".
Esta linguagem provocou dúvidas entre as autoridades da União Europeia, com alguns países dizendo que o custo para tomada de empréstimo pela Grécia é elevado o suficiente para justificar uma ajuda. A Alemanha, entretanto, acredita que a Grécia precisa provar que não pode tomar emprestado dos mercados financeiros, mesmo a taxas punitivas, antes de pedir ajuda aos estados da zona do euro. As informações são da Dow Jones.
A União Europeia (UE) está preparada para intervir e ajudar a Grécia a sair da crise financeira e as autoridades europeias trabalham nos detalhes relacionados ao mecanismo do plano de apoio financeiro ao país, disse o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada hoje.
Os ministros da zona do euro (grupo dos 16 países que adotam o euro como moeda) irão se reunir em meados de abril para resolver qualquer problema remanescente relacionado ao programa, acrescentou ao Le Monde. Os países da União Europeia já concordaram em lançar um mecanismo de ajuda à Grécia, caso o país exija assistência. O plano prevê empréstimos bilaterais para a Grécia por seus parceiros, em particular a França e a Alemanha.
"Faremos esse acordo ser operacional; não será crível até que seja operacional", disse Van Rompuy na entrevista. No socorro discutido para a Grécia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também participará. Van Rompuy afirmou que o FMI e as autoridades europeias estão de acordo em relação aos passos que devem ser tomados na Grécia este ano. Ele destacou que a maior parte dos recursos a serem emprestados virá de países da zona do euro.
Juros
A taxa de juro que a Grécia eventualmente deverá pagar para ter acesso ao pacote de ajuda financeira elaborado pela UE, com participação do FMI, ainda não foi decidida e será determinada quando for necessário, disse a porta-voz da Comissão Europeia, Amelia Torres. Os países da zona do euro concordaram que, se necessário, eles darão à Grécia uma série de empréstimos em concordância com o FMI.
Mas os detalhes sobre quando e como a zona do euro ajudará ainda estão sendo elaborados. "O único aspecto ainda desconhecido é a taxa de juro, que será trabalhada em momento adequado", afirmou a porta-voz. Outras autoridades da União Europeia disseram que o ponto em que a Grécia precisa chegar antes de pedir ajuda é outra fonte de debate. No acordo fechado em 25 de março, os líderes da zona do euro disseram que o financiamento à Grécia viria somente em último caso, quando o "financiamento via mercado fosse insuficiente".
Esta linguagem provocou dúvidas entre as autoridades da União Europeia, com alguns países dizendo que o custo para tomada de empréstimo pela Grécia é elevado o suficiente para justificar uma ajuda. A Alemanha, entretanto, acredita que a Grécia precisa provar que não pode tomar emprestado dos mercados financeiros, mesmo a taxas punitivas, antes de pedir ajuda aos estados da zona do euro. As informações são da Dow Jones.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Parmalat tem multa reduzida de R$10,7 bi para R$12 mi
A Laep Investments, controladora da Parmalat Brasil, informou que conseguiu reduzir o valor de uma autuação, aplicada pela Receita Federal, de 10,7 bilhões de reais para 12 milhões de reais, conforme comunicado ao mercado na noite de quarta-feira.
O auto de infração havia sido lavrado contra a Parmalat Brasil para o exercício fiscal de 1999, quando a empresa estava em concordata.
Segundo o documento, embora a Lei de Recuperação não obrigue a sucessão de passivos fiscais em empresas adquiridas m regime de recuperação judicial, a Laep optou por investir "tempo e recursos" no processo, ainda que a autuação tenha sido aplicada antes da aquisição do controle da Parmamalt pela companhia, em 2006.
"A iniciativa mostrou-se acertada, uma vez que a eliminação do referido auto representa importante conquista nos esforços empreendidos para o saneamento de todos os problemas herdados do antigo grupo Parmalat", afirma a Laep, acrescentando que a referida multa tinha impacto negativo sobre a percepção de crédito da empresa.
O auto de infração havia sido lavrado contra a Parmalat Brasil para o exercício fiscal de 1999, quando a empresa estava em concordata.
Segundo o documento, embora a Lei de Recuperação não obrigue a sucessão de passivos fiscais em empresas adquiridas m regime de recuperação judicial, a Laep optou por investir "tempo e recursos" no processo, ainda que a autuação tenha sido aplicada antes da aquisição do controle da Parmamalt pela companhia, em 2006.
"A iniciativa mostrou-se acertada, uma vez que a eliminação do referido auto representa importante conquista nos esforços empreendidos para o saneamento de todos os problemas herdados do antigo grupo Parmalat", afirma a Laep, acrescentando que a referida multa tinha impacto negativo sobre a percepção de crédito da empresa.
Jornal diz que Lenovo comprou Positivo; empresa brasileira nega
Segundo fonte próxima à Lenovo, executivo chinês teria vindo ao Brasil para coordenar a operação.
A fabricante chinesa de computadores Lenovo pode ter comprado a concorrente brasileira Positivo, segundo reportagem da agência estatal de notícias da Chuna, Xinhua News. De acordo com a reportagem, uma fonte próxima da Lenovo teria confirmado a aquisição nesta quarta-feira (7/03).
A tal fonte também divulgou que a Lenovo teria enviado seu gerente geral na China, Xia Li, em viagem ao Brasil para coordenar o processo de aquisição.
O departamento de relações públicas da Lenovo não negou a operação, e confirmou que o executivo viajou para o Brasil no fim de 2009. Já a Positivo nega que tenha ocorrido qualquer operação.
Antes do atual rumor, o grupo Lenovo manteve contato com a Positivo visando a aquisição, mas as negociações foram interrompidas em 2008.
A fabricante chinesa de computadores Lenovo pode ter comprado a concorrente brasileira Positivo, segundo reportagem da agência estatal de notícias da Chuna, Xinhua News. De acordo com a reportagem, uma fonte próxima da Lenovo teria confirmado a aquisição nesta quarta-feira (7/03).
A tal fonte também divulgou que a Lenovo teria enviado seu gerente geral na China, Xia Li, em viagem ao Brasil para coordenar o processo de aquisição.
O departamento de relações públicas da Lenovo não negou a operação, e confirmou que o executivo viajou para o Brasil no fim de 2009. Já a Positivo nega que tenha ocorrido qualquer operação.
Antes do atual rumor, o grupo Lenovo manteve contato com a Positivo visando a aquisição, mas as negociações foram interrompidas em 2008.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
FMI inicia missão na Grécia, pressionada por mercados
Especialistas do FMI iniciaram nesta quarta-feira, em Atenas, uma missão para aconselhar o governo socialista sobre cortes orçamentários, num momento em que o país volta a sofrer com a pressão dos mercados em função das dúvidas sobre sua capacidade de fazer frente a sua gigantesca dívida pública.
Os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) tinham previsto se reunir com o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, e permanecer por cerca de duas semanas em Atenas.
Foi a Grécia que pediu a ajuda do Fundo, em meio a sua batalha para reduzir um déficit de 12,7% do PIB em 2009 e pagar uma dívida pública de 400 bilhões de dólares, equivalente a 113% de seu PIB.
Os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) tinham previsto se reunir com o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, e permanecer por cerca de duas semanas em Atenas.
Foi a Grécia que pediu a ajuda do Fundo, em meio a sua batalha para reduzir um déficit de 12,7% do PIB em 2009 e pagar uma dívida pública de 400 bilhões de dólares, equivalente a 113% de seu PIB.
Eletrobras quer captar US$2 bi no exterior em 2010
A captação de 2 bilhões de dólares que a Eletrobras pretende fazer este ano deverá ser feita no mercado externo, afirmou nesta terça-feira o vice-presidente financeiro da estatal, Armando Casado.
A estatal prefere captar recursos no exterior porque existe o objetivo de se fazer um hedge natural com os recebíveis da usina binacional de Itaipu, afirmou Casado em reunião com analistas.
"Dos 2 bilhões de dólares, 500 milhões já estão em fase de contratação junto ao Bird, e serão investidos nas distribuidoras para o programa de melhorias técnicas e operacionais", disse Casado a jornalistas após o encontro com analistas.
Já os 1,5 bilhão de dólares restantes ainda não estão definidos, mas existe a possibilidade de que a captação seja por meio da Corporação Andina de Fomento (CAF) e instituições financeiras, afirmou.
Os planos de investimento da Eletrobras envolvem 30 bilhões de reais até 2012 e a empresa pretende captar, todos os anos, 2 bilhões de dólares. "Mas isso é um valor médio, porque isso depende do sucesso dos leilões", disse Casado.
A decisão de, por enquanto, não acessar o mercado interno para captações vem do fato de que, segundo a Eletrobras, o valor das ações está baixo, se comparado ao valor patrimonial da companhia, de controle estatal.
A preferencial da Eletrobras encerrou nesta terça-feira a 31,80 reais, em queda de 0,31 por cento, e a ordinária a 25,97 reais, em baixa de 0,7 por cento. Já o Ibovespa recuou 0,3 por cento.
"O momento adequado será avaliado segundo a oportunidade de captação. Hoje a ação de mercado está muito diferente do valor patrimonial, então a expectativa é melhorar a governança da companhia, aproximar esse valor de mercado e criar as oportunidades para que a operação seja um sucesso", afirmou.
DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS
O diretor financeiro da Eletrobras afirmou ainda que a empresa está adotando programas de demissão voluntária como forma de se melhorar a eficiência operacional.
Tanto a Eletrobras Holding quanto a Eletrosul já realizaram seus programas, embora o número exato de quantos funcionários saíram dos quadros não tenha sido divulgado.
A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) atualmente está implementado PDV, enquanto Eletrosul e Furnas estão aguardando autorização do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais, vinculado ao Ministério do Planejamento, para fazerem o mesmo.
Sobre o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que acontecerá em 20 de abril em Brasília, o diretor financeiro apenas confirmou a participação da estatal e disse que a participação será "minoritária relevante", com até 49 por cento de participação no consórcio. "Ainda não temos parceiros escolhidos", afirmou Casado, garantindo ainda que não se sabe quantos consórcios deverão participar do leilão.
Os investimentos na construção da usina, localizada no Rio Xingu (PA), são calculados em 19 bilhões de reais e o preço-teto por megawatt-hora é de 83 reais. Vence quem se dispuser a cobrar o menor valor por MWh.
A estatal prefere captar recursos no exterior porque existe o objetivo de se fazer um hedge natural com os recebíveis da usina binacional de Itaipu, afirmou Casado em reunião com analistas.
"Dos 2 bilhões de dólares, 500 milhões já estão em fase de contratação junto ao Bird, e serão investidos nas distribuidoras para o programa de melhorias técnicas e operacionais", disse Casado a jornalistas após o encontro com analistas.
Já os 1,5 bilhão de dólares restantes ainda não estão definidos, mas existe a possibilidade de que a captação seja por meio da Corporação Andina de Fomento (CAF) e instituições financeiras, afirmou.
Os planos de investimento da Eletrobras envolvem 30 bilhões de reais até 2012 e a empresa pretende captar, todos os anos, 2 bilhões de dólares. "Mas isso é um valor médio, porque isso depende do sucesso dos leilões", disse Casado.
A decisão de, por enquanto, não acessar o mercado interno para captações vem do fato de que, segundo a Eletrobras, o valor das ações está baixo, se comparado ao valor patrimonial da companhia, de controle estatal.
A preferencial da Eletrobras encerrou nesta terça-feira a 31,80 reais, em queda de 0,31 por cento, e a ordinária a 25,97 reais, em baixa de 0,7 por cento. Já o Ibovespa recuou 0,3 por cento.
"O momento adequado será avaliado segundo a oportunidade de captação. Hoje a ação de mercado está muito diferente do valor patrimonial, então a expectativa é melhorar a governança da companhia, aproximar esse valor de mercado e criar as oportunidades para que a operação seja um sucesso", afirmou.
DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS
O diretor financeiro da Eletrobras afirmou ainda que a empresa está adotando programas de demissão voluntária como forma de se melhorar a eficiência operacional.
Tanto a Eletrobras Holding quanto a Eletrosul já realizaram seus programas, embora o número exato de quantos funcionários saíram dos quadros não tenha sido divulgado.
A Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) atualmente está implementado PDV, enquanto Eletrosul e Furnas estão aguardando autorização do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais, vinculado ao Ministério do Planejamento, para fazerem o mesmo.
Sobre o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que acontecerá em 20 de abril em Brasília, o diretor financeiro apenas confirmou a participação da estatal e disse que a participação será "minoritária relevante", com até 49 por cento de participação no consórcio. "Ainda não temos parceiros escolhidos", afirmou Casado, garantindo ainda que não se sabe quantos consórcios deverão participar do leilão.
Os investimentos na construção da usina, localizada no Rio Xingu (PA), são calculados em 19 bilhões de reais e o preço-teto por megawatt-hora é de 83 reais. Vence quem se dispuser a cobrar o menor valor por MWh.
China deve deixar moeda subir
A China vai manter o iuan basicamente estável e alertar os exportadores sobre riscos potenciais para minimizar suas perdas, disse uma agência de planejamento estatal chinesa em comunicado divulgado nesta quarta-feira.
A Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma não disse quais riscos estariam envolvidos, mas sugeriu uma disposição da China para retomar a apreciação de sua moeda após mantê-la fixa desde a metade de 2008 para ajudar os exportadores nacionais a lidar com a recessão econômica global.
Em outro sinal de que Pequim poderia estar se aproximando de um consenso sobre a apreciação cambial, o banco central chinês estabeleceu sua taxa de referência diária principal do iuan em 6,8259 dólares, o mais alto desde maio do ano passado apesar de ainda estar dentro da pequena variação dos últimos 20 meses.
"Nós devemos manter o iuan basicamente estável em um nível equilibrado e razoável, enquanto fortalecemos a análise e o monitoramento e fazemos anúncios sobre riscos de forma oportuna para reduzir os riscos e perdas dos exportadores", disse a Comissão, segundo o periódico oficial China Securities Journal.
A Comissão tem poder maior que quase todas as outras agências governamentais, incluindo o banco central, no processo de tomada de decisões sobre câmbio na China.
Após uma bateria de testes para analisar como os exportadores lidariam com a valorização do iuan, as declarações são uma forte indicação de que o governo quer alertar as empresas para que se preparem para uma moeda mais forte, o que pode erodir suas margens de lucro.
A Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma não disse quais riscos estariam envolvidos, mas sugeriu uma disposição da China para retomar a apreciação de sua moeda após mantê-la fixa desde a metade de 2008 para ajudar os exportadores nacionais a lidar com a recessão econômica global.
Em outro sinal de que Pequim poderia estar se aproximando de um consenso sobre a apreciação cambial, o banco central chinês estabeleceu sua taxa de referência diária principal do iuan em 6,8259 dólares, o mais alto desde maio do ano passado apesar de ainda estar dentro da pequena variação dos últimos 20 meses.
"Nós devemos manter o iuan basicamente estável em um nível equilibrado e razoável, enquanto fortalecemos a análise e o monitoramento e fazemos anúncios sobre riscos de forma oportuna para reduzir os riscos e perdas dos exportadores", disse a Comissão, segundo o periódico oficial China Securities Journal.
A Comissão tem poder maior que quase todas as outras agências governamentais, incluindo o banco central, no processo de tomada de decisões sobre câmbio na China.
Após uma bateria de testes para analisar como os exportadores lidariam com a valorização do iuan, as declarações são uma forte indicação de que o governo quer alertar as empresas para que se preparem para uma moeda mais forte, o que pode erodir suas margens de lucro.
Continental Airlines fecha acordo com TAM Fidelidade
A TAM e a Continental Airlines firmaram acordo que permite aos membros do programa TAM Fidelidade acumular e resgatar pontos em voos da Continental para qualquer destino atendido pela empresa. Da mesma forma, os membros do programa OnePass, da Continental Airlines, também podem acumular e resgatar pontos em voos da TAM. A parceria entra em vigor a partir de hoje.
Para o vice-presidente Comercial e de Planejamento da TAM, Paulo Castello Branco, o acordo é mais um "importante passo" na integração da empresa à Star Alliance, aliança global de aviação comercial, integrada por 23 das maiores companhias aéreas do mundo e por três empresas regionais.
Para o vice-presidente Comercial e de Planejamento da TAM, Paulo Castello Branco, o acordo é mais um "importante passo" na integração da empresa à Star Alliance, aliança global de aviação comercial, integrada por 23 das maiores companhias aéreas do mundo e por três empresas regionais.
terça-feira, 6 de abril de 2010
O que é preciso para o trem-bala brasileiro entrar nos trilhos
Retorno incerto e falta de articulação com malha de transporte do país preocupam possíveis investidores.
No fim do ano passado, o investidor americano Warren Buffett realizou a maior aquisição de sua vida. Ele comprou a totalidade das ações da principal ferrovia dos Estados Unidos, a Burlington Northern Santa Fe, por 26,3 bilhões de dólares. A transação, que surpreendeu o mundo inteiro, foi justificada da seguinte forma: "Isso só está acontecendo porque meu pai não quis me comprar um trenzinho quando eu era criança". É claro que a aposta de Buffett não tem a ver com uma frustração infantil. O terceiro homem mais rico do mundo está certo de que, daqui a alguns anos, o encarecimento do petróleo, a forte demanda por veículos menos poluentes e a modernização das malhas ferroviárias em diversos países marcarão a retomada de um setor que virou figurante depois da popularização dos transportes rodoviário e aéreo. Mas será que o megainvestidor americano veria com o mesmo entusiasmo um dos projetos mais propagandeados pelo governo Lula - o trem-bala que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro?
A julgar pelo histórico de investimentos de Buffett, a resposta seria não. O bilionário fez pouquíssimos negócios fora dos Estados Unidos. Além disso, procura investir em empresas sólidas, que já se provaram lucrativas em ambientes ruins de negócios. Já o trem-bala brasileiro ainda precisa provar que é viável para os investidores. Por isso, antes de tudo, os empresários precisam saber quanto custará, de fato, a ferrovia - algo necessário para estimar o capital inicial aplicado e a margem de lucro. Afinal, não se está falando de uma obra trivial. O projeto tornou-se, simplesmente, o maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com orçamento de 34,6 bilhões de reais, 45% a mais do que a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. É bom lembrar que a cifra bilionária ainda é uma estimativa. Muitos pontos técnicos ainda não foram resolvidos - e isso pode alterar os números.
Um exemplo emblemático de como os custos podem estourar e comprometer todo o planejamento é o famoso trem-bala que liga a França à Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha por um túnel. A obra foi orçada inicialmente em 9 bilhões de dólares. Ao final, custou 19 bilhões de dólares, porque os especialistas não contavam com tantas dificuldades para construir as passagens submersas. O salto nos custos, com certeza, foi um dos responsáveis pelos prejuízos do consórcio Eurotunnel, que administra a via. A empresa amarga um legado de mais de 10 bilhões de dólares de dívidas - e até hoje tenta renegociar o financiamento do déficit em seu caixa.
De onde virá o dinheiro?
Para evitar que o mesmo ocorra com o Brasil, consultores da área de infraestrutura acreditam que seria preciso estabelecer um preço fixo e definitivo da obra, consentido pelos investidores e pelas companhias de seguros. Determinar o real custo da obra é apenas o primeiro passo. O outro, tão ou mais difícil, é saber de onde virá o dinheiro - o tipo de dívida que os investidores vão contrair para tocar a obra pesa, e muito, no nível de retorno financeiro. Para os especialistas, o governo federal deveria proporcionar os melhores recursos de financiamento dos empréstimos porque a sustentabilidade operacional do TAV dependerá essencialmente de dinheiro público. "A colaboração do governo de Portugal com a construção da ferrovia Lisboa-Porto proporcionou uma economia de 18% para a obra", compara Carlos de Faro Passo, consultor na área de infraestrutura e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.
Seja qual for a fonte de recursos, um dia o consórcio responsável pelo trem-bala brasileiro terá de começar a pagar o financiamento. Por isso, uma pergunta constante dos sete investidores interessados - França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Espanha, China e Itália - é: a ferrovia vai gerar caixa suficiente para quitar as contas e dar lucro? Isso depende, é claro, de quantas pessoas vão aderir à novidade. Em 2017, quando o trem-bala provavelmente estiver concluído (a expectativa inicial era de que ele já operasse em 2014, a tempo de atender a demanda da Copa do Mundo), as pontes aéreas e rodoviárias entre São Paulo e Rio de Janeiro poderão movimentar cerca de 15 milhões de passageiros. Desse total, 80% deverão optar pela malha ferroviária, caso o preço seja mais acessível do que a conexão aérea. Se isso, de fato, acontecer, ainda vão faltar 10 milhões de passageiros para atingir a demanda original do empreendimento, que prevê partidas a cada 15 minutos, durante 14 horas por dia.
Para rentabilizar o Trem de Alta Velocidade (TAV), as concessionárias deverão criar mais estações para atrair os usuários. No entanto, as empresas terão de oferecer um serviço tão veloz e tão econômico quanto o aéreo. Isso seria possível com tantas paradas obrigatórias? "Terá de ter flexibilidade operacional, com viagens diretas para o Rio de Janeiro ou apenas para Campinas", propõe Fernando Fleury, sócio da consultoria Almeida e Fleury, que faz estudos sobre as fontes de financiamento para a obra. Até agora, calcula-se que o percurso total deverá durar 90 minutos, sem paradas, e o bilhete poderá custar 250 reais. Se esses números subirem, corre-se o risco de a oferta ser maior do que a demanda. E, aí, quem daria conta do déficit: o governo ou as companhias? A resposta ainda é incerta.
No começo de março deste ano, o governo resolveu ceder às pressões do empresariado e decidiu que, se a compra de passagens do trem-bala ficar abaixo das expectativas, o empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que bancará 60% dos 34,6 bilhões estimados para a obra, terá juros menores e ganhará um prazo maior para o parcelamento da dívida. A linha de crédito custará a variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1% ao ano. Outro incentivo para as empresas será o aumento do período de vigência da concessão, que passará de 30 para 40 anos.
Um trem de burocracias
Embora os subsídios públicos sejam um passo importante para viabilizar o primeiro trem-bala brasileiro, eles não são o bastante. Em 2004, a Coreia do Sul inaugurou um trem-bala entre Seul e Busan, com extensão de 412 quilômetros - 90 quilômetros a menos do que o projeto do trem-bala brasileiro. A obra custou 18,2 bilhões de dólares, dos quais o governo bancou 35% do projeto e garantiu o financiamento de outros 10% - menos, portanto, do que o governo brasileiro está disposto a bancar. No entanto, o TAV coreano demorou 11 anos para ser concluído, devido à burocracia estatal para licitar a obra.
O ritmo de maria-fumaça com que o projeto avança pelos gabinetes de Brasília também incomoda. No momento, o projeto do trem-bala está sendo estudado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, é de que o edital seja anunciado até o começo de maio deste ano. "Enviamos a proposta para o Tribunal de Contas da União no dia 17 de dezembro. Mas, até agora, não tivemos resposta alguma. Acredito que o TCU já tenha condições de se pronunciar sobre o caso", diz Figueiredo.
O ministro Augusto Nardes, relator do processo que tramita no TCU, alega que o Executivo demorou muito para encaminhar os estudos técnicos referentes ao TAV: "Em 2007, sensíveis à implantação do TAV, aprovamos o primeiro estágio do acompanhamento para a concessão. No entanto, passaram-se quase dois anos sem que o governo desse continuidade". Segundo Nardes, a proposta de construção do trem-bala foi retomada no final de 2009. "E somente agora, no começo de fevereiro, é que alguns documentos imprescindíveis, ligados aos estudos de viabilidade econômico-financeira, foram encaminhados ao Tribunal. Agora, precisamos de um tempo para examinar todos os elementos antes de nos pronunciarmos", afirmou.
Se por um lado a burocracia é um mal necessário para evitar superfaturamento de obras e desvio de verba pública, por outro as exigências rocambolescas dos órgãos federais retardam a maioria dos projetos ligados à infraestrutura do país. No caso do trem-bala, a proposta tramita desde 2007, quando a empresa italiana Italplan apresentou ao Ministério dos Transportes um estudo sobre a viabilidade econômico-financeira para o TAV brasileiro. A pesquisa foi aprovada pelo TCU, mas foram feitas tantas ressalvas que o governo resolveu mudar os rumos do projeto, que ficou atravancado até então.
Carga ambiental
Um dos motivos que, certamente, restringiu a execução do trem-bala por um tempo foi o impasse ambiental. Os questionamentos levantados pelo Ibama e pelo Ministério do Meio Ambiente colaboraram para que o TAV ficasse engavetado durante alguns anos. Agora que o edital parece estar prestes a sair, os problemas quanto às práticas sustentáveis do projeto estão resolvidos, certo? Errado. Alguns dilemas ecológicos ainda ameaçam embargar a proposta de ligar a costa carioca ao planalto paulista. Ainda não se sabe ao certo como o traço da linha passará pelos desníveis do mar e das superfícies elevadas sem prejudicar as reservas ambientais. Além disso, especialistas dizem que o veículo dificilmente atingirá alta velocidade na Serra das Araras, no município de Piraí, Rio de Janeiro, porque a região tem um aclive de 180 metros de altura.
Outra questão em aberto diz respeito à construção da estação do aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, lado ocidental da baía de Guanabara: como esse trecho submerso de um quilômetro será edificado? E como será feita a transposição da malha ferroviária debaixo d'água? Essas e outras dúvidas poderão embargar mais uma vez o sonho do presidente Lula de criar um transporte sobre os trilhos tão eficiente quanto os dos países desenvolvidos.
Falta integração
Uma das razões que permitiram a construção dos TAVs na Europa é que, há 150 anos, a Inglaterra, a França e a Alemanha trabalham na implantação de uma ferrovia sofisticada. Enquanto a primeira linha de metrô do mundo estreou em 1863 em Londres, a primeira rede no Brasil surgiu somente um século depois, em 1974, na cidade de São Paulo. O sistema ferroviário consolidado permitiu que os países do Velho Continente avançassem na construção dos trens-bala desde o século passado. Mesmo sendo pioneiros, os TAVs europeus tomaram quase uma década inteira para serem desenvolvidos. As obras da conexão Paris-Lyon, por exemplo, começaram em 1974 e só terminaram em 1983. Comparado ao TAV brasileiro, o projeto francês era muito menos complicado - e, apesar disso, se estendeu durante nove anos, quatro anos a mais do que o previsto nos planos da ANTT.
Um diretor de uma grande empresa de infraestrutura diz que é evidente que temos uma estrutura ferroviária incapaz de abarcar um projeto tão complexo como o TAV. "Ainda não estamos prontos para investir 34 bilhões de reais em um veículo que tem tudo para voltar a ser o protagonista da história do transporte", diz a fonte. Segundo o especialista, o Estado deveria concentrar os seus esforços em propostas de melhorias das malhas ferroviárias já existentes no país. Por exemplo: na Inglaterra, a linha London-Heathrow é o meio pelo qual 50% dos passageiros se dirigem de algum canto da cidade para o aeroporto principal do país. Um projeto semelhante ao britânico foi idealizado pelo governo de São Paulo. A intenção era facilitar o acesso ao aeroporto internacional de Guarulhos, Grande São Paulo, e reduzir os congestionamentos rodoviários, além de diminuir a poluição ambiental. Estudado há muitos anos, o edital da obra ainda passa por uma fase de revisões técnicas.
Empreendimentos como o da linha London-Heathrow, que desafoga o congestionamento rodoviário e propõe uma solução mais sustentável para o caos urbano, mereciam ganhar maior ênfase no Brasil. À medida que a nossa malha ferroviária fosse se desenvolvendo e se reestruturando, a ponto de ganhar um esqueleto robusto nas principais regiões metropolitanas, o TAV brasileiro deveria entrar em ação para conectar os sistemas ferroviários do Rio de Janeiro e de São Paulo. Afinal, o que adiantaria ter uma estação de um trem de alta velocidade nos aeroportos de Guarulhos e do Galeão, sendo que ainda não há um metrô que ligue esses trechos às regiões centrais? De certa forma, o próximo presidente terá uma tarefa árdua pela frente – a de reformular a frase de Washington Luis, que disse que "governar é construir estradas". Na verdade, se o Brasil quiser se dar bem no futuro deverá seguir o exemplo de Warren Buffett: investir em ferrovia. Nesse caso, o TAV brasileiro será consequência de um sistema ferroviário consolidado, e não o contrário.
No fim do ano passado, o investidor americano Warren Buffett realizou a maior aquisição de sua vida. Ele comprou a totalidade das ações da principal ferrovia dos Estados Unidos, a Burlington Northern Santa Fe, por 26,3 bilhões de dólares. A transação, que surpreendeu o mundo inteiro, foi justificada da seguinte forma: "Isso só está acontecendo porque meu pai não quis me comprar um trenzinho quando eu era criança". É claro que a aposta de Buffett não tem a ver com uma frustração infantil. O terceiro homem mais rico do mundo está certo de que, daqui a alguns anos, o encarecimento do petróleo, a forte demanda por veículos menos poluentes e a modernização das malhas ferroviárias em diversos países marcarão a retomada de um setor que virou figurante depois da popularização dos transportes rodoviário e aéreo. Mas será que o megainvestidor americano veria com o mesmo entusiasmo um dos projetos mais propagandeados pelo governo Lula - o trem-bala que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro?
A julgar pelo histórico de investimentos de Buffett, a resposta seria não. O bilionário fez pouquíssimos negócios fora dos Estados Unidos. Além disso, procura investir em empresas sólidas, que já se provaram lucrativas em ambientes ruins de negócios. Já o trem-bala brasileiro ainda precisa provar que é viável para os investidores. Por isso, antes de tudo, os empresários precisam saber quanto custará, de fato, a ferrovia - algo necessário para estimar o capital inicial aplicado e a margem de lucro. Afinal, não se está falando de uma obra trivial. O projeto tornou-se, simplesmente, o maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com orçamento de 34,6 bilhões de reais, 45% a mais do que a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. É bom lembrar que a cifra bilionária ainda é uma estimativa. Muitos pontos técnicos ainda não foram resolvidos - e isso pode alterar os números.
Um exemplo emblemático de como os custos podem estourar e comprometer todo o planejamento é o famoso trem-bala que liga a França à Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha por um túnel. A obra foi orçada inicialmente em 9 bilhões de dólares. Ao final, custou 19 bilhões de dólares, porque os especialistas não contavam com tantas dificuldades para construir as passagens submersas. O salto nos custos, com certeza, foi um dos responsáveis pelos prejuízos do consórcio Eurotunnel, que administra a via. A empresa amarga um legado de mais de 10 bilhões de dólares de dívidas - e até hoje tenta renegociar o financiamento do déficit em seu caixa.
De onde virá o dinheiro?
Para evitar que o mesmo ocorra com o Brasil, consultores da área de infraestrutura acreditam que seria preciso estabelecer um preço fixo e definitivo da obra, consentido pelos investidores e pelas companhias de seguros. Determinar o real custo da obra é apenas o primeiro passo. O outro, tão ou mais difícil, é saber de onde virá o dinheiro - o tipo de dívida que os investidores vão contrair para tocar a obra pesa, e muito, no nível de retorno financeiro. Para os especialistas, o governo federal deveria proporcionar os melhores recursos de financiamento dos empréstimos porque a sustentabilidade operacional do TAV dependerá essencialmente de dinheiro público. "A colaboração do governo de Portugal com a construção da ferrovia Lisboa-Porto proporcionou uma economia de 18% para a obra", compara Carlos de Faro Passo, consultor na área de infraestrutura e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.
Seja qual for a fonte de recursos, um dia o consórcio responsável pelo trem-bala brasileiro terá de começar a pagar o financiamento. Por isso, uma pergunta constante dos sete investidores interessados - França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Espanha, China e Itália - é: a ferrovia vai gerar caixa suficiente para quitar as contas e dar lucro? Isso depende, é claro, de quantas pessoas vão aderir à novidade. Em 2017, quando o trem-bala provavelmente estiver concluído (a expectativa inicial era de que ele já operasse em 2014, a tempo de atender a demanda da Copa do Mundo), as pontes aéreas e rodoviárias entre São Paulo e Rio de Janeiro poderão movimentar cerca de 15 milhões de passageiros. Desse total, 80% deverão optar pela malha ferroviária, caso o preço seja mais acessível do que a conexão aérea. Se isso, de fato, acontecer, ainda vão faltar 10 milhões de passageiros para atingir a demanda original do empreendimento, que prevê partidas a cada 15 minutos, durante 14 horas por dia.
Para rentabilizar o Trem de Alta Velocidade (TAV), as concessionárias deverão criar mais estações para atrair os usuários. No entanto, as empresas terão de oferecer um serviço tão veloz e tão econômico quanto o aéreo. Isso seria possível com tantas paradas obrigatórias? "Terá de ter flexibilidade operacional, com viagens diretas para o Rio de Janeiro ou apenas para Campinas", propõe Fernando Fleury, sócio da consultoria Almeida e Fleury, que faz estudos sobre as fontes de financiamento para a obra. Até agora, calcula-se que o percurso total deverá durar 90 minutos, sem paradas, e o bilhete poderá custar 250 reais. Se esses números subirem, corre-se o risco de a oferta ser maior do que a demanda. E, aí, quem daria conta do déficit: o governo ou as companhias? A resposta ainda é incerta.
No começo de março deste ano, o governo resolveu ceder às pressões do empresariado e decidiu que, se a compra de passagens do trem-bala ficar abaixo das expectativas, o empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que bancará 60% dos 34,6 bilhões estimados para a obra, terá juros menores e ganhará um prazo maior para o parcelamento da dívida. A linha de crédito custará a variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1% ao ano. Outro incentivo para as empresas será o aumento do período de vigência da concessão, que passará de 30 para 40 anos.
Um trem de burocracias
Embora os subsídios públicos sejam um passo importante para viabilizar o primeiro trem-bala brasileiro, eles não são o bastante. Em 2004, a Coreia do Sul inaugurou um trem-bala entre Seul e Busan, com extensão de 412 quilômetros - 90 quilômetros a menos do que o projeto do trem-bala brasileiro. A obra custou 18,2 bilhões de dólares, dos quais o governo bancou 35% do projeto e garantiu o financiamento de outros 10% - menos, portanto, do que o governo brasileiro está disposto a bancar. No entanto, o TAV coreano demorou 11 anos para ser concluído, devido à burocracia estatal para licitar a obra.
O ritmo de maria-fumaça com que o projeto avança pelos gabinetes de Brasília também incomoda. No momento, o projeto do trem-bala está sendo estudado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, é de que o edital seja anunciado até o começo de maio deste ano. "Enviamos a proposta para o Tribunal de Contas da União no dia 17 de dezembro. Mas, até agora, não tivemos resposta alguma. Acredito que o TCU já tenha condições de se pronunciar sobre o caso", diz Figueiredo.
O ministro Augusto Nardes, relator do processo que tramita no TCU, alega que o Executivo demorou muito para encaminhar os estudos técnicos referentes ao TAV: "Em 2007, sensíveis à implantação do TAV, aprovamos o primeiro estágio do acompanhamento para a concessão. No entanto, passaram-se quase dois anos sem que o governo desse continuidade". Segundo Nardes, a proposta de construção do trem-bala foi retomada no final de 2009. "E somente agora, no começo de fevereiro, é que alguns documentos imprescindíveis, ligados aos estudos de viabilidade econômico-financeira, foram encaminhados ao Tribunal. Agora, precisamos de um tempo para examinar todos os elementos antes de nos pronunciarmos", afirmou.
Se por um lado a burocracia é um mal necessário para evitar superfaturamento de obras e desvio de verba pública, por outro as exigências rocambolescas dos órgãos federais retardam a maioria dos projetos ligados à infraestrutura do país. No caso do trem-bala, a proposta tramita desde 2007, quando a empresa italiana Italplan apresentou ao Ministério dos Transportes um estudo sobre a viabilidade econômico-financeira para o TAV brasileiro. A pesquisa foi aprovada pelo TCU, mas foram feitas tantas ressalvas que o governo resolveu mudar os rumos do projeto, que ficou atravancado até então.
Carga ambiental
Um dos motivos que, certamente, restringiu a execução do trem-bala por um tempo foi o impasse ambiental. Os questionamentos levantados pelo Ibama e pelo Ministério do Meio Ambiente colaboraram para que o TAV ficasse engavetado durante alguns anos. Agora que o edital parece estar prestes a sair, os problemas quanto às práticas sustentáveis do projeto estão resolvidos, certo? Errado. Alguns dilemas ecológicos ainda ameaçam embargar a proposta de ligar a costa carioca ao planalto paulista. Ainda não se sabe ao certo como o traço da linha passará pelos desníveis do mar e das superfícies elevadas sem prejudicar as reservas ambientais. Além disso, especialistas dizem que o veículo dificilmente atingirá alta velocidade na Serra das Araras, no município de Piraí, Rio de Janeiro, porque a região tem um aclive de 180 metros de altura.
Outra questão em aberto diz respeito à construção da estação do aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, lado ocidental da baía de Guanabara: como esse trecho submerso de um quilômetro será edificado? E como será feita a transposição da malha ferroviária debaixo d'água? Essas e outras dúvidas poderão embargar mais uma vez o sonho do presidente Lula de criar um transporte sobre os trilhos tão eficiente quanto os dos países desenvolvidos.
Falta integração
Uma das razões que permitiram a construção dos TAVs na Europa é que, há 150 anos, a Inglaterra, a França e a Alemanha trabalham na implantação de uma ferrovia sofisticada. Enquanto a primeira linha de metrô do mundo estreou em 1863 em Londres, a primeira rede no Brasil surgiu somente um século depois, em 1974, na cidade de São Paulo. O sistema ferroviário consolidado permitiu que os países do Velho Continente avançassem na construção dos trens-bala desde o século passado. Mesmo sendo pioneiros, os TAVs europeus tomaram quase uma década inteira para serem desenvolvidos. As obras da conexão Paris-Lyon, por exemplo, começaram em 1974 e só terminaram em 1983. Comparado ao TAV brasileiro, o projeto francês era muito menos complicado - e, apesar disso, se estendeu durante nove anos, quatro anos a mais do que o previsto nos planos da ANTT.
Um diretor de uma grande empresa de infraestrutura diz que é evidente que temos uma estrutura ferroviária incapaz de abarcar um projeto tão complexo como o TAV. "Ainda não estamos prontos para investir 34 bilhões de reais em um veículo que tem tudo para voltar a ser o protagonista da história do transporte", diz a fonte. Segundo o especialista, o Estado deveria concentrar os seus esforços em propostas de melhorias das malhas ferroviárias já existentes no país. Por exemplo: na Inglaterra, a linha London-Heathrow é o meio pelo qual 50% dos passageiros se dirigem de algum canto da cidade para o aeroporto principal do país. Um projeto semelhante ao britânico foi idealizado pelo governo de São Paulo. A intenção era facilitar o acesso ao aeroporto internacional de Guarulhos, Grande São Paulo, e reduzir os congestionamentos rodoviários, além de diminuir a poluição ambiental. Estudado há muitos anos, o edital da obra ainda passa por uma fase de revisões técnicas.
Empreendimentos como o da linha London-Heathrow, que desafoga o congestionamento rodoviário e propõe uma solução mais sustentável para o caos urbano, mereciam ganhar maior ênfase no Brasil. À medida que a nossa malha ferroviária fosse se desenvolvendo e se reestruturando, a ponto de ganhar um esqueleto robusto nas principais regiões metropolitanas, o TAV brasileiro deveria entrar em ação para conectar os sistemas ferroviários do Rio de Janeiro e de São Paulo. Afinal, o que adiantaria ter uma estação de um trem de alta velocidade nos aeroportos de Guarulhos e do Galeão, sendo que ainda não há um metrô que ligue esses trechos às regiões centrais? De certa forma, o próximo presidente terá uma tarefa árdua pela frente – a de reformular a frase de Washington Luis, que disse que "governar é construir estradas". Na verdade, se o Brasil quiser se dar bem no futuro deverá seguir o exemplo de Warren Buffett: investir em ferrovia. Nesse caso, o TAV brasileiro será consequência de um sistema ferroviário consolidado, e não o contrário.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Banda larga chega a todas as escolas públicas do país até o fim do ano
Lançado em abril de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa Banda Larga nas Escolas completa agora dois anos bem perto da meta de equipar todas as 64.879 escolas públicas urbanas do país com computadores de acesso rápido à internet. A expectativa é que isso ocorra até o fim deste ano, beneficiando 37 milhões de estudantes, de acordo com os responsáveis pela sua implantação, no Ministério da Educação e na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A previsão é baseada no balanço do programa feito pela Anatel no final do ano passado: em 2009 25.331 instituições de ensino público em municípios de quase todo o país foram conectadas à rede mundial de computadores e em 2008, ano de lançamento do programa, esse número foi de 17.681 escolas. Ou seja, ao entrar no segundo ano, o programa já alcançava 66% - 45.192 - do total de estabelecimentos de ensino a serem equipados.
Os números da Anatel, na época do balanço, mostravam que os estados com mais escolas conectadas à internet por meio do Banda Larga nas Escolas eram os de maior densidade demográfica: Minas Gerais (4.962), São Paulo (4.842), Rio de Janeiro (4.080) e Bahia (4.026). Já Roraima (68), Amapá (131) e Acre (187) foram os que tiveram menor número de escolas informatizadas, embora devam estar completamente atendidos até o fim de 2010, quando o programa termina.
O programa se tornou possível graças a um acordo firmado pelo governo com operadoras de telefonia fixa, por meio da Anatel, para a implantação da banda larga nas escolas indicadas pelo Ministério da Educação, sem nenhum custo para os cofres públicos, como contrapartida pelos serviços que elas exploram comercialmente no país.
Esse compromisso foi firmado com o Ministério das Comunicações, quando da mudança do Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU) do Serviço Telefônico Fixo Consultado (STFC). As cinco concessionárias concordaram em trocar a obrigatoriedade de instalar Postos de Serviços de Telecomunicações em todos os municípios, até o fim de 2010, pelo compromisso de instalar o chamado backhaul, a rede de telecomunicações de alta velocidade (banda larga) capaz chegar a todos os pontos do país.
Isso foi feito por meio da assinatura de aditivos contratuais com a Anatel, o que permitiu a conexão das escolas públicas urbanas à rede. Por ocasião da assinatura dos termos aditivos com as concessionárias, em 2008, havia cerca de 56 mil escolas públicas urbanas cadastradas pelo MEC, e desde então mais 8 mil foram implantadas, o que elevou o total para 64.879 instituições a serem conectadas à banda alarga até o fim de 2010. Aí estão incluídas todas as escolas públicas de ensino fundamental (municipais) e médio (estaduais), conforme o secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky.
A previsão é baseada no balanço do programa feito pela Anatel no final do ano passado: em 2009 25.331 instituições de ensino público em municípios de quase todo o país foram conectadas à rede mundial de computadores e em 2008, ano de lançamento do programa, esse número foi de 17.681 escolas. Ou seja, ao entrar no segundo ano, o programa já alcançava 66% - 45.192 - do total de estabelecimentos de ensino a serem equipados.
Os números da Anatel, na época do balanço, mostravam que os estados com mais escolas conectadas à internet por meio do Banda Larga nas Escolas eram os de maior densidade demográfica: Minas Gerais (4.962), São Paulo (4.842), Rio de Janeiro (4.080) e Bahia (4.026). Já Roraima (68), Amapá (131) e Acre (187) foram os que tiveram menor número de escolas informatizadas, embora devam estar completamente atendidos até o fim de 2010, quando o programa termina.
O programa se tornou possível graças a um acordo firmado pelo governo com operadoras de telefonia fixa, por meio da Anatel, para a implantação da banda larga nas escolas indicadas pelo Ministério da Educação, sem nenhum custo para os cofres públicos, como contrapartida pelos serviços que elas exploram comercialmente no país.
Esse compromisso foi firmado com o Ministério das Comunicações, quando da mudança do Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU) do Serviço Telefônico Fixo Consultado (STFC). As cinco concessionárias concordaram em trocar a obrigatoriedade de instalar Postos de Serviços de Telecomunicações em todos os municípios, até o fim de 2010, pelo compromisso de instalar o chamado backhaul, a rede de telecomunicações de alta velocidade (banda larga) capaz chegar a todos os pontos do país.
Isso foi feito por meio da assinatura de aditivos contratuais com a Anatel, o que permitiu a conexão das escolas públicas urbanas à rede. Por ocasião da assinatura dos termos aditivos com as concessionárias, em 2008, havia cerca de 56 mil escolas públicas urbanas cadastradas pelo MEC, e desde então mais 8 mil foram implantadas, o que elevou o total para 64.879 instituições a serem conectadas à banda alarga até o fim de 2010. Aí estão incluídas todas as escolas públicas de ensino fundamental (municipais) e médio (estaduais), conforme o secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky.
China resiste à proposta brasileira sobre etanol
O Brasil propôs oficialmente à China a realização de projetos conjuntos para a produção de etanol em países africanos ou asiáticos, mas é pouco provável que Pequim aceite a cooperação nessa área. Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, a China tem a segurança alimentar no topo de suas preocupações e teme que a plantação de cana de açúcar reduza a área agricultável disponível para outras culturas.
A fabricação de etanol em terceiros países faz parte do esforço brasileiro para ampliar o uso internacional do produto e transformá-lo em uma commodity.
O tema foi apresentado às autoridades chinesas pelo vice-ministro para Energia e Alta Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador André Amado, que fez críticas à Petrobras durante entrevista coletiva na última quarta-feira, em Pequim, da qual participaram jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Segundo Amado, o Brasil já tem acordo com os Estados Unidos para a produção de etanol em sete países da América Central e Caribe e dois da África. Também há projetos conjuntos com a União Europeia e o Japão, afirmou. Os empreendimentos ainda estão em fase preliminar e devem demandar pelo menos dois anos para começarem a dar frutos.
O embaixador fez visita de sete dias à China, durante a qual foi acompanhado da maior delegação brasileira dos setores de ciência e tecnologia e energia que já esteve no país.
A passagem do grupo por Pequim coincidiu com a presença na cidade de executivos da Petrobras, que negociam parcerias com a Sinopec e um novo empréstimo do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).
"A Petrobras não me convidou para os encontros deles. Quando as coisas não estão bem, eles vêm até nós e reclamam. Como não reclamaram, imagino que as conversas foram boas", alfinetou Amado durante a entrevista coletiva.
O embaixador se queixou do fato de não ter sido informado do teor das discussões realizadas pela Petrobras, embora a estatal não tenha nenhuma relação de subordinação ao Ministério das Relações Exteriores.
A fabricação de etanol em terceiros países faz parte do esforço brasileiro para ampliar o uso internacional do produto e transformá-lo em uma commodity.
O tema foi apresentado às autoridades chinesas pelo vice-ministro para Energia e Alta Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador André Amado, que fez críticas à Petrobras durante entrevista coletiva na última quarta-feira, em Pequim, da qual participaram jornalistas brasileiros e estrangeiros.
Segundo Amado, o Brasil já tem acordo com os Estados Unidos para a produção de etanol em sete países da América Central e Caribe e dois da África. Também há projetos conjuntos com a União Europeia e o Japão, afirmou. Os empreendimentos ainda estão em fase preliminar e devem demandar pelo menos dois anos para começarem a dar frutos.
O embaixador fez visita de sete dias à China, durante a qual foi acompanhado da maior delegação brasileira dos setores de ciência e tecnologia e energia que já esteve no país.
A passagem do grupo por Pequim coincidiu com a presença na cidade de executivos da Petrobras, que negociam parcerias com a Sinopec e um novo empréstimo do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).
"A Petrobras não me convidou para os encontros deles. Quando as coisas não estão bem, eles vêm até nós e reclamam. Como não reclamaram, imagino que as conversas foram boas", alfinetou Amado durante a entrevista coletiva.
O embaixador se queixou do fato de não ter sido informado do teor das discussões realizadas pela Petrobras, embora a estatal não tenha nenhuma relação de subordinação ao Ministério das Relações Exteriores.
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