quarta-feira, 4 de março de 2009

Olhos no longo prazo

Os gestores fundamentalistas - que analisam empresas a fundo e investem mirando anos à frente - estão aproveitando a crise para garimpar novas ações no mercado

Lia Lubambo Por Giuliana Napolitano | 19.02.2009 | 18h19

Revista EXAME -
Uma semana antes do Natal, Fabio Alperowitch, sócio da gestora de fundos de ações Fama Investimentos, passou a tarde visitando as principais lojas de eletroeletrônicos da região do largo 13 de Maio, na zona sul da cidade de São Paulo. Conversou informalmente com vendedores e clientes de Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza e Marabraz e entrevistou consumidores nas ruas. Outros gestores da Fama haviam feito um percurso parecido em Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Rio de Janeiro nas semanas anteriores. As visitas corroboraram o que já haviam mostrado os estudos que a Fama faz sobre empresas e setores econômicos antes de decidir onde investir os recursos de seus fundos: que o consumo de televisores, DVDs e outros eletroeletrônicos deve cair em razão da crise econômica, mas que a compra de bens como bebidas e alimentos deve aumentar.

"O brasileiro não tem o costume de poupar. Se fica sem dinheiro para dar entrada numa TV, usa o que tem com gastos menores", diz Alperowitch. Por causa desse cenário, um dos grandes investimentos dos fundos da Fama são as ações da fabricante de massas e biscoitos M. Dias Branco, dona da marca Adria. "Os números ainda não estão fechados, mas tudo indica que o faturamento da empresa em 2008 foi recorde, e ela continua crescendo", diz Alperowitch.

O exemplo da Fama mostra como agem os gestores de fundos de ações chamados de fundamentalistas - e como eles estão reavaliando seus investimentos frente à perspectiva de um ano mais complicado para a economia e as empresas brasileiras. A principal característica desses profissionais, como o próprio nome indica, é analisar, de forma minuciosa, os fundamentos das empresas - um conjunto de informações que inclui dados financeiros, linhas de negócio e até uma avaliação do desempenho do alto escalão. Nem sempre fazem visitas a lojas ou entrevistas com consumidores. Mas todos gastam alguns meses debruçados sobre os resultados de companhias, visitando escritórios e fábricas e pesquisando os concorrentes. Nada disso garante que esses gestores só façam apostas vencedoras. Quando a estratégia dá certo, porém, eles conseguem garimpar empresas sólidas, capazes de gerar resultados consistentes por vários anos.

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