sexta-feira, 20 de março de 2009

Crise derruba em 40% o lucro das empresas no Brasil

Setor imobiliário foi o mais afetado, mas empresas de energia, saneamento e telecomunicações conseguiram crescer
Por Francine De Lorenzo | 19.03.2009 | 08h40

Portal EXAME -
A crise financeira atingiu em cheio as empresas brasileiras no último trimestre de 2008. Os balanços divulgados neste início de ano comprovaram aquilo que já era esperado por investidores e analistas: lucros menores, quando não prejuízo.

Um estudo da consultoria Economática mostra que, no conjunto de 102 companhias que já divulgaram resultados até o momento, a queda no lucro líquido foi de 40%, passando de 7,4 bilhões de reais no terceiro trimestre para 4,4 bilhões de reais nos últimos três meses de 2008. O movimento ascendente foi interrompido principalmente pelo impacto das despesas financeiras, que de um trimestre para outro saltaram 35% devido à valorização do dólar.

Entre julho e setembro, quando o impacto do câmbio já era sentido, as despesas financeiras comiam metade do lucro das operações das empresas. Esse número subiu para 67,5% no quarto trimestre, quando a situação se agravou não só pela escalada da moeda americana, mas também pela queda nos ganhos operacionais. "O custo de produção das empresas que importam matérias-primas deve ter subido, enquanto outras companhias podem ter reduzido os preços de seus produtos para não perder vendas", explica o presidente da Economática, Fernando Exel.

O lucro das operações minguou 16,8% de um trimestre para outro, reflexo da queda de 3,1 pontos percentuais na margem de lucro, que passou de 16,5% para 13,4%. É verdade que houve aumento nas vendas, como tradicionalmente acontece no quarto trimestre devido às festas de fim de ano. O crescimento, porém, ficou bastante abaixo do habitualmente visto. A receita das empresas subiu apenas 3% entre o terceiro e o quarto trimestre, menos da metade dos 7,9% registrados no mesmo período de 2007.

Fortes perdas
O setor imobiliário foi o mais prejudicado pela crise global, segundo o levantamento da Economática, que não inclui Petrobras, Vale e os bancos. As construtoras e incorporadoras saíram de lucro no terceiro trimestre para prejuízo no quarto, numa variação negativa de 177,6%. Os números ainda não contemplam os resultados de Rossi, Cyrela, PDG Realty, MRV e Inpar. "A situação pode ficar ainda pior", diz o analista da corretora Fator, Eduardo Silveira.

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