terça-feira, 30 de março de 2010

Petrobras anuncia investimentos de até R$ 250 bilhões entre 2010 e 2014

A Petrobras divulgou nota oficial na noite de ontem (30) informando que o Conselho de Administração aprovou, em reunião em Brasília, aprovou a atualização da carteira de projetos para o período 2011/2014, que prevê investimentos no período de até R$ 250 bilhões.

O volume de investimentos é inferior aos R$ 265 bilhões aprovado em reunião anterior e divulgado em comunicado no dia 19 deste mês, junto com o balanço financeiro de 2009.

A nota informa que os valores aprovados foram incluídos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC-2) anunciado também ontem pelo governo federal e que prevê investimentos de quase R$ 1 trilhão.

A Petrobras informou que o conselho também aprovou, para o período posterior a 2014, um conjunto de projetos que totalizam investimentos de aproximadamente R$ 462 bilhões, e que também foram incluídos no PAC 2.

Segundo a empresa, os projetos foram avaliados com base em visão preliminar, dado o grau de conhecimento atual, e alinhados à Visão 2020 do Plano Estratégico da Companhia.

“Parte dos investimentos pós 2014 representam a continuidade de projetos já existentes na carteira de 2010 – 2014, que possuem prazo de maturação superior aos 5 anos do Plano de Negócios, com destaque para os projetos de exploração e produção”, ressaltou a nota.

Em Exploração e Produção serão investidos R$ 153,6 bilhões de 2011 a 2014, volume que salta para R$ 401 bilhões no período pós 2014, totalizando R$ 554,6 bilhões. A segunda área em investimentos é a que envolve o Abastecimento e Refino, Transporte e Comercialização e Petroquímica: de 2011 a 2014 serão investidos R$ 79 bilhões, caindo para R$ 58 bilhões no período pós 2014, e totalizando R$ 137 bilhões.

Segundo as informações da Petrobras, os investimentos na área de Exploração e Produção (E&P) têm como objetivo aumentar a produção de petróleo e gás natural, aproveitando o sucesso exploratório alcançado no pós e pré-sal e inclui também o aumento das atividades exploratória, essencial para a sustentabilidade da Companhia.

Os investimentos nas áreas de Refino, Transporte, Comercialização (RTC) e Petroquímica objetivam aumentar a produção de derivados para atender à crescente demanda do mercado doméstico, agregando valor ao óleo produzido, aumentando as margens da Companhia, permitindo também a exportação de derivados e petroquímicos.

A nota da Petrobraas informa também que serão realizados investimentos para melhorar a qualidade dos derivados, atendendo aos padrões internacionais e ambientais mais rigorosos.

O plano também prevê investimentos em novas fábricas de etanol e biodiesel e infraestrutura para escoamento da produção de etanol.

Mineradoras e siderúrgicas fecham acordo para reajustes trimestrais

Contratos deixam de ser corrigidos anualmente; preços sobem entre 90% e 100% em abril.

Mineradoras multinacionais e as principais siderúrgicas asiáticas chegaram a um acordo e estabeleceram um aumento recorde nos preços do minério de ferro. Pelos contratos, as empresas pagarão entre 110 e 120 dólares por tonelada de minério no próximo trimestre. Este preço compreende um aumento de 90 a 100% com relação ao preço praticado nos contratos anuais vigentes até o fim de 2009 (em torno de 60 dólares).

Segundo o jornal britânico "Financial Times", esse é um movimento histórico, protagonizado, dentre outras empresas, pela Vale e pela companhia anglo-australiana BHP Billiton. A Rio Tinto ainda não assinou o contrato, mas os executivos esperam que isso aconteça em breve.

Os novos acordos assinados pelas mineradoras e siderúrgicas substitui o antigo sistema de preços vigente há 40 anos, no qual os contratos eram assinados anualmente, com os preços no curto prazo atrelados à cotação do mercado à vista. Segundo o FT, a tendência é que os preços subam novamente ainda em 2010.

Executivos das principais companhias disseram que os grandes produtores de aço japoneses e várias siderúrgicas chinesas já assinaram os novos contratos trimestrais. Os fabricantes europeus ainda continuam de fora dos acordos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

CVM e Bovespa investigam golpes com ações

Papéis de empresas praticamente falidas vêm sendo negociados a peso de ouro.

As desconfianças em relação às ações da Telebrás, inflacionadas por declarações do governo sobre o plano de banda larga, abriram os olhos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para um problema sério. Papéis de empresas praticamente falidas ou em processo de recuperação judicial vêm sendo negociados a peso de ouro nos pregões da Bovespa, num movimento especulativo que tem resultado em prejuízos a pequenos investidores.

Em uma operação para tentar barrar as manipulações, a CVM abriu 26 investigações para apurar movimentos atípicos. Outros dez processos foram concluídos entre janeiro e fevereiro, dos quais, em dois, a autarquia constatou irregularidades e abriu inquéritos administrativos. A Bovespa, por sua vez, tem cinco processos em andamento.

O caso mais espantoso é o da Cobrasma, uma fabricante de vagões de trens que quebrou nos anos 1990. Segundo os demonstrativos financeiros do primeiro semestre de 2009, a empresa estava com patrimônio líquido negativo de mais de R$ 3 milhões. Os papéis da Cobrasma, no entanto, ainda circulam pela Bovespa. Entre os dias 3 e 18 de fevereiro desse ano, foram realizados 2.120 negócios apenas com as ações preferenciais, que movimentaram R$ 16,6 milhões.

“Não sei o que está acontecendo”, diz Luiz Eulálio Vidigal, diretor de Relações com Investidores da Cobrasma. “As nossas atividades estão encerradas desde 1997, em função de sérias dificuldades financeiras”.

A Café Solúvel Brasília é outra que tem impressionado pelo desempenho de suas ações. Mesmo tendo sido acionada duas vezes pela CVM e pela Bovespa por conta dos movimentos atípicos, as ações da empresa subiram 50,4% no último mês. Para se ter uma ideia, os papéis da mineradora Vale alcançaram um retorno de apenas 8,4% no mesmo período.

Golpistas

A maior dificuldade está em apontar um responsável pela manipulação das ações. Em grande parte dos casos, as empresas que brilham repentinamente não têm absolutamente nada a ver com o ocorrido. O trabalho vem de grupos especializados que estimulam os investidores novatos no mercado a comprar ações de determinada empresa. Quando sobem o suficiente para dar um bom retorno aos golpistas, eles vendem os papéis e embolsam os lucros, enquanto os novatos perdem todo o investimento após a queda nas cotações.

“Eles se aproveitam do desconhecimento de investidores, que se rendem facilmente à promessa de ganho fácil, que estão por trás desses golpes”, afirma Carlos Antônio Magalhães, diretor da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado (Apimec). “Os órgãos fiscalizadores precisam agir rápido, ou esse tipo de operação vai minar a credibilidade do mercado”.

A CVM e a Bovespa bem que estão tentando coibir esses negócios, mas não há muito a se fazer. A Bovespa, por exemplo, não pode retirar uma empresa de sua lista apenas porque seu balanço não está no azul, caso contrário o que aconteceria com os atuais detentores desses papéis?

Medidas paliativas

Uma das decisões tomadas para tentar coibir os golpes é a utilização de um programa de computador que analisa grupos de operações feitas no pregão. Antes dele, de cada 5 mil operações, apenas três indicavam suspeitas de ilícitos. Com a adoção do software, esse número subiu para 11. O resultado é que, apenas no ano passado, a Bovespa arrecadou mais de R$ 2 milhões em multas.

“As empresas são, sim, obrigadas a detalhar seus resultados, mas são os investidores que têm de procurar informações que possam definir se vão ou não fechar negócio”, afirma Waldir Nobre, superintendente de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM. “Não nos cabe julgar se o negócio é bom ou ruim”.

Para o pequeno investidor resta a dica: não confie em promessas de lucros absurdos que se multiplicam pela internet. Geralmente, elas são postadas em fóruns justamente por grupos especializados em inflar o preço das ações e lucrar em cima da inexperiência de alguns investidores.

A CVM já investigou vários desses fóruns com base em denúncias recebidas de investidores lesados. O problema, conta Waldir Nobre, é a dificuldade de se juntarem as provas necessárias para punir os responsáveis. “Morremos na praia em vários casos, pois os computadores originais das dicas estavam em cibercafés”, diz.

JBS-Friboi deve patrocinar o São Paulo

Clube paulista teria sido procurado também pelo oitavo homem mais rico do mundo, o empresário Eike Batista.

O São Paulo está próximo de fechar um acordo de quase 40 milhões de reais com o grupo JBS-Friboi para estampar a marca da processadora de carne Swift na camisa do clube. Desse total, cerca de 30 milhões seriam referentes à frente e às costas da camisa e outros 10 milhões, às mangas. Segundo fontes ligadas à companhia brasileira, o negócio deverá ser anunciado no início de abril.

O interesse da JBS em patrocinar o São Paulo reflete a retomada dos investimentos das empresas alimentícias no futebol. O caso mais famoso remonta à década de 90, quando a Parmalat fechou uma parceria de cogestão com o Palmeiras.

Atualmente, a marca Batavo, da Brasil Foods, está presente na camisa do Flamengo. No ano passado, a parceria da Batavo era com o Corinthians. No Santos, embalado por Robinho e Neymar, a Seara, do grupo Marfrig, é a principal patrocinadora. "Aparecer em rede de televisão nacional e ter milhares de torcedores exibindo a nossa marca compensa muito mais do que comprar alguns minutos na TV aberta", afirma um diretor de marketing de uma grande empresa.

Com o fim do contrato de patrocínio entre a coreana LG e o São Paulo, algumas empresas começaram a paquerar um espaço na camisa tricolor. O Grupo EBX, do executivo Eike Batista, eleito o oitavo homem mais rico do mundo, fez uma proposta tentadora, que ainda não foi completamente descartada. A ideia dos dirigentes do time paulista é aproveitar a marca EBX para firmar outras parcerias futuras.

A Sony também entrou na disputa por ocupar a frente e as costas das camisas do São Paulo. Mas, segundo fontes ligadas à empresa, a negociação naufragou porque a filial brasileira não conseguiu convencer a matriz no Japão a liberar o montante exigido pelo clube paulista.

Ao contrário do que foi especulado, a Petrobras não tem interesse em patrocinar o São Paulo. A estatal brasileira está apenas em negociação com o clube paulista para ajudar na reforma do estádio Morumbi para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Outra noiva que flertou com o clube paulista foi a Nestlé. Mas, de acordo com um conselheiro do São Paulo, o casamento não vingou por dois motivos. Primeiro porque a proposta da Nestlé não atingiu as expectativas do time. E, segundo, porque a empresa não queria ter uma parceria de longo prazo, o que, para o clube paulista, não seria interessante.

Neste domingo, no clássico contra o Corinthians, o São Paulo deverá estampar provisoriamente na manga da camiseta a marca Locaweb. O patrocínio interino foi fechado na semana passada e ajudará o time arrecadar cerca de 2 milhões de reais, o necessário para encerrar o mês de março sem prejuízo financeiro.

As lições do homem mais rico do Brasil

Em entrevista à série Grandes Líderes, o empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX e o homem mais rico do Brasil, falou sobre o crescimento do grupo, novas áreas em que pode investir e rebateu as críticas de que a atual valorização de suas empresas seria uma “bolha”. Segundo ele, todos os seus negócios partiram do zero – e como tal têm um período de maturação que leva, em média, cinco anos. “Não tem projeto que fique em pé no curto prazo”, disse ele.

Durante a entrevista, Eike deu dicas de como um investidor deve lidar com a bolsa de valores — pensar no longo prazo e estudar muito a empresa antes de comprar seus papéis são dois de seus mandamentos — e afirmou que “dinheiro tem que ser tratado com carinho”. Desse assunto, como mostra sua fortuna de 27 bilhões de dólares, Eike parece que entende. Clique nas fotos para assistir a cada trecho da entrevista.

Clique no link abaixo para assistir aos seguintes tópicos da entrevista com Eike Batista:
1) ”Minhas empresas não são bolhas”
2) ”Meu pai nunca me ajudou”
3) ”Feliz sou eu, que tive fracassos”
4) ”Dinheiro tem que ser tratado com carinho”
5) ”Já criei muita riqueza para os outros”

http://portalexame.abril.com.br/blogs/por-dentro-das-empresas/2010/03/29/as-licoes-do-homem-mais-rico-do-brasil/

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vivendi pagará R$ 56 por ação da GVT em OPA

Os franceses da Vivendi apresentaram os termos da Oferta Pública de Aquisição (OPA) para as ações da operadora de telecomunicações GVT que ainda não possuem.

De acordo com o edital, os acionistas vão receber R$ 56,00 por ação. O preço será corrigido pela taxa Selic no período compreendido entre 13 de novembro de 2009 e a data de liquidação da operação.

O leilão da OPA está agendado para o dia 27 de abril na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a liquidação ocorre três dias úteis depois. Ontem, as ações ordinária da GVT fecharam negociadas a R$ 57,53.

Segundo o documento, tal preço de aquisição representa um prêmio de 64,75% sobre o preço médio ponderado das ações da companhia nos 30 dias anteriores à divulgação do contrato de venda para a Vivendi, o que aconteceu em 8 de setembro de 2009.

O total de ações objeto da oferta é de 17.788.607 ações, o que dá um valor inicial de R$ 996 milhões para OPA. Tal montante representa 12,96% do total de ações emitidas companhia.

Caso a Vivendi obtenha dois terços desses papéis em circulação, a companhia fechará o capital da GVT.

Ação da Telebrás desaba, mas acumula ganho de 16.830% no governo Lula

As ações ordinárias da Telebrás despencaram nos últimos 45 dias na Bovespa, mas ainda acumula alta de 16.830% no governo do presidente Luiz Inácio Lula do Silva (até ontem), segundo estudos da consultoria Economática.

Os papéis da companhia chegaram a acumular valorização de 35.072% no governo Lula, até o dia 8 de fevereiro. De lá para cá, soma desvalorização de 51,9% (até ontem). Os ganhos da empresa na Bovespa foram revelados em reportagem da Folha.

Segundo estudo da Economática, as ações perderam 39,1% apenas em março. No ano, no entanto, o desempenho ainda é positivo em 79,7%, sempre considerando a cotação de ontem.

Nesta semana, as ações registraram fortes quedas após nota divulgada pelo Tesouro Nacional condenando a reativação da Telebrás pelo governo Lula para gerir seu programa de banda larga.

É a segunda autoridade do governo a se opor à ideia. Na semana passada, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, já levantara publicamente restrições a que a estatal seja reativada.

A medida é defendida pelo Ministério do Planejamento e pela Casa Civil.

Dirceu

Em dezembro de 2009, o governo conseguiu, na Justiça, que a rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas que estava na massa falida de outra empresa com participação estatal, a Eletronet, passasse para as estatais do setor elétrico.

Com a decisão, fortaleceu-se a ideia do governo de usar a Telebrás como gestora dessa rede de fibras, para atuar no mercado a fim de massificar o acesso à internet em alta velocidade, com preços menores do que os cobrados hoje pelas empresas privadas no setor.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Companhia imobiliária da Dubai World faz propostas para pagar dívidas

A companhia imobiliária Nakheel, dos Emirados Árabes Unidos, filial do consórcio Dubai World, se comprometeu hoje a pagar totalmente sua dívida com dinheiro, bônus ou extensões dos vencimentos de seus atuais compromissos.

A proposta de reestruturação foi divulgada depois que o Governo de Dubai anunciou que colocou à disposição da Dubai World e da Nakheel US$ 9,5 bilhões para reestruturar suas dívidas e assegurar a continuidade de seus negócios.

Em comunicado, a Nakheel informa que sua proposta de refinanciamento oferece a seus credores uma "justa e equitativa recuperação" dos empréstimos.

No último dia 25 de novembro, a Dubai World anunciou intenção de renegociar seus vencimentos de pagamento, posteriormente cifrados em US$ 26 bilhões, assim como os de suas várias de seus filiais, entre elas a Nakheel.

Em sua proposta, a companhia imobiliária ofereceu a seus credores comerciais (contratados e fornecedores) o pagamento de 100% da dívida, sendo 40% em dinheiro e 60% em bônus de cotação pública.

Aos credores financeiros que tenham feito empréstimos garantidos, a empresa ofereceu o abono de 100% do capital principal e juros acumulados mediante uma extensão dos vencimentos.

Aos detentores de bônus islâmicos ("sukuk") com vencimento em 2010 e 2011, foi oferecido o pagamento da totalidade do montante à medida que os títulos vão vencendo.

A Nakheel também anunciou que o Comitê Fiscal Supremo de Dubai ofereceu a transformação em participação de capital de empréstimos feitos à empresa, totalizando US$ 1,2 bilhões, sujeitos ao êxito da reestruturação financeira com seus credores.

Como fica o Brasil se os donos da TIM e da Vivo se fundirem

Juntas, Telecom Itália e Telefônica teriam mais de 60% do mercado em algumas regiões do país - e isso mudaria o jogo da telefonia brasileira.

No começo de março, funcionários da Telecom Itália no Brasil, que controla a operadora de telefonia celular TIM, receberam uma extensa carta assinada pelo presidente mundial da companhia, Franco Bernabé. Apesar do tom motivacional, as palavras não escondem a tensão que atualmente caracteriza a atmosfera da companhia. Com um passado problemático - a empresa é suspeita de estar envolvida em uma fraude fiscal estimada em 495 milhões de dólares -, a Telecom Itália agora enfrenta também incertezas quanto ao futuro, e à possibilidade de ser comprada pela gigante espanhola Telefônica.

Desde o início do ano a imprensa vem divulgando rumores sobre a possibilidade da operação envolvendo as duas companhias. Telecom Itália, Telefônica e os governos de Espanha e Itália negam a possibilidade de uma aquisição, e classificam as informações como infundadas. Entretanto, uma fonte ligada à empresa italiana afirma que a TIM. Brasil e a Telefônica já esboçam estudos para avaliar as possíveis formas de integração de suas tecnologias e redes de comunicação no país.

Não é de hoje o interesse que a Telefônica tem pela companhia italiana. A Telecom Itália, já há alguns anos, vem enfrentando uma situação difícil. Ela tem 34 bilhões de euros de dívida e vendeu quase todos os seus ativos fora da Itália. Hoje ela detém apenas o controle da TIM, Brasil e uma participação na Telecom Argentina. Essa frágil situação facilitou uma mudança no grupo de controle. "A Telefônica agora é uma das controladoras do grupo, com 46,18% do capital. O Consórcio Telco, outro controlador, tem 24,5%", diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em Telecomunicações.

Acordo binacional

A operação, entretanto, dependeria de um acordo entre os governos dos países-sede das duas companhias. Em fevereiro, o jornal espanhol El País noticiou que o governo espanhol seria favorável à compra da Itália Telecom, depois que a companhia energética italiana Enel comprou a empresa espanhola Endesa. O noticiário espanhol sugeria que a compra da Itália Telecom seria a contraparte relacionada à primeira aquisição.

Para Eduardo Tude, a questão entre os governos já representa uma grande barreira para a concretização da operação. "O governo italiano não quer abrir mão de ter a Telecom sob seu controle", diz o presidente da Teleco. Entretanto, ele afirma que a Telefônica, por já ser do "mesmo time", deve ter a preferência no caso da venda da operadora italiana, caso surjam propostas de outras companhias.

Na carta enviada pelo presidente da Telecom Itália aos funcionários em todos os países em que ela tem operações, o presidente Franco Bernabè enfatizava a necessidade de se manter um espírito de união e empenho para obter resultados sólidos e duradouros, "para resistir ao tempo e a qualquer tipo de susto ou turbulência externa". A preocupação do executivo tem fundamento. Eduardo Tude diz que o desempenho será crucial para a sobrevivência da Telecom Itália. "Se ela conseguir ir bem, continua como operadora independente. Se a coisa não andar, no futuro, a tendência é que haja consolidação das operadoras, e pode haver aquisição".

Cenários

Muitas são as implicações da aquisição para o mercado brasileiro. Dentre elas, a principal é a regulatória. A Telefônica atualmente detém 50% de participação no capital da operadora Vivo, (os outros 50% pertencem à Portugal Telecom). Segundo relatório da corretora Link Investimentos, com a compra da Telecom Itália e o consequente controle dos ativos da Vivo, a Telefônica deteria mais de 60% do mercado de telefonia móvel em algumas regiões do Brasil.

Na ponta do lápis, o cenário parece improvável, uma vez que a competição ficaria praticamente inexistente. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu obrigações para manter as operações separadas e garantir a competição. "A Telefônica enfrenta um dilema. Existe um processo de consolidação de operações fixas e móveis, mas a Telefônica não consegue fazer a integração com a Vivo. por causa dos 50% da participação da Portugal Telecom. Se não, ela já teria integrado", diz Tude.

Se a aquisição se confirmar, Vivo e TIM, Brasil terão o mesmo controlador, situação que as leis brasileiras não permitem. Logo, a Telefônica teria que se desfazer de uma das operações de telefonia móvel. "O melhor dos mundos, nesse caso, seria manter a Vivo. Ela tem melhores fundamentos, é líder em participação de mercado, tem maior rentabilidade e melhores indicadores de qualidade", diz Maria Tereza Azevedo, analista de telecomunicações da Link Investimentos.

O problema é que, para que isso aconteça, a Portugal Telecom teria que ceder à insistência da Telefônica e vender sua participação na Vivo, para o grupo espanhol. A relação entre as duas empresas sugere que o cenário é pouco provável. A Telefônica já deixou clara, por inúmeras vezes, sua intenção de comprar os 50% da Portugal Telecom na Vivo, o que tem sido enfaticamente rejeitado pelos executivos lusos.

Investida portuguesa

Na última segunda-feira (22/03), o jornal português Diário de Notícias publicou matéria sugerindo justamente o movimento contrário. Segundo a reportagem, a Portugal Telecom já teria um plano para comprar a participação da Telefônica na Vivo. A condição para a operação seria a concretização da compra da Telecom Itália pela empresa espanhola. "A Portugal Telecom tem condições de realizar a aquisição, e é grande interessada, já que não quer deixar suas operações na América Latina", afirma Maria Tereza.

A venda da participação na Vivo eliminaria a questão regulatória caso o negócio entre as operadoras italiana e espanhola vingue. "Faz mais sentido, considerando esse cenário, que a Telefônica fique com a TIM, e venda sua participação na Vivo para a Portugal Telecom. Há uma grande possibilidade de ganhos de sinergia e escala. A aproximação será boa para ambas", opina a analista da Link.

Muitas são as especulações em torno do negócio. A imprensa europeia vem agitando as discussões, a despeito das negativas por parte de Telefônica e Telecom Itália sobre a existência de qualquer negociação. Chegou-se a falar em uma definição ainda no mês de março, mas para os analistas, parece improvável que o mercado seja surpreendido. Entretanto, especialistas apontam a consolidação do setor de telecomunicações na Europa como uma tendência. Portanto, seria esperado - ainda que não iminente - o acordo entre Espanha e Itália criando o embrião do que no futuro deve se tornar a poderosa Tele Europa.

terça-feira, 23 de março de 2010

Brasil Ecodiesel reduz perdas em 2009

A Brasil Ecodiesel, uma das líderes do mercado nacional na produção de biodiesel, reduziu suas perdas em 2009, com um saldo negativo de R$ 88,4 milhões, segundo dados da empresa.

A companhia, que passa por um processo de reestruturação financeira e de mudança estratégica, tinha registrado em 2008 um prejuízo de R$ 197,1 milhões.

O balanço desfavorável foi influenciado por um impacto contábil negativo de R$ 63,7 milhões, produto de uma valorização de ativos e uma série de ajustes adotados pelo novo Conselho de Administração.

O ajuste do lucro bruto de exploração Ebitda (que mede os lucros antes de juros, taxas, impostos, depreciação e amortização) passou de R$ 58,6 milhões de reais negativos para R$ 45,8 milhões.

No ano passado, a empresa faturou R$ 404,9 milhões com a produção de 151,9 milhões de metros cúbicos do biocombustível, produzido de óleos de mamona e soja, entre outros.

A dívida de R$ 290,4 milhões, com o ajuste de disponibilidade e aplicações, passou a gerar um caixa líquido de R$ 37,2 milhões, segundo a empresa.

A Brasil Ecodiesel é a principal fornecedora de biodiesel para a Petrobras.

Por determinação do Governo, o diesel convencional tem em sua composição uma mistura obrigatória de 5% de combustível orgânico.

Fundo que teria especulado contra o real tem funcionário preso

Moore Capital é acusado de estratégia de longo prazo com informações privilegiadas.

Dois profissionais experientes do mercado financeiro e um operador de um hedge fund estão entre as seis pessoas presas nesta terça-feira (23) em Londres acusados de utilizarem sofisticadas estratégias de longo prazo usando informações privilegiadas, chamadas de insider trading.

A operação, realizada pela Financial Services Authority (FSA) - agência similar à CVM brasileira -, fez buscas em 16 endereços da capital britânica. Foram presos funcionários do Deutsche Bank, BNP Paribas e do hedge fund Moore Capital. A FSA afirmou que esta foi a maior operação de sua história, envolvendo 143 pessoas.

O Moore Capital fora citado pelo ex-diretor do Banco Central do Brasil, Mario Torós, como o responsável por um ataque especulativo contra o real em dezembro de 2008. "O ataque foi sorrateiro. A taxa de câmbio disparou e bateu na máxima de R$ 2,62. Ninguém, nem o BC, sabia o que estava acontecendo...", disse ele em entrevista ao Valor Econômico no ano passado.

De acordo com o comunicado da FSA, há suspeitas de que executivos do mercado financeiro passavam informações privilegiadas para os operadores, tanto direta quanto indiretamente, “que então passavam a negociar com base nas dicas realizando significantes lucros como resultado”. A investigação se iniciou no final de 2007.

Como achar o imóvel certo para investir

Prefira imóveis pequenos e próximos a polos de escritórios, diz empresário do setor.

No apartamento de 43 metros quadrados do Affinity, um prédio em lançamento no bairro paulistano da Vila Olímpia, a única cama que cabe é a do casal e a cozinha fica no mesmo ambiente da sala e do quarto. Ainda assim, quase todas as unidades já foram vendidas, cada uma por 300 mil reais.

O que atrai compradores é o potencial de valorização dos imóveis, segundo Alexandre Lafer Frankell, dono da incorporadora responsável pelo prédio, a Vitacon. Ele diz que boa parte dos clientes fechou contrato já pensando em vender ou alugar o apartamento quando ele estiver pronto.

A companhia de Frankell é especializada em lançamentos para quem quer investir em imóveis. Enquanto as empresas do setor reforçam a aposta na baixa renda ou em condomínios de luxo, o empresário diz que planeja os empreendimentos levando em conta características que fazem do imóvel um bem rentável e fácil de vender, como acabamento de alto padrão, área de lazer extensa e localização próxima a formigueiros corporativos, caso justamente da Vila Olímpia.

No vídeo a seguir, ele explica como o investidor pode encontrar o imóvel certo para investir seu dinheiro.
Clique no link abaixo para ver esse vídeo:
http://portalexame.abril.com.br/financas/noticias/como-achar-imovel-certo-investir-541979.html

Quem ganha com a alta da inflação

Ao contrário do que o mercado esperava, o comitê de política monetária (Copom) do Banco Central não elevou a taxa básica de juros em sua mais recente reunião, na última sexta-feira (19/03). O aperto monetário para conter a inflação, que era esperado pelo mercado para a última reunião do Copom, deve vir no mês de abril. Para os analistas da corretora do Itaú Unibanco, enquanto o ajuste na taxa não vier, dando espaço para uma alta dos preços, seis setores podem conseguir bons ganhos.

Em um ambiente com inflação elevada, companhias com receitas indexadas a índices de inflação, como o setor de serviços, empresas administradoras de rodovias e shoppings, naturalmente tendem a ser mais beneficiadas. Por outro lado, empresas de setores como educação e construção civil acabam tendo um impacto negativo no desempenho de seus papéis.

No caso das concessionárias e de empresas de transmissão de energia, as receitas são atualizadas com base no comportamento do Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). À medida que a inflação puxa os preços para cima, os indicadores aumentam e exercem efeito positivo sobre os ganhos destas companhias. É o que acontece, por exemplo, com os resultados de empresas como a CCR e a AES Tietê.

As distribuidoras de energia também têm suas receitas impactadas pela oscilação dos índices de inflação. Entretanto, segundo os analistas da corretora do Itaú Unibanco, é importante lembrar que o processo de revisão tarifária elimina esses ganhos depois de quatro ou cinco anos. Já para as geradoras de energia elétrica, apesar de haver impacto positivo com o aumento da inflação, as margens com que tais empresas operam são tão elevadas que o resultado de tais efeitos é menor em comparação com as distribuidoras e as companhias de transmissão.

Com os shoppings, o resultado da inflação do desempenho dos papéis em bolsa é semelhante. A parte fixa das receitas dessas empresas (cerca de 64% da receita) é ligada aos índices de inflação. As ações do grupo Iguatemi (IGTA3), por exemplo, seguem o comportamento do IPCA, enquanto que os papéis da BR Malls (BRML3) está ligada ao IGPM.

Na contramão das oportunidades está o setor de educação. Embora os custos de trabalho e renda sejam influenciados pelos índices de preços, a elevada competição no setor e as dificuldades em atrair novos alunos tornam difícil o caminho de empresas do ramo em tempos de alta da inflação. A única exceção, para os analistas do Itaú Unibanco, é o Sistema Educacional Brasileiro (SEBB11), porque a empresa opera na área de educação básica.

O setor de construção civil mostra dois possíveis comportamentos em casos de inflação elevada. Os construtores de empreendimentos para a alta-renda costumam repassar adiante a inflação dos custos de construção civil, o que neutralizaria o efeito do aumento de preços sobre as ações de tais companhias. No entanto, o custo inicial dos terrenos também é indexado à inflação, gerando alguns ganhos.

Por outro lado, as construções para a baixa-renda tendem a ser impactadas negativamente. Uma vez que a inflação reduz o poder de compra da população, empreendimentos construídos com o financiamento do programa federal Minha Casa, Minha vida, geralmente saem prejudicados nas fases de alta da inflação.

Petrobras supera Microsoft, Chevron e GE e tem 2º maior lucro de EUA e América Latina

A Petrobras é a segunda empresa de capital aberto mais lucrativa dos Estados Unidos e da América Latina em 2009, atrás apenas da Exxon Mobil, segundo dados da consultoria Economatica.

Apesar de ter registrado queda de 12% no lucro em 2009 na comparação com o ano anterior, a estatal brasileira passou gigantes como Microsoft e General Eletric (veja quadro abaixo). A Petrobras é a única brasileira entre os 20 maiores lucros em 2009.

O lucro da estatal no ano de 2009 foi de R$ 28,982 bilhões, o que corresponde a US$ 16,645 bilhões (convertidos pela cotação do dólar Ptax venda do dia 31 de dezembro de 2009).

No ano de 2008, a Petrobrás havia ficado na quinta colocação, atrás da Exxon Mobil, Chevron Texaco, GE e Microsoft. O lucro da Petrobrás no ano de 2009 é menor que o da Exxon Mobil em US$ 2,635 bilhões --ou 13,7%. Este é o menor percentual entre as empresas desde 1994, quando começa a base de dados da consultoria.

MAIORES LUCROS ENTRE EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO
Dos Estados Unidos e da América Latina, em 2009
Empresa Setor Lucro líquido
(em US$ bilhões) País
1º. Exxon Mobil/ Petróleo e gás/ 19,280/ EUA
2º. Petrobras/ Petróleo e gás/ 16,645/ Brasil
3º. Microsoft Corp/ Software e dados/ 16,258/ EUA
4º. Wal Mart Stores/ Comércio/ 13,495/ EUA
5º. Intl Buses Machines/ Eletrônicos/ 13,425/ EUA
6º. Goldman Sachs/ Bancos/ 13,385/ EUA
7º. Procter & Gamble/ Química/ 13,050/ EUA
8º. A&T/ Telecomunicações/ 12,843/ EUA
9º. Wells Fargo/ Bancos/ 12,275/ EUA
10º. Johnson & Johnson/ Química/ 12,266/ EUA

Ações da OSX despencam em sua estréia na Bovespa

Investidores aproveitam o primeiro dia de negociação para vender os papéis e ajustar sua carteira.

Demorou, mas a aversão dos investidores ao risco atingiu Eike Batista. Conhecido por sua capacidade de convencer o mercado a apostar em seus projetos, o empresário assistiu à forte queda das ações ordinárias da OSX (OSXB3, com direito a voto) na estréia da companhia no pregão da Bovespa, nesta segunda-feira (22/3). Os papéis encerraram seu primeiro pregão com uma queda de 12,50%, cotados a 700 reais por ação. A OSX respondeu por 1.941 transações. O papel foi na direção oposta à do Ibovespa. O principal indicador da bolsa brasileira fechou com ligeira alta de 0,31%, aos 69.042 pontos.

Para Osmar Camilo, analista de investimentos da corretora Socopa, a OSX foi mais uma vítima da cautela do mercado nos últimos tempos. "A OSX é uma empresa start-up, o que representa um risco significativo para os aplicadores", afirma. "Em um cenário de fuga do risco, esse é o tipo de papel que costuma ficar para trás". A OSX é um estaleiro e companhia de serviços petrolíferos do grupo EBX, fundado por Eike. O principal atrativo da companhia são os contratos para a construção de plataformas de prospecção de petróleo para outra companhia do grupo - a OGX.


A parcimônia dos investidores já havia se manifestado na fase de bookbuilding da operação, isto é, a formação do preço de venda dos papéis. Os coordenadores da emissão haviam estabelecido uma faixa de preço de 1.000 a 1.333,33 reais por papel. Diante da resistência dos interessados, a empresa concordou em reduzir o preço de venda para 800 reais, além de diminuir a quantidade de papéis emitidos de 5,51 milhões de ações para 3,06 milhões.

Para Camilo, da Socopa, além da aversão geral ao risco presente no mercado desde a eclosão da crise grega, o que pesou também no desempenho dos papéis da OSX nesta manhã de segunda foi o reposicionamento dos investidores. Geralmente, os aplicadores costumam fazer ofertas superiores àquela que realmente desejam, porque a demanda pelos papéis no lançamento acaba levando ao rateio. Mas, como, desta vez, todos os compradores foram atendidos plenamente - e sem rateio - podem ter ficado com mais papéis do que realmente gostariam. "Muitos investidores aproveitaram a abertura do pregão para ajustar sua carteira", diz.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Minha Casa, Minha Vida 2" será maior e pode incluir BB

No que depender das expectativas de representantes do setor imobiliário, a segunda etapa do programa "Minha Casa, Minha Vida", prevista para ser lançada ainda este mês pelo governo federal, tem condições de superar com folga os resultados obtidos na sua primeira fase.

Prestes a completar um ano do lançamento, o programa deve resultar na entrega de cerca de 300 mil unidades prontas até dezembro de 2010, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). As demais serão construídas até o final de 2011, se forem de fato contratadas ainda este ano.


Até 1o de março, foram contratadas 330.191 moradias no âmbito do programa, volume inferior à meta da Caixa Econômica Federal de 400 mil unidades em 2009. Os projetos apresentados à instituição foram bem mais elevados, representando 725.269 unidades.

O desempenho do programa atual, porém, não levou a uma revisão do prazo final estabelecido pelo governo em 25 de março do ano passado: contratar 1 milhão de moradias até o final de 2010.

A adoção de um único banco como agente financiador --a Caixa-- é apontada como um fator a ser revisto na segunda etapa do programa, que pode incluir o Banco do Brasil, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Sergio Watanabe.

"O BB já começou a se mobilizar para aperfeiçoar sua estrutura em crédito imobiliário. A entrada de outros agentes no programa agilizaria as contratações e evitaria atrasos."

O presidente do Secovi-SP, sindicato que representa o setor de habitação em São Paulo, João Crestana, acredita que a meta de 400 mil unidades contratadas em 2009 era, na realidade, um desafio interno. "A Caixa não é o mecanismo mais ágil em termos de contratação. Mas, apesar da burocracia, está fazendo sua parte", disse.

A CBIC acredita que o "Minha Casa, Minha Vida 2" deve ser lançado em 29 de março, juntamente com a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

O presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, espera que a nova etapa inclua 3 milhões de residencresidênciasias e subsídios governamentais de 48 bilhões a 72 bilhões de reais. A primeira edição do "Minha Casa, Minha Vida" previa 34 bilhões de reais em empréstimos e subsídios para 1 milhão de residências.

Para suprir a carência de 5,6 milhões de moradias no país, com base em dados de 2008, seriam necessários, em média, 15 anos e cerca de 400 bilhões de reais, segundo estimativa do Secovi-SP.

FALHAS A SEREM CORRIGIDAS

Representantes do setor são unânimes ao apontar que as falhas do primeiro ano do programa devem servir de aprendizado.

A ampliação das metas para famílias que ganham até três salários mínimos e a revisão de valores para construção de moradias em grandes centros urbanos --onde o déficit é mais acentuado-- são citadas como prioridades.

"Independentemente do tamanho da segunda fase, é preciso atacar a questão fundiária, reservando um percentual mínimo de 10 por cento dos lotes para a habitação de interesse social e admitindo a construção de grandes conjuntos habitacionais", afirmou Simão, da CBIC.

A combinação de falta de terrenos adequados em cidades como São Paulo e Belo Horizonte com a alta necessidade de subsídios do governo para se construir moradias para a chamada baixíssima renda, contudo, não impediram o atendimento dessa faixa da população, ainda que em cidades menos necessitadas.

Do total de unidades contratadas até março, 198.685 foram destinadas a quem ganha até três salários.

"O programa podia ter sido pensado com mais calma para atender grandes centros. Faltou certo planejamento nesse sentido, alinhando a atuação conjunta entre governos federal, estadual e municipal", observou o analista Henrique Koch, do BB Investimentos.

"Isso pode ser corrigido na próxima edição. A preocupação agora é que esse tipo de programa não seja interrompido, seja qual for o governo que estiver no poder", acrescentou.

Tam se prepara para dar vida a outras 3 empresas

Com o IPO da empresa de fidelidade Multiplus, a TAM criou um filhote com valor de mercado próximo ao da empresa-mãe. Agora se prepara para dar vida própria a outros três negócios.

Desde que assumiu a presidência da TAM, em dezembro, o mineiro Líbano Barroso se acostumou a trabalhar diante da incessante movimentação de aviões no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Todos os dias, mais de 500 aeronaves passam em frente à janela de sua nova sala, a poucos metros da pista. Barroso, porém, não pode se distrair com esse vaivém frenético. Boa parte de sua missão hoje exige olhar bem além dos pousos e das decolagens - e repensar o papel de atividades que até pouco tempo atrás eram apenas coadjuvantes entre os negócios da maior companhia aérea brasileira. O passo decisivo dessa estratégia aconteceu no dia 5 de fevereiro, quando a TAM abriu o capital da Multiplus, a empresa criada a partir de seu velho programa de fidelidade. Resultado de um projeto que teve a adesão de quatro parceiros - Walmart, Oi, Ipiranga e Livraria Cultura -, a nova empresa tem valor de mercado de 3 bilhões de reais, o equivalente a 62% do que vale a própria TAM.

Barroso agora prepara outras unidades de negócio para seguir o mesmo caminho - um projeto que consumiu investimentos de 25 milhões de reais desde 2007. Seu plano é transformar em empresas independentes três áreas que hoje estão incorporadas ao dia a dia da TAM: a operadora de turismo, a transportadora de cargas e o centro de manutenção de aviões, localizado em São Carlos, no interior paulista. "Em breve, a companhia aérea vai ser apenas nossa espinha dorsal", diz Barroso.

Trata-se de um movimento que vem se tornando comum no Brasil - e do qual o empresário Eike Batista é ao mesmo tempo o pioneiro e o mais bem sucedido representante. Desde 2006, Eike levantou 10,1 bilhões de reais de investidores em IPOs de empresas incipientes, mas com promessa de alto retorno. Foi graças a isso que Eike ocupou o posto de oitavo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 27 bilhões de dólares, de acordo com a recém- divulgada lista da revista americana Forbes - em 2009 ele ocupou um "modesto" 61o lugar. "Essa é uma saída que vem ganhando adeptos porque possibilita o crescimento sem diluir o capital da empresa-mãe", diz Wagner Salaverry, sócio-diretor da corretora Geração Futuro. No caso da TAM, a proposta de fatiar unidades de negócio começou a nascer em novembro de 2007, durante apresentações a investidores americanos. O interesse à época foi além do transporte de passageiros. "Muitos queriam saber sobre outros negócios", afirma Barroso, que conduziu algumas apresentações ainda como diretor financeiro. Ao perceber o interesse, a TAM contratou a consultoria Bain&Company para desenhar a expansão. Uma das medidas mais simbólicas foi a contratação do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, para ocupar uma vaga no conselho de administração da TAM, em agosto de 2009. "Com sua experiência financeira, Esteves ajudaria a companhia a formatar os melhores negócios", diz um executivo próximo à companhia aérea. Neste ano, o BTG Pactual foi um dos coordenadores da oferta da Multiplus.

Iniciar o movimento pela unidade de milhagens foi uma escolha óbvia - esse era um dos negócios paralelos da companhia que se encontravam em estágio mais avançado. Em 1994, a TAM tornou-se a primeira a oferecer esse tipo de serviço no país. Em 2008, com 6 milhões de participantes, a área faturou 528 milhões de reais (os dados de 2009 ainda não foram divulgados). A lógica do negócio é razoavelmente simples. As empresas parceiras da TAM, no programa pagam uma espécie de taxa de administração à companhia aérea cada vez que um dos participantes compra um de seus produtos ou serviços. Em contrapartida, elas têm acesso ao valioso banco de dados construído pela TAM. nos últimos 15 anos. A convicção de que o spin off poderia dar certo veio do bemsucedido exemplo da Air Canada, que abriu o capital de sua unidade de milhagens, a Aeroplan, em 2005. Hoje, o valor de mercado da Aeroplan equivale a 4,5 vezes o da Air Canada.

Boa parte da estrutura necessária para a expansão de outras atividades da TAM já está montada, basta aproveitá-la de forma mais eficiente. A unidade de transporte de cargas, por exemplo, fatura mais de 1 bilhão de reais por ano aproveitando espaços vazios no porão dos aviões comerciais - recentemente a companhia começou a atender novas cidades na Europa e nos Estados Unidos. A operadora de turismo TAM Viagens, que tem 70 lojas credenciadas, vai iniciar no fim de março a abertura de suas primeiras franquias. Em dois anos, todas as lojas atuais serão convertidas, e outras 110, abertas em 50 cidades já mapeadas. "O modelo de franquias vai preparar a TAM Viagens para um passo mais ousado, como a abertura de capital", diz Paulo Castello Branco, vicepresidente comercial da companhia aérea. Um negócio considerado ainda mais promissor é o centro de manutenção. Com 947 funcionários, o centro passou a revisar aeronaves de outras companhias no ano passado. Hoje, 15% da receita vem de serviços a empresas como LAN Chile e OceanAir. A meta é dobrar o percentual nos próximos quatro anos. Nessa área, a inspiração vem da alemã Lufthansa, que separou seu centro de manutenção em 1995 e hoje fatura com ele 3,7 bilhões de euros por ano atendendo 670 clientes. Como em todo projeto pioneiro, existem vantagens - e também riscos. Um deles é o potencial conflito de interesses da TAM, ao mesmo tempo controladora do Multiplus e sua gestora. Toda vez que um cliente emite uma passagem aérea com seus pontos, a Multiplus paga um valor à TAM referente ao bilhete. "É preciso estabelecer regras claras no que se refere a esses valores, do contrário a TAM em tese poderia manobrá-los de acordo com os interesses do caixa da empresamãe", diz um consultor. Mesmo com esse telhado de vidro, até agora a TAM parece ter conquistado a confiança dos investidores - as ações da Multiplus valorizaram 15% em menos de um mês. Daqui para a frente, Líbano Barroso terá de lutar para mantê-la.

sábado, 20 de março de 2010

Hacker rouba US$ 140mil da Nasdaq e da Bolsa de Nova York

Reguladores americanos estão trabalhando para congelar os bens de um russo acusado de invadir carteiras de investimento online e manipular o preço de dezenas de ações listadas na Bolsa de Valores de Nova York e na Nasdaq.

Segundo o site The Inquirer, um juiz federal de Nova York em conjunto com a SEC (Securities and Exchange Commission, ou Comissão de Valores Mobiliários, em portugês) decidiu congelar os bens da Broco Investments - que tem sua base comercial em São Petersburgo, Rússia - depois de descobrir que a empresa mudou artificialmente os preços de mais de 38 títulos negociados na bolsa, obtendo lucros reais nas oscilações dos valores das ações para cima ou para baixo.

De acordo com o documento publicado pela SEC essas transações, chamadas de hack, pump and dump, criam a ilusão de serem transações comerciais legítimas, mas afetam negativamente os preços das ações, e estão dentre as mais recentes operações de mercado consideradas ilegais. Em 2008, três casos semelhantes foram registrados, resultando em uma prisão e mais de US$ 500 mil de prejuízo.

Segundo informações do blog Threat Level da revista Wired, a Broco comprava estas e outras ações de sua carteira pessoal utilizando carteiras hackeadas. Logo em seguida, disponibilizava ilegalmente os títulos comprados para venda a preços inflacionados.

Ou seja, a empresa comprava suas próprias ações pelo preço normal de mercado, revendendo logo em seguida por valores muit o maiores, alterados de forma irregular. Além de contabilizar os lucros por terem comprado as ações de sua carteira, a empresa fraudulenta capitalizava a diferença entre o valor inicial da compra e valor final da venda, já inflacionado.

Durante as transações, as vítimas das contas invadidas perderam US$600 mil em valores de mercado, enquanto a Broco - empresa que, aparentemente é composta por uma única pessoa, e é dirigida por Valery Maltsev, arrecadou US$ 255 mil em ganhos ilícitos durante o mesmo tempo.

Ainda de acordo com a Wired, pelo menos 200 mil ações foram compradas e vendidas através Broco ou da Scottrade, empresa que teve suas carteiras pessoais invadidas, permitindo que a Broco alavancasse o valor de suas ações, aumentando ainda mais os lucros.

A SEC afirmou que a fraude fez a empresa arrecadar mais de US$140 mil em apenas 15 minutos.

Valery Maltsev, ainda não foi encontrado para dar sua versão dos fatos e as vitimas do golpe ainda não foram informadas sobre uma possível devolução do dinheiro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ação da OSX sai a R$800 e empresa levanta R$2,82 bi com IPO

A empresa de equipamentos e serviços para a indústria de petróleo OSX, do bilionário Eike Batista, venderá ações em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) a 800 reais cada, exatamente em linha com o previsto após a revisão para baixo do preço sugerido.

Com a operação, que envolve 3,5 milhões de ações ordinárias, a companhia está captando 2,82 bilhões de reais, menos de um terço da previsão inicial de até 9,92 bilhões de reais. Os especialistas acreditam que a mudança de preço e volume no IPO apenas refletiu a decisão dos investidores de não pagar mais um ágio tão elevado por uma empresa com patrimônio líquido muito pequeno e previsões de faturamento calcadas apenas em projetos.

A OSX defende no prospecto de oferta das ações ter como vantagem a demanda inicial de 48 unidades de produção, nos próximos dez anos, por parte da OGX, empresa de exploração de petróleo do grupo EBX, de Eike Batista. Os projetos teriam um custo de quase 30 bilhões de dólares e seriam apenas uma mostra de como a sinergia entre as empresas do bilionário podem impulsionar o estaleiro.

Essa interdependência entre as companhias, porém, é justamente um dos fatores de risco capazes de azedar os planos de Eike. A própria OGX, estrela do grupo, também se baseia em projetos grandiosos, mas sem sinais mais concretos de que podem sustenta uma concorrente à altura das gigantescas empresas do setor.

Outra preocupação é com possíveis conflitos de interesse entre as próprias empresas do grupo. Caso a OGX se veja implicitamente obrigada a comprar sempre da OSX, pode perder eficiência. Por outro lado, se a OGX deixar de comprar da OSX, pode inar a base do projeto da OSX e sinalizar a falta de confiança da empresa numa parceira do próprio grupo.

JBS anuncia acordo para aquisição da Rockdale Beef

O frigorífico JBS anunciou nesta sexta-feira que fechou, por meio de sua subsidiária Swift Austrália, acordo para potencial aquisição da australiana Rockdale Beef.

O comunicado da empresa não fornece detalhes sobre o valor da aquisição.

De acordo com o JBS, a Rockdale Beef possui uma operação de carne bovina integrada através de fazendas, confinamentos, fábrica de ração e frigorífico.

Situada em Nova Gales do Sul, a Rockdale tem capacidade de abate de 200.000 bois por ano, combinada com uma capacidade de confinar mais de 50.000 bois simultaneamente, informou o comunicado.

A conclusão da operação está sujeita à aprovação pelas autoridades competentes. O Rothschild está assessorando o JBS. na operação, segundo o comunicado.

No início do mês, o grupo JBS, maior processador mundial de carne bovina, reportou lucro líquido de 127,9 milhões de reais no quarto trimestre, revertendo as perdas proforma de 53,2 milhões de reais nos últimos três meses de 2008.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Santander fará credenciamento de cartões para lojistas

O Banco Santander entrou no mercado de credenciamento de estabelecimentos comerciais para as bandeiras de cartões de crédito e débito. Em parceria com a empresa de tecnologia GetNet, o banco anunciou hoje o lançamento do Santander Conta Integrada, serviço que reúne produtos financeiros para lojistas e afiliação de estabelecimentos.

O banco vai oferecer ao lojista uma conta corrente integrada com o recebimento do dinheiro movimentado nas transações com cartões de crédito e débito. O estabelecimento também terá um terminal leitor (chamado de POS) que permitirá, além das transações com os cartões, a utilização de outros serviços, como pagamentos de contas.

O banco espanhol já tem licença para credenciar bares e restaurantes para a bandeira MasterCard. A Visa ainda tem contrato de exclusividade com a Cielo (antiga VisaNet) até o fim de junho. Mas a partir de 1º de julho, outras empresas poderão credenciar estabelecimentos para a bandeira americana. Na terça-feira, a Redecard anunciou que já está se preparando para isso.

Desemprego na Grécia dispara para o maior nível desde 2005

O desemprego na Grécia teve a maior alta em pelo menos 11 anos, ressaltando as dificuldades que Atenas enfrenta para reduzir o déficit orçamentário, enquanto os cortes de gastos do governo ameaçam prejudicar ainda mais a economia já em contração.

A taxa de desemprego grega subiu para 10,3% no último trimestre de 2009, de 7,9% no ano anterior.

Foi o maior nível de desemprego desde o primeiro trimestre de 2005, e a maior variação na base anual desde que a série de dados trimestrais começou, em 1998, indicando que o ritmo em que as pessoas estão perdendo seus empregos está acelerando.

O número de pessoas desempregadas na Grécia é de cerca de 514 mil pessoas, 31% a mais que há um ano.

A taxa de desemprego média nos 16 países da zona do euro ficou estável em 9,9 por cento em janeiro, enquanto o Reino Unido, um dos países europeus mais atingidos pela crise financeira global, registrou uma surpreendente queda no desemprego em fevereiro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Heineken promete ir para cima da AmBev

CEO mundial da cervejaria holandesa diz a EXAME que quer nada menos que a liderança do mercado brasileiro.

O CEO da Heineken, Jean-François van Boxmeer, 49, não se dá por contente quando olha para o mapa-múndi e vê a empresa espalhada por 172 países. Boxmeer tem dois objetivos: aumentar a presença do seu exército verde ao redor do globo e diminuir a força dos seus concorrentes. Em seus planos estratégicos, o Brasil ocupa um lugar de destaque. "Queremos a liderança no mercado brasileiro", revela ele ao Portal EXAME.

O primeiro passo para cumprir a missão de crescer na América Latina já foi dado no começo deste ano. Em janeiro, a cervejaria holandesa desembolsou 7,6 bilhões de euros para comprar a mexicana Femsa, dona da marca Kaiser no Brasil. A transação permitiu à Heineken se tornar mais independente do mercado europeu e mudar o seu foco para países como o México, o Brasil, o Chile e os Estados Unidos, onde Boxmeer calcula poder obter 25% dos seus lucros. Atualmente, essa proporção é de 11%. "Queremos aumentar a nossa exposição especialmente ao crescimento dos mercados emergentes", diz o executivo.

No Brasil, a missão da Heineken é espinhosa. A Femsa fechou o ano passado com participação de 7,6% no mercado brasileiro de cerveja, contra 11,8% da Petrópolis, 13,2% da Schincariol e 69,9% da AmBev. Para piorar, neste ano a Schincariol, fez um grande investimento na marca Devassa para posicioná-la como uma cerveja de massa e abriu negociações para a compra da Petrópolis.

Dentro do objetivo de galgar posições rumo ao topo, a cervejaria holandesa pretende consolidar o seu portfólio de bebidas - composto por Kaiser, Bavaria Clássica, Sol, Heineken e Xingu - e lançar novas marcas. "Enquanto não estivermos em primeiro lugar, não vamos descansar", garante o executivo. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao Portal EXAME.

Portal EXAME - Quais são as intenções da Heineken no mercado brasileiro?
Jean-François van Boxmeer - O Brasil é o segundo maior mercado mundial de consumo de cerveja, com 109 milhões de hectolitros por ano. Historicamente, já estamos bem posicionados no Brasil. Com a aquisição da Femsa, sem dúvida iremos nos estabelecer na segunda posição. Teremos oportunidades significativas de crescimento futuro. Além disso, a nossa expansão no mercado brasileiro diversifica ainda mais as nossas receitas e os nossos fluxos de receitas. Junto com a nossa presença maior no México, vamos aumentar a nossa exposição especialmente ao crescimento dos mercados emergentes. O nosso portfólio de marcas, na qual estão incluídas Kaiser, Bavaria Clássica, Sol, Heineken e Xingu, será uma plataforma forte para construir a nossa participação de mercado e rentabilidade no país.

Portal EXAME - O líquido da Heineken é muito mais agradável ao paladar europeu do que ao paladar brasileiro. Além disso, a cor verde da garrafa é diferente do nosso padrão de cervejas. Existe alguma estratégia para a Heineken se tornar preferência nacional?
Boxmeer - Estamos satisfeitos com a resposta forte que a marca Heineken tem obtido com os consumidores, tanto no Brasil como em outros países latino-americanos. Agora que adquirimos um forte portfólio de marcas nacionais e temos a oportunidade de alavancar a infra-estrutura da Femsa, estamos confiantes de que há excelentes oportunidades para expandir a marca Heineken no Brasil e aumentar ainda mais o seu apelo aos consumidores. Vamos investir pesado em vendas, nos nossos conhecimentos técnicos, nos nossos ativos de distribuição e nos nossos equipamentos de refrigeração nos pontos de vendas. Queremos a liderança no mercado brasileiro.

Portal EXAME - Mas, atualmente, a AmBev tem uma fatia de 70% do mercado brasileiro. Essa posição foi conquistada ao longo dos últimos anos, com a consolidação das marcas Bohemia, Skol e Antarctica, entre outras bebidas. Como a Heineken encara a dificuldade de enfrentar um concorrente peso-pesado no Brasil?
Boxmeer - A Heineken tem operações em mais de 172 países ao redor do globo. Somos o número um em diversas nações. Sabemos como chegar à liderança. E nos mercados onde somos o número dois continuamos a ver excelentes oportunidades para expandir a nossa participação e aumentar a nossa lucratividade. Garanto para você: enquanto não estivermos em primeiro lugar no Brasil, não vamos descansar.

Gol voltará a voar para Europa e EUA com voos fretados

Segunda maior companhia aérea brasileira sofria prejuízo anual de 500 milhões de reais por manter aeronaves no chão.

A Gol Linhas Aéreas já começou a fechar contratos com operadoras de turismo como a CVC para realizar voos internacionais fretados com destino às ilhas do Caribe, aos Estados Unidos (Orlando) e a alguns países da Europa como a Itália (Roma) e a Espanha (Madrid). A partir de julho deste ano, a segunda maior empresa de aviação no Brasil voltará a operar uma parte de sua frota de Boeing 767, adquirida com a compra da Varig há três anos.

Desde o ano passado, a Gol, está reformando quatro das cinco aeronaves intercontinentais que restaram do pacote dos 14 aviões herdados da Varig. Os Boeing 767 foram projetados originalmente com dois corredores para transportar cerca de 250 passageiros, contando com a classe executiva. A nova configuração terá cerca de dez cadeiras a mais, com classe única e acabamento semelhante ao modelo 737 da Gol, para atender a clientes que preferem bilhetes econômicos.

"Pretendemos reativar os Boeing 767 para fretamentos internacionais. Estamos negociando os contratos e, em seguida, entraremos com os trâmites burocráticos junto às autoridades pertinentes. Com esses voos, a empresa reduzirá custos, além de gerar receita", confirmou ao Portal EXAME Eduardo Bernardes, diretor comercial da Gol.

Só para a rota do Caribe serão sete voos charters (fretados) diários. Com isso, a Gol deverá faturar cerca de 250 milhões de reais por ano. Esse valor é apenas a metade do prejuízo que as aeronaves compradas da Varig - atualmente, encostadas num galpão - proporcionam para a companhia aérea. A expectativa é que a ampliação de rotas internacionais amortize os gastos da empresa com os Boeing 767 - algo em torno de 500 milhões de reais.

Em 2007, a Gol aproveitou as operações da Varig para lançar percursos para os Estados Unidos e para a Europa. Com baixas taxas de ocupação , no entanto, a empresa desistiu das rotas - deixando esse mercado praticamente só com a TAM e as companhias estrangeiras. Até o fim de 2009, a companhia aérea estava focada em voos domésticos e com destinos à América do Sul. Em janeiro deste ano, porém, a Gol, experimentou realizar alguns voos fretados para Cancun, no México. A iniciativa trouxe um saldo positivo para a empresa - e empolgou os executivos.

A estratégia, agora, é investir em voos sazonais para o exterior. Essa ação está atrelada à perspectiva da emergência da classe C no Brasil nos próximos cinco anos. A Gol. acredita que a procura por pacotes internacionais pela classe média deverá multiplicar. Por conta disso, a companhia aérea fechou uma parceria estratégica com a CVC, que oferece roteiros turísticos parcelados em até 10 vezes.

O acordo entre a Gol e a maior operadora de turismo da América Latina ganhou fôlego depois de janeiro deste ano, quando o fundo de private equity americano Carlyle anunciou a compra de 63,6% das ações da CVC. Outra operadora de viagens que já assinou contrato com a Gol é a Forma Turismo, voltada para jovens estudantes. A partir de julho deste ano, as duas empresas realizarão cerca de 30 fretamentos para Orlando, nos Estados Unidos. O propósito de vender barato e parcelado despertou o interesse do presidente da companhia aérea, Constantino de Oliveira Junior, que vê nos voos fretados internacionais uma oportunidade de aumentar a receita da sua empresa.

A Gol anunciou na semana passada que teve um lucro líquido de 397,8 milhões de reais no quarto trimestre de 2009. O resultado foi superior aos 541,6 milhões de reais apurados em igual período do ano anterior. A receita líquida da empresa cresceu 4,5%, para 1,617 bilhão de reais. O lucro operacional saltou 121,2%, para 119,2 milhões de reais. O lucro antes de impostos, juros, depreciação, amortização e arrendamento de aeronaves (Ebitdar, na sigla em inglês) somou 290,1 milhões de reais, com recuo de 2,2% sobre o quarto trimestre de 2008. A expectativa para 2010 é que o volume de passageiros seja 18% superior ao do ano passado.

OSX reduz faixa de preço por ação

A OSX, empresa de estaleiros do bilionário Eike Batista, reduziu a faixa estimativa de preço por papel em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) para de 800 reais a 1.333,33 reais, de acordo com o IFR, uma publicação da Thomson Reuters.

O intervalo original sugerido era de 1 mil reais a 1.333,33 reais. Considerando o preço máximo por ação e o total de ações nos lotes inicial, suplementar e adicional previstos originalmente, o giro financeiro da operação seria de 9,9 bilhões de reais.

Além disso, segundo o IFR, a OSX deverá diminuir o lote inicial de ações, composto por 5,5 milhões de papéis, mas ainda não está claro qual será a quantidade.

De acordo com o IFR, há rumores no mercado de que a OSX está tendo dificuldade em colocar a operação no mercado e que Eike teria indicado a compra de até 25 por cento das ações no âmbito da oferta, embora a informação ainda não tenha sido confirmada.

Durante duas semanas de apresentações sobre o IPO, a companhia percorreu o mundo todo, com quatro equipes se reunindo com investidores no Brasil, na América do Norte, na Europa e na Ásia, incluindo o Oriente Médio, onde foram feitos encontros com representantes de fundos soberanos.

O coordenador-líder da oferta de ações da OSX é o Credit Suisse.

terça-feira, 16 de março de 2010

IPO da OSX, de Eike Batista, levanta dúvidas

A maioria dos analistas e gestores de recursos com quem falei nos últimos dias tem a seguinte opinião sobre a abertura de capital da OSX, a quinta companhia do empresário Eike Batista a ir para a bolsa: o negócio é excelente, mas o preço por ação indicado no prospecto do IPO é alto demais. A estreia das ações no mercado está prevista para dia 19.

A OSX é uma empresa de construção naval, cujas receitas virão da construção de plataformas para companhias como a Petrobras e a OGX, também controlada por Eike. O setor está em plena expansão. Além disso, a empresa já fechou contratos para vender 48 plataformas para a “irmã” OGX. Isso conta a favor da companhia.

O problema é que, por enquanto, a OSX é um projeto. O estaleiro que vai fabricar as plataformas será construído em Santa Catarina, perto de Florianópolis. Ainda assim, o preço por ação pedido no prospecto do IPO é equivalente ao de concorrentes estrangeiras já estabelecidas. “É até difícil comparar a OSX internacionalmente porque ela ainda não produz nada”, diz um gestor.

O preço da ação da OSX ainda não está fechado: o período de reserva dos papéis termina amanhã e o preço será divulgado na quarta-feira. Isso significa que o valor poderá ficar fora da faixa indicada no prospecto, de 1 000 a 1 333,33 reais .

Eike Batista já abriu capital de quatro empresas: MMX (mineração), LLX (logística), OGX (petróleo) e MPX (energia). Com exceção da última, cuja ação está num preço inferior ao do IPO, as demais deram bons retornos aos investidores.

MPX vê reserva potencial de 1,74 bi de ton de carvão na Colômbia

A MPX, braço de energia do grupo EBX, anunciou nesta terça-feira que identificou recursos potenciais de 1,74 bilhão de toneladas de carvão na Colômbia após sondagens realizadas até o mês passado.

A companhia, do grupo controlado pelo empresário Eike Batista, afirmou em comunicado que a produção deverá começar em 2012 e poderá alcançar 15 milhões de toneladas anuais em 2021, com os recursos já identificados.

"O plano de negócios considera, ainda, que com a expansão da exploração para novas áreas, a produção deverá atingir 20 milhões de toneladas anuais", afirma a MPX em comunicado.

Laep ainda busca saída para ativos da Parmalat

A associação operacional com a GP Investimentos ainda não é a solução definitiva para os problemas da Laep, controladora da Parmalat. Na noite de domingo, o Leitbom (laticínio da GP) fechou um acordo com duas empresas da Laep para comprar matéria-prima, fabricar e distribuir em conjunto. Não se trata, por enquanto, de uma fusão.

Com essa parceria, o empresário Marcus Elias, controlador da Laep, pode melhorar a deficitária distribuição do seus produtos e aumentar a eficiência das suas fábricas, hoje ociosas. Mas ele ainda precisa encontrar uma saída para os ativos da Parmalat, que não foram incluídos no acordo com a GP, e resolver uma briga na Justiça com 250 produtores de Goiás. Desde o começo deste ano, o grupo cobra uma dívida de R$ 3,5 milhões.

Na manhã de ontem, alguns desses produtores iniciaram um protesto em frente à fábrica da Parmalat de Santa Helena de Goiás, bloqueando a entrada com suas caminhonetes. Representantes da empresa conseguiram acalmar os manifestantes, com a promessa de que na quarta-feira receberiam satisfações da diretoria. “Está ficando cada vez mais difícil controlar o pessoal”, diz Wesley Gonçalves, líder dos produtores de leite de Santa Helena de Goiás.

O acordo com a GP incluiu duas fábricas em São Paulo e uma em Minas Gerais, que pertencem aos laticínios Glória e Ibituruna. Mas deixou de fora justamente as fábricas onde a Laep tem problemas com produtores - além de Santa Helena, a Parmalat também enfrenta dificuldades em Itaperuna, no Rio de Janeiro. Na região, a empresa perdeu dois de seus principais fornecedores depois de ter atrasado pagamentos.

Sem tradição no setor, Elias sempre teve a intenção de vender os laticínios em algum momento. O problema é que, se desfazer os ativos da Parmalat, que ficaram de fora do acordo, não será uma tarefa simples. Como a empresa está em recuperação judicial, qualquer negociação de seus ativos depende de autorização de Justiça. A Parmalat ainda tem dívida de R$ 40 milhões sujeita à recuperação judicial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ações da Minerva sobem com rumor de compra pelo Marfrig

Newsletter a investidores veiculou a possibilidade de aquisição; Marfrig nega o negócio.

Uma informação veiculada pelo Relatório Reservado nesta segunda-feira impulsionou as ações da Minerva. Segundo a newsletter divulgada principalmente a investidores, o Marfrig estaria disposto a adquirir o frigorífico Minerva por um montante de até 1 bilhão de reais.

As ações da Minerva (BEEF3) subiam 4,46% às 11h19, sendo negociadas a 6,79 reais. Já os papéis do Marfrig (MRFG3) apresentavam uma alta de 1,45%, sendo vendidos a 21 reais.

O Marfrig, através de sua assessoria de imprensa, negou que esteja participando de conversas para a compra da Minerva e disse não estar participando de nenhum acordo semelhante com o frigorífico no momento. Procurada pelo Portal EXAME, a Minerva preferiu não comentar sobre o assunto.

O setor de carne bovina tem sido alvo de intensa consolidação nos últimos meses. No principal movimento do setor, o JBS-Friboi e o Bertin uniram suas operações. Já a principal aquisição do Marfrig foi a da Seara, do setor de aves.

A percepção do mercado é que a Minerva começou a ficar pequena diante do porte de seus principais concorrentes. Por esse motivo, ou a Minerva começa a comprar concorrentes em dificuldade ou também pode virar alvo de aquisição.

GP assume a Parmalat

Conforme Primeiro Lugar antecipou em fevereiro, a GP Investments, um dos maiores fundos de private equity do país, assumiu o controle das operações de leite da Laep, do investidor Marcus Elias. A GP, que já é dona do laticínio Leitbom, passa a ter 60%da nova empresa, que tem a Parmalat como principal marca. A Laep ficará com 40% da companhia, que por enquanto está sendo tratado pela GP como um “consórcio operacional”.

De acordo com fontes ouvidas por EXAME, o receito dos executivos da GP é que os passivos da Parmalat, que se encontra em recuperação judicial, possam contaminar seus negócios.

A Parnalat enfenta dificuldades desde que abriu seu capital, em 2007. Desde então Marcus Elias procura saídas. Desde o fim do ano a venda da operação ou de parte dela tornou-se inevitável. Elias chegou a acertar detalhes da venda para a JBS Friboi, da família Batista. Mas, pouco antes de fechar o negócio, uma divergência sobre valores provocou uma séria discussão entre os empresários e o negócio foi desfeito.

De acordo com as informações da GP, a associação ntre as duas empresas engloba a | Leitbom (companhia controlada pela), e as companhias Glória e Ibituruna (controladas pela Laep). Juntas, as empresas têm oito fábricas em quatro estados.

Batista, motivada por uma tentativa de mudança de preço de última hora, pôs fim às negociações.

A GP, que já controlava o laticínio LeitBom, reforça sua posição no setor com uma das marcas mais tradicionais de leites do mundo. O fundo deverá ficar com 60% das ações da empresa, enquanto a Laep, de Marcus Elias, manterá cerca de 40% de participação. A gestão ficará toda a cargo da GP.

Nem Laep, nem GP explicam como fica a parte da Parmalat que se encontra em recuperação judicial. De acordo com fontes ouvidas por EXAME, elias mantém essa parte problemática do negócio, bem como as fábricas de biscoitos, a Integralat (empresa de administração de fazendas) e a rede de sorveterias.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Juiz ordena Petrobras a pagar US$ 639 mi à Astra Oil nos EUA

Um juiz federal do Texas ordenou a Petrobras America Inc, o braço americano da estatal brasileira, a pagar mais de US$ 639 milhões à Astra Oil, confirmando uma decisão de 2009 de uma comissão de arbitragem.

A sentença, datada de 10 de março, confirmou uma decisão de abril de 2009 do Centro Internacional para Resolução de Disputas de que a Petrobras devia essa quantia à Astra Oil pela metade que cabia à Astra na refinaria Pasadena, com capacidade de 100 mil barris por dia, e uma parceria comercial.

A Astra é uma unidade da corporação belga Transcor Astra Group, segundo a sentença.

A Petrobras comprou uma participação de 50% na refinaria em 2006 por US$ 360 milhões. Porém mais tarde, as empresas discordaram sobre o ritmo de investimentos para ampliar a fábrica, e a Astra exerceu seu direito de colocar seu patrimônio à venda para a Petrobras.

No entanto, a Petrobras se recusou a reconhecer tal direito, e a disputa chegou ao comitê de arbitragem. O painel ordenou que a Astra transferisse seus direitos de propriedade aos ativos e que a Petrobras pagasse US$ 639,1 milhões.

A Astra cumpriu a ordem em abril do ano passado, enquanto a Petrobras contestou a sentença. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confirmou em Houston nesta semana que a estatal brasileira controlava 100% da refinaria.

O juiz americano Ewing Werlein se manifestou a favor da Astra e confirmou a sentença arbitral. Ele também ordenou a Petrobras a pagar os honorários do advogado da Astra, que ainda têm de ser apresentados.

Brasil tem 18 bilionários na lista anual da 'Forbes'

O Brasil tem 18 pessoas ou famílias com fortunas acima de US$ 1 bilhão, segundo a tradicional lista anual da revista americana Forbes, divulgada na quarta-feira. O país tem o maior número de bilionários da América Latina. O brasileiro mais rico, segundo a Forbes, é o empresário Eike Batista, que ocupa a 8ª posição geral na lista, com uma fortuna estimada em US$ 27 bilhões.

Batista, proprietário de uma série de empresas no ramo de mineração e petróleo, é também o integrante da lista, com mais de mil nomes, cuja fortuna mais cresceu de um ano para o outro - US$ 19,5 bilhões a mais. Na lista do ano passado, ele também aparecia como o brasileiro mais rico, mas apenas na 61ª colocação geral. A relação de pouco menos de 800 bilionários contava com 13 brasileiros.

O empresário mexicano Carlos Slim, do setor de telecomunicações, ultrapassou o americano Bill Gates, fundador da Microsoft, e aparece neste ano pela primeira vez como a pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 53,5 bilhões. Esta é a primeira vez desde 1994 que a lista de bilionários da Forbes não é encabeçada por um americano. Apesar disso, os Estados Unidos ainda dominam amplamente a lista da revista, com 403 cidadãos do país com fortunas superiores a US$ 1 bilhão.

Recuperação

A lista deste ano traz 1.011 nomes de 55 países diferentes, indicando uma recuperação em relação ao ano passado, quando a crise econômica mundial havia enxugado a lista para 793 bilionários. Em 2008, a relação trazia 1.125 pessoas. Segundo a revista, a fortuna acumulada dos dez mais ricos da lista cresceu de US$ 254 bilhões para US$ 342 bilhões no último ano.

"A economia global está se recuperando", disse o editor-chefe da revista, Steve Forbes. "Os mercados financeiros também tiveram uma recuperação impressionante, principalmente nos mercados emergentes", afirmou.

Entre os dez primeiros da lista, há quatro bilionários oriundos de países emergentes - além de Slim e de Batista, aparecem os indianos Mukesh Ambani e Lakshmi Mittal, na 5ª e na 6ª posições, respectivamente.

Mesmo sem nomes entre os dez primeiros, porém, a China é o país com o maior número de bilionários após os Estados Unidos - 64. Se considerados também os bilionários de Hong Kong, são 89 os chineses da lista. Outro país emergente, a Rússia, aparece como o terceiro com o maior número de bilionários - 62.

Brasileiros

Os 18 brasileiros da lista da Forbes têm, juntos, uma fortuna de US$ 84,7 bilhões. O segundo da lista é Jorge Paulo Lemann, sócio da cervejaria belgo-brasileira InBev, com uma fortuna de US$ 11,5 bilhões. Ele aparece na 48ª posição na lista geral.

O terceiro brasileiro mais rico, na 64ª posição da lista, é o banqueiro Joseph Safra, com uma fortuna acumulada de US$ 10 bilhões. A família Steinbruch, dos grupos CSN e Vicunha, aparece na 136ª posição, com uma fortuna de US$ 5,5 bilhões.

Outros dois sócios da InBev aparecem sem seguida - Marcel Telles (152ª posição, fortuna de US$ 5,1 bilhões) e Carlos Alberto Sicupira (176ª posição, US$ 4,5 bilhões). Em seguida estão o banqueiro Aloysio de Andrade Faria (201ª posição, US$ 4,2 bilhões), Abílio Diniz, do grupo Pão-de-Açúcar, e Antonio Ermírio de Moraes, da Votorantim, ambos empatados na 316ª posição, com US$ 3 bilhões.

O banqueiro Moise Safra aparece na 421ª posição, com US$ 2,3 bilhões, e é seguido por Elie Horn, da imobiliária Cyrella (437ª posição, US$ 2,2 bilhões), Antonio Luiz Seabra, da Natura (437ª posição, US$ 2,2 bilhões), Guilherme Peirão Leal, também da Natura (463ª posição, US$ 2,1 bilhões) e Rubens Ometto, da produtora de álcool e açúcar Cosan (463ª posição, US$ 2,1 bilhões).

O sino-brasileiro Liu Ming Chung, radicado em Hong Kong, da empresa de papel Nine Dragons está na 582ª posição, com US$ 1,7 bilhão. A lista ainda conta com João Alves de Queiroz Filho, da Hypermarcas (616ª posição, US$ 1,6 bilhão), Jayme Garfinkel, da seguradora Porto Seguro (828ª posição, US$ 1,2 bilhão) e o banqueiro Julio Bozano (880ª posição, US$ 1,1 bilhão).

O Brasil é o país com o maior número de bilionários entre os 37 latino-americanos da lista. O México vem em seguida, com nove bilionários. O Chile tem quatro bilionários na lista, entre eles o presidente eleito, Sebastián Piñera, que toma posse nesta quinta-feira. Ele tem uma fortuna estimada em US$ 2,2 bilhões e aparece em 437º lugar. A Venezuela e a Colômbia têm dois bilionários cada na lista. A Argentina tem apenas um.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Kepler Weber vende o maior silo para grãos do Brasil

Duas unidades com capacidade para 18 mil toneladas de grãos foram vendidas para empresa mineira.

O Grupo Kepler Weber, líder de mercado no segmento de armazenagem de grãos, fechou a venda de dois silos de 18 mil toneladas para a NovaAgri, empresa de armazenagem e escoamento agrícola. Os silos serão os maiores já construídos no Brasil.

A unidade da NovaAgri está localizada em Pirapora (MG), um dos maiores corredores de escoamento da safra brasileira. É estimado que a partir de 2013 devam passar pelo município mais de dois milhões de toneladas de grãos ao ano.

Os dois silos contarão com o auxílio de um secador de grãos, uma máquina de pré-limpeza, e transportadores de alta velocidade para a movimentação da produção. A entrega da obra deverá ser feita até o final de março.

Oitavo mais rico, Eike começou carreira vendendo seguros

O empresário brasileiro Eike Batista, 52 anos, nascido em Governador Valadares (MG), que emplacou o posto de oitavo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, começou sua vida profissional vendendo apólices de seguros de porta em porta.

Isso foi na Alemanha, em meados da década de 70, quando Eike Batista cursava engenharia metalúrgica na Universidade de Aachen.

Não que ele precisasse disso para se manter. Seu pai, Eliezer Batista, foi presidente da Vale. Mas Eike gostava da idéia de tentar se manter independente financeiramente.

Devido à carreira do pai, de quem herdou o perfil empreendedor e o gosto pelo setor de mineração, passou o início da adolescência em países como Suíça, Alemanha e Bélgica.

Depois de formado, voltou ao Brasil na década de 1980 e começou a trabalhar com ouro e diamantes. Tornou-se o principal executivo da canadense TVX Gold - empresa listada no Canadá e que propiciou o início do relacionamento com o mercado de capitais global.

Na década de 1990, iniciou a diversificação dos seus negócios e buscou empreendimentos fora do país, concentrando-se posteriormente na América Latina.

Depois dessa fase, porém, preferiu concentrar os esforços da EBX, a holding que congrega várias empresas, no Brasil, na crença de que o país "é um dos melhores lugares do mundo para se fazer negócio".

Entre 2004 e 2008 o empresário criou, estruturou e abriu o capital das empresas MMX (mineração), MPX (energia), OGX (petróleo) e LLX (logística), levantando vários bilhões de dólares junto a investidores brasileiros e estrangeiros para investir no desenvolvimento dessas companhias.

A próxima empresa prevista para ir para a bolsa será a OSX, dedicada a construir grandes embarcações principalmente para o setor de petróleo. A empresa poderá captar até quase R$ 10 bilhões.

Antes de ficar conhecido como empresário, Eike ganhou exposição na mídia por se tornar o marido, e depois o ex-marido, da modelo e eterna musa do Carnaval carioca Luma de Oliveira.

Separado desde 2004, quando começou a aparecer mais na mídia, Eike é pai de dois filhos adolescentes, Thor e Odin.

Ele também é conhecido por ser um apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro, onde implementa projetos ecológicos e sociais. Atualmente, promove a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro.

Além de um dos patrocinadores principais da campanha do Rio de Janeiro pelas Olímpiadas, para a qual doou cerca de R$ 23 milhões, Eike foi notícia no mundo recentemente ao doar US$ 7 milhões para as obras sociais da cantora Madonna, recebida pelo empresário em visita ao Rio este ano.

Eike gosta de correr, nadar e de lanchas. Em 2006, completou as 220 milhas náuticas entre Santos e Rio de Janeiro com tempo recorde, a bordo da máquina Spirit of Brasil.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Plano de banda larga consumirá R$ 15 bilhões

Núcleo que coordena o Plano Nacional de Banda Larga apresentou um orçamento de R$ 15 bilhões para expandir o acesso a web no Brasil.

Os detalhes do plano foram exibidos, em Brasília, por representantes dos ministérios do Planejamento, Comunicações e Secretaria Especial da Presidência. De acordo com o projeto, serão necessários investimentos de R$ 15 bilhões entre 2010 e 2014 para levar banda larga a 4,6 mil municípios brasileiros e colocar uma conexão à internet em 75% dos lares nacionais.

Segundo o plano, o dinheiro virá de empresas privadas interessadas em investir no plano e de verbas públicas.

Uma das ideias em discussão é usar os recursos do Funtel, um fundo público que possui R$ 10 bilhões em caixa e arrecada R$ 1 bilhão por ano das teles.

De acordo com o ministro da Comunicação Social, Frankin Martins, o governo admite diminuir os impostos que as teles pagam sobre serviços de internet para baixar o custo para o consumidor final. A meta é criar pacotes de 1 Mbps por R$ 10 em algumas regiões do país.

O formato do plano ainda é desconhecido e opõe interesses das teles e de alguns servidores do governo federal. A principal controvérsia é a criação de uma estatal para oferecer banda larga, a Telebrás.

Parte do governo avalia que a estatal poderia "romper" um suposto oligopólio das teles e criar uma competição de verdade entre serviços de banda larga.

Outra parte, porém, avalia que recriar uma estatal forte seria um retrocesso e que há mais eficiência econômica em ceder as redes públicas para as teles privadas. Nesse modelo, a Telebrás atuaria como uma gestora da rede de fibras ópticas públicas, que seriam comercialmente exploradas por empresas privadas.

Ao todo, o governo possui 23 mil quilômetros de fibras ópticas ociosas. Cerca de 16 mil quilômetros foram obtidos, pelo Governo, na Justiça, da Eletronet, empresa que faliu no início dos anos 2000. Além disso, redes de estatais como a Petrobras completariam os 23 mil quilômetros iniciais.

A partir daí, o governo expandiria a rede para 31 mil quilômetros, além de criar redes móveis sem fio para ligar os limites da malha de fibra óptica até os pontos mais afastados do país, como a Amazônia, o interior do Nordeste e Centro-Oeste.

Um projeto final será apresentado somente em abril. Antes, o governo havia prometido exibir o projeto em fevereiro e, depois, março. O projeto, assinado pelo presidente Lula, será ainda enviado ao Congresso para debates.

O Plano Nacional de Banda Larga será anunciado como parte do PAC 2, em meio a outras obras de infraestrutura no país.

Segundo o governo, a meta inicial de levar banda larga a 2 mil novas cidades este ano já foi reduzida para 300 municípios. As medidas mais audaciosas serão realizadas em 2011, 2012, 2013 e 2014.

Meirelles discutirá futuro com Lula e PMDB para bater martelo

SÃO PAULO (Reuters) - A ansiedade do mercado financeiro sobre o futuro de Henrique Meirelles deve continuar alta nos próximos dias já que, segundo uma fonte do governo, embora sejam grandes as chances de que ele deixe o comando do Banco Central, a decisão ainda depende de conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do PMDB.

As conversas com Lula e dirigentes peemedebistas não ocorreram nos últimos dias porque Meirelles estava fora do país, cumprindo agenda nos Estados Unidos e na Suíça.

Os caciques goianos do partido gostariam de ter Meirelles candidato ao Senado. O prefeito Iris Rezende, provável candidato do PMDB ao governo estadual, seria um dos mais interessados nessa opção, para fortalecer sua posição, com uma participação mais ativa de Lula e da candidata do PT à Presidência, a ministra Dilma Rousseff, na sua campanha.

Mas se decidir mesmo por deixar o BC, Meirelles não precisaria nem declarar de imediato para qual cargo pretende concorrer. Mesmo porque, a outra opção, ocupar a posição de vice na chapa liderada por Dilma, é bastante complicada.

No Planalto, mesmo os que defendem uma chapa Dilma-Meirelles veem a possibilidade com grande dose de pragmatismo. Esse grupo sabe que a possibilidade só se concretizaria caso o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), principal cotado para ser vice na chapa, ficasse inviabilizado.

Segundo uma fonte do próprio partido disse à Reuters, com o cenário atual, o lugar de Meirelles no jogo sucessório da Presidencia ainda é no "banco de reservas".

A mesma fonte confirmou que, caso Meirelles deixe o comando da autoridade monetária, a opção natural para substituí-lo é o diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC, Alexandre Tombini.

O nome do diretor vem sendo comentado entre analistas como possível sucessor desde que se abriu a possibilidade de Meirelles disputar as eleições deste ano.

A inquietação do mercado sobre esse assunto, principalmente no segmento de juros futuros, ressurgiu nesta quarta-feira após a revista IstoÉ Dinheiro publicar em seu site, sem citar fontes, que Meirelles deixará a presidência do BC no próximo dia 31. Procurada pela Reuters, a assessoria do BC disse que a instituição "não comenta boatos".

A Espanha vai ser a nova Grécia?

Enquanto as grandes economias da Europa começam a vislumbrar uma luz no fim do túnel após a crise, os espanhóis parecem a cada dia cavar mais rumo ao fundo do poço.

Um certo mal humor crônico e o espírito de resignação diante de reveses em série parecem tão gravados na identidade espanhola quanto o flamenco e os quadros de Picasso. No futebol, ficaram para a história das Copas do Mundo os vexames da Fúria, como é conhecida a esquadra nacional, que entrou muitas vezes na competição como favorita para depois fracassar miseravelmente. "Jugamos como nunca y perdiemos como siempre", cravou um dos maiores diários esportivos espanhóis após mais uma eliminação da seleção nos gramados. Um tipo de frustração semelhante repete- se agora na economia. No final da década de 90, a Espanha, beneficiada pela adesão à União Europeia, engrenou uma impressionante marcha de desenvolvimento, deixando a segunda divisão do Velho Continente para se tornar um exemplo de superação e de modernidade a ser copiado por outros países. Por mais de uma década, cresceu a uma taxa média acima de 3% ao ano, índice considerado excelente para uma economia de mais de 1 trilhão de dólares. As multinacionais espanholas, como a Telefónica e o Santander, cresceram vertiginosamente, as taxas de desemprego despencaram e a situação fiscal do governo fazia inveja a franceses e britânicos. Como saldo desse período brilhante, a Espanha saiu da 11a posição para se tornar a nona economia mundial.

A crise financeira global acabou com a festa no país. Acostumado a ouvir elogios por manter um crescimento sustentado nos últimos 30 anos, o reino de Juan Carlos I agora corre para provar para o mundo que não é a próxima Grécia. Enquanto a maior parte dos europeus já começa a ver uma luz no fim do túnel - isso apesar dos crescentes temores em relação à sustentação do euro -, a Espanha parece a cada dia cavar mais rumo ao fundo do poço. Esse descompasso ficou claro com a recente divulgação dos resultados econômicos europeus do último trimestre de 2009. Depois de um ano de quedas sucessivas no PIB, seus principais motores puderam apresentar números positivos, ainda que modestos. A Alemanha teve crescimento zero, mas já vinha de uma melhora de 0,4% e 0,7% nos trimestres anteriores. A França e o Reino Unido conseguiram respirar, com crescimentos de 0,6% e 0,1%, respectivamente. Nessa corrida pela recuperação econômica, os espanhóis ficaram para trás: apresentaram contração de 0,1% de seu PIB, sendo a única entre as maiores economias do mundo a ficar no vermelho - a taxa para o ano de 2009 foi de 3,6% negativos.

A crise produziu um déficit de 11,5% - o mais alto desequilíbrio nas contas públicas na história da Espanha - e jogou 4 milhões de pessoas para a zona de desemprego, o equivalente a 19,5% da população economicamente ativa. Menos emprego, menor o consumo interno, que caiu 0,6% em 2008 e mais 6,4% em 2009. No final de fevereiro, cerca de 200 000 pessoas protestaram nas ruas das maiores cidades espanholas - Madri, Barcelona e Valência, entre outras - contra a reforma da previdência, principalmente no que diz respeito à elevação da idade mínima de aposentadoria, de 65 para 67 anos, um projeto de emergência encaminhado pelo governo para aliviar as contas públicas. A popularidade do primeiro-ministro José Luis Zapatero bateu recorde negativo e está em 33%, a mesma de George W. Bush em seu último ano na Casa Branca.

O grande motor do boom vivido nas últimas décadas foi o setor da construção civil, responsável por cerca de 10% do PIB nacional. Em 2007, o país já contava com 23 milhões de residências - uma para cada dois habitantes. As casas eram compradas à base do endividamento da população e o mercado aquecido levou a uma sobrevalorização nos imóveis de até 30% em um único ano. Com a chegada da crise financeira mundial, as vendas no setor caíram 47% em dois anos, alcançando seu nível mais baixo na década. Se não bastasse o terremoto que se abateu sobre um dos setores vitais de sua economia, a Espanha ainda tem uma série de agravantes que dificultam a recuperação. Os salários, por exemplo, são regidos por um complicado e rígido sistema que só pode ser alterado após negociações entre o poder central, as regiões autônomas e os sindicatos.

A tendência dessa complexa engrenagem nos últimos anos foi valorizar os salários. Mesmo com o país mergulhado na crise, um acordo anunciado no início de fevereiro já garantiu um aumento aos trabalhadores entre 1% e 2,5% para os próximos dois anos, dependendo do setor. Os custos para demitir um funcionário chegam a 45 dias de salário por ano de empresa, o que desestimula contratações. Numa tentativa de reduzir esse problema, a Espanha liberou na última década contratos temporários para jovens sem experiência. A medida permitiu a criação de muitos empregos, mas nenhuma empresa quis investir no treinamento de seus temporários, matando a produtividade. Enquanto os salários aumentaram em média 3,3% ao ano entre 1999 e 2007, a produtividade caiu 0,6% ao ano no mesmo período.

Esse conjunto de problemas amarra a economia espanhola e impede que o país tenha qualquer perspectiva de retomada num futuro próximo. "Enquanto a zona do euro vai crescer 1,5% em 2010, o PIB da Espanha deve encolher 1,5%", diz Ben May, economista da consultoria inglesa Capital Economics. "A retomada só deve ocorrer em 2011, na melhor das hipóteses." É unanimidade entre economistas que os principais pontos que o governo Zapatero precisa atacar são a política de salários, as garantias trabalhistas (principalmente os custos de demissão) e a previdência - todas medidas altamente impopulares. Nos salários, por exemplo, Zapatero já prometeu não mexer. E tenta costurar um acordo suprapartidário para reformar a previdência, mas a oposição se mostra resistente em assumir o compromisso às vésperas das eleições regionais. O primeiro-ministro precisa também dobrar os fortes sindicatos. Como se fosse pouco, tem ainda de convencer as regiões autônomas a cortar seus gastos, já que o governo central só tem autoridade sobre 20% do orçamento nacional.

A entrada da Espanha na União Europeia, em 1986, trouxe várias vantagens para o país. A mais visível foi o investimento no desenvolvimento da infraestrutura. Igualmente importante foi a exigência de uma disciplina contábil e fiscal. Em um país tão desacostumado com o rigor nas contas, o setor público passou rapidamente de uma situação de déficit a uma de superávit. A adesão ao euro, em 1999, trouxe consigo a taxa de juro única para os países que adotaram a moeda, tornando o dinheiro muito barato para as empresas e para a população, o que fez o consumo explodir. Agora, em um momento de crise, pertencer ao clube não parece tão vantajoso. Um remédio clássico para o problema do buraco nas contas é a desvalorização da moeda - coisa de que até os Estados Unidos lançaram mão recentemente - para reduzir a dívida e aumentar sua competitividade. Mas sem o controle do euro, essas "soluções" estão descartadas. Enquanto isso, países como Alemanha e França já se perguntam se vale a pena continuar usando o euro sob o risco de ser arrastado para uma crise que não é sua e, pior, gastar o próprio dinheiro conseguido com o trabalho de sua população e a rigidez de sua contabilidade para salvar "coirmãos" irresponsáveis. No campo dos vizinhos encrencados, não há nada igual no momento à Grécia e sua dívida equivalente a 120% do PIB. "A Espanha não vai quebrar, mas precisa de um choque de realidade", afirma o economista e cientista político espanhol José Ramon Pin, da escola de negócios Iese, de Madri, uma das mais prestigiadas do país. "Os espanhóis se comportam como a pessoa que se endivida para sair de férias, se diverte como um rei, mas não tem como pagar o cartão de crédito na volta. Não há saída milagrosa, é preciso poupar e trabalhar."

terça-feira, 9 de março de 2010

Dilma diz que Petrobras vai investir R$ 85 bi este ano

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje, em discurso durante evento no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que a Petrobras vai investir R$ 85 bilhões em 2010. Pelo plano de investimentos da estatal, que está passando por revisão em seus valores, seriam investidos US$ 174,4 bilhões entre 2009 e 2013, o que representaria aproximadamente R$ 62 bilhões por ano (taxa de câmbio de R$ 1,78 por dólar).

Até o final do terceiro trimestre de 2009, os diretores da estatal informaram que o valor seria superado no primeiro ano do plano, mas não informaram ainda qual foi o total investido no ano passado porque a divulgação do balanço financeiro da estatal foi adiada, em data ainda não definida.

O valor de investimentos para este ano foi citado pela ministra quando ela comentava sobre o crescimento da Petrobras, ao longo dos últimos anos. "Eu tive a honra de ser convidada pelo presidente Lula para ser a presidente do Conselho da companhia desde meu primeiro dia no governo e pude acompanhar esta evolução. A Petrobras. não estava bem colocada e saltou para a segunda colocação no mundo", citou a ministra.

Ela destacou diretamente a conduta do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, que não estava no evento, como fundamental para que este salto ocorresse. "Isso não aconteceu nem por acaso nem por sorte. A posição de política firme do presidente da Petrobras definiu que a companhia primeiro ia contratar no Brasil todas as máquinas que pudesse. Uma plataforma custa mais de US$ 2 bilhões. Estes US$ 2 bilhões eram contratados lá fora e com eles, todos os empregos que poderiam ser gerados aqui", disse.

Daslu estuda entrar em recuperação judicial

A empresa já contratou o advogado que cuidou da recuperação da Parmalat para assessorar no processo.

A butique de artigos de luxo Daslu, da empresária paulista Eliana Tranchesi, estuda entrar em recuperação judicial. A empresa contratou o advogado Thomas Felsberg, um dos maiores especialistas brasileiros na Lei de Falências, para assessorá-la. Feslberg conduziu casos famosos como o da recuperação judicial da Parmalat, da companhia aérea BRA e da trading agrícola Agrenco. Procurado pela reportagem, Felsberg não quis se pronunciar.

A empresa vem buscando uma solução para os problemas financeiros que enfrenta há cerca de um ano e a recuperação judicial é neste momento a solução mais provável a ser adotada. Em março do ano passado, a Daslu entrou numa crise de reputação com a prisão de sua proprietária Eliana Tranchesi, condenada a 94 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. A sentença foi resultado da operação Narciso, desencadeada pela Polícia Federal em julho 2005, e incluiu ainda o irmão de Tranchesi, Celso de Lima, dono de uma das importadoras envolvidas no esquema fraudulento. Desde então, além da dívida fiscal, a empresa passou a lidar com queda nas vendas e problemas de caixa. Circula no mercado a informação de que, nos últimos meses, a Daslu teria interrompido o pagamento a fornecedores e estaria com problemas para honrar o aluguel de um dos imóveis que ocupa em São Paulo, o que reforçaria a urgência de um plano de resgate financeiro da empresa. Procurada por Exame, Eliana Tranchesi não quis dar entrevista e se limitou a negar, por meio de sua assessoria de imprensa, que a empresa vá entrar em recuperação judicial.

A idéia é que o processo envolva apenas uma das duas lojas da marca em São Paulo, a chamada Villa Daslu. A loja do shopping Cidade Jardim, que formalmente funciona como uma empresa à parte e está livre de complicações fiscais, seria vendida. Ainda não surgiram, no entanto, propostas firmes de compra da empresa. Desde o fim do ano passado, Tranchesi vinha mantendo conversas com a Inbrands, empresa de moda controlada por ex-sócios do banco Pactual e dona de marcas como Ellus, Isabela Capeto e Alexandre Herchcovitch. As negociações, porém, não avançaram. Uma outra hipótese, menos provável, é que Eliana Tranchesi consiga atrair um investidor apenas financeiro e, com capital novo, consiga se manter à frente do negócio.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Hypermarcas desembolsa R$ 179 milhões em duas novas aquisições

A Hypermarcas anunciou na noite de domingo a aquisição da fabricante e distribuidora de hastes flexíveis, curativos, absorventes e algodões York, por 100 milhões de reais, e da empresa do segmento de higiene bucal Facilit, por 79 milhões de reais.

Conforme documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o pagamento pelos ativos da York será feito à vista e inclui todo o parque industrial da companhia.

Já o negócio com a Facilit prevê o pagamento de 60 por cento à vista e o saldo remanescente em cinco parcelas iguais, anuais e sucessivas.

O acordo com a Facilit inclui uma planta industrial em Santa Catarina.

Ficou mais fácil declarar ganhos com ações

Receita fecha o cerco sobre a sonegação em bolsa, e corretoras começam a oferecer serviço que ajuda o investidor a calcular o valor devido.

Declarar o Imposto de Renda sobre os ganhos obtidos em bolsa de valores sempre foi um tabu no Brasil. Por absoluta falta de hábito, muitos aplicadores não sabem nem que cabe a eles mesmos calcular e pagar mensalmente o IR, já que, quando decidem investir em outras aplicações bastante populares, como fundos, clubes ou Tesouro Direto, esse imposto já fica retido na fonte. Além disso, outras aplicações como a caderneta de poupança oferecem isenção de IR, o que contribui para aumentar a percepção de que ganhos financeiros não estão sujeitos à mordida do Leão. Para piorar, até muito pouco tempo atrás, a própria Receita Federal não se preocupava em investigar quem sonegava o IR sobre os ganhos com ações, alimentando a cultura da sonegação.

"Mas isso começou a mudar nos últimos cinco anos", afirma Meire Bonfim Poza, contadora da Arbor Contábil. "Os auditores da Receita já começaram a fechar o cerco contra os sonegadores da bolsa". Atualmente, até mesmo os pequenos investidores vêm sendo chamados a dar explicações sobre suas operações com renda variável. Na maioria dos casos, os problemas com o Leão são gerados não por má-fé, mas pela falta de conhecimento sobre como manter seus impostos em dia.


Com o objetivo de fidelizar os clientes, algumas das maiores corretoras brasileiras decidiram ajudá-los a atender as regras do Fisco. Entre as principais iniciativas, estão a disponibilização de uma calculadora que automaticamente calcula o imposto devido e já preenche o documento de pagamento, a Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). Em geral, os clientes precisam pagar pelo serviço, mas vale lembrar que a legislação só obriga as corretoras a apresentar a seus clientes um resumo das operações realizadas. O cálculo do IR a ser pago sobre os ganhos com essas transações cabe ao próprio investidor.

Em geral, chegar a esse valor pode ser bem simples. Sempre que vender mais de 20.000 reais em ações em um mês, o investidor terá de calcular o ganho líquido com essas operações e recolher aos cofres do governo 15% desse valor no mês seguinte. Mas há diversos complicadores. Muitos investidores realizam dezenas de operações por dia. Em casos de day trade (compra e venda de ações no mesmo dia), a alíquota sobe para 20%. Operações com contratos futuros e derivativos negociados na BM&FBovespa ou no mercado a termo também estão sujeitos ao pagamento do IR. Perdas financeiras em um mês podem gerar créditos tributários usados para abater o imposto devido no mês seguinte. São esses e outros complicadores que levam muita gente à malha fina.

Calculadoras do IR

Braço da BM&FBovespa, o Sistema Integrado de Administração de Corretoras (Sinacor), que auxilia na execução de processos administrativos das instituições participantes do mercado, desenvolveu um software próprio para ajudar na declaração do IR. Ele faz a apuração dos resultados através do armazenamento das operações e do cálculo do preço de aquisição e do lucro ou prejuízo. A calculadora do Sinacor pode ser adquirida por pessoas físicas, mas quem tem tomado a iniciativa de comprar o software e disponibilizá-lo para facilitar a vida do cliente são as próprias corretoras - cerca de 50 delas contratam o serviço.

Outra empresa que desenvolveu uma calculadora utilizada por outras instituições é a Mycapital. Através de um contrato de serviços, corretoras como a Ativa pagam pelo uso do sistema e o repassam a seus clientes, de quem cobram uma taxa de 50 reais mensais ou 300 reais anuais. Além deste serviço, a Ativa atua no sentido de educar seus clientes, realizando um atendimento a dúvidas sobre o IR a cada terça-feira, além de oferecer um chat online sobre as obrigações com o Leão.

Já a Gradual Investimentos possui um grande setor destinado exclusivamente à educação de seus clientes sobre tributação. Segundo o gerente de produtos da corretora, Stelio Belchior, além de um hotsite com informações sobre IR - que contém blogs, vídeos e chats semanais -, a empresa também realiza palestras para seus investidores e seus funcionários e realiza o cálculo e preenche o Darf para os clientes com maiores montantes em aplicação com a instituição. Esse serviço será cobrado, mas a corretora diz que ainda não há uma previsão de valor. Outras duas corretoras que prometem lançar serviços semelhantes nos próximos dias são a Icap e a Ágora.

De acordo com corretoras, contadores e especialistas, o maior problema na hora de apresentar a declaração à Receita através dos serviços prestados pelas corretoras é no caso de o cliente possuir investimentos em mais de uma instituição. Algumas vezes os clientes também trocam de corretora durante o período em que manteve determinada posição. Nesses casos, não é possível calcular o IR que deverá ser pago e já preencher a Darf automaticamente porque uma única corretora não terá dados suficientes para somar os ganhos e perdas de todas as transações para chegar ao valor do imposto devido. Por isso, o sistema desenvolvido pela carioca XP Investimentos prevê que o próprio cliente preencha a Darf nesses casos. A corretora, que cobra os mesmos valores da Ativa pelo serviço, é bastante conhecida no mercado por investir na educação financeira de seus clientes - e inclui esclarecimentos sobre o pagamento do IR em seus cursos.

Por que não declaram?

O cerco da Receita aos sonegadores da bolsa já pode ser medido em números. No ano passado, aproximadamente 100.000 das 160.000 adesões ao Refis (o programa de recuperação fiscal do órgão) foram de pessoas físicas que obtiveram algum ganho de capital com renda variável, deixaram de pagar o imposto devido e depois buscaram acertar as contas com o Leão. O professor Osvaldo Nascimento, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, lembra que a cultura de investimentos de pessoas físicas na Bolsa é recente e cresceu muito rápido. "Houve uma disseminação indiscriminada de aplicações, mas não houve disseminação sobre as obrigações ao se investir no mercado", lamenta.

A BM&FBovespa, que realiza todas as operações com ações no Brasil, não assumiu a responsabilidade pelo cálculo do IR dos clientes nem se mostrou muito ativoaem esclarecer os investidores sobre as regras da Receita. Recolher o imposto sobre as ações na fonte também seria tarefa impossível, na opinião do professor Nascimento. Segundo ele, o fisco só recolhe uma alíquota de 0,005% na hora da operação para saber qual o volume está sendo movimentado por cada investidor e posteriormente ter como fiscalizá-lo. No entanto, o montante a ser pago ao Fisco só pode ser calculado após o fechamento do mês, o que inviabiliza a tributação na fonte.

A Receita Federal ainda enfrenta a falta de auditores fiscais suficientes com conhecimento sobre o assunto para dar conta da enorme quantidade de pessoas que passaram a ter investimentos na Bovespa e na BM&F na última década. "Este boom nos mercados é recente e a quantidade de auditores especialistas em renda variável é quase a mesma de antes, quando eram poucos contribuintes", explica Nascimento.