sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Brasil Foods pode comprar frigorífico Independência

A Brasil Foods (BRFoods), resultado da fusão entre as empresas de alimentos Sadia e Perdigão, tem interesse em comprar o frigorífico Indepência depois que este reestruturar sua dívida, segundo informou o site IFR, da agência de notícias Thomson Reuters.

De acordo com o IFR, a BRFoods visa expandir a sua atuação na comercialização de carne bovina, já que em relação ao comércio de frango, a empresa já detém uma posição dominante.

Tendo em vista essa estratégia, o Independência seria um alvo fundamental, já que é um dos maiores exportadores de carne bovina do Brasil, com atuação em sete Estados brasileiros e no Paraguai.

Mesmo sendo referência no setor de carnes, a companhia não escapou dos impactos da crise econômica, que acarretaram uma queda excessiva no comércio global e a diminuição de preços na exportação acima da desvalorização da moeda brasileira.

O frigorífico pediu recuperação judicial no início de março deste ano. Atualmente, a empresa espera a decisão da assembleia geral de credores sobre o plano de reestruturação.
Na opinião do analista de mercado Juan Cruz, do banco britânico Barclays, mesmo que a operação entre Independência e Brasil Foods não se concretize, a indústria de alimentos vai continuar se consolidando.

Somente neste ano, além da união entre Sadia, e Perdigão, houve a compra da Seara pelo frigorífico Marfrig e a aquisição da Pilgrim´s Pride e do Bertin pela JBS Friboi. Para Cruz, o fato de o Independência estar em fase de recuperação judicial poderia viabilizar a venda para a Brasil Foods por um valor atrativo.

A Independência fará assembleia para avaliar recuperação.

Uma moeda que perdeu o brilho

Com a debilidade da economia americana, os investidores fogem do dólar e buscam lucros em outras moedas -- e o real virou a bola vez.

Pense num país em que o governo tem uma dívida enorme, o desemprego está em alta, os consumidores temem o futuro e as empresas não conseguem crescer. Num ambiente desses, a moeda local não para de perder força e passa a ser desprezada. Parece o Brasil do passado? Pois são os Estados Unidos do presente. A maior economia global vive sua pior fase em décadas. Como ocorre em qualquer mercado em que vigore a lei da oferta e da procura, a rejeição aos Estados Unidos pelos donos do dinheiro provoca uma forte depreciação do dólar. Nos últimos meses, investidores do mundo todo saíram em busca de ativos em moedas de economias emergentes. O rand, da África do Sul, o dólar australiano, o peso chileno e -- a mais valorizada das moedas emergentes -- o real brasileiro. A atração cresceu a tal ponto que, em meados de outubro, o governo criou um pedágio -- um imposto de 2% sobre movimentação financeira -- para o dinheiro que entra no país em busca de aplicações em renda fixa e na Bovespa. Decorridos poucos dias, já é evidente que a medida será incapaz de conter duas grandes tendências em relação ao Brasil. Uma delas é a de atração de mais capital. De janeiro a setembro, entraram 23 bilhões de dólares para aplicações em renda fixa e ações. A outra, decorrente da primeira, é o fortalecimento do real.
A própria escala da economia dos Estados Unidos faz com que medidas isoladas de países sejam inócuas para deter os movimentos cambiais globais. Os pacotes de socorro do governo americano injetaram 9 trilhões de dólares em bancos, seguradoras e empresas, cerca de seis vezes o PIB brasileiro. A máquina de impressão oficial forneceu um décimo desse total, fazendo a quantidade de moeda em circulação no país dobrar no período de 12 meses até setembro. Ao mesmo tempo, a crise levou o Federal Reserve, o banco central americano, a reduzir a taxa de juro básico a praticamente zero. O juro baixo e a maior abundância de dinheiro estimulam os investidores a tomar dólares emprestados para fazer investimentos em ativos cotados em outras moedas. Um dos destinos é o setor de commodities. O petróleo, por exemplo, subiu cerca de 80% num ano em que o consumo patinou. Outro alvo são aplicações em títulos de países emergentes, que rendem juros muito acima do americano -- no caso brasileiro, é possível auferir até 5% de lucro anual na renda fixa. "Isso faz com que o Brasil seja um sorvedouro de dólares", diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores. Ativos reais, como ações, imóveis e terras, também estão na mira de compradores estrangeiros. Esse afluxo gera temores de formação de bolhas no Brasil -- outra das razões alegadas pelo governo para tentar restringir a entrada de capital.

A atual fuga do dólar significa que a moeda americana deverá ceder totalmente o lugar de grande protagonista nas transações internacionais? Não é bem assim. Está claro que o mundo das finanças perdeu o equilíbrio que vigorou desde o fim da Segunda Guerra. Mas ainda não se sabe ao certo qual será a nova âncora financeira global. "Daqui a dez anos, o dólar não deverá ser mais tão importante quanto é hoje", afirma Jim O’Neill, chefe de pesquisas econômicas globais do banco Goldman Sachs. "Mas tem gente exagerando ao decretar sua morte. Ainda não existe nenhuma moeda que substitua o dólar." Alguns dos maiores entendidos no assunto, porém, começam a especular sobre como será este novo mundo.

Está em curso uma reconfiguração maior do capitalismo, na qual o Brasil é chamado a exercer um novo papel ao lado da China. "Já está na hora de envolver os chineses na criação de uma nova ordem financeira mundial", disse o investidor húngaro-americano George Soros, em entrevista recente ao diário inglês Financial Times. "E eu acho que o real, do Brasil, também deveria fazer parte do sistema."

A ascensão dos países emergentes, em especial de China, Brasil e Índia, é uma grande mudança estrutural. Isso já vinha ocorrendo antes da turbulência financeira que teve seu epicentro no estouro da bolha imobiliária americana. O que se tem visto nos últimos meses, com o mundo desenvolvido ainda atolado em problemas e a reação dinâmica nos emergentes, confirma a alteração de pesos. O sucesso obtido pela China, que superou as previsões apresentando crescimento anualizado de 8,9% no terceiro trimestre, é a maior evidência. Sua economia, agora com dimensão próxima de superar a do Japão como a segunda maior do mundo, se tornou determinante para o fluxo financeiro. Aqui termina o paralelo entre Brasil e China. Na avaliação dos especialistas, a política chinesa de câmbio fixo é o principal fator por trás da valorização do real e de outras moedas. O Brasil, assim como África do Sul, Austrália e Chile, mantém um regime de câmbio flutuante e de liberdade de movimento do capital. Já o valor do yuan, a moeda chinesa, é mantido artificialmente igual ao do dólar. Daí muitos produtores industriais brasileiros perderem vendas no exterior para similares chineses -- como é o caso dos calçados na Argentina. E, no mercado brasileiro, produtos chineses ganharem cada vez mais espaço.

A paridade do yuan é protegida por uma muralha da China -- seu banco central. A instituição conta com mecanismos que dificultam a entrada no país de recursos financeiros de curto prazo e compra implacavelmente os dólares que ultrapassam a barreira, impedindo a desvalorização da moeda e a perda de competitividade das exportações. Apenas na primeira metade deste ano, o BC chinês acrescentou mais de 180 bilhões de dólares a suas reservas, atualmente superiores a 2 trilhões de dólares. O modelo exportador que produziu esse resultado, porém, está em xeque. Ele foi o mesmo seguido com sucesso por países como Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. Um de seus pilares é justamente a política de câmbio sempre desvalorizado. Ocorre que nenhum dos países antecessores tinha tamanho para provocar maiores abalos. Mas a China vem desequilibrando a ordem vigente. Por isso estão subindo de tom no mundo as pressões para que os chineses revisem sua fórmula de crescimento econômico. A guinada, contudo, não deve ocorrer no curto prazo. "O modelo chinês atual não é mais viável como fonte de crescimento para os próximos 20 anos", diz o economista Paulo Pereira Miguel, da gestora de investimentos Quest. "Mas a saída desse modelo é uma transição lenta." O que se espera da China é que, gradualmente, deixe de focar tanto a exportação e desenvolva mais o mercado doméstico. Os prognósticos mais otimistas são de que os chineses comecem a desvalorizar sua moeda no ano que vem, quando sentirem que a superação da crise foi consolidada. A China aceitaria iniciar a mudança após alcançar três objetivos: voltar a crescer 10% ao ano, ver suas exportações aumentarem outra vez e assegurar que a inflação esteja controlada.

Se as mudanças na China são para médio e longo prazo, as da economia americana podem estar mais próximas, o que já daria um alívio para o real. Para isso, é preciso que a recuperação da maior economia do mundo se confirme. Os sinais, por ora, são dúbios. O déficit externo americano já melhorou. Caiu de 804 bilhões de dólares em 2006 para menos de 400 bilhões atualmente. Os americanos também estão diminuindo a compra de produtos de fora e exportando mais, para reduzir seu déficit comercial. Mas indicadores como preços no atacado e emissão de alvarás para construção mostram que a economia real ainda anda de lado. Isso significa que, para desgosto dos exportadores brasileiros, as coisas podem piorar antes de começarem a melhorar. Analistas não descartam que a cotação do dólar caia para até 1,50 real nos próximos meses. "Acredito que o dólar possa se enfraquecer ainda um pouco mais, mas dentro de 12 meses já terá recuperado um bocado de seu valor", diz O’Neill, do Goldman Sachs. "Por quê? Porque a grande melhoria recentemente iniciada na conta corrente americana irá continuar e, ao final de 2010, o Fed começará a sinalizar que a política monetária não poderá mais ser tão frouxa." Para decepção de muitos brasileiros, incluído o ministro da Fazenda, há pouco a fazer senão torcer para O’Neill estar certo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

KKR prepara desembarque no Brasil

O fundo de private equity americano Kohlberg Kravis Roberts (KKR), o quarto maior do mundo, se prepara para desembarcar no Brasil. John Pfeffer, um dos sócios da empresa, aumentou a frequência das viagens ao Brasil desde o começo de 2008. Antes, vinha duas vezes por ano. A partir de janeiro do ano passado, passou a ser visto por aqui a cada dois meses. "Gostaríamos de investir no Brasil ainda em 2009 ou, no máximo, em 2010", diz Pfeffer, que está aprendendo português há um ano. Hoje a única ligação do KKR com o mercado local é indireta. O fundo tem uma participação no grupo americano de educação Laureate, que no Brasil controla a Universidade Anhembi Morumbi, entre outras. O KKR geralmente fecha negócios entre 250 milhões e 750 milhões de dólares, mas está considerando investimentos um pouco abaixo desse patamar no Brasil. Os setores tidos como mais atraentes são consumo e varejo, serviços financeiros, energia, infraestrutura, saúde, imobiliário e agricultura - esse último, um segmento pouco explorado pelo KKR no restante do mundo. "Quando você analisa o Brasil, é preciso olhar para a agricultura por razões óbvias", diz Pfeffer. Por enquanto, não há planos de abrir um escritório no país. O dinheiro previsto para o investimento sairá do fundo global, que tem 17,6 bilhões de dólares. Tradicionalmente, o KKR atuou na América do Norte e na Europa. A decisão de entrar nos grandes mercados emergentes foi tomada há poucos anos. O primeiro investimento na China ocorreu em 2007 e a estreia na Índia aconteceu em 2008. Para a Ásia, o KKR já tem um fundo próprio, com 4 bilhões de dólares em caixa. Para mais detalhes a respeito do setor de private equity, leia a matéria que será publicada na edição de EXAME que começa a circular a partir de quinta-feira, 29.

Pão de Açúcar assume rede de postos...

O Pão de Açúcar, líder do setor varejista brasileiro, vai anunciar no dia 1 de novembro que assume a gestão da Rede Duque de postos de combustível. O grupo comandado por Abílio Diniz já opera alguns postos e decidiu investir pesado no setor.

O acordo com a Rede Duque prevê a injeção de capital e direito de compra do controle da operação. Os executivos do Pão de Açúcar devem passar pelo menos um mês à frente da operação para analisar resultados, desempenho e rentabilidade da Duque. Depois disso o grupo varejista deve ficar sozinho na operação.

A Rede Duque tem cerca de 40 postos em São Paulo, todos em regiões nobres, onde o combustível chega a custar 40% a mais do que em bairros mais afastados. Para fechar o negócio, que não teve valores revelados, o Pão de Açúcar precisou superar a proposta do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que também queria comprar a Rede Duque.
Essa é a segunda vez que Esteves leva a pior na disputa por um negócio no setor de combustíveis. O banqueiro, que já adquiriu a rede Aster, também tentou comprar a área de distribuição da Esso no país, mas foi superado pela Cosan. O Pão de Açúcar continua de olho em outras redes de distribuição de combustíveis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Maior banco da zona do euro fecha trimestre com lucro de US$ 10,03 bilhões

América Latina contribuiu com 20% do lucro do Santander.Banco tem sido um dos vitoriosos em meio às turbulências do segmento.

O Santander, maior banco da zona do euro, atingiu as expectativas com uma queda de 2,8% no lucro líquido de nove meses, aumentando previsões de dívidas de difícil recuperação para compensar os efeitos do crescimento do setor imobiliário da Espanha.

O lucro líquido de 6,74 bilhões de euros (US$ 10,03 bilhões ) ficou em linha com as expectativas de ganho 6,724 bilhões de euros.

O Santander tem sido um dos vitoriosos em meio às turbulências do segmento bancário, desencadeadas pela crise financeira, destacando-se com aquisições, sem a necessidade de ajuda estatal e com uma reputação melhor.

O Credit Suisse anunciou resultado melhor que o esperado na semana passada, mas seu lucro não foi tão espetacular quanto o do Morgan Stanley e do JPMorgan. Outros bancos espanhóis, incluindo o rival mais próximo BBVA, também elevaram as provisões apesar de negócios relativamente resistentes.

A América Latina contribuiu com 20% do lucro do Santander, mas ele foi atingido pela recessão global e por efeitos cambiais. O lucro do banco subiu 6,1% em termos de moeda local, mas caiu 2,1% em euros.

Grupo Fleury registra pedido de IPO na CVM e coloca Bradesco como coordenador

O grupo de medicina diagnóstica Fleury entrou com pedido de análise de oferta de ações na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), visando a distribuição primária de papéis ordinários.

O IPO (Initial Public Offering) contará com o banco Bradesco como coordenador líder, tendo também o Morgan Stanley e o JPMorgan como coordenadores contratados, conforme o prospecto preliminar.Cabe lembrar que a entrada com o pedido de análise de oferta na autarquia é a primeira etapa para que uma empresa distribua suas ações na bolsa.

Saiba mais sobre o Fleury

Com 83 anos, o Fleury possui hoje 16 marcas e está presente em diversos estados brasileiros, tais como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul, além da capital Brasília.

A empresa presta serviços na área de medicina diagnóstica, setor no qual tem crescido através de aquisições, que já somam 23. A mais recente foi a compra do laboratório Weinmann.No último ano o grupo registrou lucro de R$ 42 milhões e receita líquida de R$ 662,7 milhões.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O que fazer se o IOF não der certo?

Para o banco Barclays, o governo poderia usar o fundo soberano para conter a valorização do real - sem assustar mais o mercado.

Desde que foi anunciada na semana passada, a decisão do Ministério da Fazenda de taxar com uma alíquota de 2% de IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) os investimentos estrangeiros em ações e renda fixa tem sido vista com muito ceticismo. A maior parte dos analistas acredita que a tendência de desvalorização do dólar é mundial e não tende a ser revertida por ações pontuais de determinado governo.

Além disso, ainda existe uma série de brechas para que os estrangeiros possam investir no Brasil sem o IOF. Uma delas é por meio da compra de ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York. O investidor pode negociar esses papéis lá com isenção do imposto ou pedir a seu agente de custódia para transferi-los para o Brasil também sem a taxação. Segundo interpretação do mercado, os ganhos com day-trade (compra e venda de ações no mesmo dia) e os investimentos estrangeiros diretos também estão livres do imposto.


Por esse motivo, o mercado acredita que, se a taxação dos investidores estrangeiros não cumprir o objetivo de segurar a valorização do real, o governo brasileiro tende a tomar medidas adicionais. O banco britânico Barclays diz que elevar a alíquota do IOF seria uma das alternativas possíveis. No entanto, os analistas consideram mais provável que, em uma segunda intervenção, o governo tome uma medida mais amigável ao mercado, como o uso do fundo soberano para segurar a valorização do real.


O fundo soberano permitiria ao governo investir em ativos no exterior, compensando, ao menos em parte, a forte entrada de dólares prevista para os próximos meses. O Barclays acredita que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil devem somar cerca de 40 bilhões de dólares em 2010, um volume suficiente para cobrir o esperado déficit em transações correntes do país e para manter a pressão sobre o dólar.


Em um relatório intitulado "Intervenção Regulatória nos Mercados de Câmbio", o Barclays afirma que o dólar deve se manter em trajetória de desvalorização e fechar este ano cotado a 1,65 real. O banco lembra que muitos países já adotaram controles de capitais no passado e que raramente esse tipo de medida surte algum efeito.


Em 2008, o próprio Brasil adotou o IOF com uma alíquota de 1,5% para os investimentos estrangeiros em renda fixa, mas o real continuou a se valorizar. Os defensores da medida argumentam que sem o IOF a alta teria sido ainda maior, mas o banco considera que não há estudos que comprovem sua efetividade. O Barclays até mesmo relembra frase célebre do físico Albert Einstein, que dizia que "a insanidade é insistir em fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes".

Tendência mundial


O Barclays lembra que recentemente a Colômbia também adotou medidas de controle de capitais e surgiram rumores na Coreia do Sul sobre estudos no mesmo sentido. No último dia 15, a Colômbia adotou medidas amigáveis ao mercado para conter a perda de valor do dólar, como a redução de tarifas de importação. O mercado não deu muita importância às medidas até que o governo brasileiro anunciou a imposição de IOF aos estrangeiros, o que despertou o temor dos investidores de que a Colômbia também pudesse adotar medidas heterodoxas.


Na Coreia do Sul, houve rumores de que o governo poderia apertar o controle sobre o investimento de bancos estrangeiros em dólar. A boataria foi rapidamente desmentida pelo governo. O Barclays considera que a adoção da medida é improvável porque nos últimos meses a Coreia tem tomado medidas no sentido contrário, para facilitar o investimento estrangeiro.


O banco também acredita ser pouco provável que outros países emergentes adotem medidas parecidas. Na Ásia, o Barclays lembra que praticamente todas as bolsas, com a exceção de Hong Kong, já possuem regras complexas para os investimentos estrangeiros. Já o Leste Europeu ainda não se recuperou totalmente da crise e tem se esforçado para atrair capital - e não o contrário. Por último, entre os países da América Latina, os únicos que têm experimentado fortes pressões sobre o dólar são exatamente o Brasil e a Colômbia - os mesmos que já anunciaram medidas.

Para Soros, finança global deve ser refeita e incluir o real brasileiro

O megainvestidor húngaro-americano George Soros diz que o pior da crise global já passou, mas os Estados Unidos vão demorar para se recuperar, o que atrasa o resto do mundo.

Segundo ele, este é o momento para se fazer uma reforma do sistema monetário internacional, reduzindo a dependência do dólar e incluindo outras moedas, como o real, do Brasil. "O sistema quebrado e precisa ser reconstruído. Não temos condições de seguir com esses desequilíbrios crônicos e crescentes nas finanças internacionais. Acho que o real, do Brasil, também deveria ser parte do sistema", diz o investidor, de 79 anos, que deu entrevista para o jornal britânico "Financial Times".

Para ele, o mundo está se reaquecendo lentamente. "Há uma retomada, mas acho que o mundo vai demorar bastante para absorver o que aconteceu nessa crise, e a principal fonte de problemas está nos EUA. É lá que os consumidores gastaram mais do que ganharam por 25 anos, e o consumo corresponde a mais de 70% da economia do país, mas agora isso terá de mudar, mas levará tempo."

Soros propõe que a dependência do dólar seja abandonada. "É necessário um novo sistema de moedas, e os direitos especiais de saque [do FMI, calculado com base na cotação, em dólar, de uma cesta de quatro divisas: o dólar, o euro, o iene e a libra esterlina] de fato fornecem as linhas gerais de um sistema." Segundo ele, "o real, do Brasil, também deveria ser parte do sistema. Acho que a gama de moedas da cesta pode e deve ser aumentada."

Mercado espera recuperação da Vale no terceiro trimestre

Balanço, que será divulgado nesta quarta, deve incluir um lucro líquido de cerca de R$ 3,35 bi.

Após um primeiro semestre difícil, em que apresentou forte queda de lucro e faturamento, a maior empresa privada do país deverá divulgar, após o fechamento do pregão desta quarta-feira, um balanço do terceiro trimestre bem mais positivo que os anteriores.

A média das seis previsões colhidas pelo Portal EXAME aponta para um lucro líquido de 3,35 bilhões entre julho e agosto, o que representaria um crescimento de 127,9% em relação ao segundo trimestre. Para os analistas, a força motriz da recuperação da Vale, deve ser uma combinação de maiores preços e forte demanda de minério de ferro na China e na Europa, os principais mercados para os quais a empresa exporta.

Depois da forte redução da demanda mundial pelas commodities ligadas à siderurgia no primeiro semestre, sinais positivos começam a ser observados. “Estimamos que haverá uma recuperação do volume exportado pela Vale, em função da maior demanda pelo minério de ferro na China, em outras partes da Ásia e na Europa”, diz William Alves, analista da XP Investimentos. Os analistas da corretora SLW lembram que a economia chinesa manteve sua produção siderúrgica em ascensão durante todo o período da crise econômica e agora, com o início da retomada mundial, o país deve continuar importando minério em grandes quantidades.

Outras regiões fortemente afetadas pela crise já começam a retomar pedidos para a Vale. Dentre eles, estão os Estados Unidos e o Japão, que voltam, aos poucos, a consumir os produtos da mineradora brasileira, expandindo sua produção siderúrgica. Um fator determinante para a evolução dos pedidos foi a decisão de grande parte das siderúrgicas desses países de religar alto-fornos que estavam inoperantes.

Os analistas da SLW afirmam que, segundo dados da alfândega da China, no mês de setembro foram importados 64 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que ficou 65% acima do que foi importado no mesmo mês em 2008 e 30% a mais do que o volume de agosto deste ano. Na visão da corretora, o crescimento da demanda não esta relacionada à formação de estoques estratégicos.

Maiores preços e volumes

Diante deste cenário, o resultado operacional esperado para a Vale no terceiro trimestre de 2009 deve apontar um aumento de mais de 20% nas vendas de minério de ferro, em comparação com o trimestre anterior. Segundo os analistas da Fator Corretora, é estimado que o volume de vendas tenha sido de 70 milhões de toneladas. Próximas deste valor são as expectativas dos analistas da Brascan e do Santander: 71 milhões e 69,1 milhões de toneladas de minério e pelotas vendidos no terceiro trimestre do ano, respectivamente. Para os demais produtos comercializados pela Vale, como o níquel, os analistas da SLW trabalham com uma evolução nas vendas físicas em torno de 10%.

De acordo com a corretora Fator, a receita estimada para a companhia é de 13,2 bilhões de reais, o que significaria um aumento de 23,7% em relação ao trimestre anterior, ainda que 36% abaixo do observado no terceiro trimestre de 2008. Os mesmos 13 bilhões são esperados pelos analistas da SLW. Já a corretora do Santander, que opera de forma independente do banco, espera uma receita de 11,7 bilhões de reais com as vendas.

A recuperação dos volumes exportados deve começar a compensar a queda de quase 30% no preço do minério de ferro neste ano. Para os analistas da Brascan, a alta projetada deve levar o preço médio do minério de ferro para patamares em torno de 56 dólares por tonelada.

Lucros e câmbio

Sob tais perspectivas, os analistas esperam um avanço considerável no crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês). Para a corretora do Banco Fator, o Ebitda esperado é de 5,1 bilhões de reais, um aumento de 47,4% em relação ao trimestre anterior, e margem Ebitda de 38,6%. Já corretora SLW aponta um Ebitda de 5,7 bilhões de reais e margem Ebitda de 44%.

Diante dos ganhos de escala provocados pela expressiva alta projetada para o volume de vendas, além de aumento dos preços para praticamente todas as matérias-primas exportadas pela Vale. – cobre (+24%), níquel (+34%) e alumínio (+20%) -, os analistas da Brascan também esperam uma melhora na margem Ebitda, mas ressaltam que ela permanecerá significativamente abaixo do verificado no mesmo período de 2008.

O lucro líquido projetado pelos analistas da Fator é de 3,4 bilhões de reais. A Brascan diz que este valor deve ficar em torno de 2,9 bilhões de reais. Ambas apontam os efeitos do câmbio como os responsáveis pela melhora desses resultados. Se por um lado a valorização do real pressiona a receita da Vale e, consequentemente, as margens, por outro, gera ganhos de variação cambial sibre a dívida. Como conseqüência, os resultados líquidos da companhia devem ser positivamente impactados pelo efeito da apreciação de quase 9% do real no período.

Otimismo

Não são apenas os efeitos econômicos os responsáveis pelo otimismo dos analistas diante da divulgação dos resultados trimestrais da Vale. A postura estratégica diante da crise também foi fundamental para a recuperação da empresa, de acordo com os analistas da SLW.

“Um ponto que gostaríamos de chamar a atenção refere-se ao fato de que com a crise econômica, várias empresas de mineração foram fragilizadas por terem uma estrutura de capital alavancada. Com a queda na geração de caixa, elas se viram obrigadas a vender ativos ou lançar ações em um momento de baixa nas bolsas de valores internacionais. Vários projetos em mineração foram postergados e isto deve resultar em aumento de preços com a retomada mais forte da demanda mundial por minério de ferro”, diz o relatório da corretora.

No caso da Vale, toda a programação de investimento foi mantida e isto é apontado como diferencial para a empresa no médio prazo em relação as suas concorrentes internacionais. Portanto, a corretora recomenda a compra das ações preferenciais da Vale, para a qual estima um preço justo de 54,37 reais por ação, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 35%. Os papéis da Vale (VALE5) fecharam o pregão da segunda-feira (26/10) em alta de 1,24%, negociados a 41,51 reais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BM&FBovespa assina protocolos de intenções com Nasdaq

A BM&FBovespa e a Nasdaq OMX anunciaram na noite desta sexta-feira que firmaram protocolos não vinculantes para uma parceria comercial de serviços e produtos.

Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a parceria abrange o desenvolvimento de um sistema de roteamento de ordens entre as duas bolsas para que investidores internacionais conectados à plataforma da Nasdaq possam enviar ordens de compra e venda de ações no sistema da BM&FBovespa e vice-versa.

Também faz parte do compromisso o desenvolvimento de um acordo para que a BM&FBovespa ofereça às companhias abertas brasileiras, sem exclusividade, os preços dos ativos negociados na bolsa brasileira de forma eletrônica, e para que a Nasdaq distribua internacionalmente, sem exclusividade, os preços dos ativos negociados na bolsa brasileira.

Segundo o comunicado, também está previsto um acordo para que a BM&FBovespa ofereça às companhias abertas brasileiras produtos e serviços desenvolvidos pela Nasdaq "destinados a apoiar e facilitar as atividades de tais companhias, tais como de relação com investidores, de estruturação e assessoria aos conselhos de administração, de comunicação com o mercado e com os analistas."

A BM&FBovespa informou ainda que permanece avaliando, em conjunto com a Nasdaq, oportunidades de cooperação na área de tecnologia.

Em 26 de agosto, as bolsas anunciaram o início das discussões para uma parceria estratégica, comercial e tecnológica. As negociações, em caráter exclusivo, tinham previsão de durar 60 dias. O acordo de exclusividade foi renovado e deve vigorar até 31 de dezembro, segundo o comunicado.

A BM&FBovespa é líder na América Latina e uma das maiores bolsas em valor de mercado do mundo. O grupo Nasdaq OMX é uma das maiores bolsas de ações em volume financeiro negociado e sua tecnologia suporta as operações de mais de 70 bolsas, clearings e organizações depositárias de títulos em mais de 50 países, de acordo com o comunicado.

Fusão TAM-TAP faria sentido, diz Itaú

Corretora diz que TAM terá dificuldade em concorrer com a Gol no mercado doméstico e poderia crescer em voos internacionais com a fusão.

Uma eventual fusão entre a TAM, a portuguesa TAP e a angolana TAAG faria sentido para a companhia aérea brasileira, segundo a corretora do Itaú, que trabalha de forma independente do banco.

Em entrevistas recentes, o presidente da TAP, Fernando Pinto, e o vice-presidente comercial da TAM, Paulo Castello Branco, disseram que a fusão seria uma possibilidade interessante, mas esclareceram que nenhuma negociação está em curso no momento.

Em um relatório assinado pelos analistas Victor Mizusaki e Fernando Abdalla, o Itaú lembra que a Gol tem crescido a um ritmo mais forte que o da TAM. no mercado doméstico desde que relançou o programa de fidelidade Smiles. Como a Gol, construiu a imagem de uma empresa que oferece tarifas baixas, seria difícil para a TAM ganhar mercado da concorrente sem reduzir sua lucratividade.

Caso a fusão entre TAM, TAP e TAAG fosse fechada, entretanto, a TAM poderia aumentar seu foco no mercado internacional de voos. A parceria permitiria à TAM crescer principalmente na Europa e na África. Com a TAP, a TAM já possui um acordo de compartilhamento de voos desde 2007.

O Itaú lembra que atualmente a legislação brasileira impede que estrangeiros detenham mais de 20% das ações ordinárias (com direito a voto) de uma companhia aérea brasileira. No entanto, o governo estuda aumentar esse percentual para até 49% - o que abriria o espaço para negociações.

A fusão poderia aumentar a frota da TAM em 51,5%. No segundo trimestre, a companhia brasileira tinha 132 aeronaves (125 Airbus e sete Boeing), a TAP estava com 55 Airbus a TAAG tinha 13 Boeing.

Recorde mundial. E agora?

O espanhol Santander promove o maior lançamento de ações do mundo neste ano e mostra que o Brasil virou um dos principais palcos da competição entre bancos no mercado global.

Há exatamente um ano, Fabio Barbosa, presidente da operação brasileira do Santander, estava acuado. Seu chefe, o espanhol Emilio Botín, controlador do Santander, não escondia sua irritação. Em uma coletiva de imprensa organizada no hotel Grand Hyatt, na zona sul de São Paulo, em outubro de 2008, Botín declarou, com toda a pompa, que seu objetivo era transformar o Santander no "maior banco privado do Brasil". Numa daquelas coincidências históricas cheias de ironia, três dias depois o Itaú e o Unibanco anunciavam a maior fusão bancária do sistema financeiro brasileiro, tomavam a dianteira e se isolavam na liderança. Extremamente contrariado, Botín deixou claro aos membros do alto escalão do Santander no Brasil que eles deveriam ter descoberto a negociação a tempo de evitar o fiasco da coletiva -- no mercado, o anúncio no Grand Hyatt virou piada. Mas, no dia 7, a oferta inicial de ações da operação brasileira do Santander, feita simultaneamente na Bovespa e na bolsa de Nova York, lembrou que é prudente não zombar do banco espanhol. Após captar 14,1 bilhões de reais, a maior oferta inicial de ações de todos os tempos na Bovespa e a maior do mundo neste ano, o Santander mostrou que está fortalecido para brigar por espaço no mercado brasileiro.
Mesmo que o antigo plano de ocupar o primeiro lugar no ranking dos bancos privados pareça por ora quase impossível -- o líder Itaú Unibanco tem quase o dobro de ativos --, o Santander tem hoje tamanho, presença geográfica e dinheiro para, pelo menos, incomodar os três que estão à sua frente: Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco.

Passada a abertura na bolsa, Barbosa, um paulistano de 54 anos, enfrenta agora a pressão de milhares de acionistas, ávidos por saber como o Santander investirá seus 14,1 bilhões de reais e como os transformará numa riqueza ainda maior. Nas semanas que antecederam o lançamento dos papéis, Barbosa participou de uma maratona de encontros com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Deixou claro que sua meta é ganhar, em cinco anos, pelo menos 2 pontos percentuais de fatia de mercado nos principais segmentos em que atua -- entre eles estão o de crédito imobiliário e o de pequenas e médias empresas. A mensagem era que o banco não quer apenas se beneficiar do crescimento esperado do país. Ele promete fazer isso e, ao mesmo tempo, tirar clientes da concorrência. Também ficou claro que o Santander não estava vendendo suas ações com base no desempenho passado -- o histórico de rentabilidade do banco no Brasil, cerca de metade dos rivais em 2008, não impressiona. O preço de suas ações reflete as promessas de crescimento. Agora Barbosa e sua equipe têm o compromisso de entregar.

Mesmo em um setor povoado por egos mastodônticos, parte da concorrência reconhece em Barbosa um profissional de rara habilidade -- ele foi alçado ao comando do Santander mesmo depois de o banco que presidia, o ABN Amro Real, ter sido comprado pelos espanhóis, algo raro em qualquer mercado. Hoje comanda a segunda maior operação do Santander no mundo. Mas os adversários também dizem que seu maior teste está apenas no início. A competição para valer começa agora. Nos últimos tempos, os principais bancos brasileiros adotaram à risca a lei do mais forte -- em poucas palavras, os grandes engoliram os mais fracos. O Banco do Brasil, por exemplo, é resultado do acréscimo do Votorantim e da Nossa Caixa. O Itaú Unibanco, além dos dois bancos que o compõem, soma os antigos BankBoston, BBA e Nacional. E assim por diante. O resultado foi uma concentração sem precedentes na história do sistema financeiro. Atualmente, os dez maiores bancos do país respondem por 94% das agências bancárias. Há dez anos, essa participação era de 76%. A soma dos ativos dos quatro primeiros bancos do ranking quase dobrou desde 2007 -- em meio, é bom lembrar, à maior crise bancária internacional em sete décadas. Até 2007, não havia nenhum brasileiro na lista dos 20 primeiros do mundo por valor de mercado. No início de outubro, o Itaú Unibanco era o 11o e o Bradesco 17o. "As grandes instituições financeiras estão olhando para a frente e se preparando para o Brasil que virá", diz Aldemir Bendini, presidente do Banco do Brasil, que nos últimos meses empreendeu uma maratona expansionista. Embalados pela política anticíclica do governo e com uma agressividade incomum, os bancos públicos aumentaram sua fatia de mercado de 34% para 40% nos últimos 12 meses. "Todo mundo quer manter o que tem e conquistar novos espaços."

Só que isso fica mais difícil a cada dia. Por falta de novos alvos, a estratégia de crescer pela compra de concorrentes está se esgotando. Agora os predadores direcionam suas baterias uns contra os outros. "A única forma de crescer é competir diretamente para conquistar clientes e conceder crédito", diz Rodrigo Dantas, diretor responsável pela área financeira da consultoria Roland Berger. Pode parecer paradoxal, mas a concentração tem servido para estimular, e não refrear, a competição. É um fato em linha com os resultados da pesquisa econômica de ponta. No passado, a teoria econômica clássica afirmava que a competição crescia conforme aumentava o número de competidores. O mundo ideal para os economistas era o da "concorrência perfeita", formado por milhares de pequenos produtores. Na prática, alguns dos mercados mais competitivos são formados por um número reduzido de grandes empresas, dispostas a tudo para seduzir o consumidor. "Em muitos casos, a concentração estimula a inovação", diz Elizabeth Farina, ex-presidente do Cade, órgão que vigia a competição no país.

Os primeiros sinais da competição mais acirrada já se fazem sentir. Com a tendência de queda dos juros e a perda da rentabilidade dos títulos públicos, nos últimos anos os bancos passaram a aumentar o volume de empréstimos. Das cinco áreas tidas como prioritárias para a maioria dos bancões -- seguros, financiamento imobiliário, crédito ao consumidor, crédito a pequenas e médias empresas e cartões --, quatro estão em franco crescimento (a exceção é o crédito para empresas médias, que ainda patina). Segundo dados do Instituto Assaf, de São Paulo, a concessão de crédito representava 49% das receitas financeiras dos bancos há dez anos. Em 2008, esse índice atingiu 63% e a perspectiva é que siga subindo. Essa postura mais agressiva se reflete na redução dos spreads. Segundo dados da consultoria paulista Tendências, a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o quanto ele cobra nos financiamentos para pessoas físicas deve terminar 2010 em 22,6% -- um percentual altíssimo, mas ainda assim o menor nível da década. "Os bancos estavam acostumados a ganhar mais pela taxa do que pelo volume. Agora, entramos na era em que o ganho virá com escala", diz Alexandre Assaf Neto, professor de finanças da Universidade de São Paulo.

A escala deverá ser impulsionada pelo bom momento da economia brasileira. É uma situação surpreendente para qualquer brasileiro com mais de 30 anos. O cenário com que muitos bancos trabalham prevê que a economia vai crescer cerca de 5% ao ano até a Olimpíada de 2016 (é isso mesmo, leitor, você não está sonhando) -- taxa que poucos países esperam alcançar. Essa expectativa está embutida no preço das ações dos bancos -- é isso o que em parte explica a alta de 80% dos papéis das três maiores instituições neste ano. "O Brasil já teve vários períodos de euforia, seguidos de decepção. Nos anos 70, havia um sentimento de que ninguém segurava o país. Hoje é diferente. Também existe essa euforia, mas ela é merecida. O Brasil é visto por suas oportunidades", diz o economista americano Thomas Trebat, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Columbia.

É esse ambiente promissor que está induzindo o aumento da disputa entre os grandes bancos. Na busca por aproveitar as oportunidades de que fala Trebat, cada instituição está reforçando a própria estratégia de crescimento. "O que determina o nível de disputa são a ambição e a cultura de cada banco", diz Rodolfo Spielmann, sócio da consultoria Bain & Company. Até mesmo seus principais concorrentes reconhecem que instinto agressivo não falta ao Santander. Em meados dos anos 80, o banco era o sexto maior da Espanha. Após uma série de aquisições, chegou ao topo do ranking espanhol e do mundial -- hoje ocupa a oitava posição na lista dos maiores por valor de mercado. No material informativo distribuído aos investidores na Bovespa, o banco de Botín promete direcionar 70% dos recursos captados -- cerca de 10 bilhões de reais -- para a expansão de sua rede no Brasil, o que inclui a abertura de 600 novas agências até 2013. Se o plano for cumprido, dará uma média anual de 150 unidades inauguradas. A título de comparação, desde o início de 2009 foram abertas no país 96 agências por todos os bancos. Em média, a abertura de uma agência custa cerca de 1 milhão de reais -- sem contar os gastos em tecnologia da informação. Uma vez aberta, é preciso esperar dois anos para que comece a cobrir seus custos. O discurso de Botín é que tudo isso será feito sem diminuir o atual número de agências. "Não haverá problema algum em ter duas na mesma rua -- desde que ambas sejam rentáveis", diz um executivo do Santander que pediu para não ser identificado.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0954/financas/recorde-mundial-agora-505647.html

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ingresso de estrangeiros em ações é o maior desde 1947 em outubro

O ingresso de recursos de investidores estrangeiros no Brasil para aplicação no mercado acionário somou US$ 8,76 bilhões em outubro, até o dia 23, informou nesta sexta-feira (23) o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Se confirmado para todo o mês, este será o maior valor de toda a série histórica da instituição, que tem início em 1947, informou o BC. Em setembro, a entrada somou US$ 3,98 bilhões.

Altamir Lopes observou que este forte ingresso foi influenciado pelo lançamento de ações do Santander, que ocorreu no início deste mês.

"Os ingressos são expressivos fundamentalmente para o mercado acionário. Isso decorre do comportamento da economia e da expectativa dos investidores. A bolsa brasileira se tornou bastante atrativa e não seria diferente com relação ao capital estrangeiro. O resultado também reflete a retomada dos lançamentos de ações", disse Lopes.

Além disso, o chefe do Departamento Econômico do BC informou que também houve a aquisição, no exterior, de US$ 4,3 bilhões em recibos de papéis brasileiros - o que também representa o maior valor da série histórica do BC, que começa em 1947. Juntos, os ingressos no país para a bolsa de valores, e as aquisições no exterior, totalizaram US$ 13,02 bilhões - também o valor mais alto da série da autoridade monetária

Segundo o Banco Central, os recursos também continuaram ingressando no Brasil, em outubro, para investimentos em renda fixa. Neste mês, até o dia 23, o ingresso somou US$ 1,58 bilhão, contra US$ 2,87 bilhões em todo o mês de setembro.

Como ficaria o Brasil sem Meirelles no BC

Se preparando para deixar o cargo, presidente do BC é considerado o grande responsável pelo sucesso da economia.

Os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e da República, Luiz Inácio Lula da Silva, depositam suas esperanças no mesmo cabo eleitoral para concretizar suas ambições políticas em 2010: a economia em ordem. Por isso, poucos analistas apostam em mudanças radicais no rumo do BC a partir de março, quando, ao que tudo indica, Meirelles deve deixar seu comando para concorrer a um cargo eletivo pelo PMDB. Para o mercado, o cenário mais provável é de que a nova direção do BC mantenha o mesmo rigor e inicie um novo ciclo de alta dos juros no ano que vem a fim de conter as pressões inflacionárias da esperada aceleração mundial. Assim, 2010 terminaria com o IPCA dentro da meta e o câmbio em patamar próximo ao atual. Por trás destas expectativas, está a crença de que Lula realmente converteu-se à ortodoxia monetária e não arriscará as recentes conquistas dando o comando do BC a alguém heterodoxo. “Lula parece ter aprendido que, em economia, a continuidade é uma virtude”, afirma Jason Vieira, economista-chefe da consultoria UpTrend.

No cenário básico da UpTrend, essa continuidade se traduz em manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano até meados de 2010. A partir do segundo semestre, ela subiria entre 1,25 e 1,50 ponto percentual. A previsão faz coro com a curva de juros futuros, que representa as expectativas do mercado e aponta para juros de 10,50% em dezembro de 2010. Mas a esperada elevação da Selic não é um sinal de que o mercado teme que o BC seja tomado de assalto pelos desenvolvimentistas em março, que seriam complacentes com uma política fiscal mais frouxa e mais tolerantes à inflação apenas para gerar um crescimento econômico mais acentuado no curto prazo que sirva de bandeira eleitoral a Lula e seus aliados. Pelo contrário. A subida dos juros é uma aposta dos analistas de que o BC continuará zelando pelo poder de compra da moeda. “A curva de juros não foi contaminada por fatores políticos até agora”, diz Pedro Alceu Cardoso, gerente de renda variável da corretora Tov.

Se implementado, o reajuste dos juros no próximo ano deverá atrair mais investidores estrangeiros. Mesmo que os Estados Unidos elevem suas taxas, o Brasil ainda ostentará um dos maiores juros reais do mundo, o que torna os títulos de renda fixa atraentes aos estrangeiros. Do mesmo modo, a bolsa de valores brasileira é apontada como a mais promissora entre os emergentes por observadores de peso como Jim O’Neill, chefe da área de Pesquisa do Goldman Sachs. A entrada de dólares fará com que o real se valorize. O último relatório Focus do BC mostra que, na média, as instituições consultadas prevêem um dólar a 1,76 real no final de 2010 - há um mês, a expectativa era de 1,80 real. Para o mercado, a nova diretoria do BC vai manter a coerência da política monetária e deixar o câmbio flutuar livremente. “O Banco Central tem um mandado para cumprir a meta de inflação, não para controlar o câmbio”, afirma Vieira, da UpTrend. Para alguns, uma solução para atenuar a entrada de dólares é promover uma maior abertura da economia brasileira, facilitando a entrada de produtos importados em setores pouco competitivos, com capacidade ociosa muito baixa ou que ameacem disparar preços. “Se as importações forem incentivadas de modo responsável, poderão compensar parte da entrada dos dólares”, diz Cardoso, da Tov. Mas essa alternativa, claro, não está sob a alçada do BC.

BC desenvolvimentista

Para os desenvolvimentistas, vencer a contenda significa transformar o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, no novo banqueiro central. Coutinho é um crítico antigo da linha seguida por Meirelles. No início de 2006, quando ainda não ocupava um cargo público e a Selic estava em 17,25% ao ano, o economista chamava de “desastrada” a conduta do Banco Central e defendia um corte rápido dos juros, aliada à maior “frouxidão” fiscal. Na ocasião, também pregava uma meta maior de inflação. Já nos últimos meses de 2008, aliou-se aos presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para cobrar juros menores do BC. O argumento é que, sem isso, ficaria difícil fazer o país crescer. Coutinho também engrossa o coro dos que apóiam a redução do superávit primário neste e no próximo ano. A medida, que conta com a simpatia de Dilma, serviria para acomodar um orçamento menor devido à queda da arrecadação e uma pressão maior de gastos em um ano eleitoral. Em menos de um ano, a meta de superávit já foi cortada duas vezes - de 3,3% para 2,5% do PIB e, agora, já está em 1,56%.

O mercado não acredita, ao menos por ora, que Coutinho também não será capaz de derrubar os juros com uma canetada. Dilma, que apoia Coutinho, é a grande interessada em um BC que retarde ao máximo o início do ciclo de alta dos juros. O temor é que ele seja mais condescendente com uma inflação acima da meta, mas, mesmo nesse cenário, não são previstos grandes problemas. Para a consultoria UpTrend, a Selic desenvolvimentista terminaria 2010 em 9% ao ano, contra os 10,25% que projeta no cenário conservador. O dólar também terminaria mais próximo dos 2 reais, estimulado por intervenções do BC no mercado de câmbio. Já o IPCA, o índice oficial de inflação, ficaria próximo de 5% no ano que vem.

Embora não seja propriamente uma hecatombe, essa postura teria o incômodo reflexo de cutucar um velho fantasma brasileiro - a memória inflacionária. No pior cenário, a mudança desencadearia uma onda de desconfiança no mercado, que passaria a antecipar expectativas crescentes de inflação. Como nas profecias que se autocumprem apenas por serem enunciadas, para se proteger, toda a cadeia produtiva e os trabalhadores passariam a embutir aumentos crescentes em seus pleitos. É preciso lembrar que os preços administrados criam uma inércia inflacionária que transmite pressões de um ano para outro. O IGP-M, bastante sensível ao câmbio, também serve como vetor de pressões, ao corrigir contratos como o de aluguel. "A pior coisa seria os agentes econômicos perderem a confiança na capacidade de o BC combater a inflação", afirma Ricardo Brito, professor do Insper. "O mercado respeita um banqueiro central conservador porque sabe que, se os preços subirem, os juros acompanham."

O cenário político, porém, não favorece a ascensão dos desenvolvimentas por enquanto. Depois que o PT, fundado por Lula, perdeu o discurso de ser o único partido ético do Brasil, ao mergulhar numa série de escândalos que derrubaram homens fortes do governo, a economia transformou-se na única peça de marketing realmente crível para o presidente. Após a queda do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, Meirelles tornou-se, aos olhos do mercado, o principal avalista da política econômica. Por isso, os analistas acreditam que, dificilmente, Lula arriscaria arranhar seu prestígio ao mudar o rumo do BC. "Eu ficaria muito surpreso se Meirelles não conseguisse indicar seu sucessor", afirma José Luciano Dias, diretor da CAC Consultoria Política, de Brasília.

Pelos ortodoxos, estão no páreo os atuais diretores de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, e de Normas, Alexandre Tombini. Embora o mercado prefira Mesquita, há dúvidas se ele aceitaria o cargo, já que é público seu desejo de voltar ao mercado. De qualquer modo, Meirelles deve jogar todo seu prestígio junto a Lula para apoiar um nome de sua confiança. E, para muito observadores, são muitas as fichas que Meirelles acumulou nos últimos anos. "Ele foi o guardião da moeda, consolidou a credibilidade do BC e o tornou respeitado em todo o mundo", afirma Celso Grisi, presidente da consultoria Fractal e professor da Fundação Instituto de Administração.

O primeiro feito foi o de se tornar o banqueiro central a ficar mais tempo no cargo – até aqui, seis anos e nove meses, batendo por oito meses o antigo recordista, Ernane Galvêas, que presidiu o BC entre 1968 e 1974. Em março, terá cravado mais de sete anos no comando do banco. Mas Meirelles também será lembrado pelo mercado por outros méritos. Coube praticamente a ele a tarefa de consolidar o sistema de metas de inflação no país. Implantado em 1999, o governo de Fernando Henrique Cardoso conviveu apenas quatro anos com elas - e, em dois deles, a inflação estourou a meta. Desde 2003, a responsabilidade passou para Meirelles - e a inflação permaneceu dentro dos limites de tolerância desde então.

Sob sua batuta, o BC também aprimorou os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro - algo que contribuiu para que não assistíssemos, por aqui, uma sucessão de quebras de bancos durante a crise mundial. Além de adotar alguns critérios mais rígidos do que os do Acordo de Basiléia, o BC também procurou aumentar a confiança no sistema com a revitalização de mecanismos como o Fundo Garantidor de Crédito. "Meirelles se preocupou muito com os riscos sistêmicos", afirma Grisi, da Fractal. A atuação durante a crise também é elogiada por muitos. A redução do depósito compulsório, por exemplo, garantiu liquidez ao sistema em um momento de sumiço do crédito mundial. O BC também vendeu parte da reserva de dólares para evitar uma disparada do câmbio.

Para os críticos, Meirelles foi extremamente conservador e impediu que o Brasil crescesse mais ao manter os juros altos. Nunca é demais lembrar que, somente no ano passado, o país perdeu a pouco honrosa liderança no ranking dos maiores juros reais do mundo. "O BC errou ao manter os juros altos durante a crise, e isso intensificou seus efeitos no país", afirma Antônio Correa de Lacerda, professor da PUC de São Paulo. Mas seus admiradores não enxergam da mesma forma. "É melhor pecar pelo excesso de zelo, porque a memória inflacionária ainda é recente no Brasil", afirma Brito, do Insper.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

JBS Friboi é multada por 'dumping social'

A maior empresa de carnes do mundo, a JBS Friboi, foi condenada a pagar uma indenização por “dumping social”. No entendimento da Justiça, práticas que desrespeitam a legislação trabalhista - como não registrar em carteira e não pagar horas extras - com o objetivo de reduzir os custos de produção configuram o dumping social. A sentença contra a JBS, é da Vara do Trabalho de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. E foi confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas. A indenização é de valor quase simbólico: R$ 500 em favor de um ex-funcionário do grupo. Mas a repercussão da sentença poderá mudar o rumo de outros processos semelhantes, contra outras empresas, que aguardam decisão em segunda instância. Na ação contra o grupo JBS, não foi o ex-funcionário quem pediu a reparação por dumping social. O juiz Alexandre Chibante Martins aplicou a sanção por iniciativa própria. A condenação por dumping social não está prevista na legislação trabalhista do Brasil. Mas é recomendada pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) desde 2007. Um documento aprovado pela associação incentiva os juízes a impor, mesmo sem pedido expresso na ação, sanções a empresas que desrespeitam as leis trabalhistas. Para a Anamatra, o desrespeito à legislação trabalhista, além de ser uma afronta ao Estado, provoca danos à sociedade na medida em que garante vantagens indevidas no mercado. Na decisão contra o grupo JBS, o juiz Alexandre Martins levou em consideração que, desde 2008, 20 ações foram propostas contra a empresa por causa do não pagamento de horas extras. Nesses processos, os trabalhadores alegaram terem sido obrigados a permanecer nas dependências da empresa por mais de dez horas diárias. O grupo JBS. já impetrou recurso contra a decisão no Tribunal Superior do Trabalho (STF), refutando as acusações.

Ganhos com day-trade não serão taxados com IOF

Investidores estrangeiros terão caminhos para evitar o pagamento do imposto.

A cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que passou a vigorar nesta terça-feira (20/10) na Bovespa, não deve afetar as operações de day-trade. Nesse tipo de operação, em que o investidor compra e vende as ações no mesmo dia, obtendo lucro com a diferença entre o preço de compra e o de venda, não é necessária a entrada de novos recursos no país. Portanto, o investidor estrangeiro que realizar esse tipo de operação não será taxado, uma vez que o IOF será cobrado apenas quando o dinheiro entrar no Brasil - e não sobre o lucro das operações.

Em relatório, a Link Investimento explica que, além do day-trade, os investidores estrangeiros terão outros caminhos para evitar o pagamento do imposto. Um deles seria comprar American Depositary Receipts (ADRs - papéis que representam ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York), cancelá-las e receber as ações da empresa. Essas ações seriam vendidas na Bovespa e o dinheiro da venda não seria taxado, podendo ser utilizado na compra de outras ações.

Para a Link, a decisão do governo de taxar o capital estrangeiro será muito negativa para o mercado de capitais brasileiro, que ainda está em fase de desenvolvimento. "Acreditamos que no curto prazo devemos sim observar uma queda nos volumes negociados na bolsa, principalmente com a migração para ADRs. No entanto, no médio prazo, os volumes devem se restabelecer, principalmente com a criação e o uso de alguns mecanismos que visam driblar essa medida", diz a corretora. "Isso gera uma nova preocupação, de o governo elevar novamente a cobrança do IOF, algo que também já fez no passado", ressalta.

O Brasil não é o primeiro país a taxar o capital estrangeiro em bolsa para conter uma possível bolha. Em maio de 2007, o governo chinês adotou medida semelhante, elevando o imposto cobrado dos investidores estrangeiros de 0,1% para 0,3%. O resultado foi uma queda de 6,5% na bolsa chinesa no dia seguinte à adoção da medida. Em abril de 2008, o governo voltou a reduzir o imposto a 0,1%, eliminando-o em setembro, com a crise global.

A BM&FBovespa já está em contato com o governo brasileiro para tentar reverter a medida, que em sua opinião, foi equivocada. Caso não obtenha sucesso, a bolsa estuda diferenciar o capital de curto prazo daquele de longo prazo, beneficiando estes.

A avaliação do mercado é de que os maiores prejudicados pela medida serão os investidores locais, que sofrerão com a possível queda de liquidez na bolsa, e as empresas que atuam no mercado de capitais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Se a taxação aos estrangeiros funcionar, a bolsa vai sofrer

Analistas esperam impacto negativo no curto prazo, mas acreditam que governo também pode evitar uma bolha no futuro.

A decisão do governo de taxar em 2% as aplicações estrangeiras em bolsa e título públicos tem uma repercussão bastante negativa no mercado nesta terça-feira, com a alta do dólar e a queda da Bovespa. A principal preocupação do mercado é sobre a provável redução do apetite externo por papéis de empresas brasileiras com o retorno do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), uma vez que o fluxo estrangeiro vinha sendo responsável por boa parte da valorização das ações. O banco Santander fez um alerta claro: "Se a medida do governo funcionar, o mercado de capitais vai sofrer."


"A emissão local de dívidas e de ações será afetada, já que potenciais investidores estrangeiros terão de pagar 2% logo na entrada para adquirir esses ativos", diz o banco, em relatório assinado pelo economista-chefe Alexandre Schwartsman e por outros três economistas. As consequências disso serão a redução da demanda por papéis das empresas e um menor número de operações de captação de recursos em um momento em que a bolsa se preparava para continuar a receber uma enxurrada de oferta de novas ações.


Os economistas do banco mostraram preocupação com a necessidade de aumento de capital para financiar as grandes obras de infraestrutura que o país precisará tirar do papel para sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 ou para explorar as reservas do pré-sal. Após ter atingido o pico de 18% do PIB em 2007, a poupança doméstica recuou para 15% nos últimos trimestres, o que pode ser considerado um número insuficiente.


"Está claro que, sem um ajuste fiscal profundo, a poupança estrangeira é que terá de cumprir o papel de financiar investimentos adicionais." Com o IOF sobre os capitais estrangeiros, a expectativa de entrada de recursos será menor, o que terá reflexos, segundo o Santander, tanto no aumento do déficit em transações correntes quanto na taxa de juros. "Essa medida, se efetiva, pode levar o Banco Central e elevar os juros antes do que se poderia presumir se ela não tivesse sido adotada."

O banco admite, no entanto, que o governo não podia taxar somente os investimentos em títulos públicos como fez em março do ano passado porque a medida novamente não teria efeito. Isso porque atualmente é a BM&FBovespa que tem atraído a maior parte do dinheiro estrangeiro que ingressa no país - e não a renda fixa. Já o investidor estrangeiro acredita que a forma de cobrança do IOF foi a menos pior. "Taxar na saída o capital que já entrou geraria um desconforto muito maior com os investidores que trouxeram dinheiro quando as regras eram outras", diz Lance Reinhardt, diretor do fundo austríaco Superfund no Brasil. "Pelo menos a atual forma está clara e não cria perdas imprevistas."


Sem bolha


Embora num primeiro momento a decisão do governo tenha provocado queda nas cotações das ações, a médio prazo analistas veem uma medida saudável para o mercado. "Se a bolsa continuasse subindo no ritmo que estava, poderíamos ter uma bolha. O IOF foi a desculpa que o mercado esperava para realizar lucros", diz o consultor financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil. Em dólar, o Ibovespa acumula 145% de alta em 2009. As aplicações na Bovespa vinham sendo duplamente vantajosas para os estrangeiros, que além de lucrar com a valorização das ações, ganhavam com a desvalorização da moeda americana.


Apesar de o IOF abocanhar parte do rendimento das aplicações, os especialistas não esperam que o Brasil passe de bola da vez para patinho feio das finanças mundiais de uma hora para outra. Segundo eles, os fundamentos da economia continuam positivos e o principal impacto deve ser observado nos investimentos de curto prazo. "Para o investidor de longo prazo, que está esperando um retorno de 20% ou 30% em seu investimento, os 2% de IOF não vão mudar nada. O impacto maior será para aquele investidor que gira muito a carteira, esperando lucrar rapidamente", explica Huang Kuo Seen, gestor da Grau Gestão de Ativos.


Para Lance Reinhardt, do Superfund, o maior impacto da medida deve ser observado no curto prazo porque o mercado é muito criativo e em breve os investidores devem encontrar formas de trazer os recursos ao Brasil sem o pagamento do imposto. Ele lembra que os investimentos diretos, por exemplo, continuam isentos e poderiam criar uma brecha para o ingresso de capital com a isenção do IOF.


Ofertas públicas


Uma provável maneira de as empresas brasileiras driblarem a taxação do IOF será com a emissão de ações nos Estados Unidos. O Brasil está na moda no exterior. Empresas como a Vale e a Petrobras estão entre as 35 mais negociadas na Bolsa de Nova York. Até hoje somente as maiores empresas brasileiras têm lançado papéis no exterior. No entanto, com o IOF, a tendência é de que as bolsas americanas tornem-se mais atrativas.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/financas/se-taxacao-aos-estrangeiros-funcionar-bolsa-vai-sofrer-506872.html

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Bolsa tentará atenuar o IOF

Em entrevista ao blog, Edemir Pinto, o presidente da BM&F Bovespa, não mediu as palavras para descrever seu descontentamento com a decisão do governo de taxar os investidores externos. Edemir argumenta que não se muda as regras de uma hora para outra. Ainda mais quando uma parte considerável dos estrangeiros já tinha eleito o Brasil como destino de suas economias. Isso aumenta o grau de incertezas e coloca a bolsa numa situação preocupante, diz Edemir. Representantes da BM&F Bovespa já estão em contato com o governo para tentar reverter a decisão e implementar um imposto regressivo. A esperança da bolsa é que o ministro Guido Mantega leve a proposta a sério.

Clique no link para ver o vídeo da entrevista com o presidente da BM&F Bovespa: http://portalexame.abril.com.br/blogs/diretodopregao/20091020_listar_dia.shtml?permalink=204004

O mico do século

Há três anos, a venda de um conjunto de 110 prédios no coração de Manhattan foi o maior negócio imobiliário da história -- hoje, é um ícone do estouro da bolha.

Numa cidade que, antes de qualquer coisa, é célebre por seus arranha-céus, o modesto conjunto de prédios de tijolos da foto ao lado nunca chamou lá muita atenção. Formado por 110 prédios, os condomínios Stuyvesant Town e Peter Cooper Village são um discreto refúgio da confusão de Manhattan. O complexo foi inaugurado em 1947 e era uma das raras alternativas viáveis de moradia para quem não ganhava muito dinheiro e, mesmo assim, fazia questão de morar no pedaço de terra com o metro quadrado mais caro dos Estados Unidos. Foi assim por quase seis décadas, até que esse plácido minibairro foi catapultado à condição de ícone da maior bolha imobiliária da história. Em outubro de 2006, a incorporadora Tishman Speyer comprou o complexo por 5,4 bilhões de dólares. Foi a maior aquisição da história do mercado imobiliário americano. Passados apenas três anos, já se pode dizer que o investimento foi um tremendo fiasco. O valor da propriedade caiu mais de 60%. Hoje, o dinheiro do aluguel pago pelos 25 000 moradores não cobre metade do serviço da dívida levantada para a aquisição. Nesse ritmo, segundo um relatório da agência de classificação de risco Fitch, a Tishman pode dar um calote nos credores até o fim do ano. Eis a distinção de Stuyvesant Town e Peter Cooper Village entre seus pares famosos -- é o mico imobiliário do século.


Em linhas gerais, as desventuras da Tishman Speyer repetem o famoso enredo da crise que afundou a economia americana. Milhões de pessoas compraram casas que não podiam pagar. Quando o mercado virou, essas casas acabaram valendo menos do que a dívida acumulada para financiá-las. A bolha, hoje se sabe, foi inflada pela ingênua ideia de que o preço dos imóveis só subiria. Espantosamente, o nada ingênuo empresário Jerry Speyer, dono da Tishman e de um patrimônio de 1,8 bilhão de dólares, também entrou nessa onda. Até 2006, o valor dos aluguéis em Manhattan vinha subindo num ritmo que beirava os 10% ao ano. A seguradora Met Life, então dona de Stuyvesant Town e Peter Cooper Village, decidiu aproveitar a euforia e colocou o complexo de 11 232 apartamentos à venda. Associada ao fundo de investimentos Blackrock, a Tishman não teve problemas para obter financiamento com Merrill Lynch e Wachovia -- dois bancos que, pouco tempo depois, se arrependeriam de suas ousadas apostas no mercado imobiliário. O raciocínio por trás do negócio era cristalino. Bastava transformar o refúgio de classe média num complexo de luxo e atrair os jovens endinheirados de Wall Street. O valor dos aluguéis, então, aumentaria. E os retornos seriam gordos. Era assinar e correr para o abraço.


Mas, como a história não se cansa de demonstrar, raciocínios cristalinos não são a menor garantia de negócios bem-sucedidos. No caso de Stuyvesant Town, tudo deu errado: cada uma das premissas que levaram a Tishman a gastar os 5,4 bilhões se provou furada. Para início de conversa, a crise dos últimos dois anos atingiu Nova York em cheio -- as demissões do setor financeiro levaram o índice de desemprego na cidade a 10,3%, maior que a média nacional. Com isso, o valor dos aluguéis (aquele que subiria para sempre) caiu até 25% nos últimos dois anos. Para atrair novos inquilinos, os proprietários estão sendo forçados a oferecer no mínimo um mês grátis àqueles dispostos a assinar contratos de um ano -- algo antes impensável. Mas não foi só isso. Uma batalha judicial movida pelos inquilinos de Stuyvesant Town multiplicou os já enormes problemas da Tishman Speyer. Cerca de 60% dos apartamentos do complexo têm o valor dos aluguéis regulado pela prefeitura. Ou seja, não seguem as variações do mercado. Com a bolha da última década, os apartamentos regulados ficaram ainda mais baratos. Um imóvel regulado de dois quartos em Stuyvesant Town custa 1 400 dólares mensais, menos da metade do preço de um apartamento idêntico e sujeito à lei da oferta e da procura. A Tishman planejava iniciar uma migração em massa de imóveis regulados para não regulados e embolsar a diferença. Mas essa migração, chave para fazer a aquisição dar dinheiro, está sendo muito mais difícil do que o previsto. Os inquilinos foram à Justiça para impedir a desregulamentação dos apartamentos. A Tishman foi derrotada em março e está recorrendo. "Com isso, qualquer expectativa de retorno para o investimento se perde de vez", diz Ben Thypin, especialista em mercado imobiliário da consultoria RCA Analytics.

O mico de Manhattan é um baque para a reputação da Tishman Speyer, uma das mais tradicionais administradoras de imóveis dos Estados Unidos. Em setembro, o bilionário Jerry Speyer foi eleito um dos "perdedores da semana" pelo jornal New York Post. Para piorar, a forma com que vem administrando Stuyvesant Town está colocando a Tishman em rota de colisão com milhares de moradores. Um blog criado por inquilinos não identificados tornou-se o canal favorito para reclamações -- que vão da água marrom que sai das torneiras ao aumento da violência. "Até o número de ratos cresceu", diz o presidente da associação de moradores, Alvin Doyle, que mora no condomínio desde que nasceu, em 1952. A brutal desvalorização do investimento e as brigas com os moradores são um problema para a imagem da companhia, que opera como um fundo e precisa, portanto, atrair investidores. A família Speyer afirma que, apesar de ter feito maus negócios no auge da bolha, tem um histórico de retorno de invejáveis 20% ao ano. A empresa administra empreendimentos avaliados em 35 bilhões de dólares no mundo, inclusive no Brasil.


Apesar de algumas evidências recentes de que o preço das casas finalmente parou de cair, o mercado imobiliário americano segue num momento de penúria. Contaminados pela mentalidade dos tempos da bolha, os americanos ainda não se convenceram de que os preços mudaram de patamar e devem permanecer assim por um bom tempo. O empresário Hugh Hefner, dono da revista PLAYBOY, teve um choque de realidade quando colocou sua mansão à venda. Ele queria 28 milhões de dólares. Teve de fechar negócio por 18 milhões. Para os analistas, o mercado imobiliário comercial é o que tem mais potencial para atrapalhar a economia americana nos próximos meses. Estima-se que prédios comerciais avaliados em 128 bilhões de dólares tenham parado de pagar suas dívidas ou quebraram. A própria Tishman Speyer já deu calote num investimento de 2,8 bilhões de dólares em Washington. Para evitar que Stuyvesant Town siga caminho semelhante, a empresa pretende renegociar a dívida e obter uma nova injeção de capital. Mas as coisas podem piorar antes de melhorar. Se a empresa perder a próxima etapa da disputa judicial com os inquilinos, ainda terá de pagar uma indenização milionária. "O valor pode superar 200 milhões de dólares", diz Alexander Schmidt, advogado dos moradores. A sentença deve sair nas próximas semanas.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vale anuncia investimento de R$24,5 bilhões para 2010

Pressionada pelo governo, a Vale anunciou nesta segunda-feira que vai investir 24,5 bilhões de reais (US$12,9 bilhões) em 2010, acima dos 9 bilhões de dólares de 2008 mas inferior aos 14,2 bilhões de dólares previstos para este ano antes da crise.

Segundo o presidente da Vale, Roger Agnelli, desse total 31 por cento serão investidos na área de não-ferrosos; 30 por cento na área de ferrosos; 21 por cento em logística e 3 por cento em siderurgia, destacou, sem informar os demais percentuais.

"Este é o maior investimento no Brasil já realizado por uma empresa privada", disse Agnelli a jornalistas após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Com os investimentos a produção até 2014 será de 450 milhões de toneladas de minério de ferro contra 350 (milhões de toneladas) este ano", acrescentou o executivo.

Agnelli foi encontrar os jornalistas acompanhado dos controladores da Vale. Sergio Rosa, da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil; João Moisés de Oliveira, da Bradespar; Oscar Camargo, da Mitsui; e Luciano Coutinho, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O governo brasileiro, detentor de ações na mineradora, tem pressionado a empresa para investir mais no Brasil, principalmente no setor siderúrgico, para agregar valor ao minério de ferro.
A pressão do governo começou após a empresa anunciar demissões e redução de investimentos por conta da crise financeira. Em nome da crise, a Vale demitiu 1.900 empregados desde o ano passado e diminuiu em 5 bilhões de dólares o investimento de 2009, previsto inicialmente em 14,2 bilhões de dólares mas resumido a 9 bilhões de dólares.

Governo taxa capital estrangeiro para segurar real, evitar bolha

O governo decidiu taxar o capital estrangeiro que entrar no país para aplicações em renda fixa e ações com o objetivo de evitar uma valorização exagerada do real e a criação de uma bolha decorrente do excesso de liquidez internacional.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a medida informando a tributação, a partir de terça-feira, por meio de IOF com uma alíquota de 2 por cento.

Segundo Mantega, a taxação irá se dar de uma vez na entrada do capital. Desse modo, quanto mais tempo a aplicação durar, mais diluída será a tributação.

"O que determinou (a medida) por um lado foi o crescente interesse pelo Brasil, que é uma das economias que mais oferece possibilidade de rendimentos e, por outro lado, um excesso de liquidez na economia internacional, que poderia causar sobrevalorização do real... prejudicando o emprego no Brasil, prejudicando a produção", disse Mantega a jornalistas.

O ministro argumentou que 25 por cento da produção industrial do país é direcionada à exportação.

"Com o câmbio valorizado, vai exportar menos, vai perder concorrência, inclusive com outros concorrentes que nem usam as mesmas regras que nós", disse, citando que a China voltou a adotar um câmbio controlado.

Ele reforçou que o regime adotado no Brasil continua sendo flutuante, e que Banco Central seguirá "comprando o excesso de dólares".

"Podemos até pensar em outras medidas para atenuar algo que é quase inevitável, que é o interesse crescente que existe hoje pelo Brasil."

INVESTIMENTO DIRETO SEM TAXAÇÃO

No caso do investimento direto estrangeiro, "não muda nada, não há tributação adicional de IOF".

"Estamos mantendo o estímulo no investimento externo. São bem-vindos, continuarão a vir", afirmou o ministro, que disse ter convencido apenas nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade da medida.

"Estamos adotando (as medidas) para evitar que haja um excesso de especulação na bolsa ou no mercado de capitais em função da grande liquidez que existe hoje no mercado externo e forte atrativo que o Brasil exerce no mercado internacional."

Segundo Mantega, a taxação não visa melhorar a arrecadação, que tem demorado para se recuperar, apesar da retomada econômica.

"O IOF é um imposto regulatório, o objetivo não é a arrecadação, o objetivo é regular o fluxo de capital. Quando são excessivos você coloca um tributo para diminuir seu impacto."
Mantega ressaltou que as medidas não devem levar a uma desvalorização do real. "Mas podemos evitar um excesso de valorização."

Até agora neste ano, o real teve uma valorização de 36 por cento. Nesta segunda-feira, o câmbio encerrou com o dólar cotado a 1,712 real para venda.

"Nossa preocupação é com excesso de aplicações especulativas de curto prazo que venham a fazer uma bolha na nossa bolsa", explicou.

"A nossa bolsa de mercadorias e futuros é muito sadia, sólida... não queremos que isso seja deturpado pelo excesso de investimento, de aplicações que poderiam ocorrer."
No ano passado, o governo alterou duas vezes o IOF sobre investimentos estrangeiros em uma tentativa de interferir no fluxo de capitais para o país.

Em março, a taxação foi reintroduzida --dois anos após ter sido retirada-- para reduzir o ingresso de dólares no país e limitar a apreciação do real. Diante dessa decisão, os investimentos estrangeiros em renda fixa caíram cerca de 5 por cento no mês seguinte. Em outubro, em meio ao agravamento da crise financeira global e da alta do dólar, o governo voltou a retirar a taxação.
Para participantes dos mercados financeiros, a medida deve ter um efeito limitado, ainda que negativo no curto prazo.

"A médio prazo, a medida terá efeito limitado... não é com medidas administrativas que você muda uma tendência", disse à Reuters Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. "Mas isso cria um ruído de curto prazo: haverá menos confiança dos investidores na estabilidade das regras."

O ministro informou que não há um prazo determinado para a validade dessa taxação e que o governo vai acompanhar as reações do mercado e pode fazer ajustes se considerar necessário.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bradesco Seguros compra parte do capital da Odontoprev

A Bradesco Seguros comprou a maior parte do capital da Odontoprev, líder do mercado brasileiro em planos odontológicos, com 2,5 milhões de clientes. Com a operação, que será anunciada hoje, a Bradesco fica com 44% do capital da companhia, que é listada no Novo Mercado da Bovespa. Randal Zanetti, o fundador da Odontoprev, ficará com 7% e permanecerá como CEO.

O conselho de administração será presidido pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. Serão seis conselheiros ao todo, três indicados pelo Bradesco, dois pelos acionistas fundadores da Odontoprev e um representante de fundos de investimento. A Bradesco Seguros tem buscado crescer em nichos da área de saúde via aquisições. Neste ano, já havia comprado fatia minoritária do Laboratório Fleury.

Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do Brasil

Obra pode custar até R$ 30 bilhões, mas vai garantir preços mais baixos de energia nos próximos anos.

A polêmica em torno de Belo Monte é tão grande quanto suas dimensões. Com capacidade de produção de 11.200 megawatts, Belo Monte será a segunda maior usina hidrelétrica do Brasil, atrás apenas da binacional Itaipu (14.000 MW). A discussão em torno de sua construção, no entanto, dura quase 30 anos. Entre seus opositores já estiveram figuras tão distintas quanto o cantor Sting e o cacique Paulinho Paiakan, além de índios furiosos que golpearam a facão um funcionário da Eletrobrás. Do lado oposto, estão as maiores empreiteiras e empresas de energia do país, interessadas em construir a hidrelétrica, além do governo, que argumenta que apenas o início da construção da usina será suficiente para manter os preços da energia mais baixos no Brasil nos próximos anos.

Questões ambientais e indígenas à parte, a expectativa do governo é realizar o leilão da usina até o final do ano. Considerando os períodos de cheia e seca, a potência média da hidrelétrica localizada no rio Xingu, no Pará, será de aproximadamente 5.000 MW. Embora as características técnicas da hidrelétrica já estejam praticamente definidas, os investimentos necessários para que ela saia do papel aparece atualmente como o ponto mais controverso.


A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), comandada pelo governo federal, afirmou que o custo seria de 16 bilhões de reais, mas o montante foi contestado pelo mercado. De acordo com José Ayres, presidente da CNEC Energia, empresa que participou dos estudos de viabilidade da obra, os principais interessados na construção da usina avaliam que seu custo em torno dos 30 bilhões de reais. Para Ayres, esse valor reflete as dificuldades que surgirão durante a construção do empreendimento, que devem gerar custos aos investidores. A EPE imagina uma construção intermitente da usina enquanto as empresas acreditam que boa parte da obra terá de ser paralisada durante os três meses de chuva intensa que castiga essa região do Xingu todos os anos.

Logística


Segundo Ayres, um dos maiores desafios na construção da hidrelétrica é a logística das obras. Será necessário construir quase 400 quilômetros de estradas de terra para interligar os diversos pontos de trabalho. As empresas também terão de desenvolver formas de levar milhões de toneladas de aço, cimento e combustível para uma região praticamente isolada e carente de estradas. Ainda não se sabe se a opção mais viável de transporte de insumos serão a rodovia Transamazônica ou os rios navegáveis que cortam a região. Esse material será armazenado em pelo menos quatro grandes silos.


Ayres afirma que, se por um lado os meses de chuva devem favorecer a navegação nos rios, por outro haverá paralisação de trabalhos como a construção de estradas e prejuízos materiais com o dano que a água pode provocar a materiais estocados. Nesses momentos de pausa, os cerca de 30.000 trabalhadores que devem trabalhar na construção da usina terão de permanecer no local das obras, uma vez que é inviável dispensá-los por um período relativamente curto. Além disso, será preciso construir áreas com alojamentos, refeitórios, centros de saúde, áreas de lazer e reservatórios de água, entre outras coisas. Também será necessário receber e transportar as 20 turbinas que gerarão energia na usina e pesam cerca de 500 toneladas cada uma.


Consórcios


Com tantas dificuldades e tamanho desembolso financeiro, o mercado avalia que apenas dois grandes consórcios se apresentarão no leilão de construção da usina. O presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Sérgio Rosa, já afirmou que o fundo pode participar de um grupo que vai reunir também a mineradora Vale e as empresas de energia CPFL (que tem a Camargo Corrêa entre suas acionistas) e Neoenergia. Segundo analistas do banco Barclays, uma subsidiária da estatal Eletrobrás e a Tractebel, controlada pela francesa Suez, também deve participar desse consórcio, que ficaria parecido com aquele que venceu o leilão da usina de Jirau, no rio Madeira.


Já o segundo consórcio, segundo o Barclays, deve ser mais parecido com o grupo que arrematou Santo Antônio, outra usina gigante em Rondônia. Ele seria formado pelas estatais Cemig e Eletrobrás, a espanhola Iberdrola, a construtora Odebrecht e alguma empresa que consome muita energia e tem a intenção de se tornar autoprodutora. Em ambos os consórcios, no caso de participação das estatais no leilão, elas poderão juntas ter no máximo 49% de participação no consórcio vencedor.


"Algo que certamente deve colaborar com a formação dos consórcios é o fato da Moody’s ter elevado o Brasil à categoria de grau de investimento. Isso dá ainda mais segurança para investir", diz Sílvio Areco, diretor executivo da Andrade e Canellas, consultoria especializada no setor energético. Os investidores já começam a olhar para o país de maneira diferente, seja pela melhora da qualidade dos investimentos ou pelo aprimoramento do arcabouço regulatório e pela concretização de uma obra do porte e com o significado de Belo Monte.

Noticia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/negocios/belo-monte-sera-segunda-maior-hidreletrica-brasil-506109.html

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O perigo ainda não passou

Embora o Carrefour negue que pretenda se desfazer de sua operação no Brasil, secretamente, seus acionistas continuam a conversar sobre uma possível venda para a rede americana Walmart.

Nos últimos dias, informações vindas das cercanias de Paris, onde fica a sede mundial do grupo francês Carrefour, segundo maior varejista do mundo, surpreenderam o ambiente de negócios. Acionistas indignados com lucros considerados insuficientes pressionavam a empresa a se desfazer de duas de suas maiores operações -- a China e a bola da vez para os investidores, o Brasil. Pelo menos à primeira vista, a ideia carecia de lógica. Dono de um faturamento anual superior a 89 bilhões de euros, o Carrefour tem crescido, basicamente, graças a esses dois mercados. Suas operações na China e no Brasil crescem, em média, 16% ao ano, enquanto na Europa esse índice é próximo a zero. No Brasil, onde é vice-líder no varejo, a rede conta com mais de 560 lojas, um colosso com faturamento de 22 bilhões de reais (veja quadro). Trata-se da terceira maior operação do grupo no planeta. Na China, onde o Carrefour chegou há cerca de dez anos, há 456 lojas em funcionamento. Mas, segundo o diário francês Le Monde, era exatamente essa a proposta de dois dos maiores acionistas do grupo -- o aristocrático Bernard Arnault, dono do conglomerado de luxo LVMH, e o americano Thomaz Barrack, controlador do fundo de private equity Colony Capital, que juntos detêm 13,5% de participação. Para o Le Monde, Arnault e Barrack estavam interessados em fazer caixa. Diante da revelação, o Carrefour calou-se por oito longos dias até publicar um desmentido de que suas operações brasileira e chinesa estariam à venda.

Se a informação era mentirosa, por que a relutância em desmenti-la? Talvez porque o que esteja havendo nas entranhas do Carrefour seja um grande jogo de interesses entre os que querem sua expansão internacional e os que exigem resultados no curto prazo. Segundo EXAME apurou, representantes de Arnault e Barrack continuam a conversar com a rede americana Walmart, a maior varejista do mundo, sobre a possibilidade de venda do Carrefour no Brasil e na China. "Eles querem que a transação seja concretizada até o final do ano", afirma um executivo próximo às negociações. (Procurados, Carrefour e Walmart se recusaram a dar entrevista.)

Embora não seja a primeira vez que o Carrefour ameace deixar o Brasil (em 2007, o então presidente mundial da rede, José Luis Durán, deu um ultimato público à operação local), isso nunca esteve tão perto de acontecer como agora. Executivos das duas empresas têm mantido conversas a respeito da venda da operação brasileira há pelo menos três meses -- tanto na sede do Carrefour como na do Walmart, em Bentonville, nos Estados Unidos. Para conduzir a negociação, o Walmart destacou quatro de seus profissionais -- Vicente Trius, presidente do Walmart para a América Latina, Eduardo Alcaro, responsável pela área de aquisições no Brasil, Antonio Guimarães, principal executivo de finanças da subsidiária brasileira, e o cubano Hector Nuñez, presidente do Walmart no Brasil. Para assessorá-los foi contratado o banco de investimento UBS -- que trabalhou para o Walmart na compra da rede de supermercados Sonae, em 2005. Coube a Nuñez a responsabilidade de traçar os possíveis cenários para uma eventual união entre as duas operações no país, o que resultaria na criação de uma companhia com faturamento anual de cerca de 40 bilhões de reais, quase o dobro da receita do grupo Pão de Açúcar, que ficaria em segundo lugar no ranking. Nos últimos três meses, Nuñez viajou aos Estados Unidos duas vezes para tratar do assunto. O presidente do Carrefour no Brasil, o francês Jean-Marc Pueyo, não participou das conversas. O valor da transação está estimado em 12 bilhões de reais. "Eles não vão desistir tão cedo nem tão facilmente", afirma um executivo que acompanha as negociações.

A pressão para que o Carrefour se desfaça de uma operação tão importante -- e com um enorme horizonte de crescimento -- revela o viés claramente financeiro de Arnault e Barrack. Em 2007, a dupla pagou 4 bilhões de euros para entrar no bloco de controle do grupo com o objetivo de obter um retorno de aproximadamente 30% do investimento em cinco anos. O projeto previa a cisão da operação de varejo da parte imobiliária da rede, então avaliada em 24 bilhões de euros. Independente, o braço de imóveis faria seu IPO. O sucesso da operação, estimada em 3 bilhões de euros, acabaria valorizando as ações do Carrefour por meio do efeito dominó. Parecia o plano perfeito -- até que veio a crise. De lá para cá, o mercado imobiliário na Europa, onde estão localizados os ativos mais valiosos do Carrefour, entrou num movimento de profunda desvalorização -- sepultando seus planos de abrir o capital. No mesmo período, o valor das ações do Carrefour na bolsa caiu 36%, fazendo com que Arnault e Barrack tivessem um prejuízo de 1,2 bilhão de euros. "Os acionistas precisam encontrar uma forma de reaver o investimento", afirma o analista de uma grande consultoria financeira europeia. "Daí a urgência em anunciar a venda de uma das operações de maior valor."

A estratégia deflagrada por Arnault e Barrack provocou uma reação por parte dos demais acionistas do Carrefour, que querem manter as operações nos mercados emergentes por uma óbvia questão de estratégia. No início de outubro, enquanto se iniciavam as negociações com o Walmart, dez diretores do Carrefour no Brasil foram reunidos numa espécie de força-tarefa com o objetivo de traçar um plano para melhorar o desempenho da rede no país -- e, com isso, garantir sua permanência aqui. Apesar de grandiosa, a operação brasileira tem rentabilidade em torno de 5,5%, segundo executivos da própria rede -- abaixo dos 7,5% apresentados pelo Pão de Açúcar e aquém do exigido pelos principais acionistas do Carrefour. O resultado só não é pior graças ao Atacadão. Adquirida em 2007, a rede de varejo popular tem margens bem mais altas que a operação de hipermercados, responsável por quase metade da receita do grupo. "O Atacadão responde por cerca de 30% do resultado do Carrefour", diz Daniela Bretthauer, analista de varejo do banco Raymond James.

É pouco provável, no entanto, que a bandeira Atacadão consiga, sozinha, impulsionar o crescimento do Carrefour no Brasil. Primeiro, por uma limitação espacial. Como esse tipo de loja ocupa uma área até seis vezes maior do que um típico supermercado de bairro, sua proliferação por grandes centros urbanos é inviável. A segunda restrição é econômica. O "atacarejo", como esse modelo é conhecido, é destinado sobretudo a microempresários, que geralmente revendem os produtos. Em cidades menores, com atividade econômica limitada, é quase impossível gerar tráfego suficiente numa loja com esse perfil. "É aí que entra, ou deveria entrar, o supermercado de bairro", diz Markus Stricker, sócio da consultoria AT Kearney, especializado em varejo. O problema é que o Carrefour, ao contrário dos concorrentes, ainda tem dificuldades nesse modelo de negócios -- justamente o que mais cresce no país. Das 49 lojas Carrefour Bairro, apenas duas foram abertas desde 2006 (o restante é remanescente de compras realizadas nos últimos dez anos). Nesse mesmo período, o Pão de Açúcar inaugurou 52 dessas lojas, e o Walmart, 49. "Ainda estamos aprendendo a navegar nesse mundo", afirma um executivo do Carrefour que prefere não ter seu nome revelado. Enquanto isso não acontece, o perigo segue rondando o Brasil.

Compra da Pilgrim's pelo JBS Friboi é aprovada pelo Departamento de Justiça dos EUA

Decisão é definitiva e foi publicada sem restrições; conclusão do negócio deve sair no fim do ano.


A compra da Pilgrim's pelo JBS Friboi foi aprovada sem restrições pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A segunda maior processadora de aves do país foi adquirida em 16 de setembro pela JBS, USA, a subsidiária americana do frigorífico brasileiro. A decisão é definitiva e abre caminho para o próximo passo necessário à conclusão do negócio: aprovar a reestruturação da Pilgrim's, que se encontra em recuperação judicial desde dezembro do ano passado. O JBS. espera que o juiz responsável pelo processo de recuperação aprove o plano até o final desde ano.

Desde o início, o grupo brasileiro não esperava problemas para obter o aval do órgão regulador de mercado americano, já que ainda não atuava no segmento de aves. O fato não impediu que a empresa enfrentasse resistências, como a de associações de criadores de gado locais, que argumentaram que o JBS Friboi se fortaleceria demais, e poderia jogar a carne bovina contra a de frango, a fim de manipular os preços. No ano passado, a companhia também desistiu de adquirir a National Beef, devido à forte onda nacionalista que se levantou contra o acordo.

O JBS vai pagar 800 milhões de dólares por 64% do capital total da Pilgrim's, o que confere um valor de 2,8 bilhões de dólares à processadora de frangos. Com o frigorífico Bertin, cuja aquisição foi anunciada no mesmo dia da da Pilgrim's, o JBS tornou-se o maior processador de proteína animal do mundo, com vendas estimadas de 28,7 bilhões de dólares. As operações americanas vão representar 70% dessa receita - o que a torna uma das empresas brasileiras mais globalizadas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os freakonomistas atacam outra vez

EXAME teve acesso antecipado ao SuperFreakonomics, a continuação do livro de economia mais popular da história.

EXAME teve acesso antecipado à aguardada continuação de Freakonomics, o livro de economia mais popular da história, e publica em sua próxima edição trechos inéditos da obra que será lançada nos Estados Unidos no dia 20 de outubro. Assim como o primeiro título, traduzido para 35 idiomas e com mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o planeta, a sequencia, batizada Superfreakonomics, também resulta da parceria entre o economista Steven Levitt, professor da universidade de Chicago, e o jornalista Stephen Dubner, ex-editor do The New York Times.


O novo livro prende o leitor do começo ao fim. Com o mesmo tom irreverente e bem-humorado, os autores usam o olhar econômico para responder questões como por que homens-bomba deveriam comprar seguro de vida e por que os médicos são um perigo para os pacientes. Sem perder o tom de entretenimento, os autores declaram que não pretendem apresentar conclusões definitivas. "A verdade é que, assim como este, o primeiro livro tinha um princípio unificador, mesmo que, na época, não fosse óbvio até para nós", afirmam os autores nas primeiras páginas de SuperFreakonomics. "A descrição pode ser a seguinte: pessoas respondem a incentivos, embora não necessariamente de forma previsível ou manifesta."

Rossi: estrangeiros ficam com 72,54% da oferta

A Rossi Residencial encerrou a distribuição pública de 74,250 milhões de ações ordinárias, a qual atingiu R$ 928,125 milhões, com exercício dos lotes suplementar (mais 15% sobre a quantidade inicial) e adicional (mais 20%), ao preço de R$ 12,50 por ação na emissão.

Desse total, investidores estrangeiros ficaram com 72,54%, ou 53.859.163 ações ON, sendo que 9.918.100 delas foram adquiridas pelo Credit Suisse Securities da Europa como forma de proteção (hedge) para operações com derivativos realizadas no exterior, de acordo com informações do anúncio de encerramento da oferta, publicado hoje nos jornais.

A participação de 176 fundos de investimento foi de 17,58%, com a quantidade de 13.054.473 ações, enquanto 4,3 mil pessoas físicas ficaram com 6,89% da oferta, ou 5.120.638 ON.

Também participaram 52 clubes de investimento (622.076 ações), seis entidades de previdência privada (105.617), uma instituição financeira (1,2 milhão de ações), uma pessoa jurídica (4.009 ações), três pessoas físicas profissionais de mercado (11.282 papéis) e 88 sociedades anônimas civis por cotas (272.742).

Ainda de acordo com o comunicado, não foi realizada atividade de estabilização pelo Credit Suisse, que foi o coordenador líder da oferta, da qual participaram ainda Bradesco BBI e Santander.

Como informado anteriormente, a incorporadora pretende usar os recursos para a aquisição de terrenos e projetos voltados ao segmento econômico e para financiamento da exposição de caixa de novos projetos e capital de giro.

Bolsa brasileira está mais atraente que a chinesa, diz Goldman Sachs

Num bate-papo com jornalistas nesta manhã, Jim O´Neill, chefe de Pesquisa Econômica Global do Goldman Sachs e criador do termo BRICs, usado para designar o grupo que reúne os quatro principais países emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China -, falou sobre suas percepções a respeito da economia brasileira neste momento pós-crise financeira. Muito animado, O´Neill demonstrou profundo otimismo com o Brasil, destacando que "ainda está tentando descobrir algo que possa dar errado no país".

"Eu acho que a tendência de crescimento do Brasil vai continuar. O país está numa posição muito confortável, e a forma como lidou com a crise é uma prova disso. Agora, o Brasil está sendo recompensado por todas as políticas adotadas, e o mundo está começando a tratar o país como um lugar sério", disse.

A forte entrada de recursos estrangeiros no país é uma mostra disso. Neste ano, os investidores de outros países colocaram na bolsa brasileira quase 20 bilhões de reais, puxando uma valorização de mais de 70% no Ibovespa. Apesar da forte alta, O´Neill acredita que o indicador ainda tem espaço para subir. "O mercado de ações brasileiro está mais atraente que os de China e Índia", afirma.

O´Neill não é o único a esperar mais valorização para as ações brasileiras. Especialistas no Brasil e os próprios investidores estrangeiros apostam na força do mercado local. A recuperação mundial, na opinião de O´Neill, acontecerá em 'V'. Ou seja, após o tombo, o mercado voltará a subir fortemente. Mas as estimativas do chefe de Pesquisa Econômica Global do Goldman Sachs restringem-se a um período de seis meses. "Ainda não temos indicadores claros que permitam ver como será a reação do mercado mais adiante", diz.

Quando a questão é a economia real brasileira, O´Neill enxerga mais longe. Para ele, é possível que o Brasil esteja entrando num longo período de forte expansão, em que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça num ritmo de 5% ao ano. Outros especialistas consultados pelo Portal EXAME também esperam um crescimento econômico por volta de 5% a partir do ano que vem. Mas para aqueles que veem no Brasil o potencial da China, fica o recado de O´Neill: é um exagero achar que o país conseguirá chegar aos 10% de crescimento anual tão cedo. "Para isso, é preciso ter mão-de-obra, e o Brasil não tem tudo isso."

Atingir 7% de expansão ao ano, entretanto, não seria um sonho tão distante. O caminho, de acordo com o chefe de Pesquisa Econômica Global do Goldman Sachs, seria o Brasil enfrentar seus três pontos fracos: 1-) a baixa participação de investimentos no PIB, 2-) a pouca abertura econômica, 3-) os grandes gastos do governo. "O Brasil tem de incentivar o investimento estrangeiro direto. Aumentando essa participação - que está diretamente relacionada à abertura econômica - é possível crescer mais rápido".

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crescimento maior leva economistas a prever aumento dos juros

12 entre 14 economistas ouvidos por EXAME preveem alta dos juros em 2010 - a questão é saber quando a taxa começa a subir.

Nas últimas quatro semanas, consolidou-se o consenso entre os economistas de que o Brasil deve encerrar 2009 com um ligeiro crescimento. De acordo com o último Focus do Banco Central, há um mês, o mercado projetava uma retração de 0,15% para o PIB. A estimativa vem subindo nos últimos 15 dias e agora já aponta para uma alta de 0,10%. Os números para 2010 também melhoraram 0,80 ponto percentual no mesmo período. A última projeção é de que o país tenha expansão de 4,80% no ano que vem.

Uma enquete do Portal EXAME com 14 corretoras e bancos também mostra que os analistas praticamente descartam um recuo do PIB em 2009 - apenas um banco aposta em queda (veja quadro abaixo). Mas o companheiro dessa expansão será o aumento dos juros. Aventado pelo Banco Central no Relatório de Inflação publicado em outubro, o reajuste da Selic foi incorporado pelos economistas, que afirmam que a medida será necessária para compensar o relaxamento fiscal dos últimos meses, adotado pelo governo como política anticíclica. Além disso, 2010 será um ano eleitoral - momento típico para que os cofres públicos sejam abertos.

Embora os economistas não acreditem na influência de questões políticas nas decisões do Banco Central quanto aos juros, o mercado está de olho na possível saída de Henrique Meirelles da presidência da instituição para concorrer nas próximas eleições. "O Banco Central tem demonstrado comprometimento com uma sólida política monetária, por isso não acreditamos que fatores não técnicos interfiram nas decisões. Mas, como todo o mercado, estamos acompanhando a movimentação para as eleições", destaca o Departamento Econômico do Bradesco. Doze das 14 instituições consultadas pelo Portal EXAME prevêem que os juros irão subir no próximo ano. A divergência está nos motivos e no momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ajuste.

A maioria afirma que não há motivos para temer a inflação em 2010. Estes analistas argumentam que o núcleo da inflação está em queda e que o BC não terá problemas para cumprir a meta de 4,50% de inflação. Segundo eles, o primeiro motivo é que há capacidade ociosa para acomodar a retomada da demanda no primeiro semestre. Além disso, o dólar barato continuará influenciando a economia de dois modos: permitindo a importação de produtos cujos preços ameacem disparar e ajudando a conter o reajuste de preços administrados ou indexados ao IGP-M, índice de preço bastante impactado pela moeda estrangeira.