segunda-feira, 30 de novembro de 2009

MMX vende fatia 21,5% para chinesa Wuhan por US$400 mi

A companhia mineradora MMX anunciou nesta segunda-feira que fechou acordo com a chinesa Wuhan Iron & Steel (Wisco) para venda de 21,52 por cento de seu capital social por 400 milhões de dólares.

A companhia chinesa vai comprar novas ações emitidas pela companhia do empresário Eike Batista, que usará os recursos no desenvolvimento das operações da empresa em Minas Gerais, reunidas no "sistema Sudeste". A MMX também tem operações em Mato Grosso do Sul.

Em comunicado enviado ao mercado, a MMX afirma que vai emitir 167.849.906 novas ações ordinárias ao preço equivalente em reais de 3,93 dólares. "Aos acionistas minoritários haverá direito de preferência à razão de 0,550104921470471 ação por ação detida".

As ações da MMX encerraram a sexta-feira cotadas a 12,01 reais.

O acordo também inclui um contrato de 20 anos relativo a fornecimento de minério de ferro à empresa chinesa e a construção de uma usina siderúrgica integrada no Porto de Açu, da LLX, outra empresa de Batista.

Pelos termos, a MMX garante oferta de 50 por cento do minério de ferro a ser produzido na unidade de Serra Azul do sistema MMX Sudeste, com a possibilidade de aumento do fornecimento em pelo menos 50 por cento do minério de ferro a ser produzido na unidade de Bom Sucesso.

Isso "poderá resultar na exportação de pelo menos 16 milhões de toneladas de minério de ferro por ano pelo sistema MMX Sudeste, tão logo este tenha atingido capacidade de produção total", comenta a MMX.

Os dois grupos querem ter até o final de maio de 2010 todas as licenças e condições para o início da construção da siderúrgica que terá capacidade mínima de 5 milhões de toneladas anuais. A usina será controlada em 70 por cento pela Wuhan Iron com o restante ficando com a EBX, holding de empresas de Batista.

Moratória de Dubai: lembrete de que mundo não está fora de perigo

Na semana passada os mercados de ações foram afetados pelas notícias da moratória da dívida da Dubai World (um interessante eufemismo para inadimplência).

Itens de risco desde commodities até o dólar australiano despencaram à medida que os investidores buscaram a segurança dos bonds e do yen. Itens fundamentais, entretanto, não mudaram desde quarta-feira. Os problemas de Dubai podem ter impacto sobre um ou outro banco, mas os ganhos corporativos agregados mal serão afetados.

Os consumidores em todo o mundo não podiam se preocupar menos. O problema no Golfo tampouco afeta outros temas influentes do dia como as dívidas dos setores público e privado ocidentais, ou a crescimento na China.Então por que o pânico? Há algumas explicações razoáveis.

A primeira é que depois de uma recuperação rápida demais para ser verdade após a maior crise das últimas gerações, Dubai serve como lembrete de que o mundo não está fora de perigo. Uma grave inadimplência num país distante reforça a sensação de que outro choque pode vir de qualquer lugar.

Segundo, as notícias estão sacudindo as crenças tolas dos investidores de que os mercados emergentes merecem prêmios de risco só um pouco acima dos desenvolvidos. Finalmente, Dubai é uma alerta para não assumir que os investimentos são sempre garantidos pelo Estado, mesmo nessa época de generosidade governamental.Um pouco de areia nas engrenagens também lembrará os investidores de não ignorar as avaliações.

Essa recuperação nas ações, por exemplo, levou a maioria dos mercados de uma posição justamente avaliada na melhor das hipóteses para um território supervalorizado em menos de um ano. Por exemplo, baseado nos dados do último fluxo de fundos do Federal Reserve, o índice S&P 500 está cerca de 40% supervalorizado numa base de rendimentos ciclicamente ajustados, de acordo com a Smithers & Co.

Os preços dos commodities ultrapassaram de longe a recuperação na produção industrial global. A World Dubai é um caso único, assim como sua terra natal. Mas isso não significa que os temores sejam infundados.

HSBC é o banco mais exposto a perdas com Dubai

Banco concedeu 15,9 bilhões de dólares em empréstimos no primeiro semestre.

De acordo com a avaliação de analistas do JPMorgan Chase, o HSBC é o banco mais exposto ao risco de ter perdas com a atual situação de crise em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O banco, segundo o JPMorgan, concedeu 17 bilhões de dólares em empréstimos em 2008.

Segundo matéria publicada pela Bloomberg, os empréstimos e adiantamentos do HSBC a clientes nos Emirados Árabes totalizaram 15,9 bilhões de dólares ao fim do primeiro semestre de 2009, enquanto os depósitos ficaram em 19,3 bilhões de dólares no período.
Outro banco que também deve ter problemas é o Royal Bank of Scotland (RBS), a instituição que mais subscreveu empréstimos ao Dubai World, consórcio financeiro que atua em diversos setores, entre eles o imobiliário, e que tem procurado renegociar o pagamento de suas dívidas. O consórcio chegou a declarar que pretende solicitar a seus clientes a moratória de suas dívidas até março do ano que vem.
A situação também deve se complicar para o banco Standard Chartered, sediado em Londres. O Dubai World, após tomar mais de 70 empréstimos, adquiriu diversos ativos, dentre eles participações no casino MGM Mirage, nos Estados Unidos, e no banco britânico.

AçõesTanto a turbulência em Dubai como as notícias da exposição do HSBC fizeram os papéis da companhia cair 7,6% na bolsa de Honk Kong. É a maior queda desde março deste ano.

Um analista do Goldman Sachs, Roy Ramos, estimou que as perdas potenciais de crédito do HSBC relacionadas com os Emirados Árabes pode chegar a 611 milhões de dólares. Ainda assim, segundo Ramos, o impacto sobre o banco deve ser “gerenciável”.

Segundo a Bloomberg, os bancos RBS e Standard Chartered também tiveram perdas em função das notícias vindas de Dubai. Na quinta-feira (26/11), as ações dos bancos caíram 7,8% e 5,8%, respectivamente, na bolsa de Londres.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que o Santander quer no setor de cartões

Banco tem três boas razões para criar sua própria empresa para concorrer com Redecard e Cielo (ex-Visanet).

Ao anunciar que negocia uma parceria com a empresa de cartões gaúcha GetNet, o Santander sinalizou pela primeira vez que vai mesmo concorrer com a Redecard e a Cielo (ex-Visanet) no setor de credenciamento. O mercado sempre cogitou essa possibilidade porque o banco espanhol há muito tempo possui uma licença para credenciar lojas a aceitar cartões Mastercard. O banco, no entanto, nunca havia se posicionado oficialmente sobre o assunto.

Na nota lacônica divulgada ao mercado na semana passada, o Santander informou apenas que está em "negociações avançadas" com a GetNet para "explorar, desenvolver e comercializar, no mercado brasileiro, serviços de captura e processamento de transações de cartões de crédito e débito". O banco mantém o sigilo e não dá mais explicações sobre que tipo de parceria poderia ser fechada. Mas especialistas ouvidos pelo Portal Exame, que pediram anonimato, explicam que o banco tem ao menos três bons motivos para entrar nesse mercado:1 - O momento nunca foi tão favorável para um novo competidor.

O banco sempre teve dinheiro para bancar a investida. Apenas os recursos levantados pelo Santander Brasil com a oferta inicial de ações realizada no mês passado - 14,1 bilhões de reais - seriam suficientes para montar dezenas de redes para transações com cartões. Se já tivesse entrado nesse segmento, entretanto, o banco não começaria a operação em posição de igualdade com as gigantes do setor. Redecard. e Cielo têm cerca de 80% do mercado, economias de escala e conhecimento do negócio.

A diferença é que, a partir de junho de 2010, quando acaba a exclusividade entre Visa e Cielo, as três credenciadoras devem começar, ao mesmo tempo, a oferecer aos lojistas máquinas capazes de capturar e processar transações com as duas maiores bandeiras de cartões do Brasil - hoje a Cielo só trabalha com cartões Visa enquanto a Redecard é responsável pelas transações com Mastercard. Fechar uma parceria com uma empresa com experiência no setor é importante para o Santander não iniciar o negócio do zero, queimar etapas e chegar a junho em condições reais de entrar nessa disputa.

A GetNet tinha sede na cidade gaúcha de Campo Bom, mas recentemente mudou-se para São Paulo, de onde alimenta uma ambição de tornar-se uma multinacional. A empresa possui uma rede já constituída para capturar transações de 21 bandeiras de cartões regionais, credenciou 165.000 lojistas para aceitar esses plásticos, faz o processamento das transações de crédito e débito e sabe trabalhar para grandes empresas - já presta serviços para a American Express.

Ao mesmo tempo, fechar um acordo com o Santander seria bastante interessante também para a GetNet. Para deter a licença da Mastercard e da Visa e se tornar um adquirente, é necessário ser uma instituição financeira - o que impede a GetNet de entrar nesse mercado sozinha.

O acordo com o Santander justificaria o investimento de 160 milhões de reais feito pela empresa em sua preparação para a abertura do setor de cartões no Brasil. Outros processadores de transações eletrônicas, como a gigante americana TSYS e a brasileira CSU Cardsystem, também têm se preparado para aproveitar esse cenário com um maior número de competidores - e ganhará quem prestar serviço às maiores empresas.2 - Se for necessário, deixar a Cielo pode ser vantajoso para o Santander.

O banco tem uma participação pequena na empresa de cartões: 7,2% das ações. O Santander caiu de para-quedas no capital da Cielo em 2007, quando comprou o Banco Real e levou também a participação dele na empresa de cartões. Apesar de o acordo de acionistas garantir ao Santander o acesso ao bloco de controle, a Cielo sempre moldou seu modelo de negócios aos interesses de seus dois maiores acionistas, o Bradesco e o Banco do Brasil.

Juntos os dois bancos detêm 50,09% dos papéis da Cielo. A própria história da empresa demonstra o poder de BB e Bradesco. A Cielo foi criada em 1995, quando a Mastercard ainda era a maior bandeira de cartões do Brasil. Os dois bancos sempre privilegiaram a capilaridade nacional em seus planos de expansão e definiram que a Cielo credenciaria lojistas fora dos grandes centros - de olho no domicílio bancário desses estabelecimentos. Essa estratégia foi suficiente para que a Visa superasse a Mastercard como maior bandeira do Brasil ao mesmo tempo em que Bradesco e BB se tornavam bancos com presença nacional. Hoje a Cielo possui 1,6 milhões de estabelecimentos credenciados enquanto a Redecard está presente em 1,2 milhão.

Por outro lado, a Cielo até hoje tem um rentabilidade menor que a da Redecard, que se concentrou nos grandes centros, em lojas com maior faturamento. Essa estratégia serviu perfeitamente aos planos de seu controlador, o Itaú Unibanco, que também tem suas operações mais focadas nos estados mais ricos do país.Criar uma nova empresa de cartões poderia ser a maneira de o Santander estar presente no setor de cartões por meio de uma empresa moldada para atender seus próprios interesses. Se julgar necessário, o banco poderia até mesmo vender sua participação na Cielo para financiar a expansão da nova unidade. Pela cotação atual, as ações da empresa em poder do Santander valem cerca de 1,6 bilhão de reais. Se o Bradesco e o BB não quiserem ficar com a participação porque já detêm o controle, os papéis poderiam ser vendidos a outro sócio estratégico ou até mesmo no mercado, por meio de uma oferta pública - o Citigroup fez isso para se desfazer de suas ações da Redecard. Caso o Santander abra mão também da participação na Cielo, uma mudança no estatuto para tirá-lo do bloco de controle poderia selar a paz entre os sócios.

3 - Ter uma empresa de cartões seria uma forma de o Santander viabilizar a expansão do próprio banco, segundo a equipe de analistas do britânico Barclays. O Santander poderia usar o credenciamento dos lojistas como uma arma para conquistar também a conta corrente desses estabelecimentos. O Barclays explica que o banco já detém as contas correntes de 10% dos lojistas credenciados pela Visanet e de 5% dos credenciados pela Redecard. Controlar o domicílio bancário de mais estabelecimentos permitiria ao Santander conhecer informações importantes sobre essas lojas que poderiam viabilizar a venda de outros produtos financeiros, como a antecipação dos recebíveis. Como no Brasil existe o parcelado sem juros e as lojas demoram até 40 dias para receber os pagamentos à vista feitos com cartão de crédito, o banco poderia antecipar o depósito desses recursos na conta dos estabelecimentos mediante a cobrança de uma taxa. Sabendo qual o volume de pagamentos a receber de uma loja, o banco prestaria esse serviço praticamente sem risco."Nós acreditamos que a entrada do Santander [em cartões] é menos orientada em manter uma alta rentabilidade no setor de credenciamento e mais direcionada em ganhar o domicílio bancário dos lojistas para então oferecer diversos outros produtos bancários lucrativos", afirmou o Barclays em relatório. Os analistas lembram que já não restam muitos alvos para que os bancos cresçam via aquisições no Brasil. Logo, terão uma expansão mais vigorosa as instituições financeiras capazes de tirar clientes do concorrente. Após realizar o maior IPO da história do Brasil e levantar o capital necessário para expandir a carteira de crédito, isso é tudo que o Santander quer., segundo a equipe de analistas do britânico Barclays. O Santander poderia usar o credenciamento dos lojistas como uma arma para conquistar também a conta corrente desses estabelecimentos. O Barclays explica que o banco já detém as contas correntes de 10% dos lojistas credenciados pela Visanet e de 5% dos credenciados pela Redecard.

Controlar o domicílio bancário de mais estabelecimentos permitiria ao Santander conhecer informações importantes sobre essas lojas que poderiam viabilizar a venda de outros produtos financeiros, como a antecipação dos recebíveis. Como no Brasil existe o parcelado sem juros e as lojas demoram até 40 dias para receber os pagamentos à vista feitos com cartão de crédito, o banco poderia antecipar o depósito desses recursos na conta dos estabelecimentos mediante a cobrança de uma taxa. Sabendo qual o volume de pagamentos a receber de uma loja, o banco prestaria esse serviço praticamente sem risco."

Nós acreditamos que a entrada do Santander [em cartões] é menos orientada em manter uma alta rentabilidade no setor de credenciamento e mais direcionada em ganhar o domicílio bancário dos lojistas para então oferecer diversos outros produtos bancários lucrativos", afirmou o Barclays em relatório. Os analistas lembram que já não restam muitos alvos para que os bancos cresçam via aquisições no Brasil. Logo, terão uma expansão mais vigorosa as instituições financeiras capazes de tirar clientes do concorrente. Após realizar o maior IPO da história do Brasil e levantar o capital necessário para expandir a carteira de crédito, isso é tudo que o Santander quer.

Bilhões de motivos para investir

Conhecido como o "Buffett canadense", o presidente do grupo Brookfield conseguiu reforçar o caixa durante a crise mundial. Agora chegou a hora de gastar, e o alvo é o Brasil.

Embora seja um completo desconhecido dos brasileiros, o executivo na foto ao lado mantém uma antiga relação com o Brasil. Desde 2002, quando assumiu o comando mundial da Brookfield Asset Management (ex-Brascan).

O canadense Bruce Flatt esteve no país pelo menos 40 vezes, segundo suas contas. Para conhecer de perto os projetos da empresa no país, já circulou por canteiros de obras no Rio de Janeiro, vistoriou plantações de cana-de-açúcar em São Paulo e sobrevoou hidrelétricas em Minas Gerais. Em sua última visita, Flatt viveu uma experiência inédita. Pouco antes da meia-noite de 10 de novembro, foi surpreendido em São Paulo pelo apagão que atingiu 18 estados enquanto tentava realizar uma teleconferência com seus executivos no Canadá. Horas antes, diante da falta de luz no restaurante onde conversava com a reportagem de EXAME, Flatt reagiu com uma piadinha: "Isso não é luz da Brookfield!" A empresa tem 34 hidrelétricas no Brasil e pretende construir mais cinco a partir do ano que vem.

As novas usinas são parte do plano de Flatt para o Brasil. Dos 90 bilhões de dólares que a Brookfield administra em 15 países, hoje 9 bilhões estão no Brasil. Trata-se de um investimento que, segundo Flatt, deve ser multiplicado por três nos próximos dez anos. "De todos os países do Bric, o Brasil foi onde escolhemos investir", diz.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caixa negocia compra de 49% do capital votante do Panamericano

O Banco Panamericano anunciou nesta quinta-feira que está mantendo negociações que podem resultar na venda de 49% de seu capital social votante para a Caixa Econômica Federal.

A confirmação das conversas veio após semanas de rumores envolvendo a eventual compra do controle do banco de médio porte do Grupo Silvio Santos pela instituição estatal. Consultada, a Caixa informou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai se manifestar sobre o assunto.

Em novembro, com a intensificação dos rumores sobre a compra, as ações do Panamericano chegaram a acumular alta superior a 40% no mês na bolsa paulista.

Pelos termos do acordo em andamento, a Caixa também assumiria 20% do capital não votante do Panamericano, o que a levaria a assumir cerca de 35% do capital social do banco de médio porte, segundo o comunicado enviado pelo banco médio à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com valores de fechamento das ações na quarta-feira, a transação ficaria numa faixa de R$ 750 milhões a R$ 800 milhões, de acordo com cálculos da Reuters.

"Até o momento não há qualquer documento assinado entre as partes, uma vez que as condições negociais, em especial o preço, não foram definidas", acrescenta o documento.

Se confirmada, a compra seria feita por meio do braço de participações da Caixapar, braço de participações da Caixa criado em novembro do ano passado, numa iniciativa do governo federal de usar os bancos estatais para socorrer instituições financeiras de médio porte atingidas pela crise.

Até agora, no entanto, nenhuma aquisição foi feita pela Caixapar. Já o Banco do Brasil acertou no início do ano a compra de 49,99% do capital do Banco Votorantim.

Goldman Sachs diz que real é a moeda mais valorizada do mundo

O real se converteu na moeda mais valorizada do mundo devido a uma crescente "muralha de dinheiro" que tem compensado os esforços do governo para conter a valorização, afirmou na quarta-feira o banco Goldman Sachs.

Os investimentos líquidos de portfólio mensais atingiram a assombrosa cifra de US$ 17,6 bilhões em outubro, saltando do intervalo de entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões registrado desde março, quando os mercados financeiros começaram a se recuperar, afirmou a instituição.

Em 2007 e 2008, antes da crise do Lehman Brothers, o país atraía cerca de US$ 3,3 bilhões em investimentos mensais.

O Brasil estabeleceu um imposto financeiro de 2% sobre os investimentos estrangeiros em ações e renda fixa e um imposto de 1,5% sobre as operações realizadas com ADR de empresas brasileiras.
Embora os impostos inicialmente ajudaram a estabilizar os investimentos, "há indicações de que as pressões de valorização estão em alta de novo", disse o economista da Goldman Sachs Thomas Stolper em um relatório.

"Isso incrementa a pressão para implementar uma mescla de políticas mais coerentes ou, alternativamente, existe um risco crescente de que medidas adicionais têm de ser implementadas para frear os ingressos de capital", acrescentou.

Os sete principais erros no pagamento do IR

maior parte dos equívocos que levam os contribuintes à malha fina ou ao pagamento de multas é cometida bem antes da época de declaração.

A declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2010 só começa em março do próximo ano, mas pensar nela desde já pode evitar que aconteçam alguns deslizes recorrentes que podem levar o contribuinte à temida "malha fina" da Receita Federal, um processo de fiscalização em que o contribuinte é intimado a comprovar as informações fornecidas.

Segundo o supervisor nacional do IR na Receita, Joaquim Adir, o aumento da fiscalização nos últimos cinco anos fez com que o número de declarações pendentes detectadas pela Receita crescesse cerca de 40%. Boa parte desses contribuintes não cai na malha fina por má-fé ou tentativa de sonegação. "Muitas pessoas erram por não saber as regras do Imposto de Renda", diz Adir. "E, para 2010, estamos aprimorando ainda mais o nosso sistema informático de avaliação."

O advogado tributarista Samir Choaib, sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo, alerta que muitas vezes um equívoco pode levar a uma enorme dor de cabeça para o contribuinte. "Conheço gente que, devido a um erro na declaração, foi multado em 200 mil reais", conta Samir. Veja abaixo os sete erros mais comuns cometidos por pessoas físicas na declaração do IR:

1 - Ações na bolsa
Desde 2005, a Receita criou uma alíquota de 0,005% sobre operações de venda na BM&FBovespa - o percentual poderá ser ressarcido quando o valor de venda for inferior ao do da compra do papel. Essa tributação não gera uma arrecadação representativa para o governo, mas serve para que os auditores tenham informações sobre quem negocia papéis em bolsa e possam identificar os sonegadores. Neste ano, 1.481 investidores, responsáveis por movimentar 81 milhões de reais na bolsa em 2008, tiveram de passar pela malha fina e comprovar os seus rendimentos. "Qualquer pessoa que ganha cinco mil reais na bolsa tem que preencher a declaração", destaca Choaib. Toda vez em que o investidor vender mais de 20 mil reais de ações em um único mês, ele terá de arcar com uma alíquota de IR 15% sobre o lucro a ser pago no mês seguinte às transações. Em casos de day trade (compra e venda de um papel no mesmo dia), a tributação será de 20%, sendo 1% descontado pela própria corretora e deduzido direto no IR. Se o investidor comprar 24 mil reais de papéis e vendê-los por 26 mil reais, por exemplo, a alíquota (tanto para operações comuns como para day trade) incidirá sobre os dois mil reais de lucro. Em situações de prejuízo, o valor perdido nas operações poderá ser deduzido posteriormente. Ou seja, se as ações forem compradas por 100 mil reais e, depois, vendidas por 20 mil reais (totalizando um prejuízo de 80 mil reais), ao obter um lucro de 90 mil reais em operações futuras (sem prazo determinado) a mordida do Leão será apenas sobre os 10 mil reais do lucro líquido (já descontado o prejuízo inicial). Vale lembrar também que os custos com corretagem poderão ser deduzidos na declaração.

2 - Imóveis
Com a finalidade de aquecer o mercado imobiliário, desde 2005 a Receita Federal isenta a pessoa física de pagar alíquota de 15% sobre o ganho de capital obtido com a venda de algum imóvel caso ela compre outro imóvel residencial (não inclui salas de escritórios ou terrenos, portanto) no prazo de até 180 dias - pode ser de valor inferior ao imóvel vendido. Por exemplo: se alguém compra um apartamento por 150 mil reais e, depois de dez anos, o revende por 250 mil reais, o proprietário teria de pagar uma tributação de 15% sobre os 100 mil reais ganhos na transação. Mas, se a pessoa utilizar os 250 mil reais para comprar outro imóvel, estará isenta do IR. O uso desse benefício só poderá ser feito uma vez a cada cinco anos. Outra isenção geralmente deixada de lado na hora de declarar é a que permite ao proprietário vender o seu único imóvel de até 440 mil reais sem ter que pagar qualquer alíquota sobre o ganho de capital. Esse benefício, no entanto, só é válido para quem não vendeu imóvel durante cinco anos, explica Mauro Gallo, professor e pesquisador do Núcleo de Estudos em Controladoria e Gestão Tributária da Fipecafi-USP. Há também um meio de conseguir isenção sobre vendas de imóveis (ou terrenos) avaliados em até 35 mil reais. Ou ter sociedade sobre um imóvel de até 70 mil reais, dividindo o valor total em duas partes iguais. Quanto à declaração de benfeitorias, que eleva o valor do imóvel e ajuda a reduzir o imposto a ser pago em caso de venda, ela só será aceita se agregar valor à propriedade – como, por exemplo, construir uma nova edícula. Portanto, pintura não conta.

3 - Fundos de previdência
O primeiro passo é escolher entre PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). Depois, o contribuinte terá que optar pela tabela progressiva (a mesma usada para calcular o IR na fonte todo mês) ou pela regressiva, cuja alíquota maior é de 35%, reduzindo cinco pontos percentuais da alíquota do IR a cada dois anos (a partir de dez anos, a alíquota passa a ser de 10%). Dependendo das escolhas feitas acima, o investidor poderá ser abocanhado cruelmente pelo Leão. Há alguns gerentes de banco que, logo de cara, oferecem os fundos de PGBL como uma opção de aplicar em dezembro para escapar de tributações. São indicados porque permitem o desconto de até 12% da renda bruta tributável para quem declara no modelo completo. Por exemplo: se a renda bruta anual for de 100 mil reais, o contribuinte poderá abater até 12 mil reais das contribuições feitas ao PGBL. Para aproveitar esse benefício, muita gente aplica nesses fundos em dezembro para lançar isso na declaração do ano seguinte. Mas, na verdade, essa solução só adia o pagamento de IR para o dia de resgate do valor investido. Se forem aplicados 24 mil reais e, depois de certo tempo, o investidor resgatar 30 mil reais, ele pagará alíquota de 27,5% não apenas sobre o ganho de capital mas sobre todo o montante investido. Os fundos de VGBL, indicados para quem usa o modelo simplificado de declaração (cujo desconto-padrão é de 20%), não permite deduzir a aplicação do IR. Porém, quando receber o benefício, o contribuinte só pagará 15% sobre o rendimento obtido. Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será o imposto pago no resgate. "Grosso modo, os fundos de VGBL são recomendados para o empresariado, enquanto os de PGBL são melhores para aposentados e assalariados", resume Gustavo Moral, coordenado do curso de direito tributário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo.

Noticia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/financas/sete-principais-erros-pagamento-ir-514267.html?page=1

Clique no link acima para ver a noticia completa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Rússia diz que Brasil tem interesse em comércio com moeda local

O Brasil está interessado em realizar o comércio bilateral com a Rússia em moedas locais, disse nesta quarta-feira um integrante do banco central russo, em mais uma demonstração do interesse de Moscou de usar mais a moeda nacional em detrimento do dólar.

A Rússia já discute realizar o comércio bilateral em moedas nacionais com a China e com a Índia --que junto com o Brasil e a Rússia formam o grupo Bric de países emergentes--, além de outros países como Turquia e Vietnã.

"Houve uma iniciativa dentro dos Brics. Esses países pretendem criar as condições para o pagamento direto do comércio em moedas nacionais", disse Alexander Potemkin, assessor do presidente do banco central russo.

"O Brasil já expressou esse interesse. A Índia... está pronta para discutir o tema", acrescentou, falando na Duma, câmara baixa do Parlamento.

Crescem os problemas de fornecimento da Light

Em meio às negociações de mudança de controle para a Cemig, a Light dá sinais de que faltou fôlego para atender o seu mercado. Nos últimos 30 dias a empresa contabiliza uma série de cortes de energia no Rio de Janeiro que apontam para falta de investimentos na sua rede de distribuição.

Com 3,9 milhões de consumidores, a Light demorou 24 horas para consertar um problema que deixou sem luz 12 mil consumidores dos bairros de Ipanema, Leblon e Lagoa, na zona Sul do Rio de Janeiro.
O problema nos cabos subterrâneos da distribuidora na região começou domingo, com o rompimento de dois deles de um conjunto de oito. Às 15h50 de segunda-feira, com o rompimento de um terceiro cabo, a Light desligou a energia deixando 12 mil consumidores, incluindo um shopping center, sem luz." Quando perdemos o terceiro cabo resolvemos desligar o sistema inteiro porque senão a sobrecarga no sistema poderia danificar os cinco restantes, causando um efeito pior ainda. E corremos para consertar " , afirma o presidente da Light, José Luiz Alquéres. Os transtornos na região foram inúmeros.

O problema foi resolvido ontem às 14h50, mas em alguns pontos de Ipanema o fornecimento só foi retomado por volta de 16h. Mas os problemas de suprimento da Light na zona Sul do Rio tornaram-se mais frequentes este mês, quando a temperatura subiu. Foram afetados moradores de Copacabana e de parte do Arpoador, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Para cada um desses eventos a empresa informou um problema técnico, variando desde o incêndio em caixa de medidores, problemas na rede subterrânea de Ipanema, desarme de transformadores a cabos queimados na Barra da Tijuca.Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram queda de desempenho da distribuidora fluminense em 2008, quando os consumidores sofreram com uma média de 11h06, acima do limite de 10h59 estabelecido pela agência reguladora. Para 2009 o limite estabelecido foi de 10h28 para o DEC (horas sem energia) e de 9h47 para o FEC, índice que mede a frequência das interrupções.Alquéres afirma que a distribuidora tem o menor número de interrupções e segundo melhor tempo de duração do país, atrás apenas da CPFL. De fato, o índice que aponta o DEC até setembro de 2009 é de 8,96 na média móvel do período. Já o FEC, na média móvel, ficou em 5,75, a melhor do país. Os números devem piorar depois dos últimos eventos. " É lógico que isso (os desligamentos) nos preocupa, pessoas que precisam de assistência ou moram em andares elevados (são afetadas). Mas logo que percebemos o problema colocamos quinze equipes para identificar e corrigir os defeitos.

O sistema subterrâneo demora a dar defeito mas quando isso ocorre é complicado identificar " .Alquéres menciona ainda o fato de a distribuidora ter triplicado os investimentos, que ficavam numa média de R$ 200 milhões, para uma média de R$ 600 milhões anuais nos últimos dois anos. E planeja investir R$ 3,5 bilhões nos próximos cinco. Mesmo assim, a impressão de fontes do setor, alguns moradores do Rio, é de que a empresa parece estar priorizando investimentos para reduzir furtos, o que pode ter afetado os investimentos para reforço e expansão da rede para evitar sobrecarga no sistema. Ontem a Aneel deu 48 horas para a Light explicar as causas e a duração da falta de energia na zona Sul, os locais afetados e as medidas para evitá-los.

Controlada pelo consórcio Rio Minas Energia Participações (RME), que tem 52,13%, a Light vai mudar de comando quando a Cemig concluir negociações com a Equatorial Energia e a Andrade Gutierrez para adquirir as ações dessas empresas. Quando concluído o processo a participação da Cemig subirá de 13% para 39%.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Antes de se unir à JBS, Bertin registra lucro

Em seu último balanço antes da incorporação pela JBS S.A., a Bertin S.A. divulgou ontem que teve um lucro líquido de R$ 40,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, revertendo um prejuízo de R$ 395 milhões registrado em igual intervalo de 2008. A receita bruta da empresa no período foi de R$ 2,115 bilhões, alta de 9% sobre o terceiro trimestre de 2008.

A receita líquida ficou em R$ 1,838 bilhão, aumento de 7,8% na mesma comparação." Os resultados foram bons " , disse Fernando Falco, diretor de lácteos da Bertin. Um dos indicadores positivos foi o Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que cresceu 52,4% em igual comparação, saindo de R$ 99, 4 milhões para R$ 151,6 milhões, segundo a empresa. A margem lajida subiu de 5,8% no terceiro trimestre do ano passado para 8,2% no último trimestre.

De acordo com Falco, a desvalorização do dólar ante o real ajudou a Bertin a reverter o prejuízo do terceiro trimestre de 2008, que havia sido causado pela forte alta do dólar em decorrência da crise financeira global. Ele afirmou que o aumento no lajida decorre da melhor utilização da capacidade de abate de bovinos - no período o abate subiu 12,4% para 860 mil cabeças.A divisão de lácteos também contribuiu para o resultado. As vendas cresceram 14,7% em volume enquanto a receita líquida subiu 16%, para R$ 239,3 milhões, segundo a empresa. Entre os motivos para o crescimento estão a maior presença da empresa no varejo do Nordeste e a ampliação do portfólio de produtos da divisão, comercializados com a marca Vigor. Ainda que a recuperação das exportações esteja ocorrendo mais lentamente do que o esperado, a divisão de carne bovina da Bertin também ampliou a receita líquida em 16,2% em relação ao terceiro trimestre de 2008, para R$ 1,340 bilhão.

A empresa, que estava alavancada antes da negociação com a JBS, informou que seu caixa era de R$ 1,528 bilhão no fechamento do período julho a setembro, " o que garante liquidez frente às obrigações de curto prazo " , diz comunicado.Segundo Falco, o nível de alavancagem no período ficou em 3,4 (relação dívida líquida sobre lajida). Em recente entrevista para tratar dos resultados da JBS no terceiro trimestre, o presidente da empresa, Joesley Batista, disse que a Bertin tem dívidas de US$ 2 bilhões, mesmo montante que a JBS.

Questionado sobre o porquê da união das duas empresas diante da melhoria de resultados da Bertin, Falco disse que a intenção é ganhar escala e sinergias. O acordo entre JBS e Bertin, que prevê troca de ações, está em fase de aprovação pelos órgãos reguladores nacionais e internacionais. Juntos Bertin e JBS terão capacidade diária de abate de 90,4 mil cabeças de bovinos e um faturamento anual estimado de US$ 30 bilhões.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fusão Amil-Medial agrada mercado, mas envolve desafios

Amil vai ampliar sua base de consumidores e tornar a Medial mais eficiente, mas precisará absorver rapidamente os ganhos de sinergia.

A compra da operadora de planos de saúde Medial pela Amil, anunciada nesta quinta-feira, pode aumentar a eficiência de ambas as companhias e abrir caminho para uma consolidação maior do setor, segundo analistas de duas corretoras que acompanham a Amil. No curto prazo, porém, a empresa precisa provar que é capaz de digerir os ganhos de sinergia que a aquisição pode trazer num prazo que compense o valor pago pela transação, visto como relativamente alto.

A visão mais positiva sobre a compra vem do analista da corretora do Santander, Daniel Gewerh. Responsável pela cobertura das empresas do setor de saúde, ele afirma que o principal benefício para as companhias é a possibilidade de a Medial melhorar seus processos de precificação dos planos de saúde comercializados, ao adotar os padrões da Amil.

Segundo o analista, a Medial praticava preços abaixo da média de mercado para alguns produtos como forma de conquistar clientes da concorrência, mas amargava prejuízo nessas operações. No longo prazo, a empresa saía muito prejudicada pela estratégia.''Nesse setor, a precificação é fundamental, é o ponto mais importante desse negócio'', afirma.

A aquisição também pode melhorar os índices de sinistralidade da Medial - ou seja, reduzir os gastos da empresa com serviços de saúde - e gerar economia com a diluição dos custos administrativos.
Para a Amil, por sua vez, o negócio amplia a base de clientes e fortalece a capacidade de distribuição no mercado paulista, o mais importante do país. A fatia da empresa em São Paulo vai praticamente dobrar, dos atuais 7,9% para 15,1%.''Essa compra se encaixa perfeitamente na estratégia da Amil. Ela adquiriu a empresa que precisava adquirir'', diz Gewerh.

Consolidação em andamento

O analista do Santander acredita que o negócio também aumenta as chances de a Amil se tornar a grande consolidadora do mercado de saúde, a partir da aquisição, em médio e longo prazo, de outras concorrentes. Alguns dos negócios mais importantes do setor nos últimos cinco anos foram protagonizados pela Medial, ao comprar a Amesp, e pela Amil, ao adquirir a Amico e a Blue Life.

Com uma base maior de clientes e a amplia liderança de mercado, a Amil ganha condições de acelerar o processo de consolidação em curso no setor desde o início da década. Segundo Gewehr, o Brasil contava com 2.273 operadoras de planos dentais e de saúde, no ano 2000, ante 1.273, ao fim do primeiro semestre de 2009.

A situação financeira da Amil, também é favorável. Capitalizada pela abertura de capital promovida em 2007, a companhia contava com 1,1 bilhão de reais em caixa antes da aquisição. Pelos 51,9% das ações da Medial a companhia vai desembolsar 612 milhões de reais, o que deixa uma folga significativa para que a empresa tome fôlego e volte às compras, sem contar a possibilidade de um aumento na alavancagem, que poderia ser executado com relativa facilidade, na opinião de Gewerh.

Dificuldades da operação

Para a Fator Corretora, porém, a Amil. pode esbarrar justamente na incapacidade de absorver as concorrentes que ela adquire. Em relatório assinado pelo analista Iago Whately, a corretora diz que a aquisuição será positiva para a Amil do ponto de vista comercial, mas alerta que a companhia ''tem mostrado dificuldade em integrar os processos e capturar as sinergias de outros ativos adquiridos''.
Na aquisição desta quinta-feira, o risco fica ainda mais evidente por causa das dificuldades que a Medial atravessa, em função da ''falta de capacidade da rede própria e da ineficiência de seus processos internos''.

Whately afirma também que a carteira de clientes da Medial é de baixa qualidade e lembra que, segundo as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais, os reajustes de preços são definidos pela agência e as operadoras não podem cancelar os contratos.
Isso aumenta o desafio da Amil por indicar que a sinistralidade da Medial só vai convergir para os níveis da empresa compradora após a reestruturação das operações, o investimentos em hospitais e - o que é mais difícil - a mudança no perfil da carteira de clientes da Medial.

Segundo o analista, como o valor oferecido pela Medial (17,2066 reais por ação) já pressupõe que a compradora será capaz de capturar os ganhos de sinergia do negócio, a Amil corre o risco de perceber que pagou caro pela concorrente, caso demore demais para digerir o novo ativo.

Brasil acertou ao taxar estrangeiro, diz Jim O’Neil

Para o economista do Goldman Sachs que criou a sigla Bric, o país caminha para se tornar a quinta maior economia mundial na próxima década.

Não há muito o que o governo brasileiro possa fazer para impedir a valorização do real neste momento. Eleito a bola da vez pelos investidores estrangeiros, o país também precisa lidar com um cenário desfavorável ao controle do câmbio - os juros estão muito baixos nos países desenvolvidos, e a economia brasileira é uma das mais saudáveis neste momento, o que atrai o apetite do capital externo. A avaliação é do economista Jim O’Neil, chefe da área de pesquisa econômica global do banco Goldman Sachs e criador da célebre sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), usada para designar os países emergentes que se sobressairiam no futuro.

O’Neil elogiou a recente taxação do capital estrangeiro e das emissões de ADRs embora indique que ela terá pouco efeito prático. Em entrevista ao Portal EXAME, o economista falou das possíveis formas de conter a valorização do real e de como o país pode se tornar a quarta maior economia mundial na próxima década.

Portal EXAME - Nas últimas semanas, o governo brasileiro adotou algumas medidas para conter a apreciação do real - a taxação em 2% de IOF sobre o capital estrangeiro e de 1,5% para a emissão de ADRs. Essas medidas estão corretas?

Jim O’Neil - Eu tenho uma certa simpatia pelas autoridades brasileiras. Eles estão certos em se preocupar se o real está sobrevalorizado ou se uma parte do fluxo de capital de curto prazo pode ser revertido. Ao adotar essas medidas, o governo brasileiro está tentando assegurar que os investidores estrangeiros apliquem no país pelos motivos certos.

Portal EXAME - Essas medidas podem, de fato, conter a valorização do real?

O’Neil - É difícil que essas medidas, sozinhas, funcionem. É preciso lembrar que o cenário mundial envolve taxas de juros próximas de zero nos países do G7, um forte desejo dos investidores de lucrar com essas diferenças de juros, e uma elevação do rating brasileiro, que o transforma em um bom país para investir. É difícil ver o real voltar a se desvalorizar sem que algum desses fatores mude.

Portal EXAME - O que o senhor recomendaria para conter o real?

O’Neil - Eu acredito que não é realmente fácil para as autoridades brasileiras lutar com sucesso contra esse cenário que eu mencionei. Uma saída seria o Brasil, repentinamente, anunciar uma taxa de inflação bem maior. Outra seria elevar todas as taxas sobre o capital estrangeiro. Mas essas medidas seriam estúpidas pois trariam muito mais danos do que vantagens.

Portal EXAME - Diante desse cenário, é mesmo imprescindível que o governo contenha a valorização da moeda?

O’Neil - O Brasil está muito consciente da chamada doença holandesa. Por isso as autoridades estão certas em fazer com que os investidores estrangeiros se perguntem, com freqüência, se querem mesmo aplicar recursos no Brasil. De qualquer modo, por mais difícil que uma moeda forte deva ser para a indústria local e para o país como um todo, esta é uma situação um pouco melhor do que a de décadas passadas, quando a moeda sempre caía abruptamente.

Portal EXAME - Na última semana, a bolsa de valores brasileira atingiu o maior nível deste ano. O senhor acredita que isto é uma bolha? Deveríamos nos preocupar com uma bolha no mercado de capitais brasileiro?

O’Neil - Não acredito que seja uma bolha. A nota do Brasil está sendo elevada pelos investidores do mundo todo. Nos primeiros cinco anos após eu criar a sigla Bric, muitas pessoas, inclusive no Brasil, afirmavam que o B não merecia estar lá. Agora elas entenderam que, com 200 milhões de habitantes e uma inflação baixa e estável, o Brasil é um novo país. E que ele vai se tornar cada vez mais importante mundialmente. Por volta do final de 2010, eu acredito que o Brasil vai superar a Itália como a sétima maior economia do mundo. E, na próxima década, ele começará a ameaçar a França e o Reino Unido.

Portal EXAME - Duas semanas atrás, a revista britânica The Economist publicou uma reportagem de capa, na qual afirma que o Brasil finalmente decolou. O senhor concorda?

O’Neil - A reportagem da Economist me preocupou um pouco. Isto porque a revista, de vez em quando, publica verdadeiras bobagens como manchete, e que servem às vezes como um indicador contrário ao que está ocorrendo de fato. Dito isso, eu penso que, desta vez, eles estão certos. O Brasil vai crescer provavelmente a uma taxa média de 5% ou 6% na próxima década, o que o transformará na quinta economia mundial - e, quem sabe, até na quarta maior economia até 2020.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Amil compra controle da Medial por R$ 612 milhões

Empresa vai pagar um prêmio de 17% sobre a cotação das ações da rival.

A operadora de planos de saúde Amil comprou uma de suas maiores concorrentes, a Medial. A empresa anunciou a aquisição de 36,22 milhões de ações ordinárias (com direito a voto), o que corresponde a quase 52% do capital total.

Pelos papéis, a Amil, vai pagar 612,5 milhões de reais, ou 17,2066 reais por ação. Isso representa um prêmio de 17% em relação à cotação dos papéis no fechamento da bolsa nesta quarta-feira (14,70 reais). Os papéis tiveram forte procura no início do pregão desta quinta e abriram negociados a 16,60 reais, em alta de 12,93%. Já as ações ordinárias da Amil. subiam 9,15%, para 13 reais.

A operação consolida a posição de liderança da Amil no mercado brasileiro de planos de saúde. Com o negócio, a fatia de mercado da Amil. no Estado de São Paulo, o mais rico do país, quase dobra, dos atuais 7,9% para 15,1%. Em todo o Brasil, a fatia salta de 6,2% para 10,1%, atingindo 4,2 milhões de beneficiários em saúde e outros 986 mil em planos dentais.

Há vários meses o mercado especulava sobre a aquisição da Medial pela Amil. No ano passado, EXAME antecipou que as duas empresas negociavam uma fusão.

A Medial sempre negou a existência das conversas, mas em outubro os rumores voltaram a circular devido à saída de Emílio Carazzai da presidência da empresa. Sua substituição pelo executivo Henning Von Koss foi interpretada no mercado como um sinal de que a Medial poderia ser alvo de aquisição.

Como a Medial faz parte do Novo Mercado da BM&FBovespa, os minoritários terão direito de vender suas ações à Amil nas mesmas condições oferecidas aos controladores (R$ 17,2066 por papel). A empresa já informou que fará a oferta pública para a recompra de todos os papéis da Medial, que, se bem-sucedida, levará a sua saída da Bovespa.

O negócio ainda precisará ser aprovado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regulamenta o setor de planos de saúde no Brasil. Além disso, terá de ter o aval dos órgãos de defesa da concorrência brasileiros.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Votorantim e Grendene vão construir siderúrgica em MS

A Votorantim Siderurgia e o empresário Alexandre Grendene Bartelle, dono da Grendene, assinaram hoje um acordo para construção da Sitrel (Siderúrgica Três Lagoas) em Mato Grosso do Sul, com o objetivo de atender o mercado de aços longos da Região Centro-Oeste.

A unidade fará a laminação do aço bruto (tarugo) produzido pela nova usina da Votorantim, Siderurgia, em Resende (RJ), que possui capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de tarugos. Segundo uma fonte próxima ao projeto, a primeira etapa contempla a construção de uma unidade de laminação com capacidade para 300 mil toneladas de aços longos (barras e vergalhões); em um segundo estágio, deverá ser construída uma aciaria no local. As duas fases devem somar investimentos de US$ 450 milhões, segundo a fonte.

A Sitrel tem previsão para iniciar suas operações em 2012. A Votorantim. Siderurgia será responsável pela implantação, gestão, operação do empreendimento e comercialização de produtos que, aliado às unidades de Resende e Barra Mansa, "fará com que a empresa siga o seu caminho rumo à consolidação como importante player no mercado siderúrgico brasileiro", segundo comunicado à imprensa.

De acordo com a vice-prefeita de Três Lagoas e secretária de Desenvolvimento Econômico, Márcia Moura, a construção da siderúrgica deve ter início em janeiro de 2010. Até o momento, a Sitrel obteve a licença ambiental prévia e a licença de instalação para a obra. Durante as obras, o empreendimento deve empregar 5 mil a 6 mil trabalhadores. Para a operação, a empresa deve contratar 700 empregados diretos. Segundo Moura, o projeto existe há mais de dois anos, quando os empresários compraram a área para a construção da siderúrgica. "A decisão de encaminhar o projeto pode ter sido tomada em função da avaliação das empresas sobre a economia do País atualmente", disse.

Imposto de 1,5% sobre emissão de ADR vale a partir desta quinta

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a taxação de 1,5% em Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de emissão de DR (Depositary Receipts), que é um recibo lastreado em ações. A medida vale a partir desta quinta e a atende a pedido da BM&FBovespa.

O ministro explicou que, desde a taxação de 2% de IOF nos recursos externos que entram para renda fixa e ações, a direção da BM&FBovespa tem reclamado ao governo que a medida levaria a uma fuga de aplicações no mercado local. Ou seja, os investidores passariam a comprar ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York, via ADR (American Depositary Receipts), para escapar do tributo.

O ministro não confirmou se isso ocorreu, nem deu números. O presidente da Bolsa, Edemir Pinto, disse em entrevista há duas semanas que, se contar desde o primeiro dia da taxação, "há algumas ADRs que já negociaram três vezes o volume de antes"."A medida é para fortalecer o mercado de capitais no Brasil e corrigir possíveis distorções " , explicou Mantega.

Segundo ele, o IOF de 1,5% incidirá no momento em que as ações forem transferidas para um banco custodiante no Brasil.Mantega disse que, ao completar um mês da tributação de 2% sobre investimento externo em ações e renda fixa, o balanço que se faz é que a medida foi positiva.

"O objetivo era atenuar a excessiva valorização do câmbio, e o que vimos é que a volatilidade se atenuou", disse ele.O próprio ministro citou que, em 19 de outubro, quando anunciou a tributação, a taxa de câmbio era a mesma da média apurada hoje: R$ 1,71."O governo não trabalha com nenhuma meta de câmbio. O câmbio é flutuante. Não há meta de câmbio no Brasil e as ações do governo são no sentido de atenuar a volatilidade, comprando dólares excedentes no mercado", disse o ministro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O desafio da qualidade

Conhecida por sua busca obsessiva pela eficiência na produção, a Volkswagen brasileira enfrenta os problemas gerados por recalls e falhas técnicas.

O advogado Alexander Lamiz, de 32 anos, dirigia tranquilamente de volta para casa, no município de Itaúna, em Minas Gerais, quando, por volta das 20 horas do dia 13 de agosto, seu carro, um Gol 1.0 da Volkswagen ano 2008, começou a fazer um barulho estranho. Lamiz levou o veículo à concessionária já no dia seguinte, mas nada de anormal foi identificado. Dois dias depois, o barulho retornou -- e, dessa vez, ainda mais forte. A pedido da revenda, Lamiz deixou o carro no local para que fosse efetuada a troca do motor, uma operação que levou 28 dias.

"O diagnóstico que eu recebi foi de que se tratava de um problema com a lubrificação do motor", diz ele. "A notícia me deixou estupefato. Trata-se da peça mais importante do carro." A montadora reconhece, até agora, 300 reclamações semelhantes à de Lamiz em veículos Fox, Gol, e Voyage. Segundo seus executivos, uma falha nos motores EA 111, que equipam esses modelos, faz com que o lubrificante perca viscosidade rapidamente, aumentando o atrito entre as peças. O problema pode afetar cerca de 400 000 carros da marca. "Passamos três meses examinando casos incomuns envolvendo esses carros", disse a EXAME Flávio Padovan, vice-presidente de marketing da Volkswagen. "Foram dezenas de testes até que chegássemos a um consenso sobre o problema."


Para lidar com a situação, os executivos da Volks tiveram de fazer mais do que supervisionar testes mecânicos. No lançamento do novo Fox, em Brasília, no dia 28 de outubro, Thomas Schmall, presidente da operação brasileira da montadora, passou boa parte do tempo tentando explicar aos jornalistas o que, até então, parecia inexplicável. (A versão sobre o problema com o lubrificante foi divulgada no dia do evento.) "Ainda não tínhamos 100% de certeza de qual era o problema até o lançamento", diz Padovan. "Mas não faria sentido atrasar um evento tão importante por causa disso." Poucos dias depois, a Volks tomou a decisão de não realizar um recall. Seus executivos optaram por deflagrar uma ampla ação na mídia, batizada de "campanha de serviços ativa", convidando os proprietários desses veículos a trocar o óleo do motor gratuitamente nas concessionárias. Em tese, 400 000 carros podem ter o óleo trocado nas concessionárias da marca, uma conta para a Volkswagen de cerca de 100 milhões de reais. A garantia dos carros foi estendida de três para quatro anos e os proprietários ganharam mais uma revisão. "As falhas não colocam em risco a segurança dos motoristas", diz Padovan. "Daí não ser necessária a realização de um recall."

Desde que se instalou no Brasil, no início da década de 50, a Volkswagen sempre se vangloriou do elevado padrão de qualidade de seus veículos. Modelos como o Fusca e a Brasília -- até hoje em circulação -- ajudaram a montadora a conquistar uma reputação de durabilidade, inovação e, principalmente, facilidade de manutenção. Nos últimos dois anos, porém, essa imagem de qualidade da Volks foi exposta a repetidos problemas técnicos, todos admitidos pela montadora. Segundo levantamento realizado pela Fundação Procon de São Paulo, a Volks realizou seis recalls de 2008 para cá, o maior índice entre as montadoras instaladas no país. Ao todo, mais de 800 000 veículos tiveram de voltar às concessionárias para efetuar algum tipo de reparo -- isso sem contar o último episódio. Feitas as contas, para cada cinco carros produzidos pela Volks de 2004 para cá, um foi chamado de volta à rede de concessionárias. "Fazer recall não é demérito", diz Padovan. "Trata-se de uma ferramenta amplamente utilizada para garantir a qualidade dos produtos." Nos próximos dias, o Procon vai determinar se o incidente mais recente também é caso de recall. Se ficar decidido que sim e a Volks aceitar fazer o recall, será a maior convocação de donos de carros da história no país.

Além da quantidade de veículos, o que chama a atenção no atual caso envolvendo a Volks são os modelos que vêm apresentando problemas. Dos sete últimos episódios relacionados a questões de qualidade, cinco referem-se aos mesmos carros: novo Gol, Voyage e Fox, que teve sua nova versão lançada já sob a suspeita de possíveis falhas, uma vez que o modelo utiliza o motor EA 111. O motor passou por uma intensa bateria de testes antes de começar a ser produzido, no início de 2008. As simulações totalizaram mais de 1 milhão de quilômetros rodados e incluíram oscilações bruscas de temperatura, poeira, chuva e terrenos acidentados. O objetivo era que ele estivesse pronto para o lançamento do novo Gol, ocorrido em junho do ano passado. Apesar dos cuidados, nem tudo saiu como planejado. "Não há como prever a reação que cada combustível, em cada posto de gasolina, terá sobre o óleo do motor", afirmou a EXAME João Alvarez Filho, gerente executivo de engenharia da Volkswagen.

A campanha atual acontece apenas dois meses após a realização do último recall, que acusou falhas no sistema de partida a frio. Tal coincidência tem levantado a hipótese, aqui e na matriz, em Wolfsburg, na Alemanha, de que poderia haver uma falha estrutural no motor desses automóveis. No ano passado, o diretor mundial de qualidade da empresa, Hans Joachim Rothenpieler, esteve no Brasil cinco vezes. Neste ano, foram duas visitas. Na mais recente delas, realizada no dia 22 de outubro, Rothenpieler reuniu-se com o gerente-geral da fábrica de motores em São Carlos, no interior paulista. "O clima ficou bastante tenso", afirma um executivo que acompanhou as conversas.

A falha no motor, como é de imaginar, está dando trabalho extra para as concessionárias. Segundo a montadora, apenas um em cada 1 000 veículos 1.0 apresenta defeitos no motor (os motores 1.6 não estão incluídos na conta). Mas um levantamento feito junto aos revendedores mostra que, na prática, a situação pode ser mais complexa. Na Automasa, uma das maiores revendas da Volks em São Paulo, pelo menos 20 carros tiveram o motor substituído entre setembro e outubro -- quase metade dos automóveis que chegaram à empresa com problemas de barulho (procurados, os executivos da concessionária não quiseram dar entrevista).

O segundo impacto que as concessionárias estão sentindo diz respeito às vendas. Ao contrário do que aconteceu em episódios anteriores (mesmo naquele em que consumidores tiveram os dedos das mãos decepados ao tentar rebater o banco traseiro do Fox), houve queda nas vendas da montadora nos dias que se seguiram à confirmação do defeito. Um recente estudo sobre recalls elaborado pela Universidade Stanford joga um pouco de luz sobre esse fenômeno. Segundo o levantamento, os efeitos na imagem de uma montadora geralmente aparecem após o terceiro problema. "Até o segundo recall, os consumidores tendem a acreditar que a empresa está sendo atenciosa", afirma Marcos Morita, professor de marketing da Universidade Mackenzie e especialista em estratégias empresariais. "Depois disso, a imagem que fica é de uma companhia que pode estar sendo negligente." O aspecto mais positivo, neste caso, foi a postura da Volkswagen diante do mercado e de seus consumidores. A montadora parece ter aprendido com os problemas anteriores. Ao contrário do que chegou a fazer num passado recente, reconheceu rapidamente o problema e tomou medidas concretas para tentar resolver a questão. Não deixa de ser um avanço significativo.

Mantega diz que economia do país pode crescer até 6,5% em 2010

A economia brasileira está retomando um novo ciclo de crescimento, reafirmou hoje (17) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a economia pode crescer até 6,5% no próximo ano.

Para Mantega, o Brasil conseguiu passar rapidamente pela crise graças ao ciclo anterior, que foi robusto, com fundamentos preservados. Ele destacou que o próximo ciclo da economia brasileira será ainda mais forte do que o atual.

“Acho que já conquistamos um patamar de crescimento de 5%”. Mantega lembrou que nos últimos três anos foi esse o patamar de crescimento da economia.

O ministro avaliou que o país está dando os primeiros passos de expansão. Segundo ele, depois de ter superado a crise, o Brasil voltará ao patamar dos 5% em 2011.

“Podemos ultrapassar 5%, mantendo sólidos fundamentos. De 2010 a 2017, o país pode ter um ciclo de crescimento de 6% a 6,5%, equilibrado e sólido.”

Segundo Mantega, para impulsionar esse crescimento a economia depende do mercado interno, que deu sustentação durante a crise, e dos investimentos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

JBS deve anunciar plano de captação privada em 30 dias

O grupo JBS, maior processador mundial de carne bovina, deverá divulgar em 30 dias os termos de uma captação privada de até 2,5 bilhões de dólares, informou o presidente da companhia, Joesley Batista, nesta segunda-feira.


"Os 2,5 bilhões de dólares da captalização privada devem sair até o fim do ano... e com o IPO (captação pública) do JBS USA (de 2 bilhões de dólares), serão 4,5 bilhões de dólares, se o IPO funcionar", afirmou ele, durante conferência com investidores e analistas, comentando que os recursos seriam suficientes para reduzir o endividamento da empresa, mesmo considerando as dívidas de Bertin e Pilgrim's Pride, adquiridas em setembro.

Já o IPO está previsto para acontecer em janeiro, quando também será feito um "road show" para apresentar o plano aos investidores, que visa especialmente levantar recursos para melhorar a distribuição direta dos produtos da companhia.

"Fazendo as contas, após (a compra) Pilgrim's e Bertin, a alavancagem vai diminuir", disse Batista, considerando o dinheiro das captações e a melhora do mercado.

O presidente do JBS. afirmou ainda que os negócios de carne bovina de Brasil, Estados Unidos e Austrália estão melhorando, o que deve ter um impacto positivo nos resultados da empresa já no quatro trimestre.

"Vamos assistir a um quarto trimestre acima da sazonalidade histórica. O quarto trimestre vai ser bastante melhor do que no ano anterior", disse ele, lembrando que o último período de 2008 foi afetado fortemente pela crise financeira global.

Ele ressaltou, entretanto, que vê uma "demora" na recuperação econômica da Europa.
Com relação à Rússia, um dos principais mercado para o JBS, o presidente do grupo disse que os preços da carne bovina estão em torno de 3,3 mil dólares por tonelada, ainda abaixo dos mais de 4 mil dólares anteriores à crise, mas bem acima dos 2 mil dólares logo após o surgimento dos problemas financeiros mundiais.

"Hoje vendemos carne para a Rússia a 3,3 mil dólares com perspectivas de subir. À medida que vai depreciando o dólar globalmente, o preço tem que subir", acrescentou.

FRANGOS NO BRASIL

Batista indicou que dificilmente a empresa deverá entrar no mercado de frangos do Brasil, fortemente dominado pela Brasil Foods, empresa que surgiu depois da aquisição da Sadia pela Perdigão.

"A Sadia, e Pergidão aqui toma um tamanho grande, que para uma empresa como nós também grande, competir, começar lá pequenininho, é um negócio árduo, o Marfrig está tentando fazer isso, acho um negócio muito duro", afirmou.

Ele desconversou ao ser questionado sobre a possibilidade de comprar o Independência, do ramo de bovinos, cujo processo de recuperação judicial foi recentemente aprovado.

Batista considerou que a empresa ainda tem um endividamento relativamente elevado para ser adquirida pelo JBS.

Fundo Soros reduz posição em ações da Petrobras

O Soros Fund Management, fundo hedge do bilionário investidor George Soros, reduziu sua exposição as ações da Petrobras pelo segundo trimestre seguido, segundo informe enviado para a Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários norte-americana). De acordo com o informe, o fundo tinha 7,4 milhões de ações da Petrobras, em 30 de setembro, de um total de 9,8 milhões de ações em 30 de junho.

Por outro lado, o Soros Fund aumentou o valor de suas posições em US$ 2 bilhões ao longo dos últimos três meses para US$ 6,2 bilhões em 30 de setembro, de US$ 4,2 bilhões em 30 de junho. O fundo hedge aumentou sua exposição as ações da Wal-Mart Stores em cerca de 1 milhão de ações, para 1,1 milhões de ações, no valor de US$ 5,4 milhões. O Soros Fund tinha reduzido sua posição na gigante do setor de varejo no trimestre anterior para 89.710 ações. As informações são da Dow Jones.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Merrill Lynch lista 7 riscos para as bolsas

Fatores como uma bolha na China, a disparada do petróleo ou uma onda de protecionismo podem prejudicar os investidores em 2010.

Nos últimos 18 meses os investidores experimentaram uma das fases de maior volatilidade nas bolsas desde os anos 1990. Esta realidade e os prejuízos dela decorrentes levantaram uma série de questões, mas sem dúvida a principal delas é como monitorar, de agora em diante, a probabilidade de certos cenários de risco ocorrerem - e se proteger antes que eventuais turbulências gerem perdas nos mercados.

As opiniões dos analistas e do mercado quanto ao futuro divergem entre os que acreditam na formação de uma nova bolha em diversos países, dentre eles a China, e aqueles que apostam na iminente deterioração dos preços de ativos levando à desestruturação do mercado de ações. Economistas, empresários e investidores voltam os olhos para a Ásia, a Europa e os Estados Unidos, atentos aos movimentos destas economias e seus reflexos nos mercados globais, e tentam prever cenários para 2010.

O banco de investimentos norte-americano BofA Merrill Lynch listou sete conjunturas que, apesar de terem baixa probabilidade de ocorrer, podem impactar significativamente o portfólio dos investidores no próximo ano. Os analistas também identificaram os sinais que indicariam a concretização destes cenários e incluíram as melhores opções de investimentos para cada um dos casos estimados.

1 - Petróleo a 100 dólares por barril e aumento da inflação O cenário para este caso inclui um aumento do índice americano de preços ao consumidor de -1% para 4% no fim de 2010, resultado de uma combinação de expansão monetária, novos declínios do dólar e um forte crescimento na Ásia. Esta conjuntura pode pressionar o preço do barril de petróleo para patamares próximos dos 100 dólares. O salto na inflação complicaria o financiamento do déficit orçamentário dos Estados Unidos.

Os principais indicadores apontados pelo Merrill Lynch para observar o surgimento de tal cenário seriam o aumento da expectativa da inflação para os próximos cinco anos nos Estados Unidos, passando de 1,5% para 2,5%, acompanhado de um aumento no preço do ouro, chegando a 1.250 dólares a onça (aproximadamente 28 gramas).

Para se proteger desse cenário o banco recomenda que os investidores recorram aos títulos públicos indexados à inflação e às aplicações em ouro, commodities e moedas. O banco também recomenda a baixa exposição a setores sensíveis à oscilação da taxa de juros, como o de consumo, e a maior exposição a ações com boa remuneração por dividendos. Pelo menos no início deste hipotético período de inflação, as commodities teriam uma performance superior aos títulos.

2 - Um forte declínio do crescimento Outro risco para o mercado seria haver, nos próximos quatro trimestres, o retorno da retração do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa. Para os analistas da Merrill Lynch, esta realidade seria ocasionada por erros na condução da política nestes países. Um dos exemplos é a possibilidade de que as autoridades promovam uma rápida retirada das políticas de estímulo - sem que as economias esteja saudáveis o suficiente.

O cenário inclui ainda a possibilidade de declínio dos empréstimos bancários para pequenas e médias empresas, provavelmente devido a um futuro excesso de regulação financeira. A queda das taxas de juros dos títulos americanso seria um sinal de que os bancos estão mais dispostos a aplicar o dinheiro do que a ampliar a carteira de crédito.

Neste caso, as melhores opções dos investidores seriam o dólar e os títulos americanos. É esperado, neste cenário, que os títulos superem as ações em rendimento. Considerando o mercado acionário, os papéis de setores mais defensivos, como energia e bancos, ofereceriam maior rendimento que os de setores cíclicos, como tecnologia e commodities.

3 - Uma bolha nos preços dos ativos na China O terceiro risco que os analistas do Merrill Lynch enxergam é o de que os preços dos ativos na China aumentem demais. Este cenário seria agravado pela relutância da China em reavaliar sua taxa de câmbio e com o aumento da especulação no mercado imobiliário na China.

Sinais de que a bolha poderia ser real seriam a valorização da bolsa de Xangai para um patamar acima de 4.000 pontos e a apreciação do dólar australiano.

Caso a bolha se confirme, os investidores poderiam recorrer aos mercados de ações dos países do BRIC, às moedas asiáticas e às commodities. Segundo os analistas, o mercado de opções na China e na Coréia também poderia beneficiar os investidores à procura de lucros com a bolha na China.

4 - Protecionismo e crise do dólar Este cenário projetado pelos analistas do Merrill Lynch assume tom catastrófico. O nível de desemprego nos Estados Unidos chegaria a níveis próximos daqueles observados logo após o fim da Segunda Guerra, acompanhado pela valorização do euro frente à moeda chinesa. Os analistas preveem ainda o pânico de autoridades nos Estados Unidos e na Europa, o que os levaria a ameaçar impor sanções econômicas à China.

Com isso, a dificuldade nas relações entre os países tenderia a aumentar, principalmente se a China, em retaliação, decidisse interromper o financiamento do déficit norte-americano. O efeito final seria a desvalorização do dólar para um nível inédito, levando a uma aguda queda nos mercados de títulos e ações.

Uma sequência de acontecimentos de tais proporções poderia ser antecipada caso o índice de desemprego nos Estados Unidos ultrapasse 10,8%. Outro sinal da catástrofe seria a virada na correlação entre o dólar e os mercados de capitais americanos, ou seja, um dólar fraco se transformando de algo positivo para algo negativo para o mercado. Um último indicador seria o preço do ouro ultrapassar 1.500 dólares por onça.

Se há alguma segurança neste cenário, segundo os analistas, ela está em investimentos em moedas e ouro. A venda inicialmente acentuada de títulos do tesouro norte-americano seria uma boa oportunidade de compra. Uma boa ideia seria fugir de mercados de ações mais cíclicos, como o americano (Nasdaq) e o japonês (Nikkei), que seriam "devastados".

5 - A moratória da dívida do Japão quinto risco listado pelo Merrill Lynch envolve uma terrível "situação fiscal no Japão", a qual seria desencadeada pelo aumento da emissão de títulos por parte do novo governo do país, para financiar novas e ambiciosas despesas políticas. Neste caso, o Banco do Japão seria forçado a provocar inflação.

Caso a bolsa japonesa e o iene comecem a despencar, o movimento pode ser encarado como um sinal de que a moratória (e os demais eventos) podem de fato acontecer. Títulos indexados à inflação seriam a melhor opção para os investidores neste cenário, segundo os analistas.

6 - A recuperação dos setores de habitação e consumo nos EUA Contrariando as expectativas, a combinação de juros baixos e o "efeito riqueza" decorrente da forte recuperação do crédito e do mercado de capitais poderiam estimular a retomada do endividamento das famílias, encorajando os bancos a voltarem a conceder empréstimos. Seguindo os passos do Reino Unido e da Austrália, o preço dos imóveis nos Estados Unidos aumentaria em uma faixa de 5% a 10% e os gastos dos consumidores também cresceriam.

Bons monitores para acompanhar a progressão deste cenário previsto pelo Merrill Lynch são o Índice de preços Case-Shiller de preços de imóveis e o índice de preços da construção civil, ambos da Standard & Poor's.

Títulos de alto rendimento, ações do setor financeiro e de pequenas empresas dos Estados Unidos, além dos papéis de companhias dos setores de tecnologia e consumo, são boas opções de investimento nesta conjuntura. É esperado que as ações tenham rendimentos bem superiores aos títulos de renda fixa.

7 - "Sem surpresas"O último cenário que o Merrill Lynch considera é aquele em que tanto os que apostam em uma bolha de preços dos ativos quanto os que esperam uma violenta depreciação são desapontados por uma "prosaica situação de pouca volatilidade em 2010". Neste caso, seria esperada uma modesta recuperação econômica, acompanhada de hábeis manobras políticas dos governantes para normalizar a situação econômica sem danificar os mercados.

A probabilidade de tais eventos acontecerem deve ser maior caso o Índice VIX, usado para medir a volatilidade do índice Standard & Poors 500, fique abaixo dos 20 pontos durante 2010. Considerando este período de baixa volatilidade sustentada, os analistas afirmam que seria favorável para o investidor recorrer ao mercado de ações.

Votorantim negocia compra de cimenteira na Argentina

A Votorantim Cimentos negocia a compra de fabricantes de cimento na Argentina e no Uruguai. A empresa brasileira fechou um acordo com o grupo espanhol Uniland para a compra das participações nas argentinas Cimentos Avellaneda e Minus Investidora, bem como na Cimentos Artigas, do Uruguai. O valor do acordo é de 135 milhões.

Segundo nota enviada pela Uniland à Bolsa de Madri, essas participações "representam, de forma direta e indireta, 50% do capital social das sociedades cimenteiras". Porém, a operação ainda depende do exercício de direito de preferência por parte do Grupo Molins, também espanhol, proprietário dos outros 50% do capital social dessas empresas.


Segundo fontes, o vice-presidente do Molins, Juan Molins, teria aceitado a negociação com o Votorantim, - embora tenha dito à imprensa argentina, no ano passado, que, se a Uniland deixasse o país, o grupo teria interesse em comprar a outra fatia da Cimentos Avellaneda. "A menção na nota sobre o direito de preferência de Molins é somente o cumprimento formal das normas", disse uma das fontes.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Paulo Coelho das finanças

Maior fenômeno brasileiro na área de finanças pessoais, Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, chega à marca de 1 milhão de exemplares vendidos.

Nada de comer, rezar, amar. Para Gustavo Cerbasi, guru de finanças pessoais sósia do ator canadense Jim Carrey, o mantra é poupar, poupar, poupar. Foi com uma ideia assim simples e suas variações que ele escreveu nove livros desde 2003 e há poucas semanas atingiu a marca de 1 milhão de exemplares vendidos.

O americano Robert T. Kiyosaki, autor da série Pai Rico, Pai Pobre, vendeu o dobro no Brasil, mas ninguém tira de Cerbasi, administrador público de 35 anos, o título de maior fenômeno brasileiro de finanças pessoais. Desde fevereiro de 2006, seu nome não sai da lista dos livros mais vendidos da revista VEJA (da Editora Abril, que publica EXAME). Seu maior sucesso, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, vendeu, em média, 18 cópias por hora desde que foi lançado, há cinco anos. A cada 12 meses, Cerbasi dá uma média de quase 200 palestras. Em sua cruzada para ensinar os outros a se planejar financeiramente, não para de lucrar, lucrar, lucrar. Cerbasi não confirma, mas estima-se que já tenha acumulado um patrimônio de mais de 4 milhões de reais. Não é uma fortuna descomunal, mas ele já poderia servir como exemplo em seus livros.

Seu maior mérito é falar de forma simples e direta sobre finanças, um assunto, à primeira vista, árido e maçante, mas que vem ganhando importância na vida dos brasileiros desde que a economia tornou-se finalmente civilizada. O princípio de todos os seus conselhos parte de que, para juntar dinheiro, é preciso gastar menos do que se ganha. Parece óbvio? É mesmo. Mas atire a primeira pedra quem nunca fez a besteira de descumprir essa regra. O tema central de Cerbasi é o planejamento financeiro, a arte de se organizar com vista ao sucesso no longo prazo.

Seu diagnóstico é que, até por questões culturais, o brasileiro está mais preocupado em consumir do que em usar o dinheiro para "fazer" dinheiro. No senso comum, um profissional bem-sucedido se aposenta com um barco, muitos carros e um efeito colateral nem sempre antevisto: muitas contas a pagar. Quem, por outro lado, para de trabalhar com 3 milhões de reais investidos numa aplicação com rendimento de 0,5% ao mês (livre de IR e de inflação) garante uma renda mensal de 15 000 reais. Outro erro comum é ignorar os pequenos valores, sem se dar conta de que, no longo prazo, eles podem fazer toda a diferença. "Meu trabalho tem como foco a ideia de que uma vida planejada e com objetivos é mais feliz", diz.

Nos livros, Cerbasi também faz o papel de um guia turístico pelo mercado financeiro. Explica, de forma didática, conceitos como juros compostos e ação blue chip. "Seu mérito foi ter atingido o grande público justo no momento em que a demanda por esse tipo de informação aumentou muito em razão da queda da inflação e das taxas de juro", diz William Eid Jr., professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV. Cerbasi evita nos livros comentários específicos, como "compre ações" ou "invista em fundos multimercados", estratégia usada pelos gurus financeiros americanos mais bem-sucedidos, como Suze Orman e Jim Cramer -- que contam com um público mais familiarizado com as opções de investimento. Na essência, Cerbasi se atém aos ensinamentos que aprendeu com o pai, Tommaso. Nascido na Itália, Tommaso chegou ao Brasil aos 7 anos de idade, com mais seis irmãos. Depois de nove anos internado em escolas religiosas, foi para o mercado com a ambição característica da maior parte dos imigrantes: trabalhar e economizar para prosperar.

Ao falar de si próprio, Cerbasi não evita o autoelogio e pode soar pretensioso. "Sempre fiquei entre os melhores da classe, seja no colégio, seja na USP, onde fiz engenharia e depois abandonei, seja na Fundação Getulio Vargas", diz. "Nadava e só não me tornei um atleta de elite porque não aceitei o convite para treinar nos Estados Unidos." Seus amigos mais antigos, Maurício Puliti e Maurício Iañez, contemporâneos da natação, do colégio e da USP, confirmam seu desempenho escolar acima da média e suas habilidades como nadador. Apesar do tom assertivo, Cerbasi fala com naturalidade sobre sua experiência malsucedida como empreendedor no Canadá, no primeiro semestre de 2004. "Com um sócio, montei uma importadora de produtos brasileiros que naufragou porque não estávamos preparados e não conhecíamos o mercado."

Na volta para o Brasil, Cerbasi e sua mulher, Adriana, sobreviveram com o salário de 4 000 reais dela, que trabalhava como vendedora de implantes odontológicos. Foi nessa época que ele aproveitou o tempo ocioso para escrever Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, lançado no final de 2004 (ele nega qualquer influência do best-seller americano Smart Couples Finish Rich, ou "Casais inteligentes ficam ricos", numa tradução livre, publicado três anos e meio antes). Depois de algumas entrevistas em emissoras de rádio e televisão e de aparecer na capa da revista Você S.A. (publicada pela Editora Abril) no final de 2005, as vendas dispararam e Cerbasi não parou mais. Já como professor da Fundação Instituto de Administração, de São Paulo, passou a dividir seu tempo entre aulas e palestras por todos os cantos do Brasil.

Até agora, o sucesso não afetou o dia a dia do guru das finanças, que ainda consegue circular sem ser reconhecido. "Saímos para almoçar pelo menos duas vezes por mês e nunca vi ninguém se dirigir a ele para pedir uma dica de investimento", diz Carlo Pascarelli, um de seus amigos mais próximos. Seu momento de popstar se resume, por enquanto, às edições da Expo Money, um evento de finanças pessoais que acontece anualmente em mais de dez cidades. Quando aparece nesses encontros, é logo rodeado por fãs, mas nada comparável à atenção despertada nos Estados Unidos pela consultora Suze Orman, que já vendeu mais de 8 milhões de livros e tem um programa no canal CNBC.

Na vida real, Cerbasi segue à risca as regras que defende em seus livros -- juram os amigos e os familiares. Mesmo milionário, não tem casa na praia nem no interior por achar que é mais barato alugar ou ir para um hotel em vez de deixar o dinheiro imobilizado. Recentemente comprou na planta um apartamento de 285 metros quadrados em São Paulo. Fanático por automobilismo, Cerbasi extravasa seu lado consumista quando o assunto é carro. Tem uma Hyundai Veracruz, uma camionete de 140 000 reais. Ele também relaxa -- financeiramente falando -- nas férias. "O Gustavo gosta muito de ir com a mulher e os dois filhos para a Disney, nos Estados Unidos", diz Pascarelli. Tio Patinhas? Não, não tão óbvio. O personagem predileto de Cerbasi é o Pateta.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Brasil precisa ser mais agressivo em Copenhague, dizem empresários

Iniciativa privada apóia meta de redução de poluentes e alerta que o país pode perder a chance de liderar revolução verde.

A cerca de um mês da conferência mundial sobre o clima, em Copenhague, os empresários brasileiros demonstram muito mais firmeza do que o governo sobre as posições que o Brasil deveria adotar no encontro. Durante o EXAME Fórum de Sustentabilidade, realizado nesta quarta-feira em São Paulo, a avaliação geral dos executivos e especialistas em meio ambiente foi de que não há mais espaço para timidez e hesitação do governo.

Se adotar uma postura retraída durante a reunião de cúpula, o Brasil perderá a chance de liderar a revolução verde que se aproxima. "O Brasil está na defensiva, mas deveria jogar no ataque", afirma Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose. Os especialistas afirmam que o Brasil está em uma posição privilegiada para ocupar um papel proeminente nos novos tempos. Além de uma matriz energética mais limpa que a dos países desenvolvidos – e de emergentes como a China -, os brasileiros dominam tecnologias estratégicas para o futuro, como a dos biocombustíveis – com destaque para o etanol, que além de não ser poluente, também permite o seqüestro de carbono da atmosfera, durante o cultivo da cana-de-açúcar. Enquanto o governo ainda reluta em fechar posições firmes para Copenhague, diversos setores já apresentam exemplos de que é possível cortar emissões. "O setor siderúrgico brasileiro já queima carvão de florestas plantadas, em vez de carvão mineral", afirma Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios.


Xico Graziano, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, atribui a relutância do governo brasileiro a "uma diplomacia pouco ousada", que não quer desagradar potenciais aliados como, a China, que resistiu por muito tempo a adotar metas formais de redução de poluentes, sob o argumento de que é uma nação emergente que necessita encurtar a distância das nações mais ricas. "Mas estamos perdendo oportunidades reais de ganhar com essa discussão", diz Graziano.


Metas claras


Estabelecer uma meta clara de redução da emissão de CO2 é a primeira medida que o Brasil deveria adotar. A idéia de conter a emissão de poluentes não afugenta os empresários. Pelo contrário. Eles estão cada vez mais favoráveis às restrições. "O que você não mede, você não atinge", afirma Paulo Nigro, presidente da Tetra Pak. Nigro observa que a iniciativa privada tomou a dianteira desse processo, ao propor suas próprias metas. Multinacional com sede na Suíça, a Tetra Pak lançou em 2005 a meta de cortar em 10% as emissões globais de dióxido de carbono até 2010. "As metas precisam ser desafiadoras, mas não podem ser irrealistas", diz.

Não são apenas as empresas que estão adotando metas explícitas de corte de poluentes. Nesta semana, o governador José Serra assinou uma lei criando uma meta para o Estado de São Paulo. Até 2020, os paulistas deverão cortar em 20% a emissão de CO2. "É preciso ativismo do governo para tratar da questão ambiental", afirma Graziano, seu secretário do Meio Ambiente. Para incentivar as empresas, o governo paulista estuda abrir linhas de crédito para financiar a adoção de tecnologias limpas. "As metas são importantes, mas é preciso também dar os meios".


A tradição do Brasil em deixar boas idéias no papel preocupa. Para os especialistas, mais importante do que levar uma meta para Copenhague, é cumpri-la de fato. "É preciso que o país demonstre vontade de seguir suas metas", afirma Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar. Somente isso, segundo Jank, trará legitimidade para que o Brasil efetivamente se firme como líder da revolução verde. Além disso, algumas medidas não precisariam esperar pelo fórum do próximo mês para contribuir para melhorar o ambiente. Um exemplo seria o combate ao desmatamento da Amazônia. "Temos a lei, só falta vontade de aplicá-la", diz Jank.


As imposição de metas claras causa polêmica nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, muitos setores industriais resistem por temer que elas emperrem o desenvolvimento econômico. Num momento em que muitos analistas projetam uma expansão de 5% para o PIB brasileiro no próximo ano, a mesma preocupação poderia surgir por aqui. Mas, para o empresariado local, crescimento e meio ambiente podem combinar. "Uma meta clara não se choca com a arrancada econômica do Brasil", afirma Marcos Vaz, diretor de Sustentabilidade da Natura. "É preciso transformar as metas na chance de inserir o país na economia de baixo carbono".

Banco do Brasil atinge 20% do mercado de crédito no país

Crédito cresce com expansão de empréstimos a pessoas físicas.Instituição divulgou lucro de R$ 1,979 bilhão no terceiro trimestre.

O Banco do Brasil (BB), que divulgou nesta quinta feira (12) lucro de 1,979 bilhão no terceiro trimestre de 2009, informou ter atingido 20% de participação no mercado de crédito no país.

O crescimento, de acordo com comunicado do banco, está ancorado principalmente na expansão da instituição em empréstimos a pessoas físicas. A participação desse segmento na carteira total subiu de 25,3% do total, em junho, para 30% ao fim setembro.

A alta é justificada pelo crescimento da participação do BB na área de crédito consignado, reforçada pela compra da Nossa Caixa e também pelo financiamento de veículos, reflexo da aquisição do Banco Votorantim.

Comparação Itaú

O lucro líquido do banco no terceiro trimestre ficou acima do ganho de R$ 1,867 bilhão obtido no mesmo trimestre do ano anterior. O ganho do BB ficou abaixo dos R$ 2,687 bilhões registrados pelo Itaú-Unibanco no mesmo período e pouco acima do resultado obtido pelo Bradesco, de R$ 1,81 bilhão.

O banco encerrou setembro com uma carteira de crédito total de R$ 301,421 bilhões, com uma expansão de 41,1% em 12 meses, com destaque para o segmento de veículos, que deu um salto de 243,4% neste intervalo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um antídoto para as pílulas de veneno

Especialistas propõem uma mudança nos estatutos das empresas para evitar que aquisições interessantes para os acionistas sejam inviabilizadas pela rigidez das "poison pills".

Na semana passada, os acionistas da operadora de telefonia GVT aprovaram em assembleia a retirada de uma cláusula do estatuto da companhia que dificultava sua venda para investidores que não fizessem parte do bloco de controle. A retirada do mecanismo, conhecido como "poison pill" (em inglês, pílula de veneno), abriu caminho para a venda da empresa para uma das duas companhias interessadas em comprá-la (a espanhola Telefónica e o grupo francês de mídia Vivendi) e que já levaram a uma valorização dos papéis da GVT de 51% em menos de dois meses.

A decisão tomada pelos acionistas da GVT remete a uma das questões mais polêmicas quando se fala em governança corporativa no mercado de capitais: o uso de dispositivos para evitar que o controle de uma empresa seja tomado por investidores por meio de uma oferta hostil. Se por um lado especialistas garantem que essas ferramentas representam um risco para os acionistas ao repelir possíveis bons investimentos, há também uma boa parte do mercado que acredita que a mudança dos estatutos sociais para a retirada as cláusulas que instituem a "poison pill" constituiria uma operação ainda mais problemática.


No caso da GVT, a pílula de veneno foi retirada do estatuto porque obrigava qualquer investidor que adquirisse mais de 15% de suas ações a fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) aos demais acionistas pagando um ágio de 25% sobre o valor mais alto que a ação atingiu nos 12 meses anteriores à oferta. Ao menos a Telefônica já demonstrou que não se importaria em cumprir essa obrigação do estatuo quando ofereceu 50,50 reais por ação da operadora rival na semana passada.


Mas nem sempre é isso que acontece. No começo do ano, quando suas ações estavam sendo negociadas a 5 reais na Bovespa, a Positivo Informática recebeu uma oferta de compra da fabricante de computadores chinesa Lenovo de 18 reais por papel. A pílula de veneno da empresa, no entanto, estabelecia que quem comprasse mais de 10% de suas ações deveria fazer uma oferta pelos demais papéis pela cotação máxima atingida nos últimos 24 meses - no caso, 47,15 reais. Obviamente os chineses não estavam dispostos a aceitar esse preço e esperavam que os controladores da Positivo propusessem alguma alteração no estatuto de forma a permitir a aquisição por 18 reais. O problema é que o estatuto estabelecia que a eliminação da pílula de veneno só poderia ser feita após a realização de uma oferta a de compra dos papéis de todos os acionistas nas condições previstas na própria “poison pill”. Não é à toa que o negócio não foi concluído.


Para evitar esses casos em que os mecanismos de bloqueio à mudança de controle acabam por contrariar os interesses dos acionistas, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) publicou uma carta diretriz em que recomenda às empresas que analisem detalhadamente as pílulas de veneno estabelecidas em seus estatutos. Em suma, o documento defende que os estatutos das empresas não tenham cláusulas pétreas. E as que já possuem deveriam realizar assembléias para retirá-las.

Segundo o advogado Gustavo Grebler, do escritório Grebler Advogados e um dos responsáveis pela redação da carta do IBGC, essa mudança evitaria que uma empresa seja impedida de fechar um negócio interessante tanto para os acionistas controladores quanto para os minoritários. "Se o mecanismo for feito pensando no acionista, não será um tiro no pé. O que não pode ser feito é tornar a poison pill um fim em detrimento do interesse do acionista.”


O advogado admite a importância desses dispositivos de proteção do controle, principalmente em empresas bem geridas. "Essas empresas não iriam ao mercado se não fosse oferecido um mecanismo de proteção", diz Grebler. Ele lembra, no entanto, que a pílula de veneno pode retirar o estímulo necessário para que os administradores de uma empresa entreguem os resultados esperados pelos acionistas. “Se a poison pill não for bem estabelecida, à medida que dificulta a transferência de controle também diminuirá o incentivo do administrador para empregar seus melhores esforços para evitar que um terceiro chegue, veja as ineficiências da companhia e compre seu controle", afirma o advogado.


Questão polêmica


Para o superintendente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (AMEC), Edison Garcia, o bem do acionista não passa necessariamente pela imutabilidade do estatuto e pela perpetuação da presença da "poison pill". Ele concorda que a cláusula pétrea constitui uma trava e prejudica as empresas, já que condiciona a transferência de controle a uma oferta pública de aquisição e pode repelir bons negócios, mas acredita que a solução não é tão simples. "O acionista, sobretudo o minoritário, deve ter uma compensação econômica pela mudança das regras vigentes no estatuto. Se o negócio for bom, eu fico, mas se eu achar que não é, tenho o direito de sair [por meio da venda de ações] recebendo um valor justo pela quebra do contrato”, afirma.

Garcia lembra que a existência da "poison pill", principalmente no caso de empresas de capital pulverizado, pode ter sido justamente um dos fundamentos que atraiu o pequeno investidor. Nesse caso, o dispositivo protegeria esta classe de "dormir acionista de uma empresa sem controle definido e acordar com a companhia controlada por meia dúzia". Portanto, essa quebra de contrato precisaria ser compensada com um valor interessante para o dono de ações.

Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/financas/antidoto-pilulas-veneno-511074.html

Clique no link acima para ver notícia completa.

Visanet passa a se chamar Cielo

Com o fim da exclusividade entre a Visanet e a Visa, a Cielo surge como uma credenciadora multibandeira.

A Visanet, empresa de meios de pagamentos eletrônicos controlada pelo Bradesco, Banco do Brasil e Santander, anunciou nesta terça-feira que seu novo nome será Cielo - que significa céu em espanhol e italiano. A mudança de marca vem juntamente com o novo posicionamento da empresa, que também planeja ser conhecida como uma credenciadora multibandeira, assim como a principal concorrente, a Redecard.


A nova estratégia nasceu da necessidade de se adequar às mudanças regulatórias que estão acontecendo no setor. Entre elas, está o fim do contrato de exclusividade entre a Visanet e a bandeira Visa previsto para acontecer em junho de 2010. Dessa forma, o nome Visanet. não faria mais sentido.

"Diante de grandes mudanças, a empresa tem que refazer suas estratégias comerciais e é o que estamos fazendo", afirmou Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo.

O governo tem discutido inúmeras medidas para impulsionar uma maior concorrência entre as empresas de meios de pagamento no Brasil. Atualmente, a Visanet e Redecard, lideram largamente este mercado.

Com o fim da exclusividade, a Visanet (nova Cielo) passará a credenciar diversas bandeiras como Mastercard, Diners, American Express (Amex), entre outras.

Mello afirmou que ainda não procurou a MasterCard para negociar o início das operações, mas no momento oportuno deve anunciar o acordo com ela e também com outras bandeiras.

Diferencial

Não há dúvida de que com as medidas regulatórias que estão sendo estudadas pelo governo, outras empresas terão melhores condições de competir com as duas líderes do setor.

No entanto, Mello afirmou não estar muito preocupado com isso. "Esse negócio não é trivial. É um negócio de escala, que envolve uma série de expertises e nem é tão rentável como todos pensam. Não vai ser fácil para grandes redes de varejo entrarem neste negócio."

No entanto, o presidente não descarta adotar margens menores no futuro. "Isso vai depender da reação do mercado, mas a escolha do cliente não é baseada somente no preço", disse ele. Atualmente, a média da taxa cobrada pela Visanet por transação é de 2,5%. Para se ter uma base de comparação, nos EUA, a média paga pelos estabelecimentos é de 1,9%.

De acordo com Mello, o novo posicionamento de marca envolve o fortalecimento de relacionamento com os investidores e a inovação das estratégias comerciais, uma vez que o mercado tende a ser muito mais competitivo.

Mello ressaltou a importância de produtos únicos na hora do cliente escolher entre a Cielo e a Redecard, por exemplo. O produto Agrocard e os serviços de recarga de celulares pré-pagos em estabelecimentos comerciais com o sistema Visanet são alguns diferenciais da companhia, segundo ele.

Publicidade

A nova marca Cielo foi desenvolvida pela consultoria de marcas FutureBrand e nasceu com o objetivo de se desvencilhar dos chavões que remetem às transações de pagamento como, Card, Pay, etc.

Entretanto, não é céu a primeira palavra que vem à cabeça da maioria, mas, sim, o nome do nadador campeão olímpico César Cielo. Não por acaso, o atleta já foi contratado para fazer parte da comunicação da nova marca.

A agência de publicidade que venceu a concorrência para desenvolver a campanha de posicionamento da empresa foi a Young & Rubicam Brasil, do empresário Roberto Justus. Porém, Justus afirmou que o nadador não vai entrar na primeira fase da campanha. Por enquanto, Cielo está sendo usado somente para propagandas internas.

As primeiras peças publicitárias vão estrear na próxima sexta-feira (13/11) nos veículos impressos; os anúncios televisivos vão ao ar no domingo (15/11) durante o intervalo do Fantástico, da TV Globo.

Apesar das mudanças regulatórias previstas e do impacto que isso pode causar no setor de meios de pagamento, a Visanet parece não temer a concorrência e está otimista em relação ao futuro.
"Crescemos em média 22% ao ano, enquanto o mercado cresce 17%. Estamos nas regiões menos penetradas do Brasil, como é o caso do Nordeste. A expectativa é de continuar aumentando a nossa abrangência, tendo em vista um vasto mercado ainda inalcançado", disse Mello.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Alvo de 'briga' entre Telefônica e Vivendi, GVT vê ações subirem 45% em 90 dias

Companhia atua em 86 cidades do país e chega ao varejo de SP em 2010.Segundo analista, empresa é líder 'crescimento e rentabilidade' no setor.
A operadora de telecomunicações GVT, com sede em Curitiba, é hoje alvo de disputa acirrada pela espanhola Telefônica e pelo grupo francês Vivendi, que ainda não atua no país. Os acionistas avaliam as propostas desde setembro. Essa briga levou as ações da empresa a uma valorização de cerca de 45% nos últimos três meses, com os investidores correndo atrás dos papéis.

Segundo a analista da Link Corretora Maria Tereza Azevedo, a disputa teve início com uma oferta feita pela Vivendi pelo controle da companhia, a R$ 42 por ação. Um mês depois, a Telefonica entrou na briga, e ofereceu R$ 48. Antes que a Vivendi fizesse a contraproposta esperada, a empresa espanhola aumentou o valor oferecido, na última quinta-feira, para R$ 50,45.

A empresa teve lucro de R$ 57,2 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 14,8 milhões de igual período de 2008. A base total de linhas vendidas está em 2,56 milhões, segundo números de 30 de setembro. A empresa é negociada em bolsa e suas controladoras são os grupos Swarth Investment, dos EUA, e europeia GVT Holland.

"O mercado está precificando essa oferta", explica Maria Tereza. Trocando em miúdos, isso significa que os investidores estão fazendo subir o preço das ações ao correr atrás das mesmas, já esperando vendê-las a R$ 50,45. Entretanto, no fechamento de sexta-feira (6), os papéis da companhia já superaram este patamar, fechando R$ 53,50.

Quem é a GVT

A GVT começou a operar comercialmente em 2000, nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do país. Atualmente, atende consumidores residenciais e corporativos em 86 cidades distribuídas em 15 estados.

Nos últimos dois anos, a companhia chegou aos mercados de Belo Horizonte, Contagem e Betim, em Minas Gerais; Salvador, na Bahia; além de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo. Nas duas últimas, começou a prestar serviços no primeiro semestre de 2009.

"A GVT hoje é a empresa do setor, entre as de capital aberto, com o maior crescimento e a maior rentabilidade", diz Maria Tereza. "Realmente é um ativo muito interessante, principalmente para quem quer entrar em banda larga. Eles têm uma estrutura muito boa, é uma empresa muito bem gerenciada, com excelentes margens."

Para a Vivendi, a aquisição seria a chance de colocar os pés no Brasil. Mas ela explica que a compra da GVT teria uma uma função estratégica para a Telefonica: "Seria uma oportunidade de sair da região onde está e começar a atuar no resto do país. Mas mais importante seria proteger o mercado de São Paulo da entrada de um novo player (concorrente)", afirma.

Planos
Para 2010, há planos de ampliar a participação nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde a companhia atende hoje apenas o mercado corporativo. Segundo a GVT, para a expansão no próximo ano, a empresa vai investir até R$ 850 milhões nos cinco municípios escolhidos no Sudeste e Nordeste.

Ainda sobre apostas da companhia, considerando principalmente a construção de novos acessos de telefonia e banda larga nos novos mercados, a GVT deverá investir R$ 630 milhões em 2009. Neste último trimestre do ano, a empresa está chegando a três novos municípios: Serra, no Espírito Santo; Recife e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

Na lista de serviços oferecidos pela GVT estão telefonia fixa, banda larga, internet, um serviço de voz sobre IP (com a marca Vono), além de serviços específicos para as grandes empresas, como o 0800 e internet corporativa.

Os serviços podem ser adquiridos em pacotes ou não, segundo a companhia. A diferença é que, ao escolher pacotes, o comprador pode economizar entre 30% e 50%, segundo a empresa. O VoIP, para o consumidor que não conhece, é um telefone fixo que usa uma tecnologia diferente da tradicional.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Novo Brasil" é mais maduro e reconhecido, avalia Lula

Ao comentar a viagem à Inglaterra na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil está mais " maduro " e responsável, capaz de consolidar uma macroeconomia com estabilidade, geração de empregos e distribuição de renda. "Esse novo Brasil é reconhecido internacionalmente", ressaltou.

No programa semanal Café com o Presidente, ele destacou que o interesse das empresas estrangeiras em investir no país é reflexo de uma economia "saudável, estável, e promissora".

"O fato de o Brasil ter saído tão bem dessa crise financeira mundial é mais uma demonstração da nossa força. Muitos países ainda sofrem com as consequências da crise. Nós, aqui, já saímos", destacou, ao citar o crescimento da indústria, do Produto Interno Bruto (PIB) e da massa salarial brasileira.

Sobre o prêmio que recebeu durante a visita - concedido pela Chatham House como forma de reconhecimento pela atuação nas relações internacionais e na condução da política econômica e social - Lula insistiu que toda a sociedade brasileira acreditou que era possível controlar a crise. Para ele, o prêmio dá visibilidade ao Brasil perante os demais países que começam a ter mais confiança para investir aqui.