Atraídos pela perspectiva de altos retornos, os fundos de private equity compraram mais de 400 empresas brasileiras desde 2000 -mas a crise transformou as expectativas em prejuízos, falências e dores de cabeça
Delfim Martins/Pulsar Por Denise Carvalho | 19.02.2009 | 16h43
Revista EXAME -
Parecia o plano perfeito. Um ano e meio atrás, o banco de investimento americano Goldman Sachs anunciou um investimento de 400 milhões de reais na Santelisa Vale, segunda maior produtora de açúcar e álcool do país. O objetivo dos americanos e de seus novos sócios era aproveitar a onda de aberturas de capital e levar a Santelisa Vale à bolsa. Não havia, na época, alvo melhor para esse tipo de investimento do que a usina de Sertãozinho, no interior de São Paulo. A empresa tinha os melhores índices de rentabilidade do setor, tradição de mais de 70 anos na produção de cana e era a candidata óbvia para dar origem a um gigante global de etanol que ombreasse com a líder Cosan, controlada pela família Ometto.
Ao fim do caminho, claro, o Goldman obteria um vultoso retorno para seu investimento. Pois veio a crise, e os planos do banco americano entraram rapidamente para o terreno das boas ideias que não passam disso. Incapaz de se preparar a tempo para a planejada abertura de capital, a Santelisa foi colocada diante de problemas imprevistos. A dívida de 1,3 bilhão de reais contraída com o Bradesco para concretizar a fusão entre as usinas Santa Elisa e Vale do Rosário, em fevereiro de 2007, tornou-se impagável. Hoje, a companhia vale menos que sua dívida total, e seus controladores procuram um comprador. Estima-se que a venda possa levantar 800 milhões de dólares. A dívida total do grupo é estimada em 1,3 bilhão de dólares. Vender, portanto, não vai resolver. Tornou-se praticamente impossível, para o Goldman Sachs, reaver uma fatia sequer do investimento. Procurados, os executivos do banco americano não quiseram dar entrevista.
quarta-feira, 4 de março de 2009
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