quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sem alívio da crise fiscal na Europa, bolsas internacionais seguem sob pressão

SÃO PAULO - Após instabilidade ao longo da última sessão, a trajetória negativa deve tomar conta dos mercados nesta quarta-feira (6) com nova dose de influência da crise fiscal na periferia da Europa.

No velho mundo, onde já transcorre o pregão regular, os principais índices de ações recuam como resposta ao corte de rating de Portugal pela Moody's, que passou a grau especulativo após o fechamento da última sessão.

Para a agência, o país pode ter dificuldades em vender títulos de longo prazo a taxas sustentáveis, necessitando de novo resgate e justificando a nota Ba2, com perspectiva negativa.

O dia promete ser focado nos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), na medida em que os principais bancos e autoridades políticas da União Europeia estarão reunidos em Paris para tratar a proposta francesa de rolagem da dívida, a qual já é encarada pela S&P como um "default seletivo".

Sem solução visível
Apesar dos esforços, "não há nenhum sinal de que as negociações resultarão em solução definitiva na reunião de hoje", adianta Anders Møller Lumholtz, analista do Danske Bank.

Dessa forma, não surpreende que os índices futuros de Wall Street já sinalizem trajetória negativa, uma vez que a fraca agenda doméstica de indicadores aumenta o peso de notícias negativas internacionais sobre as bolsas locais.

Nos EUA, investidores receberão apenas o indicador ISM Index como referência interna mais significativa, porém só às 11H00 de Brasília - uma hora após a abertura do pregão regular.

China eleva juro básico
Além disto, o mercado também digere o noticiário asiático. Nesta manhã, o PBoC (Banco Popular da China) confirmou as expectativas dos últimos dias e elevou em 0,25 p.p. as taxas de referência para empréstimos e depósitos, levando o juro básico para 6,56% ao ano.

Com movimentada agenda no exterior, o front doméstico deverá ter ao longo do dia seu humor diretamente atrelado às bolsas internacionais.

"Para o mercado doméstico, este aumento da aversão ao risco deve fazer com que a bolsa brasileira opere mais um dia em baixa e o real sofra ligeira depreciação frente ao dólar", prevê a equipe econômica do Bradesco.


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