Recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou tanto a China quanto os Estados Unidos por controlar suas taxas de câmbio através de excessiva manipulação, às custas de seus parceiros comerciais. Vale observar que estes são os dois principais parceiros comerciais brasileiros.
Ao falar com a imprensa após uma reunião em Paris na semana passada, Guido Mantega expressou sua opinião firme de que a China manipula sua moeda, e declarou que seria melhor se o país asiático deixasse sua moeda flutuar.
Mantega criticou Pequim, mas também criticou Washington, acusando o governo dos EUA de adotar políticas que levam à desvalorização do dólar, afetando as exportações brasileiras para o mercado dos EUA.
China e Estados Unidos são mercados importantes para o Brasil, principalmente para os produtos agrícolas brasileiros, mas o governo brasileiro tem estado cada vez mais insatisfeito com o fato de que sua própria moeda, o real, se valorizou bastante, enquanto o yuan e o dólar se enfraqueceram, desfavorecendo o Brasil.
Guido Mantega fez questão de ressaltar que sua crítica não era voltada aos dois países, mas especificamente à manipulação das moedas das duas nações.
Recentemente, graças aos efeitos colaterais das crises de crédito e da recessão, o Federal Reserve adotou uma política de relaxamento quantitativo, que na realizada emite mais dinheiro. A medida foi tomada no ápice da crise financeira mundial, num esforço de colocar novamente a economia dos EUA nos trilhos.
Apesar de ter sido justificada como uma medida de estímulo completamente crucial, a política de relaxamento quantitativo na prática emite mais dólares, ajudando a reduzir o valor do dólar.
Washington há muito tempo criticava Pequim por influenciar a cotação do yuan para ter uma vantagem comercial competitiva, mas Pequim respondeu à altura, expressando sua preocupação de que este relaxamento quantitativo dos EUA poderia reduzir o valor dos imensos investimentos que a China tem em bônus do governo norte-americano e outros ativos denominados em dólares.
Ao ser perguntado o que o governo brasileiro faria para garantir que o real não ficaria sobrevalorizado para sempre, Guido Mantega não quis dar detalhes sobre as medidas.
Ele afirmou: “O tempo todo nós estamos adotando medidas apropriadas para evitar a sobrevalorização do real. Não posso explicar (mais)… porque é uma surpresa.”
No passado recente, o Brasil tentou colocar um freio na valorização de sua moeda ao limitar os investimentos em fundos, entre outras medidas, mas nenhum efeito foi sentido, uma vez que o forte crescimento da economia e as taxas de juros praticadas no país continuam atraindo dinheiro estrangeiro.
O real está cotado atualmente a R$ 1,56 por dólar, o maior nível desde que o governo deixou a moeda flutuar livremente em 1999, num momento em que a economia brasiliera prospera devido à imensa demanda por seus produtos e por matérias-primas, tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional.
http://www.melhoresacoes.com.br/a/brasil-insatisfeito-com-pol%C3%ADtica-cambial-dos-eua-e-china
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