SÃO PAULO – A Embraer (EMBR3) pode entrar em um novo nicho de atuação na aviação comercial, com aeronaves que comportem cerca de 150 passageiros, sinalizou a vice-presidente executiva financeira e de Relações com Investidores, Cynthia Benedetto.
“Seja com uma remodelagem da família existente ou com um novo avião, este novo programa deve acontecer em um espaço curto de tempo, e a empresa está se preparando para isso”, frisou a executiva, em conversa com o portal InfoMoney.
O segmento de aviação comercial da Embraer está focado em aviões de 60 a 120 assentos, carro-chefe de vendas da empresa. Já aqueles de menor porte, de 30 a 50 assentos, continuam existindo, mas são um mercado mais maduro.
Deste modo, segundo a executiva, novas ordens nesse segmento de 150 passageiros só devem ocorrer com mais frequência quando se der início ao processo de reposição das aeronaves existentes, por isso é esperado um crescimento mais lento para as entregas destes aviões.
Entregas
Segundo projeções elaboradas pela própria Embraer, o segmento de aviação comercial para aviões entre 121 e 210 assentos prevê 6.390 novas entregas no mundo até 2019, sendo 1.815 apenas na América do Norte.
Enquanto isso, para o segmento de 61 a 120 assentos, esperam-se 2.845 entregas de novos jatos. Já para as aeronaves de 30 a 60 assentos, as novas entregas até 2019 devem somar apenas 50.
A definição deste novo passo estratégico da empresa no segmento de aviação comercial é importante para a Embraer, uma vez que a receita deste segmento geralmente representa a maior parte do total faturado. Conforme dados do primeiro trimestre deste ano, o segmento foi responsável por 71,2% do montante arrecadado no período, enquanto a área de defesa e segurança ficou com 16% e a de aviação executiva, com 11%.
À espera da Boeing
A executiva ressaltou que a Airbus aparentemente já se posicionou para o futuro, com uma nova família de produtos em um segmento de aeronaves um pouco maior. “Um eventual posicionamento da Boeing na mesma linha deixaria um espaço de mercado nesse segmento de cerca de 150 passageiros que poderia ser interessante”, disse.
Existe uma expectativa por parte do mercado de que a Boeing anuncie seu próximo passo estratégico neste mês, uma vez que no dia 20 terá início o Paris Air Show, um dos maiores eventos do segmento. “Como é um evento mundial, que tem muita exposição na mídia, é natural que os processos decisórios se movam frente a esse evento”, explicou Cynthia.
Preparação para um novo plano já começou
A Embraer já começou a se preparar para um novo plano. Entre as medidas adotadas, chama a atenção uma mudança na estrutura organizacional da empresa, que ocorreu em maio deste ano. Na ocasião, Luiz Carlos Affonso, até então vice-presidente executivo, assumiu a posição de análise e estudo da empresa “para um eventual novo programa da companhia”.
No entanto, uma mudança estratégica da empresa não é algo urgente, alerta Cynthia, que destaca a atual família de jatos da Embraer, avaliada como jovem, avançada e “muito bem recebida no mercado”. Por isso, a empresa pode esperar um pouco mais para analisar melhor o cenário competitivo.
Por outro lado, como os produtos da Embraer visam um ciclo longo, a análise do posicionamento de seus concorrentes é algo constante na empresa. “Vai ter um momento em que a comapanhia terá de se posicionar para o futuro, e será ótimo se tivermos claramente à nossa frente o cenário competitivo”, argumenta.
http://www.infomoney.com.br/embraer/noticia/2124348-embraer+pode+expandir+nicho+atuacao+para+avioes+maiores+sinaliza+executiva
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