segunda-feira, 13 de junho de 2011

Brasil Foods pode perder mais na renda fixa com decisão do Cade

Nova York e São Paulo - A desvalorização dos títulos da BRF - Brasil Foods SA pode piorar com especulações de que o possível rompimento da fusão que criou a maior exportadora mundial de frango prejudicará a capacidade de pagar dívidas.

O rendimento dos títulos em dólar da Brasil Foods com vencimento em 2020 deu um salto de 20 pontos-base em 9 de junho -- a maior alta em seis meses, segundo dados compilados pela Bloomberg -- depois que dois dos cinco conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica votaram a favor da reversão da fusão de US$ 3,8 bilhões que criou a empresa há dois anos. O aumento de 28 pontos-base na taxa dos papéis na semana passada se compara a uma queda média de três pontos-base no rendimento de títulos de atacadistas de alimentos com acompanhamento pelo Bank of America Corp.

O Cade decide em 15 de junho se a Brasil Foods, formada quando a Perdigão SA comprou a Sadia SA em 2009, tem participação de mercado excessiva e deve ser desmembrada. Carlos Ragazzo, um dos cinco conselheiros do Cade e relator do processo, disse em 8 de junho que a fusão não beneficia os consumidores. A Sadia aceitou a proposta da Perdigão depois de perder mais de R$ 3 bilhões com apostas erradas em derivativos de câmbio.

“O desempenho dos títulos vai se distanciar ainda mais porque há incerteza quanto à qualidade de crédito do garantidor na eventualidade de uma reversão completa”, disse Alfredo Viegas, diretor de estratégia para mercados emergentes na corretora de renda fixa Knight Libertas, em entrevista por telefone de Greenwich, no Estado americano de Connecticut. “Não fazemos ideia da qualidade de crédito da companhia subjacente, a não ser que provavelmente será mais fraca do que a empresa combinada.”

Garantia dos títulos

O rendimento dos títulos da Brasil Foods pode subir mais 20 pontos-base, ou 0,20 ponto percentual, disse Viegas.

Os papéis que vencem em 2020 pagam 6,09 por cento, ou 247 pontos-base a mais do que os títulos do governo com vencimento em 2019, a maior diferença desde 4 de janeiro, de acordo com a Bloomberg. Os bônus são garantidos pela empresa combinada e também pela Sadia.


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