sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alto risco de fracasso da fusão ainda preocupa e ações da BR Foods recuam 3,21%

SÃO PAULO - As ações da Brasil Foods (BRFS3) recuaram 3,21%, terminando cotadas a R$ 25,40 nessa quinta-feira (9), ocupando novamente o posto de maior queda do Ibovespa e indicando que a as ações da companhia continuarão a ser afetadas pela provável reijeição do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a fusão entre Sadia e Perdigão. Essa movimentação negativa contrariou a tendência positiva do índice, que por sua vez teve alta de 0,69%.

As ações da empresa tiveram oscilação negativa máxima de 6,96% no intraday, quando bateram sua mínima do dia(R$ 24,33). Além disso, ela conseguiu manter o terceiro maior volume financeiro dentre as ações negociadas na bolsa, movimentando R$ 463,82 milhões, ficando atrás apenas das ações preferenciais da Petrobras (PETR4) e da Vale (VALE5).

Na tarde de quarta-feira (8), o relator Carlos Ragazzo argumentou contra a operação durante oito horas, tendo como base a lei brasileira anti-truste. Sua sustentação foi reconhecida como justa por seu par Ricardo Ruiz, porém o conselheiro pediu vistas ao processo para analisar melhor a questão.

Reversão?

Com isso, o processo deverá ser concluído apenas no próximo dia 15, quando Ruiz e outros três conselheiros votarão o tema. Porém, os analistas Carlos Albano e Marcio Kawassaki, do Citigroup, já trabalham com o cenário de reversão da fusão. Eles afirmam que está ficando cada vez mais claro um cenário de alto risco para as ações da Brasil Foods, recomendando venda para os papéis após corte no preço-alvo.

Já o analista Marcelo Varejão, da Socopa, afirma que é melhor "não se desesperar", falando que a palavra de ordem é cautela, uma vez que não acredita que a decisão do colegiado chegará ao extremo, e sim criará restrições menos comprometedoras, como venda de marcas de menor dimensão que integram o grupo, como a Batavo. Contudo, a recomendação é de aguardar a decisão do Cade, prevista para o dia 15 desse mês.

Concorrentes não devem se favorecer

Varejão também acredita que Marfrig (MFRG3) e JBS (JBSS3) não deverão se aproveitar da situação, tendo em vista que as alavancagens das companhias não permitem que comprem ativos da Brasil Foods que tiverem de ser vendidos.

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