quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vale compra Fosfertil e minas da Bunge por US$ 3,8 bi

A Vale informou nesta quarta-feira que celebrou contrato de compra de 100% dos ativos de fertilizantes da americana Bunge no Brasil. A Vale, concordou em pagar 3,8 bilhões de dólares, valor máximo estipulado pela mineradora quando alertou o mercado há duas semanas que estava em negociação com a Bunge.


Pelos termos do acordo, a Vale. vai pagar 1,65 bilhão de dólares por minas de rocha fosfática e plantas de processamento de fosfatados da Bunge e outros 2,15 bilhões de dólares para adquirir a participação de 42,3% detida pela empresa americana no capital da Fosfertil. A transação não envolve negócios de varejo ou distribuição de fertilizantes.

A Vale também anunciou um contrato de opção de compra de ações da Fertifos, que detém 56,73% do capital da Fosfertil. A mineradora terá direito de comprar 1,46% das ações da Fertifos que estão em poder da Fertilizantes do Paraná e da Fertilizantes Heringer por um total de 81,5 milhões de dólares.

A transação está sujeita às aprovações usuais de órgãos governamentais competentes. Caso a transação seja aprovada, a Vale lançará uma oferta pública obrigatória para comprar as ações ordinárias detidas pelos acionistas minoritários da Fosfertil pelo mesmo preço pago aos controladores.

Essa decisão da Vale é surpreendente, já que as ações da Fosfertil não davam direito a "tag along" (extensão da oferta aos acionistas minoritários). No entanto, casas de análise como a da Fator Corretora já haviam levantado a hipótese de que a Vale pudesse ter a intenção de comprar toda a Fosfertil.

A Vale é a maior exportadora de minério de ferro do mundo e também uma das líderes em níquel. A compra dos ativos da Bunge confirma o interesse da mineradora em crescer rapidamente no mercado de fertilizantes. Além de adquirir ativos em potássio (matéria-prima para fertilizantes) da Rio Tinto, a Vale, tem se envolvido frequentemente em possíveis fusões no setor. Chegou a negociar a aquisição da americana Mosaic, mas não conseguiu fechar um acordo.

Bastante criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por investir no exterior, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que "esta operação é de fundamental importância para a consolidação da estratégia da Vale. em focar o Brasil como o grande mercado para sua produção de fosfatados, tendo em vista o potencial das minas locais, bem como o crescimento associado aos projetos desenvolvidos no exterior, como Bayóvar e, no futuro, Evate, todos com produção prioritariamente destinada ao mercado brasileiro".

No dia 15 de janeiro, quando a Vale tornou pública as negociações com a Bunge, o mercado chegou a especular sobre uma possível mudança na direção da Fosfertil, já que seus principais executivos são ligados à Bunge. Para a Fator Corretora, no entanto, seria interessante para a Vale manter o atual corpo de executivos na operação.

No comunicado, a Vale diz que ainda não sabe de que forma vai absorver a Fosfertil. "A Vale realizará estudos com respeito à combinação dos ativos e empresas adquiridas, bem como outros ativos de fertilizantes já possuídos pela Vale no mundo. Neste estágio, não há indicação que nos permita afirmar que tais análises possam conduzir à reorganização corporativa. Tão logo tais estudos sejam concluídos e decisões sejam tomadas, a Vale as tornará publicas."

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