Apesar do otimismo geral em relação a 2010, o mês de janeiro foi marcado por um sentimento de aversão a risco nos mercados, que digeriram diversas referências corporativas e econômicas divergentes no início do ano e deram início a um forte movimento de realização de lucros. Nesse cenário incerto, o dólar – que fechou o ano de 2009 com a maior desvalorização anual desde que o real foi implantado como moeda oficial do Brasil, em 1994 – aparece como melhor investimento do mês – segundo a variação da Ptax (taxa média da moeda) -, com ganhos nominais de 7,67% em janeiro.
Também se beneficiando da aversão ao risco, o investimento em ouro ficou em segundo lugar no quesito rentabilidade entre as principais métricas de investimentos do mercado de capitais brasileiro. A commodity, que já se destacou em 2009, fechou o mês com avanço nominal de 6,45%.
A bolsa brasileira, por sua vez, teve seu pior resultado desde outubro de 2008 (pior mês da crise financeira, quando o índice recuou quase 25%), e encerrou o mês com rentabilidade negativa de 4,65%. A realização de lucros, o clima negativo nos mercados externos e o forte recuo das commodities afetaram o resultado da bolsa – que se tornou a única entre as principais métricas de investimento a registrar retorno negativo em janeiro. Com isso, o Ibovespa pôs fim a 6 meses de valorização.
Dentro das alternativas de renda fixa, a aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,69% em janeiro, marca pouco superior à do benchmark CDI (+0,66%). A tradicional caderneta de poupança apresentou retorno de 0,53% em termos nominais, ou de -0,10% quando considerada a variação de 0,63% do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) no período.
Freio no otimismo
Depois de um forte avanço em 2009, 2010 começou com um tom mais cauteloso. Além de uma realização dos lucros vistos nos meses anteriores, preocupações acerca da sustentabilidade e real força da recuperação global ficaram em foco, assim como a situação ruim de alguns países, como a Grécia.
Indicações de um aperto monetário na China foram mal recebidas pelo mercado, assim como a proposta do presidente norte-americano, Barack Obama para uma nova regulamentação do sistema financeiro. Se aprovada, a nova regulação pode forçar grandes bancos a optar entre ser um banco comercial ou fazer operações mais complexas e com maior risco, como hedge funds.
A temporada de resultados também afetou os investidores, trazendo a tona números divergentes. Da mesma maneira, as referências econômicas não ofereceram uma tendência clara aos mercados.
No plano institucional, o Fed (BC dos EUA) – que terá Ben Bernanke como chairman por mais quatro anos – revelou discordâncias entre os membros de seu comitê na decisão coletiva de manter a Fed Funds Rate (taxa de juros) em sua mínima histórica, dando sinais de que um aperto monetário pode estar por vir.
No cenário corporativo doméstico, o destaque foi a aquisição da Quattor pela Braskem. A empresa passou a ser controlada pela Odebrecht (50,1% do capital votante) e pela Petrobras, que consolida sua participação no setor petroquímico. Já a Braskem passa a ser a maior empresa do setor na América em termos de capacidade de produção de resinas.
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