sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"Estamos prontos para IPO", diz presidente da CVC

A CVC Turismo confirmou nesta quinta-feira (7/1) a venda de 63,6% das suas ações para o fundo americano de private equity The Carlyle Group. Para Valter Patriani, presidente-executivo da maior operadora de viagens da América Latina, o negócio é uma grande oportunidade de modernizar a administração da empresa brasileira. "Vamos lutar para fazer o sonho do cliente caber no bolso dele. O Carlyle comprou o nosso DNA, a nossa história", diz Patriani ao Portal EXAME.

A partir de agora, a prioridade da operadora brasileira será focar o seu serviço no crescimento da classe C e no desenvolvimento do consumo no país. "O nosso objetivo é vender barato e parcelado", afirma Patriani. Com a expansão da CVC na América Latina, o executivo prevê um potencial de valorização da empresa, o que sugere um possível IPO (oferta pública de ações, na sigla em inglês). "Desde 2007 estamos nos preparando para esse momento. A possibilidade existe, mas não significa que o IPO será efeito em breve", diz.


A operação, estimada pelo mercado em 250 milhões de dólares, foi antecipada pelo blog Direto do Pregão, de EXAME, no dia 3 de dezembro do ano passado. Dias depois, EXAME também apurou que o negócio já havia sido fechado, mas que só seria divulgado depois da liquidação financeira, ou seja, do dinheiro ser depositado na conta do fundador da CVC, Guilherme Paulus. No comunicado oficial enviado nesta quinta, a empresa brasileira admite que o acordo com o fundo americano já estava fechado desde dezembro de 2009. Confira os principais trechos da entrevista a seguir.

Portal Exame - A CVC é a maior operadora de viagens da América Latina. Com a venda de 63,6% para o fundo de private equity americano Carlyle, como a empresa brasileira pretende continuar a se expandir?

Valter Patriani - Pretendemos crescer mais ainda nos próximos cinco no mercado nacional. As oportunidades são muito grandes. O turismo no Brasil ainda é muito jovem e está iniciando um ciclo de crescimento considerável. Evidentemente, com a chegada do Carlyle teremos mais chances de expandir. Vale lembrar que a maior contribuição do fundo americano não é com dinheiro, porque a CVC não precisa de dinheiro, já que é uma empresa capitalizada. O Carlyle vai contribuir com a CVC, oferecendo tecnologias de administração e financeira, já que o fundo controla cerca de 270 empresas.

Portal Exame - E uma dessas empresas é a Orizonia, maior operadora de turismo da Espanha. Há alguma possibilidade de aproximar as duas empresas na gestão do fundo de private equity?

Patriani - A CVC já tem contato com a Orizonia antes de anunciar a venda de uma parte de suas ações para o Carlyle. A Orizonia é uma holding que comanda várias controladoras turísticas. Já fizemos diversas parcerias operacionais, mas sem uma vinculação maior.

Portal Exame - Afinal, quando ocorrerá o IPO da CVC?

Patriani - Evidentemente, a CVC tem avançado na preparação de IPO. Desde 2007 estamos nos preparando para esse momento. A possibilidade existe, mas não significa que o IPO será efeito em breve. Vai ser feito? É uma possibilidade. Fato é que já estamos preparados. Só estamos aguardando a melhor oportunidade para a empresa.

Portal Exame - Nesse negócio, como ficará a companhia aérea Webjet, empresa de Guilherme Paulus?

Patriani - A Webjet não entrou por impedimento legal. A participação permitida do capital estrangeiro em uma companhia aérea é de 20%. Além disso, teria de ser feito outro tipo de operação caso a Webjet fosse incluída no negócio, porque o Carlyle costume controlar as empresas em que atua. Tudo o que garantimos no momento é que a Webjet continuará como um importante fornecedor da CVC.

Portal Exame - Com a nova gestão, quais são as principais metas da CVC?

Patriani - Estamos aguardando ansiosamente o crescimento da classe média e o aumento do consumo nos próximos cinco anos. Como a CVC sempre atuou nessa faixa de público, estamos prontos para colocar a nossa tradição à disposição dos nossos clientes. O nosso objetivo é vender barato e parcelado. Essa é a nossa tradição. Estou há 32 anos na empresa e sempre costumo repetir: vamos lutar para fazer o sonho do cliente caber no bolso dele. O Carlyle comprou o nosso DNA, a nossa história. Continuaremos a ser a mesma CVC de sempre.

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