SÃO PAULO - A sessão desta sexta-feira (15) é marcada por trajetória instável nas bolsas externas, lideradas pela leve queda nos contratos dos índices futuros em Wall Street, enquanto investidores avaliam resultados de empresas relevantes, como Google e Bank of America Merrill Lynch, bem como dados negativos sobre a economia chinesa.
Na Europa, o mercado também repercute a temporada de balanços, com alguns números superando estimativas. No entanto, a perspectiva de um aperto monetário mais forte na China mantém o sentimento de cautela, e as principais bolsas do continente mostram instabilidade, com alta em Paris e Londres e queda em Frankfurt.
A Nestlé, por exemplo, reportou um crescimento orgânico de vendas no primeiro trimestre de 6,4%, superando as projeções dos analistas, que indicavam variação de 5,9%. A Syngenta reportou uma receita de US$ 4,02 bilhões nos três primeiros meses do ano, resultado acima das expectativas, que giravam em torno de US$ 3,93 bilhões.
Nesta sessão, também ganham destaque os indicadores econômicos europeus. A taxa anual de inflação ao consumidor na Zona do Euro foi de 2,7% em março, aumento de 0,3 ponto percentual na passagem mensal. A pressão inflacionária também causa preocupações na Europa, e o BCE (Banco Central Europeu) recentemente decidiu elevar a taxa básica de juro do continente.
Vale ressaltar que a agência de classificação de risco Moody's cortou em dois níveis o rating para os títulos de dívida do governo da Irlanda, que passou de Baa1 para Baa3, com perspectiva negativa. Mais um corte no rating destes ativos significará a perda do grau de investimento.
China em foco
Na Ásia, o índice Shanghai Composite, da bolsa de Xangai, encerrou o pregão em leve alta, impulsionado pela recuperação de ações do setor imobiliário, amplamente pressionados durante a semana. Segundo o economista do UBS, Paul Donovan, "os dados de habitação foram surpreendentemente altos – vendas de imóveis vieram fortes novamente”, escreveu em relatório diário, mesmo após as tentativas do governo chinês em controlar os preços do setor.
Já os índices Nikkei e Hang Seng recuaram ante a expectativa de aperto monetário gerada pelos dados sobre inflação e PIB (Produto Interno Bruto) na China. A economia do país desacelerou no primeiro trimestre deste ano, frente ao mesmo período de 2010, para um crescimento de 9,7% nestes primeiros três meses. Enquanto isso, a inflação para os consumidores em março atingiu a alta de 5,4% na comparação anual e marcou o maior nível em 32 meses.
Agenda intensa e resultados relevantes
Nos Estados Unidos, o resultado do Google pressiona o mercado antes do início das negociações. A empresa reportou crescimento de 17% no lucro do primeiro trimestre de 2011, mas ainda assim o número não alcançou a expectativa do mercado. O Bank of America também divulgou seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2011, com lucro líquido de US$ 2,0 bilhões, mas também abaixo das projeções.
Na agenda econômica do país, o destaque fica com o índice de preços ao consumidor em março. A LCA acredita que a inflação continuará pressionada pelo aumento dos preços internacionais, "estimulando ainda mais as especulações em relação ao timing de reversão da orientação da política monetária norte-americana".
São esperados ainda a sondagem industrial do Fed de Nova York para abril, a produção industrial em março e a leitura preliminar de abril da confiança do consumidor, aferida pela Universidade de Michigan. Para a LCA, o avanço das cotações do barril de petróleo (e do preço da gasolina) deve ainda pesar sobre o último número, que na medição passada recuou 10 pontos.
Inflação e atividade
No Brasil, o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica revelou avanço de 0,7% em fevereiro de 2011 frente ao mês imediatamente anterior, já descontadas as influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2010, houve crescimento de 6,5% no segundo mês de 2011.
Ainda na agenda, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulga o IGP-10 (Índice Geral de Preços - 10) de abril. A LCA antecipa alta de 0,60%, taxa inferior à apurada em março, de 0,84%.
http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2086733-perdas+prevalecem+bolsas+externas+com+pressao+resultados+china
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