SÃO PAULO - Os principais índices de ações no exterior voltam a registrar queda nesta quinta-feira (14), sentindo as perdas de papéis do setor financeiro e o temor de que a China volte a anunciar medidas de aperto monetário, reagindo à perspectiva de aceleração da inflação ao consumidor em março.
As ações de vários bancos europeus caem forte neste pregão, após uma comissão do senado norte-americano ter feito duras críticas contra algumas instituições financeiras, acusando-as de vender títulos hipotecários que elas próprias apostavam contra. Embora a acusação não seja nova, a crítica é interpretada como um sintoma de novas pressões políticas sobre o setor.
Na véspera, o FMI já havia ressaltado que muitos bancos serão jogados contra uma "parede de vencimento da dívida" de US$ 3,6 trilhões nos próximos dois anos, sendo forçados a competir com o setor público na busca por recursos.
Se os bancos precisam dar um jeito em suas obrigações, a situação não é distinta para a principal economia global - os EUA. Também na última quarta-feira, Barack Obama anunciou sua proposta para o corte do déficit fiscal no país, prevendo sua redução em US$ 4 trilhões nos próximos 12 anos. "Parece que o presidente está mais sério em relação a equilibrar o orçamento, mas nós ainda estamos longe no caminho para um acordo", ressaltou Rudy Narvas, do banco francês Société Générale.
Emergentes: política e economia
Em meio ao burburinho provocado pelo encontro de cúpula dos BRICS - grupo político formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul -, a China deverá anunciar dados sobre o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2011 e a inflação ao consumidor de março, com projeções de crescimento anual em torno de 9,4% para a atividade. Os números serão divulgados na noite desta quinta-feira, às 23h (horário de Brasília).
"A expectativa é de pequena desaceleração frente ao observado no final do ano passado, não suficiente, porém, para reduzir as pressões inflacionárias e evitar novas medidas de contenção da demanda agregada", ressaltaram os consultores da LCA.
No entanto, segundo a Phoenix TV, de Hong Kong, a taxa anual de inflação na China teria alcançado 5,3% em março, frente a expectativas de 5,2% ao ano. Desta forma, cresce o temor sobre a adoção de novas medidas para aperto monetário no país asiático, reduzindo o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo.
"O banco central [da China] deve aproveitar esta oportunidade para elevar a RRR (taxa de reservas exigida) novamente; provavelmente nos próximos 14 dias", destacou Wei Yao, também analista do Société Générale.
Convivendo com taxas de juro para sua dívida em patamares recordes, Portugal volta à cena nesta sessão por conta da possível negativa que o parlamento da Finlândia dará à participação do país no pacote de ajuda financeira da União Europeia, podendo ampliar as dificuldades políticas para fornecer liquidez ao país ibérico.
Agenda
Com a agenda doméstica pouco movimentada, o foco dos investidores deverá convergir para os EUA, onde o Departamento de Trabalho divulga o PPI (Producer Price Index) e seu núcleo referente ao mês de março, com a evolução dos preços do atacado. Ainda por lá, o Initial Claims, que mede os números de pedidos de auxílio-desemprego no país, veio pior que o esperado pelo mercado, com 412 mil pedidos - a expectativa era de 385 mil solicitações.
Já no cenário corporativo dompestico , a sessão traz o início das negociações das ações ofertadas pela Gerdau em seu follow-on (oferta subsequente de ações), além do início do período de reservas no âmbito do IPO (Oferta Pública Inicial) do Magazine Luiza.
http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2085595-mercados+acoes+voltam+cair+com+perdas+bancos+temor+sobre+china
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