quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"O Brasil tem o que a China mais precisa"

A executiva do Morgan Stanley diz que o interesse dos asiáticos no país tende a crescer ainda mais depois da crise.

Em 2009, os investimentos diretos chineses no Brasil devem chegar a 200 milhões de dólares, ou 420% mais que em 2008. É pouco -- no presente. Mas e o futuro? A executiva chinesa Wei Sun Christianson, presidente do Morgan Stanley na China, fala do enorme potencial dos investimentos chineses no Brasil nos próximos anos.


1) Nos últimos meses, a China tem aumentado claramente o interesse no Brasil. Por quê?

A China necessita diversificar os investimentos de seu grande fundo soberano em países ricos em recursos. Por outro lado, o Brasil precisa compensar a queda das exportações atraindo mais investimentos estrangeiros. Cada país tem exatamente o que o outro precisa.


2) Essa aproximação se intensificou depois da crise?

Sim. Nos últimos meses, isso ficou evidente, com uma aproximação diplomática cada vez mais clara. Em junho, por exemplo, quando o presidente Lula esteve em Pequim, 13 acordos de cooperação foram assinados, entre eles um financiamento pelo Banco de Desenvolvimento da China de 10 bilhões de dólares para a Petrobras.


3) Quais são os setores de maior interesse para os chineses?

As áreas de energia, matérias-primas, produtos agrícolas e infraestrutura estão entre as prioridades do governo de Pequim. Esses são os setores de atuação das maiores companhias e relacionados ao crescimento do país.

4) Em quais desses setores devemos ver um aumento mais significativo de negócios entre Brasil e China?

O setor de produtos agrícolas reserva boas oportunidades para as empresas chinesas. Um alvo é o mercado de aves, setor em que o Brasil é um dos campeões mundiais em produtividade. Os chineses querem essa tecnologia


5) As empresas chinesas estão mais maduras para investir no exterior?

Há dez anos, poucas empresas do país tinham capacidade de se aventurar no exterior. Hoje, 37 das 500 maiores empresas do mundo são chinesas. Todas essas corporações têm porte e competência para atuar nos mercados estrangeiros.


6) Alguma empresa ou setor específico demonstra essa maturidade de maneira clara?

Hoje, as montadoras chinesas não estão apenas interessadas em comprar outros fabricantes para ganhar mercado. Elas querem absorver também novidades em tecnologia e design que possam melhorar seu produto. Esse é um bom exemplo de que os investimentos chineses no exterior não são aleatórios, mas muito estratégicos e focados.


7) Quais outros movimentos importantes devem ocorrer na estratégia chinesa de investimentos?

Por causa da crise, a China tem diminuído os investimentos nos Estados Unidos. E vem aumentando as apostas em lugares com abundância de recursos. Além da América Latina, especialmente o Brasil, a África tem um perfil semelhante e, por isso, vem merecendo atenção especial dos asiáticos.

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