Tendência consolidada nos EUA, as negociações de alta frequência ganham espaço na bolsa brasileira.
Para a BM&FBovespa, os últimos dois anos não foram marcados apenas pela abertura de capital e pela fusão das duas bolsas mas também por parrudos investimentos em tecnologia. Aumento da capacidade de realização de negócios, acordos operacionais com bolsas estrangeiras e utilização de plataformas de negociação compatíveis com as das principais bolsas do mundo são temas que fizeram parte do dia a dia da área de tecnologia da BM&FBovespa. Agora a bolsa paulista começa a colher os frutos do refinamento tecnológico com as negociações realizadas por meio de ordens em alta frequência.
Essas operações - bastante comuns em bolsas dos EUA, onde representam nada menos do que a metade do volume de negócios - permitem aos investidores lucrar principalmente com operações de arbitragem de ativos. Nos mercados mais desenvolvidos, os gestores costumam fazer arbitragem com o uso de um software que dispara automaticamente ordens de compra e venda de ações ou outros ativos sempre que determinadas condições de mercado forem atingidas. Para isso, o software obedece a uma fórmula matemática desenvolvida pelos gestores.
Em um exemplo bastante didático de arbitragem, se a ação da Petrobras estiver valendo 30 reais na bolsa brasileira e 31 na Bolsa de Nova York, esse software é programado para disparar uma ordem de compra do papel no pregão paulista e revendê-lo o mais rápido possível nos EUA, ganhando 1 real por ação numa operação de baixíssimo risco. Nesse caso, a única forma de o gestor perder dinheiro é com a demora na execução das ordens. Se comprar o papel a 30 reais e revendê-lo um minuto depois quando ele tiver caído para 29,50 reais em Nova York, por exemplo, haverá um prejuízo de 0,50 reais por ação. Esse exemplo mostra que o sucesso de uma operação de arbitragem depende não apenas do desenvolvimento de uma fórmula matemática correta para identificar distorções que possam gerar lucros mas também de um sistema de negociações que suficientemente rápido no envio de ordens.
No Brasil, a Alpes Corretora deu um passo à frente das rivais no mercado de negociações de alta freqüência ao desenvolver o primeiro serviço de "colocation". Na prática, trata-se da instalação de servidores de clientes dentro do data center da BM&FBovespa. Como a internet reuniu milhões de computadores em uma única rede, pode parecer irrelevante ter um servidor dentro na bolsa - mas não é. Quando a fórmula matemática indica a hora certa para comprar um papel, a ordem sai do servidor da Alpes e chega ao da BM&FBovespa localizado a três metros de distância. O servidor da bolsa, então, realiza a operação em um processo que leva 0,007 segundos. Quem opera fora do sistema de "colocation" demora, em geral, entre 0,1 e 0,15 segundo - uma eternidade para quem deseja lucrar com operações de arbitragem. "Como a ordem que entra primeiro no sistema é executada antes, o cliente da Alpes leva vantagem para conseguir realizar o negócio", explica Mateus Cosac, diretor de negociações eletrônicas da corretora.
Notícia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/financas/arma-so-grandes-investidores-501754.html
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