segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eike não desiste da Vale e negocia agora com a Previ compra de ações

Mesmo depois de receber uma resposta negativa do Bradesco sobre sua proposta de compra das ações da Vale em posse da Bradespar, o empresário Eike Batista continua tentando ser sócio controlador da mineradora.Segundo apurou o jornal Valor Econômico, Eike está negociando a compra de ações da Vale em posse da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Como maior controlador da Valepar, que controla por sua vez a Vale, a Previ torna-se a peça-chave nas estratégias do empresário para entrar na companhia.

Planos de Eike:

Conforme o jornal, o empresário está disposto a adquirir 25% da fatia do fundo de pensão, conseguindo, assim, o direito de vetoA Previ é a única atualmente que tem esse direito na Valepar, já que os outros acionistas possuem menos do que 25% cada.Dividindo o capital votante da Valepar com a Previ estão a Bradespar (21,1%), a trading japonesa Mitsui (18,5%), a BNDESPar (12,5%) e o Eletron - Oportunity (0,029%).Tanto apetite por parte do empresário se dá pelo potencial que ele vê na mineradora e pelos planos que começa a traçar. Para Eike, a Vale irá dobrar seu valor de mercado em cinco anos, que atualmente chega a R$ 200 bilhões.Além disso, o empresário acredita que um acordo com a ALL permitiria à empresa ter uma rede ferroviária nacional integrada no país. Outra ideia é fortalecer o braço de petróleo da Vale com a OGX (empresa de petróleo e gás da EBX).

Organograma:

Pensando de forma isolada, a Previ participa indiretamente com 23,51% do capital votante e 14,71% do capital total da Vale. Mas, o emaranhado em que isso se encontra é bem mais complexo.Atualmente a Previ controla as ações da Valepar através da Litel, empresa de que também fazem parte outros três fundos de pensão: Funcef, Petros e Funcesp.

A Previ detém 81,15% do controle da Litel, restando 18,85% para os outros fundos.No caso da Valepar, a Litel possui 48,79% no seu capital votante, enquanto um outro veículo chamado Litel A detém 4,68% do controle da Valepar. Juntos, os dois veículos somam 53,47%. Porém, segundo acordos firmados, os acionistas não podem deter mais de 49% da Valepar, o que fez a Previ criar o Litel A para abrigar as ações excedentes sob a forma de preferenciais. Assim, a Litel vota apenas com 48,79% do controle.Contudo, segundo o próprio acordo, quando voltadas ao mercado, essas ações voltam a ser ordinárias.Além disso, os outros fundos de pensão participantes da Litel não podem vender suas parcelas sem o consentimento da Previ.

Argumentos:

Um dos argumentos para convencer a Previ de vender sua fatia na Valepar é o desenquadramento do fundo de pensão nas regras da SPC (Secretaria de Previdência Complementar).Segundo a entidade reguladora, os fundos de pensão podem ter no máximo 50% de seus investimentos em renda variável, enquanto a Previ tem atualmente 60%. Assim, foi definido que até 2014 o fundo teria que se enquadrar na legislação, o que dá margem para Eike Batista negociar as ações da Valepar.Mesmo se conseguir um acordo da Previ, Eike terá que passar pela aprovação do governo, o que pode não ser tão fácil.Para assessorá-lo nas negociações com a Previ, Eike contratou os bancos Santander, Itaú, Credit Suisse e BTG.

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