terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Por que investir em ações por meio de clubes

Menos impostos, planejamento de herança, autonomia de gestão e intenso aprendizado são as vantagens de montar um grupo de investimentos, dizem especialistas.

A ideia de administrar dinheiro em conjunto soa mal aos ouvidos de muita gente. É bastante comum, por exemplo, ouvir impropérios contra os sócios de pessoas cujo negócio próprio naufragou. Por isso, há aqueles quem hesitam na hora de pensar em montar um clube de investimento, que nada mais é do que uma sociedade para abarcar as aplicações financeiras de um grupo de pessoas.

Porém, segundo especialistas do mercado de capitais, basta ter um pouco de organização e disciplina para que o relacionamento e a gestão caminhem harmoniosamente. Fazer negócios entre amigos, familiares ou pessoas que tenham objetivos financeiros semelhantes pode ser um grande aprendizado para os que querem se aventurar no mercado de ações. "É ótimo para quem está começando porque os investidores passam a estudar mais o mercado e trocam muita informação", afirma Thiago Arnold, consultor de investimento da Geração Futuro, a maior corretora de clubes de investimentos do Brasil, com 280 grupos registrados.

Os clubes podem ser compostos por, no mínimo, três pessoas e, no máximo, 150. Em geral, a própria corretora cuida da parte burocrática, como organizar toda a documentação, registros e recolhimento de impostos. Para que o clube tenha chances de ter uma rentabilidade satisfatória, é indicado pelos especialistas começar com um aporte inicial entre 100.000 e 200.000 reais - embora existam corretoras que aceitem abrir um clube com menos de 5.000 reais.

A administração fica a critério do cliente, podendo ser gerido pelo clube (sob a égide de um representante oficial), por um gestor contratado ou até em forma de parceria com uma instituição financeira. É nesta autonomia de decisão que está uma das grandes vantagens do investidor de um clube quando comparado a um fundo de investimentos, segundo o consultor de investimentos Marc Olichon.

"O cotista pode determinar como quer a composição de sua carteira, colocando uma porcentagem em blue chips (ações das maiores empresas da bolsa), outra em small caps (ações de segunda e terceira linha), derivativos, entre outros", diz Olichon. Entretanto, diferente dos fundos, onde não há limite para aplicação, nos clubes, um cotista não pode deter mais do que 40% do patrimônio total. Isso acontece para manter o equilíbrio da carteira de ações do grupo.

Vantagem tributária É consenso entre os gestores de mercado de que o principal benefício tributário dos clubes refere-se aos cotistas que investem mais de 66% de sua carteira em ações. Nesse caso, o Imposto de Renda (IR) só é cobrado no momento do resgate do capital, por uma alíquota de 15% sobre o rendimento da aplicação. Essa é uma grande vantagem em relação aos fundos de investimentos, que pagam IR semestralmente, numa operação conhecida como "come-cotas". Como os clubes só pagarão o IR na data do resgate, o dinheiro continua aplicado - e pode render bons lucros e dividendos.


No entanto, caso as aplicações em ações do clube fiquem abaixo dos 66% do patrimônio, a tributação é exatamente igual à dos fundos. A alíquota vai de 22,5% a 15%, dependendo do tempo de aplicação. O gestor de investimentos pessoa física Valdinei Gotardi explica, no entanto, que se o investidor deseja reduzir o percentual de recursos aplicados em renda variável porque acredita na queda da bolsa, há maneiras de fazer isso sem abrir mão do benefício tributário. O gestor pode, por exemplo, montar posições no mercado futuro, por meio de opções, para travar possíveis perdas na Bovespa - mantendo mais de 66% do patrimônio em renda variável.


Os clubes de investimentos familiares também podem trazer vantagens na hora de transmitir a herança. Gotardi explica que se um pai for o representante do clube e quiser assegurar a herança de seus filhos, ele pode ir repassando o patrimônio, em vida, para as cotas dos herdeiros sem pagar o IR de 4% sobre o valor de mercado do patrimônio. No entanto, no caso de mudança de titularidade do clube de investimento, os cotistas terão de arcar com os custos do inventário. Clubes no Brasil As aplicações em bolsa por meio de clubes têm crescido exponencialmente. Nos últimos dez anos, o número de registros na Bovespa passou de 180 clubes para os atuais 2.904, um crescimento equivalente a 1.513%. Somente neste ano, o aumento foi de 120%. Atualmente, o acumulado total do patrimônio líquido dos clubes é de 12,75 bilhões de reais.

De acordo com José Alberto Filho, professor de educação financeira da BM&FBovespa, essa alta incidência dos clubes ocorre por dois fatores fundamentais. Primeiramente, é fruto do intenso trabalho da BM&FBovespa, desde 2002, no sentido de popularizar a bolsa de valores. E, além disso, é reflexo da favorável conjuntura econômica brasileira, principalmente em relação à queda de juros.


O professor também recomenda esse tipo de investimento para quem é iniciante no mercado financeiro. "A participação em um clube acontece de forma bastante didática. Muitas vezes, ele pode ser um passo para que a pessoa, mais para frente, faça uma 'carreira solo'. Depois de formar uma massa crítica, muitos passam a operar sozinhos no home broker", diz Alberto Filho.

Noticia retirada do site: http://portalexame.abril.com.br/economia/investir-acoes-meio-clubes-519644.html

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