Abilio Diniz dispensou auditorias e fechou a compra da empresa em apenas 90 dias, mas não deixou de se proteger contra eventuais problemas.
Dispensar a auditoria prévia de uma empresa que se pretende comprar é um movimento ousado no mundo dos negócios. Equivale à pessoa que compra um carro sem antes verificar se seus documentos estão regulares, se há multas a pagar ou se o motor precisa de reparos. Nesses casos, assumir a direção - seja da empresa, seja do veículo - pode conduzir a grandes desastres. Mas para acelerar a compra da Casas Bahia, o empresário Abilio Diniz, dono do Pão de Açúcar, fez exatamente isso - pulou a fase da due dilligence, a auditoria prévia realizada em uma companhia, antes da assinatura dos contratos. Como, por coincidência, a consultoria Ernst & Young já audita tanto o balanço da empresa da família Klein, quanto da sua própria, Abilio e os Klein concordaram em autorizar a troca de informações sobre a saúde financeira de seus negócios. Mas, quem entende de contabilidade sabe que os balanços não dizem tudo. Não mostram, por exemplo, se as lojas estão com problemas ou se uma controlada tem passivos que podem estourar no colo do novo controlador a qualquer momento. Por isso, a operação foi desenhada para blindar o Pão de Açúcar de qualquer surpresa futura.
"A compra da Casas Bahia foi feita um pouco no escuro, porque só agora se saberá mesmo o que tem lá", afirma uma fonte que participou das negociações. "Por isso, Abilio precisou se cercar de alguns cuidados". O principal deles foi garantir que eventuais problemas da antiga gestão não o afetem. Para tanto, o contrato obriga que a família Klein mantenha aberta a antiga Casas Bahia. por, pelo menos, dez anos. A empresa original continuará com o mesmo CNPJ e contará com patrimônio e fonte regular de receita.
O patrimônio será composto pelos imóveis onde hoje estão instaladas as lojas da rede, pelos jatinhos e hangares, pela participação de 75% que os Klein detêm na fabricante de móveis Bartira, e por parte da carteira de recebíveis de crédito. Já as receitas virão, primeiro, dos aluguéis pagos para ocupar os imóveis - cerca de 128 milhões de reais por ano. O contrato de locação é de dez anos, renovável por mais dez. A segunda fonte será a própria carteira de crédito. Para a "nova Casas Bahia", criada pelos Klein para compor a fusão com a Globex (controladora do Ponto Frio), foram transferidos apenas os ativos operacionais (carteira de crédito, funcionários, estoques, etc).
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2 comentários:
Muito Legal o blog!
Interessante!
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