quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Empresa de Sam Zell vai investir mais no Brasil

Mais da metade do portfólio da Equity International, holding de investimentos em imóveis fora dos Estados Unidos do americano Sam Zell, está aplicada em empresas brasileiras. Nesta semana, a Equity comprou 8,52% da empresa financeira-imobiliária Brazilian Finance & Real Estate e, com isso, tem 1 bilhão de dólares investidos em companhias locais - entre elas, a BRMalls e a Gafisa.

Ainda assim, o plano é aumentar a presença aqui. Foi o que me disse há pouco Thomas McDonald, diretor executivo de estratégia da Equity International, que esteve no Brasil para fechar o negócio da BFRE (e, ontem, chegou a se reunir com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em Brasília). Segundo ele, a holding vai lançar seu quinto fundo de investimentos no início de 2010, que terá 500 milhões para aplicar. “Ao menos um negócio será fechado no Brasil, mas um é muito pouco”, disse ele. “O Brasil é o melhor lugar para se investir hoje.”

O que torna o país tão atrativo, na visão do executivo, é uma combinação de fatores macroeconômicos favoráveis, como o crescimento da classe média, a queda dos juros e o aumento do crédito. “Estudamos o Brasil há anos. A BFRE, especificamente, acompanhamos de perto por dez anos antes de decidir comprar parte da empresa. E isso é porque temos um objetivo de longo prazo aqui”, diz. “Uma das coisas que Henrique Meirelles nos mostrou na reunião de ontem foi o número de que 30 milhões de pessoas saíram da pobreza nos últimos cinco anos. Isso é impressionante”, contou, em meio a elogios sobre o presidente do BC, que conheceu nesta viagem.

McDonald não disse quais segmentos do mercado estão na mira da Equity agora. Mas contou que já olhou redes de hotéis que querem aumentar a presença no país ou se instalar aqui. “As Olimpíadas e a Copa só deixaram mais evidente o fato de que faltam hotéis de padrão internacional de três e quatro estrelas no Brasil”, disse.

Para o executivo, o melhor jeito de aproveitar a valorização imobiliária que deve ocorrer com a Copa e as Olimpíadas será lançar empreendimentos em regiões que forem receber melhorias em infra-estrutura - como estações de metrô ou revitalizações.

Hoje, McDonald não vê excessos nos preços dos imóveis ou no ritmo de lançamentos de empreendimentos. “Não há indícios de altas artificiais de preço ou de compras especulativas”, diz. Há cerca de dois anos, porém, na época da seqüência de IPOs de construtoras e incorporadoras, ele diz que chegou a ficar preocupado. “Os preços dos terrenos subiram demais, muito acima da inflação, e descolaram da realidade. Tantro foi assim que várias empresas tiveram problemas e acabaram sendo vendidas ou se fundindo com outras.” Para o executivo, ainda há espaço para mais consolidação no mercado. “Podemos e queremos comprar outras empresas aqui.”

Sobre o pacote do governo para a baixa renda - batizado de “Minha Casa, Minha Vida” -, McDonald diz que só será possível ter uma ideia do andamento das iniciativas em 2010. “Neste ano, foram criadas as bases do programa, e isso foi muito positivo. Mas, como se diz, o diabo está nos detalhes. Um ponto crucial que ainda precisa ficar mais claro é se a Caixa Econômica conseguirá atender à nova demanda de projetos”, diz.

Nenhum comentário: