quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Doze corretoras indicam ações para dezembro

Analistas veem possibilidade de alta de 15% para a bolsa nos próximos meses e aconselham garimpar bem os papéis que ainda estão baratos.

O mercado parece ter se adaptado à taxação da entrada de capital estrangeiro no país, por meio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Depois de um período de maior volatilidade, observado principalmente no final de outubro e no começo de novembro, a oscilação na bolsa brasileira diminuiu nas últimas semanas e o Ibovespa retomou uma trajetória mais definida de alta.

O índice chegou a um novo patamar máximo no ano - 68.059 pontos no dia 18/11 - e fechou o mês aos 67.944 pontos, uma variação acumulada de 8,94%. Para os analistas, ainda há espaço, nos próximos meses, para um avanço do Ibovespa de cerca de 15% - uma alta bem mais modesta, portanto, que os 82% acumulados neste ano.

Também parece ter sido bem digerido pelos investidores brasileiros o imbróglio da moratória da dívida do Dubai World - conglomerado de empresas de Dubai responsável por investir no desenvolvimento de vários setores da região com recursos de estrangeiros. O anúncio de que o Banco Central dos Emirados Árabes dará liquidez aos bancos e a expectativa de que o Dubai World seja capaz de voltar a pagar as dívidas em breve de certa forma acalmaram os investidores na última semana. No entanto, os riscos de que a moratória contamine outras economias, especialmente a de países emergentes, alguns deles bastante expostos à dívida da Dubai World, ainda existe. Segundo a analista de investimentos Kelly Trentin, da corretora SLW, há ainda a “dúvida quanto à possibilidade de outros países terem a mesma fragilidade de endividamento. Isso causaria mal estar no mercado e impactaria o Brasil no curto prazo.

Avaliando melhor a situação, passado o calor do momento, o investidor voltaria a enxergar que o Brasil está muito bem, sem endividamento alto e com poucas dívidas para pagar em 2010”. Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, falou ao Portal Exame sobre o assunto e afirmou não acreditar que o Brasil possa ser afetado fortemente pela crise no emirado. “Trata-se de uma questão muito específica dos investidores que apostaram em Dubai. E Dubai é um país distante do Brasil, tanto em termos geográficos quanto econômicos.”

O economista acrescentou que a moratória não deve gerar forte correção da bolsa no país porque a valorização dos ativos brasileiros tem fundamento (ao contrário da ideia de que poderia haver uma bolha no mercado nacional).Bons indicadoresDe modo geral, essa boa fase do mercado brasileiro em novembro acompanhou uma tendência consistente de valorização dos principais mercados mundiais, que reagiram de forma positiva à favorável temporada de dados nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Dentre os bons indicadores americanos reportados no mês passado, destacam-se a forte recuperação das vendas de automóveis, a expressiva elevação de 10,1% nas vendas do mercado imobiliário e as notícias mais otimistas com relação ao mercado de trabalho nos EUA.Além das boas perspectivas para a recuperação econômica dos EUA e de outros países desenvolvidos, a aposta em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010 acima de 5% parece ser consenso no mercado. Segundo relatório dos analistas da corretora do HSBC, que opera de forma independente do banco, os últimos indicadores apontam para um maior crescimento da produção industrial e da utilização de capacidade instalada da indústria. É esperado também que o índice de confiança do consumidor chegue ao maior patamar dos últimos três anos.

Entretanto, outro consenso aparece na opinião de que esta melhora dos indicadores já tenha sido razoavelmente precificada no mercado brasileiro. “Temos certa dificuldade em recomendar algum setor específico para investimentos, pois acreditamos que todos já estão mais ou menos bem precificados”, diz Fernando Siqueira, economista chefe da Intra Corretora. Segundo ele, a melhor estratégia de investimento para o atual momento do mercado seria fazer uma análise mais detalhada das empresas para encontrar aquelas ainda baratas.

Segundo as corretoras Brascan e Intra, seria a hora de posicionar as carteiras em setores ligados a commodities. “Se há a possibilidade de indicar alguns setores, são os que dependem de um crescimento econômico mundial mais forte. Acreditamos que, embora com certa precificação, setores como os de commodities, siderurgia (que também deve ser beneficiado pela prorrogação do IPI reduzido para a linha branca e automóveis flex 1.0) e mineração ainda estejam atrás dos demais, havendo possibilidade de valorização”, diz o economista-chefe da Intra Corretora.

Para ver a tabela das indicações das corretoras clique no link abaixo:
http://portalexame.abril.com.br/financas/nove-corretoras-indicam-acoes-dezembro-516366.html?page=2

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