terça-feira, 7 de julho de 2009

"O Brasil é o país do presente"

Por Eduardo Salgado | 05/07/2009 - 16:04

Muitos jornalistas econômicos com mais de 15 anos de profissão passaram por situações constrangedoras em seminários internacionais ao longo da carreira. Quando chegava a hora de fazer uma pergunta sobre a situação econômica do Brasil era quase certo que a resposta viria com alguma dose de ironia. "O Brasil? O eterno país do futuro" parecia ser a mensagem velada. Por muito tempo, o país foi sinônimo de inflação, de dívida, de crises em cascata, de ausência de instituições econômicas com credibilidade, de desvalorizações cambiais, ou seja, uma promessa nunca cumprida. Por tudo isso me causa uma certa estranheza a avalanche de elogios que José Juan Ruiz, o economista-chefe da divisão de Américas do Banco Santander, faz à economia brasileira. Num encontro com jornalistas latino-americanos na cidade espanhola de Santander, Ruiz disse coisas como: "O Brasil hoje é a estrela do mundo, o país do presente". A análise de Ruiz é regional, mas todos os pontos levantados por ele para justificar o bom momento da América Latina fazem sentido no caso específico do Brasil. Em resumo, o país aprendeu com os erros do passado. Ninguém hoje discute se vale ou não a pena manter a inflação sob controle ou deixar o câmbio flutuar. "Em meio à toda essa crise, o Brasil tem, pela primeira vez, um risco-país abaixo da média dos países emergentes." Além disso, o país adotou duas ações inéditas em tempos de turbulência: usou a taxa de juros como política anti-cíclica e injetou liquidez no mercado. Levando-se em conta o histórico nacional, realmente é incrível. O mundo vive a maior crise econômica e financeira em mais de sete décadas e o Brasil não está preso ao fundo do poço. "Quando falo aqui na Europa o que está acontecendo na América Latina, as pessoas não acreditam", diz Ruiz. Muitos brasileiros também não.

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