segunda-feira, 27 de julho de 2009

Estrangeiro volta à Bolsa em julho e traz US$ 5,5 bi

27 de Julho de 2009 | 19:11

O apetite dos investidores estrangeiros por papéis no mercado acionário brasileiro voltou a crescer em julho. De acordo com dados preliminares do Banco Central (BC), esses investidores já trouxeram ao País cerca de US$ 5,5 bilhões neste mês, depois de terem feito uma retirada líquida de US$ 65 milhões em junho. A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da VisaNet foi uma das grandes responsáveis pelo expressivo aumento no volume de investimentos em bolsa.

De acordo com levantamento divulgado hoje pelo BC, somente a operação de lançamento de ações da operadora VisaNet garantiu a entrada de US$ 2,4 bilhões. Na oferta, a companhia captou R$ 8,4 bilhões, marcando a maior oferta inicial de ações da história brasileira. Os investidores estrangeiros ficaram com 56,54% do total ofertado, de acordo com dados da própria empresa divulgados no início do mês.


O investidor estrangeiro também continua trazendo recursos para o segmento de renda fixa, apesar dos cortes promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na taxa básica de juro do País. Em junho, os recursos aportados neste segmento somaram US$ 1,7 bilhão e já alcançam em julho US$ 1,1 bilhão.


Os investimentos em renda fixa no Brasil por parte dos estrangeiros refletem a diferença de juros entre países. Apesar do Copom ter reduzido a taxa Selic em todas as cinco reuniões deste ano, jogando a taxa para o patamar histórico de 8,75% ao ano, o rendimento dos títulos atrelados ao juro básico brasileiro ainda é bastante superior ao registrado em outros países onde a taxa básica está próxima de zero, como é o caso dos Estados Unidos.


Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esses fluxos devem continuar tendo oscilações ao longo dos próximos meses, já que os investidores tendem a embolsar seus lucros em intervalos mais curtos de tempo. Ainda assim, Lopes acredita que a tendência de entrada de recursos nos mercados brasileiros é positiva, assim como o comportamento esperado para o chamado investimento estrangeiro direto (IED). "O investimento deve continuar fluindo bem", disse Lopes. "O Brasil é visto como um ponto bastante importante para o investidor externo", acrescentou.


De janeiro a junho, a entrada líquida de investimentos em bolsa no Brasil somou US$ 3,09 bilhões. Em 2008, como um todo, houve uma saída líquida de US$ 10,9 bilhões, de acordo com o levantamento do BC. No caso do mercado de títulos de renda fixa, o volume líquido do primeiro semestre é de US$ 1,09 bilhão. Em 2008, esses investimentos somaram US$ 15,3 bilhões.

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