Políticas demagógicas, população promovendo panelaços, crise de crédito - sim, todos já viram esse filme na Argentina. E a travessia do país pela crise promete ainda novas fortes emoções
Carlos Luna/AP Photo Protesto de ruralistas no interior do país: revolta com as taxas para exportação cobradas pelo governo Por Luciene Antunes | 19.03.2009 | 13h15
Revista EXAME -
Mesmo num país como a Argentina, onde o culto ao drama está impregnado na alma nacional, o conflito entre a presidente Cristina Kirchner e os empresários da área ruralista passou dos limites.
A pendenga se arrasta desde o início do ano passado, quando o governo, a fim de reforçar seu caixa, instituiu novos impostos às exportações do agronegócio - as chamadas retenciones móviles. Se a política já parecia absurda aos produtores nos tempos de bonança das altas cotações das matérias-primas do campo, agora - em meio à crise mundial - a coisa soa como um acinte. Em janeiro, as exportações agrícolas argentinas caíram 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mesmo assim, a maior parte das tais retenciones continua sendo cobrada. Revoltados, os fazendeiros vêm promovendo greves, bloqueios de estradas, panelaços e "tratoraços". Para piorar o panorama no campo, um período severo de seca castiga hoje a maior parte do território argentino.
As províncias mais afetadas reivindicam agora não apenas a suspensão dos impostos de exportação como também uma ajuda financeira para amenizar as perdas. Segundo estimativas, o prejuízo do setor pode chegar a 12,5 bilhões de dólares até o final de 2009. Apesar dos apelos, é pouco provável que a presidente Kirchner possa ajudar muito neste momento. O próprio governo enfrenta dificuldades financeiras, com um nível baixo de reservas internacionais e uma dívida pública que já atingiu a proporção de 49,1% do PIB, a maior taxa da América do Sul (veja quadro).
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