terça-feira, 28 de abril de 2009

A gripe suína e os mercados 2/2

Por Cláudio Gradilone | 27/04/2009 - 14:48

Por enquanto, a reação dos investidores tem sido exagerada. Em Wall Street, os investidores têm feito o equivalente ao hipocondríaco que lava as mãos continuamente e anda por aí com uma máscara cirúrgica para evitar contágio.

Essa entidade mística chamada mercado, que é a soma de milhões de indivíduos tomando decisões, vendeu ações de empresas que produzem carne suína e de companhias aéreas, e comprou papéis de empresas farmacêuticas.

A venda de ações de empresas aéreas lá fora afetou os papéis das companhias daqui, também. Tam PN está caindo 5,4% e Gol, cujo faturamento depende menos de vôos internacionais, está recuando 1,6%.

As ações de empresas ligadas à produção animal estão indo muito bem, obrigado. Sadia PN sobe 7,1%, Perdigão PN sobe 3,5% e JHS Friboi avança 5,9%, estimuladas pela compreensão do mercado de que a gripe é transmitida pelo ar, não pela ingestão de carne de um porco gripado. Mesmo que a carne atuasse como um agente transmissor, não há virus da gripe que resista a uma hora de forno ou panela, que é o tempo que a carne de porco demora para ficar cozida. Ou seja, depois de oscilarem, as ações das empresas brasileiras produtoras de proteína animal subiram bastante.

Moral da história: pode ser uma boa hora para comprar ações das empresas produtoras de alimentos. O Brasil tem uma fama razoavelmente boa em ser um produtor de comida saudável (de vez em quando uns fazendeiros contrabandeiam uns bois com aftosa do Paraguai e a Vigilância Sanitária não descobre a tempo, mas tudo bem), e essa qualidade é reconhecida pelos investidores internacionais.

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