segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mercados iniciam semana em queda, com atenções para a crise fiscal da Europa

SÃO PAULO – Após fecharem em queda no último pregão, os mercados acionários estendem suas perdas nesta segunda-feira (16) diante da preocupação pelo desdobramento da reestruturação da dívida grega, agravada pela prisão do diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn por assédio sexual.

Na madrugada de domingo, Strauss-Kahn foi detido em Nova York. Ele deverá prestar depoimento na manhã desta segunda no Tribunal Criminal de Manhattan. “Há o temor de que sua prisão atrase procedimentos ligados ao socorro financeiro da Grécia e Portugal. Strauss-Kahn era cotado para concorrer à presidência da França”, diz a consultoria LCA. O mercado acionário europeu repercute a notícia com as principais bolsas em queda.

Em Nova York, os contratos futuros dos principais índices acionários operam em queda, neste dia que traz na agenda sondagem do Fed de NY para o mês de maio, que de acordo com a LCA deve vir “bastante positivo”, e o índice NAHB de confiança do construtor, também referente a maio, que não deve ter mudança significativa, já que os construtores “seguem cautelosos em relação ao futuro, à medida que o patamar deprimido dos preços residenciais segue atraindo a reduzida parcela de potenciais compradores”, diz a LCA.

No Brasil, destaque para dados de inflação nesta segunda, com dados de estabilidade do IGP-10 e de aceleração do IPC-S. Os investidores devem repercutir neste pregão os resultados da Petrobras, divulgados após o fechamento da sessão de sexta, e também as expectativas do Boletim Focus, que mostraram queda na inflação pelo IPCA e estabilidade para Selic e PIB.

Europa rouba a cena no pregão
Os principais índices de ações europeus registram trajetória negativa, com o mercado repercutindo a prisão do presidente do FMI. As ações do setor financeiro puxam os principais índices acionários para baixo na sessão.

De acordo com a analista do Société Générale, Michala Marcussen, embora a instituição não veja que a prisão de Strauss-Kahn tenha algum impacto na crise fiscal na área do euro, isso traz incertezas acerca do assunto. O banco espera que os líderes da região aprovem nesta semana um programa de assistência no valor de € 78 bilhões para Portugal. “Os mercados vão olhar para uma mensagem mais clara de apoio para os países periféricos. Esperamos mais volatilidade no mercado e fraqueza para o euro”, diz ela.

Os investidores também ficam de olho nos indicadores econômicos. Segundo a Eurostat, em abril a taxa anual de inflação ao consumidor na Zona do Euro subiu 0,1 ponto percentual e atingiu 2,8%. Já a balança comercial da Zona do Euro teve um saldo positivo de € 2,8 bilhões no último mês de março. No mesmo período do ano passado, o saldo havia sido de € 2,7 bilhões, enquanto que em fevereiro deste ano, foi registrado um deficit de € 3,0 bilhões.

Brasil atento aos dados de inflação e Petrobras
Depois de fechar em queda o pregão da véspera, a bolsa brasileira deve repercutir nesta segunda dados de inflação, resultados da Petrobras e o Boletim Focus. Este último apontou que a expectativa é de uma inflação de 6,31% para o Brasil neste ano, acima do que havia sido projetado na semana anterior (6,33%). Já a expectativa para o PIB se manteve em 4% e, para a Selic, em 12,50% ao ano.

Em relação à inflação, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o IGP-10, que registrou em maio variação de 0,55%. Em abril, a taxa foi de 0,56%. Já o IPC-S de 15 de maio apresentou variação de 1,09%, 0,04 ponto percentual acima da taxa registrada na última divulgação.

Os investidores ainda devem repercutir dados da Petrobras, empresa que registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 10,985 bilhões no primeiro trimestre de 2011, montante 3,61% superior ao reportado no quarto trimestre e 42,18% acima do apurado nos primeiros três meses de 2010. O lucro líquido consolidado ficou em R$ 11,194 bilhões nesse trimestre, 43,57% maior do que foi visto no 1T10 e 5,25% maior do que em relação ao 4T10, superando assim o recorde pertencente aos últimos três meses do ano passado.

Em relação às commodities, os preços mostram queda de 1,74% em Nova York e de 0,84% em Londres, para US$ 97,92 e US$ 112,87, respectivamente.

Ásia fechou em queda
No Japão, o índice Nikkei fechou o pregão desta segunda no campo negativo, em uma sessão no qual a crise da dívida de países da Zona do Euro retornou ao foco dos investidores. O cenário interno japonês continua turbulento para os bancos, já que o governo continua com a sinalização de que só investirá na Tokyo Electric Power caso eles perdoem parte das dívidas da companhia.

Do mesmo modo, o índice Shanghai Composite, da bolsa de Xangai, China, revelou um pregão de perdas. No entanto, o foco recai sobre ações de empresas ligadas às commodities, já que as energéticas e algumas das metálicas registram um movimento negativo em suas cotações.

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2110636-mercados+iniciam+semana+queda+com+atencoes+para+crise+fiscal+europa

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