Nova York/Rio de Janeiro - A investida do governo para destituir Roger Agnelli da presidência da Vale SA e ganhar influência sobre o comando da maior produtora mundial de minério de ferro está prejudicando a rentabilidade dos títulos da dívida da empresa.
Os papéis em dólar da Vale com vencimento em 2020 acumularam perda de 1 por cento na semana passada, enquanto títulos de empresas brasileiras tiveram ganho de 0,4 por cento, de acordo com o índice CEMBI do JPMorgan Chase & Co. Papéis de empresas de países emergentes em geral subiram 0,2 por cento.
Investidores temem que Agnelli -- que transformou a Vale na segunda maior empresa do País, com valor de mercado de US$ 163 bilhões -- seja substituído por alguém disposto a dar prioridade aos projetos preferidos pela Presidente Dilma Rousseff, disse Eduardo Suarez, estrategista de mercados emergentes da RBC Securities em Toronto.
“A Vale prosperou sob a liderança de Agnelli, então uma mudança representa risco”, Ernie Lalonde, diretor sênior de mineração para a agência de classificação de crédito DBRS Ltd, sediada em Toronto, disse em e-mail em 25 de março. “Vemos a Vale como uma empresa que toma decisões de negócios para maximizar o retorno para os acionistas e sempre mantém a parte financeira saudável. Agir por razões políticas enfraquece esse perfil empresarial.”
Dilma poderá substituir Agnelli, 51, com um executivo do próprio quadro da Vale, disse uma pessoa a par da situação, que pediu para não ser identificada porque as conversas não são públicas.
Política
“A decisão sobre a escolha do diretor-presidente da Vale compete exclusivamente aos acionistas controladores da empresa”, disse Agnelli em comunicado divulgado 25 de março. “Não tenho envolvimento com qualquer questão política relativa a este assunto”.
http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/disputa-pelo-comando-da-vale-prejudica-titulos-da-mineradora
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