quarta-feira, 17 de março de 2010

Heineken promete ir para cima da AmBev

CEO mundial da cervejaria holandesa diz a EXAME que quer nada menos que a liderança do mercado brasileiro.

O CEO da Heineken, Jean-François van Boxmeer, 49, não se dá por contente quando olha para o mapa-múndi e vê a empresa espalhada por 172 países. Boxmeer tem dois objetivos: aumentar a presença do seu exército verde ao redor do globo e diminuir a força dos seus concorrentes. Em seus planos estratégicos, o Brasil ocupa um lugar de destaque. "Queremos a liderança no mercado brasileiro", revela ele ao Portal EXAME.

O primeiro passo para cumprir a missão de crescer na América Latina já foi dado no começo deste ano. Em janeiro, a cervejaria holandesa desembolsou 7,6 bilhões de euros para comprar a mexicana Femsa, dona da marca Kaiser no Brasil. A transação permitiu à Heineken se tornar mais independente do mercado europeu e mudar o seu foco para países como o México, o Brasil, o Chile e os Estados Unidos, onde Boxmeer calcula poder obter 25% dos seus lucros. Atualmente, essa proporção é de 11%. "Queremos aumentar a nossa exposição especialmente ao crescimento dos mercados emergentes", diz o executivo.

No Brasil, a missão da Heineken é espinhosa. A Femsa fechou o ano passado com participação de 7,6% no mercado brasileiro de cerveja, contra 11,8% da Petrópolis, 13,2% da Schincariol e 69,9% da AmBev. Para piorar, neste ano a Schincariol, fez um grande investimento na marca Devassa para posicioná-la como uma cerveja de massa e abriu negociações para a compra da Petrópolis.

Dentro do objetivo de galgar posições rumo ao topo, a cervejaria holandesa pretende consolidar o seu portfólio de bebidas - composto por Kaiser, Bavaria Clássica, Sol, Heineken e Xingu - e lançar novas marcas. "Enquanto não estivermos em primeiro lugar, não vamos descansar", garante o executivo. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao Portal EXAME.

Portal EXAME - Quais são as intenções da Heineken no mercado brasileiro?
Jean-François van Boxmeer - O Brasil é o segundo maior mercado mundial de consumo de cerveja, com 109 milhões de hectolitros por ano. Historicamente, já estamos bem posicionados no Brasil. Com a aquisição da Femsa, sem dúvida iremos nos estabelecer na segunda posição. Teremos oportunidades significativas de crescimento futuro. Além disso, a nossa expansão no mercado brasileiro diversifica ainda mais as nossas receitas e os nossos fluxos de receitas. Junto com a nossa presença maior no México, vamos aumentar a nossa exposição especialmente ao crescimento dos mercados emergentes. O nosso portfólio de marcas, na qual estão incluídas Kaiser, Bavaria Clássica, Sol, Heineken e Xingu, será uma plataforma forte para construir a nossa participação de mercado e rentabilidade no país.

Portal EXAME - O líquido da Heineken é muito mais agradável ao paladar europeu do que ao paladar brasileiro. Além disso, a cor verde da garrafa é diferente do nosso padrão de cervejas. Existe alguma estratégia para a Heineken se tornar preferência nacional?
Boxmeer - Estamos satisfeitos com a resposta forte que a marca Heineken tem obtido com os consumidores, tanto no Brasil como em outros países latino-americanos. Agora que adquirimos um forte portfólio de marcas nacionais e temos a oportunidade de alavancar a infra-estrutura da Femsa, estamos confiantes de que há excelentes oportunidades para expandir a marca Heineken no Brasil e aumentar ainda mais o seu apelo aos consumidores. Vamos investir pesado em vendas, nos nossos conhecimentos técnicos, nos nossos ativos de distribuição e nos nossos equipamentos de refrigeração nos pontos de vendas. Queremos a liderança no mercado brasileiro.

Portal EXAME - Mas, atualmente, a AmBev tem uma fatia de 70% do mercado brasileiro. Essa posição foi conquistada ao longo dos últimos anos, com a consolidação das marcas Bohemia, Skol e Antarctica, entre outras bebidas. Como a Heineken encara a dificuldade de enfrentar um concorrente peso-pesado no Brasil?
Boxmeer - A Heineken tem operações em mais de 172 países ao redor do globo. Somos o número um em diversas nações. Sabemos como chegar à liderança. E nos mercados onde somos o número dois continuamos a ver excelentes oportunidades para expandir a nossa participação e aumentar a nossa lucratividade. Garanto para você: enquanto não estivermos em primeiro lugar no Brasil, não vamos descansar.

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