O curioso é que a Los Grobo faz tudo isso sem ter um só palmo de terra próprio para a produção. Ao todo, são 745 000 hectares - área cinco vezes maior que o município de São Paulo - arrendados ou pertencentes a produtores vinculados à companhia nos quatro países em que atua, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O modelo de negócio criado por Grobocopatel, que chegou a ser estudado na Universidade Harvard, é inédito no mercado brasileiro. A Los Grobo arrenda uma propriedade e, uma vez instalada, oferece serviços aos vizinhos e compra sua produção. "Para cada hectare que plantamos, fomentamos 2 de outros produtores", diz Grobocopatel, presidente da companhia. É do financiamento de produtores, apoio técnico, logística e armazenagem que sai a maior parte das receitas. O restante vem da comercialização de grãos. Os produtores podem se associar à empresa antes do plantio, na colheita ou apenas na hora de vender a produção. "Foi esse modelo flexível que ajudou a Los Grobo a crescer rapidamente no Brasil", diz José Carlos Hausknecht, um dos sócios da consultoria paulista MBAgro.
O embrião do atual modelo surgiu em 1989, quando Grobocopatel, aos 26 anos e já formado em engenharia agronômica, começou a consultar livros para melhorar a gestão da empresa de seu pai, filho de imigrantes judeus nascidos no que hoje é a Moldova.
Em vez de ler as obras clássicas voltadas para o mundo dos negócios, Grobocopatel se sentiu atraído pelos livros de Manuel Castells, o sociólogo espanhol que desenvolveu a teoria da sociedade em rede. Grobocopatel viu que não iria longe se seguisse o modelo do pai, baseado na aquisição de terras - os valores necessários seriam muito altos. Por isso, investiu na ideia de ser o elo de uma rede de produtores independentes. Em meados da década de 80, a empresa tinha apenas quatro funcionários e faturava menos de 3 milhões de dólares. Hoje são 900 funcionários e receita de 800 milhões de dólares projetada para 2009.
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