quinta-feira, 17 de junho de 2010

Congestionamento no interesse de acionistas faz ações do grupo Oi despencarem 8%

Acionistas rejeitam reorganização societária em assembleia geral no começo da tarde desta quarta-feira.

As ações do grupo Oi apresentam forte queda após a divulgação da rejeição dos acionistas da Brasil Telecom (BrT) à proposta de troca de ações entre a BrT e Telemar no começo da tarde desta quarta-feira (16). Os papéis ordinários da Brasil Telecom (BRTO3) caíam 8,43% às 14 horas, negociados a 16,84 reais, enquanto os preferenciais (BRTO4) recuavam 2,64% no mesmo horário. As ações ordinárias da Telemar, por sua vez, tinham queda de 2,99%.

A votação aconteceu em assembleia geral extraordinária nesta quarta-feira (16). Em comunicado oficial ao mercado logo após o término da reunião, o diretor de relações com investidores, Alex Zornig, informou a suspensão da reorganização societária. “Tendo em vista a rejeição das novas relações de substituição, as Companhias informam que a simplificação societária, conforme proposta e divulgada em Fato Relevante datado de 25 de abril de 2008, está suspensa por prazo indeterminado”.

O motivo que pode ter motivado a reprovação da reestruturação societária da Oi foi a revisão da relação de troca dos papéis da Brasil Telecom pelos da Telemar, anunciada em março deste ano. A proposta mais recente dava para os acionistas ordinários da Brasil Telecom (BRTO3) o direito de receber 0,3955 da ação TMAR3, abaixo da proposta anterior de 0,4137.

O mesmo aconteceu com as ações preferenciais. O investidor que aguardava ganhar 0,2531 da ação TMAR5, precisaria se contentar com 0,2191. Grandes empresas que dão aconselhamentos em assembleias, como a Glass Lewis e a ISS já tinham sugerido o voto contrário. A mudança da relação de troca também gerou reclamações da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais).

Esse foi o segundo susto que os acionistas levaram em 2010. Depois de ser comprada pela Telemar em janeiro de 2009, a Brasil Telecom informou, em 3 de abril, que a empresa tinha R$ 1,45 bilhão em contingências judiciais. Entretanto, em janeiro de 2010, a empresa revisou os números para R$ 2,535 bilhões. O fato interrompeu o processo de reestruturação, levando ao novo cálculo da relação de troca.

"Eles deram a informação de que a contingência era de 70 milhões de reais. Aí, simplesmente, se suprime a informação e altera, sem explicações. Você pode ter induzido investidores. É uma interpretação inadequada", explica Edison Garcia, superintendente da Amec.

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