A economia do Brasil foi uma das que mais cresceram no mundo no primeiro trimestre, segundo números divulgados nesta terça-feira (08), que aumentaram os temores de que a economia está superaquecendo e a expectativa de que o banco central elevará novamente as taxas de juros na quarta-feira.
O crescimento da economia foi a uma taxa anual maior do que a esperada de 9% nos três meses até março, e 2,7% em comparação ao trimestre anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Parte do motivo para o crescimento foi um aumento do investimento, que subiu de 16,3% no ano anterior para 18%, estimulado pela formação fixa de capital bruto, que saltou 26% no ano, a taxa mais rápida desde que a atual série do IBGE teve início em 1995.
“Isso confirma que a economia está muito aquecida”, disse Rafael Bacciotti, economista da Tendências, uma consultoria em São Paulo. “Os setores que se destacam foram indústria e serviços. O emprego e os salários também estão crescendo com força e nós esperamos que isso continue ao longo do ano.”
O setor manufatureiro cresceu 17,2% no ano e o setor varejista cresceu 15,2%. As importações também bateram recorde, aumentando 39,5% no ano.
A pesquisa semanal mais recente do banco central entre os economistas de mercado mostrou que as expectativas de crescimento geral neste ano subiram para 6,6%, a 12ª semana consecutiva de aumento das expectativas.
Mas muitos acreditam que a economia não pode crescer a mais de 4,5% ou 5% ao ano sem provocar uma alta da inflação.
O banco central foi forçado a agir elevando constantemente as expectativas de inflação nos últimos meses. Desde outubro, o índice de inflação ao consumidor do Brasil subiu de uma taxa anual de 4,17% para 5,26% em abril. Mas o levantamento mais recente do banco central mostrou uma ligeira queda nas previsões para inflação durante 2010, com a média caindo de 5,67% para 5,64% em uma semana.
A maioria dos economistas espera que o banco central anuncie um segundo aumento consecutivo de três quartos de ponto percentual em sua taxa de juros para política monetária, a Selic, no final da reunião regular do Comitê de Política Monetária (Copom).
O comitê se reúne a cada seis semanas para decidir a respeito da mudança na taxa Selic, visando cumprir a meta anual de inflação do governo para os preços ao consumidor, atualmente de 4,5% ao ano.
Se as expectativas se confirmarem, a Selic subirá para 10,25% ao ano, em comparação aos 8,75% de quando o atual ciclo de endurecimento teve início em abril.
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