quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crescimento maior leva economistas a prever aumento dos juros

12 entre 14 economistas ouvidos por EXAME preveem alta dos juros em 2010 - a questão é saber quando a taxa começa a subir.

Nas últimas quatro semanas, consolidou-se o consenso entre os economistas de que o Brasil deve encerrar 2009 com um ligeiro crescimento. De acordo com o último Focus do Banco Central, há um mês, o mercado projetava uma retração de 0,15% para o PIB. A estimativa vem subindo nos últimos 15 dias e agora já aponta para uma alta de 0,10%. Os números para 2010 também melhoraram 0,80 ponto percentual no mesmo período. A última projeção é de que o país tenha expansão de 4,80% no ano que vem.

Uma enquete do Portal EXAME com 14 corretoras e bancos também mostra que os analistas praticamente descartam um recuo do PIB em 2009 - apenas um banco aposta em queda (veja quadro abaixo). Mas o companheiro dessa expansão será o aumento dos juros. Aventado pelo Banco Central no Relatório de Inflação publicado em outubro, o reajuste da Selic foi incorporado pelos economistas, que afirmam que a medida será necessária para compensar o relaxamento fiscal dos últimos meses, adotado pelo governo como política anticíclica. Além disso, 2010 será um ano eleitoral - momento típico para que os cofres públicos sejam abertos.

Embora os economistas não acreditem na influência de questões políticas nas decisões do Banco Central quanto aos juros, o mercado está de olho na possível saída de Henrique Meirelles da presidência da instituição para concorrer nas próximas eleições. "O Banco Central tem demonstrado comprometimento com uma sólida política monetária, por isso não acreditamos que fatores não técnicos interfiram nas decisões. Mas, como todo o mercado, estamos acompanhando a movimentação para as eleições", destaca o Departamento Econômico do Bradesco. Doze das 14 instituições consultadas pelo Portal EXAME prevêem que os juros irão subir no próximo ano. A divergência está nos motivos e no momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ajuste.

A maioria afirma que não há motivos para temer a inflação em 2010. Estes analistas argumentam que o núcleo da inflação está em queda e que o BC não terá problemas para cumprir a meta de 4,50% de inflação. Segundo eles, o primeiro motivo é que há capacidade ociosa para acomodar a retomada da demanda no primeiro semestre. Além disso, o dólar barato continuará influenciando a economia de dois modos: permitindo a importação de produtos cujos preços ameacem disparar e ajudando a conter o reajuste de preços administrados ou indexados ao IGP-M, índice de preço bastante impactado pela moeda estrangeira.

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