Por: Nathália A. Terra Pereira26/11/08 - 13h50InfoMoney
SÃO PAULO - Nesta quarta-feira (26), foi a vez da Comissão Européia anunciar gastos bilionários em pacote de combate à crise. Mas a intervenção traz pouco alívio aos investidores, surpreendidos por dados alarmantes em torno do cenário macroeconômico norte-americano. Em meio a tal contexto, as principais bolsas do mundo estendem pela tarde a trajetória negativa observada desde a abertura de suas negociações.Já pelo começo do dia, novas referências desfavoráveis em torno da economia global pontuavam o noticiário: o Reino Unido trouxe um recuo de 0,5% em seu PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre, enquanto que a China efetuou o quarto corte em seu juro básico em apenas dez semanas - para não falar nos resultados decepcionantes da Deere & Co e das projeções pessimistas da francesa GDP Suez.Por volta das 11h30 (horário de Brasília), a agenda norte-americana assumiu o posto de destaque, com a divulgação de dados de peso sobre sua economia. O volume de pedidos de ordens e entregas de bens duráveis despencou o dobro do esperado em outubro, enquanto que a taxa de gastos com consumo no país marcou sua maior queda desde 2001. O nível de atividade industrial de Chicago também se revelou muito abaixo do previsto em novembro.As tensões em torno do rumo da maior economia do mundo deixam pouco espaço para qualquer otimismo em função do pacote anti-crise de € 200 bilhões anunciado pela Comissão Européia nesta tarde. A cifra corresponde a cerca de 1,5% do PIB das 27 nações que compõem o bloco, mas de acordo com José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão, mais recursos podem ser necessários para que as turbulências sejam aplacadas.IPCA-15 é destaque domésticoInternamente, a maior preocupação dos mercados é quanto à volta da tendência de aceleração dos preços no País. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15) mostrou alta de 6,54% nos doze meses terminados em novembro, a maior variação constatada desde julho de 2005. O avanço na base mensal foi de 0,49%.Enquanto isto, o governo apresentou um superávit primário de R$ 14,5 bilhões durante o mês de outubro, superior ao superávit de R$ 10 bilhões registrado em setembro, ao passo que o estoque total da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) teve alta de quase R$ 1,53 bilhão, ou 0,12%, na comparação com o nono mês do ano.Treasuries e petróleoRefletindo o clima tenso e a procura dos investidores por ativos menos arriscados, o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano, principal referência de juro a longo prazo nos EUA, registra queda, puxando positivamente seu preço. Também em sentido de alta segue o risco-país, marcando 10 pontos-base cima do fechamento da última sessão, ao mostrar 497 pontos.Apesar da deterioração econômica norte-americana, as expectativas de uma expansão chinesa mais robusta com os cortes no juro implementados pela autoridade monetária do país trazem trajetória de alta ao preço do petróleo. Nesta tarde, a commodity opera com valorização de 2,90% em Nova York, negociada a US$ 51,81 o barril. O movimento ascendente também é observado em outras commodities, como as metálicas.Câmbio e renda fixaApós ter caído mais de 5% nos dois últimos dias, o dólar comercial mantém desde a abertura de suas negociações uma trajetória de alta. Nesta tarde, a valorização registrada pela moeda é de 0,95%, cotada a R$ 2,348.No sentido oposto, as taxas dos contratos de DI futuro são negociadas predominantemente em queda na BM&F Bovespa, embora o juro com vencimento em outubro de 2009 mostre leve alta.Ibovespa desafia Wall StreetDesafiando o desempenho negativo das bolsas lá fora, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, reverte a baixa da abertura e passa a operar no campo positivo, acompanhando a valorização das commodities. Nesta tarde, o índice sobe 3,04%, atingindo 35.871 pontos. O volume financeiro segue baixo: R$ 1,233 bilhão.Com os rumores de venda à Telefónica, o principal destaque positivo da sessão fica com as ações preferenciais da TIM Participações (TCSL3), que registram valorização de 16,24% e são cotadas a R$ 6,87. Apesar dessa variação, a baixa acumulada desde o início do ano chega a 18,21%.As ações da Petrobras e da Vale também sobem com as commodities em alta. Em contrapartida, o pior desempenho fica com os papéis preferenciais da TAM (TAMM4), que impactados pelas negociações do preço do petróleo, são cotados a R$ 14,08 - uma baixa de 2,90%.As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
TCSL3
TIM Part ON
6,87
+16,24
-18,21
2,04M
SDIA4
Sadia PN
3,79
+13,13
-61,49
33,85M
TCSL4
TIM Part PN
3,85
+11,27
-34,99
7,38M
ALLL11
ALL UNT N2
11,13
+9,44
-51,48
14,69M
GOAU4
Gerdau Met PN
19,05
+7,02
-44,06
6,98M As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
TAMM4
TAM PN N2
14,08
-2,90
-66,51
1,98M
TNLP3
Telemar ON
33,50
-1,47
-36,24
3,40M
VCPA4
VCP PN
13,45
-1,18
-75,18
2,00M
BRKM5
Braskem PNA
6,22
-0,96
-54,94
1,18M
CPLE6
Copel PNB
25,83
-0,81
-0,07
2,58M * - Lote de mil ações 1 - Em reais (K - Mil M - Milhão B - Bilhão)
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