sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Alta do dólar divide analistas: conseqüência da crise ou especulação?Por: Giulia Santos Camillo14/11/08 - 14h00InfoMoney
SÃO PAULO - "Dólar comercial dispara 3,45% e fecha quinta-feira (13) cotado a R$ 2,37". Manchetes como essa se tornaram freqüentadoras diárias dos noticiários econômicos neste mês, período em que a moeda norte-americana já acumula uma alta de mais de 9%. No ano, apesar da apreciação do real no primeiro semestre, o dólar alcança uma valorização de 30%.Frente a uma mudança brusca de trajetória, são inúmeras as tentativas de explicar os movimentos no câmbio brasileiro. As justificativas mais comuns culpam as turbulências nos mercados internacionais e os temores de recessão global pela fuga dos investidores para o dólar, influenciando a alta da cotação. Afinal, o dólar é, tradicionalmente, considerado reserva de valor e tem se recuperado frente às principais moedas mundiais.Somado a isso, há também o cenário de queda nos preços das commodities, que pode prejudicar as contas externas do País. "A combinação da retração dos recursos globais para investimentos e dos preços das commodities exportadas pelo País em queda já provoca temores de uma deterioração do saldo em transações correntes e dos fluxos de capitais estrangeiros, o que mantém as pressões de alta sobre as cotações", avalia Miriam Tavares, diretora de Câmbio da AGK Corretora, em relatório.Essa justificativa que liga a desvalorização do real à deterioração do cenário externo tem como suporte o fato de que a mudança na trajetória da moeda confere com a piora nas condições econômicas e financeiras globais, a partir do segundo semestre deste ano. Dessa forma, uma previsão de fortalecimento do real depende da melhora no ambiente internacional, ou como explica Tavares, "oscilações em intervalos mais baixos só deverão ocorrer se e quando as commodities e a confiança do investidor se estabilizarem em patamares um pouco melhores".A culpa é da especulaçãoExpressando uma opinião diferente, Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO Corretora, divulgou relatório sustentando a visão de que a apreciação excessiva do dólar em relação ao real se deve principalmente à ação de especuladores e não aos reflexos da crise financeira internacional. A explicação mais usual, segundo Nehme, pode encobrir problemas pontuais do mercado brasileiro e parece ser fundada em aparências mais imediatas."Continuamos sustentando a nossa análise de que o preço está deformado por razão extremamente pontual e que envolve diretamente a especulação e disputa entre 'comprados' e 'vendidos' no mercado de câmbio futuro e, adicionalmente, que a ação do BC (Banco Central), via oferta de swaps, que tem pouco alcance para sensibilizar a formação da taxa do dólar, possa estar fomentando movimento contrário", afirma o diretor.De acordo com Nehme, não há sinais de pressão na formação do preço do dólar no mercado à vista, sendo que o problema jaz no mercado de câmbio futuro da BM&F Bovespa. Assim, uma prova de que a alta do dólar não se deve às turbulências do mercado é o fato de que as medidas do BC não têm surtido efeito. Se houvesse demanda por empresas para hedge, haveria sensibilidade da cotação aos swaps do banco.O problema dos swaps cambiais do BCO diretor da NGO afirma que, além de se provar ineficaz para dar liquidez às posições vendidas, a oferta de swaps cambiais do Banco Central pode fomentar o amento das posições compradas dos estrangeiros e dos próprios bancos, impulsionando o movimento especulativo."Provavelmente, o BC devesse parar estrategicamente de ofertar swaps no mercado futuro de dólar, dando continuidade às suas suplementações aos déficits no fluxo cambial para não deixar haver desequilíbrio no mercado à vista e fomentar de forma mais contundente a concessão de ACCs (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) aos exportadores para aumentar o volume de contratações e oferta no mercado à vista, neutralizando a ocorrência de déficits no fluxo, que são decorrentes da retração na contratação de câmbio de exportações", conclui.

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