terça-feira, 5 de outubro de 2010

Governo dobra imposto sobre estrangeiros para conter queda do dólar

O governo decidiu dobrar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente sobre investimentos estrangeiros em renda fixa a partir desta terça-feira, na tentativa de brecar a recente queda do dólar.

A alíquota subirá de 2% para 4%, anunciou nesta segunda-feira (4) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em rápida conversa com jornalistas na portaria do ministério. O imposto sobre o investimento em ações foi mantido em 2%.

Nesta segunda-feira, o dólar comercial fechou em alta de 0,65%, a R$ 1,692 na venda. Esta foi a primeira valorização nos últimos oito dias. Na última sexta-feira (1º), o dólar registrou o menor valor dos últimos dois anos, a R$ 1,681 na venda.

“É exclusivamente para renda fixa porque achamos que há um interesse crescente dos estrangeiros nessa modalidade. Isso não altera o IOF para aplicação na Bolsa, que continua em 2%”, disse Mantega.

“Essa é uma medida para evitar que o real se valorize e prejudique as exportações brasileiras. Essa medida vem reforçar aquilo que foi feito um ano atrás”, declarou o ministro.

Mantega também afirmou que não é apenas uma "guerra cambial" que se vê no mundo, mas também uma tendência de "guerra comercial".

Segundo ele, os países desenvolvidos deveriam adotar políticas fiscais para estimular a demanda e não ficarem tão dependentes das exportações, o que acaba incentivando atuações para enfraquecer as moedas locais.

Na semana passada, Mantega negou que o governo brasileiro estivesse prestes a adotar um aumento do IOF. “Não está prevista nenhuma alteração [de IOF] neste momento. Depois das eleições não sei”, disse na terça-feira (28).

O mercado especulava, porém, acreditavam que tal medida ficaria para depois do segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo analistas, parte da queda do dólar nos últimos dias ocorreu devido à forte entrada da moeda no Brasil. Temendo um eventual aumento do imposto cobrado, investidores estrangeiros teriam antecipado o envio de recursos ao país.

Nesta segunda-feira, Mantega acrescentou que havia uma perspectiva no governo de que, passada a operação de capitalização da Petrobras, o fluxo de capitais para o país diminuísse -o que não se confirmou. “Eu achei que ia parar, mas continuou a pressão de valorização (o real)”, disse.

Juro elevado

Mantega citou que o Brasil é atrativo para investimentos porque tem juro elevado, enquanto o restante do mundo está trabalhando com taxas baixas.

“Isso favorece, por exemplo, a aplicação de um japonês... Ele pega dinheiro emprestado lá e aplica aqui a 10,75% e ganha a diferença”, afirmou.

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