Este ano deixará saudades para o mercado de capitais brasileiro, apesar do desempenho fraco da Bolsa e da megacapitalização da Petrobras, que represou as demais ofertas de ações.
O ano deve fechar com captação recorde de mais R$ 150 bilhões, número inflado pelos R$ 120,4 bilhões obtidos pela Petrobras e pelos R$ 9,8 bilhões do Banco do Brasil.
As empresas brasileiras já levantaram neste ano R$ 147,9 bilhões na Bolsa para viabilizar projetos de expansão. Outras sete estão com ofertas em análise na CVM.
Em 2010, entraram na Bolsa oito novas empresas e outras três devem abrir capital até dezembro. É o maior ritmo de aberturas de capital desde 2007, quando o Brasil obteve o grau de investimento e 64 empresas captaram R$ 55,6 bilhões na Bolsa.
Como ocorria em 2007, a Bolsa se torna também alternativa de financiamento de empresas de menor porte, segundo Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbima (associação do mercado).
A Renova, empresa de energia alternativa, levantou R$ 161 milhões em julho, quando o mercado já estava "represado" pela Petrobras, que concorria com todas as demais operações.
Segundo José Olympio, do Credit Suisse, a "demanda por Brasil" explica o sucesso das ofertas neste ano. "O aumento de IOF ainda não prejudicou o mercado de ações."
Para Fábio Nazari, do BTG Pactual, o mercado de capitais brasileiro se tornou uma fonte definitiva de financiamento para empresas saudáveis e com bons projetos.
"O mercado está mais maduro do que em 2007 tanto pelas histórias das empresas quanto dos investidores, que estão mais seletivos", disse.
"A Bolsa virou alternativa até para projetos de empresas ainda não operacionais", disse André Lion, gestor da da BRZ Investimentos.
É o caso da HRT, empresa de petróleo tocada por ex-funcionários da Petrobras e da ANP, ainda em fase não operacional (projeto) e que captou R$ 2,6 bilhões.
Ontem, a rede de farmácias Raia retomou seu antigo projeto de abrir capital, abortado em 2008 pela crise.
Para 2011, empresas de infraestrutura, varejistas, restaurantes e até companhias de entretenimento devem abrir capital. No forno, estão as captações da seguradora Brasil Insurance, da fabricante de autopeças Autometal, da Sonae e da Karoon, outra empresa de petróleo. Juntas, devem captar mais de R$ 5 bilhões.
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