segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Preço das commodities impõe descolamento de Wall Street aos emergentes

A idéia do decoupling completo beirava a ingenuidade. Acreditar em pleno descolamento dos mercados emergentes à desaceleração ou mesmo recessão da economia norte-americana era quase crer em Ibovespa em disparada com Petro e Vale caindo.Ainda que cerca da metade do crescimento econômico mundial venha de China e Índia, negar o peso da economia norte-americana no bolo parecia, de fato, bastante precipitado. Em que pese a diminuição de sua importância relativa nos últimos anos, a águia ainda importa, e não é pouco.Em princípio, as bolsas emergentes demonstraram alguma resiliência ao estouro da bolha imobiliaria tiveram uma performance relativa superior aos mercados desenvolvidos, sob a égide de commodities cada vez mais caras. Era, por exemplo, uma quebra - ao menos aparente - da correlação histórica positiva entre Ibovespa e S&P 500.Sob o ponto de vista macro, o fenômeno se justificava sobretudo por uma melhora dos termos de troca aos países emergentes, essencialmente exportadores de commodities. Com matérias-primas mais caras, havia uma transferência de renda dos países desenvolvidos aos exportadores e a perspectiva de continuidade deste cenário permitia aos mercados periféricos manterem-se pouco afetados.

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