segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Definição sobre teto da dívida dos EUA retira pressão e mercado respira aliviado

SÃO PAULO - "Um acordo sobre o teto da dívida dos EUA foi finalmente alcançado durante o final de semana por republicanos e democratas". Sem dúvida alguma, a notícia celebrada por Allan von Mehren, analista do Danske Bank, será a principal referência do mercado nesta segunda-feira (1).

Em linhas gerais, os congressistas norte-americanos devem aprovar nas próximas horas um projeto que prevê a elevação em US$ 1 trilhão do limite do endividamento acompanhado por outros US$ 1 trilhão em cortes orçamentários. Em seguida, ambos os partidos já devem começar a discutir uma extensão do projeto, promovendo US$ 1,4 trilhão adicionais ao teto da dívida e outros US$ 1,8 trilhão em cortes no orçamento.

Como resultado, o alívio deixa espaço para as principais bolsas internacionais já recuperarem parte das perdas acumuladas nesta manhã. Em Wall Street, os principais índices de contratos futuros já indicam abertura com ganhos ao redor de 1,3%.

À espera das agências de rating
Entretanto, apesar do visível reflexo positivo, algumas questões não devem ser esquecidas. Os títulos da dívida da maior economia do planeta, que servem como referência de segurança máxima para os investidores, corre o risco real de ter sua nota de rating cortada nos próximos dias.

"Nós ainda vemos mais de 50% de chances de redução da nota de rating", afirma Mehren, uma vez que agências como a Standard & Poor's previam cortes mais profundos nos gastos do governo.

Obama enfraquecido?
Além disso, recomenda-se acompanhar de perto como se dará o jogo de forças na política norte-americana daqui para frente, pois, para muitos, o Tea Party - ala mais conservadora do partido republicano e principal grupo de oposição - saiu como maior vitorioso do conturbado processo de negociações. Basicamente, o corte de gastos da máquina pública representa bases doutrinárias dos republicanos.

Na outra ponta, o presidente Barack Obama e o partido democrata terão de digerir o fato de não terem conseguido incluir se quer uma linha no projeto prevendo a elevação de impostos, e consequentemente, de arrecadação.

Sob um prisma mais amplo, os mercados devem reagir positivamente ao longo do dia, porém, é certo que muitos ainda aguardam um veredicto final das agências de rating para fortalecer o viés positivo.

Por aqui, o clima não deve ser diferente, e como de praxe nos últimos dias, investidores importam o noticiário externo e combinam-no com a agenda de resultados corporativos trimestrais, com destaque para Duratex (DTEX3) e Klabin (KLBN4).

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